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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

31
Mar21

A estupidez deixa-me estúpido


A.K.

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Sigo diariamente o programa da Joana Marques, Extremamente Desagradável, na Rádio Renascença. Gosto muitíssimo mas, na grande generalidade das vezes, acabo por me sentir muito estúpido e isso incomoda-me.

Os programas que me fazem sentir estúpido são aqueles em que a Joana disseca pessoas que, tal como eu, também são estúpidas. Mas atenção, o tipo de estupidez delas é diferente daquele do qual padeço... Acho.

A maior parte dos visados no programa são gente que não conheço. Erro meu bem sei, que não ligo a Youtubers como o Windoh ou "celebridades" como Iara Dias, a ex de Matthias Schmelz, o rei dos aspiradores, ou até Joana Miranda, apresentadora do Curto Circuito. E isto citando só personalidades que foram recentementes faladas na rubrica. Acredito que a maior parte de quem me lê ouça o programa, mas quem não o faz aconselho que experimente. Em particular os episódios que referi.

Ouvindo as barbaridades que são ditas o primeiro impulso é de incredibilidade, pois aquilo que dizem é sempre muito estúpido, muito difícil de acreditar que um ser pensante possa algum dia ter raciocínios com tão pouco... raciocínio. Depois disto começa a fervilhar em mim uma raiva, um desprezo e quase até um nojo pela capacidade de idiotice que eles conseguem debitar. Não é nada comigo. O que dizem acaba por não me afectar directamente, mas saber que existem pessoas assim, que têm malta que os acham modelos a seguir, que há quem lhes dê dinheiro a ganhar porque mesmo sendo idiotas, as baboseiras deles angariam seguidores e como tal fá-los apetecíveis para que marcas os usem para fins de publicidade, leva-me a ficar angustiado por perceber que a sociedade não está a caminho do abismo, mas que já está em queda livre no mesmo.

Mas eu não queria pensar assim nem queria sequer remoer nestes meus pensamentos. Eu queria ser como a Joana Marques. Eu admiro a sua capacidade em agarrar nestes fantoches e rir-se daquilo que eles dizem. Há quem afirme que ela os ridiculariza, mas isso não é verdade. Eles fazem-no bem sozinhos e ela apenas faz um comentários carregados com uma forte camada de verniz de humor que eu invejo e que são o que me permite retirar piada destes desastres. É por isso que me sinto estúpido. Eu gostava, de tal como a Joana Marques, conseguir rir quando ouvia estas alarvidades e encará-las apenas como parvoíces ditas por alguém. Acho que essa é a maneira correcta de ver as coisas, dá ideia de que tudo fica mais leve. Mas infelizmente não consigo. A Joana que divulgue a receita milagrosa que usa para não bater com a cabeça na parede, de cada vez que ouve as coisas que nos mostra, ainda a crú. Enquanto não o fizer eu continuarei a ser estúpido por continuar a dar demasiada importância à estupidez de outras pessoas. 

27
Mar21

Amo peixinhos da horta


A.K.

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Vamos falar de amor? "Vamo" lá então.

O que é o amor? Esta é a questão a que todos, mais cedo ou mais tarde, hão-de ter a resposta, mas é também aquela a que ninguém sabe responder. Isto porque todos sentimos o amor de maneira diferente e assumimos que a forma como amamos é a correcta, o que não está de todo certo.

Para alguns o amor é querer estar junto de quem se ama. Absorver todos os momentos e sentir que basta esticar o braço e ter ao alcance o alvo do nosso sentimento. Para outros o amor é partilhar vivências, carinhos, mas ainda assim manter a sua individualidade.

Nem uma nem outra forma estão erradas, são apenas diferentes entre si. O que está errado, isso sim, é a banalização da palavra amor.

Amor é apenas uma palavra, mas é uma palavra que legenda especificamente um sentimento que nutrimos por alguém e aquilo que cada vez mais se vai verificando é que se está a deixar de saber aplicar convenientemente.

Quando uma garota ama de morte uma máscara para os olhos, ou amou aquela viagem à Índia. Quando o burgesso ama acima de tudo o seu clube e a claque da qual faz parte, aquilo que verdadeiramente queriam dizer é que gostam, apreciam, adoram, que foram experiências inesquecíveis...

"Qual é o teu prato favorito?"

"Amo peixinhos da horta."

PORRA, mas como é possível amar feijão verde envolto numa polme!

A falta de capacidade de saber utilizar a palavra amor, no meu entender, é fruto de duas características. Iliteracia e falta de empatia afectiva.

A iliteracia é um mal comum nos dias actuais. O pessoal acha que é a última bolacha do pacote porque fala uma espécie de inglês. Até conseguem ver Netflix sem legendas, mas quando se pergunta um sinónimo ou um antónimo de uma palavra a pergunta mais comum é - "Antónimo sei que é o contrário, mas e sinónimo!?"

E quando se pergunta qual foi o último livro que leram, geralmente o último foi "O Diário de um Banana" (na melhor das hipóteses) e muitos até se orgulham da sua ignorância, afirmando que nunca leram um livro, até porque lhes dá sono. Isto mais que justifica a falta de conhecimentos linguísticos.

A falta de empatia afectiva.

Este já é um problema que poderá ser geracional. Os avós não souberam demonstrar o seu amor aos pais e os pais não o conseguiram passar aos filhos. Cria-se assim um vácuo de sentimento e depois temos famílias frustradas, porque nunca souberam o que é o verdadeiro amor. Muitas vezes não porque não o sentissem mas sim porque nunca o souberam identificar quando lhes apareceu à frente.

O amor não é raro. Existe a rodos, é gratuito mas não é para desbaratar.

Amor é quando um pai se levanta para aconchegar a roupa dos filhos à noite. Amor é sentirmos a necessidade de um beijo ou de um abraço só porque sim. É o nervosismo de não estarmos perto de quem amamos. É querermos o bem estar de alguém, só pelo simples facto de saber que essa pessoa se vai sentir bem. Amor, muitas vezes é sentir algo por alguém mesmo não tendo esse sentimento de volta.

Para mim o amor que eu sinto, e que sei que sentem por mim, é melhor que todo o amor que vocês possam sentir. Mas isto é assim mesmo. É melhor porque é o meu e o vosso é o melhor porque é o vosso.

Ah, e já agora... Não gosto assim tanto de peixinhos da horta.

 

23
Mar21

Importações importantes


A.K.

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Já foi o tempo em que a Portugal tudo chegava anos depois.

Com a sede de vanguardismo, e graças a vivermos numa enorme aldeia global, as novidades agora chegam num espaço de dias, quando não de apenas horas.

Isto seria de facto positivo se o que nos chega a velocidade supersónica fossem coisas importantes e que realmente valessem a pena, mas infelizmente não é o que acontece.

O que rapidamente nos chega é o que é mais irrelevante e muitas vezes até azeiteiro. Se calhar é por isso mesmo que cá chega depressa, porque com o azeite escorrega melhor.

Primeiro foram as palmas ao pessoal que trabalha na área da saúde. Começaram fora das nossas fronteiras mas rapidamente aqui entraram.

Foi um gesto muito bonito para quem aprecia, mas não é demais recordar que cerca de um mês antes da chegada da pandemia, as notícias que se viam acerca dos profissionais de saúde era que recebiam palmas, mas era na cara e o clima de medo que sentiam ainda não era contra a COVID mas contra "esperas" feitas à porta das urgências para "fazer a folha a este ou aquele médico". E o respeito pelos profissionais de saúde acabam nas palmas e nos murais desenhados nas cidades, porque quando estes apelavam para que as pessoas se protegessem, a maior parte fazia ouvidos moucos.

Ouvidos moucos que só funcionavam quando era para ouvir as cantorias e serenatas nas varandas. A início o pessoal levou isto na palhaçada e até pensavam que o confinamento iam ser 10/15 dias, e então para fazer gracinhas começaram a cantar e a fazer espectáculos nas varandas, como lá fora faziam... Não correu assim tão bem, porque enquanto em Itália se ouviam tenores aqui tinhamos que nos ficar pelo José Malhoa.

Arco íris à janela não dá imunidade de grupo, caso contrário estava tudo imunizado e o COVID há muito tinha desaparecido. Muitas impressoras viram os cartuchos de tintas esvaziados como se não houvesse amanhã. Era urgente imprimir as 7 cores do arco da velha e dar a perceber que "vai ficar tudo bem". Como se sabe não ficou tudo bem, cada vez se vê mais arco íris de cores desbotadas e teria sido muito mais económico se os arcos fossem a preto e branco. Importa referir que este grandioso golpe de marketing, que ao que se saiba poucas ou nenhumas vendas rendeu, foi iniciado por crianças, também em Itália, que realmente quiserem criar algo que desse esperança aos mais velhos. Já a frase "Vai ficar tudo bem" também foi  golpe de marketing, feito por uma artista italiana, mas essa sim conseguiu lucrar com o feito, pois até lançou um livro sobre o assunto.

Com tanta importação de coisas sem importância aguardo quando se vai importar a nova moda.

Vi hoje nas notícias que em Espanha a nova moda é uma festa de dança silenciosa, em que todos dançam, ouvindo música pelos auscultadores... Poluição sonora não causam, mas visualmente parece uma dança de acasalamento de pessoal pedrado, e a verdade é que só estarem pedrados justifica a irresponsabilidade de livre e espontânea vontade criarem um foco de propagação do vírus, só porque sim. Estou à espera de ver uns quantos alucinados, na Praça do Comércio, a fazerem esta dança silenciosa. Se deixarem um chapéuzinho no chão deixo lá a minha moedinha de 0,10€. Se deixo a outros malucos porque não hei-de deixar a estes.

Por último uma moda que não acredito que chegue cá.

No Brasil marcaram uma festa dentro de uma carruagem de um comboio público. A carruagem encheu na totalidade e a festa ocorreu durante o período de funcionamento normal do transporte de passageiros. Cá em Portugal não acredito que aconteça. Na linha de Sintra era provável que houvesse a supressão do comboio naquele horário. As pessoas chegavam para a festa e não havia festa nenhuma. Na linha de Cascais poderia haver o comboio, mas caia uma cantonária, como tantas vezes acontece e ficava ali o comboio parado e ia tudo para casa a pé.

19
Mar21

Je suis hipócrita


A.K.

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Existem dois tipos de hipocrisia. São elas a deliberada e a que nos é imposta. A que nos é imposta é uma arma de defesa que nos permite existir como membros de uma sociedade e practica-mo-la todos os dias. Se assim não fosse dificilmente manteríamos o emprego ou chegaríamos ao fim do dia sem levar dois sopapos.

 

Que se acuse quem nunca pensou o quão estúpido é aquele jantar de Natal, ou como apetece mandar à merda o administrador, que nos diz que devemos vestir a camisola da empresa, trabalhando mais uma horita, mas que chegando às 15:00 ou 16:00, lá vai ele no seu topo de gama para o "padel" ou para o golfe. Todos pensámos, mas não o podemos verbalizar, e se nos perguntarem qual a nossa opinião, então temos que recorrer à tal hipocrisia imposta. Também a usamos quando, por exemplo, não suportamos os cãezinhos dos amigos, mas como hoje em dia é imperativo ser-se "pet friend" nem nos podemos manifestar, para que não nos arranquem o escalpe.

 

Já a hipocrisia deliberada é abjecta porque não é imposta. Só usa quem quer e normalmente só o faz para parecer bem e caso não usasse nem prejudicado seria.

 

Muitos afirmaram que "Je suis Charlie", seguiram o Movimento dos Coletes Amarelos, juraram que sempre defenderam que "Black Lives Matter" e o modo de vida da Gretha Thunberg era em tudo igual ao que practicavam, mas a verdade é que estas manifestações de apoio, estes ideais e estas reivindicações, para essas pessoas, só fizeram sentido quando estavam fortemente mediatizadas. Parecem abutres de volta da carniça.

 

Diziam "Je suis Charlie", mas também achavam que "realmente há coisas com que não se brincam" caso essas coisas não se enquadrassem naquilo que gostam, ou acreditam. Curiosamente muitos dos que defendiam o Movimento dos Coletes Amarelos são os mesmos que veneram Gretha Thunberg e tem graça pois uma das coisas que mais amam é viajar de avião por todo o Mundo, sendo estas coisas completamente incompatíveis, pois a Gretha quer a extinção dos combustíveis fósseis, combustíveis esses cujos aviões queimam às toneladas todos os dias. Já o Movimento dos Coletes Amarelos, uma das suas reivindicações era precisamente, baixar os impostos sobre os combustíveis.

 

"Black Lives Matter" mas pelos vistos só passou a importar depois da morte de George Floyd em 2020, sendo que o movimento já existe desde 2013, mas a grande generalidade das pessoas ignora esse facto e na verdade nem querem saber, porque tem piada defender causas enquanto dá visualizações. Quando as visualizações descerem, então ai vai de trocar a causa porque esta já não é tão actual. Este tipo de atitude parece o Instagram de um "cómico/stand-up comedian" que semanalmente escolhe uma causa à sorte e depois vai, durante a semana, arreganhando o dente para a defender, como se fosse o melhor e mais acérrimo guerreiro com que determinado movimento pode contar. Na semana a seguir parece que aquilo que defendeu já não precisa mais do seu valoroso contributo, porque muda de causa como quem muda de humor... Má escolha de palavras uma vez que falo de um comediante e o humor deste comediante não muda, é sempre péssimo. A hipocrisia acaba por vir à tona quando o próprio coloca o pé em ramo verde, obviamente sem querer, ao ver tornados públicos comportamentos que, pouco tempo antes, tão fortemente tinha criticado.

 

Sendo cómico defende também que há assuntos com os quais não se podem brincar e devem até ser punidos... É dos tais que defendem que num desenho animado negro tem que ser um negro a fazer a voz.

16
Mar21

Postigo, sinónimo de segurança?


A.K.

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Os mais novos não sabiam o que era um postigo, os mais velhos já nem se lembravam e a mim não me fez confusão nenhuma a reutilização desta palavra, porque nunca tinha deixado de a usar.

A porta da casa da minha mãe tem um postigo. Sempre teve e por isso o postigo ser sinónimo de segurança não é para mim novidade. Hoje o postigo utiliza-se de forma a criar uma barreira contra o Covid. Quando eu era miúdo servia para ver, por detrás da cortina, se quem batia à porta era o tipo para cortar a luz, ou o das mensalidades dos cobertores e optar por abrir ou não a porta. Eles tinham o mau hábito de vir cobrar em alturas que a minha mãe não tinha dinheiro, que durante o mês eram cerca de 27/28 dias. Mas estas situações fizeram do postigo algo muito presente no meu dia a dia.

Agora, que já sou adulto, o postigo da minha mãe ainda lá está. Os tempos são diferentes e já não se compram cobertores a prestações... na verdade já nem se compram cobertores, vivemos na era dos edredões. Mas o postigo volta a estar presente e embora lhe guarde muito boas recordações este novo postigo não me agrada assim tanto. É não só um postigo de segurança mas é também um postigo que serve de desculpa para desconfinar alguns negócios mas sem fazer, na realidade, nada por eles. Como é que uma sapataria ou uma "boutique" consegue fazer venda ao postigo? Vou comprar uma camisola e tento dar as melhores indicações possíveis ao funcionário, para que ele me traga o que quero ao postigo? E para experimentar, como vai ser? Experimento ali, junto ao postigo ou levo para casa e se estiver mal trago de volta? É que se for assim sou obrigado a andar o dobro das vezes na rua, fugindo assim ao confinamento que se continua a querer rígido.

O postigo faz sentido em coisas como cafés, padarias, pastelarias, até em sapateiros, mas em lojas de roupa, e todas as outras em que há uma necessidade de experimentar algo, o postigo não ajuda muito. Percebo que se queira manter o nível de transmissão baixo, mas não faz sentido não poder usar os provadores de uma loja de rua (que não tem o mesmo nível de afluência que uma de centro comercial) mas possa ir ao barbeiro ou até fazer uma tatuagem, cuja possibilidade de transmissão é bastante maior.

Voltando a coisas da minha infância, como era o postigo da casa da minha mãe. Este vírus parece aquela pessoa chata e inconveniente que veio fazer uma visita sem ser convidada, e quando essa pessoa aparecia o meu pai punha uma vassoura, de pernas para o ar, atrás da porta. Dizia que mandava essas visitas embora. Acho que está na hora de medidas drásticas, por isso é melhor pormos todos a vassoura atrás da porta. Daqui a uns dias, quando o vírus desaparecer, não necessitam de me vir agradecer.

15
Mar21

Coitadinhos dos coitadinhos


A.K.

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Erradamente quase a generalidade dos portugueses têm por hábito dizer que "saudade" é uma palavra que existe apenas no nosso idioma. É um erro compreensível se imaginarmos que quem tenha dito isto da primeira vez o tenha dito figurativamente, no sentido de que o português é um povo tão melancólico e saudosista que nas outras partes do Mundo a saudade não é igual à nossa e, como tal, esta saudade só existe em português. E é isto que me leva ao que quero escrever hoje. Porque o facto de acharmos que sofremos como ninguém reporta-me à palavra "coitadinho", e essa existirá certamente em quase todas as línguas do Mundo, mas aposto que em nenhum deles é tão utilizada como em Portugal. E é usada com tal mestria que o português tornou até possível usá-la em coisas consideradas positivas, senão reparem no cenário. Uma mãe com o seu filhote no parque. O garoto cheio de energia e com cores saudáveis, brinca alegremente. Alguém se aproxima da mãe e tece elogios ao petiz e no fim acaba com um "coitadinho que é tão querido, ou fofinho, ou bonitinho". E se quiserem em vez de uma criança podem colocar um animalzinho de estimação... Dá para tudo.

Depois há o "coitadinho" que é dito de forma ameaçadora. Aquele "coitadinho, tu nem sabes o que te espera" ou o outro "coitadinho" que se refere ao desprezo por algo ou por alguém. "Aquele malandro? Aquilo é um coitado que ali anda..."

O "coitadinho" é muito versátil e isto só é possível num povo que sente tanta pena de si próprio, e é por isso que o coitadinho preferido é mesmo aquele mais simplista, aquele que mostra que quem é coitadinho é mais desgraçado que qualquer um, e este "coitadinho" é quase sempre de uso próprio.

"Coitado do Almiro que foi despedido... Não, não, coitado é de mim, que ele agora vai ficar a receber subsídio e eu vou continuar a trabalhar e é dos meus descontos que sai o subsídio dele."

"Coitada da D.Eugénia, ainda ontem estava viva e agora já se foi... Não senhor, coitado é de mim, que ela já lá vai e não sofre mais e eu ando aqui que não me aguento das costas."

Se bem se lembram no primeiro Big Brother quem saiu vitorioso foi um coitadinho, no futebol os grandes são os bandidos tubarões, mas quando se descobre um clube mais pequeno com coisas menos lícitas, é porque "coitadinhos, são pequeninos, têm que se safar de alguma forma."

O "coitadinho" serve de álibi e de desculpa para um número infindável de coisas. Coisas essas que não vou escrever porque coitadinhos de vocês, que estão a ler, mas mais coitadinho sou eu que já tenho aqui os dedos que não aguento, de tanto escrever.

12
Mar21

O Tio Patinhas vai doar a fortuna


A.K.

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Abriram-se precedentes e agora a festa acabou.

O último foi a doninha, Pepe Le Pew que será uma personagem eliminada pela Warner porque contribui para a cultura da violação.

Tivemos o actor Hank Azaria a deixar de fazer a voz do Apu, nos Simpsons, porque um americano, de origem indiana, que por acaso também é actor e comediante e como tal precisava de publicidade (e conseguiu-a) se queixou de ter sido gozado por causa desta personagem... Se ele for sempre assim tão "nho-nho-nho" então é natural que se metam com ele, mas não por culpa do Apu. A culpa será dele mesmo.

A coisa chegou de tal forma ao ridículo que agora, nos Simpsons, nenhum actor caucasiano pode fazer a voz de uma personagem étnica.

A HBO, nos Estados Unidos, retirou o "E Tudo o Vento Levou" da sua plataforma de streaming porque retratava preconceitos raciais.

Aos poucos tudo vai mudar. O tio Patinhas vai ter que deixar de ser avarento e de tratar mal o Donald porque um pato marreco qualquer se vai queixar e ainda o vamos ver a distribuir toda a sua riqueza por aqueles que mais precisam. O filme "A Gaiola das Malucas" vai ver-lhe retirado os prémios e as nomeações para os Óscares, porque não respeita a comunidade LGBT. O "Taxi Driver" também por causa da personagem da Jodie Foster, que era menor...

Mas esta fantochada toda é culpa de quem?

De todos. Eu por exemplo, na frase atrás retrai-me de escrever "mariquice" em vez de "fantochada" mesmo sabendo que esta "mariquice" não tem qualquer tipo de conotação homofóbica, mas como existe a possibilidade de alguém comichoso se sentir ofendido, então evitei o uso da palavra. Mas isto não devia acontecer porque tudo tem o seu contexto e o grave é isso mesmo. As mordaças estão a ser colocadas porque retiram as personagens, as situações, as histórias do contexto e criam um burburinho de tal ordem que quem produz os conteúdos criticados, acaba por se assustar e dar o braço a torcer, mesmo quando não o devia ter feito.

A vida e o mundo das artes, aos poucos vão começando a parecer aquele arroz branco sem sal e sem sabor, que é apenas o que uma pessoa pode comer quando tem uma gastroenterite. E tudo por causa da diarreia mental de uma minoria barulhenta e ridícula.

10
Mar21

Fim do mundo (s)em cuecas


A.K.

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Finalmente vai começar o desconfinamento. Vai ser por fases, bem sei, e uma das fases que mais me interessa ainda não sei quando vai desconfinar.

Estou desejoso de um cafézinho, ou de uma bebida numa esplana. Não me importava de ir a um restaurante ou de assistir a um bom filme no cinema, mas aquilo que preciso mesmo, aquilo que me está a fazer uma falta enorme é poder ir comprar roupa aos meus filhos.

Atenção, isto não é uma vontade, é uma necessidade de maior importância. Quem como eu tiver filhos em fase de crescimento, há-de estar a ter este mesmo problema. Em crianças de meses e de 3/4 anos, 2 meses de confinamento traduzem-se em roupa que deixa de servir, pijamas que já ficam pelos tornozelos e pelos cotovelos, cuecas que já nem nas orelhas lhes servem.

Foi bastante estúpido deixar de permitir que se compre roupa nos supermercados, porque este item é realmente um bem de primeira necessidade. Quem achar que não sugiro que tente só ir fazer um pequeno passeio higiénico com cuecas apertadas nas virilhas e ténis que são já um número abaixo. A opção de andar sem cuecas não está em cima da mesa, pois ai o passeio de higiénico passa a não ter nada.

Bem sei que posso sempre encomendar online, mas o online para roupa é quase como jogar à roleta russa, e no caso de roupa para crianças a roleta russa tem as balas todas e apenas uma câmara vazia.

Sempre ouvi a expressão "Isto é o fim do mundo em cuecas" mas neste caso em específico, o fim do mundo até sem cuecas nos deixa.

08
Mar21

Ano não é ano e mês não é mês!?


A.K.

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Hoje nas notícias da TVI , e depois no Observador Online, li: "Fevereiro foi o 5.º ano mais quente desde 1931 em Portugal Continental".

Senti-me estúpido porque achei que esta frase não fazia sentido. Pensei que o correcto sería: "O mês de Fevereiro deste ano foi o 5° mais quente, desde 1931, em Portugal Continental".

Mas devo estar confuso. Não acredito que a redacção do Observador deixasse passar este erro, não acredito que depois a TVI, quando fosse copiar a notícia para transmitir como sua, não desse pelo mesmo erro e não o emendasse. Tenho para mim que esta será uma frase com um qualquer parecer científico em que de repente Fevereiro passa a ano enquanto que os outros meses continuam apenas a ser meses. Afinal de contas Fevereiro é tão nojentinho que é até o único com 28 dias, só para ser diferente... A coisa piora quando para ser mais diferente ainda, e numa altura em que já nos habituámos aos 28 dias que tem, ele se lembra de depois de 4 anos ter 29... 4 anos e muda tudo. Até os leasing dos carros são de 5 em 5 e Fevereiro não aguenta mais que 3 seguidos com 28 dias?

Mas voltanto ao início da questão. Quando estudei comunicação uma das disciplinas à qual era dada importância era ao Português, para que soubessemos estruturar uma frase ou um discurso, para não cometermos erros de concordância e para que nunca, mas nunca, confundissemos um mês com um ano. Este tipo de erro poderá parecer de gravidade menor, e até é, se não trabalharmos num órgão de comunicação social que se expressa por meio de escrita e palavras. A gravidade aumenta quando percebemos que o crivo qualitativo de um jornal e canal televisivo é alargado o bastante para deixar passar estas gralhas.

Sei que não é uma confusão temporal e sim apenas uma frase mal elaborada, mas isto não deveria acontecer.

Sou saudosista por natureza e longe vão os tempos (que se diga, não os vivi) em que as notícias tinham pessoas como bons revisores de texto, e não correctores ortográficos automáticos, em que existiam jornalistas de dicção perfeita e com um léxico extenso o suficiente para fazer sentido aquilo que diziam, mesmo quando falhava o teleponto, que aliás para alguns pivôs nem existia, ou quando havia um directo cuja necessidade de dar a notícia "sem rede" era imprescindível.

Vivemos num país cuja a escolaridade tem vindo a aumentar, a taxa de insucesso escolar tem vindo a diminuir, o analfabetismo concreto tem vindo a desaparecer, mas a falta de compreensão e a dificuldade de expressão têm aumentado a galope, e se os meios, que se querem de informação, não se regularem por nada menos que a excelência, então não temos para onde nos virar... Mas não faz mal, afinal de contas ontem começou o "All together now".

01
Mar21

Os processos do COVID


A.K.

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O COVID emitiu um comunicado a dizer que está farto de que lhe sejam imputadas as culpas de tudo, sobre tudo, e como tal já instruiu os seus advogados para que comecem desde já a processar, quem denegrir o seu bom nome.

Este parágrafo seria o bom início para uma fábula, acerca de um vírus que teve uma ascensão meteórica. Num dia era totalmente desconhecido e no outro teve uma projecção mundial. Como vírus que é essa projecção não se deveu só a si, mas também a quem lhe serviu de hospedeiro, que não sabendo o propagou mas que mesmo depois de o saber, também foi sendo incauto.

Sendo o vírus o vilão desta fábula depois teriam que existir os heróis, que são todos aqueles que o combatem, todos os que já sofreram com ele, todos os que batem palmas à janela e todos os que desenharam arco-íris. Para apimentar a história são então adicionadas aquelas personagens mesquinhas que acabam por não ser a parte fundamental, mas que por serem tantas,tem grande foco, queiramos nós ou não. São eles os oportunistas/lesados do COVID.

Estas personagens são as que precisaram apenas da oportunidade para assim puderem retirar das suas costas toda e qualquer culpa, incompetência, falta de profissionalismo, imbecilidade e colocar nas costas do COVID.

Temos casos públicos que todos identificam, como o de Jorge Jesus, e do Benfica, que jogam mal e pouco, não pela falta de qualidade, pela diminuta capacidade de prospecção de jogadores, que o treinador e o clube têm demonstrado, mas sim por causa do COVID. Temos o caso do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que parece que só começou a funcionar mal agora, que apareceu o COVID. Dantes não, dantes o SNS parecia um relógio suíço todo afinadinho, que funcionava às mil maravilhas... O raça do COVID é que veio lixar tudo. Mas na área da saúde há coisas que mudaram para melhor, senão reparem. Antes do COVID iamos a uma consulta no Centro de Saúde e quando no dirigiamos ao "guichet" para dar entrada, junto da funcionária, tinhamos que levar com a carantonha de quem está a fazer um frete, ao premir dedo a dedo o nosso nome no teclado do computador. Agora não. Agora com o COVID não nos deixam sequer ir ao Centro de Saúde. Dizem-nos para ligar a marcar consulta ou deixar recado, que depois o médico liga, e assim não temos que ver a tal carantonha, nem sequer ouvir a voz, porque quem já tentou telefonar sabe que dificilmente é atendido.

Mas resumindo:

Atraso nos transportes - culpa do COVID

Extraviou-se uma carta - culpa do COVID

Falhas na internet - culpa do COVID

Combustível mais caro - culpa do COVID

Uma velha mata a filha - culpa do COVID (vi esta notícia na CMTV - curioso é que nenhuma das duas estava infectada)

Sporting vai ser campeão - aqui a culpa não é do COVID... Júpiter deve-se ter alinhado com Saturno, dado uma cambalhota com Plutão, alinhou os chacras e passou na casa partida e recebeu 2 contos. Só esta conjunção de situações permite ao Sporting ser campeão, por isso é que é tão raro.

Mas voltando à fábula acerca do COVID.

Este estilo literário tem como intuito apresentar um final com uma moral que nos dá a conhecer uma característica do ser humano que deveria ser modificado.

Este meu post está então a chegar ao fim e lendo e relendo tento extrair essa moral que vos deixaria a pensar um pouco, mas a verdade é que não me está a ocorrer nada, ou se ocorre não me parece que seja bom o suficiente para escrever.

Como vou então descalçar esta bota!

Na verdade se fosse noutra altura tinha aqui um final fantástico para vos maravilhar, mas com toda esta situação do COVID vou ter que terminar mesmo assim, fraquinho, fraquinho.

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