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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

30
Abr21

Snobismo Intelectual


Pacotinhos de Noção

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Atentando ao título deste post quem lê poderá rapidamente pensar que vou falar deste e doutro indivíduo que sendo capacitado de intelecto superior menosprezará os infelizes que não são intelectualmente tão desenvolvidos. Mas não. Este mesmo título sofre também de algum snobismo e soberba porque poderia facilmente, posso até afirmar, ser traduzido para "Os Chicos-Espertos que acham que sabem mais que os outros mas são uns verbos de encher que até faz arrepiar os pêlos da nuca". Escolhi o outro apenas por uma questão de métrica.

Quem é que conhece aquela pessoa que da noite para o dia começou a ser um profundo conhecedor de vinhos, que não distingue um Dão do carrascão mas que faz toda uma dança contemporânea com o copo... Perdão, com o balão (quem bebe vinho em copo são os bêbedos de taberna) e que avalia a qualidade do vinho consoante o preço da garrafa. Pode até estar a beber mijo de burra, mas se custa 30€ a garrafa, então é bom. Pratica o snobismo intelectual quando convive com alguém que não aprecia o néctar e o tenta converter porque "se não gostas é porque não provaste os adequados, que só te deram vinhos baratos, que beber um bom vinho não é beber vinho, é uma experiência."

A apetência para os vinhos assim como rapidamente aparece, também rapidamente desaparece. É substituída pelo sushi, pela carne maturada, pelos charutos, por pastelaria fina, por chás, cafés do sul da Cochinchina torrados nas costas dum hipopótamo albino...

Mas não se resume a bebericagem e gastronomia.

Temos aqueles para quem viajar é tão essencial como respirar. Aqueles que nos fizeram o favor de continuar a viajar quando já existia uma pandemia, ajudando a uma propagação mais rápida.

Defendem que quem não viaja não vive. Não interessa muito se ficaste a conhecer bem o sítio para onde foste, até porque és turista de pé descalço e convém não visitar muita coisa porque nalguns lugares é a pagar. O que conta é acumular horas de voo e meter as fotos no Instagram. Os outros vão ver e com certeza vão-se sentir burros porque não conseguiram fingir que entortaram a Torre de Pisa. A história e a cultura do país interessa pouco, mas a "Coca-Cola lá sabe ao mesmo" e "inglês não é com eles", "Mas se um dia lá conseguires ir, depois vês como é."

Livros... Se gosto de livros? Gosto. São filmes realizados por mim no cinema mais exclusivo que existe, a minha cabeça, e ajudam tanta e tanta gente a relaxar. Há-de ser por esse motivo que tantos lêem na casa de banho e este é um dos motivos porque raramente empresto ou peço livros emprestados. Gosto de livros agora MORRER SE NÃO LER UM LIVRO. Só se for o livro de instruções de um colete salva-vidas e estiver em pleno naufrágio.

Desconfio logo quando me dizem que "neste momento estou a ler dois livros".

Dois livros? Sempre ouvi dizer que quem muito burros toca, algum fica para trás, e regra geral é isso que acontece A não ser que tenham realmente uma grande capacidade de separar as histórias ou estão a ler enviesado, apenas para fazer número. Na escola li ao mesmo tempo "Os Maias" e o "Viagens na minha Terra". Um escrito pelo Almeida de Queiroz e o outro pelo Eça Garrett. Já não sei quem é que se envolve com a Joaninha, se é o Carlos, o Carlos da Maia ou a Eduarda e se o Ramalhete fica em Lisboa, Santarém ou no Alandroal... Estou confuso. Mas isto sou eu que sou burro. Há quem leia vários livros ao mesmo tempo e que saiba tudo sobre tudo.

A piada destes snobes intelectuais é que não enganam ninguém. Como são tão desenvolvidos intelectualmente depois não lhes sobra espaço para o senso comum e conseguem dizer alarvidades em catadupa.

Nas redes sociais, e em canais televisivos, temos alguns exemplos que personificam perfeitamente o tipo de pessoas de que falo.

Diogo Faro, Margarida Rebelo Pinto, Raquel Varela, Joana Latino são pessoas que até se enquadram bem naquilo que quero dizer. Sei que há quem concorde e quem discorde, aquilo que aqui deixo é apenas a minha opinião e só o faço porque merecem ser castigados por me fazer sentir tão mal comigo mesmo. Sinto-me intelectualmente inferior e quem ler isto com atenção vai percebê-lo facilmente. Afinal de contas faço pelo menos três vezes, referências a burros... Deve ser o meu subconsciente a mandar-me meter no meu lugar.

 

23
Abr21

Cyborgs das redes sociais


Pacotinhos de Noção

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Há cerca de uma semana, em S.Domingos de Rana, um miúdo de 15 anos (Tomás Braga) foi assassinado por um colega de escola de 18.

O motivo não interessa. Um miúdo morreu, outro, não tão miúdo, matou.

Tirando a CMTV, os restantes canais pouca ou nenhuma relevância deram ao caso. O que morreu era branco, o que matou era preto. Não vi o Mamadou Ba, o Diogo Faro ou a Joacine Katar Moreira a elevar a voz, ou a colocarem posts no Instagram acicatando toda uma multidão contra o preto que matou. Isto porque provavelmente não consideram que tenha sido um crime de racismo. E eu concordo. Aliás, não é este, não é o do Bruno Candé, não é o do George Floyd. O assassino que matou Floyd também mataria um branco, quem matou o Candé também, e o rapaz que matou o Tomás matá-lo-ia tivesse ele a cor que tivesse, porque o que falha aqui não é a cor da pele, são os valores.

O que é que leva um rapaz, com toda uma vida pela frente, a cometer um acto destes?

Simples. Falta de carácter, falta de respeito pelo próximo, falta de sentimentos.

Isto porque andamos a criar seres ciborgues. Não têm um braço ou uma perna robótica mas o cérebro está formatado para "likes" e validações em redes sociais.

Com que fundamentação faço tal afirmação? Analisando este caso concreto.

O rapaz que matou discutiu com o Tomás numa rede social. Os "amigos" disseram-lhe que ele não podia deixar as coisas ficarem assim, que era uma humilhação, que teria que haver sangue e teria que haver facada. Eles filmaram o acto em si porque estavam a transmitir para a rede social. Uma discussão ou uma luta vai dar "likes", vai fazer ganhar seguidores. É para isto que vive a geração mais nova.

Aquele que era um nicho social há uns tempos, que depois formava indivíduos para serem protagonistas de "reality shows", está a deixar de ser um nicho e começa a ser generalizado. Como pai tenho receio. Sei que estou a educar os meus filhos com os valores basilares para saberem viver em sociedade, mas saberá a sociedade de então, viver com eles?

Hoje os comportamentos desviantes ainda são fáceis de identificar, mas será que mais tarde o serão? Ou o comportamento desviante será uma pessoa que demonstra o mínimo de respeito e educação e acabará por ser marginalizado, porque não vive segundo os cânones da sociedade da altura? Ninguém sabe as respostas a estas perguntas e resta-nos aguardar.

Esta febre da malta nova pelas redes sociais deveria ser travada. Tal como a pornografia, o álcool, conduzir e o tabaco, as redes sociais só deveriam ser permitidas depois dos 18 anos, porque ter-lhes acesso enquanto têm o sistema cognitivo em formação, é estar a transformá-los em seres insensíveis e sem escrúpulos.

Em vez de andarem a proibir desenhos animados como o Dragon Bal, onde existe uma clara diferenciação entre o bem e o mal, ou a fazer caça às bruxas porque nos Simpsons o que faz a voz de determinado boneco não é da raça desse boneco, cujo intuito é apenas o de estimular o sentido de humor, que é uma clara demonstração de inteligência, deveriam analisar os prós e os contras das redes sociais na mente dos jovens e crianças, e então tomar decisões...

"Ah, o meu filho tem 3 anos e sabe mexer muito bem no tablet"...

Tudo bem, mas se calhar ainda usa fraldas e não sabe usar um talher. Prioridades, meus amigos, prioridades, para mais tarde não termos que ir à prisão, visitar o nosso filho ou pior, ao cemitério.

Estou a ser dramático? É natural, a situação é dramática.

21
Abr21

Memórias que realmente (nos) interessam


Pacotinhos de Noção

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Quando em conversa nos perguntam quais as memórias mais felizes que temos não é raro acontecer começarmos a fazer um esforço para saber quais são? Normalmente tentamos mostrar todo o nosso "potencial" dizendo que foi a viagem à Índia, um mergulho com as baleias, aquele concerto fantástico, ou algo de que só se conseguiram lembrar com algum custo.

Cada um tem as suas memórias, mas se há necessidade de fazer tanto esforço para lembrar, então é porque essa não será a melhor de certeza.

Foi em conversa com a minha mulher que constatei este facto e gostaria que reflectissem, mas não pensassem, e que percebessem qual é aquela memória doce, confortável como uma cama acabadinha de fazer, que vos vem à ideia.

Posso dar exemplos e perceberão que as memórias da minha mulher, e as minhas, para vós não serão nada de especial, mas as nossas boas memórias são boas porque são nossas, não são boas porque vão causar inveja nos outros.

Tocou determinada música dos anos 80 na rádio. Não consigo precisar qual. A minha mulher cantarolou e comentou: "Esta música traz-me óptimas recordações. Era miúda. Ia no carro com os meus pais e o meu irmão. O meu pai, que nunca o ouvi a ser musical, começou a cantar. A alegria da música alastrou e segundos depois todos cantávamos. Tínhamos ido visitar alguém e estávamos no caminho de regresso a casa. Foi um dia perfeito em que tudo correu bem e em que me senti muito confortável e feliz". Como podem ver para nós nada tem de especial, mas a ela marcou-a de tal modo que não se esquece até hoje.

Tenho duas memórias destas.

Na primeira brincava no chão do corredor da minha casa. Era fim de Verão, mas ainda fazia calor e pelas janelas abertas ouviam-se os "gritos” das andorinhas, que ninguém sabe que se chamam de gazeio.

O meu pai chegou do trabalho ainda era dia e trouxe-me uma pequena prenda. Passou por mim no corredor e deu-ma. Não vinha embrulhada, não era espectacular e nem era algo em que eu tivesse alguma vez demonstrado interesse, mas o meu pai achou que me a devia dar. Era um saquinho de soldados verdes de plástico. Duraram-me anos e foram muito brincados. Não era o meu aniversário e o meu pai não tinha por hábito dar-me prendas sem justificação. Naquele dia o gesto soube-me pela vida e recordo com carinho até hoje.

Outra recordação acaba de forma agradável, mas começa de forma dolorosa.

Tinha uns 5 anos. Era um dia normal, ainda de manhã. Aos "pinotes" no sofá da sala desequilibrei-me e mandei uma cabeçada na porta de madeira da janela. Comecei a chorar e a pensar que ainda ia levar nas orelhas por pular no sofá. Mas as mães gostam de surpreender, e em vez de um ralhete surgiram umas festas na cabeça, um beijo no galo e alguns minutos encostados ao colo da mãe. Podia bater com a cabeça todos os dias se o final fosse sempre tão confortável como este.

Estas minhas memórias são minhas. Não as vendo porque para vocês não têm valor e para mim o valor é incalculável.

Que memórias têm vocês que vos aquecem o coração, fazem pena porque não mais se vão repetir e que metem uma viagem à Índia, ou um jantar com um vosso ídolo, num chinelo?

15
Abr21

Se não nos governam, que nos governemos


Pacotinhos de Noção

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Quem andar distraído, e que não conheça a realidade do país, poderá deixar-se envolver pelo mediatismo destas duas personagens. Ambos são exímios em enfiar a cabeça na areia quando algo dá para o torto e a realidade é que não nos governam, apenas se deixam levar. Não me estou apenas a referir a toda a situação em torno do COVID. Fazendo um muito pequeno esforço de memória relembro os incêndios de 2017, que foram uma clara demonstração de falta de prevenção e organização. O de Pedrógão foi uma tragédia e o 1º Ministro, o Presidente e até o Gato das Botas vieram lamentar o acontecimento, mas a verdade é que acabando no calendário a época de incêndios, achou-se por bem que já não havia grandes perigos, sem levar em consideração que estávamos a viver um dos inícios de Outono mais quente dos últimos anos e eis senão quando em Outubro se registam novos incêndios, e se em Junho já tinham morrido 66 pessoas, em Outubro morreram mais 49. Foram 115 mortes em poucos meses, sem que qualquer tipo de vírus tivesse interferido.

A verdade é que tudo passou, não houve consequências políticas, a não ser uma Ministra da Administração Interna que claramente não servia para o cargo e que demonstrava que os mortos não eram gente, mas apenas números.

Isto para dizer que muito pouca coisa mudou. Continuamos a ser marionetas nas mãos destes dois que nós vão deitando migalhas de pão bolorento mas que o propagandeiam como sendo pão-de-ló.

Aquilo que na altura fizeram foi imputar as culpas em quem tinha terrenos e que não os limpava. Gerou-se aqui uma nova oportunidade de multa fácil, que é o que se pretende.

Agora com o COVID a situação acaba por ser a mesma. Não haver vacinas é culpa de todos menos de quem as compra. Biden afirmou que iria vacinar 100 milhões de americanos, depois aumentou a fasquia para os 200 milhões e a verdade é que lá a vacinação decorre a passos largos. Têm mais poder económico? Pois claro que terão, mas o que ganham em poder económico ganha António Costa em chico-espertice. Posso estar a elaborar uma nova teoria da conspiração, mas a nossa vacinação é tão lenta que a ideia que dá é que Costa e Marcelo pretendem que se chegue a uma imunidade de grupo europeia e nós, sendo pequenos e estando aqui neste cantinho, acabamos por poupar ao não ter que investir nas vacinas... Mas a imunidade não se gera desta forma. E depois tentam fazer-nos viver a medo, ameaçando com novos confinamentos. Não é a confinar que a coisa se resolve, mas ainda assim poderá ser a que lhes sai mais baratos, porque apoios são próximos de zero e quem está em teletrabalho até se tem adaptado.

Vacinar, vacinar, vacinar, deveria ser o mote. Não pretendo respeitar caso haja novo confinamento. Os portugueses têm feito a parte deles respeitando o que tem sido indicado, mas acaba por ser frustrante estar a ser prejudicado para depois ver os números aumentar porque os miúdos tiveram que ir para a escola, porque os pais já não os aguentavam em casa, ou porque há uns tantos parasitas que querem beber imperiais nas esplanadas.

Itália, França, Líbia, Holanda, nestes países houve confrontos por causa da revolta que as pessoas começam a sentir por terem que confinar. Não devemos chegar a tanto, a violência só gera violência, mas se TODOS os negócios abrirem e se TODOS fizerem uma vida normal, ainda assim tendo todos os cuidados necessários para evitar ao máximo a transmissão, julgo que conseguimos demonstrar o nosso desagrado.

14
Abr21

Felizmente não preciso de trabalhar


Pacotinhos de Noção

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Pois é... Felizmente não preciso de trabalhar, mas infelizmente trabalho porque preciso, e não gosto. Desempenho bem as minhas funções e prova disso é que trabalho não falta, mas não padeço de uma patologia que é cada vez mais comum. A de ser "workaholic".

Com sinceridade, devo aqui afirmar, que julgo não conhecer ninguém que sofra realmente deste mal. Pelo menos que se veja. Agora pessoas que dizem sofrer desse mal, essas há por ai aos pontapés.

Curiosamente todos os que não se cansam de dizer que precisam muito de trabalhar, que para eles parar é morrer, que sem trabalho não são nada, normalmente têm aquele tipo de trabalho das 9:00 às 17:00, com os fins - de - semanas de folga, feriados, pontes, greves, 13° sem duodécimos, subsídio de férias, em suma todos aqueles direitos que damos por adquiridos mas que infelizmente falham em muitas áreas profissionais do nosso país. Não me lembro de ver um trolha, um "almeida", uma empregada de limpeza a dizer que é "workaholic". Isto porquê? Não gostam ou não respeitam o seu trabalho? Ou será porque ao fim de um dia de trabalho, cuja maioria das vezes não é só de 8 horas (sem contar com o tempo de transportes públicos) este não - "workaholic" quer é ir para casa descansar e tentar carregar ao máximo as baterias para o dia seguinte?

Não sei a resposta a estas perguntas até porque não sei o que se passa na cabeça de cada um. Sei que em tanta coisa na qual eu podia ficar viciado, penso que trabalhar seria das que viria muito próximo do último lugar. Lugar esse onde todas as outras coisas estariam também, quase "ex aequo" porque ao que parece, isso de ser viciado dá muito trabalho.

 

 

13
Abr21

Um tanto ou quanto desiludido


Pacotinhos de Noção

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Aguardava com alguma expectativa o novo trabalho do Bruno Nogueira. Gosto do facto de que a cada programa que imagina haja sempre algo de inovador. Nisso o "Princípio, Meio e Fim não desilude. Até agora não se tinha visto nada igual e aquando do montar do texto pelos 4 guionistas (Nogueira, Markl, Melo e Martinha) com o passar dos minutos vamos sentindo alguma excitação e angústia, receando que a história chegue ao final sem ter um final... Mas a verdade é que mesmo que isso aconteça, a ideia que me dá é que nem faz mal, porque a piada do programa mora também na imprevisibilidade daquilo que sairá do texto e se sair algo sem final então será assumido, sem qualquer tipo de problemas.

A parte onde fico um tanto ou quanto desiludido é porque no desenrolar do programa as "private jokes" e as situações em que só os intervenientes é que percebem a piada, como por exemplo o Mercúrio Retrógado, fazem com que o espectador se sinta um pouco à parte. 

Bem sei que haverá quem diga que para perceber algumas piadas deveriamos ter seguido o "Como é que o Bicho Mexe", mas importa referir que grande parte dos espectadores televisivos não são pessoas que tenham por hábito seguir directos no Instagram, e o conceito televisivo é muito mais lato que o da internet, não tirando o mérito ao da internet, mas tendo por convicção de que os directos do "Como é que o Bicho Mexe" tiveram os números astronómicos que tiveram porque há uma secreta esperança de quem vê que, sendo o Instagram uma rede social consiga, de uma forma ou outra, socializar um pouco com os protagonistas. É aquela falsa sensação de proximidade.

Mas cingindo-me apenas ao programa que estreou no Domingo. O mal pode ser meu, e com certeza que será. Esperava um bocadinho mais de comicidade e talvez até de "nonsense", que esteve lá, mas que não foi surpreendente.

Aguardo pelo próximo Domingo para que possa ter a confirmação de que estou errado. Não estando não considero que isto seja um mau programa, apenas acho que é para um nicho, que vai sendo cada vez maior, mas que não são a grande generalidade das pessoas que assistem os canais generalistas.

 

11
Abr21

Com a perfeição dos outros posso eu bem


Pacotinhos de Noção

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Todos nós temos uma entidade patronal. Mesmo que sejamos donos de um negócio, estamos a prestar serviço alguém. É por isso que tenho a certeza de que aquilo de que vou falar já se vos deparou numa qualquer altura do vosso percurso profissional.

A situação é terem um patrão, um superior, um cliente, e.t.c. que afirmou ser alguém muito esquisito e perfeccionista e que exige nada menos do que a perfeição.

É uma exigência que se pode até considerar válida. O que acaba por ser menos válido é que quem coloca nos ombros de outrém a responsabilidade de conseguir alcançar determinado objectivo, que tem que estar ali taco a taco com a perfeição, é normalmente um indivíduo que até na palavra perfeição poderá não ser perfeito, escrevendo "Perfeisaum". Mas isto já sou eu a especular.

Quem normalmente tem este tipo de soberba são sujeitos que se acham a última bolacha do pacote, não reflectindo porém que usualmente a última bolacha do pacote é aquela que ou está rachada, acabando por se partir e não sendo apreciada da mesma forma, ou até mesmo a que está completamente esmigalhada e o seu destino será, eventualmente, o caixote do lixo.

E embora esta possa ter sido uma analogia algo parva, na minha retorcida cabeça até faz sentido pois reparem que os exigentes da perfeição, quando têm por si mesmo de executar uma tarefa, acabam por não a conseguir desempenhar correctamente tendo até inventado uma popular expressão que é "Para quem é, bacalhau basta".

Pessoalmente não sou adepto de bacalhau, mas julgo que esta expressão é mal conseguida. É que ao preço a que está o nosso fiel amigo esta é uma iguaria demasiado nobre para que o trabalho desenvolvido, pelo tal biscoito esmigalhado, a ela se possa equiparar.

Mas é assim o tempo em que vivemos. Aos outros tentasse extrair o máximo que se conseguir, mas a si mesmo só se tentará extrair o estritamente necessário. É que se calha a se conseguir fazer algo realmente perfeito, depois alguém sabe e acaba por exigir que tudo seja medido por essa bitola, quando aquela verdadeira perfeição, foi apenas obra do acaso.

07
Abr21

Parem de me dar colinho


Pacotinhos de Noção

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A maior luta que os  pais enfrentam é principalmente com eles mesmos. Por um lado querem que a sua cria cresça, mas por outro dão-lhes colinho porque não querem que a vida lhes apresente dificuldades, não querem que os filhos se frustrem ou simplesmente porque são um tanto ou quanto controladores. A verdade é que, enquanto crianças, muitas vezes o colinho é agradável e até dá jeito.

Acontece que a partir de determinada altura já não queremos mais esse colinho dos pais. Aprendemos a andar pelas nossas pernas e, na verdade, começa a chegar uma altura em que o colinho deve até ser direccionado aos pais, que estão cansados e precisam de quem cuide deles.

É o tempo de sermos adultos, sermos donos dos nossos narizes, ninguém nos dizer o que fazer e mandarmos em nós próprios, certo?

ERRADO.

Vivemos na utopia de que somos donos de nós mesmos, mas a realidade é outra.

Pagamos um imposto especial no combustível para que assim nos regulemos de forma a gastar menos, porque sendo um combustível fóssil agride o meio ambiente.

Pagamos um imposto especial no tabaco porque o tabaco mata e em teoria, aumentando o preço o fumador vai pensar duas vezes e assim não mais coloca um cigarro nos lábios.

Pagamos um imposto especial nas bebidas açucaradase porque a obesidade é uma realidade e para evitar que se consumam estas bebidas inventou-se mais um imposto... Curiosamente este imposto também aumentou o preço dos refrigerantes que não têm açúcar na sua composição. Os chamados Zero, ou justamente, Sem Açúcar. Falando em açúcar convém também lembrar que os pacotes de açúcar do café passaram de 8 para 6 gramas, por três motivos:

1° - para, mais uma vez, lutar contra a obesidade

2° - para nos amargar a vida

3° - para os puristas do café encherem o peito de ar e dizerem "para mim café é sempre sem açúcar"

Os sacos de plástico também se pagam porque é preciso. Não nos é permitido comprar copos, palhinhas e cotonetes de plástico. As gorduras são "trans" e por isso aconselham que não sejam consumidas. Os "jaquinzinhos" deixam o arroz de tomate sozinho no prato porque também não nos permitem comprá-los... Faça desporto, desligue a luz, não tome antibióticos, não vá para a praia a determinadas horas, meta os seus filhos na pré-primária, não consuma glúten, não coma carne... CARAÇAS.

Eu pensava que era adulto, que faria o que queria e a verdade é que sei que nunca, em altura nenhuma da história, houve quem fizesse tudo o que realmente queria, porque para viver em sociedade tem que haver regras, mas a verdade é que as limitaçõezinhas e imposições que vão inventando todos os dias, são situações que os nossos pais não sentiram.

Eles viveram uma ditadura real. Uma época em que havia mordaças e regras rígidas, mas que todos sabiam que aconteciam porque se vivia, precisamente, uma ditadura.

Hoje em dia vivemos em democracia mas mais parece uma ditadura encapotada.

Não quero que me digam quanto açúcar ponho no café, se devo ou não lamber uma barra de sabão ou martelar um dedo do pé. Muitas das regras são impostas para uma tentativa de dar a entender que há coisas que nos fazem mal, mas eu não quero um Estado condescendente. Um Estado que acha que tem que me pegar ao colinho e limpar-me o rabinho, quando na verdade pouco querem saber da saúde pública e o que me querem limpar é a carteira.

Sinto-me um bebé grande por dois motivos.

Um é porque não posso andar pelo meu próprio pé, estão sempre a dizer-me o que fazer, e o outro é porque me acham estúpido o suficiente para não perceber que as tais regras/indicações/imposições, servem na sua grande parte para conseguir cobrar apenas mais um ou outro imposto.

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