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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

30
Jun21

Atropelei um passarinho


A.K.

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Ia na A5, no sentido Lisboa - Cascais, e quase a chegar às portagens de S.Domingos de Rana um pássaro bateu-me no pára-brisas. O vidro não estalou mas sei que o pássaro morreu. Pela força da batida tenho a certeza que o pardal não se safou.

Isto aconteceu-me há 14 anos. Não é um trauma mas de alguma forma há-de me ter marcado, porque recordo o episódio com clareza até hoje.

Não me senti um cabrão, mas também não me senti um Cabrita.

Não sei o grau de sentimento de culpa do senhor Cabrita. Sei que do tipo que estava a trabalhar a culpa é total, ou pelo menos o comunicado que o MAI emitiu assim o dá a entender, pois os trabalhos não estavam sinalizados, o senhor estava a jogar à macaca no meio da auto-estrada e até tinha a alcunha de "Pombinho", por isso era mais que certo que poderia vir a ter o triste fim que teve o pardal a quem ceifei a vida.

A humanidade não é flor que se cheire mas quando ganham lugares de elementos governativos então fedem que se fartam. Séculos de história estão ai para o provar, mas mesmo sabendo isto, parece-me vergonhoso, obsceno e amoral demais que depois de tanta incompetência de um Ministro, cujos pedidos de demissão se vão acumulando de dia para dia, o mesmo continue em funções, tenha o apoio do Primeiro-Ministro e que o Presidente se feche em copas no que a esta personagem diz respeito.

Dir-me-ão que foi uma fatalidade... Estou de acordo, foi uma fatalidade, poderia acontecer a qualquer um, o que não é fatalidade é tudo aquilo que aconteceu depois.

Estes joguinhos de poder e protecção, esta máfia engravatada que corrompe o nosso dia-a-dia afirmando que nos governa, está só a governar-se a si mesmo.

O que aconteceu no SEF, se não tivesse saído cá para fora, tinha ficado por isso mesmo. Mas foi divulgado e a viúva do cidadão ucraniano ficou sem marido, sem sustento mas como a crítica internacional teve conhecimento do caso, teve que se calar a senhora com perto de 850 mil euros.

A mulher deste trabalhador não tem a crítica internacional do seu lado. Tem pouca da nacional, porque na altura em que o marido morreu, a crítica até estava mais preocupada com os jogos da selecção, e tem também um Ministério da Administração Interna cujo "patrão" é o tipo que lhe atropelou o marido, e que no lugar de lhe valer, só vai complicar mais as coisas. Isto parece até daqueles filmes em que por mais que o herói se tente safar, a areia movediça da máfia que o persegue é tal, e tem tantas ramificações no poder, que a única coisa que lhe resta fazer é dar-se à morte.

A BRISA já veio desmentir o MAI. A obra estava sinalizada, como aliás é apanágio da empresa em todos os seus trabalhos. Já o MAI não indica os níveis dos testes de alcoolemia, não dá a conhecer a velocidade a que seguia o carro e tentam apenas proteger um Ministro que de tão incompetente e arrogante, levou à morte de uma pessoa.

Mas isto não é caso único. Se bem se recordam, no Verão de 2017 deu-se o incêndio de Pedrogão e morreram pessoas.

O Primeiro-Ministro e o Presidente afirmaram que tal não podia tornar a acontecer... Em Outubro, e porque a época de incêndios supostamente já havia acabado, houve novos incêndios mas não havia os meios indicados para os combater. Morreram mais pessoas. Quem foi responsabilizado? NINGUÉM. A única medida que se tomou foi a obrigatoriedade da limpeza das matas, sob pena de se passar elevadas multas aos proprietários dos terrenos. Importa referir que os terrenos do Estado não servem de exemplo e poucos são limpos.

A empresa para quem Nuno Santos "Pombinho" trabalhava cobriu as custas do funeral. Não o devia ter feito. O Governo, do qual faz parte o elemento que custou a vida a esta pessoa, deveria ter olhado a esta despesa e a muitas outras que advém desta morte. Se os filhos de Ihor Homeniuk têm direito a uma pensão enquanto estiverem a estudar, e a viúva a uma indemnização, então também as filhas e a mulher de Nuno Santos deveriam ter. Os casos são diferentes apenas porque um está a ser abafado e o outro não foi.

Ainda se vai chegar à conclusão de que a culpa é só do motorista, que apenas teve que cumprir ordens, mas como se sabe a corda parte sempre para o lado mais fraco.

Eu matei um pardal e senti-me mal, o Cabrita foi responsável pela morte de um homem, mas não tirou o rabo do carro.

29
Jun21

Falemos do assunto sem mariquices


A.K.

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Tenho aqui um grande problema e não sei bem como o resolver. Vou contar-vos e depois dirão de vossa justiça, ou poderão até ofender-me caso existam extremistas a ler o que escrevo.

Pelo menos que saiba, não tenho nenhum amigo ou familiar gay, homem ou mulher (é importante referir por causa da igualdade de géneros) e de vez em quando utilizo termos como "maricas", "apaneleirado" ou "paneleiragem".

Não utilizo estes termos referindo-me a dois homens que se beijam ou andam de mãos dadas na rua, por exemplo. Utilizo no contexto de algum homem que está a fazer um escândalo por um motivo que se possa considerar fútil, como por exemplo o de ter engordado 500 gramas. Ou quando se enfiam nas calças da mulher por serem mais apertadinhas e dizem ser suas só porque está na moda, ou até quando pintam as unhas porque querem ser "trendy" e chocar, ou quando se valem de um qualquer estatuto, que possam considerar superior, para destratar alguém que lhes possa estar a prestar um serviço.

O meu problema agrava-se ainda mais quando admito que não tenho qualquer tipo de simpatia para com movimentos gay ou  LGBT, numa altura em que até nas floristas vendem flores com uma pétala de cada cor, para apoiar o movimento.

Então e qual é o real problema?

Não sou homofóbico mas afirmando o que afirmei acima colocar-me-ão esse epíteto, quer eu queira ou não. Dirão que se não defendo o movimento então é porque o sou.

Tento explicar que não defendo porque para mim, que não tenho nada que ver com o assunto, a maneira ideal de travar esta luta não é fazendo paradas e festivais, onde invariavelmente há sempre alguém que comete excessos e extremismos, isto porque - e quem quiser que se espante - há pessoas nestes movimentos que só ali estão para o circo e em nada dignificam o que se defende.

E como é que eu sei que não sou homofóbico? Será porque sinto que seria capaz de namorar com um homem?

Nada disso. Até porque não seria. Não me deixo ir na moda de que "o que gosto são de pessoas", até porque na verdade gosto cada vez menos de pessoas... Mais um pouco e torno-me eremita.

Mas não, não seria capaz de me apaixonar por um homem porque nunca tive qualquer tipo de impulso ou curiosidade e até porque o ser-se homossexual não é seguir impulsos ou curiosidades. É-se e pronto.

Sei que não sou homofóbico por causa dos comentários que leio ou ouço, de quem é realmente homofóbico/ignorante e sinto que devia lavar os olhos e os ouvidos com WC Pato, tal a forma como estes me incomodam.

Sei que não sou homofóbico porque já várias vezes comecei a imaginar como me sentiria se um dos meus filhos me viesse dizer que gosta de alguém do mesmo sexo, e aquilo que sinto é que iria dizer: " Filho... Se é o que sentes, se amas essa pessoa e se essa pessoa te ama, então vai em frente e tens o meu apoio. Vais encontrar no caminho ignorantes que te vão criticar e incomodar, mas iriam sempre fazê-lo, fosse porque motivo fosse. Dito isto só te peço o seguinte... Que não uses calças apertadas, parecidas com as da tua irmã, porque isso para mim, é de uma paneleiragem sem precedentes".

 

28
Jun21

Acabou a tortura


A.K.

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Eis que finalmente chegou ao fim aquilo que tantos seguiram atentamente.

Devo admitir que não segui. Tentei ver o primeiro, que me mostrou aquilo que se confirmou. Que a prestação dos elementos foi paupérrima e que se arrastavam de cada vez que deveriam entrar em acção.

A selecção dos escolhidos foi uma desgraça e mais uma vez foi-nos mostrado que em relação aos estrangeiros somos uma vergonha. Eles são muito mais organizados e têm outro ritmo.

Mas finalmente acabou e acabou sem a glória pretendida. É verdade que contámos com uma vedeta, quase de outro mundo, mas nem isso foi a salvação.

Agora é ver o que a vedeta Cristina e a TVI, engendraram para as noites de Domingo.

Pensaram que estaria a falar de futebol?

Nada disso. Ao longo dos anos aprendi a não colocar demasiadas expectativas no futebol. Gosto do jogo, não do que se passa à volta, e com as expectativas baixas, de vez em quando até há surpresas.

Voltando ao All Together Nau.

Nau não é gralha. Naus eram navios de grande porte e este programa foi vendido como sendo algo de grandioso. E até foi. Foi um grandioso "flop" e a nau meteu água por tudo o que é lado.

Bem sei que muita gente apreciou. Pessoalmente, devo dizer que sempre me incomodou quando há acidentes e o pessoal desacelera para ver a desgraça. Aqui foi o mesmo.

Não minto ao dizer que não vi. Aquilo de que tive conhecimento foi o que fui vendo em promoções do programa, em divulgações nas redes sociais e em algum "zapping" que fui fazendo. Perco credibilidade criticando algo que não vi com tanta atenção? Pode até ser, mas se nos poucos meios com que me foram chegando informações, não houve nenhum em que houvesse vislumbre de qualidade ou talento, então alguma coisa está mesmo muito mal, pois normalmente nestes meios escolhem apenas os melhores momentos.

Para terem uma ideia... Hoje, sendo o último episódio, pensei ver o que se estava a passar. Um rapaz cantava "O Melhor de Mim" da Mariza. Se ele estava a dar o melhor dele então posso desde já avançar que o melhor dele só era um bocadinho melhor do que o do Jorge Jesus, quando viralizou ao tentar cantar a mesma música.

Uma inocente criança de 4 anos, que por acaso até é meu filho, ao ouvir o mesmo que ouvi, perguntou-me se aquilo era a brincar. Respondi-lhe que sim e mudei de de canal. Não lhe quis ter que explicar que para a Cristina Ferreira "talento" é sinónimo de "tádifícil" e que o "tádifícil" se referia ao facto de que Portugal não tem estrutura para tentar fazer um programa como o "All Together Now" nivelando então assim muito, mas mesmo muito por baixo.

Defendo que não tem estrutura em várias vertentes.

Não tem estrutura para os jurados, que nos outros países apostam em famosos e aqui apostam em senhoras que batem palmas no programa do Goucha.

Não têm estrutura de talentos, porque cá, nos vários "talent shows" que já existiram, conseguimos contar pelos dedos de uma mão aqueles artistas que vingaram, e mesmo assim um desses dedos é o João Pedro Pais.

Não tem estrutura de apresentação, porque aqui o nome do programa devia ser "Primeiro a Cristina, com o seu ego e os seus vestidos e só depois All Together Now".

Já começa a ser um hábito bater na Cristina Ferreira, mas incomoda bastante quando alguém se acha o melhor, afirma aos 4 ventos que é realmente a melhor, mas que depois, na realidade não o consegue mostrar. O Cristiano Ronaldo, por exemplo. Esse afirma que é o melhor e não tem pudor em o assumir. A diferença é que depois prova que realmente o é, ou que pelo menos está entre os melhores.

Já Cristina Ferreira não o tem conseguido mostrar, nem de perto nem de longe.

Uma pessoa que afirma que é a melhor mas que depois não o consegue demonstrar, então não é a melhor, é só uma gabarolas.

Tendo em consideração o que fui lendo das audiências, o programa foi fraquinho.

Cristina Ferreira tem coleccionado tiros no pé e mostra não ter qualidades como Directora de Entretenimento, na TVI. Mas como a bola é dela e se ela não jogar ninguém joga... Então é deixar rolar.

26
Jun21

Os filmes são como os livros, não se julgam pelas capas


A.K.

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Penso que devemos deixar o trabalho ser feito por quem sabe, sob a hipótese de podermos vir a meter os pés pelas mãos. Ainda por cima não sou nenhum Rui Pedro Tendinha, mas este filme deixou-me tão satisfeito que tinha que falar sobre ele.

Wrath of Man é baseado num filme francês, de 2004, "Le convoyeur", que não teve o sucesso esperado. A base é a mesma, mas Guy Ritchie acrescentou o "je ne sais quoi" que o francês Nicolas Boukhrief não tinha conseguido.

Inicialmente Jason Statham interpreta o papel de H, um homem que supostamente vai apenas atrás de um emprego como segurança numa carrinha de valores que, logo num dos trabalhos iniciais de H, sofre uma tentativa de assalto. Apenas tentativa porque H impede que o mesmo aconteça.

Quem estiver a ler poderá cair no erro de pensar que vai assistir a uma cena de pancadaria, ao estilo dos filmes The Transporter, mas não.

Na verdade sendo este um filme classificado como, e sendo de acção, Jason Statham não puxa dos seus galões de lutador de artes marciais. Relembro que noutras parcerias com Guy Ritchie, Statham também não usa esta sua característica. Guy Ritchie escolhe o actor pelo actor e não pelas suas capacidades atléticas e, na minha opinião, por participar frequentemente em filmes de pancadaria, a qualidade de Jason Statham tem sido subestimada.

Voltando ao filme em questão.

Aquando da tentativa frustrada do assalto à carrinha de valores de H, conseguimos perceber que existe algo mais do que uma simples procura de trabalho. Isto pela prontidão e pela frieza com que a personagem elimina o problema que lhe surgiu.

A partir deste ponto o filme começa um desenrolar interessante de acções encadeadas que nos mostram o porquê e como tudo sucedeu.

Não vou aprofundar mais pois esta não é sequer a minha área e poderei divulgar mais do que aquilo que seria desejável.

Importa referir que todo o filme se encontra emoldurado por uma bastante aceitável banda sonora que fica a cargo do oscarizado Chris Benstead, que já havia colaborado com Guy Ritchie em The Gentlemen.

Fica a sugestão de um bom filme de acção e algum suspense. Fica mais barato do que irem massivamente a Sevilha.

 

 

22
Jun21

Sempre fui discriminado


A.K.

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Desde bebé se percebeu que eu era diferente das outras crianças.

Os meus pais não fizeram caso, ou fingiram que não perceberam, se bem que me recordo de existirem alturas em que o meu pai me tentou mudar. Tentou-me fazer ir contra a minha natureza e como quem não quer a coisa, deixava escapar que ao ser assim diferente os outros meninos na escola podiam achar estranho e gozar comigo.

Noutros tempos sei que seria visto com muitos maus olhos e poderiam até bater-me, só para me "emendar". Felizmente nasci numa altura um pouco mais avançada mas em que ainda havia resquícios deste tipo de preconceitos.

Na 1a classe não tinha mais ninguém como eu. É verdade que os outros meninos quase não ligavam, mas havia sempre um ou outro que comentava e às vezes havia quem não se quisesse sentar ao meu lado porque quando os nossos braços chocavam, sentiam-se incomodados. Eu lamentava, mas a culpa não era minha. Eu sou assim.

As professoras tentaram fazer-me mudar mas a minha essência foi mais forte.

Na preparatória encontrei um coleguinha como eu. Ficámos amigos mas quase nem nos dávamos conta de que éramos diferentes dos outros e para nós até nem éramos, porque a nossa realidade era aquela e tínhamo-nos adaptado e aprendido a viver com ela.

Hoje sou adulto e embora a sociedade se tenha adaptado um pouco melhor a pessoas como eu, a realidade é que continuamos a ser colocados um pouco de parte.

A minha condição não me permite fazer tudo da mesma forma que os outros fazem mas não é por isso que deixo de o fazer. Algumas faço até de melhor maneira dos que os considerados "normais".

Penso que eu, e outros como eu, não são defendidos da mesma forma que outros nichos da sociedade e sinto-me até ofendido quando afirmam que sou assim porque o meu cérebro trabalha de forma diferente.

Depois há aquela descriminação positiva em que dizem que por ser como sou tenho um lado mais artístico ou criativo.

No final das contas servem estas palavras apenas para vos demonstrar que, dependendo da maneira como se escreve e consoante o grau de vitimização que se pratica, algo como se ser apenas canhoto pode ser encarado com uma gravidade que não existe.

Há coisas graves, com certeza, mas nos dias de hoje aquilo que mais conta é conseguirmos fazer-nos de coitadinhos e oprimidos pela sociedade.

Um aperto de mão a todos os canhotos, dextros e ambidextros.

 

22
Jun21

ALERTA CM: Farinhera mata paio em feira de enchidos


A.K.

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Calma. Este foi apenas um título sensacionalista para vos captar a atenção.
Tanto a farinheira como o paio estão de perfeita saúde e nem sei se o tipo de iniciativas como as feiras de enchidos voltaram a ser permitidos pela DGS.
Uma vez que já conto com a vossa atenção aproveito o facto e falo-vos da crise que vivemos no que a notícias diz respeito.
Numa altura em que há tanta informação mas que a população não a sabe crivar, aqueles que o deveriam fazer, para esclarecer os cidadãos, demitem-se também das suas funções, por causa da tão conhecida luta pelas audiências.
A informação quer-se imparcial, rápida, concisa e de fácil compreensão. Não é tudo notícia, e quem segue o trabalho do Nuno Markl já deverá ter ouvido a explicação do porquê a sua rubrica se chamar "O Homem que Mordeu o Cão". Uma das primeiras coisas que é ensinado a quem estuda comunicação ou jornalismo é que (e é dado este exemplo) a notícia é sempre "o homem que mordeu o cão" e não "o cão que mordeu o homem", pois isso é o que será sempre normal acontecer.
Aquilo que já há alguns anos se tem vindo a verificar é que o que cada vez mais passa a ser notícia é "o cão que mordeu o homem", porque as outras notícias, aquelas que mais poderiam interessar a quem se quer informar, dão trabalho a conseguir e muitas vezes precisam de confirmação.
Com a chegada da internet o trabalho deste novo tipo de jornalistas passou a ser muito mais facilitado. Basta-lhes visitar uma ou outra página de notícias, ou uma ou outra rede social, e começar a partir dai a construir a narrativa de um serviço noticioso.
Com isto a qualidade vai decaindo cada vez mais e para conseguir encher um bloco de informação, que poderia ser de 30 minutos, mas que acaba sempre por ser de hora e meia ou duas horas, falam acerca dos carros do Ronaldo, da feira do caracol de Vale da Azinhaga, do maior pastel de Chaves do Mundo e daquela praia da Costa Vicentina que uma revista da Cochinchina e que ninguém conhece, definiu que pertence às 17 melhores praias do Mundo para fazer nudismo apenas com o chinelo do pé esquerdo calçado.
Ainda há dias assisti a uma outra falha de um jornalista que até considero sério.
José Alberto Carvalho emitiu a sua opinião em pleno noticiário que apresenta, acerca das pessoas que criticavam os pais do Noah. Não o devia ter feito... Aliás, não o podia ter feito. Deveria apenas dizer que havia pessoas a criticar e acabou. Ou até podia nem mencionar este facto, porque a notícia neste caso concreto foi o desaparecimento, a busca, o final feliz e, talvez um dia mais tarde, a informação se alguém foi responsabilizado ou não.
Os jornalistas têm um código deontológico que contém apenas 11 pontos, mas desses 11 pontos parecem não querer respeitar nenhum.
Já no início da pandemia foi para mim sofrível verificar a falta de profissionalismo de alguns "pivots" de informação que acharam que deviam dar o seu cunho mais pessoal e aconselhar os telespectadores que estavam em casa...
Devo dizer que aos nossos pais pediram-lhes que fossem para a guerra, a nós que ficássemos em casa e aos jornalistas pede-se apenas que sejam jornalistas e informem. Se quiser uma catarse vou ao psicólogo.

17
Jun21

Noah


A.K.

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EDIT: São raras as vezes em que estas situações acabam com um final feliz. Esta, felizmente, é uma dessas raras vezes.

O Noah foi encontrado por populares e embora nu, e com alguns arranhões, está bem. EDIT

Já todos sabem do que se trata.

Um menino de 2 anos está desaparecido há já mais de 24 horas...

Temo que já não seja encontrado com vida e até fico arrepiado com este pensamento.

Não me vou colocar na pele dos pais pelo mesmo motivo que também não me coloquei na pele dos pais da Valentina ou na pele da mãe do bebé que morreu por ter ficado esquecido dentro do carro.

Tenho filhos, e como não vou pelo que a maioria vai, não tardarão a existir pessoas que venham dizer que percebem a dor dos pais e que "Deus queira que não venhas a sentir o mesmo" ou "havia de te acontecer a ti".

Desde há 4 anos, altura em que fui pai pela primeira vez, que não há um dia em que não tema pela saúde e bem estar dos meus filhos. O meu "EU" ficou em suspenso e só deixará de estar no dia em que morrer, isto porque deixei de viver para mim e passei a viver para eles, e por mais que os anos passem é assim que vai ser. Para mim ser pai e mãe é isto. Para outros o conceito poderá ser diferente mas o conceito que outros tenham, a mim interessa-me pouco.

Aquilo que me custa a aceitar é que, caso a situação do Noah não tenha um desfecho feliz, mais uma vez quem deveria estar lá para proteger a criança, não estava.

Há dias vi num fórum de discussão, alguém argumentar que devia ser fechada determinada passagem de nível ferroviária, porque há atropelamentos e que é natural que as pessoas sejam distraídas e irresponsáveis, e como tal o Estado tem a obrigação de as proteger. Não há obrigação mais primordial do que a de protegermos os nossos filhos.

O argumento de que já não era a primeira vez que o Noah saia sozinho é ainda mais grave. Um bebé de 2 anos não deve sequer comer sozinho, pois existe o perigo de engasgar e não tem ainda os reflexos gástricos para se conseguir desenvencilhar desta situação.

Desejo com todas as minhas forças que o Noah esteja bem, mas desejo também que, mesmo o Noah estando bem, os pais sejam responsabilizados por tamanha negligência.

Serei criticado por apontar o dedo? Pouco me importa. A verdade é que os meus filhos tenho-os porque quis. Nenhum foi obra do acaso. Foram feitos, gerados e serão criados com amor, preocupação e segurança dentro daquilo que me é possível garantir para que estejam seguros. Deixar o acaso decidir a sorte de quem amo não acontecerá nunca. Não é sob protecção, é amor e é isto que me permite deitar todos os dias a cabeça no travesseiro com tranquilidade. Ontem foi um pouco menos tranquilo porque sabia que em Proença-a-Velha havia uma criança que, estando viva estava assustada de morte, estando morto, há-de ter sofrido com medo, decepção ou sem perceber o que se estava a passar.

 

 

 

17
Jun21

Post de merda


A.K.

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Quem segue o blog, ou o Instagram do Pacotinhos de Noção, sabe que os assuntos sobre os quais aqui escrevo são dos mais fracturantes e importantes para o país. Já falei da dificuldade de comprar cuecas para o meu filho em pleno confinamento, já falei de peixinhos da horta e até de ainda não haver nenhum tipo de sais de fruta para o enjoo que é a Cristina Ferreira.

Hoje vou falar de algo que nos toca a todos e cuja solução não consigo vislumbrar no longo horizonte que é a vida.

Vou falar de merda de pombos.

Peço desculpa pelo linguajar, que escrito não é meu hábito (falado pareço um estivador) mas é que não posso chamar a isto "cocó de pombo", "fezes de pombo" ou seja aquilo que for. Isto porque a merda que o pombo faz não se resume à merda que o pombo faz.

Todos os dias, atenção repito, todos os dias em que tenho roupa no estendal, grande parte tem que ir para lavar novamente, porque os pombos aqui da zona gostam de a usar como casa de banho. Deve ser por estar lavadinha.

Sim, isto está demasiado escatológico, mas a verdade é esta mesmo.

Logo aqui multiplica-se a merda, e é por isso que só me posso referir a ela dessa maneira. É merda porque é, efectivamente merda de pombo. É merda porque é a exclamação que faço quando vejo a roupa salpicada com a obra pombalina. É merda porque começo a pensar no quão merdosas vão ser as contas da água e da luz, com tantas repetições de máquinas de lavar. É merda porque não vou poder usar determinada peça de roupa que queria, porque foi vítima do tiro da cloaca de determinado pombo e finalmente é merda porque me lembro de ter lido uma vez que o distrito de Lisboa controlava a população de pombos, recorrendo a um medicamento contraceptivo de forma a que os pássaros não conseguissem ter crias.

Pois parece que os pombos tomaram antibiótico, porque pelos vistos o efeito da pílula desapareceu e continuam a ter borrachos uns atrás dos outros. Mais vale dar aos pombos a pílula do dia seguinte.

Como podem ver, no meio disto tudo só me podia referir como merda mesmo.

O que é um facto é que a população dos pombos está descontrolada, e ainda para mais ajudar, os velhos têm como "hobby" dar migalhas, e até arrozinho cozido a estas ratazanas voadoras.

Todos sabemos, principalmente os mais velhos, que NÃO SE PODE dar comida a estes bichos, senão nunca mais nos largam, pelo que não percebo a pancada dos velhos em  teimarem fazê-lo. Será que acham que ao serem bonzinhos para estas aves estão assim a abrir caminho para o céu?

Podem ter sido umas bestas a vida toda, mas se nos últimos anos de vida se esforçarem a alimentar a pombalhada, quando morrerem, S.Pedro até os vem buscar ao portão do paraíso e há-de os levar às costas.

Quando o homem não toma o controlo da situação a natureza, que é infinitamente mais sábia, trata de o fazer. Mas a natureza não está cá com "Rodriguinhos" e quando tem que ser violenta é-o.

Qual foi a solução encontrada por ela?

Arranjar pássaros maiores que fizessem frente aos pombos.

Aves de rapina, afirmam vocês.

Antes fossem...

A natureza, na sua infindável sabedoria, resolveu transformar as gaivotas daqui, em carnívoras, e agora todos os dias, às vezes mais do que uma vez por dia, temos ataques de gaivotas a pombos que depois acabam por ficar semi-comidos no chão em frente à casa, no parque infantil aqui ao pé, nos passeios... Parece uma zona de guerra em que os pombos tem saído a perder. Ainda por cima os ataques são violentíssimos.

Para já a minha roupa não vê uma evolução positiva.

Continua a ficar sarapintada e agora, além de temer o tiro ao alvo dos pombos, começo a ter medo se as gaivotas se lembram de fazer o mesmo.

Grande merda para isto.

Como vêem, aqui continuo a escrever sobre assuntos que são, realmente, de extrema importância.

14
Jun21

Certifica-se que está certificado


A.K.

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Como todos sabem as redes sociais são de modas. Quer de assuntos, quer de páginas visitadas e até de fotos.

A moda mais recente é a de colocarem fotos de certificados de vacinação COVID, para mostrarem que já levaram pelo menos, a primeira dose da vacina.

Daquilo que me tenho apercebido, e segundo ouvi dizer, TODOS vão ser vacinados, por isso aquilo que fazem questão de mostrar nas redes sociais não é grande avaria. Significa apenas que são mais velhos que os que ainda não foram vacinados ou que podem ter alguma comorbidade... Que treta, hein?

Mal comparado isto é como o surgimento do carrito Smart lá pelos finais da década de 90, princípio da de 2000. Inicialmente só se via um ou outro, e os donos queriam muito mostrar. As pessoas não conheciam o bólide, até achavam alguma piada e olhavam com vontade. Depois foi uma enchente de tal forma grande que parecia mais uma praga. Havia até lugares de estacionamento próprios para Smart's nalguns centros comerciais. Agora que quase já toda a gente conduziu, pelo menos uma vez aquele minicarro, ninguém lhe liga nenhuma.

Mas percebo que estejam satisfeitos. Afinal de contas é um importante passo dado, rumo à tentativa de vitória contra o ranhoso deste vírus. Mas se querem assim tanto mostrar que estão vacinados sugiro que, das duas uma, ou vos colam os certificados na testa ou então levam com um carimbo no lombo como se faz às carcaças dos leitões ou até como os ovos, que têm sempre o carimbo da validade.

Tem graça que ainda me recordo de até há bem pouco tempo existirem pessoas que temiam a vacina, porque o malandro do Bill Gates queria injectar-nos um chip para ficar a saber tudo sobre toda a gente. E não é que o sacana conseguiu. O chip pelos vistos comanda as vontades dos vacinados, e deve ser por isso que eles mostram os certificados.

Alguns mostram até o acto da vacinação em si. Já não via tanta seringa espetada no braço desde que mandaram abaixo o Casal Ventoso.

Mas deixemo-nos de brincadeirinhas parvas porque na realidade estou um tanto ou quanto apreensivo. Imaginem que passa a ser práctica comum a colocação de fotos de exames, e resultados dos mesmos, nas redes sociais.

Uma "pica" e posterior certificado ainda se aguenta, mas e se a pessoa vai fazer uma endoscopia com biópsia!? Não quero nada imagens disso. As endoscopias são tramadas tanto de fazer como de ver, com a pessoa ali deitada, toda a regurgitar-se.

Preocupa-me ainda mais se calha a alguém ter que ir fazer o exame da próstata...

Pode ser que num dia, em que me calhe a mim ter que fazer este exame, que esta moda macaca já seja apenas uma memória distante.

Caso continuem a insistir nesta treta de expor os certificados, julgo que o nosso Senhor Presidente da República deveria declarar novo estado de emergência, só para assim poder obrigar a que cada pessoa, que expõe o certificado de vacinação, seja também obrigado a expor o seu certificado de habilitações, com os seus 11 e 12 valores, a Educação Visual e Português B. Iam apanhar grande vergonha. Nunca mais punham certificado nenhum online.

11
Jun21

Uns são filhos, outros não são federados


A.K.

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SOMOS OS MAIORES, CARAÇAS. VAMOS AO EURO E ATÉ OS COMEMOS.

Mas com máscara por favor! Ou então não. Então não porque, ao que parece, a maior parte dos jogadores da selecção já estão imunizados.

A justificação é a de que, e passo a citar o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo (o Cristiano Ronaldo da task force), "a vacinação da selecção portuguesa de futebol e da respectiva equipa técnica que irá participar no Euro2020, já está concluída e insere-se na lógica de excreção, para acções especificas de representação oficial do País em eventos internacionais, junto de organizações que recomendam a vacinação dos participantes"a vacinação da selecção portuguesa de futebol e da respectiva equipa técnica que irá participar no Euro2020, já está concluída e insere-se na lógica de excreção, para acções especificas de representação oficial do País em eventos internacionais, junto de organizações que recomendam a vacinação dos participantes"

Trocado por miúdos, aquilo que isto quer dizer é: "- Meus caros, como sabem atravessamos uma pandemia. Já vacinámos uma franja da população mas grande parte está ainda por vacinar. De qualquer das formas é necessário animar o povinho e, como já dizia o outro, temos que ter Fátima, Fado e Futebol. Decidimos então que os jogadores da selecção têm que ser vacinados, ainda que não estejam na faixa etária indicada, não tenham comorbidades e não desempenhem um trabalho que seja essencial à população."

Fátima teve já o seu momento, aquando das comemorações do dia de Nossa Senhora. Foi tudo muito certinho, as pessoas respeitaram cada uma o seu espaço, que havia sido previamente delimitado. Isto dentro do santuário, porque cá fora estava tudo ao molho e fé em Deus... Neste caso em Nossa Senhora.

O futebol já teve vários momentos em que se viu ser tratado de forma privilegiada, e esta situação das vacinas é apenas mais uma. Percebo que é imperiosa a necessidade de haver este espectáculo do futebol e constato, com esfuziante alegria, que no EURO até já vão acontecer alguns jogos com público. Parece que assim de repente tudo melhorou. E deve mesmo ter melhorado porque até nas notícias de hoje, em que nos injectaram doses cavalares de selecção, nem se fez muita menção ao facto de termos atingido 910 novos casos.

Estes 910 casos valem o que valem. Na minha opinião havendo casos mas não havendo mortes, nem uma corrida desenfreada aos hospitais, interiorizo que as infecções acabarão por ser uma normalidade, e aos poucos nem terão qualquer destaque. Se os grupos de risco estiverem imunizados, as infecções poderão ser, na sua grande parte, apenas sensações de mau estar. Mas isto é o que eu penso. Eu não tenho a obrigação e o dever de informar os cidadãos de como evoluí a pandemia. Já os canais e os blocos de informação...

Mas voltando à questão do futebol, que mais uma vez acaba por ser o "filho" a quem calha a melhor parte do testamento.

Várias vezes já ouvi dizer que o desporto é muito importante, mas quando ouço isto penso inocentemente que se estão a referir à prática, não à visualização.

Se realmente ver futebol é assim tão importante sugiro que a Sport TV, Benfica TV e Eleven Sports, passem a ser sujeitas a receita médica e até comparticipadas pelo Estado.

Gosto bastante de ver futebol, mas não consigo enquadrar este desporto de massas como algo culturalmente necessário, de modo a que até os atletas sejam vacinados antes que outras pessoas, que possam realmente acrescentar algo mais.

Vejo mais necessidade cultural em espectáculos, peças de teatro e até em idas ao cinema.

Se faz sentido vacinar os atletas não faria também sentido vacinar actores e todos aqueles que são necessários para que haja cultura?

Isto leva-me ao terceiro F, de Fado.

Será que vem por ai "A Grande Noite do Fado" e todos os participantes vão ter direito a serem também inoculados?

É cultura, representam Portugal no estrangeiro e grande parte do povo também gosta. Logo ai parecem-me critérios mais que suficientes para justificar a vacinação. Se tal não acontecer, parece-me injusto.

Para acabar queria só chamar a atenção para o seguinte. Só ficámos a saber que os jogadores da selecção foram vacinados porque, depois do jogo contra a Espanha, o jogador espanhol Busquets deu positivo à Covid. Se assim não fosse, a coisa era feita pela calada, para evitar escândalos. Mas até nisso foram não pensaram bem. É que está a começar o EURO e quando joga a selecção os escândalos ficam para segundo plano.

 

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