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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

15
Nov23

Quem vai casar com a Carochinha?


Pacotinhos de Noção

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A Carochinha vai para o seu quarto casamento. Não é viúva. Todos os seus "ex-" estão muito bem vivos.

Casou apaixonada, por um homem estudado e garboso. Parecia até artista de cinema e a Carochinha andava toda vaidosa. Os primeiros anos foram maravilhosos, mas depois veio a desgraça.

Aquele, que outrora fora o seu príncipe a cavalo, agora mais não era que o cavalo. Dava-lhe coices a torto e a direito, e tratava-a muito mal. Mas ela nada fazia porque achava que era amor. Levava porrada todos os dias, mas ele dizia-lhe que era assim, e que as coisas haviam de melhorar. Até que um dia chegou a polícia e trancou o bandalho do marido.

A magoada senhora não ficou sozinha muito tempo. Juntou-se a outro tipo que prometeu que trataria dela. E de facto tratou.

Curou-lhe as feridas, arrumou-lhe a casa e até a tratava bem. 

Não era romântico como o primeiro marido. Era mais para o pragmático, e não era um tipo expansivo.

Carochinha não recebia um único elogio por este marido. Dava-lhe segurança, ainda que com limitações, mas era segurança, só que as saudades do primeiro eram mais que muitas. Era um malandrão, mas era tão lindinho.

Passado pouco tempo, um dos grandes amigos do primeiro marido, começou a rondar a Carochinha. 

Não tão bonito como o seu "ex-", mas prometia mundos e fundos. Dizia tudo aquilo que ela queria ouvir e ainda por cima era bonacheirão. Foi deixando de lado o segundo marido, mas não o mandou embora de fora abrupta... Deixou que fosse este novo pretendente a fazê-lo. Juntou-se a um bando que tinha, e deu um pontapé no traseiro do segundo marido da Carochinha.

Tudo se transformou num mar de rosas.

Carochinha passou a ser tratada como uma rainha e tinha tudo o que queria, ou pelo menos se não tinha, o novo marido prometia-lhe que teria.

Passou algum tempo e a história repetiu-se. A Carochinha voltou a levar no focinho como gente grande, mas foi sempre relevando. Afinal de contas ele até é um bom marido, só lhe bate quando é preciso, quando toma um copito, ou quando quer mostrar aos amigos, que tem na Europa, que na casa dele, quem manda o macho, ou os amigos, caso queiram.

A mulher levava, e levava, e levava, mas sempre que alguém lhe perguntava ela dizia que o marido era bom. Chegaram a dizer-lhe para ter cuidado, que o marido tinha um amigo que fuma daqueles cigarros que fazem rir, mas nunca ri. Só isso já mostra como pode ser perigosa essa pessoa.

Ela não quis saber, e sempre defendeu o marido, e acobertou as trafulhices que ele fazia. Escusado será dizer que deu asneira.

Descobriu-se que o marido fazia parte de um gangue de malfeitores, e o tipo, antes dos calos apertarem, pôs-se ao fresco. Não sem antes dar mais uma saraivada de porrada à mulher, com a célebre frase "isto dói-me mais a mim do que a ti, mas é preciso".

Carochinha ficou desfeita. É uma inapta que não sabe estar sozinha e anda sempre à procura do próximo marido que a trate mal.

As ofertas agora estão mais limitadas, e alguns dos homens são do tipo que não toma banho, mas como são popularuchos, e também dizem aquilo que a mulher quer ouvir, têm subido na sua consideração. 

É então que de repente se faz luz e

Carochinha vê uma cópia do primeiro marido. Também este é um anjo grisalho, e dizem que tem um feitio difícil. A ela não lhe interessa, pois faz um vistaço e tem potencial para também lhe dizer tudo aquilo que ela quer ouvir. Se depois vai fazer ou não, é-lhe um bocadinho indiferente, desde que lhe dê umas valentes lambadas nas ventas, conforme fazia o seu primeiro homem.

Com esta história toda a conclusão a que chegamos é de que afinal a Carochinha apanhava, e apanha, mas pelos vistos até gosta, porque acaba sempre por ir parar aos braços daquele que pior a tratar. Não consigo perceber se é masoquismo, ou se é estupidez, aquilo que consigo perceber é que a Carochinha não quer ser ajudada. Está emancipada, vai em Abril fazer 50 anos, mas a verdade é que nunca chegou a ser dona de si própria, porque em 50 anos, 25 foram com homens a maltrataram. É uma burra do caraças e esta história da Carochinha já enerva, de tão repetitiva.

07
Nov23

Mas qual é o espanto!!!


Pacotinhos de Noção

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Eis senão quando, todos ficam escandalizados porque aquele, que até então foi o Presidente dos afectos, das selfies, o simpati-⇒cuzinh0, se mostrou como a besta do apocalipse, o mafarrico, o Nosferatu.

Deixem-se de histerismos, de se armarem em inocentes. Há cerca de 1 ano, a 12 de Outubro de 2022, escrevi o post "LOBO EM PELE DE CORDEIRO". Nele falava do quão Marcelo é pouco confiável, nas suas duas faces e em vários casos que mostram que a sua carreira política é tudo menos límpida.

Quem ficou chocado com esta reacção para com o embaixador da Palestina, certamente que já esqueceu o episódio do Qatar, "que não respeita os direitos humanos... Mas enfim, esqueçamos isso". Já nessa altura Marcelo mostrou que a sua humanidade e a sua empatia, pelos outros seres humanos, estava ao mesmo nível do de um poste de electricidade. Acontece que tudo passa, foi apenas um deslize, mas quando o deslize se torna a repetir, e aqui em proporções ainda maiores, então de deslize já passa a falta de carácter, já passa a pura e simplesmente não se querer saber daquilo que acontecem a outros seres humanos. E afinal de contas porque é que se haveria de querer saber, uma vez que já estão mortos, e aqueles que não estão mortos se calhar nem merecem aparecer na foto com o Marcelo, afinal de contas são dos que "desta vez até começaram".

Não vou abrir o livro de memórias e enumerar os vários episódios que mostram como o Presidente de todos os portugueses sabe meter o pé na argola, aquilo que apenas vou constatar é que o português é um povo burro e ignorante... Lamento porque sim, de facto estou a falar da grande maioria, e provavelmente até te estou a englobar a ti, que lês estas linhas.

São burros porque são péssimos a escolher os políticos que os representam, senão vejamos bem... Sócrates, António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres (e não me venham com a treta da ONU. Foi Primeiro-Ministro 7 anos e meteu o país de tanga, se bem se lembram.)

Marcelo foi escolhido com 60% dos votos, e quem lhe deu esses votos foram burros, porque quiseram votar no tipo popularucho, que aparecia na televisão e que se comporta como um taberneiro alegre. Os outros, que se abstiveram de ir votar, são burros, precisamente, porque não foram votar, prescindindo assim de um dever, e um direito, que podia permitir a vitória de outro candidato, que talvez pudesse ser alguém mais interessante que Rebelo de Sousa, no desempenho do cargo. Refiro-me especificamente a Ana Gomes, que se tem sempre mostrado isenta, e que até prova que eu não tenho cores políticas. Voto em programas, voto em pessoas, e o programa de Marcelo era aquele em que ele aparecia na TV, e em termos de pessoas o homem não tem interesse. Ele como pessoa é zero, as outras pessoas para ele, zero são.

25
Out23

Admito a minha cobardia


Pacotinhos de Noção

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Tomei a decisão de tentar evitar tudo o que esteja ligado a guerras. Notícias, debates, conversas.

A verdade é que mexe comigo mais do que podia pensar, principalmente porque não paro de pensar nas crianças usadas como escudos humanos, marketing mórbido, e jornalismo sensacionalista.

Incomoda-me as opiniões tão extremadas de quem está longe, de quem manda “postas de pescada” tão assertivas, desde o conforto do seu canto europeu.

Irrita-me que comparem o conflito entre Israel e a Palestina, a Rússia e a Ucrânia, quando no essencial a diferença é nenhuma, porque o essencial é que o que mais existe são inocentes pelo meio, e fico abismado por perceber que há quem defenda que em determinadas situações, não há inocentes.

Todos criticam a CMTV por ser um canal sensacionalista, porque mostra que o Álvaro das Couves esfaqueou um vizinho devido a uma árvore que lhe invadia parte do terreno, no entanto, não criticam os canais generalistas que perderam o pudor em mostrar imagens de corpos, e de poças de sangue, enquanto jantamos.

Alguém vai dizer que deve ser mostrado porque é a realidade, mas se fores um desses que defende que isto é a realidade, então tenho pena de ti, porque a realidade não é isto, caso contrário já nascíamos munidos com uma arma automática nos braços. A realidade é nascermos, crescermos, vivermos e tentarmos não chatear a cabeça a ninguém. Todos os conflitos que existem no Mundo têm uma razão, mas nenhuma das razões é natural. Não se estão a matar porque o extermínio do outro é necessário para a sua própria sobrevivência. Estão a matar-se por religião, por terra, por petróleo, por drogas, por tudo o que não é natural.

Quanto a mim, os conflitos não deveriam ser mostrado nas televisões. Não por uma questão de censura, mas por uma questão de que de nada adianta, serve apenas para tentar ganhar audiências. Desafio que alguém me diga, com certeza inequívoca, uma qualquer guerra que tenha acabado graças a manifestações, ou pressão da população. As guerras só acabam quando quem as começou tenha visto cumprido todos os seus interesses, e decida então que tem que acabar.

Outro dos motivos pelo qual as guerras não deviam ser noticiadas é porque os meios de comunicação perderam uma das poucas virtudes que tinham, e que era o de serem órgãos isentos, e nem sequer fazem questão de fingir que são.

Algo vai mudar se eu não vir notícias acerca da guerra?

No panorama mundial não, na guerra também não, mas para mim sim. Vou conseguir manter um pouco mais a minha sanidade mental.

Às vezes a ignorância é uma bênção.

24
Out23

O país que me faz órfão


Pacotinhos de Noção

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Parece-me que começa a chegar a altura em que tenho que tomar uma atitude.

Portugal não vai no bom caminho. Quer em termos económicos, mas também sociais.

Não sou um tipo velho, mas lembro-me das crises mais recentes. A vinda da troika, de outra altura em que diziam que o país estava de tanga, e de uns anos 80, antes da entrada na CEE, em que não havia grandes luxos e em que a inflação estava altíssima. As duas grandes diferenças dessas crises, para esta que agora vivemos, é que a esta ainda ninguém se lembrou de chamar de "crise", e nesta, enquanto há urgências a fechar, não há médicos para trabalhar, professores a reivindicar e pessoal a morar em tendas, temos um Governo, que com o maior descaramento, faz propaganda política, enganando os otários que se querem deixar enganar, afirmando que vão baixar o IRS, e atribuir apoios que irão melhorar a vida do comum português. No entanto, também vão aumentar uma série de impostos indirectos, que engolirão qualquer baixa de IRS, ou outra esmola que seja atribuída. No meio disto ainda se orgulham de afirmar que irá haver excedente orçamental.

Factos concretos:

Tenho um negócio próprio desde 2012.

Sempre foi próspero, e mesmo hoje trabalho não me falta. Aquilo que falta é dinheiro. Não posso aumentar preços ao valor da inflação, os clientes não suportariam, mas a mim, e a toda a gente, aliás, tudo é cobrado ao valor da inflação, e até acima, porque há sempre quem se queira aproveitar.

Luz, água, higiene e segurança no trabalho, material, seguros, tudo sofreu um aumento terrível, menos os meus ganhos, que pelo contrário, têm diminuído.

Depois um tipo houve que o IUC vai aumentar, os sacos de plástico da fruta vão passar a ser a 0,04 €, que determinados produtos vão sofrer alterações nos valores para nosso bem, pela nossa saúde, ou pelo ambiente, e um tipo sente que está a ser roubado por um carteirista que faz questão de nos mostrar que nos está a enfiar a mão no bolso, e que na sua procura pela carteira, ainda faz também questão de nos apertar, fortemente, um testículo.

Poderia pensar que estou num belo país, com gente afável e simpática, e bela comida, mas a comida também está a encarecer. Se a gasolina está cara, o azeite está pela hora da morte, e entre uma e outra coisa, convenhamos que um bacalhau temperado com Sem Chumbo 95, não é o prato mais apetecível. 

Relativamente à gente "afável e simpática", esqueçam. Cada vez vejo mais gente estúpida, idiota, mal-encarada, agressiva e digna de pouquíssima confiança.

Resumindo, quem gere o meu país está a fazê-lo de forma miserável, quem vive no meu país parece estar acostumado a apenas sobreviver, e sente-se bem com isso. Pois eu não sinto, e digo desde já que não sou minimamente nacionalista. Não é um hino, uma bandeira, uma língua que me prende a Portugal. É o sangue, é apenas o sangue que o faz, mas há uma altura, que mesmo o sangue sendo forte, há que pensar no sangue que descende do nosso.

O sangue que me prende a esta malfadada terra é o sangue da minha mãe e dos meus irmãos, mas o sangue que me faz querer mudar, para melhor, é o dos meus filhos e da minha mulher, e eles ainda têm uma vida pela frente, que quero que seja a melhor possível, e para tal têm que estar num sítio que os respeite, que lhe dê a oportunidade certa para poderem evoluir.

Não é num país como este, em que um licenciado, um mestrado, um doutorado, ganha pouco mais que o ordenado mínimo, ou mesmo que ganhem quase o dobro, ainda assim não conseguem alugar a porra de uma casa para morar.

Penso seriamente em ir embora. Tenho o destino, tenho a oportunidade, tenho a facilidade de ter quem lá me guie para dar os passos certos, e acima de tudo tenho um sítio que respeita os cidadãos que lá moram, sejam nacionais ou não.

Se for, irei com sofrimento e tristeza. Tenho aqui a minha história, as minhas recordações, as minhas alegrias e tristezas.

Sou órfão de pai, desde 2013. Foi algo que me fez sofrer, e embora me tenha habituado a viver com isso, a verdade é que quase todos os dias lembro-me dele. Mas e como suportarei ser órfão de mãe viva?

Sou filho da mamã... Fiquei ainda mais depois da morte do meu pai. Todos os dias falo, ou estou com a minha mãe, e com os meus irmãos, assim como os meus filhos, que diariamente estão com a avó e com os tios, e é isso que sei que me vai custar mais. 

A língua, a cultura, o clima, são coisas que serão difíceis, mas não me assustam particularmente. O que me assusta é a consciência de que indo para fora, e não sendo a minha mãe uma velhota com os pés para a cova, mas não sendo já uma pessoa jovem, as vezes que poderei voltar a estar com ela, e os meus filhos com a avó, poderão não chegar aos dedos das duas mãos, e isso deixa-me transtornado, triste, amargurado.

Todo o filho tem que abandonar o ninho, e eu abandonei o meu já há algum tempo, mas não deveria ser preciso ter que mudar de floresta, e é isso que vai acabar por acontecer.

Esta consciência, infelizmente, não é só minha. O meu filho de 6 anos, sabendo da mais que provável hipótese de nos irmos embora, chorou. Chorou e disse que tem medo de ir embora e não chegar a ver mais a avó. Obviamente que afirmámos que todos os anos cá voltaremos, mas será que é verdade? A vontade é essa, mas conseguirei corresponder à minha vontade?

Não sei. Sei, isso, sim, que os políticos nojentos deste país me estão a obrigar a ser órfão de mãe, e os meus filhos órfãos de avó, muito antes daquilo que deveriam ser.

 Agradeço que não me venham com a história de que é possível fazer vídeochamadas, porque um beijo, uma gargalhada, ou um simples queixume de uma determinada dor, que a minha mãe possa sentir, não tem a mesma força quando é feita por videochamada.

Sou fatalista? Talvez sim, talvez não, mas uma coisa garanto-vos. Por muito fatalista que seja, podem ter a certeza do seguinte, ainda ninguém conseguiu prever, nem mesmo um fatalista como eu, o nível de m€rda a que este jardim, à beira-mar plantado vai chegar. Vai ficar um jardim ainda mais bonito, de tão estrumado que vai ser, mas não haverá ninguém a cá viver, porque aquilo que nos permitem, não é vida.

19
Out23

Feios, Porcos e Maus


Pacotinhos de Noção

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Nos últimos 2 meses andei mais vezes de autocarro do que tinha andado em toda a minha vida.

Usar este transporte fez-me ficar com uma percepção da sociedade ainda mais desanimadora do que a que tinha anteriormente.

A falta de educação, e de noção das pessoas, atinge hoje níveis que julguei não ser possível. Testemunhei conversas de "senhoras" que fariam corar até o Fernando Rocha, mesmo após contar a sua anedota mais porca de sempre. Um tipo linguagem que nos faz imaginar que aquela pessoa terá uma família, talvez filhos, ou até netos, e se depois de tanta vida passada, não tem a capacidade de conceber que existem maneiras de falar em público, que se devem evitar, então não quero imaginar de que forma se comportarão as gerações da família, posteriores à dela.

Assisti a agressões físicas, a tentativas de agressões, a agressões verbais, a ameaças de agressão da parte de outros automobilistas, a acidentes causados, apenas e só, devido à estupidez com que actualmente se conduz.

Assisti a passageiros que não respeitam o motorista, e o seu trabalho, fazendo sinal, na paragem, para que o autocarro parasse, apenas para depois perguntar a que horas passa determinada carreira, que não aquela.

Testemunhei que, mesmo sendo 7:30 da manhã, existe pessoal que opta por utilizar o perfume "Eau de Sovac", empestando a brisa matutina, que se respirava dentro do veículo.

As pessoas estão porcas, diria até que estão javardas, e assim dá para compreender o porquê da pandemia se ter espalhado tão rapidamente, como aconteceu.

Referi-me a situações a que assisti nas minhas viagens de autocarro, mas o quotidiano está pejado de exemplos que mostram a podridão a que a sociedade está a chegar, e, quanto a mim, não mais de lá sairá. E não vai sair porque se sente confortável, é-lhe muito mais prático, e natural, ter comportamentos de idiota, do que saber controlar-se minimamente, nem que seja apenas para fingir que se é um ser até capacitado para comer de talheres... Esperem lá, mas que parvoíce a minha. "Um ser capacitado para comer de talheres". De repente passei a ser um tipo positivo, e nem reparei.

Como posso eu afirmar que são capacitados para comer de talheres quando, sem grandes esforços - pois basta visitar a área de restauração de qualquer centro comercial - para assistirmos à bizarrice que é ver algumas pessoas a comerem, até mesmo com as mãos. Se assim é, imaginem então o que seria se tivessem de utilizar artefactos tão esquisitos como um garfo, uma faca e uma colher.

Peço a quem me lê que seja sincero, e que diga se vê o mesmo que eu, ou é apenas implicância da minha parte. Vejo gente a enfiar comida na boca, que mais parece que estão naquele passatempo em que se tem que enfiar dezenas de pessoas num Mini. Outras que abrem a boca de tal forma que fazem lembrar uma anaconda, com a sua capacidade de desencaixar os maxilares, para assim engolir uma presa maior, e ainda há aqueles que se sentem tão à vontade no sítio em que estão, que se descalçam enquanto comem, e ainda dão o maravilhoso arroto no fim. Aproveitam e escarafuncham, também, ali a dentição toda, com o palito, na esperança de recuperar aquele pedaço de bife que ficou entre o molar e o canino.

Cuspir para o chão, e dar o mesmo destino a beatas e pastilhas, já era um acto asqueroso, mas o português consegue sempre superar-se, e agora gosta também de cortar as unhas em público. Falo no português porque é a realidade que tenho, e aquela a que assisto. Aqui o transporte era outro que não o autocarro, que trepida muito, o que prejudica a empreitada do corte da queratina. Lá estava o senhor, com o seu porta-chaves, que era um corta-unhas, e que lhe serviu, maravilhosamente, o propósito. Pois se tinha uma viagem para fazer, pois se tinha a unhaca comprida e um alicate ali mesmo à mão, não haveria de aproveitar? Pois está claro que devia. As unhas cortadas, essas, no chão é que estão bem, e alguém há-de limpar.

Sai na minha estação, com as unhas por cortar, mas ainda assim satisfeito por aquele asseado senhor, não se ter lembrado de que também tinha por fazer a sua depilação íntima. Das duas, uma. Ou não se lembrou, ou não tinha o porta-chaves apropriado para essa tarefa.

10
Out23

Um país de estúpidos


Pacotinhos de Noção

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É isso mesmo, o título diz tudo, e quem se sentir ofendido que vá dar uma grande volta ao bilhar grande.

Falo deste nosso Portugal, que tanta gente gosta de enaltecer por ter boa comida, sol, e por sermos um povo pacífico... 

Meus caros, a comida está cada vez mais cara, uma garrafa de azeite a 7,00€ é das coisas mais obscenas que vi nos últimos tempos. Culpem a guerra, culpem a inflação, culpem o raio que vos parta, porque basta ter dois dedos de testa, e saber que os espanhóis têm vindo comprar o azeite português, para perceber que, neste caso específico, o preço atinge estes valores só porque há quem pague, porque não havendo, os produtores, e os distribuidores não abusavam desta maneira. É novamento o Zé Tuga a armar-se em mais esperto do que os outros, e no fim ainda pede um subsídio aos Estado porque choveu de mais, choveu de menos, houve geada, houve um cão a mijar na base das oliveiras, etc. Depois vão dizer que foi o melhor ano de sempre para o azeite, com bons lucros. Pelos vistos não são só os safados dos bancos que querem dinheiro.

O sol é um espectáculo. Na realidade não o podes aproveitar porque tens dois empregos, ou tens que fazer horas extraordinárias, mas caso tenhas a sorte de dar um salto à Comporta, o mais provável é continuares a não conseguir ir à praia, porque passou a ser privada, de algum empreendimento turístico, ou então está tudo em obras, para fazer mais um desses empreendimentos turísticos.

Está sol e calor, mas, tal como disse, não aproveitas. Em vez disso vais para o trabalho num autocarro lotado e malcheiroso, porque o país está cheio de porcos, que curiosamente até cheiram é a cavalo. E isto logo de manhãzinha, quando se começa o dia. Se calhar tiveste o azar de apanhar o autocarro onde só vem o pessoal que largou o turno da noite, ou, tal como tu, também são pessoas que vão trabalhar, mas banho e desodorizante são coisas fora de moda, e cada um anda como quer, mesmo que feda como um cadáver apodrecido.

Podíamos até chamar a atenção, mas somos o tal povo pacífico, aquele gente para quem está sempre tudo bem, e aquele que acha que nada merece a pena o incómodo de lutarmos pelo nosso direito de, por exemplo, podermos respirar livremente.

Não se enganem, "tugas" pacifistas, aquilo que verdadeiramente somos é uns cobardes, uns palonços, uns bananas, uns "conanas", uns autênticos totós. Prova disso mesmo é a sondagem que hoje saiu, em que se afirma que se hoje houvesse eleições, o PS, e o incompetente do António Costa, voltariam a ganha-las. Sem maioria absoluta, é certo, mas isso seria facilmente resolvido, com mais uma geringonça vergonhosa, que em nada ajudou o país. Aliás, com os governos de Costa, nunca o país foi ajudado, como tem até sofrido um atraso considerável.

Temos falta de professores, de médicos, de enfermeiros, temos as escolas constantemente a serem fechadas pelas greves, temos serviços pediátricos, de obstetrícia, urgências a serem também fechadas, porque não há gente para trabalhar, e porque a que há, está esgotada, de tantas horas extraordinárias que já fez.

O combustível está pela hora da morte. O Estado baixou o imposto sobre o mesmo, mas vai aumentar o IUC, imposto esse que normalmente só é pago por quem tem menos dinheiro, porque os que são mais abonados, têm carros recentes que estão isentos dessa taxa.

Não há casas, temos cada vez mais gente a morar nas ruas e em tendas, mas está tudo bem, até porque, ao que tudo indica, vai haver um "superavit" orçamental. E isso é o que vai saindo nas notícias, e isso é o que nos é empurrado pela goela abaixo, mas só engole quem quer. O pior é que, pelos vistos, ainda há muito quem o queira.

Eu, muito sinceramente, não consigo perceber como se pode ponderar votar no PS e nas políticas de Costa. Em 8 anos de governo, com todas as ajudas enviadas por parte da Europa, Portugal está muito, e sublinho com bastante veemência o MUITO, pior do que estava nos tempos da Troika. Ao menos naquela altura sabíamos o porquê dos cortes, da falta de dinheiro, dos apertos do cinto, mas agora não. Com a máquina de propaganda que está montada, vivemos no meio do esterco, mas dizem ao povo estupidozinho, que tal só acontece para que mais tarde germinem as mais belas flores, só que as flores nunca mais germinam, ou quando, finalmente possa acontecer, aparece uma flor chamada de "Flor Cadáver", que tem a característica de emanar um odor fétido e horrível, que faz lembrar carne em decomposição, dai o seu nome.

Este idiota do vosso Primeiro-Ministro não fez nada de nada, nem tem sequer uma política para nos apresentar. Até o vigarista do Sócrates tinha um objectivo, além do de se enriquecer. O homem estava interessado no avanço tecnológico do país, e a verdade é que a rede 4G passou a estar na quase totalidade do território português, e a infraestrutura para o 5G ficou também já preparada.

E este paspalho do Costa fez o quê? 

Nada de nada, e o povo, estúpido como só ele sabe ser, continua com a sua intenção de voto neste clube de aldrabões, que é o Partido Socialista.

A desculpa é que não há alternativa, o que não é verdade. Podem não conseguir perceber se a alternativa vale alguma coisa, e Luís Montenegro tem-se esforçado bastante para mostrar a porcaria que parece ser, mas nunca se sabe. Para mim até num macaco daqueles de corda, que batem pratos, seria mais aceitável votar

O Marcelo parecia que ia ser um bom Presidente da República, e afinal não vale um caroço. O António Costa parece um tipo simpático e bonacheirão, mas não se esqueçam que até a um velho, já quis bater, e como político é dos mais velhacos que este país já viu.

Santana Lopes parece apenas um ridículo, mas em todos os cargos, por onde passou, deixou trabalho, deixou obra feita. Tanto na Câmara da Figueira da Foz, como na de Lisboa, e até como presidente do Sporting. Enquanto provedor da Santa Casa Misericórdia, conseguiu ter sempre as contas certas, e até apresentar lucros, sorte muito diferente que tem a instituição agora, que é comandada por uma ex-ministra de Sócrates, e em que se descobriu o desaparecimento de milhões de euros.

Realmente, parece que as aparências iludem.

O que não ilude, nem é só aparência, é aquilo que Winston pensava, no 1984, de George Orwell, acerca da população. São estúpidos, ignorantes e é extremamente fácil de serem enganados.

Não sigo a mesma bitola dos anormais dos negacionistas, que usam este livro para elaborar teorias da conspiração, nem acredito que exista uma ordem mundial ou nada que se assemelhe. Acredito, isso, sim, que cá em Portugal somos dominados por uma corja de mentirosos, corruptos, abusadores, que visam os seus interesses e daqueles que os rodeiam, esse desde que mais tarde lhes possam fazer chegar algum tipo de benefício, e parece-me tão, mas tão difícil perceber como é que a maioria de uma população, que neste momento vive com a corda ao pescoço, e em que está em cima de um banquinho, dê pulinhos de contente quando o Primeiro Ministro lhes acena com aldrabices.

05
Out23

Gratifica-me, bitch!!!


Pacotinhos de Noção

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Em Portugal nem tudo importa, mas Portugal tudo importa. Importa principalmente as ideias parvas e com as quais pode tirar algum benefício, e isto porque é um país carregadinho dos chamados “Chicos-Espertos”. Todos conhecemos alguns, e, certamente, que até mesmo nós, já o fomos em determinada ocasião.

Uma das mais recentes importações, que depois tem outras variantes associadas, são os abusos por parte da área da restauração. Já não bastavam os aumentos, quase pornográficos, que aconteceram nos últimos tempos, como agora também há restaurantes que praticam a gorjeta sugestiva. 

Todo o espaço que se julgue no direito de me dizer com quanto devo eu gratificar, o serviço que me foi oferecido, desperta em mim o lado de Tio Patinhas, que não deixa nem 1 cêntimo a mais. Bem sei que é um complemento ao ordenado dos empregados, que ganham salários miseráveis, mas já o era antigamente, quando não havia qualquer tipo de tentativa de extorquir dinheiro ao cliente, e daquilo que sempre me foi dado a conhecer, até funcionava bem. Daquilo que agora, também me é dado a conhecer, a tentativa de obrigar à gorjeta, teve um efeito inverso ao pretendido, porque ninguém gosta de se sentir coagido.

Portugal transformou-se na casa de put@s rasca da Europa, se calhar até do Mundo, porque nos vendemos ao turista por quaisquer 5 €. O turismo teve uma explosão impressionante, e com ela vieram coisas maravilhosas. Assim de repente não me surge nenhuma, a não ser que queira ser hipócrita, mas a proliferação das tuk-tuk, as trotinetes eléctricas, os Airbnb de barracos a preços de suítes 5 estrelas, o excesso de TVDE's, e agora estas modas de assalto nos restaurantes, são tudo consequência deste turismo desenfreado, que ainda por cima é sustentado por turistas de pé descalço, que só cá vêm pelo sol, e pelo facto de terem economias mais fortes do que a nossa, o que lhes dá a sensação de que o € deles é, também, mais forte do que o nosso, mas ainda assim não tão forte, que lhes permita gastar cá dinheiro que se veja, e é por isso que de facto nem acabam por ser eles a frequentar os restaurantes portugueses, o que significa que a armadilha montada para eles, acaba por ser pisada por nós.

O descaradamento vai ao ponto de certos restaurante cobrarem por copos de água da torneira, por cortarem um bolo ao meio, por prensarem um Pão de Deus, e até por levarem à mesa o bolo de aniversário trazido pelos próprios clientes. 

É o que temos, e não nos podemos orgulhar. Aquilo que faço, para combater estas idiotices, é precisamente não dar gorjeta, mas sempre justificando, a quem seria o merecedor da mesma, que só não o faço porque o patrão se armou em espertalhão. Fazendo chegar este recado a quem pesará no bolso, pode ser que eles façam pressão para que esta medida retroceda. Nos estabelecimentos que cobram por coisas absurdas, deixo pura e simplesmente de lá ir, e também faço questão de mencionar o porquê.

Ter um negócio na restauração não é fácil, até admito isso, mas lembro que há uns tempos, houve uma redução do IVA, para a área da restauração, e essa redução não foi sentida no preço final para o cliente.

17
Set23

E foi assim que se contou


Pacotinhos de Noção

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Foi em 2007 que tudo começou.

Eu e a minha mulher, juntos há apenas dois anos, moradores num pequeno quarto onde toda a nossa via cabia, acompanhávamos as peripécias da família Lopes. Identificávamos na personagem do Miguel Guilherme, o António Lopes, traços do meu sogro, que sempre foi também um chefe de família sonhador, que sempre pensou em como fazer a família ter um futuro melhor. E existiam também traços na fisionomia, e expressões da personagem que, mesmo nesta última série, a faziam representar muito bem o meu sogro.

Nas personagens do Carlitos (Luis Ganito), da Margarida (Rita Blanco), da Isabel (Rita Brütt) e do Toni (Fernando Pires) não identificávamos ninguém em especial, mas habituámo-nos a viver a vida daquela família, quase como se fosse a nossa, e eram uma enorme companhia. A avó Hermínia (Catarina Avelar) guarda um lugar especial, porque não sendo nenhuma das avós que tivemos, representava perfeitamente os milhares de avós que este país teve, e tem, que são o exemplo perfeito de que uma avó é uma segunda mãe, quer para os netos, quer por vezes para o genro ou para a nora. Da voz a uma daquelas avós, que são um pilar fundamental numa família.

No meio de tantas épocas que a série teve houve muitas personagens marcantes e exemplarmente interpretadas. Não podemos esquecer o Engenheiro Ramires, do José Raposo, a Clara, da falecida Maria João Abreu, Filipe Vargas, que era o amigo Dino, do António, o dono do café, o Fanan interpretado por João Maria Pinto, e o Camões, do actor Luís Alberto.

Nesta última série a Luz, de Madalena Almeida, e a Susana, de Beatriz Frazão, foram fundamentais para fazer crescer ainda mais a empatia que já tínhamos ganho com a família Lopes, mas que precisava de ser renovada com a entrada nos anos 80.

Senti hoje, com este último episódio, a nostalgia, a tristeza e a saudade que sentia quando era miúdo e em que acabava uma série de desenhos animados, ou como quando morreu o Chanquete, no Verão Azul. Senti que terminava hoje a companhia que eu, e a minha mulher, fomos tendo ao longo destes 16 anos, em que também nós evoluímos. Em que deixamos de estar num quartinho, e temos a nossa casinha, em que deixámos de ser dois recém-casados e em que somos pais de uma família de 4, em que iniciámos também o nosso negócio, e em que no desenrolar da vida fomos tendo ganhos e perdas, nascimentos e, felizmente só um falecimento, mas que também aconteceu, e que de alguma forma nos fez crescer como pessoas.

A família Lopes, em princípio, não mais voltará, a não ser em repetições, porque estender a série para os anos 90 talvez seja algo que não se justifique, mas nós cá continuaremos, e sempre que olharmos para estes actores que nos acompanharam, mesmo noutros trabalhos que possam até ser alvo de sucesso maior, e até mais premiados, não deixarão nunca de ser aquela família com quem quisemos sempre estar.

O Miguel Guilherme é o António Lopes, mas também é o Quim Fintas, a Rita Blanco é a Margarida, mas também é a Ivete Carina, do Casino Royale, o Luis Ganito é que durante uns tempos será sempre o Carlitos, e nem estou a falar deste engatatão escritor, que tão bem emoldurou esta última série. Falo daquele puto traquinas, que tinha um aspecto tão querido e fofo e que foi o mais custou não ter em toda esta série dos anos 80. Vendo mais coisas do Ganito, a coisa vai-se alterando, mas para já o Carlitos será sempre o Carlitos.

Para terminar, fazer também uma menção honrosa a alguém que participou em todos os episódios, mas que nunca chegou a aparecer, e que foi parte fundamental.

Luís Lucas, que com a sua voz inconfundível narrou todos os inícios dos episódios, interpretando um Carlos, contador de histórias, mais maduro e vivido. A voz de Luís Lucas é uma marca tão profunda na série como os genéricos "Vinte Anos", do José Cid, ou mais recentemente o "Dunas", dos GNR.

Obrigado a todos que fizeram esta jóia, foi bom acompanhar-vos, e é triste deixar de saber dos Lopes. Mas todos seguiremos caminho.

14
Set23

Regresso às aulas - P'ra esse peditório já dei


Pacotinhos de Noção

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Para mim é realmente um regresso.

Mais de 20 anos depois a rotina escolar voltará a fazer parte do meu dia a dia. Agora, sendo a personagem central o meu filho, que é quem vai iniciar-se no "incrível mundo da aprendizagem".

Quando era miúdo não gostava dos inícios dos anos lectivos. Não por nervosismo, mas porque havia uma série de professores novos, podia calhar algum que fosse uma besta, e porque no início do ano acho que é quando tudo se decide. Ou entramos muito bem, e o resto do ano flui naturalmente, ou começamos aos soluços e no final acabamos a soluçar. Mas ao que parece isso agora não acontece. Poucos são os alunos que soluçam no final do ano, e as mudanças não se ficam por aqui.

Bem sei que ser professor, e trabalhar para o Ministério da Educação, é quase tão recompensador como martelar pregos com a testa. Os professores ganham mal, são colocados a 134932 quilómetros de distância de casa, as casas para alugar estão pela hora da morte, e ainda assim tem que se morrer duas vezes. São impedidos de ensinar, pois têm um programa, imaginado por uns carolas, sentados nas suas secretárias, e não podem fugir daquilo que lhes é imposto.

Aquilo que eu desconhecia, na totalidade, era que o Ministério da Educação vive pelas ruas da amargura, e os professores, aqueles que ainda existem, têm agora que fazer o papel de pedintes.

Posso estar a incorrer numa grande injustiça, e a prática que vos vou contar ser apenas usada na escola do meu filho, mas estou em crer que não, porque a falta de vergonha na cara, que os sucessivos governos PS demonstram, parece que está sempre em modo "crescendo".

Na listinha de material que dão aos pais, no início do ano, tem o material habitual, como lápis, borrachas, canetas de feltro, alguns cadernos. Têm também alguns itens que me parece descaramento, porque, claramente, é material pedido para abastecer a escola.

DUAS RESMAS DE PAPEL - cada resma tem 500 folhas. Mesmo que todos os dias, o meu filho usasse duas na escola, para limpar o rabo, não iria conseguir dar vazão a tantas folhas. Dir-me-ão vocês que são para fichas, desenhos, e testes do meu filho. Para as fichas mandaram comprar cadernos de actividades e para os desenhos um bloco de folhas lisas. Poderia ser para os testes, se os mesmos não tivessem sido abolidos.

CANETAS PARA QUADRO BRANCO - As canetas de quadro branco são o nosso antigo giz. Não me recordo nunca de as minhas professoras pedirem para levarmos giz de casa. Aliás, não rara era a vez em que nós é que surripiávamos meio pau, para desenhar a macaca, o caracol, ou o labirinto.

Até aqui os meus amigos podem dizer que este é material para uso diário, para envio de recados aos pais, e coisas desse género, mas não deveria este material fazer parte do orçamento de cada escola? O Ministério não disponibiliza uma verba para a compra de material? Que moda é esta de pedirem aos pais dos alunos para abastecerem a escola? O passo seguinte será solicitarem o envio de rolos de papel higiénico, ou mandarem a factura da luz e da água, pela caderneta do aluno?

O último pedido é então mais ridículo pelo simples facto de ser pedido como se fosse um material qualquer, ou uma obrigação dos pais. Pedem 1 ou 2 livro para rechearem a biblioteca da escola, mas não podem ser uns livros quaisquer. Têm que ser livros abrangidos pelo plano nacional de leitura, e eles próprios admitem que é mesmo para aumentar a biblioteca da escola. As perguntas que fiz acerca do material volto a fazê-las. Não cabe ao Ministério prover para que cada escola tenha a sua própria biblioteca, o mais completa possível?

Se esta situação dos livros fosse feita em forma de pedido, e não tivessem ainda o descaramento de SÓ quererem livros do plano nacional de leitura, doaria com todo o gosto alguns livros, mas feito desta forma, como se fosse obrigação, e camuflado como material escolar, que não mais voltará, só me faz torcer o nariz.

Mas já vou ficando habituado. É o país que temos, graças aos políticos que temos, em que para mandar vir o papa rezar umas novenas, gastou-se milhões de euros, mas para resmas de papel, para a escola, não há dinheiro, e por isso que se peça aos pais.