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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

29
Jan22

Passo-me com o passado


Pacotinhos de Noção

Nos últimos tempos passou a estar quase generalizada a ideia de que o que conta é o futuro, que quem vive do passado são os antiquários e ser-se saudosista não é visto com bons olhos. Pois, eu sou um enorme saudosista e ter saudades do passado é algo de agridoce, pois se por um lado me conforta o coração por outro entristece-mo, por saber que há coisas que não mais viverei. Tenho, ainda para mais, uma condição, não diagnosticada, mas que é um facto, de que perdi grande parte da memória de toda a minha infância. Não sei se foi de quando parti a cabeça em miúdo, mas o meu passado é quase todo um enorme vazio. Familiares contam-me coisas passadas que, para mim nunca existiram. Curiosamente algumas das memórias que a mente optou por guardar, prendem-se com programas de televisão ou sensações. Talvez seja por isso que do pouco que me lembro, recordo com carinho, mesmo que alguns sejam momentos que não são particularmente espectaculares.

Respeito e agrada-me também o passado porque é ele que nos faz evoluir. Afinal de contas a formação do nosso carácter acontece por tudo aquilo que passámos e não por aquilo que há-de vir a acontecer. Se nos estivermos a moldar, projectando aquilo que pode vir a acontecer podemos nunca chegar a ser nada, pois o futuro é incerto, pode nunca vir a acontecer. Já o passado está lá, firme e forte, com toda a sua história.

Como disse anteriormente o passado causa-me também um sentimento um pouco agridoce, uma certa angústia, porque sei haver coisas que não mais se repetirão, mesmo que eu as tente reproduzir fielmente, e são muitas.

As manhãs de Domingo, em que o meu pai ia para o quintal tratar da horta ou dos animais, em que me chamava para o ir ajudar, coisa que me aborrecia, pois eu queria era ficar a ver os desenhos animados, mas que acabavam por ser preteridos para eu ir varrer o quintal.D

Depois havia o cheiro da madeira a arder, na fogueira que o meu pai habilmente fazia entre dois tijolos para depois se pousar a grelha e assar o frango, frango esse cujo sabor fumado é até hoje inigualável e que sei que por muitos anos que viva nunca mais o vou sentir. O pai que assava o frango já cá não está, as manhãs de Domingo já não são para ver os bonecos, e mesmo que queira fazer um frango daqueles agora já tenho um grelhador e uso carvão... Ah, e não herdei a habilidade do meu pai a acender fogueiras.

Outra das memórias de fim-de-semana era quando a minha mãe pedia que eu e a minha irmã fossemos ao supermercado Polisuper, na Galiza, só para comprar o pão que lá faziam e que vinha quentinho, acabadinho de sair do forno. Íamos a correr para casa só para ainda conseguirmos ter a manteiga a derreter no pão, mas não sei bem o que acontecia que, invariavelmente, o pão já chegava a casa com duas ou três dentadas. Daqueles mistérios que ficarão por resolver. Depois do pão comprado via, quando era possível, ao Sábado as classificações dos pilotos da fórmula 1, e ao Domingo a própria corrida.

Ainda há fórmula 1, mas os carros são diferentes, a publicidade é diferente, os comentários são diferentes e por mais que estes pilotos sejam vedetas nunca irão atingir o patamar de mitos como Ayrton Senna, Alain Prost, Nélson Piquet ou até Mikka Hakkinen. Continuando no mundo das corridas, que curiosamente devo dizer que agora até nem me interessam, recordo-me também com bastante saudade dos Paris-Dakar, que aconteciam nos princípios do ano e que nos aqueciam o Inverno, por vermos os carros a atravessar os desertos escaldantes.

Outras memórias que me ficam são os dias passados na praia, em que nada tinhamos com que nos preocupar, tudo aparecia feito como que por magia dentro de uma arca azul e laranja que depois o meu pai carregava para a praia. Que bem que nos sabia, depois de corridas, mergulhos, buracos, castelos na areia e sermos enterrados até ao pescoço, aquelas sandes de alface com afiambrado, porque naquela altura o fiambre era a preços proibitivos, e as pequenas madalenas da DanCake, que pareciam pequenos barquinhos...

Por falar em comida, outra das memórias doces que tenho são os lanches que a minha mãe nos fazia. Simples, porém deliciosos. Leite com café de cevada e uma boa fatia de pão de Mafra com manteiga. Sabia pela vida e não havia Bollycao que tivesse comparação.

Mas estas são memórias mais infantis. Crescendo e evoluindo fui também guardando outras memórias que me alimentam a alma. Como esquecer o pôr-do-sol cor de laranja que banhava a sala de estar da casa onde morava a namorada, que viria a ser a minha mulher e mãe dos meus filhos.

Era um pôr-do-sol de Verão que nos banhava o rosto e do qual sentíamos aquele calorzinho agradável que só nos toca na face e em volta dos lábios. Almada, aquele deserto na margem Sul, passou para mim a significar o verdadeiro começo da vida, pois esse pôr-do-sol era ali que pertencia.

Da minha filha mais nova ainda não tenho memórias suficientemente distantes das quais possa sentir saudades, mas do meu filho de 4 anos posso dizer que já tenho várias. Uma das mais queridas é de umas férias que fomos fazer a Nerja, uma cidade no litoral de Málaga, onde foi gravada a série "Verão Azul". Foi aliás por causa disso que decidimos lá ir. A verdade é que o meu filho tinha quase 2 anos na altura, mas foi (e é) uma companhia tão prazerosa para os pais, que fez com que essas férias fossem de facto bestiais. Cheguei a andar com ele horas às cavalitas, em abafadas temperaturas de 39º e 40º, e suei as estopinhas, mas foi magnífico e tenho imensas saudades.

Depois há memórias que tenho com os irmãos mais novos, que em parte já ajudei a criar, e que não voltam mais. Olhar para pessoas de 30 anos a quem dei banho e mudei fraldas (sim, naquela altura os irmãos mais velhos cuidavam dos mais novos) faz-me gostar muito mais de tudo o que já vivi e de que me lembro, do que daquilo que por ai há-de vir e que não faço ideia do que seja. Vontades tenho muitas, desejos também, mas não sei se duro até amanhã e por isso só me quero preocupar o estritamente necessário, no que ao futuro diz respeito.

E vocês, são saudosistas, não ligam nenhuma ao passado e anseiam pelo futuro, ou gostam do abraço confortável que as memórias vos trazem? 

27
Jan22

Lei do menor esforço


Pacotinhos de Noção

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Existem várias categorias de leis. Existem as conhecidas leis judiciais, existe a lei de Lavoisier, a de Newton e até a de Murphy, mas todas elas são leis muito fraquinhas quando se deparam com a grandiosa Lei do Menor Esforço, que tem ganho adeptos diariamente e que são acérrimos defensores da mesma e colocando-a em prática contra tudo e contra todos.

É uma lei de uso fácil e à qual rapidamente nos adaptamos, mas não é inócua ou inofensiva porque para que alguém a possa usar há quase sempre o reverso da medalha que é o de existir que saia de alguma forma prejudicado. Mas vamos aos exemplos propriamente ditos, para que assim me consiga explicar melhor.

Recebo com frequência encomendas. Visto que durante o dia não estou em casa utilizo o endereço da minha mãe que vive num primeiro andar sem elevador, mas que sendo numa vivenda não fica assim tão alto.

Aconteceu-me já, não apenas por duas ou três vezes, que o tipo da transportadora, ou dos CTT, me telefone quando está quase a chegar ao destino, para informar que vai fazer a entrega e solicitando que desça até ao portão para vir buscar a encomenda, para que ele assim não leve tempo a subir as escadas, pedido este que rejeitei sempre por dois motivos. Primeiro porque me parece que custara muito menos a um "galalau" de vinte /trinta anos, a subir as escadas e depois descer, do que uma senhora de 65 a descer para depois ter que subir. Segundo porque, quando se paga a uma transportadora para ser feita a entrega da encomenda, não se paga até ao portão ou porta do prédio, mas sim para fazer a entrega na mão do cliente.

Receando estar a ser injusto ainda me passou pela cabeça se o indivíduo sofreria de mobilidade reduzida. Nunca se sabe, a empresa poderia estar a tentar ser inclusiva e ter contratado alguém de cadeira de rodas, e quando lhe perguntei isso mesmo obtive a resposta -"Não senhor, vou de carro".

Sim, pelos vistos os CTT são inclusivos, mas não com quem tenha mobilidade reduzida, mas antes com mentalidade reduzida. E só isso justifica a enorme lata, que alguém que despenhando as suas funções laborais, peça ao cliente que faça parte do seu trabalho. Mal comparado é como ir ao café, pedir uma bica e o funcionário dizer para me servir "porque a máquina está já ali".

Já não concordava com a recente moda dos super e hipermercados de terem caixas consideradas expresso, em que é o cliente que tem que fazer todo o serviço. Depois de começar a pagar pelo saco, para ajudar o ambiente, agora também trabalho como caixa para poder ajudar a empresa a poupar em funcionários, pagando assim menos  ordenados. Ainda por cima aquilo nem é verdadeiramente expresso porque, ou sou eu que tenho muito azar ou então nem sei, é invariavelmente apanho sempre uma velha à minha frente que não percebe nada daquilo e começa a registar as compras às 10:00 e só acaba a seguir ao almoço. Já para não falar nas vezes que as máquinas ou não reconhecem o código, ou a balança assumiu algo que não devia, ou ficam sem papel... Enfim, vida difícil.

Difícil, difícil é também a vida de alguns agentes imobiliários que tentam usufruir da "Lei do Menor Esforço", mas que não conseguem.

Quantos de vocês já tiveram um agente da Remax a perguntar se conhecem alguém que queira comprar ou vender casa e se, caso conheçam, não lhe ligam e ele depois até vos dá uma comissãozinha?

Comissãozinha não quero, assim como não quero a comichãozinha do nervoso que fico por ter mais alguém que quer que eu faça parte do seu trabalho.

Tudo bem, até me está a aliciar com uma comissão, mas se eu quisesse ganhar comissões a vender casas ia trabalhar para a REMAX. E não vou porquê? Porque não sei fazê-lo.

Ao contrário do que se possa pensar é um trabalho que para ser bemfeito tem muito que se lhe diga, aliás, como grande parte dos trabalhos. Por isso é que há depois  aqueles que o fazem como deve ser e há também os outros, que tentam aplicar a lei do menor esforço tentando que alguém trabalhe por si.

Concluindo tenho uma proposta para os meus amigos.

Iniciei agora um apaixonante trabalho de limpeza premium de retretes.

Gosto muito e nasci para isto, mas gostava de saber quem dos senhores sabe manejar com mestria um piaçaba. Quem souber que diga algo, que preciso de uma mãozinha.

25
Jan22

Esta doença tem que acabar


Pacotinhos de Noção

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Na tarde de Domingo resolvi ver o filme "Boy Erased".

É um filme de 2018 e que acaba por ser uma biografia de Garrard Conley cujo livro, que conta a sua história pessoal, serviu de base para a adaptação ao cinema.

Jared Eamons é um rapaz de 17/18 anos, filho de um conservador pastor da Igreja Baptista que, aquando da sua ingressão na faculdade, acaba por ter um fugaz relacionamento com um colega.

Não descobriu nessa altura que era homossexual, pois no seu âmago já o sabia, mas sempre resistira aos seus impulsos, amedrontado por aquilo que a sociedade e os seus pais poderiam pensar.

Por motivos que acabam por ser agora secundários, esse rapaz com que Jared se envolveu, liga aos pais conservadores do protagonista desta história e conta-lhes acerca da homossexualidade do filho.

O pai (Russell Crowe) e a mãe (Nicole Kidman) decidem "institucionalizar" o próprio filho numa espécie de casa de correcção católica, para jovens que sofrem da nefasta doença que é a homossexualidade. 

A partir daqui o filme segue o seu caminho e não vos vou contar o final, até porque este texto não serve propriamente para falar acerca do mesmo e sim da doença presente em todo o filme, e que penso que deveria ser tratada rapidamente, sob pena de conspurcar e derrubar a nossa sociedade, até porque essa enfermidade está cada vez mais enraizada e somos constantemente atacados por ela e membros que nos serão próximos, alguns até familiares, começam a "dar ares" de que já a podem ter entranhada em todos os poros do seu corpo.

Nesta fase devo estar a induzir em erro quem me lê, porque a doença a que me refiro não é a da homossexualidade, que essa julgo que a Organização Mundial de Saúde não classificou como sendo uma doença ou condição, mas mesmo que fosse não viria daqui nenhum mal ao Mundo, pois não incomoda ninguém, ou pelo menos não deveria incomodar.

Se incomodar porventura, então significa que os incomodados sofrem da tal doença sobre a qual quero realmente falar, e que é uma que se apresenta com imensos sintomas, que passo a enumerar para que, caso os tenham, se sintam mal... Muito mal.

Sintomas como a intolerância, a idiotice, a imbecilidade, a alarvidade, a estupidez,  a arrogância e a prepotência são resultados de um mal maior e que é a IGNORÂNCIA.

Digo-vos já que não é vírus nem bactéria, mas têm um índice de transmissibilidade com valores muito acima da média de tudo aquilo que já se viu. Também não é nada de novo, mas ganha força ocasionalmente. Uma das suas características é por vezes se conseguir disfarçar de PREOCUPAÇÃO COM O BEM ESTAR DE ALGUÉM ou de SÓ QUEREMOS O MELHOR PARA TI.

Estamos em 2021, 21 anos a mais do que aqueles que deveríamos viver, dado que o Mundo iria acabar no ano 2000, se bem se recordam, mas não acabou e 21 anos após a virada do milénio constato que de facto a evolução é uma suposta verdade conveniente, muito difundida, mas que me parece que serve apenas para camuflar outra verdade, muito inconveniente que é a de que no essencial continuamos a ser uns acéfalos e atrasados que julgam que podem definir como, quando ou quem uma pessoa pode amar. 

No caso desta história, que vos recordo ser real, os pais tentaram mudar aquilo que o filho sentia. Na instituição onde o colocaram, houve até um rapaz que se a suicidou porque interiorizou que o facto de gostar de pessoas do mesmo sexo, e não o conseguir mudar, era grave o suficiente para não poder continuar a viver.

Existe quem defenda que não se morre por amor. Eu discordo, acho mesmo que se pode morrer por amor, mas só acho, não tenho a certeza completa. Já morrer por falta de amor sei que sim, é possível morrer e o mais certo é que aconteça. Seja o amor de um homem, de uma mulher, de familiares ou amigos, se não houver então o destino estará traçado.

Esta não é uma realidade ficcional, é uma realidade que deu em livro que se transformou num filme, mas gostava que tivessem presente que existem vários estados norte-americanos onde os homossexuais são pessoas consideradas secundárias e existe até um país enorme onde nele inteiro ser homossexual ainda não é um crime, mas é proibido e que é a Rússia de Putin.

15
Jan22

Che Guevaras de pelúcia


Pacotinhos de Noção

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É sabido que as modas chegam a Portugal um tanto ou quanto atrasadas, mesmo aquelas que são atrasadas.

Nos E.U.A, há uns anos, alguns iluminados lembraram-se de começar a sair à rua de pijama, começou a procurar-se uma justificação para o facto e teorias apareceram mais que muitas. Que seria uma forma de protesto contra a imposição da expressão do estatuto baseando-se na roupa e no quão cara seria a roupa, uma forma de protesto contra uma sociedade opressora que nos obriga a respeitar determinados conceitos pré-definidos, um deles a forma de vestir, etc.

A verdade é que após longas investigações, realizadas² por organizações tão conhecidas como a Faculdade do Não Interessa de Massachuchas, ou o Centro de Investigação de Coisas Importantes Comó Caraças, no Estado dos Orégãos, a conclusão a que se chegou foi a de que, por mais elaboradas que sejam as justificações, a mais plausível será a de que as pessoas começaram a usar pijamas nas ruas porque são preguiçosas, desleixadas, porcas e sem o mínimo de conceito de saber viver sociedade.

"Mas qual o mal de andar de pijama na rua?!" — perguntarão alguns de vocês.

Tenho pena que o façam e respondo-vos já que não há mal nenhum, assim como não há mal nenhum em mastigar de boca aberta, arrotar na cara dos outros ou soltar gases num elevador pejado de gente. Mal não há, mostra, contudo que se marimbam para a sociedade em que vivem, desrespeitando como ela naturalmente se foi estruturado.

Andar de pijama na rua é como coçar o rabo e depois cheirar, deixar crescer a unha do mindinho para mais tarde usar como palito, usar um penico e despejar pela janela gritando "água vai". Se não temos estas práticas porque é que temos que adoptar outras que são igualmente porcas?

Podem dizer-me que o pijama que alguém usa na rua é, na verdade, limpinho, que a pessoa o usa como uma peça de roupa normal e que até demorou a montar o visual para sair à rua.

Se assim for então desvirtua o movimento norte-americano, em que muitos diziam usarem⁵ o pijama precisamente porque assim acordavam e podiam logo sair à rua sem a preocupação de trocar de roupa.

Quem já se deparou com um destes importadores de modas bacocas, decerto há de ter reparado que o único senão destes tipos nem é só o pijama. Há todo um conjunto de aspecto badalhoco, o uso de chinelos de quarto que estão tão porcos como a boca de uma sarjeta e é também usual estas pessoas terem um aspecto que demonstra claramente que são contra o uso de pastas dentífricas, champô e sabonetes.

Factualmente andarem assim vestidos na rua não me deveria afectar assim tanto, mas tenho que admitir que cenas destas tiram-me do sério e deixam-me enervado.

Vestirem-se deste modo apenas para afrontar deixa claramente em aberto todas as outras situações em que poderão enfrentar autoridades, sejam elas sociais, polícias ou até familiares, apenas porque podem e, porque julgam que assim estarão a ser uns autênticos revolucionários, uns Che Guevaras de pelúcia.

Aquilo que me deixa mais perplexo é que estas pessoas optam sempre pelo caminho mais confortável, e não digo que estejam confortáveis porque estão de pijama, não. Estão confortáveis porque põem em prática a lei do menor esforço.

É que em vez de escolherem esta moda desleixada de andar de pijama, poderiam ter escolhido a resolução de que passariam a andar lavadinhos, impecáveis e aprumadinhos, organizados e responsáveis... Mas isso dá muito trabalho e não causa tanto impacto.

12
Jan22

O Parque das Gerações não pode acabar


Pacotinhos de Noção

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O texto de hoje refere-se a um acontecimento que decorre na área onde resido e, como tal, poderá parecer a alguns, um texto algo bairrista, mas não o é porque este exemplo coloca a nu muito daquilo que se passa por todo o país e como é cada vez mais difícil considerar promessas e convicções vomitadas por quem nos governa.

Este também não é um post político, é um post de apelo, de divulgação e de certa forma de revolta. Vamos então a isto.

Em Setembro de 2013 nascia em S.João do Estoril, naquele que outrora era apenas um descampado junto ao Centro de Saúde, que servia maioritariamente como ponto de descargas de entulho clandestino, um skatepark baptizado como "Parque das Gerações". Não sou adepto de skate, patins nem nenhuma das actividades possíveis de se fazer naquele recinto, mas sou completamente a favor de todas as infraestruturas que tenham como objectivo o convívio, a prática do desporto e o incentivo a que miúdos, e até mais graúdos, possam preencher os seus tempos livres com algo que lhes seja salutar e prazeroso.

O Parque das Gerações foi, sem sombra de dúvida, uma aposta ganha por Carlos Carreiras e a Câmara Municipal de Cascais (CMC). Aproveitou um espaço feio e inútil em algo que dinamizou a área envolvente, embelezou o local e colocou S.João do Estoril até nos mapas dos outros países, pois já vários campeonatos internacionais foram disputados neste parque. Resta dizer que a feliz ideia deste Parque das Gerações saiu da cabeça de Pedro Coriel, que em boa hora apresentou o projecto à Câmara.

Tudo corria bem e há que admitir não haver grandes pontos negativos a apontar ao Parque das Gerações e a tudo o que o mesmo gerou, até que Pedro Coriel, que pelos vistos não é só boas ideias mas também alguém que sabe como se manter informado

Deslindou que a CMC e a Infraestruturas de Portugal, se preparavam para dar início à construção de um parque urbano e que, inerente ao mesmo, estaria a construção de uma via, denominada Circular Nascente, que passaria precisamente pelos terrenos onde está o Parque das Gerações, destruindo assim por completo aquilo que foi feito e que em cerca de 9 anos consegui já construir uma mística e uma fama, até internacional, e que tanta falta faz a quem por lá passou, passa e passará.

A justificação para esta decisão é a de eliminar a passagem de nível de S.João do Estoril, tendo como fim evitar os atropelamentos...

Na minha opinião, que vale o que vale, mas que a darei dado que este texto é meu, este argumento é imbecil e não tem em consideração todos os prós e os contras do encerramento da passagem de nível.

Para quem não conhece a passagem desde já explico que existe cancela, sinal sonoro, sinal luminoso e visibilidade mais que suficiente. Aquilo que não existe, e que ainda não foi inventado, foi um sistema infalível para evitar que idiotas se comportem como idiotas. Dos últimos atropelamentos posso afirmar com 100% de certezas que se estas pessoas não fossem atropeladas por um comboio sê-lo-iam por um autocarro, um carro, uma mota ou um burro de carga.

Uma das vítimas não foi atropelada na passagem de nível. Era um toxicodependente da zona que decidiu pôr termino à vida e fê-lo a cerca de 800 metros de distância da passagem de nível. Outro dos casos foi uma idosa de cerca de 80 anos que pensou ser atleta e tentou correr para atravessar à frente do comboio. Não conseguiu. Outro caso foi um rapaz que teve o mesmo pensamento da idosa, mas ia de bicicleta. Ele passou, a roda da bicicleta não e o comboio bateu foi na roda da bicicleta, projectando-o.

Em S.Pedro do Estoril caíram no erro de fechar a passagem. Mataram uma das partes que ficou mais isolada. Os negócios sucumbiram e até um pequeno Centro Comercial que ali existe ficou às moscas. Não é o interesse comercial que aqui defendo e sim as famílias que se viram em situações de apertos económicos e desempregadas devido à má opção. Os atropelamentos continuam a acontecer porque há sempre quem salte muros e gradeamentos ou que tente passar de uma gare para a outra pela linha, em vez de descer os túneis. Como disse, idiotas serão sempre idiotas e não há infraestruturas que consigam vencer um idiota.

Quando Pedro Coriel lançou esta desconfiança o Polígrafo investigou a situação e deu-a como falsa.

A verdade é que agora, cerca de um ano depois, a CMC acabou por fazer uma alteração de proposta do PDM para efectivamente ser feita a construção da maldita estrada que vai destruir o parque.

Devo dizer que Carlos Carreiras está no seu último mandato e fez algumas coisas boas por Cascais e outras péssimas. Nestes últimos tempos Cascais voltou aos anos 90 e é de novo um enorme estaleiro de obras e parece que assim vai continuar.

Num último mandato existir uma necessidade de se fazer obras e mais obras, algumas delas que poderão até a vir a ter uma ou outra derrapagem orçamental, é uma prática que nos deixa a todos com "a pulga atrás da orelha" e algo que também incomoda é o silêncio que se faz sentir quer por parte da CMC e do seu próprio presidente, para esclarecer se esta situação se vai manter porque valores mais altos se levantam, ou se vão ponderar uma alternativa que não mate o Parque das Gerações, não divida S.João em dois e que não deixe no ar um leve aroma de suspeição.

Gostaria que pessoas que vivem ou viveram na zona, como Madjer, Bárbara Norton de Matos, Luciana Abreu, Rita Guerra, Liliana Campos, Carlos Xavier,  e tantos outros, divulgassem esta situação para que a CMC se veja obrigada a pelo menos responder a quem tão bem usa o Parque das Gerações e que deu início a uma forte corrente de contestação e que faz o que pode para obter respostas. Não deixem esta malta lutar sozinha, são ainda muito novos e são o futuro do nosso país, terem a ajuda necessária fará com que percebam que ser parte activa na sociedade poderá fazer com que a mesma mude para melhor.

Força a estes pequenos lutadores e força para que o Parque das Gerações continue por cá muitos e bons anos.

10
Jan22

O tamanho não importa


Pacotinhos de Noção

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Nos debates de ontem a grande questão foi o tamanho do programa do André Ventura.

Devo dizer estar à espera de mais. Um tipo tão cheio de si, tão gabarolas e depois vai-se a ver e tem um micro programa.

Não sei que carro é que o Andrézinho terá parado à porta, mas estou em crer que não será um Mercedes, porque ele não é cigano nem recebe o RSI, mas a avaliar pelo pequeno tamanho do seu programa, terá que ser de grande cilindrada. Afinal de contas todos sabemos que um grande carrão mais não é do que um programa político com rodas, para andar na estrada e fazer os eleitores olharem e quererem dar uma voltinha.

07
Jan22

Serão fracas as forças de segurança?


Pacotinhos de Noção

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Qual a semelhança entre o caso dos GNR, que humilharam e torturaram os imigrantes em Odemira, e o recente caso do Polícia Municipal que foi agredido em Lisboa?

A semelhança é porque ambos aconteceram graças à sensação de impunidade que impera actualmente.

À “posteriori” pode até ser que essa impunidade não se verifique, mas o que trama tudo é o "pode ser".

Não é líquido que quem cometa um crime, ou uma qualquer prevaricação, seja punido. Estes casos servem como prova disso mesmo, mas, numa vertente mais bairrista, posso referir-me aos badalhocos que riscam as paredes, riscos esses a que chamam "tags".

No município onde moro é usual ver funcionários camarários a limpar e a pintar, para fazer desaparecer esses rabiscos feitos por tipos cro-magnons, mas é certinho que passados dois ou três dias está tudo esborratado novamente, porque sabem que nada lhes acontecerá. E nem digo que deviam ser presos, que a prisão é para quem dela realmente precisa, mas pelo menos todas as custas de limpeza urbanística, que fosse necessária como consequência dos seus traços mal elaborados, deveriam ser impostas a quem os fez.

Voltando ao tipo que agrediu o agente da Polícia Municipal.

 É muito curioso que o indivíduo seja já conhecido das forças de segurança. Não foi a primeira vez que pôs em prática esta brincadeira e, ou muito me engano, mas não será a última, e é isto que deveria ser evitado. Esta besta não pode sentir que agredir uma força de segurança é algo que não se pague caro.

Todos nos perguntámos o porquê do polícia não ter reagido de maneira mais física, e eu respondo porquê. Porque não podia.

Se o polícia tivesse tido a feliz ideia de colocar o estupor que o agredia a coxear para o resto da vida, haveriam de aparecer os defensores de toda aquela sociedade marginal, para quem as regras foram feitas para se quebrar, a pedir a caveira do polícia. Estavam várias pessoas a filmar, nenhuma interveio, mas se tivesse sido sacada uma arma e disparado um tiro, mesmo que para o ar, o polícia ia meter-se numa carga de trabalhos, e ser acusado de uso excessivo de força ou de abuso de autoridade.

Isto traz também à discussão a falta de preparação das forças policiais.

Bem sei que uma polícia municipal é um órgão de segurança cuja principal função é a de passarem multas de estacionamento, e peço desculpa esta fraca caracterização, que sendo fraca é real, mas não é por isso que deixa de ser uma autoridade.

Devo também dizer que ambas as situações que envolvem forças de autoridade são consequências das fracas estratégias de recrutamento e até formação dessas forças.

Os GNR humilhadores não podiam nunca ter chegado a ser GNR. Para fazerem da Guarda profissão, significa que falharam os testes de admissão, falharam as entrevistas, falharam os colegas, falharam os superiores hierárquicos e falha todo um Estado, que pagando pouquíssimo às suas forças de segurança, não atrai pessoas com mais capacidades, ficando assim os lugares vagos para aqueles que quando eram miúdos eram os conflituosos, os cábulas, os putos "gangster", a quem diziam que nunca seriam nada na vida, mas que afinal de contas até chegaram à GNR.

Continuam a ser uns nadas, mas aos menos são uns nadas fardados e com capacidade de humilhar os mais fracos.

 

05
Jan22

ELES


Pacotinhos de Noção

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Eles andam aí, eles querem é poleiro, eles querem injectar-nos um chip, eles comem tudo e não deixam nada.

Quem são eles, o que pretendem e se falamos tanto n'eles porque é que não os definimos concretamente?

Referiremo-nos a "ELES" acaba por ser quase como falar em meteorologia ou fazer conversa de elevador porque na realidade não quer dizer nada. É uma entidade própria que não existe, mas que nos serve de bengala para quando não temos grande coisa a dizer.

É uma táctica usada desde sempre e ganha maior força quando se aproximam eleições ou quando a população está um tanto ou quanto desiludida com quem os governa. Com a situação deste vírus chato e da vacinação o "ELES" ganhou ainda mais força, quando são referidos os safadões que se importam tanto com o meu quotidiano que iniciaram até um plano muito elaborado para me injectarem um chip no braço.

Se injetaram ou não, não sei, mas se o fizeram então já estão informados de quantas manias eu tenho, daquilo que gosto de comer e quanto papel higiénico gasto quando vou à casa de banho. O que irão ELES fazer com toda essa valiosa informação, é algo que gostaria de saber, mas se a quiserem aplicar numa qualquer situação, em que me sirvam de mordomo, por exemplo, vejo com bons olhos. Não me importava nada de ter o meu próprio Ambrósio.

Evito cair no erro de afirmar que manias de perseguição e teorias da conspiração são características específicas dos portugueses, mas é um facto de que são algo que está na moda. Reparem que agora a Terra afinal é plana. Andou o Galileu a queimar pestana para conseguir provar que estamos afinal  nós num enorme berlinde e aparecem as almas iluminadas que dizem que ELES nos andaram sempre a enganar, e que afinal a Terra é toda uma enorme planície.

Podemos refutar, afirmando que da Lua se comprova que a Terra é redonda, mas isto só se formos uns verdadeiros tansos, porque "como podemos nós cair noutra treta que ELES inventaram e que é a de o Homem ter ido à Lua. Porque se o Homem já tivesse ido à Lua, porque é que não voltou a ir?"

Eu queria responder que o Homem não voltou porque segue a velha máxima do "Não voltes a um lugar onde já foste feliz", mas o maldito pragmatismo leva-me a supor que esta expedição não voltou a estar nos planos do Homem apenas e só porque já foi feita, já foi riscada da lista e os gastos exorbitantes que uma viagem destas acarreta, não permitem que se ande a visitar a Lua assim como quem vai à Brasileira, beber uma bica e comer um pastelinho de nata.

Ainda por cima, que se saiba, a Lua não é como a Índia, por exemplo, em que se tentou várias vezes a descoberta do caminho marítimo, não por divertimento ou simples casmurrice, mas apenas porque compensava muito ter uma forma que fosse mais rápida e segura de lá chegar, precisamente para usufruir dos materiais valiosos que o país tinha para oferecer. Ora que eu saiba na Lua não há canela, cominhos, açafrão ou caril. Ou haverá?

Se a Lua nada tem para oferecer, além da sua beleza, da sua atracção com a Terra, o que a faz influenciadora de marés, e da luz, que até pede emprestada ao Sol, então não há necessidade de lá ir gastar "gasoil", que está a 1,70 €/litro.

Quando era mais novo e inocente, de cada vez que me deparava com um qualquer conspiracionista, achava imensa piada. Não pelo facto dele ser conspiracionista, mas sim porque pensava que ou era brincadeira, ou então pura parvoíce. Com o passar dos anos reparei que não, que eles acreditavam mesmo nas várias idiotices que defendiam e ficavam até muito ofendidos com quem com eles não compartilhavam a opinião, mas isso era-me, muito sinceramente, completamente indiferente porque os conspiracionistas lá estavam, metidos debaixo da sua rocha, a jogar computador, a comer pacotes de bolachas e a namorar pela internet com outros rapazes que fingiam ser meninas.

A coisa começa a piar mais fino depois, com o surgimento das redes sociais e o uso quase generalizado pela população.

Não é que as teorias tenham ganho mais força, o que acontece é que foi montado um esquema de pirâmide impressionante em que um maluco atrai dois malucos, dois malucos atraem quatro, quatro atraem oito e assim sucessivamente, fazendo com que aquilo que era apenas um maluquinho se tenha transformado em muitos maluquinhos. 

Dirão os meus caros leitores — "Ah e tal, mas aos maluquinhos é deixá-los a falarem sozinhos"- e eu até concordo com isso, mas nós vivemos em sociedade e estamos no meio desses maluquinhos e os maluquinhos são como as galinhas. O cacarejo de uma galinha, no mesmo sítio que nós, pode incomodar um bocadinho, mas é possível suportar, agora metam-se dentro de um aviário cheio de galinhas a cacarejar... É UM INFERNO! 

Estão ali e o cérebro quase não tem função, mas todas juntas fazem um ruído tão grande que é de uma pessoa dar em doida.

04
Jan22

Debates são mais que as mães


Pacotinhos de Noção

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Falta pouco tempo para as eleições e se existe desta vez algo de que não nos podemos queixar é da falta de debates.

Vão acontecer cerca de 30. Não sei se os vou conseguir acompanhar a todos, mas aos dois primeiros fiz questão de ver e já cheguei a uma primeira conclusão. Estamos lixados. Tendo em consideração o que vi, a melhor análise é esta. Não sei se o Público ou o Expresso querem pegar na minha válida afirmação, mas é o que me apraz dizer.

No embate entre António Costa e Rui Tavares do LIVRE, tivemos oportunidade de ver quase um ritual de acasalamento, em que o fundador do LIVRE era o macho, de orgulho ferido, e António Costa era a fêmea difícil e que não se sente convencida com o que o espécime masculino tem para lhe oferecer.

Rui Tavares corre atrás do prejuízo. Nas últimas eleições conseguiu eleger um deputado, feito meritório e poderia até alavancar o partido de forma a um dia almejar ser uma força política a ter em conta, mas deram vários tiros no pé.

O primeiro foi a escolha de quem os representaria.

Pelos visto no partido não fazem testes psicotécnicos e escolheram Joacine Katar Moreira, que nos testes, claramente, não passaria na parte do "psico". 

Depois apalhaçaram a sua representatividade no Parlamento, com a história provocatória do assessor de Joacine, que decidiu ir de saia para o hemiciclo, o que me chocou e a tantas outras pessoas.

Em relação às outras pessoas, não posso saber o que as chocou, em relação a mim, posso dizer que o choque não esteve na saia, mas na fraca escolha de uma saia plissada comprida, azul escura, conjugada com umas meias verdes de cano médio. Não combina, não faz sentido e só por isto o lugar deveria ter sido posto à disposição. Se queremos marcar impacto, ao menos que se marque com estilo, mas não marcou. Aquilo que transpareceu foi claramente o uso de saia, não como indumentária usual, mas apenas usada como acessório que pretendia ser disruptivo em relação à maneira de vestir dos deputados. Ora num parlamento em que nos devíamos preocupar mais com a índole dos intervenientes, do que com a farpela que envergam, a atitude foi só parva.

Parvo foi também, mais uma vez, Rui Tavares, que escolheu alguém difícil de controlar, não por ser de forte convicções, mas sim por ter fortes convulsões de linguagem, dizendo tudo como os malucos, e de forma mais alucinada do que os próprios malucos, e perante tal volatilidade o historiador decidiu retirar o apoio político a Joacine.

Para ela tanto lhe vez, o lugar dela estava guardado, mas a verdade é que a representatividade do partido acabou e já muitos se esqueceram que o LIVRE existe.

Isto justifica a apatia de António Costa, no qu diz respeito ao adversário que tinha no debate. Preferiu ignorar as investidas de Tavares, que fez quase juras de amor, desde que pudesse fazer parte de uma nova Geringonça, mas António Costa não lhe fez caso. Devo até dizer que foi indelicado e mal-educado, ignorando o oponente que ali tinha e aproveitando para mandar recados a Rui Rio, fazendo propaganda política barata.

O outro debate colocou frente a frente Catarina Martins e André Ventura.

É devido a debates como este que depois, pessoas com um bocadinho menos de clarividência, optam por votar CHEGA.

Catarina Martins foi insossa, monocórdica, secante e bastante desagradável.

Referiu-se várias vezes ao adversário como o candidato da extrema-direita, o partido da extrema-direita, a extrema-direita isto, a extrema-direita aquilo, ignorando que o BE também pode ser conotado como partido de extrema-esquerda, mas que não se referem assim ao mesmo porque é deselegante.

Bem sei que o alvo da deselegância é André Ventura e o CHEGA, mas haver a mínima hipótese de fazer estes dois elementos passarem por coitadinhos, que é uma das formas fáceis de ganhar votos, é estar a entregar o ouro ao bandido.

A líder do BE falou, acusou e foi populista. Parecia a narradora de uma história para crianças e quis fazer crer que o Lobo Mau estava à sua frente sendo que ela seria o caçador que o ia esventrar, mas a verdade é que se pareceu mais com a avozinha débil que se deixou abocanhar, pois lançou atoardas que foram de fácil resolução para André Ventura, dando-lhe até deixas importantes para poder ele lançar assuntos menos claros e esclarecidos por parte do BE, como o caso Robles, por exemplo, e que Catarina Martins não justificou.

Várias vezes a líder esquerdista foi também apanhada em falso, lançando dados para a mesa que demonstraram não ser correctos, mais concretamente no que diz respeito a propostas no parlamento contra a corrupção, que o doido adepto de Viktor Orban rapidamente tratou de desmentir com factos.

A verdade é só uma, André Ventura ganhou este debate, e isto para a democracia é perigoso. Não podemos fazer quase nada, por a democracia ser isto mesmo, temos que dar voz a todas as facções, desde que não sejam criminosas, por mais idiotas que nos possam parecer, mas cair no erro de tentar usar as mesmas armas que eles é assinar a própria sentença.

Catarina Martins tentou ser populista, até citou várias vezes, diga-se que de forma ridícula e bacoca, o Papa, mas não deixou nunca o adversário sem palavras e em situação menos confortável, já ela escondeu-se por detrás de um discurso com bastante aparência de falso e muito mal ensaiado.

Temo que a continuar assim, o CHEGA vá conseguir conquistar votos a todos aqueles que estão ainda indecisos, desiludidos ou indignados.

Quero assistir ao debate de hoje entre Rui Rio e André Ventura e tenho curiosidade em ver como se sai João Cotrim de Figueiredo nos debates, mas como é óbvio não irei analisar todos os debates, para não vos causar fastio.

Como reparam aqui é possível analisar o Big Brother Famosos, as eleições e assuntos em geral. Isto porque burro não é o que vê o Big Brother, nem inteligente é o que lê Maquiavel. Inteligente é quem vê Big Brother e pesquisa quem é Maquiavel no Google.

E depois desta minha demonstração de superioridade intelectual despeço-me cheio de arrogância e amizade.

02
Jan22

Retrospectiva do ano de 2022


Pacotinhos de Noção

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Fartei-me de ver retrospectivas do ano de 2021 e tenho que dizer que me deitaram um pouco abaixo. Vi tanta gente a dizer que foi um ano podre, com confinamentos, teletrabalhos, trabalhar até mais não, para recuperar o tempo perdido, e imenso stress por estar com os putos em casa e afinal não. Parece que fui dos poucos a ter um ano ranhoso, tendo em consideração os desfiles de belas retrospectivas, cheias de brilhantismos, férias magníficas e festas maravilhosas.

Curiosamente, nas várias memórias anuais que me passaram pelas vistas, não vi imagens de cartões de vacinação ou mesmo da própria vacinação. Com tanta foto do género que se foi vendo, pensei que não iam falhar.

Mas não é do ano que acabou agora que vos quero falar e sim daquele que daqui a um ano se findará. Quero ser diferente, e fazer desde já a minha retrospectiva, para ser o primeiro a acertar nalgumas previsões que tenho. Anotem num "post it", e ao longo do ano vão confirmando se acertei ou se errei.

Transportemo-nos então para o final de ano de 2022 e analisemos o ano.

Começamos por aquilo que aconteceu logo em Janeiro e que foram as eleições.

António Costa venceu. Sem maioria absoluta, mas conseguiu construir Governo com uma nova Geringonça.

Não com o PSD, como se poderia pensar, mas com BE e PCP, que inviabilizaram o Orçamento de Estado, mas que alegaram depois que o país não podia ficar refém de lutas políticas e que o PS até recuou nalgumas propostas que anteriormente não aceitaram.

O PS não ganhou por ser o melhor, ganhou por os portugueses serem do piorio.

Saídas na passagem de ano tudo bem, mesmo contra as indicações das autoridades de saúde, mas ir votar foi coisa que nem pensar. "Havia o COVID e o que os gajos querem todos é poleiro".

Não sei se todos querem poleiro ou não, aquilo que sei é que o poleiro onde estes estão fica mesmo por cima das nossas cabeças e eles não têm nenhum pudor em aliviar as suas imensas cloacas, usando-nos como penicos, e tem sido assim já há imensos anos, pelo que a mudança seria essencial. Mas não aconteceu, e agora estamos de bolsos vazios, continuamos a servir de penico e ainda pagamos por isso. E pagamos bem, que a bazuca teimou em não chegar, ou chegou, mas ninguém nos avisou e acabámos por não ver um tostão.

Em relação à política estamos, para já, conversados, pois ao que me parece isto será o que de mais relevante aconteceu.

Agora desporto.

Vou dar uma novidade, que talvez vos custe a crer, mas o Benfica não foi campeão, com muita pena minha.

Na segunda metade do ano estão em primeiro lugar, com Marco Silva como treinador, mas o ano passado ficou perdido e o Sporting foi bicampeão. Sérgio Conceição foi corrido do FC do Porto e agora está lá Jorge Jesus.

Em relação ao COVID vamos tendo estirpes contínuas, mas vão ficando cada vez mais fracas. As medidas do Governo deixaram de se fazer sentir com tanta força, por duas razões. Ganharam as eleições e depois chegou o Verão, o nosso salvador.

Ia-me esquecendo da política internacional.

Nesta questão voltaram dois fantasmas do passado. Lula da Silva, no Brasil e Donald Trump, que já prepara o terreno para as eleições de 2024. Nestes casos o rio passa duas vezes debaixo da mesma ponte.

E pronto, resta-nos agora esperar que 2023 seja melhor que 2022, assim como vamos sempre esperando de ano para ano, porque a esperança é sempre a última a morrer.

Curioso, até hoje ainda não vi ninguém lamentar que determinado ano tenha acabado, e que por lhe ter corrido demasiado bem, gostaria até de mantê-lo "ad eternum".

Já eu, depois desta incursão pelo futuro, posso dizer que houve um ano que gostei particularmente e que gostaria que não tivesse parado, e ficaria lá eternamente. O de 2005. Porquê? Já vos dei a conhecer o futuro, não vos vou contar sobre o passado.

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