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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

15
Jan22

Che Guevaras de pelúcia


Pacotinhos de Noção

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É sabido que as modas chegam a Portugal um tanto ou quanto atrasadas, mesmo aquelas que são atrasadas.

Nos E.U.A, há uns anos, alguns iluminados lembraram-se de começar a sair à rua de pijama, começou a procurar-se uma justificação para o facto e teorias apareceram mais que muitas. Que seria uma forma de protesto contra a imposição da expressão do estatuto baseando-se na roupa e no quão cara seria a roupa, uma forma de protesto contra uma sociedade opressora que nos obriga a respeitar determinados conceitos pré-definidos, um deles a forma de vestir, etc.

A verdade é que após longas investigações, realizadas² por organizações tão conhecidas como a Faculdade do Não Interessa de Massachuchas, ou o Centro de Investigação de Coisas Importantes Comó Caraças, no Estado dos Orégãos, a conclusão a que se chegou foi a de que, por mais elaboradas que sejam as justificações, a mais plausível será a de que as pessoas começaram a usar pijamas nas ruas porque são preguiçosas, desleixadas, porcas e sem o mínimo de conceito de saber viver sociedade.

"Mas qual o mal de andar de pijama na rua?!" — perguntarão alguns de vocês.

Tenho pena que o façam e respondo-vos já que não há mal nenhum, assim como não há mal nenhum em mastigar de boca aberta, arrotar na cara dos outros ou soltar gases num elevador pejado de gente. Mal não há, mostra, contudo que se marimbam para a sociedade em que vivem, desrespeitando como ela naturalmente se foi estruturado.

Andar de pijama na rua é como coçar o rabo e depois cheirar, deixar crescer a unha do mindinho para mais tarde usar como palito, usar um penico e despejar pela janela gritando "água vai". Se não temos estas práticas porque é que temos que adoptar outras que são igualmente porcas?

Podem dizer-me que o pijama que alguém usa na rua é, na verdade, limpinho, que a pessoa o usa como uma peça de roupa normal e que até demorou a montar o visual para sair à rua.

Se assim for então desvirtua o movimento norte-americano, em que muitos diziam usarem⁵ o pijama precisamente porque assim acordavam e podiam logo sair à rua sem a preocupação de trocar de roupa.

Quem já se deparou com um destes importadores de modas bacocas, decerto há de ter reparado que o único senão destes tipos nem é só o pijama. Há todo um conjunto de aspecto badalhoco, o uso de chinelos de quarto que estão tão porcos como a boca de uma sarjeta e é também usual estas pessoas terem um aspecto que demonstra claramente que são contra o uso de pastas dentífricas, champô e sabonetes.

Factualmente andarem assim vestidos na rua não me deveria afectar assim tanto, mas tenho que admitir que cenas destas tiram-me do sério e deixam-me enervado.

Vestirem-se deste modo apenas para afrontar deixa claramente em aberto todas as outras situações em que poderão enfrentar autoridades, sejam elas sociais, polícias ou até familiares, apenas porque podem e, porque julgam que assim estarão a ser uns autênticos revolucionários, uns Che Guevaras de pelúcia.

Aquilo que me deixa mais perplexo é que estas pessoas optam sempre pelo caminho mais confortável, e não digo que estejam confortáveis porque estão de pijama, não. Estão confortáveis porque põem em prática a lei do menor esforço.

É que em vez de escolherem esta moda desleixada de andar de pijama, poderiam ter escolhido a resolução de que passariam a andar lavadinhos, impecáveis e aprumadinhos, organizados e responsáveis... Mas isso dá muito trabalho e não causa tanto impacto.

12
Jan22

O Parque das Gerações não pode acabar


Pacotinhos de Noção

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O texto de hoje refere-se a um acontecimento que decorre na área onde resido e, como tal, poderá parecer a alguns, um texto algo bairrista, mas não o é porque este exemplo coloca a nu muito daquilo que se passa por todo o país e como é cada vez mais difícil considerar promessas e convicções vomitadas por quem nos governa.

Este também não é um post político, é um post de apelo, de divulgação e de certa forma de revolta. Vamos então a isto.

Em Setembro de 2013 nascia em S.João do Estoril, naquele que outrora era apenas um descampado junto ao Centro de Saúde, que servia maioritariamente como ponto de descargas de entulho clandestino, um skatepark baptizado como "Parque das Gerações". Não sou adepto de skate, patins nem nenhuma das actividades possíveis de se fazer naquele recinto, mas sou completamente a favor de todas as infraestruturas que tenham como objectivo o convívio, a prática do desporto e o incentivo a que miúdos, e até mais graúdos, possam preencher os seus tempos livres com algo que lhes seja salutar e prazeroso.

O Parque das Gerações foi, sem sombra de dúvida, uma aposta ganha por Carlos Carreiras e a Câmara Municipal de Cascais (CMC). Aproveitou um espaço feio e inútil em algo que dinamizou a área envolvente, embelezou o local e colocou S.João do Estoril até nos mapas dos outros países, pois já vários campeonatos internacionais foram disputados neste parque. Resta dizer que a feliz ideia deste Parque das Gerações saiu da cabeça de Pedro Coriel, que em boa hora apresentou o projecto à Câmara.

Tudo corria bem e há que admitir não haver grandes pontos negativos a apontar ao Parque das Gerações e a tudo o que o mesmo gerou, até que Pedro Coriel, que pelos vistos não é só boas ideias mas também alguém que sabe como se manter informado

Deslindou que a CMC e a Infraestruturas de Portugal, se preparavam para dar início à construção de um parque urbano e que, inerente ao mesmo, estaria a construção de uma via, denominada Circular Nascente, que passaria precisamente pelos terrenos onde está o Parque das Gerações, destruindo assim por completo aquilo que foi feito e que em cerca de 9 anos consegui já construir uma mística e uma fama, até internacional, e que tanta falta faz a quem por lá passou, passa e passará.

A justificação para esta decisão é a de eliminar a passagem de nível de S.João do Estoril, tendo como fim evitar os atropelamentos...

Na minha opinião, que vale o que vale, mas que a darei dado que este texto é meu, este argumento é imbecil e não tem em consideração todos os prós e os contras do encerramento da passagem de nível.

Para quem não conhece a passagem desde já explico que existe cancela, sinal sonoro, sinal luminoso e visibilidade mais que suficiente. Aquilo que não existe, e que ainda não foi inventado, foi um sistema infalível para evitar que idiotas se comportem como idiotas. Dos últimos atropelamentos posso afirmar com 100% de certezas que se estas pessoas não fossem atropeladas por um comboio sê-lo-iam por um autocarro, um carro, uma mota ou um burro de carga.

Uma das vítimas não foi atropelada na passagem de nível. Era um toxicodependente da zona que decidiu pôr termino à vida e fê-lo a cerca de 800 metros de distância da passagem de nível. Outro dos casos foi uma idosa de cerca de 80 anos que pensou ser atleta e tentou correr para atravessar à frente do comboio. Não conseguiu. Outro caso foi um rapaz que teve o mesmo pensamento da idosa, mas ia de bicicleta. Ele passou, a roda da bicicleta não e o comboio bateu foi na roda da bicicleta, projectando-o.

Em S.Pedro do Estoril caíram no erro de fechar a passagem. Mataram uma das partes que ficou mais isolada. Os negócios sucumbiram e até um pequeno Centro Comercial que ali existe ficou às moscas. Não é o interesse comercial que aqui defendo e sim as famílias que se viram em situações de apertos económicos e desempregadas devido à má opção. Os atropelamentos continuam a acontecer porque há sempre quem salte muros e gradeamentos ou que tente passar de uma gare para a outra pela linha, em vez de descer os túneis. Como disse, idiotas serão sempre idiotas e não há infraestruturas que consigam vencer um idiota.

Quando Pedro Coriel lançou esta desconfiança o Polígrafo investigou a situação e deu-a como falsa.

A verdade é que agora, cerca de um ano depois, a CMC acabou por fazer uma alteração de proposta do PDM para efectivamente ser feita a construção da maldita estrada que vai destruir o parque.

Devo dizer que Carlos Carreiras está no seu último mandato e fez algumas coisas boas por Cascais e outras péssimas. Nestes últimos tempos Cascais voltou aos anos 90 e é de novo um enorme estaleiro de obras e parece que assim vai continuar.

Num último mandato existir uma necessidade de se fazer obras e mais obras, algumas delas que poderão até a vir a ter uma ou outra derrapagem orçamental, é uma prática que nos deixa a todos com "a pulga atrás da orelha" e algo que também incomoda é o silêncio que se faz sentir quer por parte da CMC e do seu próprio presidente, para esclarecer se esta situação se vai manter porque valores mais altos se levantam, ou se vão ponderar uma alternativa que não mate o Parque das Gerações, não divida S.João em dois e que não deixe no ar um leve aroma de suspeição.

Gostaria que pessoas que vivem ou viveram na zona, como Madjer, Bárbara Norton de Matos, Luciana Abreu, Rita Guerra, Liliana Campos, Carlos Xavier,  e tantos outros, divulgassem esta situação para que a CMC se veja obrigada a pelo menos responder a quem tão bem usa o Parque das Gerações e que deu início a uma forte corrente de contestação e que faz o que pode para obter respostas. Não deixem esta malta lutar sozinha, são ainda muito novos e são o futuro do nosso país, terem a ajuda necessária fará com que percebam que ser parte activa na sociedade poderá fazer com que a mesma mude para melhor.

Força a estes pequenos lutadores e força para que o Parque das Gerações continue por cá muitos e bons anos.

10
Jan22

O tamanho não importa


Pacotinhos de Noção

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Nos debates de ontem a grande questão foi o tamanho do programa do André Ventura.

Devo dizer estar à espera de mais. Um tipo tão cheio de si, tão gabarolas e depois vai-se a ver e tem um micro programa.

Não sei que carro é que o Andrézinho terá parado à porta, mas estou em crer que não será um Mercedes, porque ele não é cigano nem recebe o RSI, mas a avaliar pelo pequeno tamanho do seu programa, terá que ser de grande cilindrada. Afinal de contas todos sabemos que um grande carrão mais não é do que um programa político com rodas, para andar na estrada e fazer os eleitores olharem e quererem dar uma voltinha.

07
Jan22

Serão fracas as forças de segurança?


Pacotinhos de Noção

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Qual a semelhança entre o caso dos GNR, que humilharam e torturaram os imigrantes em Odemira, e o recente caso do Polícia Municipal que foi agredido em Lisboa?

A semelhança é porque ambos aconteceram graças à sensação de impunidade que impera actualmente.

À “posteriori” pode até ser que essa impunidade não se verifique, mas o que trama tudo é o "pode ser".

Não é líquido que quem cometa um crime, ou uma qualquer prevaricação, seja punido. Estes casos servem como prova disso mesmo, mas, numa vertente mais bairrista, posso referir-me aos badalhocos que riscam as paredes, riscos esses a que chamam "tags".

No município onde moro é usual ver funcionários camarários a limpar e a pintar, para fazer desaparecer esses rabiscos feitos por tipos cro-magnons, mas é certinho que passados dois ou três dias está tudo esborratado novamente, porque sabem que nada lhes acontecerá. E nem digo que deviam ser presos, que a prisão é para quem dela realmente precisa, mas pelo menos todas as custas de limpeza urbanística, que fosse necessária como consequência dos seus traços mal elaborados, deveriam ser impostas a quem os fez.

Voltando ao tipo que agrediu o agente da Polícia Municipal.

 É muito curioso que o indivíduo seja já conhecido das forças de segurança. Não foi a primeira vez que pôs em prática esta brincadeira e, ou muito me engano, mas não será a última, e é isto que deveria ser evitado. Esta besta não pode sentir que agredir uma força de segurança é algo que não se pague caro.

Todos nos perguntámos o porquê do polícia não ter reagido de maneira mais física, e eu respondo porquê. Porque não podia.

Se o polícia tivesse tido a feliz ideia de colocar o estupor que o agredia a coxear para o resto da vida, haveriam de aparecer os defensores de toda aquela sociedade marginal, para quem as regras foram feitas para se quebrar, a pedir a caveira do polícia. Estavam várias pessoas a filmar, nenhuma interveio, mas se tivesse sido sacada uma arma e disparado um tiro, mesmo que para o ar, o polícia ia meter-se numa carga de trabalhos, e ser acusado de uso excessivo de força ou de abuso de autoridade.

Isto traz também à discussão a falta de preparação das forças policiais.

Bem sei que uma polícia municipal é um órgão de segurança cuja principal função é a de passarem multas de estacionamento, e peço desculpa esta fraca caracterização, que sendo fraca é real, mas não é por isso que deixa de ser uma autoridade.

Devo também dizer que ambas as situações que envolvem forças de autoridade são consequências das fracas estratégias de recrutamento e até formação dessas forças.

Os GNR humilhadores não podiam nunca ter chegado a ser GNR. Para fazerem da Guarda profissão, significa que falharam os testes de admissão, falharam as entrevistas, falharam os colegas, falharam os superiores hierárquicos e falha todo um Estado, que pagando pouquíssimo às suas forças de segurança, não atrai pessoas com mais capacidades, ficando assim os lugares vagos para aqueles que quando eram miúdos eram os conflituosos, os cábulas, os putos "gangster", a quem diziam que nunca seriam nada na vida, mas que afinal de contas até chegaram à GNR.

Continuam a ser uns nadas, mas aos menos são uns nadas fardados e com capacidade de humilhar os mais fracos.

 

05
Jan22

ELES


Pacotinhos de Noção

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Eles andam aí, eles querem é poleiro, eles querem injectar-nos um chip, eles comem tudo e não deixam nada.

Quem são eles, o que pretendem e se falamos tanto n'eles porque é que não os definimos concretamente?

Referiremo-nos a "ELES" acaba por ser quase como falar em meteorologia ou fazer conversa de elevador porque na realidade não quer dizer nada. É uma entidade própria que não existe, mas que nos serve de bengala para quando não temos grande coisa a dizer.

É uma táctica usada desde sempre e ganha maior força quando se aproximam eleições ou quando a população está um tanto ou quanto desiludida com quem os governa. Com a situação deste vírus chato e da vacinação o "ELES" ganhou ainda mais força, quando são referidos os safadões que se importam tanto com o meu quotidiano que iniciaram até um plano muito elaborado para me injectarem um chip no braço.

Se injetaram ou não, não sei, mas se o fizeram então já estão informados de quantas manias eu tenho, daquilo que gosto de comer e quanto papel higiénico gasto quando vou à casa de banho. O que irão ELES fazer com toda essa valiosa informação, é algo que gostaria de saber, mas se a quiserem aplicar numa qualquer situação, em que me sirvam de mordomo, por exemplo, vejo com bons olhos. Não me importava nada de ter o meu próprio Ambrósio.

Evito cair no erro de afirmar que manias de perseguição e teorias da conspiração são características específicas dos portugueses, mas é um facto de que são algo que está na moda. Reparem que agora a Terra afinal é plana. Andou o Galileu a queimar pestana para conseguir provar que estamos afinal  nós num enorme berlinde e aparecem as almas iluminadas que dizem que ELES nos andaram sempre a enganar, e que afinal a Terra é toda uma enorme planície.

Podemos refutar, afirmando que da Lua se comprova que a Terra é redonda, mas isto só se formos uns verdadeiros tansos, porque "como podemos nós cair noutra treta que ELES inventaram e que é a de o Homem ter ido à Lua. Porque se o Homem já tivesse ido à Lua, porque é que não voltou a ir?"

Eu queria responder que o Homem não voltou porque segue a velha máxima do "Não voltes a um lugar onde já foste feliz", mas o maldito pragmatismo leva-me a supor que esta expedição não voltou a estar nos planos do Homem apenas e só porque já foi feita, já foi riscada da lista e os gastos exorbitantes que uma viagem destas acarreta, não permitem que se ande a visitar a Lua assim como quem vai à Brasileira, beber uma bica e comer um pastelinho de nata.

Ainda por cima, que se saiba, a Lua não é como a Índia, por exemplo, em que se tentou várias vezes a descoberta do caminho marítimo, não por divertimento ou simples casmurrice, mas apenas porque compensava muito ter uma forma que fosse mais rápida e segura de lá chegar, precisamente para usufruir dos materiais valiosos que o país tinha para oferecer. Ora que eu saiba na Lua não há canela, cominhos, açafrão ou caril. Ou haverá?

Se a Lua nada tem para oferecer, além da sua beleza, da sua atracção com a Terra, o que a faz influenciadora de marés, e da luz, que até pede emprestada ao Sol, então não há necessidade de lá ir gastar "gasoil", que está a 1,70 €/litro.

Quando era mais novo e inocente, de cada vez que me deparava com um qualquer conspiracionista, achava imensa piada. Não pelo facto dele ser conspiracionista, mas sim porque pensava que ou era brincadeira, ou então pura parvoíce. Com o passar dos anos reparei que não, que eles acreditavam mesmo nas várias idiotices que defendiam e ficavam até muito ofendidos com quem com eles não compartilhavam a opinião, mas isso era-me, muito sinceramente, completamente indiferente porque os conspiracionistas lá estavam, metidos debaixo da sua rocha, a jogar computador, a comer pacotes de bolachas e a namorar pela internet com outros rapazes que fingiam ser meninas.

A coisa começa a piar mais fino depois, com o surgimento das redes sociais e o uso quase generalizado pela população.

Não é que as teorias tenham ganho mais força, o que acontece é que foi montado um esquema de pirâmide impressionante em que um maluco atrai dois malucos, dois malucos atraem quatro, quatro atraem oito e assim sucessivamente, fazendo com que aquilo que era apenas um maluquinho se tenha transformado em muitos maluquinhos. 

Dirão os meus caros leitores — "Ah e tal, mas aos maluquinhos é deixá-los a falarem sozinhos"- e eu até concordo com isso, mas nós vivemos em sociedade e estamos no meio desses maluquinhos e os maluquinhos são como as galinhas. O cacarejo de uma galinha, no mesmo sítio que nós, pode incomodar um bocadinho, mas é possível suportar, agora metam-se dentro de um aviário cheio de galinhas a cacarejar... É UM INFERNO! 

Estão ali e o cérebro quase não tem função, mas todas juntas fazem um ruído tão grande que é de uma pessoa dar em doida.

04
Jan22

Debates são mais que as mães


Pacotinhos de Noção

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Falta pouco tempo para as eleições e se existe desta vez algo de que não nos podemos queixar é da falta de debates.

Vão acontecer cerca de 30. Não sei se os vou conseguir acompanhar a todos, mas aos dois primeiros fiz questão de ver e já cheguei a uma primeira conclusão. Estamos lixados. Tendo em consideração o que vi, a melhor análise é esta. Não sei se o Público ou o Expresso querem pegar na minha válida afirmação, mas é o que me apraz dizer.

No embate entre António Costa e Rui Tavares do LIVRE, tivemos oportunidade de ver quase um ritual de acasalamento, em que o fundador do LIVRE era o macho, de orgulho ferido, e António Costa era a fêmea difícil e que não se sente convencida com o que o espécime masculino tem para lhe oferecer.

Rui Tavares corre atrás do prejuízo. Nas últimas eleições conseguiu eleger um deputado, feito meritório e poderia até alavancar o partido de forma a um dia almejar ser uma força política a ter em conta, mas deram vários tiros no pé.

O primeiro foi a escolha de quem os representaria.

Pelos visto no partido não fazem testes psicotécnicos e escolheram Joacine Katar Moreira, que nos testes, claramente, não passaria na parte do "psico". 

Depois apalhaçaram a sua representatividade no Parlamento, com a história provocatória do assessor de Joacine, que decidiu ir de saia para o hemiciclo, o que me chocou e a tantas outras pessoas.

Em relação às outras pessoas, não posso saber o que as chocou, em relação a mim, posso dizer que o choque não esteve na saia, mas na fraca escolha de uma saia plissada comprida, azul escura, conjugada com umas meias verdes de cano médio. Não combina, não faz sentido e só por isto o lugar deveria ter sido posto à disposição. Se queremos marcar impacto, ao menos que se marque com estilo, mas não marcou. Aquilo que transpareceu foi claramente o uso de saia, não como indumentária usual, mas apenas usada como acessório que pretendia ser disruptivo em relação à maneira de vestir dos deputados. Ora num parlamento em que nos devíamos preocupar mais com a índole dos intervenientes, do que com a farpela que envergam, a atitude foi só parva.

Parvo foi também, mais uma vez, Rui Tavares, que escolheu alguém difícil de controlar, não por ser de forte convicções, mas sim por ter fortes convulsões de linguagem, dizendo tudo como os malucos, e de forma mais alucinada do que os próprios malucos, e perante tal volatilidade o historiador decidiu retirar o apoio político a Joacine.

Para ela tanto lhe vez, o lugar dela estava guardado, mas a verdade é que a representatividade do partido acabou e já muitos se esqueceram que o LIVRE existe.

Isto justifica a apatia de António Costa, no qu diz respeito ao adversário que tinha no debate. Preferiu ignorar as investidas de Tavares, que fez quase juras de amor, desde que pudesse fazer parte de uma nova Geringonça, mas António Costa não lhe fez caso. Devo até dizer que foi indelicado e mal-educado, ignorando o oponente que ali tinha e aproveitando para mandar recados a Rui Rio, fazendo propaganda política barata.

O outro debate colocou frente a frente Catarina Martins e André Ventura.

É devido a debates como este que depois, pessoas com um bocadinho menos de clarividência, optam por votar CHEGA.

Catarina Martins foi insossa, monocórdica, secante e bastante desagradável.

Referiu-se várias vezes ao adversário como o candidato da extrema-direita, o partido da extrema-direita, a extrema-direita isto, a extrema-direita aquilo, ignorando que o BE também pode ser conotado como partido de extrema-esquerda, mas que não se referem assim ao mesmo porque é deselegante.

Bem sei que o alvo da deselegância é André Ventura e o CHEGA, mas haver a mínima hipótese de fazer estes dois elementos passarem por coitadinhos, que é uma das formas fáceis de ganhar votos, é estar a entregar o ouro ao bandido.

A líder do BE falou, acusou e foi populista. Parecia a narradora de uma história para crianças e quis fazer crer que o Lobo Mau estava à sua frente sendo que ela seria o caçador que o ia esventrar, mas a verdade é que se pareceu mais com a avozinha débil que se deixou abocanhar, pois lançou atoardas que foram de fácil resolução para André Ventura, dando-lhe até deixas importantes para poder ele lançar assuntos menos claros e esclarecidos por parte do BE, como o caso Robles, por exemplo, e que Catarina Martins não justificou.

Várias vezes a líder esquerdista foi também apanhada em falso, lançando dados para a mesa que demonstraram não ser correctos, mais concretamente no que diz respeito a propostas no parlamento contra a corrupção, que o doido adepto de Viktor Orban rapidamente tratou de desmentir com factos.

A verdade é só uma, André Ventura ganhou este debate, e isto para a democracia é perigoso. Não podemos fazer quase nada, por a democracia ser isto mesmo, temos que dar voz a todas as facções, desde que não sejam criminosas, por mais idiotas que nos possam parecer, mas cair no erro de tentar usar as mesmas armas que eles é assinar a própria sentença.

Catarina Martins tentou ser populista, até citou várias vezes, diga-se que de forma ridícula e bacoca, o Papa, mas não deixou nunca o adversário sem palavras e em situação menos confortável, já ela escondeu-se por detrás de um discurso com bastante aparência de falso e muito mal ensaiado.

Temo que a continuar assim, o CHEGA vá conseguir conquistar votos a todos aqueles que estão ainda indecisos, desiludidos ou indignados.

Quero assistir ao debate de hoje entre Rui Rio e André Ventura e tenho curiosidade em ver como se sai João Cotrim de Figueiredo nos debates, mas como é óbvio não irei analisar todos os debates, para não vos causar fastio.

Como reparam aqui é possível analisar o Big Brother Famosos, as eleições e assuntos em geral. Isto porque burro não é o que vê o Big Brother, nem inteligente é o que lê Maquiavel. Inteligente é quem vê Big Brother e pesquisa quem é Maquiavel no Google.

E depois desta minha demonstração de superioridade intelectual despeço-me cheio de arrogância e amizade.

02
Jan22

Retrospectiva do ano de 2022


Pacotinhos de Noção

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Fartei-me de ver retrospectivas do ano de 2021 e tenho que dizer que me deitaram um pouco abaixo. Vi tanta gente a dizer que foi um ano podre, com confinamentos, teletrabalhos, trabalhar até mais não, para recuperar o tempo perdido, e imenso stress por estar com os putos em casa e afinal não. Parece que fui dos poucos a ter um ano ranhoso, tendo em consideração os desfiles de belas retrospectivas, cheias de brilhantismos, férias magníficas e festas maravilhosas.

Curiosamente, nas várias memórias anuais que me passaram pelas vistas, não vi imagens de cartões de vacinação ou mesmo da própria vacinação. Com tanta foto do género que se foi vendo, pensei que não iam falhar.

Mas não é do ano que acabou agora que vos quero falar e sim daquele que daqui a um ano se findará. Quero ser diferente, e fazer desde já a minha retrospectiva, para ser o primeiro a acertar nalgumas previsões que tenho. Anotem num "post it", e ao longo do ano vão confirmando se acertei ou se errei.

Transportemo-nos então para o final de ano de 2022 e analisemos o ano.

Começamos por aquilo que aconteceu logo em Janeiro e que foram as eleições.

António Costa venceu. Sem maioria absoluta, mas conseguiu construir Governo com uma nova Geringonça.

Não com o PSD, como se poderia pensar, mas com BE e PCP, que inviabilizaram o Orçamento de Estado, mas que alegaram depois que o país não podia ficar refém de lutas políticas e que o PS até recuou nalgumas propostas que anteriormente não aceitaram.

O PS não ganhou por ser o melhor, ganhou por os portugueses serem do piorio.

Saídas na passagem de ano tudo bem, mesmo contra as indicações das autoridades de saúde, mas ir votar foi coisa que nem pensar. "Havia o COVID e o que os gajos querem todos é poleiro".

Não sei se todos querem poleiro ou não, aquilo que sei é que o poleiro onde estes estão fica mesmo por cima das nossas cabeças e eles não têm nenhum pudor em aliviar as suas imensas cloacas, usando-nos como penicos, e tem sido assim já há imensos anos, pelo que a mudança seria essencial. Mas não aconteceu, e agora estamos de bolsos vazios, continuamos a servir de penico e ainda pagamos por isso. E pagamos bem, que a bazuca teimou em não chegar, ou chegou, mas ninguém nos avisou e acabámos por não ver um tostão.

Em relação à política estamos, para já, conversados, pois ao que me parece isto será o que de mais relevante aconteceu.

Agora desporto.

Vou dar uma novidade, que talvez vos custe a crer, mas o Benfica não foi campeão, com muita pena minha.

Na segunda metade do ano estão em primeiro lugar, com Marco Silva como treinador, mas o ano passado ficou perdido e o Sporting foi bicampeão. Sérgio Conceição foi corrido do FC do Porto e agora está lá Jorge Jesus.

Em relação ao COVID vamos tendo estirpes contínuas, mas vão ficando cada vez mais fracas. As medidas do Governo deixaram de se fazer sentir com tanta força, por duas razões. Ganharam as eleições e depois chegou o Verão, o nosso salvador.

Ia-me esquecendo da política internacional.

Nesta questão voltaram dois fantasmas do passado. Lula da Silva, no Brasil e Donald Trump, que já prepara o terreno para as eleições de 2024. Nestes casos o rio passa duas vezes debaixo da mesma ponte.

E pronto, resta-nos agora esperar que 2023 seja melhor que 2022, assim como vamos sempre esperando de ano para ano, porque a esperança é sempre a última a morrer.

Curioso, até hoje ainda não vi ninguém lamentar que determinado ano tenha acabado, e que por lhe ter corrido demasiado bem, gostaria até de mantê-lo "ad eternum".

Já eu, depois desta incursão pelo futuro, posso dizer que houve um ano que gostei particularmente e que gostaria que não tivesse parado, e ficaria lá eternamente. O de 2005. Porquê? Já vos dei a conhecer o futuro, não vos vou contar sobre o passado.

30
Dez21

Nem bom nem mau, antes pelo contrário


Pacotinhos de Noção

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Já li várias críticas ao filme Don't Look Up. Umas eram muito favoráveis, afirmando ser um filme espectacular, e outras eram não tão favoráveis, dizendo que de comédia tinha pouco, e que era uma desgraça.

Agora a opinião que conta, a minha.

Primeiro devo dizer que é um filme Netflix, e logo aí a minha expectativa fica em níveis muito baixos. Isto não é preconceito, é apenas constatação de um facto.

A empresa lança filmes em catadupa, e como qualquer indústria que visa a quantidade, na maior parte das vezes a qualidade fica muito aquém.

Podem argumentar que todos os grandes artistas estão na Netflix. Claro que estão. Pagando o preço que eles querem, até filmes de Bollywood faziam.

Se as lojas dos chineses pagassem bem por publicidade, também não seriam lojas dos chineses, seriam o El Corte Inglês.

Este filme não vale pela história, pela comicidade, nem pelo desempenho dos actores, que tem em DiCaprio a estrela da companhia. Don't Look Up tem na sátira e na crítica social e política, a sua arma diferenciadora.

Gostaria que transportassem as jogadas políticas, existentes no filme, para a realidade portuguesa e vão perceber o paralelismo que se vislumbra com o que agora se passa com o nosso destituído Governo.

As eleições estão à porta e agora a luta contra a Covid não é uma luta contra o vírus e sim uma pura demonstração de marketing político populista.

As medidas implementadas são como o enorme braço de um pai ausente, que só passa pelos ombros do filho, quando lhe quer pedir que vá ao frigorífico buscar uma cerveja e lhe pede que se mantenha caladinho, para o pai poder ver a bola. É como aquele pavão vaidoso, que não serve para nada, mas que para se fazer notar abre aquele leque grande e colorido.

As jogadas políticas que vemos no filme não foram inventadas para nos entreter. Aliás, no início do filme deveriam ter escrito um pequeno prólogo a informar que "ESTE FILME É BASEADO EM RASTEIRAS POLÍTICAS REAIS".

Temos também todos aqueles estereótipos dos jornalistas bacocos que nada levam a sério. Há uns anos não teríamos como identificar estes "jornalistas", mas agora basta ligar a televisão na TVI, logo de manhãzinha e ver o que por lá se passa. Risinhos amarelos e piadas sem graça nenhuma, mas que geram gargalhadas estéreis, necessárias para que em casa pensem no quão hilariante está a ser a manhã, num programa que, para os velhotes, sempre foi uma pasmaceira, porque eram blocos noticiosos onde teimavam em dar notícias.

Temos a crítica ao tipo de esquerda, que venera a bíblia, e até temos a crítica ao pessoal contra o glúten, a carne e a lactose.

É um filme que por um lado me agrada, por criticar coisas que estão cada vez mais enraizadas na sociedade e que me incomodam, mas por outro lado, também me desagrada, e exactamente pelo mesmo motivo.

Não vou contar o final, mas posso dizer que o resultado é a consequência do pouco caso feito acerca da descoberta efetuada pelos cientistas, interpretados por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, e também aqui 

existe uma crítica ao facto de estarmos tão centrados no "eu" e no "meu" e tudo o que esteja à volta é apenas poeira.

Querem uma comédia para rir que nem uns doidos? Então esqueçam, este não é o filme.

Querem um filme com diálogos profundos e espectaculares? Também não é este filme.

Conta com boas atuações, mas nada que chegue para ser sequer apontado a prémios de cinema ou algo que se pareça.

É um filme inteligente, que nos faz pensar e comparar com a realidade do dia-a-dia. Vai mudar mentalidades? Dificilmente, mas pode ser que limpe alguma névoa mental.

28
Dez21

Eurico Ferro


Pacotinhos de Noção

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Não é um homem bonito, não vos pediu ajuda porque tinha uma qualquer doença rara, não participou num crime de ódio ou racismo nem se sabe se batia ou não na mulher, por isso a sua história não foi partilhada nas redes sociais.

De facto pouco sabemos de Eurico Ferro. Sabemos que já foi bombeiro voluntário e trabalhava agora  como motorista de longo curso. Um trabalho que não se faz por gosto e sim por necessidade. É um trabalho duro, em que se está muitas horas ao volante de um grande camião e em que muitas vezes se sai de casa sem saber bem quando se volta. Eurico não volta mais.

A história de Eurico não tem os ingredientes necessários para ter o brilho e o destaque do Instagram. Como já disse a sua imagem não seria das mais apelativas e por mais que se diga que o interior é que conta não é o interior que nos aumenta as visualizações.

Em jeito de brincadeira, e como consequência das notícias mais recentes, os motoristas passaram a ser culpados de tudo e ainda estou à espera de ler algum tipo de comentário que afirme que a morte de Eurico Ferro é apenas consequência da sua pouca empatia para com os migrantes que lhe tentaram invadir o camião.

Foi o que três migrantes tentaram fazer em França, perto de Calais, com o intuito de atravessarem o Túnel da Mancha, para seguirem rumo ao Reino Unido. O motorista não o permitiu e a consequência foi uma paulada na cabeça que haveria de se complicar, desencadeando um ataque cardíaco fatal, no ex-bombeiro.

O homem morreu e deixou uma família que sustentava. Não vi ainda nenhuma palavra de uma qualquer autoridade governamental e todas as associações e partidos que defendem os migrantes com unhas e dentes, também não vieram dizer de sua justiça.

A luta dos migrantes por uma tentativa de vida melhor é algo que deve ser acompanhado e apoiado, mas não podemos também tapar o sol com a peneira e romantizar a situação, quando sabemos das mortes de pessoas que atravessam o mediterrâneo em cascas de noz, transportando quase sempre crianças.

Não digo que o façam por gosto e não digo que não se justifica que fujam dos seus países. Aquilo que digo é que a tentativa de bem-estar deles não pode levar a que tirem a vida a alguém com a mesma facilidade com que se come uma peça de fruta. Tentavam atravessar o Túnel da Mancha de França para o Reino Unido, não do país que temiam para um que os salvaria, porque salvos já estavam. O problema, que também é real, é que muitos destes migrantes são também apenas homens que querem vir para um país na Europa, de preferência rico, para que assim consigam um emprego onde consigam ganhar mais. No final das contas o objectivo deles é o mesmo que era o de Eurico, mas Eurico, para atingir os seus objectivos, não matou ninguém.

28
Dez21

A máfia dos auto testes


Pacotinhos de Noção

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Chico-espertismo.

O português tem o velho costume de pensar que esta é uma definição só própria da nossa nação, contudo não é.

O chico-espertismo é algo mundial e está inerente à condição humana. Seja na China, na Rússia ou no Cazaquistão, será sempre fácil encontrar um Chico-Esperto. Aquilo que já será um pouco mais raro em termos mundiais, é o que por cá temos e que parece que vai sendo uma definição cada vez mais comum e é o Chico-Esperto-Burro.

Estamos numa altura em que todos precisamos de auto testes para o COVID.

A Omicron espalha-se mais depressa que piolhos numa escola primária e quem não tem testes quer ter, e os que já têm querem ter mais ainda, para juntar aos 500 rolos de papel higiénico que lhes sobrou ainda do início da pandemia. Até aqui tudo bem, mas como a procura é muita, os testes são já coisa rara, e encontrar sítio que tenha é o mesmo que encontrar um abstémio num qualquer Café Central de aldeia.

Como todos conhecemos alguém que trabalha, ou que conhece alguém que trabalha numa qualquer farmácia, super ou hipermercado, tratamos de mexer os cordelinhos para conseguir garantir que nos guardam alguns testes. Aqui é o Chico-Espertismo a trabalhar. O Chico-Espertismo-Burro é aquilo a que hoje presenciei.

Devo dizer que não nutro antipatia de qualquer espécie, por quem trabalhe como caixa de supermercado. É um trabalho honesto e necessário, como tantos outros, e havendo brio e respeito por aquilo que se faz, então a minha admiração é total. Agora, quando vejo idiotas, de unhas de gel estupidamente grandes, que não levantam os adiposos glúteos da cadeira onde estão, nem para chegar à máquina do Multibanco, e que parece que estão deitadas em cima do tapete rolante, então aí a minha antipatia é total. E tem razão de ser, pois quase sempre as filas em frente às caixas destas tipas são as mais compridas do supermercado. Incomoda-me também ter que ouvir, por entre o registo de um iogurte grego e uma alheira de Mirandela, as constantes lamúrias de uma descontente com as folgas trocadas ou, porque o dia nunca mais acaba.

Hoje, uma destas pessoas, enquanto atendia os clientes, ia rabiscando furiosamente um cartão mal-amanhado, com uma orgia de números de tal ordem importante que só isso poderia justificar a paragem do trabalho que desempenhava, para escrever os tais números, quando um colega aparecia e lhe sussurrava qualquer coisa.

Quase chegando a minha vez, fiquei então a perceber do que se tratava.

Aquela lista com números era a quantidade de testes que os colegas pediam-lhe que guardasse, para lhes vender mais tarde.

Havia encomendas para todos os gostos, sendo que as mais baixas eram de 4 testes e a mais alta que vislumbrei foi de 10.

Chegando a minha vez decidi perceber até que ponto chegaria o descaramento e pedi um teste de COVID. A senhora da caixa afirmou que nesta altura testes de COVID "são mais difíceis de encontrar do que petróleo", informação esta que o labrego, e mal-educado colega, não devia ter conhecimento, pois interrompeu o meu feliz desfile de compras pela passadeira ao ir perguntar à Paula "se ainda tinha testes", tendo ela respondido um seco e envergonhado "calma, depois falamos".

Eu até percebo que o facto de se ter acesso aos testes permita-lhes conseguirem terem-nos quando outros não os têm, aquilo que já me custa mais admitir, e é isso que apelido de Chico-Espertice-Burra, é o de não o conseguirem fazer de forma a que os clientes não percebam que se está ali a passar uma transacção de produtos racionados, que não chegam ao cliente, mas que lhes passa à frente do nariz.

É o mesmo que passar o pão quentinho em frente ao nariz do mendigo esfomeado, para depois o distribuir apenas por quem precisa dele para raspar o molho que ficou no fundo do prato.

Não existiria forma de fazer estas negociatas de maneira um tanto ou quanto mais disfarçada? Provavelmente existe, mas recordo que estes são Chico-Espertos-Burros, que se julgam mais inteligentes que os demais, mas que são só descarados.

Para quem vende os testes é igual se quem compra sou eu, você ou os funcionários que os refundem, mas se quem compra os testes de 2,50€, o estiver a fazer para depois os vender a 15€ no Custo Justo. Então aí o esquema já passa a ser vil e desonesto e sobrevalorizam um produto que, atualmente, é vital para se saber se se está doente, ou se somos uma fonte de contágio, ou não.

É uma máfia que se formou rapidamente, mas que não tem apenas um líder, tem vários.

São muitos dos caixas dos supermercados e como tal devem ter um nome que os defina. Acho que "Al Cabrones" fica bem.

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