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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

04
Jul22

Tanto talento, e nenhum na TV


Pacotinhos de Noção

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Acabaram hoje os Ídolos... Finalmente.

O "Uma Canção para ti ainda não acabou... Infelizmente.

Para começar, e justificar a imagem que emoldura o texto, gostaria de referir que a maneira como os apresentadores, e até dos júris, são vestidos, define bem estes programas. Uma parolada. Joana Marques, o Elvis manda dizer que quer a roupa de volta.

Não aprecio especialmente estes "talent show" mas também não penso que devem deixar de existir. Defini-los como "talent show", quando o talento é algo que por ali não passa, é que já me parece demasiado.

Portugal é um país pequenino, é natural que não consiga produzir um Paul Potts ou uma Susan Boyle, mas a verdade é que mesmo que aparecesse alguém do mesmo género destes dois, dificilmente iriam ganhar, porque não teriam "star quality", e porque não se encaixam no estilo "pop" que a parolice portuguesa tanto procura.

Os Ídolos já tiveram várias temporadas, Nuno Norte, Sérgio Lucas, Filipe Pinto, Sandra Pereira, Diogo Piçarra e João Couto foram os anteriores vencedores. Fora Diogo Piçarra, nenhum dos outros alcançou uma carreira de sucesso.

Existem alguns participantes que ficaram conhecidos, como a Luciana Abreu, Salvador Sobral ou a Carolina Torres. Tudo pessoas que, me parece, ficam a dever tanto para o mundo da música, como para a sanidade mental, ou educação, como recentemente Carolina Torres mostrou, ao abandonar, de forma prematura, o palco dos Ídolos, para o qual foi convidada. Quem vier com o argumento de que o Salvador Sobral ganhou a Eurovisão, chamo só a atenção de que este ano ganhou a Ucrânia, porque está em guerra, não tem nada que ver com música, já ganhou uma mulher barbuda, ou um barbudo vestido de mulher, e uma tipa vestida de galinha, só por ser israelita.

Voltando, e terminando o assunto "Ídolos", gostaria só de sublinhar que os jurados perdem toda e qualquer credibilidade, quando no lote de finalistas existem vozes paupérrimas, mas ainda assim todos os júris se desfazem em elogios. Posso apenas ser eu que sou duro de ouvido, mas há casos bastante evidentes de participantes que nem em karaokes se safariam.

O caso do "Uma Canção para ti" já é diferente.

A qualidade continua a ser nula, os jurados são 50% de elementos que não percebem nada de música, por muito que o Manuel Luís Goucha defenda a Rita Pereira, arranjando justificação para o facto de ela ali estar, e acho também uma certa piada que elementos do PAN façam burburinho pela exploração de animais para entretenimento popular, mas que não façam chegar nenhuma queixa junto das autoridades, pelo facto de às 00:30 haver miúdos nas cantorias da TVI. Apenas falo nisto devido à falta de coerência, e porque de facto a TVI ganha bom dinheiro com o uso destas crianças. Isto só acontece porque há imensas pessoas a assistir ao programa, pessoas que elevam a voz para reclamar o direito de tudo e mais um pouco, mas ver os meninos a cantar, até tão tarde, dá-lhes alegria.

Sinceramente falando, faz-me confusão a mim? Sim, faz alguma. Nem tanto pelos miúdos ou pelo programa, porque os miúdos até se deverão estar a divertir, e o programa cumpre a sua função que é a de tentar entreter as pessoas em casa, mas não tiro da cabeça que por detrás de cada uma daquelas crianças poderão estar uns pais, para quem faz sentido que os filhos fiquem a cantar até de madrugada, apenas porque assim podem vir a ter uma carreira... Não sei porquê, mas só me consigo lembrar dos pais do Saúl Ricardo.

Só mais uma pequena curiosidade, que reparei agora, enquanto acabo este texto.

A SIC está a transmitir o concerto da Anitta, no Rock in Rio, o que confirma que saber cantar não é o critério por eles escolhido, para hoje aparecer na televisão.

30
Jun22

Até sangrei dos ouvidos


Pacotinhos de Noção

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Algum dia tinha que ser, e é hoje o dia.

Escrevo estas linhas para me retratar sobre o texto que ontem coloquei no Instagram.

Fi-lo após ler uma notícia no Expresso, acerca da afirmação polémica do Miguel Milhão, e ao fazê-lo não reuni todas as informações que deveria, não procurei saber qual o contexto em que as palavras que li foram ditas, nem sequer o tom utilizado.

Peço desculpas a todos quanto leram, e até aos que comentaram, porque hei de ter-vos feito perder o vosso tempo, que há-de ser precioso.

A minha justificação para esta falha é porque eu não conhecia o Miguel Milhão. Sabia ser um jovem empreendedor, filho de pais ricos, que já torrara algum dinheiro em ideias parolas, mas que finalmente lá conseguiu puxar o fio à meada do negócio que o faria ser depois acarinhado por toda a imprensa nacional, que lhe dava o mérito merecido, diga-se, mas que nunca nos avisou que a lesão que Miguel Milhão desenvolveu em treino, e afirma ter sido o que despoletou o início da Prozis, era afinal uma lesão cerebral. Deviam ter-nos preparado, pois, tendo como base o currículo e o sucesso do indivíduo, nunca diríamos que lidamos afinal com um tipo que ao falar dá a ideia de que não distingue um garfo de uma colher. Parece que realmente há ali uma falha.

Só isso justifica as enormidades ditas pelo empresário.

Conforme escrevi atrás, só lera a notícia do Expresso, mas para não ser injusto lá arranjei um tempinho, e ouvi o seu podcast.

Depois de muito sangrar dos ouvidos, comecei a sentir-me estúpido, por ter tido em consideração a opinião que o dono da Prozis dera acerca do aborto. É que aos atrasadinhos mentais não se pode dar ouvidos, porque entre comerem sabão e pensarem serem o Napoleão, ainda arranjam tempo para dizer coisas como "se a minha filha, ou a minha mulher, engravidassem de uma violação, falava com elas e tomava conta da criança. Aliás, até já falei acerca disto com a minha mulher, mas não me lembro o que ela disse..." É muito natural que não se lembre, afinal de contas, se ela ficar grávida de uma violação, ela será apenas um receptáculo.

Percebemos que não estamos perante uma pessoa normal logo pelo nome do seu podcast, o Conversas do K@r@lh0. Sim, eu sei, não é um nome que fique no ouvido, mas ao que parece era algo que estava debaixo da língua de Milhão, quando o pensou, e olha, saiu-lhe.

A principal justificação que este conversador nato encontra para aceitar a revogação, pelo Supremo Tribunal do E.U.A, da lei de Roe vs Wade, é porque (e agora acredito que algumas opiniões contra também mudem) foi feita pelos Estados Unidos, e os Estados Unidos são "muita" fortes. Parece quase a composição que uma criança faz, no Dia da Mãe, em que escreve "Gosto muito da minha mãe, porque é a minha mãe e é bonita. FIM".

Mesmo a construção frásica e o discurso do rei das proteínas, não nos dão a mais pálida pista de que ela possa ter construído o que construiu. Não bate certo, dá a ideia de que ou nasceu com o rabo virado para a lua, ou teve quem fizesse por ele, ou dantes o tipo era uma coisa e tomou tanta proteína, e suplementos da Prozis, que ficou com a mioleira queimada.

Mas, porque é que Miguel Milhão decidiu deitar cá para fora a sua opinião? Logo ele, que até então sempre foi tão reservado e comedido.

Também respondeu a esta pergunta no seu podcast. A resposta é "porque sim". Estava no LinkedIn, não estava a fazer nada e pumba, vai de dizer aquilo que pensa. E daí não viria nenhum mal ao Mundo, ninguém é obrigado a ter, ou defender uma opinião que não é a sua, o problema está, isso sim, na forma como o faz e como reage às críticas que lhe surgem. Mesmo que não estivesse a ser tratado este assunto do aborto, Miguel Milhão seria sempre alvo de críticas, e até de gozo, pela soberba com que se refere àquilo que conseguiu, e de quão bom e magnifico ele consegue ser.

Não querendo tirar mérito ao empresário, mas já tirando, queria só relembrar que Milhão é filho de papás ricos, o que já o alicerça para conseguir fazer o seu percurso, e ainda teve como fundo de maneio 25 mil euros que obteve com a venda do carro que o seu pai dera-lhe... Ora, 25 notas das grandes, por um carro em segunda mão é muito dinheiro, o que significa, muito provavelmente, que seria um topo de gama, o que é mais um sinal de que mal não vivia.

Eu, por exemplo, se quisesse fazer dinheiro com o carro que o meu pai me ofereceu, nem um saquinho de churros comprava, porque o meu pai nunca me deu carro nenhum.

Nunca consumi produtos da Prozis e não pretendo consumir, e neste caso nem tem nada que ver com o tema do aborto. O meu medo é se, comendo os produtos da marca, poderei desenvolver os mesmos sintomas dos quais, Miguel Milhão padece. Não tinha vontade nenhuma de voltar a só conseguir contar pelos dedos.

Ah! E antes que digam que tenho inveja do dinheiro dele, e tal... É um facto, não posso negar.

 

29
Jun22

Um milhão de aplausos, para outros nem tanto


Pacotinhos de Noção

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Não defendo que uma empresa, que dá trabalho a tanta gente, mereça ser cancelada devido à opinião idiota do seu fundador. Isto mostra que uma mente empreendedora não é obrigatoriamente uma mente aberta ou esclarecida.

Miguel Milhão afirmou que a Prozis não precisa de Portugal. Acaba por ser como aquele puto mimado que mamou na teta dos pais até sair da universidade, arranjou um bom emprego, a ganhar bem, mas quando a velhice ataca aqueles que o fizeram crescer, ele não está para se aborrecer e vira-lhes as costas, esquecendo-os num qualquer lar, aguardando a morte.

É verdade que a Prozis cresceu muito, mas tendo em consideração a quantidade de cupões 10 que eu via serem oferecidos, por tudo quanto era canto, tinha ideia que a aposta no mercado português até era forte.

Mas volto a repetir, penso que a empresa não deve ser cancelada, mas tendo em consideração que não precisa de Portugal, nem dos seus cidadãos, não compreendo a indignação do fundador para com as críticas dos portugueses.

Gostaria de dar os parabéns à Marta Melro, Jéssica Athayde, Rita Belinha, Tânia Argent, Sofia Manuel (A Tripeirinha), Diana Monteiro e à Laranja Lima Nutrição.

Algumas destas pessoas nem conheço, mas segundo li são tudo pessoas famosas, cada uma na sua área, que deram por terminado o seu vínculo com a Prozis.

Dos poucos que fizeram questão de não terminar com a parceria temos a ex-concorrente do Big Brother, Joana Albuquerque. Deu as suas justificações, mas aquela que faltou foi a de que é uma aspirante a "tia" de Cascais, que come salsichas com esparguete diariamente, por isso esta pequena esmola até lhe faz falta.

Devo recordar que esta desgraça de pessoa, embora se comporte de maneira altiva e sobranceira, já foi namorada do Bruno Savate, e foi ele que lhe deu um chuto no rabo... Descer mais baixo acaba por ser difícil, mas ela tenta e há-de conseguir, só é preciso é esforço e fé.

Joana Amaral Dias, uma senhora que já foi do Bloco de Esquerda, que sempre foi defensora dos direitos das mulheres, também ainda não colocou a Prozis de parte. O  botox tem os seus custos, por isso há necessidade de amealhar algum.

Para terminar devo dizer que fico a aguardar pela reacção do Rui Unas a esta situação. Afinal de contas, em Portugal (país fora das contas da Prozis) ele é um dos grandes divulgadores da marca.

Acredito que não se venda por apenas 30 moedas.

27
Jun22

Caldeirão de polémicas


Pacotinhos de Noção

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O último texto que escrevi, acerca do assassinato da Jéssica, levantou algumas questões na área de comentários do Instagram, que nos blogs da Sapo, infelizmente, a afluência é menor e são bem menos participativos.

Num comentário de resposta, defendi que o Estado deveria intervir quando, num caso como a mãe da Jéssica, que já teve 6 filhas, 5 institucionalizadas e uma morta, e em que há hipótese de gerar mais crianças, deveria ser obrigada a fazer uma laqueação de trompas, assim como o pai, que também teria que fazer uma vasectomia.

É uma violência? Um atentado à liberdade destas pessoas? Penso que não. São medidas necessárias para controlar alguém que não tem a mínima capacidade para ser mãe ou pai, tendo em consideração que ser pais não é só fazê-los e pari-los. Ser pais é amar, educar, proteger, e segundo consta nada disto foi feito pelos da Jéssica.

E como eles, há milhares de casos, e aposto que cada um que lê estas palavras conhece pelo menos um ou dois, porque é realmente muito comum crianças nascendo em famílias onde não têm amor e atenção, deixadas ao abandono numa criação quase autorregulada, ou feita pelas creches e infantários para onde vão, mesmo quando os pais ficam em casa, sem trabalhar.

Um traço comum de distanciamento é que estas crianças parecem nem ter nome. Até aos 3/4 anos os pais referem-se ao filho como "o bebé", e não é um bebé dito de forma carinhosa, é dito de uma forma sonolenta e arrastada, dando mesmo a ideia de que não se lembram do nome do bicho. Depois dos 4 até aos 6 anos, já passa a ser o "manino". Escrevi como dizem, porque menino não parece constar nos seus dicionários. Após entrarem para a escola primária já passa a ser o "puto ou a princesa". Os anos passam e nunca utilizam o nome dos filhos, revelando o tal distanciamento, bastante acentuado, que referi.

Reparem que para estas pessoas os filhos valem pela gravidez, pois há um subsídio e dá para passar à frente nas filas, e depois valem também pelo abono. Ainda no outro dia ouvi uma conversa telefónica de um destes pais amorosos, que dizia que "deste bebé que temos agora, para receber o subsídio, temos que pagar 60 paus que temos de dívida na Segurança Social". Para quem viu as notícias da Jéssica, o estilo do artista que falava assim ao telefone era igual ao pai da Jéssica, com boné de "runa" e tudo.

Os comentários são como as cerejas, um leva a outro, e um companheiro que me lê, mas que não concorda com esta minha opinião, afirma que o Estado não pode ter este poder sobre os cidadãos, assim como não será admissível haver pena de morte. E cá está outra polémica, a pena de morte.

Tanto a laqueação das trompas, como a pena de morte, não considero que sejam poderes do Estado, e sim ferramentas para o controlo de elementos que vivem à parte da sociedade, não respeitando o próximo, colocando-o em perigo, e até muitas vezes matando-o. Quando digo que defendo a pena de morte, defendo-a como uma pena de excepção, que só poderia ser aplicada em casos de violação e homicídio de menores, homicídios em série, em massa e por motivos fúteis, e isto tudo quando apanhado em flagrante, ou claramente comprovado.

Isto que defendo é bonito e consensual? Não, sei que não o é, mas no meio de tanta facilidade que hoje em dia existe em matar, custa-me imenso que seja cada vez mais difícil punir, e que as vítimas não tenham tido direito a defesa, mas que os homicidas, mesmo os confessos, tenham sempre direito à sua defesa por parte de alguém que defende que o direito à vida é o valor maior, ignorando que aquele que defende, não teve pudor em retirar esse direito a alguém.

Compreendo que as pessoas tenham os seus pontos de vista e que os queiram defender, mas não é tudo linear, nem a preto ou a branco. Defender que o Estado não pode legislar isto ou aquilo, alegando que não faz parte das suas funções, é estar a defender o indefensável. Diariamente temos regras a respeitar, sejam elas quais forem, e quase todas impostas pelo Estado. Não podemos ter fé na consciência de cada um, porque se não existissem regras é um facto que viveríamos no meio de uma bandalheira, porque há sempre quem aproveite para ir um pouco mais além daquilo que é permitido. Mal comparado é como se querer fazer uma marquise no topo de um condomínio de luxo. Não lembra a ninguém, mas pode sempre haver alguém que tente.

É também por isso que a questão do aborto não é apenas sim ou não, e escusam de vir com a questão do "meu corpo, a minha decisão". Quando há uma gravidez, foram preciso dois para que essa gravidez acontecesse, e raramente a voz do homem é tida em consideração, para saber se a gestação avança ou não. Sim, é verdade que, pelo menos durante 9 meses, será a mulher a carregar um fardo que pode nem querer, mas havendo um dos intervenientes a querer a criança, neste caso o pai, que remédio terá a mulher senão o de ter que levar a gravidez até ao fim, porque senão ai sim, estará a cometer o assassinato do filho daquele pai. Dito isto, e sob pena de parecer que me estou a contrariar, eu sou, não a favor do aborto, mas sim a favor de que seja uma ferramenta disponível a ser usada, caso haja necessidade disso, e com o consenso de ambos os possíveis futuros pais. É preferível um bebé que não nasceu, a um que nasceu e que será morto cá fora, ou que será abandonado, ou maltratado e poderá vir a ser um marginal. Falando friamente devo dizer ser assim que funcionam os países de 1.º mundo, e é assim que também se combatem os números da criminalidade.

Ainda assim um aborto não pode ser feito de ânimo leve, nem pode ser vangloriando como se fosse um ritual de passagem, como vimos defender a tonta da Mafalda Matos, no Big Brother Famosos, que só faltava dizer que uma mulher que se prezasse deveria fazer um.

Julgo que o aborto tem que ser regulamentado e, mais uma vez, quem os faz deverá ser responsabilizado, caso seja uma práctica comum. Não estamos no séc.XIX, e hoje temos vários meios que permitem evitar gravidezes indesejadas, parte apenas, mais uma vez, daquilo que eu disse que a população não tem, consciência, e é por isso que existe a necessidade de haver quem nos guie.

24
Jun22

Jéssica


Pacotinhos de Noção

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Esta não é uma página criminal nem pretende ser uma filial da CMTV, mas de cada vez que há a notícia da morte de uma criança, às mãos de um adulto, a raiva que em mim cresce tem que ter um escape, e a escrita acaba por ser um pouco desse escape. O que escrevo nada ajuda, e a criança já morreu, mas há opiniões que me apetece dar e perguntas que me apetece fazer.

Todo o caso me mete nojo, e ninguém sai dele sem culpas, a não ser a criança, que não sendo culpada, foi a que pagou com a vida.

Estão detidas três pessoas. A suposta ama, que é afinal bruxa, o marido, e a filha da bruxa. Falta neste lote de miseráveis pelo menos mais uma pessoa. A mãe da Jéssica.

O motivo que levou a bruxa, e toda a sua corja, a sequestrar a criança durante 5 dias na sua casa, foi uma alegada dívida de 400 €, da mãe da Jéssica. A que se deve esta dívida? Pagamentos que não foram feitos à bruxa, enquanto ama? Pagamentos que não foram feitos à bruxa, enquanto bruxa?

Aquilo que se sabe é que a mãe de Jéssica, que quando deu à luz uma criança, que não pediu para nascer, assinou automaticamente um contrato redigido pela natureza, pela sociedade, pela vida e pelo amor maternal, que estipulava que ela, como gestante e progenitora haveria de proteger aquela menina contra tudo e contra todos, contudo em vez de o fazer preferiu "meter a menina no prego", como garantia de que haveria de pagar a dívida que tinha.

Se quisermos ser mais compreensivos podemos alegar que os três criminosos sequestraram a menina. Não deixaram que a mãe a levasse sem trazer o dinheiro que devia, e a mãe até foi buscar a Jéssica, passado 5 dias... e foi porque lhe disseram para a ir buscar, após a colocarem às portas da morte.

5 dias?! 5 MALDITOS DIAS?! Não foram 5 minutos nem sequer 5 horas, foram 5 dias.

Uma mãe normal, e consciente, impedida de levar a sua filha, não entrava em desespero e não se dirigia logo à polícia? Estou a dizer algo de muito esquisito ou extraordinário? Não é coisa que qualquer pessoa que ame um filho faria? Ou num acto mais tresloucado, vendo a sua cria usada como moeda de troca, não cometeria uma loucura e não entraria em confronto com estes bandidos?

Sabe-se também que, estando a filha sequestrada na casa da bruxa/ama, a mãe, no Domingo à noite, antes da morte da filha, foi toda alegre e contente, a uma festarola. Enquanto a mãe se divertia, a Jéssica, de apenas 3 anos, muito provavelmente era alvo de tortura e pancada, porque a senhora que a pariu a deixoy como garantia de uma dívida. 

O que é um facto é que Jéssica estava já sinalizada pela Segurança Social como sendo uma criança em risco, e o risco definido pela S.S. não teria nada a ver com a ama, certamente.

Que dizer da forma como está estruturada uma família quando, em entrevista à CMTV, o padrasto da menina, confessa que nem sequer sabia que ela estava na casa da ama há 5 dias... Como não sabia? Não vivia na mesma casa da criança? Não reparou que faltava alguém? É padrasto, mas quando se junta com alguém, por amor, e tendo esse alguém uma filha bebé, acabam por se criar laços e vínculos.

Surgem notícias que, entretanto a mãe já mandou fora roupas e brinquedos, da filha recentemente morta... Atenção, não falo de um vizinho ou de um conhecido, falo da própria filha, e a princípio não nos queremos separar tão rápido das coisas de alguém que seria o nosso bem mais precioso.

Hoje, no velório, a mãe (admito que até me custa classificar a mulher de mãe) montou um teatrinho, levando uma boneca da filha no colo, e caminhando encostada a alguém, de tão debilitada que estava, mas logo à frente, ia o padrasto, a caminhar todo estiloso e com um à vontade de quem vai comprar tabaco, aproveitando as câmeras para enviar recados ao Hernâni Carvalho.

Poderei também estar a ser um pouco picuinhas, mas nos vídeos que já vi da miúda, e algumas das fotografias que encontrei pela internet, mostram-na frequentemente em ambientes de tabernas, cafés, e festas regadas a cervejas. É o ambiente próprio para crianças? Não me parece.

Mais uma vez este caso mostra que os mais desprotegidos são as crianças, e menos protecção têm ainda quando os pais se estão a borrifar para eles.

Neste assunto tudo é revoltante, desde a família assassina até à mãe e ao padrasto que acabam por ser coniventes e também cúmplices por não terem logo avisado as autoridades. É culpado o Estado, por sinalizar crianças em risco, mas não fazer nada, para as proteger, passando assim as crianças de sinalizadas como em risco para sinalizadas como mortas.

23
Jun22

Espectáculo de aberrações


Pacotinhos de Noção

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Quem for leitor habitual do que escrevo saberá serem algumas as vezes em que abordo assuntos tratados no programa Extremamente Desagradável. Tendo eu um blog, e página de Instagram, com o nome "Pacotinhos de Noção", e sendo os visados daquela rubrica de rádio, personalidades que necessitam de doses cavalares de noção, julgo que esta parceria abusiva, da minha parte, acaba por ser natural.

Nos programas de 2.ª e 3.ª feira, ouvi algo que pensei estar banido já há muitos anos. Os espectáculos de aberrações. Aqui não há o homem elástico nem a mulher barbuda, apenas um homem parvo e uma mulher estúpida. Pelos epítetos aplicados até poderiam chegar lá, mas como um dos intervenientes não é assim tão famoso, o melhor é dizer-vos quem são. Falo de Maria Vieira, a "Parrachita", a Marilyn Monroi do André Ventura, a meia leca que é louca e meia.

E falo também de Sérgio Tavares... Quem?! Perguntarão vocês, ao que vos respondo que não sei, mas estive a pesquisar um pouco, e entre o NADA e o MUITO POUCO lá está este grandioso comunicador do mundo actual, que ninguém conhece, mas que, ao que parece, tem muito sucesso nas redes sociais, principalmente a ser bloqueado pelas mesmas, por dizer tanta estupidez e barbaridade.

Como um maluco a falar sozinho é apenas um maluco a falar sozinho, Sérgio convidou a Parrachita para serem comentados assuntos da actualidade e passou assim a existir uma conversa de malucos.

Deram uma lambidela por todas aquelas que são algumas das mais populares teorias da conspiração. Desde as vacinas do Covid, o próprio Covid, a Nova Ordem Mundial, a criação da guerra na Ucrânia por parte da NATO, a de que é o marido da Maria Vieira que lhe escreve os posts, o Grupo Bilderberg, enfim, tudo e mais alguma coisa.

Mais uma vez dá para perceber que estes conspiracionistas estão de mal com o mundo, e querem à viva força fazer o sangue correr-lhes nas veias, mas tenho más notícias. É que as alforrecas não têm sangue, são apenas uma massa gelatinosa, muito incómoda, e que têm uma curiosidade comum ao Sérgio, à Maria Vieira e a todos os outros como eles, e que é a de que o mesmo orifício que serve de boca também serve de ânus, o que confirma aquilo que tantos dizem, e que é o célebre "quando abrem a boca, ou entra mosca, ou sai..." E vamos então a algumas dessas saídas, para perceberem o calibre de retardados com que lidamos.

Não vou parafrasear "ipsis verbis", mas o contexto é exactamente o que descreverei. Foram ditas coisas como:

 "— Adoro o meu Bolsonaro"

"— Castração química não, deviam era cortar logo tudo"

"— Agora até já é possível casar homens com homens"

"— Os epidemiologistas da Covid mereciam morrer"

"— A varíola dos macacos é transmitida pelo rabo"

"— Já só falta legalizar a pedofilia e não estamos longe disso quando permitirem casamentos entre adultos e crianças como nos países muçulmanos"

"— O Milhazes mandou todos para o c@r@1h0 e é um aldrabão porque o Putin é apenas um conservador, nacionalista, contra a eutanásia, e contra a ideologia de género..."

"— Portugal manda dinheiro para a Ucrânia e os nossos pensionistas vivem debaixo da ponte"

"— A verdade acerca da varíola dos macacos é que só existe devido aos homossexuais"

"— Uma vez apanhei uma parada gay na rua e até fiquei doente "

Admitam lá que estão maravilhados com estas pérolas que vos dou.

Isto não é um qualquer bloco humorístico, são mesmo duas pessoas desprezíveis à conversa e que, infelizmente, são uma amostra da população que se vai alargando mais, o que é bastante assustador. É assustador imaginar que temos um partido com assento parlamentar e com reais perspectivas de crescimento para as próximas eleições. Houve uma altura em que todos riram e acharam divertido ver no André Ventura o palhacinho que não era para considerar, mas a percepção que tenho é que existe muita gente inconsequente que votou, e pondera votar nesse palhacinho.

Aquilo que posso desejar é apenas que a outrora acarinhada Maria Vieira, agarre nesta Maria Vieira podre e azeda, e faça mais espectáculos degradantes como aquele em que cantou o "Happy Birthday ao André Ventura. É que não foi só a Marilyn Monroe que andou as voltas na tumba, os estômagos de todos os portugueses também, e pode ser que cause um asco tal, que na hora de votar até se afastem do quadradinho do CHEGA.

18
Jun22

Um dia de doidos


Pacotinhos de Noção

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Saúde mental... Um tema em que é sempre preciso falar com cuidado porque há sempre alguém que teve, tem, terá ou é maluco, e não suporta que se fale do assunto.

Logo neste parágrafo hão-de ter havido leitores que sentiram vontade de se insurgir por utilizar o adjectivo maluco, mas como é dessa ramificação específica da falta de saúde mental de que vou falar, então julgo que devo tratar os bois pelos nomes. No dicionário Priberam definem da seguinte forma:

 

MALUCO

(origem controversa) → TAL COMO EU DISSE

adjectivo e nome masculino

1. Que ou quem não tem o juízo todo; que ou quem perdeu a razão ou tem distúrbios mentais. = ADOIDADO, DOIDO, LOUCO

 

2. Maníaco; cismático.

 

3. Que ou quem é estouvado ou extravagante. = ESTROINA

 

Pois bem, e ontem foi um dia de trabalho cheio de malucos. Não vos vou contar as histórias especificamente, mas de facto foi um dia em que cada cliente que me aparecia, se não era fugido de um qualquer estabelecimento psiquiátrico, julgo que mais tarde ou mais cedo lá vai parar. 

Tenho que admitir que não me sinto à vontade com malucos. Assustam-me pessoas que não dominam o seu discernimento mental, e que são instáveis. Poderá ser um preconceito da minha parte, afinal de contas todos terão o seu preconceito de estimação, e este pelos vistos é o meu, mas poderão vocês afiançar que alguém com um desequilíbrio, não pode num qualquer momento tentar tirar-me o olho com uma esferográfica? Nem sequer podem garantir-me que não serão vocês o agressor da BIC, quanto mais meter a mão no fogo por alguém que há partida já tem um problema do foro psicológico. É que estas questões da mente não são passíveis de diagnóstico prévio, e podem acontecer subitamente, sem sequer se saber qual foi o gatilho que tudo despoletou. E hoje foi assim, tive contacto com vários malucos, e ainda para mais malucos daqueles maus, que não se contentam em falar sozinhos ou em serem o Napoleão. Visitaram-me aqueles que têm distúrbios, e que querem à viva força desequilibrar as pessoas com quem contactam.

Malucos houve das mais variadas espécies. Uns são dos tais que precisam urgentemente de ser internados, e não brinco, são pessoas passivo-agressivas que sentem raiva até da própria sombra. São os que mais assustam mas também são os que mais facilmente nos deixam de pé atrás, tal é a atitude, sendo assim até mais fáceis de identificar.

Depois temos aqueles que não sendo agressivos gostam de moer a paciência ao próximo. Repetem uma situação até à exaustão, não conseguem compreender quando são inconvenientes, ou então conseguem, mas estão-se completamente nas tintas. São o tipo de pessoa que faz questão de soltar o seu valente traque vocal, dizendo o que querem, e quando mal o fazem, desaparecerem, deixando no ar o fétido cheiro por eles expelido. Bem sei que esta é uma analogia demasiado escatológica, mas é perfeita para emoldurar aquilo que acabei de dizer.

O facto de não me sentir à vontade com malucos tem dois condões. O primeiro é de que parece que sentem esta minha falha e aproximam-se automaticamente, como se eu estivesse magnetizado, o segundo é o de também eu passar por maluco, porque infelizmente não tenho aquele filtro que a maioria das pessoas tem, que é o de conseguir ignorar as conversas dos malucos. Às vezes dou por mim a responder-lhes e até a dar corda, corda essa com que me podem vir a enforcar.

Não será a coisa mais bonita de se dizer, mas acredito que quem é maluco tem que ser internado, tanto para sua segurança como para de todos os outros. Costumamos relativizar, mas quantas vezes há uma relativização que acaba num ataque num espaço público ou, como recentemente aconteceu nos E.U.A, numa escola cheia de crianças?

Os malucos que ontem me visitaram não posso afirmar serem loucos perigosos, mas conforme disse atrás, também não meto a mão no fogo por eles. Posso, isso sim, dizer que conseguiram transformar o meu dia num pequeno inferno. Não sei se foi uma conjunção de astros, se foram as areias africanas, ou a fase da lua, o que é certo é que já há muito tempo que não tinha que lidar com tanto maluco, desde aquele dia em que fiz uma visita de estudo à Assembleia da República.

Este tipo de patologias mentais incomodam-me, e até me assustam tanto, que devo dizer que não acho piadinha nenhuma quando existem pessoas que gostam de se afirmar como "uns grandas malucos" ou que "X é maluco, mas eu consigo ser mais maluco que ele".

Eu não sou maluco e não tenho orgulho nenhum se me confundirem com um. Não quero ser nem considero que os níveis de maluqueira possam ser correlacionados com o quão "fixe" se consegue ser. Gosto de ter consciência das minhas capacidades e faculdades mentais, e espero manter-me assim por muitos e longos anos, de preferência a vida toda. Se tal não acontecer, se começar a comer terra e a cal das paredes, então peço desde já que me internem, porque se eu não responder por mim, não estou à espera que alguém se prejudique e o faça.

15
Jun22

Um puxão de orelhas não chegará


Pacotinhos de Noção

Não sei se haverá alguém que não esteja ao corrente do assassinato de Igor Silva.

Ao que parece tudo aconteceu numa rixa entre gangues rivais em claques do Futebol Clube do Porto que, para festejar a conquista de mais um título, decidiram limpar o sebo a um coleguinha. Os assassinos, e não utilizo "alegados" propositadamente, são Marco "Orelhas", Paulo "Chanfras" (cunhado do Orelhas) e Diogo "Xió", amigo de Renato, que é filho de Marco "Orelhas" e que também está preso. Está então montado um círculo familiar, e de amigos, do mais fino recorte.

É verdade que falei no FCP, mas peço a todos os que lêem estas linhas, que esqueçam as clubites, os regionalismos, e todas as idiotices inerentes ao mundo da bola. Aquilo que se passou podia acontecer com qualquer outro clube, assim como já aconteceu com o assassinato daquele adepto italiano do Sporting, atropelado por benfiquistas, e é certinho que vai voltar a acontecer, enquanto não for tomada uma atitude para acabar com estes grupos de crime desorganizado.

Se em Inglaterra foi possível de fazer, em Portugal também será, basta haver vontade. Claques de futebol são esquemas montados para toda a pirâmide de negócios ilegais que vão desde tráfico de droga, assaltos, roubos, crimes de violência e ódio racial. Todas as claques deveriam ser banidas do futebol português, e se por acaso vier algum membro de uma dessas corjas comentar este texto, tenho a certeza que será para insultar ou ameaçar, porque realmente não dará para mais.

Não acrescentam nada de novo ou de especial ao futebol, a não ser medo, clima de insegurança e afastamento de outros adeptos que se recusam a ir ao estádio com receio de dar de caras com atrasados mentais como estes.

A grande generalidade dos elementos de uma claque têm registo criminais mais preenchidos que um boletim do Euromilhões numa Sexta-feira de Jackpot. São indivíduos desempregados, mas que normalmente se deslocam em carros, topo de gama, e eu gostaria de saber como.

Não sei se repararam, mas não houve uma única vírgula de lamento em relação à morte de Igor Silva, e isto acontece porque, na verdade, não lamento. Aqui não consigo ser hipócrita e dizer que qualquer morte é de lamentar, e "paz à sua alma". Relembro que também ele fazia parte da claque de futebol, e se isso, por si só, não é motivo para merecer morrer, a verdade é que é um dado quase adquirido de que pode acontecer, ainda para mais quando há uma luta de gangues no seio da própria claque, e se é um elemento activo de um desses gangues.

Vivemos tempos em que os tribunais querem dar o exemplo, aplicando algumas penas duras, às vezes em crimes onde judicialmente nem é costume uma rigidez assim tão grande, como no recente caso do Rendeiro, por exemplo. Pois, julgo que para um caso de assassinato em praça pública, com a violência de 18 facadas, mais espancamento, mais pedradas, deixando até o corpo irreconhecível, a pena máxima parece-me até pouco, e ainda assim duvido que exista um juiz com coragem para dar penas assim tão pesadas a elementos que pertencem a claques de futebol. Recordo que "pessoas" como este "Orelhas" e o "Macaco", por exemplo, não têm nenhum pudor em ameaçar directamente, ou em fazer visitas a casas, locais de trabalho, de quem lhes desagrada, ou até a familiares, causando o terror.

Em Itália existe a Camorra, no Japão os Yakuza, aqui temos um bando de marginais protegidos por equipas de futebol, o que nos mostra que até na Máfia somos uns bacocos.

14
Jun22

Mais de 40 anos de pérolas a porcos


Pacotinhos de Noção

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Embora seja o maior humorista português de todos os tempos, ainda que 50% alemão, Herman José nunca foi uma personalidade consensual.

Nos anos 80, um humor demasiado avançado, para um Portugal ainda muito rural e iletrado, conquistava grande parte da população, mas também eram muitos os que queriam a sua cabeça. Prova disso mesmo foram as censuras que sofreram alguns dos seus sketches de humor das entrevistas históricas no programa "Humor de Perdição". Anos mais tarde, já na década de 90, e com o seu lugar de referência do humor bem alicerçado, Herman volta a sofrer uma tentativa de rasteira, quando António Guterres, e o seu Governo, tentam censurar o famoso sketch d"A Última Ceia". Gostaria de lembrar-vos que na altura o líder do PSD, e consequentemente da oposição, colocou-se ao lado do Governo nesta tentativa de impedir que o programa fosse para o ar. Esse líder é alguém que todos conhecemos, gosta muito de tirar "selfies" e que, curiosa e infelizmente, é hoje o nosso Presidente da República.

Herman, embora certamente magoado, mostrou sempre ser um homem de grande carácter e convicção, não se vergando perante pressões políticas. Quem siga com regularidade todos os seus trabalhos e entrevistas, poderá tirar as suas ilações acerca do homem e do profissional. Não o conheceremos intimamente porque o artista, que é um bom artista, 

sempre conseguiu manter a sua vida íntima o mais privada possível, deixando sair cá para fora só aquilo que permitia que saísse. Foi talvez essa cortina que lhe serviu até de trunfo para se conseguir defender da vil acusação de que estaria envolvido nos crimes de abuso sexual da Casa Pia. Quem, diabolicamente, o tentou acusar, escolheu mal a data, pois no dia do alegado crime Herman gozava férias no Brasil, e assim conseguiu provar ser alvo de uma mentira. Mentiras essas que o humorista defendeu também serem apontadas a Carlos Cruz, e ter esta convicção, e dizê-la desde sempre, foi o que levou à tentativa de o ligarem ao processo Casa Pia.

Mas voltando à vertente profissional é importante referir que Herman já nos deu óptimas passagens de Fim de Ano, já nos deu o Parabéns e a Roda da Sorte, e vários Hermans com o ano corrente agregado ao nome do programa, que nos enriqueceram com humor e conhecimento, pois se sempre nos soube divertir, Herman também nos soube mostrar um pouco mais além, até em coisas tão básicas como cortar uma castanha para assar, para que depois a casca saia mais facilmente. Esta dica foi dada no seu antigo programa "Moeda de Troika", onde também participavam Rita Ferro e Ana Mesquita.

Mesmo assim, depois de tudo aquilo com que este homem no foi presenteando ao longo de mais de 40 anos de carreira, não faltaram estúpidos, idiotas e os tais porcos que não sabem apreciar as pérolas, a apelidar o Herman José de parolo, por este ter demonstrado que, mesmo sendo o nosso maior nome da comédia, teve a humildade de se vergar perante alguém que tanto admira, e fazer-lhe chegar essa admiração como forma de agradecimento por tudo aquilo que John Cleese para ele representou. Herman podia ser arrogante, convencido, presunçoso, mas não. Herman deu uma lição de humildade e dignidade, mostrando que até os maiores astros têm alguém que os fez entrar em órbita e ter a sua própria luz. Foi um momento bonito, de um grande artista que demonstra também ser um grande homem e que nos últimos Globos de Ouro foi alvo também de bonitas palavras, que lhe foram dirigidas por César Mourão, mas que também teve o outro lado da moeda, e foi o de alguém que tem na sua falsa modéstia a arma para não mostrar ao cidadão comum como tem pouquíssima humildade, ao não dedicar sequer uma palavra a Herman. E refiro-me a Ricardo Araújo Pereira, quando foi receber o seu galardão. Até nisto, Herman José demonstra ser muito mais completo, que qualquer outro humorista português.

SEI que o Herman vai ler este texto, já falámos algumas vezes sobre os mais variados assuntos, e é por isso que gostaria de agradecer-lhe ter-me ensinado a sorrir desde sempre. Eu, tal como tanta gente neste país, tivemos, e temos, os nossos altos e baixos na vida, e posso dizer que tive uma infância complicada, mas — e é das poucas recordações que tenho da infância — lembro com carinho as 2.ªˢ feiras à noite, quando ouvia começar o genérico do Casino Royal, ou mais tarde o Herman Enciclopédia.

Obrigado Herman, por dedicar a sua vida a fazer os outros felizes, e obrigado por não ter vergonha de demonstrar a alguém o quanto o admira, porque assim também eu não o tenho.

Quanto a parolice... Uma das pessoas consideradas mais poderosas e influentes no nosso país gosta de se comparar à Lady Di e andar com imagens da Nossa Senhora cravejadas na parte de trás dos vestidos. Fala alto que se desunha e só lhe falta dizer que "nunca se engana e raramente têm dúvidas". Isso sim, é ser parolo.

08
Jun22

Os animais dos cãovencidos


Pacotinhos de Noção

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Começo com uma pergunta simples.

Está escrito nalgum lado, ou é uma regra intrínseca, que quem é dono de animais tem direitos especiais, ou as suas vontades têm mais valor do que a de todos os outros?

Pergunto isto porque reparo que cada vez mais os donos dos animais, em particular dos cães, porque são esses que normalmente vêm à rua, estão convencidos que por gostarem muito do seu Farrusco, então todos têm que gostar, ou até venerar.

Em mais do que uma ocasião vejo donos de cães a entrar com os seus bichinhos em estabelecimentos, que estão bem sinalizados, e que não permitem a entrada dos mesmos, mas eles não querem saber e vão por ali dentro, sem sequer perguntar.

No fim de semana vi numa pastelaria, um cão que, ao lado de uma mesa de quem não levou cão, se lembrou de começar a sacudir-se e foi ver pêlo a voar por tudo quanto é lado. A ideia com que fiquei é que houve ali pastéis de nata e meias de leite que ganharam brinde.

Mas imaginem também que a pessoa entra com o cão numa loja de roupa e que o bicho, sem sequer o dono saber, até tem pulgas. Assim, de repente, pode estar o caldo entornado ao alastrar-se pela roupa uma praga desses bichos, que nos fazem esgadanhar a pele até fazer ferida.

Perto do sítio onde moro há um parque infantil. Estes senhores vão passear os cães para dentro do parque e o que depois acontece é que os miúdos, entre uma descida no escorrega e uma viagem no baloiço, acabam por pisar uma mina.

Curioso é que, entretanto foi aqui aberto um parque caninoo, cheio de espaço e óptimo para os cães fazerem o que quiserem, mas os donos teimam em deixar que os seus cães façam as suas necessidades no parque infantil e na relva comum.

Não tenho nada contra os bichos, só tenho contra os donos que são muito pouco cívicos.

Como alguém que respeita tanto os animais, pode desrespeitar tanto o seu semelhante? E nem me venham com a treta de que "quanto mais conhecem pessoas, mais gostam de animais". Para mim esta máxima pode ser alterada para "Quanto mais conheço alguns donos de animais, mais pena tenho dos animais por terem que conviver com tão fraca amostra de humano". Isto porque quando alguém decide entrar com o seu mais-que-tudo em qualquer lado não percebe que por detrás do dístico da não permissão de entrada, pode estar um motivo. Como sabem eles que a pessoa do estabelecimento, ou algum cliente que lá se encontre, não tem pavor a cães? Conheço várias pessoas assim, ainda mais porque a maioria destes donos de cães respeitam demasiado os seus bichos para lhes colocar açaime. E há alergias a pêlos e também pode haver quem pura e simplesmente não goste de cães, e está tudo bem, porque à pergunta do princípio ainda não obtive resposta, e estou em crer que realmente não há nada que diga que donos de cães têm uma permissão ou devam ser tratados de forma especial.

No fim deixo mais uma pergunta.

Dado que os cães fazem parte da família, é justo que tenham "donos"? Se estão quase em pé de igualdade, não será uma violência tratá-los como seres inferiores?

E se jardins zoológicos e circos são considerados um atentado à dignidade do bicho, vestir um cãozinho com uma roupinha ridícula não o é? Colocar um Labrador numa varanda de um T1, e só o deixar sair à rua, para ir fazer as suas necessidades, não deveria ser passível de multa, ou uma qualquer punição?

Amar os bichos é sermos donos deles, e submetê-los à nossa vontade e ao jugo de uma trela, ou deixá-los andar?

À pergunta inicial deixo mais estas e deixo também um conselho para quem o quiser apanhar. Quando forem apanhar o conselho, aproveitem e apanhem a bosta que estiver no chão. Pode até nem ser do vosso animal, mas é do de um ser superior, como vós, que pensa que a bosta do seu cão é uma dádiva, e que até serve de fertilizante. Assim, além de amigos dos animais também vão estar a ser amigos do ambiente.

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