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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

14
Jun21

Certifica-se que está certificado


A.K.

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Como todos sabem as redes sociais são de modas. Quer de assuntos, quer de páginas visitadas e até de fotos.

A moda mais recente é a de colocarem fotos de certificados de vacinação COVID, para mostrarem que já levaram pelo menos, a primeira dose da vacina.

Daquilo que me tenho apercebido, e segundo ouvi dizer, TODOS vão ser vacinados, por isso aquilo que fazem questão de mostrar nas redes sociais não é grande avaria. Significa apenas que são mais velhos que os que ainda não foram vacinados ou que podem ter alguma comorbidade... Que treta, hein?

Mal comparado isto é como o surgimento do carrito Smart lá pelos finais da década de 90, princípio da de 2000. Inicialmente só se via um ou outro, e os donos queriam muito mostrar. As pessoas não conheciam o bólide, até achavam alguma piada e olhavam com vontade. Depois foi uma enchente de tal forma grande que parecia mais uma praga. Havia até lugares de estacionamento próprios para Smart's nalguns centros comerciais. Agora que quase já toda a gente conduziu, pelo menos uma vez aquele minicarro, ninguém lhe liga nenhuma.

Mas percebo que estejam satisfeitos. Afinal de contas é um importante passo dado, rumo à tentativa de vitória contra o ranhoso deste vírus. Mas se querem assim tanto mostrar que estão vacinados sugiro que, das duas uma, ou vos colam os certificados na testa ou então levam com um carimbo no lombo como se faz às carcaças dos leitões ou até como os ovos, que têm sempre o carimbo da validade.

Tem graça que ainda me recordo de até há bem pouco tempo existirem pessoas que temiam a vacina, porque o malandro do Bill Gates queria injectar-nos um chip para ficar a saber tudo sobre toda a gente. E não é que o sacana conseguiu. O chip pelos vistos comanda as vontades dos vacinados, e deve ser por isso que eles mostram os certificados.

Alguns mostram até o acto da vacinação em si. Já não via tanta seringa espetada no braço desde que mandaram abaixo o Casal Ventoso.

Mas deixemo-nos de brincadeirinhas parvas porque na realidade estou um tanto ou quanto apreensivo. Imaginem que passa a ser práctica comum a colocação de fotos de exames, e resultados dos mesmos, nas redes sociais.

Uma "pica" e posterior certificado ainda se aguenta, mas e se a pessoa vai fazer uma endoscopia com biópsia!? Não quero nada imagens disso. As endoscopias são tramadas tanto de fazer como de ver, com a pessoa ali deitada, toda a regurgitar-se.

Preocupa-me ainda mais se calha a alguém ter que ir fazer o exame da próstata...

Pode ser que num dia, em que me calhe a mim ter que fazer este exame, que esta moda macaca já seja apenas uma memória distante.

Caso continuem a insistir nesta treta de expor os certificados, julgo que o nosso Senhor Presidente da República deveria declarar novo estado de emergência, só para assim poder obrigar a que cada pessoa, que expõe o certificado de vacinação, seja também obrigado a expor o seu certificado de habilitações, com os seus 11 e 12 valores, a Educação Visual e Português B. Iam apanhar grande vergonha. Nunca mais punham certificado nenhum online.

11
Jun21

Uns são filhos, outros não são federados


A.K.

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SOMOS OS MAIORES, CARAÇAS. VAMOS AO EURO E ATÉ OS COMEMOS.

Mas com máscara por favor! Ou então não. Então não porque, ao que parece, a maior parte dos jogadores da selecção já estão imunizados.

A justificação é a de que, e passo a citar o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo (o Cristiano Ronaldo da task force), "a vacinação da selecção portuguesa de futebol e da respectiva equipa técnica que irá participar no Euro2020, já está concluída e insere-se na lógica de excreção, para acções especificas de representação oficial do País em eventos internacionais, junto de organizações que recomendam a vacinação dos participantes"a vacinação da selecção portuguesa de futebol e da respectiva equipa técnica que irá participar no Euro2020, já está concluída e insere-se na lógica de excreção, para acções especificas de representação oficial do País em eventos internacionais, junto de organizações que recomendam a vacinação dos participantes"

Trocado por miúdos, aquilo que isto quer dizer é: "- Meus caros, como sabem atravessamos uma pandemia. Já vacinámos uma franja da população mas grande parte está ainda por vacinar. De qualquer das formas é necessário animar o povinho e, como já dizia o outro, temos que ter Fátima, Fado e Futebol. Decidimos então que os jogadores da selecção têm que ser vacinados, ainda que não estejam na faixa etária indicada, não tenham comorbidades e não desempenhem um trabalho que seja essencial à população."

Fátima teve já o seu momento, aquando das comemorações do dia de Nossa Senhora. Foi tudo muito certinho, as pessoas respeitaram cada uma o seu espaço, que havia sido previamente delimitado. Isto dentro do santuário, porque cá fora estava tudo ao molho e fé em Deus... Neste caso em Nossa Senhora.

O futebol já teve vários momentos em que se viu ser tratado de forma privilegiada, e esta situação das vacinas é apenas mais uma. Percebo que é imperiosa a necessidade de haver este espectáculo do futebol e constato, com esfuziante alegria, que no EURO até já vão acontecer alguns jogos com público. Parece que assim de repente tudo melhorou. E deve mesmo ter melhorado porque até nas notícias de hoje, em que nos injectaram doses cavalares de selecção, nem se fez muita menção ao facto de termos atingido 910 novos casos.

Estes 910 casos valem o que valem. Na minha opinião havendo casos mas não havendo mortes, nem uma corrida desenfreada aos hospitais, interiorizo que as infecções acabarão por ser uma normalidade, e aos poucos nem terão qualquer destaque. Se os grupos de risco estiverem imunizados, as infecções poderão ser, na sua grande parte, apenas sensações de mau estar. Mas isto é o que eu penso. Eu não tenho a obrigação e o dever de informar os cidadãos de como evoluí a pandemia. Já os canais e os blocos de informação...

Mas voltando à questão do futebol, que mais uma vez acaba por ser o "filho" a quem calha a melhor parte do testamento.

Várias vezes já ouvi dizer que o desporto é muito importante, mas quando ouço isto penso inocentemente que se estão a referir à prática, não à visualização.

Se realmente ver futebol é assim tão importante sugiro que a Sport TV, Benfica TV e Eleven Sports, passem a ser sujeitas a receita médica e até comparticipadas pelo Estado.

Gosto bastante de ver futebol, mas não consigo enquadrar este desporto de massas como algo culturalmente necessário, de modo a que até os atletas sejam vacinados antes que outras pessoas, que possam realmente acrescentar algo mais.

Vejo mais necessidade cultural em espectáculos, peças de teatro e até em idas ao cinema.

Se faz sentido vacinar os atletas não faria também sentido vacinar actores e todos aqueles que são necessários para que haja cultura?

Isto leva-me ao terceiro F, de Fado.

Será que vem por ai "A Grande Noite do Fado" e todos os participantes vão ter direito a serem também inoculados?

É cultura, representam Portugal no estrangeiro e grande parte do povo também gosta. Logo ai parecem-me critérios mais que suficientes para justificar a vacinação. Se tal não acontecer, parece-me injusto.

Para acabar queria só chamar a atenção para o seguinte. Só ficámos a saber que os jogadores da selecção foram vacinados porque, depois do jogo contra a Espanha, o jogador espanhol Busquets deu positivo à Covid. Se assim não fosse, a coisa era feita pela calada, para evitar escândalos. Mas até nisso foram não pensaram bem. É que está a começar o EURO e quando joga a selecção os escândalos ficam para segundo plano.

 

09
Jun21

Até se me arrepia o manjerico


A.K.

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Nunca fui grande adepto dos Santos Populares e das suas marchas. Houve uma altura em que até ponderei ir às festas mas tendo conhecimento de tamanhos ajuntamentos decidi que não o iria fazer, e atenção que na altura nem sequer se imaginava o que era o COVID.

Acontece que o facto de eu não gostar não significa que mais ninguém possa gostar e esse mesmo facto também não invalida sentir uma enorme injustiça no que diz respeito às restrições que vão ser impostas em Lisboa.

Para que se saiba:

- Caso queiram dar um salto ao Bairro Alto, Madragoa ou Alfama, a PSP não o permitirá e poderá até isolar estas áreas recorrendo a fitas e grades.

- Em toda a Lisboa (concelho) não serão permitidos ajuntamentos e consumo de álcool

- A partir das 19:00 de Sábado, até às 03:00 da madrugada de Domingo, existirão fortes restrições em Lisboa.

Existe forma de contornar esta situação?

Existe sim senhor.

Se se fizer acompanhar de uma carta do Monopoly - Champions League Version que diz "- RECEBEU A CARTA, ESTÁ LIVRE DA RESTRIÇÃO - Caso saiba falar inglês e tenha tracinhos genéticos de hooligan pode fazer o que lhe der na real gana".

Se por acaso não gostar de jogos de tabuleiro também tem a opção de ir vestido com a camisola de um qualquer clube que tenha ganho algo, uma cerveja na mão, e entoar o "We are the Champions", dos Queen e verá que todas as fitas e grades se abrirão, como de magia se tratasse.

Se fosse há uns meses concordaria em absoluto que teria que haver parcimónia, que não se deveriam tolerar ajuntamentos e nem sequer pensar em festas e festinhas, mas depois de todas as excepções dadas, em particular a tudo que diga respeito ao futebol, sinto que agora estão só a ser hipócritas e a tentar tapar o sol com a peneira.

Tudo bem, não vão existir as festas Lisboetas, mas vão existir as portuenses, e se calhar até vai estar calor neste fim-de-semana e provavelmente as praias vão encher e não sei se existirão fitinhas e grades que cheguem.

A vontade que dá acaba por ser anárquica, mas quase que desejaria que as pessoas fizessem pouco caso destas restrições e fossem festejar o S.António, o S.João, o S.Valentim e até a São José Lapa, mas que fossem, e sempre gostaria de ver se os autos aplicados se equiparavam aos dos ingleses e à festa do clube campeão, e que deverão ter andado em torno do zero.

Não tenho nada contra o campeão nem contra os ingleses, tenho contra a falta de organização, a falta de coragem política frente a algumas entidades futebolísticas, e aqui nem equiparo o Sporting à Liga dos Campeões porque no caso do SCP foi só mesmo inoperância das forças de segurança e no caso da Liga dos Campeões foi subserviência dos nossos governantes.

08
Jun21

Quando a esmola é pouca, o pobre não aceita


A.K.

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Há uns tempos ouvi falar de países onde a gorjeta em restaurantes já começa a ser obrigatória. É cobrada como uma taxa e até vem descriminada no recibo. O valor varia entre os 15% e os 20% do total consumido.

Tenho algumas reticências em pagar uma gorjeta pré-definida, porque desta forma o objectivo principal da gorjeta, que é o de gratificar alguém quando usufruímos de um bom serviço, deixa de fazer sentido. Tenho até para mim que, sabendo que a gorjeta já está definida, algumas das pessoas que possam beneficiar dessa mesma gorjeta, nem sequer se esforcem o suficiente para a receber. Não é preciso, está garantida.

Tenho por hábito deixar gorjeta quando sinto que realmente fui bem atendido ou quando, mesmo que o serviço não tenha corrido bem, constate que houve esforço, ou vontade, por parte de quem estava a trabalhar.

Por cá esta moda ainda não pegou.

A que tem vindo a ganhar destaque é outra. É a do donativo com montante mínimo obrigatório.

Há dias, na bilheteira de um sítio com peixes, em Lisboa, enquanto comprava os bilhetes, o funcionário perguntou-me se eu queria fazer uma doação para determinada Fundação. Dei 0,50€ mas qual não foi o meu espanto quando o rapaz disse: " Faltam 0,50€."

Meio parvo balbuciei um "Desculpe, não percebi!" e o simpático rapaz, que apenas estava a fazer o seu trabalho, explicou-me que só aceitavam doações acima de 1€ e, como tal, ainda faltavam 0,50€.

Perguntei se havia um limite máximo, ele respondeu que não, só mínimo, então passei um cheque no valor de 250€, agradeci e vim embora...

Apanharam-me na mentira porque obviamente que hoje em dia ninguém usa cheques, mas a verdade é que além de não passar nenhum cheque ainda voltei a guardar os meus 0,50€ no bolso.

Não é pelo valor em si, mas sim pela atitude, não do rapaz mas da instituição. Então os meus 0,50€ não são bons o suficiente para fazer doações, mas 1€ sim! 1€ mais não é que duas moedas de 0,50€, mas com uma roupagem diferente.r

Irrita-mem bocado esta mania que é a falta de vergonha de quem pede. Agora é hábito haver um valor mínimo.

Reparem que até os tipos que vêm pedir umas moedinhas para o comboio, ou para comer qualquer coisinha, já não pedem umas moedinhas, aparecem e perguntam se não temos 0,50€ ou um eurinho. São eles que nos gerem as finanças

Sempre ouvi duas coisas. Que quem dá o que tem, a mais não é obrigado e que a cavalo dado não se olha ao dente, mas estes dois dizeres agora deixam de fazer sentido.

Quem dá o que tem muitas das vezes tem vergonha do que tem, porque o cavalo que está a dar pode ter dentes pouco saudáveis e hoje em dia quem recebe quer receber um cavalo com aqueles implantes do Maló que deixam os dentes todos branquinhos e direitinhos que parecem até as teclas de um piano.

Até no Banco Alimentar já inventaram cartões em que pagamos um valor monetário para que depois supostamente, seja convertido em feijão, grão, atum ou arroz, mas a verdade é que aquilo que fizemos foi doar dinheiro.

Resumindo:

Ainda não existem em Portugal restaurantes com gorjeta obrigatória, mas existem imensos sítios onde só podemos gastar o dinheiro que nos permitirem.

Sinceramente não gosto nada que me digam o quão solidário devo ser, e que a solidariedade só assim possa ser chamada, a partir de certo valor. Abaixo disso é esmola e é esmola que poucos aceitarão.

01
Jun21

Autêntica parvoIVA


A.K.

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Se ao ler o título imaginam que vou criticar a prestação da Iva Domingues (antiga Pamela) na apresentação da xaropada que é aquele programa que acontece nas manhãs da TVI, estão muito enganados. O tema que prefiro abordar é a magnífica iniciativa do nosso "mui" garboso Governo, com a invenção do novo "IVAucher".
A coisa funciona do seguinte modo. Nos próximos 3 meses o cliente frequenta um negócio de restauração, alojamento ou cultura. Faz a sua despesa normal e pede a sua continha e vai acumulando o valor do IVA, para depois de passados estes 3 meses os poder usar, no mesmo tipo de negócios, durante o período de 2 meses. O valor que lhe será descontado nesses 2 meses poderá ser até de 50%. Poderá porquê? Porque não é garantido que seja, pois os pontos acumulados terão ainda que ser validados pelas Autoridade Tributária.
Para poder aderir ao IVAucher terá que ter instalada a aplicação do mesmo no seu smartphone, pedir factura com NIF, associar cartões multibanco, saber fazer um flick flack à retaguarda, saber cantar o hino de Portugal, mas em Islandês e ter cada uma das unhas pintadas em pantones que acabem em número par. Simples, certo?
A iniciativa visa estimular a economia para que esta se possa reerguer depois deste tempo todo de confinamento. Parece-me o gesto acertado, usar a falta de discernimento do contribuinte para assim conseguir policiar as áreas onde o IVA dará a acumulação de pontos.
Falto de discernimento porque o cidadão comum, quando ouve falar em ofertas e descontos fica cego. Não percebe que para conseguir ter algum tipo de benefício quase que tem que vender a alma ao diabo, e policiamento das áreas de restauração, alojamento e cultura porque isto mais não é do que uma tentativa de impedir uma fuga ao pagamento do IVA. Sei que esta não é uma opinião popular e consensual, mas para mim, neste momento, faz todo o sentido que essa fuga aconteça. No final das contas ao estar a pedir factura para poder, TALVEZ, vir a ter uma benesse, estou a retirar uma percentagem do valor que dei a ganhar, a quem me está a prestar um serviço. Em condições normais é justo, mas estes serviços estiveram muito tempo fechados, muitos com funcionários a quem tiveram que continuar a pagar e também com obrigações fiscais que tiveram que ser cumpridas. Quem iludidamente pensar que houve apoios de valor aquando dos confinamentos, está redondamente enganado. Para validar aquilo que digo basta ir perguntar a um qualquer café ou restaurante da sua rua. Os apoios são para a TAP e para o NOVO BANCO, não para o pequeno e médio empresário.
Com esta iniciativa o Governo acaba por querer que quem pague a factura do confinamento e da pandemia, sejam aqueles que mais se viram afectados com os seus negócios fechados.
Sinceramente não consigo perceber. Pensei que vinha uma enorme bazuca europeia para revitalizar a economia, mas ao que parece a bazuca é apenas uma pistolazita de fulminantes, e fulminantes pagos pelos que nem terão direito a nenhum disparo.
Para revitalizar a economia o gesto devia ser precisamente o contrário. Durante 3/4 meses o IVA de negócios como a restauração, alojamentos, cultura e outros serviços, deveria ser perdoado, para que pudesse haver algum capital excedente, de forma a ser aplicado.
Da minha parte garanto, IVAucher, não obrigado, e não vou pedir factura em lado nenhum. Se for para ser polícia da Autoridade Tributária, ao menos que me dêem uma farda, para depois andar no Metro e me tirarem fotos de calções apertadinhos.

01
Jun21

Quem quer cozinhar com o agricultor?


A.K.

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Se numa conversa intimista o Daniel Oliveira me perguntasse "O que dizem os teus olhos?", à data de hoje eu diria: "Como telespectador do Hell's Kitchen, clamam por respeito."
Não sou aquele tipo de pessoa que pensa que conta muito para a estatística, mas sou aquele tipo de pessoa que tem a esperança que muitas outras pessoas pensem como eu e que, como tal, também façam como eu quando se sentem de alguma forma desrespeitadas.
O director de programas da SIC, na incessante luta por audiências que devo dizer penso ser perfeitamente legítima, afinal de contas um canal sem audiências é um canal sem interesse empresarial, esqueceu que quem lhe fornece as tão desejadas audiências são os telespectadores. Ao fazer mudanças de programação, com pouco sentido, para poder assim enfiar a martelo a nova temporada do "Quem quer namorar com o agricultor?", esquecendo por completo que durante várias semanas foi vencedor nas audiências por causa de quem via os pupilos do Ljubomir, foi apenas e só um cuspir no prato em que comeu. Ainda por cima um prato em que lhe foi servida uma refeição abastada.
Acredito que o programa do agricultor que quer deixar de ser solteiro, também conte com bastantes audiências. Se assim não fosse isto não ia já para a temporada nº542. Mas há tempo para tudo, e não faz muito sentido deixar de dar a final do programa "Hell's Kitchen" para começar a dar um outro programa e inventar ainda também, para depois do agricultor, uma espécie de fantochada de "Hell's Kitchen - Os finalistas", que mais não foi que a repetição de momentos do programa que deram ainda não há muito tempo.
Não sei se quem vê o programa, que não sendo culinário se pode considerar de cozinha, também vê o programa do namorico com o agricultor. Eu não vejo. Não tenho nada contra "reality shows" e "talent shows" mas o conceito deste, especificamente, não me atrai nem nunca atraiu, sendo que nem nunca assisti a 5 segundos, sequer, do mesmo. Foi por isso que quando tomei conhecimento que este programa tinha sido iniciado, sem sequer ter sido transmitido o final do outro, fiquei um pouco aborrecido.
Então e o que é que vou fazer para demonstrar o meu desagrado? Perguntarão vocês.
Nada que incomode ninguém o suficiente, mas posso garantir o que não vou fazer. Não vou ver a final do Hell's Kitchen, seja ela quando for. Tal como disse, não vai fazer mossa a ninguém, mas eu vou-me sentir muito bem comigo próprio pelo facto de não "papar" aquilo que me querem impingir, apenas porque desta forma promovem um novo programa e guardam o trunfo da final para outro dia. Posso também garantir que nessa altura, o simples facto de não estar a assistir ao programa transmitido pela SIC, não significa que vá obrigatoriamente para a concorrência. Não tendo nada contra, a verdade é que também não suporto "talents shows". Primeiro porque talento há muito pouco, e reparo que quanto menos existe mais baixo é o grau de exigência de quem assiste. Depois porque dos dois que estão a ser transmitidos àquela hora, um deles pertence à Cristina Ferreira, e em vez de assistir a programas da princesa da Malveira, posso aproveitar o tempo para fazer coisas que me custem menos fazer. Entre eles:
- Puxar pêlos do nariz com uma pinça
- Arrancar as unhas dos pés recorrendo a um alicate ferrugento
- Gotejar a vista com sumo de limão
- Decorar o alfabeto cirílico de trás para a frente
- Entalar o escroto no fecho das calças.

27
Mai21

Em alto e bom som, para toda gente ouvir


A.K.

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Situação passada hoje, no comboio.

Uma senhora fala ao telemóvel em alta-voz. Uma outra senhora, mais velha, pergunta-lhe se pode antes falar em modo normal, porque a incomoda ter que ouvir conversas pessoais.

A senhora pede desculpa, desliga o alta-voz e segue conversa.

Duas paragens mais à frente entram uma senhora africana, com a filha e curiosamente também a falar em alta-voz. Vai sentar-se precisamente junto da senhora mais velha.

Depois de alguns minutos, e vendo que a conversa não ia terminar tão depressa, a senhora mais velha faz o pedido que também tinha feito à outra. A senhora, que está com a filha, dando-lhe assim o exemplo correcto de como agir nestas situações, responde: "Quem está mal muda-se. Não estou a incomodar ninguém e a senhora nem ouve a minha conversa."

A senhora mais velha respondeu que já estava naquele lugar, que se sente incomodada por ter que estar a ouvir conversas privadas, que mesmo sem querer está a ouvir a conversa, tal como toda a carruagem, e que até sabe que a chamada é para a neta poder falar com a avó, e que tem que se ter consciência de não usar desta forma o alta-voz, pois se naquela carruagem todos o fizessem, ninguém conseguiria falar.

A resposta da mãe foi a mais simples de todas. Disse: "Só me está a dizer isso porque sou preta. É racista."

Eu ficaria desarmado com este murro no estômago, mas a senhora mais velha, com todo o seu sangue frio e espírito acutilante, respondeu: "Antes da senhora entrar fiz o mesmo pedido a outra menina, sem lhe ter olhado à cor da pele. E deixe-me que lhe diga que a educação não tem cor, e era isso que devia transmitir à sua filha".

O que é verdade é que a mãe há-de ter tido alguma vergonha, porque acabou por desligar o alta-voz.

Em relação ao esgrimir do argumento do racismo nem me vou pronunciar.

A senhora foi só parva e já aqui tinha referido que vai chegar a altura em que tudo acabará por ser como a história do Pedro e do Lobo. Com tanta vitimização despropositada, vai chegar uma altura em que as pessoas vão deixar de acreditar. E não estou a falar só de questões raciais. Quando há uma denúncia há que se investigar e punir o agressor quando é verdade, mas julgo que também se deve punir o denunciante quando se descobre que é mentira.

Esta questão da alta-voz, das colunas de som, do não se querer saber se estamos ou não a incomodar o próximo é mais um reflexo da falta de educação, noção e senso comum? Será que estamos todos a ficar parvos e já não conseguimos perceber que supostamente é bom "pensar fora da caixa" mas também é bom que cada um se mantenha "dentro do seu quadrado" e que tente não invadir o espaço dos outros. Mesmo em restaurantes é incómodo querer fazer uma refeição e nas mesas do lado ter grupos de pessoas que não se sabem comportar em público, proferindo asneiras em alto e bom som e rindo ou gritando, apenas porque estão muito contentes ou são muito sociais.

Parece-me uma batalha perdida porque na verdade tudo é uma questão de educação e a educação não aparece por osmose. Tem que haver um trabalho de pais, família, sistema de ensino e até da sociedade para que se evitem estas situações e até outras como a da Jéssica do Seixal, cujas agressões fizeram um rapaz correr para a frente de um carro, sendo atropelado e não morrendo por um triz.

A senhora do comboio de hoje, aquela que tinha mais idade, fez a parte dela e eu invejei não ter a capacidade que ela demonstrou de exigir que quem partilha um espaço público comigo me saiba respeitar como eu os respeito a eles.

25
Mai21

A pandemia deu um pandemónio de educação


A.K.

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Sobre o início da pandemia.

Vou relembrar a esperança instalada nalgumas pessoas, que afirmaram no início deste fado, que a pandemia também traria coisas positivas, sendo que a mais evidente seria a empatia, a proximidade e o reforço da humanidade.

Estas previsões pareciam as dos astrólogos, que no início de cada ano dizem aquilo que inventam, e que em nada acertam. No princípio, quando todos julgavam que "isto" ia durar uns 2 ou 3 meses, havia gente a bater palmas às janelas, a fazer serenatas, a emocionarem-se com as palavras do Bento Rodrigues e do Rodrigo Guedes de Carvalho. Ao passo que foram entendendo que a situação afinal não era uma mera brincadeira, então começou a mostrar-se a verdadeira essência do ser humano actual.

Primeiro foi a situação do papel higiénico. Amedrontados com o facto de puderem ser apanhados pelo COVID com as calças na mão, o "tuguinha" decidiu que até podia ficar com o rabo de fora, mas tê-lo-ia tão limpinho e tão lustrado, tal foram as engraxadelas à base de tantos rolos de papel higiénico, que com o espanto de ver esfíncteres tão imaculados, o vírus viraria as costas e ia embora, todo envergonhado. Este foi dos primeiros actos de estupidez e egoísmo, e foi mesmo no princípio, para que ninguém se cansasse de esperar...

Depois foram os passeios higiénicos. Nunca se viu tanta gorda de leggings como agora. O passeio deixa de ser assim tão higiénico, quando as leggings usadas são sempre as mesmas, e aparentam ser lavadas muito de vez em quando. Todos pensaram o mesmo e todos se acharam mais inteligentes e iluminados que todos os outros. O pensamento era "vou dar as voltinhas que quiser dar, mas como vou com roupa desportiva digo que estou no passeio higiénico". 

As luvas e as máscaras passaram a ser uma realidade diária. Entretanto as luvas deixaram de se usar tanto. Na minha opinião porque esteticamente, no chão, são menos apelativas que a máscara. A luva dá a sensação de que uma peixeira estava a escamar uma dourada, teve que sair de repente e deixou a luva caída no chão. Já a máscara dá mais estatuto. Quando a vemos no chão a ideia com que ficamos é a de que um médico teve que sair de urgência, para ir salvar uma vida, e nem teve tempo de a colocar no lixo.

Outra das características que ficaram mais vincadas na sociedade foi que deu para perceber, ainda melhor, que a grande maioria das pessoas são porcas. Percebe-se pelas tais luvas e máscaras no chão e também pelo aumento de poias de cães. Passear o canito era mais uma desculpa para andar na rua, mas se bem me lembro não havia nenhum decreto que desse minutos extra de soltura por andar a apanhar bostas. Então vai de deixá-las onde estão.

Filas de supermercado. Havia intermináveis.

Quem quisesse ir buscar um pacote de leite, amaldiçoava a hora em que não comprou uma vaca para ter em casa. Escusado será dizer que se viam famílias inteiras a ir "passear" para o supermercado, e não era rara a vez em que utilizavam o argumento do puto de colo, para passar à frente na fila.

Mas depois de 2 anos de pandemia, a verdade é que se nota que, talvez pelo facto de se ter perdido o hábito de nos cumprimentarmos, as pessoas estão mais mal educadas. É que não é um aperto de mão ou 2 beijinhos que demonstram o quão educado se é.

Estive há poucos dias no hospital. O número de lugares sentados é consideravelmente menor que antes, uma vez que se têm que respeitar distâncias de segurança. A verdade é que nunca tinha visto tanta correria às cadeiras como agora. Ainda por cima de malta mais nova, que quase atropelam os velhos para se conseguirem sentar antes deles. Uma miséria de gente que levou a conversa do Rodrigo Guedes de Carvalho do "aos vossos pais pediram que fossem para a guerra, a vocês pedem que fiquem no sofá..." demasiado à letra. Mas daquilo que percebi, o sofá é em casa, pá!!

Para mim, o balanço que faço desta pandemia acaba por ser positivo, no sentido em que dantes achava que era rezingão, pois tinha a desconfiança de que a sociedade era desgraçada, podendo ser injusto e estar errado. Agora vejo que não estava e o facto de estar certo é extremamente positivo. Pelo menos para mim é.

20
Mai21

O vício de ser do contra


A.K.

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Começou na última 3ª feira a ser vendida a Raspadinha do Património. Para quem não conhece esta raspadinha qual é a diferença para todas as outras? As diferenças são várias, entre elas o facto de que o dinheiro obtido com a sua venda (custa 1€) será para investir na manutenção de museus e teatros históricos, por exemplo. Diz-se que também poderá servir para criar fundos de apoio a artistas, com o intuito de evitar situações vividas pelos mesmos, como a que sentiram por alturas do confinamento.
Outra diferença é o valor máximo do prémio. Logo aqui dá para perceber que quem atribui é o Estado. Enquanto outras raspadinhas apostam em 20.000 e 50.000€ o Estado atribui apenas 10.000€. Mas também não se pode querer tudo, não vá o valor do prémio fazer falta a algum fundo de restruturação de um qualquer banco privado, e sendo assim faz todo o sentido que o prémio seja mais fraquinho.
Agora a diferença maior e mais nefasta nesta raspadinha e que tem gerado uma grande polémica, existindo até vozes que se têm levantado de forma a mostrar a enorme vergonha que é esta raspadinha. A grande e horrorosa diferença é que esta raspadinha PODE VICIAR. É verdade meus caros leram bem, pode viciar.
Nunca tal se tinha visto. Um jogo, que pertence a um leque de jogos que se apelidam de "jogos de azar", pode levar a que as pessoas fiquem com uma ânsia tão grande de raspar, que nem crostas vão conseguir ter no corpo, raspando-as logo... Sim eu sei, não é a imagem mais bonita mas dá para perceber onde quero chegar.
Não tenho o hábito de jogar em raspadinhas, mas isso pode ser porque as outras não viciam, e como tal nunca me seduziram. Já esta Raspadinha do Património vejo-a nos escaparates das papelarias e parece que ouço uma voz cantante a chamar por mim, deixando-me em transe e com uma vontade doida de usar o meu €uro para ganhar 10.000. Mas tal como o Ulisses, eu resisto ao canto desta sereia feita de cartão, e evito entrar no mundo da dependência.
Atenção, posso até brincar com a situação, mas a verdade é que a adição do jogo é real e coloca muitas famílias em situações complicadas. Agora dizer que esta raspadinha em concreto vicia é o mesmo que dizer que os ovos são carecas. Todo o jogo vicia.
Há o argumento de que é uma vergonha o Estado aproveitar-se de algo que leva à adição para com isso obter alguma espécie de lucro.
Também penso que é uma vergonha. Aliás, é uma pouca vergonha, até porque nunca foi feito.
Qualquer dia o Estado ainda se vai lembrar de cobrar um qualquer imposto abusivo no tabaco e nas bebidas açucaradas, por exemplo. Obviamente não seriam capazes disso, mas até aposto que se fossem iriam dizer que o imposto era para colocar um travão às pessoas, no uso destes produtos, uma vez que são muito prejudiciais à saúde pública. Em última análise, e se fossem mesmo muito descarados, podiam até inventar um imposto especial para os combustíveis, dando a desculpa de que seria para a população utilizar os transportes públicos como alternativa, ou haver mais pessoas por cada carro. Mas isto são hipóteses, porque nada disto existe, o que existe é esta raspadinha viciante e vergonhosa que utiliza a fraqueza dos viciados.
Quem for viciado vai sempre jogar, seja a raspadinha do património, da Santa Casa, do Pai Natal. Todo o viciado não deixa de ser viciado porque o Estado deixar de cobrar. É por isso que sou defensor da legalização de qualquer tipo de drogas, sejam elas leves, pesadas, duras, moles ou até se forem todas "fit" e ginasticadas. Quem consome vai sempre consumir e sendo de mais fácil e controlado acesso, fornecido pelo Estado, então poderia baixar a criminalidade, quer de quem rouba para consumir, quer dos cartéis que as vendem, e o imposto aplicado ia acabar até por ser uma mais valia.
Mas isto é outra história, e como já me estou a alongar vou ver ser encontro mas é uma papelaria onde possa gastar 1 ou 2 euritos. Estou com uma vontade de raspar...

17
Mai21

Como diria Bruno Nogueira: "Fraquinho... Muito fraquinho"


A.K.

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Foi hoje o 6º e último episódio do "Princípio, Meio e Fim".
Uma vez que escrevi o que pensava, depois do primeiro episódio, no post "Um tanto ou quanto desiludido" achei por bem voltar a fazê-lo depois do último episódio.
Na altura defendi que a ideia era engraçada mas que faltava alguma comicidade e que dava a sensação de que eram usadas demasiadas "private jokes" que só os intervenientes perceberiam.
Tive imensas reacções ao post, dizendo que o programa era de génio, que era preciso entender a comédia, que as "private jokes" não eram "private jokes".
A verdade é que com o passar dos episódios o programa foi perdendo cada vez mais e mais audiências. Esvaziou rapidamente como se de um balão se tratasse e o recurso ao grito histérico, como forma de tentar ser engraçado, deixa de ter piada quando chegamos aos 4/5 anos de idade e deixamos de ser tão infantis.
Depois de ter assistido a todos os episódios, devo dizer que a série além de nunca descolar na verdade foi-se afundando cada vez mais.
Foi um projecto pioneiro, funcionaria talvez se fosse de episódio único, mas assim mostrou aquilo mesmo que pensava. Serviu apenas para divertir quem nele participou.
Já sei que imensa gente poderá dizer que é preciso aprender a gostar, mas para mim quando o argumento que é usado para uma série que se quer de comédia, é o mesmo argumento que é usado para o sushi, então temos mesmo um problema.
Os intervenientes não deixam de ser bons por terem participado em algo que não funcionou. Já houve outros programas que também não funcionaram e que depois até se tornaram de culto, como a Hora H, do grandioso Herman José, mas o "Princípio, Meio e Fim" por muitas voltas que se dê, penso que difícilmente chegará ao culto.
Algo que também não correu muito bem, foi o facto de os autores criticarem o horário a que o programa foi transmitido. Não me parece que o problema tenha sido o horário, até porque quando a obra se entranha, vê-se nem que seja no dia a seguir, e aqui não aconteceu, tendo até em consideração a falta de burburinho que a mesma criou, a não ser depois do primeiro episódio.
Bruno Nogueira já teve ideias fantásticas, e esta também não era má, mas foi mal conseguida e arrastou-se por demasiados episódios. Foram só 6, mas pareceram muitos mais.

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