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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

08
Jul21

Quais os limitados do humor?


Pacotinhos de Noção

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A pergunta que todos os humoristas não gostam de ouvir, porque odeiam responder, é a de "Quais são os limites do humor".

Para mim não há limites, para alguns o limite é quando os visados da brincadeira deixam de ser os outros e passam a ser eles mesmos. Mas não era acerca dos limites do humor que gostaria de falar e sim dos limitados. São dois assuntos que acabam por se misturar porque muitas vezes os limitados do humor tendem a pensar que são eles quem impõem os limites para toda a gente.

Ontem o Bruno Nogueira, no seu Instagram @corpodormente, colocou a foto que emoldura este texto, e legendando a foto um texto que para mim tem imensa graça pois revejo ali estereótipos, alguns até de pessoas consideradas famosas.

Polish_20210708_191344478.jpgAchei uma boa piada, até refrescante e se tivermos em consideração os gostos obtidos percebemos que muita gente também achou graça, vendo alguns dos comentários, percebemos que alguns dizem ter achado graça mas não perceberam que aquele texto se assemelha à forma como escrevem e, pelos vistos, houve algumas pessoas que além de se terem rido, ao fingir que perceberam, acharam por bem fazer um ou outro reparo à maneira como o Bruno Nogueira escreve, porque "sendo uma figura pública deveria ter em atenção alguns dos erros ortográficos que comete".

IMG_20210708_190016_044.jpgMelhor ainda é alguém que no meio de um texto tão propositadamente errado e mal estruturado, só conseguiu vislumbrar o "veses" como erro.

Polish_20210708_185146369.jpgEste balde de água fria a uma piada é semelhante àquele tipo que conta o final da nossa anedota antes de a acabarmos de contar a outra pessoa que não a conhecia.

Isto só reforça a minha convicção de que o "Princípio, Meio e Fim", mesmo não tendo sido um bom programa, tinha imensas pessoas a defendê-lo apenas porque aceitam que à partida qualquer coisa que seja feita por um humorista, ou um artista em geral de quem gostem, é boa, compreendam eles ou não.

Do Bruno Nogueira não sei se gosto, não o conheço, do trabalho gosto de muita coisa mas há outras que não aprecio tanto, mas isto acontece-me com todos os artistas de quem sigo o trabalho. O facto de gostar não me faz só tecer rasgados elogios, até porque a quem nos dá espectáculo e cultura não devemos fazer fretes, uma vez que é do nosso real retorno que eles conseguem melhorar, caso disso haja necessidade. 

Voltando a quem faz reparos linguísticos numa piada que também é linguística, mostra também o porquê de hoje existirem tantos indignados com tanta coisa, tantos defensores de oprimidos, tantos exigentes que querem à viva força defender causas que nem sequer conhecem ou sabem o que defendem.

Para terminar queria também dizer que os grandes culpados de o humor ser tão, mas tão levado a sério, que até parece mal que se riam, são a nova vaga de humoristas que de humoristas têm muito pouco, e também eles são os "Limitados do Humor".

Volto a bater no ceguinho e não tenho o problema de os nomear pois sendo figuras públicas acabam sempre por estar sujeitas ao escrutínio do cidadão comum, embora não gostem (é natural) mas personalidades como Diogo Faro, Carlos Pereira, Luana do Bem, que misturam humor com ideologias e activismos políticos e sociais, ou outros como Pedro Durão, Paulo Almeida ou Guilherme Duarte cuja piada deixa muito a desejar, fazendo até lembrar as gracinhas que dizíamos e fazíamos na escola primária, mas que ainda assim têm muito palco, faz com que o sentido de graça das pessoas decaia muito de valor, habituando-se ao medíocre.

08
Jul21

MacGyver's da vida, por onde andais?


Pacotinhos de Noção

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Bem sei que na RTP Memória já houve repetições, mas para a malta nova mais desatenta, que eventualmente possa estar a ler, gostaria de vos contar quem é o MacGyver.

MacGyver é aquele herói que não gosta de armas e a luta não é o seu forte. A única ferramenta que tem é um canivete suíço que dá para tudo. Dizem as lendas que com o seu canivete, dois palitos e fio de pesca montou o primeiro Tesla e depois o Elon Musk viu e roubou a ideia. A ideia base deste herói era essa mesma. Salvar-se das situações mais perigosas com engenhocas criadas só com as coisas que ele tinha à mão. Sim, é certo que é difícil explicar como é que um palheiro abandonado no meio do nada, poderia ter jerricãs de acetona, ligaduras, os rolamentos duns patins em linha e o excremento de uma gaivota albina, para assim ser montada uma bomba, mas porra, o Luís Filipe Vieira foi preso, se isso é possível quase tudo é.

Mas porque me lembrei eu do MacGyver!?

Estava eu na fila do Minipreço, numa altura em que só havia uma caixa aberta e a fila já estava grandinha, quando aparece um senhor com aspecto de engenheiro de aeronáutica a chamar pela menina da caixa, porque queria levar um pão saloio mas nos sacos do pão só havia sacos para baguetes. A menina saiu da caixa para ir socorrer a vítima e na fila ouvi comentários como "Realmente parece impossível não haver sacos" ou "Para isso vendiam o pão embalado" e ainda a piadinha "Que parta o pão aos pedaços e já cabe no saco". O que ninguém se lembrou de dizer ao engenheiro foi "Oh besta, ao lado tens os sacos da fruta, em vez de estares a lixar mais a fila, desenrasca-te."

Nesta altura pensei que se estivéssemos de novo na pré-história por lá iríamos continuar, porque se um tipo que aparentemente tens estudos, não tem um raciocínio lógico para tratar daquela situação, dificilmente teria descoberto o fogo e a roda de certeza que iria ser quadrada.

"Ah, mas se calhar o senhor não quer prejudicar o ambiente usando aquele saco de plástico" dirão vocês. Ao que vos respondo que este texto é meu por isso aqui ninguém diz nada a não ser eu, e usar um saco de plástico só prejudica o ambiente se formos porcos. Se o reutilizarmos e não o atirarmos fora, não prejudicamos nada. Os sacos de plástico não são como as máscaras reutilizáveis, que nascem no chão como cogumelos. Pelo menos é onde eu tenho visto muitas.

Grande parte das pessoas de hoje em dia não sabem trocar um pneu, mudar uma lâmpada, pendurar uma prateleira. Nos currículos colocam que são "multitasking", mas só se o "multitasking" for trocar de página entre o Google, o Facebook, o Instagram e o Xvideos, e pelo meio hão-de ter o trabalho que estão a fazer.

Voltando ao MacGyver. Para verem como as coisas estão, em 2016 fizeram uma nova série em que o herói era um choninhas dos computadores que precisava de ajuda até para apertar os atacadores. Se lhe metessem um canivete suíço nas mãos, só usaria a tesourinha para cortar as unhas, porque não teve tempo de ir à manicure.

Lá vêm vocês com o mau hábito de lançar os vossos bitaites para dizer "Ah, e tal, mas os homens estão cada vez mais bonitos".

Está bem Chiquitas, mas de que vale um homem bonito que não saiba usar berbequim e até prefere que seja a mulher a fazê-lo. E isto não é igualdade nem equidade, é "calanzisse", é "chico-espertice", porque além de não fazerem o que já não faziam, agora também já não fazem o que lhes competia.

Mas a maior parte das vezes não o fazem também não é por mal. Deixou de se tentar arranjar soluções para os problemas. A máxima agora é, "se o problema não tem solução, então está solucionado, se tiver mas eu não a conhecer, está solucionado, se tiver, eu conhecer mas ninguém me chatear para fazer, então também está solucionado..." Conclusão, o problema está sempre solucionado sem nunca se ter chegado à solução.

A falta de destreza mental e resolução problemática já vem de infância.

Hoje não se colocam problemas às crianças. Intelectualmente podem não aguentar e depois ainda deprimem ou traumatizam e é um problema... que não dá para solucionar. A garotada tem os brinquedos com tudo já pronto. O Lego traz instruções, os jogos têm soluções e o pião vem sem guita. Vem com um aparelho para carregar num botão e começar a rodar. Coisas em que sejam preciso fazer um qualquer trabalho manual quase que deixam de existir. Jogar ao berlinde é quase uma miragem. É preciso abrir buracos no chão e sem retroescavadora não dá. Tem que se contactar o empreiteiro, pedir um orçamento, pedir licença à câmara, vir o mestre-de-obras... As meninas não sabem o que é saltar ao elástico. É que o elástico vende-se a metro e não tem as pontas unidas de forma a ser um círculo para as miúdas entrarem. E depois não dá para saber bem se a menina da esquerda tem o elástico à mesma altura que a menina da direita, e depois miúdas aos pinotes, todas despenteadas não dão boas fotos. Uma chatice.

Mesmo serviços que dantes eram garantidos hoje são inexistentes.

Tenho um aparelho avariado e não encontro quem o arranje. Prova disso são as lojas dos paquistaneses que supostamente arranjam telemóveis.

De todas as vezes que vou a uma loja dessas, invariavelmente não me conseguem resolver o problema.

Parece que existem só para trocar ecrãs, trocar baterias e colocar películas... Isso faço eu em casssa sem prooooblemas.

Peço desculpa seee houvver provlemas naa escritaaa. Este teeeeleeemóvelll é novo e aiiiinda não me habituei.

 

 

06
Jul21

Isto da evolução ainda vale?


Pacotinhos de Noção

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Eis-me aqui para abanar os alicerces da ciência, com uma nova teoria que tem a sua lógica e que só não será aceite por casmurrice.

Há cerca de 160 anos, Charles Darwin elaborou, também ele uma teoria, que quase todos conhecemos, e que é a evolução da espécie.

Esta teoria tem uma falha imensa que detectei, e em que Darwin não pensou.

Ora o cientista afirmava que nós, os humanos, somos fruto de uma constante evolução e que descendemos de primatas.

BA-LE-LAS.

Afirmo isto com convicção, porque como poderia Darwin dizer que somos uma evolução, se ele só acompanhou até ao período em que ele próprio viveu? É que desde lá para cá, o ser humano conseguiu começar a provar que a tal dita evolução estagnou e que, numa grande parte dos casos começou até a regredir, e rapidamente.

Aquilo que digo é facílimo de constatar, e caso estejam perto de uma qualquer taberna ou tasco que tenha esplanada, poderão observar como a "desevolução" tem sido acelerada. Muita da comunicação passou até a ser feita por urros, como de primatas pré-históricos se tratassem.

Uma das conquistas do nosso desenvolvimento foi a comunicação e a informação.

Saber comunicar é sinónimo de cultura, inteligência, formação e evolução.

Estar informado demonstra que somos preocupados com o presente e com o futuro e que adquirimos conhecimentos e capacidades para nos ajudarem no nosso dia-a-dia. Isto não é novidade nenhuma e toda a gente o sabe.

Acontece que se existisse uma máquina do tempo e Darwin nos visitasse, ele ia baixar os braços e dizer: "Ponho-me a inventar sem ter provas concretas, e atribuo evolução e inteligência a uma das poucas espécies que se acha única e especial e que é na verdade oca e desinteressada.

Estamos há 21 anos no século 21, e recordo-me de no final dos anos 80 pensarmos que depois do ano 2000 isto ia ser tudo futurista e evoluído... Mas não é.

Tecnologicamente evoluímos muito, é um facto, mas isso reflecte-se pouco no nosso quotidiano.

Com a internet por todo o lado e com tablets, telemóveis e computadores com acesso à mesma, não deveria ser possível que fosse possível (passo a redundância) que alguém tivesse dúvidas fosse sobre o que fosse, e não se tente esclarecer, optando antes por ser ignorante.

Há dias fizeram duas décadas desde a morte da Princesa Diana. Sei que foi já há 20 anos, mas existirem pessoas com a idade de 27, e que até já tinham 7 anos aquando do acidente em Paris e que me perguntam quem era a Princesa Diana, e que justificam a sua ignorância com um "Ah... Não era do meu tempo"...

Napoleão não é do nosso tempo, Abraham Lincoln não é do nosso tempo, Salazar, não é do nosso tempo, mas fazem parte da história que é do nosso tempo e que nunca se apaga. Muito pelo contrário. Está toda disponível para consulta gratuita e está bem dentro do nosso bolso, no telemóvel

Só continuaremos ignorantes se quisermos e o grave é que queremos.

Com esta ignorância, ainda por cima arrogante, vem ainda uma falta de desinteresse por tudo e um foco exagerado numa só tarefa que está normalmente ligada às consolas e jogos de computador.

Se a desculpa do tempo fosse sequer plausível, o correcto era nem sequer termos compêndios de história, pois tudo o que lá está escrito ficou no passado, e como tal é deitar para o lixo.

Costumava dizer-se na escola que estavam a formar os Homens do amanhã, mas aquilo que agora se vê é que algo deve ter falhado, porque os Homens já são Homens, o amanhã já é hoje e os Homens ou não estão formados ou estão mal formados.

03
Jul21

A estrada é uma selva


Pacotinhos de Noção

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Vários ciclistas cortaram hoje a Avenida da Índia, em Lisboa, como forma de protesto e em memória da ciclista grávida, de origem italiana, que morreu atropelada há poucos dias.

Em relação a este caso específico devo apenas dizer que se gerou uma tempestade perfeita. Uma grávida de bicicleta e um tipo de 80 anos que muito provavelmente já não deveria conduzir.

O facto de estar grávida e andar de bicicleta já é só por si perigoso. Eu a andar a pé às vezes já me mando para o chão, se tivesse um ser no ventre não ia tentar a minha sorte. Mas a senhora tentou e não deveria ter morrido por isso. Nem ela nem o bebé.

O senhor alega que não a viu, por causa do sol, e até acredito que possa ser verdade, mas também acredito que não a consiga ter visto porque já não tem os olhos de antigamente, ou porque quando a viu já não teve reflexos para se desviar.

Já na última 2a feira, em Cascais, um senhor, também de 80 anos, atropelou um GNR que procedia ao comando da circulação do trânsito numas obras. Isto levanta um problema que tem sido constantemente ignorado e que são as renovações das cartas de condução em indivíduos de idade mais avançada.

Daquilo que tenho conhecimento as renovações das cartas em indivíduos com mais de 60 anos requerem apenas um atestado médico electrónico e acima dos 70 um certificado de aptidão psicológica, o que considero que é claramente pouco. No meu entender, a partir de determinada idade, quem quisesse a carta renovada deveria ter que prestar prova psicológica mas também teria que fazer novo exame prático de condução. Todos os dias vejo pessoas que não deveriam sequer poder ter uma tesoura nas mãos, mas que, para meu espanto, entram num carro e arrancam... Aos soluços e aos S's, mas arrancam.

Em relação à vigília da Avenida da Índia. Eu até percebo que os ciclistas queiram mais segurança, mas alguns dos argumentos utilizados não fazem muito sentido.

Ouvi coisas como "As estradas não são dos carros", "Os carros têm que andar a 30 na Marginal", "Os acidentes entre automobilistas e ciclistas são propositados, 90% das vezes" e que " Os ciclistas podem andar aos pares, podem andar em grupo e os carros têm que passar 1,5m de distância".

No meio de tudo isto há coisas certas, erradas e absurdas.

Os ciclistas podem andar em grupos desde que andem a pares e uns atrás dos outros. Aquilo que testemunhamos todos os dias é que quando vão em grupo não só não andam a pares, como não param em vermelhos, e ocupam quase sempre toda uma faixa de rodagem por vezes até duas, o que acaba por tornar difícil respeitar a tal distância de 1,5m. Fica mais difícil ainda quando os ciclistas teimam em passar por entre os carros, e nem sempre quando estão parados.

Andar a 30 na Marginal é ridículo. Não é uma via rápida mas é uma estrada que, sim senhora, pertence aos carros. Não é uma ciclovia e não é usada para o lazer. Todos os dias por ali passam pessoas que vão e vêm do trabalho e já basta as filas intermináveis que se apanham. Andar a 30 seria tortura.

Afirmar que os acidentes que acontecem são propositados é um comentário de gente doida a que nem vale a pena dar atenção.

O número de ciclistas aumentou e muito. Os automobilistas têm que ter em consideração que quem anda numa bicicleta acaba por estar exposto e não existe nenhum sistema de segurança que possa proteger alguém que vá neste tipo de veículo e que entre numa luta frente a frente com um carro. Já os ciclistas também têm que ter em consideração a sua vulnerabilidade e tentar prevenir-se e não achar que o facto de andarem de bicicleta lhes dá direitos superiores a todos os outros. O código da estrada vale para todos, andem de carro, moto, bicicleta ou trotinete.

A estrada é uma selva, mas até na selva há uma grande parte de animais que se respeitam uns aos outros.

 

02
Jul21

Tenho testículos. E agora!?


Pacotinhos de Noção

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Gostaria de deixar aqui o meu testemunho como um ser portador de testículos.

Tenho dois. São ambos meus e o facto de ter dois não significa que tenha para a troca.

Não sei se são grandes ou pequenos mas são fáceis de identificar, pois quando nasci julgo que foi também por ai que puderam afirmar à minha mãe, com convicção, que o estafermo que nasceu era um menino.

Não têm super poderes e não me dão força Hercúlea ou uma coragem acima da média. Posso até referir que tenho algumas cobardias, mas não direi quais por receio que as usem contra mim.

Para mim ter testículos nunca foi motivo de orgulho. Nunca os ostentei nem sequer fiz um retrato para colocar na parede da sala, mas também nunca foram motivo de vergonha... Até hoje. Quer dizer, até hoje não porque na realidade continuo sem ter o mínimo de vergonha de ser um espécime testiculado, mas parece que grande parte da sociedade quer que me envergonhe. É que, segundo me tem sido dado a perceber, todo e qualquer elemento que tenha testículos sofre de um mal a que se chama de masculinidade tóxica. Não percebia bem o que isso queria dizer, afinal sou um neandertal da espécie masculina e fui-me informar no fantástico mundo das internetes.

Descobri que existem mais duas definições e que servem para combater a "masculinidade tóxica". São a "masculinidade histérica" e a "feminilidade tóxica".

Vamos primeiro à masculinidade tóxica que é a mais conhecida.

Todos os dias digo à minha mulher que é uma vaca porque não me engomou bem os colarinhos da camisa. Dou-lhe um estalo porque salgou a sopa e ao fim do dia, depois de ver o Preço Certo e os trajes reduzidos da Lenka, exijo que a minha mulher que faça uma bela massagem nos pés. Não os lavei e cheiram pior que o penico do Satanás, mas ela é a minha mulher por isso ou massageia ou vai haver chatice. Quase TODOS os homens sofrem de masculinidade tóxica. Digo quase todos porque os da próxima categoria não sofrem.

São os que sofrem antes de masculinidade histérica.

Este espécime tem várias características que o definem. Colocam-se vários patamares acima de todos os outros machos porque eles são na verdade os iluminados.

São os primeiros a definir que certo e determinado comportamento são exemplos de masculinidade tóxica, gostam de mostrar que, não tendo um lado feminino, conseguem perceber perfeitamente aquilo que a mulher sente e defendem-na contra tudo e todos, se tudo e todos forem outros homens. São rebarbados mas escondem (mal) porque a "rebarbadisse" é traço de toxicidade masculina. Quando dizem ou fazem algo que pode ser visto como masculinidade tóxica dizem que "era uma piada" ou "estavam a brincar". Acham que a objectificação feminina, se feita por outros é uma vergonha, feita por eles é arte.

Normalmente não têm relacionamentos duradouros porque são uma seca e porque entre quatro paredes exercem masculinidade tóxica.

Última categoria. Feminilidade tóxica.

Todo e qualquer homem que respire, a menos que seja seu amigo, gay ou um masculino histérico, é uma besta.

Numa discussão a mulher terá sempre razão, mesmo que esteja a defender que 2 e 2 são 5. O homem que não concordar é um castrador e merece a prisão.

Os homens não são necessários e só olham para a mulher como um pedaço de carne.

Um homem que queira usar a sua liberdade sexual da maneira que quiser será apelidado de porco tarado, a mulher que faça o mesmo está no seu pleno direito e não é esta sociedade machista e opressora que a deve impedir.

Ouvi já (e isto é mesmo verdade) que se uma mulher quiser andar sem calças e sem roupa interior na rua deveria poder fazê-lo sem ter que lhe ser chamada a atenção, porque o corpo da mulher é da mulher e faz aquilo que com ele quiser. Até aqui estamos de acordo, mas o ar é de todos e há que respeitar o poucochinho que cada um tem.

Já é habitual escrever aqui os meus problemas e mais uma vez o faço.

Não me enquadro em nenhuma destas categorias, mas tem ficado cada vez mais definido que todo o homem que não é histérico é tóxico... Quem o tem definido são as tóxicas e os histéricos e como me ofende que digam isto de mim eu não me sinto com vontade de pertencer ao grupinho deles. Como tenho testículos, e é essa a principal característica do tóxico, já pensei fazer como o Farinelli e castrar-me, mas conforme disse há pouco sou um tanto ou quanto cobarde e não o consigo fazer.

Está visto que solução não arranjo e peço que se alguém souber como descalçar está bota me diga de imediato. Quero começar a ser aceite pela sociedade e não queria mesmo nada ser um masculino histérico, porque teria que pintar as unhas, fazer tatuagens feias, ser hipócrita e deixar de lavar o cabelo.

01
Jul21

Publicidade coaching


Pacotinhos de Noção

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Quando era miúdo um dos meus programas preferidos era o "Anúncios de Graça" com o Edson Athayde, e a presença imaginária do seu tio Olavo, e ainda hoje quando há repetições, assisto com gosto. Para o programa eram escolhidos anúncios geralmente engraçados e quase todos premiados, mas na verdade este meu gosto por publicidade é geral. Gosto de anúncios e não sou dos que mudam de canal ou que ficam irritados com os mesmos. Admito que quando a repetição já é demasiada também perco a pachorra, mas quando vejo que é um anúncio novo fico na esperança de que seja alguma coisa de jeito.

Isto não invalida o facto de que, embora gostando de publicidade, não fique ligeiramente irritado com algumas novas formas de comunicação dos anúncios.

A primeira é a forma como me tratam.

Reparem que agora, em quase todos os produtos ou serviços que nos vendam, a tendência é tratarem toda a gente por tu.

Não sou um tipo de classe social elevada, ou um pseudo-beto, que trata o filho Salvador por você, mas quando me tentam vender alguma coisa, seja na televisão ou presencialmente, gostaria que me fizessem sentir um tanto ou quanto especial, e como não me convidam para jantar, nem me oferecem bombons, parece-me que tratar-me com alguma deferência, não me cairia de todo mal, a não ser que julguem que a economia agora mexe toda na base de miúdos de 16 e 17 anos. Sei que o pessoal se habituou a ficar em casa dos pais até aos 40, mas isso não é síndrome de Peter Pan e por isso não devem ser tratados por tu. É necessidade, oportunismo ou só gostar de viver no pescoço dos velhotes enquanto se puder.

Sei que a maior parte do pessoal nem se preocupa com isso de serem tratados por tu, mas não consigo perceber o porque não! A maior parte deste mesmo pessoal, quando faz o cartão multibanco, pede que seja usado o título académico de Dr., mesmo quando não tem o 12º feito. Se está lá o quadradinho para se escolher o Dr. então escolhe-se. Sempre dá estatuto ao pagar as coisas no LIDL.

Mas a nova comunicação publicitária que mais me incomoda, e que geralmente vem também associada com a utilização do TU, é a publicidade coaching.

O que é isto da publicidade coaching.

Neste tipo de publicidade não vendem só um produto ou um serviço. Vendem um modo de vida. Mas não é um modo de vida qualquer, é o modo de vida que eles julgam ser o que queremos para nós. É o modo de vida da foto instantânea, o modo de vida "Instagramico" em que o mar e o céu são mais azuis, a areia é mais branca, o nosso carro não tem capota e a casca de laranja não está na pele, está só naquela rodela do nosso magnífico cocktail. Nesta publicidade dizem-nos coisas profundas como: "Vive a vida", "Dá o primeiro passo", "Quebra barreiras", "Não temas o futuro", "Estar vivo é o contrário de estar morto".

A nossa vida pode estar complicada com confinamentos, lay off, a avó nos cuidados intensivos e toda a gente a parecer-nos irritante, mas se o anúncio da MEO passa na televisão e ouvimos a Inês Castel-Branco a dizer "Humaniza-te", então pronto, ficamos logo todos humanizados porque era mesmo aquilo que precisávamos de ouvir.

A ideia que dá é que nas agências deixaram de trabalhar publicitários, e passaram a contratar só pessoal do coaching. Parece tudo saído dos vídeos do Gustavo Santos e estou sempre à espera de um qualquer anúncio em que me espete um "O amor da tua vida és TU", ou um "A mente chama-se mente porque nos mente".

Enquanto o mundo não melhora com todas estas injecções bombásticas de psicologia publicitária, resta-me recordar anúncios e slogans que não queriam mudar o meu modo de vida, e que até faziam sentido, como um "Onde você estiver, está lá", porque realmente com o telemóvel estou sempre contactável, ou um "Vá para fora, cá dentro" que nesta altura faria todo o sentido.

Enquanto espero essa melhora, não me vou humanizando porque não sou cliente MEO, mas posso sempre pedir que se juntem a mim e aguardem comigo porque "Together we can", que é o slogan da Vodafone.

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