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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

30
Jan21

Ídolos... Nunca tive


A.K.

Um ídolo é alguém que adoramos acima de tudo, que achamos que tudo o que faz é perfeito e colocamos num pedestal.

Considero que nunca tive porque tenho a consciência de que posso admirar o trabalho mas a possibilidade da personalidade do artista não corresponder aquilo que imagino é muito alta.

As minhas memórias televisivas mais antigas têm em Carlos Cruz uma personalidade muito marcante. Quer pela inteligência, quer pelo sentido de humor, o profissionalismo e o à vontade em frente das câmeras.

O "1,2,3" sem Carlos Cruz nunca foi o mesmo, não há dúvidas de que o "Quem quer ser milionário" não teve melhor apresentador que ele, o "Ideias com história" era interessante e instrutivo e as "Noites Marcianas" só com o Sr.Televisão funcionaram bem.

Na década de 90 podemos agradecer à sua produtora pérolas como "A Roda da Sorte" com o Herman José, e "O Preço Certo", que não tirando o mérito a Fernando Mendes, teve na de Carlos Cruz a melhor versão.

Em relação ao tema do processo Casa Pia...

Em 2003, com 21 anos, fiquei com dificuldades em acreditar. O processo foi-se arrastando e foram aparecendo e desaparecendo personagens com uma facilidade impressionante o que para mim significava um processo alicerçado em estacas podres e corroídas. Carlos Silvino (Bibi) já disse que Carlos Cruz não esteve envolvido em nada, supostas vítimas também já afirmaram o mesmo, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem já deu razão a Carlos Cruz, confirmando aquilo que ele sempre disse, que tinha provas da sua inocência mas que nunca foram aceites pelos tribunais portugueses, não lhe permitindo assim uma defesa consistente. Não ponho as mãos no fogo por ninguém, ainda mais por alguém que não conheço, mas há quem o conheça. A filha Marta Cruz, com quem me cruzo várias vezes mas a quem nunca tive a coragem de me dirigir para lhe pedir para servir de intermediário na tentativa de conhecer o seu pai, conhece-o profundamente e não dúvida da sua índole. As suas ex-mulheres, Raquel Rocheta e Marluce, são ex, não precisariam de dar a cara por ele, tomar as suas dores, mas são as primeiras a defendê-lo...

Depois há a luta de um homem que já cumpriu pena mas que se fosse culpado, saindo cá para fora tentaria abafar o caso, mas Carlos Cruz não, Carlos Cruz continua a tentar limpar o seu nome e a sua honra. Talvez não pelos seus, não por si, que têm como concreto que tudo foi um processo vergonhoso, mas para todos aqueles que admirando a pessoa, ficarão sempre com um pé atrás. Nesta luta desigual Carlos Cruz não tem ganho nada. Perdeu estatuto, perdeu dinheiro, perdeu liberdade, perdeu saúde. Conseguindo provar a sua inocência muito difícilmente conseguirá recuperar alguma destas coisas, mas terá a honra, perante os outros, imaculada.

Mas cada um com as suas ideias e convicções e não pretendo converter ninguém.

Conforme iniciei este post, repito. Nunca tive ídolos, mas Carlos Cruz é talvez do mais próximo a isso que posso ter. Ele, Júlio Isidro, Hermam José... Tudo pessoas inteligentes e que passar umas horas com eles, absorvendo as suas histórias de vida, me fariam sentir mais rico. Eles deviam ser as pessoas que inundariam os nossos canais com conteúdos e a quem deveriam ser entregues as apresentações desses programas. Infelizmente não são eternos e devíamos voltar a usufruir já dos seus talentos e conhecimentos para não lamentarmos já cá não estarem, como lamentamos com personalidades como Nicolau Breyner, Fialho Gouveia, Raúl Solnado, António Feio, entre outros.

Em relação a Carlos Cruz sublinho, não meto a mão no fogo por ninguém, mas dava-lhe um abraço sentido.

29
Jan21

Quando a desgraça tenta ter graça, aumenta a desgraça


A.K.

Foi hoje expulso, no programa Big Brother, um cepo com orelhas. Erradamente há quem pense que isto aconteceu porque o ex-concorrente fez a saudação nazi, mas não é verdade. Foi expulso porque fez uma saudação nazi, foi chamado à atenção por colegas e dias depois voltou a fazer o mesmo. A maneira como tentou "sacudir a água do capote", afirmando que o assunto só é tema porque o colega lhe chamou à atenção, e que não vê qualquer problema no gesto porque até há humoristas que brincam com o mesmo, e que no Carnaval também há quem se mascare de Hitler, mostra que este tipo de 40 anos só conta como experiência de vida o ter deixado de chuchar no dedo, e há-de ter sido tardiamente.

Não me choca o indivíduo não ter poder argumentativo para se defender e tentar fazê-lo com desculpas tão esfarrapadas, mas já me choca mais assistir a outras pessoas que, embora condenando o gesto, também o justificam de alguma forma e argumentam também que há "roasts", humoristas, "stand up comedians", e programas que brincam com estas situações.

Por muita piada que este concorrente do Big Brother possa achar a si mesmo, eu não acredito que exista uma pessoa com dois dedos de testa, e no pleno das suas capacidades mentais que desse meio cêntimo para o ver dizer ou fazer, piadas. Dai ele não poder sequer tentar comparar-se a alguém que faz disso vida. Mal comparado é o mesmo que na praia construir um castelo de areia e afirmar que por conseguir fazê-lo então já deverá assinar projectos da mesma envergadura que o Frank Gehry.

Já para não falar de duas das características comuns a quase toda a gente que faz humor e que são a inteligência e a cultura geral, logo ai...

"Allô, Allô", o "Grande Ditador" de Charlie Chaplin, o mais recente "Jojo Rabbit" até mesmo o "A Vida é Bela", que sendo dramático tinha os momentos em que o pai Roberto Begnini ridicularizava os nazis, são prova de que se pode perfeitamente brincar com algo, que tem ainda feridas muito abertas na história da humanidade, mas que não é por isso que não se pode tocar. Isto porquê? Porque quem soube trabalhar comicamente este assunto fê-lo pelo prisma de ridicularizar aqueles que não suportariam nunca ser ridicularizados, aqueles que tanta dor e sofrimento infligiram e que agora não passam de meros palhaços que servirão de entretenimento. As vítimas serão louvadas, os agressores ridicularizados. Já o gesto, do coitadinho do Hélder do Big Brother, não ridicularizou os nazis. Usou a saudação só porque acha o gesto engraçado. As vítimas aqui não foram louvadas nem os agressores ridicularizados. O único ridículo foi ele.

27
Jan21

Uma pandemia sem vacina


A.K.

 

Todos estão a par deste vírus que se espalhou rápidamente e que não tem vacina e nem parece ter fim à vista.

É um vírus que não mata, mas moe e que tem um efeito de propagação devastador... Não, não estou a falar do COVID 19. Estou a falar da Cristina Ferreira.

Dizem que um país tem os políticos que merece e pelos vistos tem também os ídolos que mais se lhe adequam. O facto de ser uma saloia não é  característica de demérito, e não deveria também ser um estandarte glorioso. Ser saloia faz alguém mais nobre e genuíno que um tripeiro ou alfacinha? Percebo que seja saloia porque é da Malveira, mas não consigo compreender a justificação de ser desprovida de qualquer tipo de senso comum, noção ou capacidade de identificar o ridículo a que se expõe.

Já todos vimos os cartazes que a magnata da azeitice divulgava, quando ia ser transmitido determinado filme ou programa na estação de Queluz de Baixo. Imaginem que iam passar o filme da Disney "A Bela e o Monstro". O cartaz ia ser a cara da Cristina Ferreira no lugar da Bela, no lugar do bule e no lugar do Monstro... e que monstro criei eu, pensará por esta altura Manuel Luís Goucha.

Nem se pode dizer que fossem cartazes com um qualquer tipo de mensagem subliminar porque a mensagem, essa, estava bem explícita, era -"tomem Cristina até mais não. Cristina de manhã, à tarde e à noite, Cristina na televisão. Cristina nas revistas e até no telhado do pavilhão. É Cristina em comprimidos, em gotas e já se está a preparar em supositório (o vulgo foguetão)"-

Não me preocupa minimamente o desgaste da imagem da empresária. Na verdade até tenho todo o gosto que se gaste depressa. Apenas tenho pena que existam tantos e tão bons comunicadores/apresentadores de televisão colocados na prateleira, e que sejamos obrigados a consumir esta pessoa de manhã à noite.

Se me disserem que tenho sempre a opção de mudar de canal, tendo a concordar. Mas isto é uma pandemia, a pessoa já não está circunspecta só ao canal, está generalizada e parece um sonho mau, para onde quer que me vire é só Cristina, Cristina, Cristina.

A única coisa que usaria com gosto, caso a Cristina Ferreira decidisse lá colocar a cara, seriam rolos de papel higiénico, mas de escatologia falarei noutro post em que fale de políticas.

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