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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

27
Abr22

Tanta paneleirice e nada funciona


Pacotinhos de Noção

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Vivemos na Era das tecnologias, do 5G, do wireless e do WiFi. O Elon Musk, antes de comprar o Twitter até já andava com vontade de colonizar Marte, e a pergunta que aqui deixo é apenas a seguinte. Se com tanta tecnologia existente eu não consigo abrir a porcaria de uma conta num banco, para que serve esta treta toda?

Fui hoje, à hora do almoço, ao ActivoBank para abrir conta e havia pessoas à espera desde as 10:30 para fazer o mesmo que eu. Desisti e pensei em fazer online. Afinal de contas o ActivoBank foi criado para descomplicar. Perdi um par de horas da minha vida porque a aplicação estava sempre a falhar, e não aceitava a documentação. Liguei para o apoio ao cliente e até conseguir falar com alguém foi outra aventura porque o atendedor automático estava com problemas.

Entretanto, ligaram-me e pediram desculpa, mas como a conta é para a minha mulher, eu deveria desligar e ser ela a fazer a ligação. A verdade é que a minha mulher estava ali junto a mim, e bastava passar-lhe o telefone para dar continuidade ao processo, mas foi-me dito que não, que não poderia ser assim.

Desliguei, o Banco CTT ganhou uma nova cliente.

Mas o principal assunto nem é este.

Hoje o Hospital Garcia da Horta foi alvo de um ataque de pirataria informática. Nos últimos tempos é uma constante, os ataques destes piratas da internet, que não podem ser apelidados de Barbas Negras porque muito provavelmente nem barbas têm. Terão uma pilosidade facial muito rala, que nem poderá ser apelidada de barba, pois para que a barba floresça, há que apanhar um pouco de sol, e a luz emanada pelo ecrã de um computador, não faz a vez do nosso astro maior.

Considero este ataque ao Garcia da Horta gravíssimo. Não pelo facto de poderem ser divulgados os "Papanicolaus" que a Dona Alzira fez, mas, porque sendo este um hospital público deveria estar protegido para que os dados dos utentes estivessem seguros.

Aqui há uns anos andaram empresas a destruir papelada, e à procura de subterfúgios legais para continuar a poder contornar a protecção de dados, e agora, em tão pouco espaço de tempo, uma multinacional como a Vodafone é penetrada na sua segurança, como se uma faca quente cortasse manteiga, e um hospital público, que deveria estar protegido sob a alçada do Estado, vê-se invadido, deixando que os nossos dados sejam corrompidos.

Devo admitir que esta falta de segurança me causa alguma estranheza.

 Então não é que quando adquiri um tarifário para o meu telemóvel, o vendedor impingiu-me uma super protecção de segurança, que não permitia que o meu telemóvel fosse pirateado? Por 0,99 € o meu telemóvel estaria seguro e proteger-me-ia a mim também. Escusado será dizer que aproveitei logo, pois imaginei o meu smartphone a tornar-se num Transformer, caso algum meliante me tentasse assaltar, mas afinal a protecção era apenas para a internet. Mas pronto, ao menos uma pessoa fica protegida, o que me leva a pensar que se compras um pacote com internet no telemóvel, e sugerem-te que pagues mais 0,99 € para te garantirem uma internet segura, não me digam que o Estado não tem 0,99 € para ter a sua net segura também. Se precisarem dou-lhes o contacto do comercial que me tratou do assunto.

Mas resumindo é isto que se passa. Tantos smartphones inteligentes, tantos "web security", "secure net", tantos meios que a tecnologia nos dá, e se fosse tudo na base da caneta e do papel os piratas informáticos, para serem piratas, teriam que aprender a remar. 

Mesmo após se perceber que afinal tipos como o Bill Gates, Elon Musk, e até grandes empresas e instituições não têm capacidade para impedir as violações dos seus espaços, os idiotas dos negacionistas de tudo e mais alguma coisa, vão continuar com as teorias conspirativas de que com as vacinas eles nos injectam chips na corrente sanguínea? Se nem o Kaspersky ou o Avira sabem configurar convenientemente, vão conseguir fazer um nano chip? Por favor...

25
Abr22

O sincero significado do 25 de Abril


Pacotinhos de Noção

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Hoje vão multiplicar-se os textos alusivos, e até comemorativos, do 25 de Abril. Estas minhas palavras, acredito, serão um pouco contracorrente, não como intuito de ser diferente, nem tentando menosprezar o feito conseguido em 1974, nada disso.

Sou nascido na década de 80, quase 10 anos passados da revolução, e quando me comecei a entender como gente, e a ter os chamados "2 dedos de testa", a esses 10 anos já se haviam juntado mais uns poucos, o que significa que liberdade foi apenas o que conheci. Não vou entrar no campo de que aquilo em que vivemos hoje não é bem uma liberdade. Isso é outro tema que não quero agora abordar.

Dado que vivi sempre  em liberdade, o que significa GENUINAMENTE, para mim, o 25 de Abril?

Sem rodeios, sem "rodriguinhos" e sem falsos moralismos... É um feriado. Já abordei este assunto relativamente ao 5 de Outubro e o pensamento é exactamente o mesmo. Como tive a felicidade de não ser castrado nas minhas vivências e no bem-estar do meu dia-a-dia, o 25 de Abril é um feriado, comemorativo de algo importante, mas que só ganha maior importância quando calha numa Quinta, numa Sexta, numa Segunda ou numa Terça-feira, que assim há fins de semana prolongados ou até pontes.

Cada um sente as coisas de diferentes formas, e sei que no meu pouco caso pesa o facto de não ser minimamente nacionalista, mas também custa-me a perceber a inflamação quase revolucionária de gente da minha geração, e até muito mais novos, que sentem o 25 de Abril como se tivessem sido eles a lutar nas guerras do Ultramar ou a terem estado encarcerados no Tarrafal. Sim, sei serem pessoas com o coração perto da boca, que sentem tudo muito mais intensamente do que o comum dos mortais, e a isso se deve o facto de padecerem de uma característica cujo nome em inglês não tem uma tradução simpática, e é o de serem umas enormes "attention whores".

O meu filho de 4 anos, por dia, deve repetir a palavra mãe umas 85303253039 vezes. É uma criancinha em crescimento, e em fase de desenvolvimento, é natural que careça de uma atenção mais especial, mas estes marmanjos, embora não sejam de 74, 84, e se calhar até já nem são de 94, mas são adultos, são homenzinhos, só que a necessidade de atenção deles continua em níveis estratosféricos.

Não sei o que mudou em 74. Adoro ouvir podcasts de história, e até sugiro o "E o Resto é História", da Rádio Observador, com o João Miguel Tavares e o historiador Rui Ramos, e foi neste podcast que fiquei mais familiarizado com aquilo que a liberdade trouxe-nos, mas que também não se pode apagar o passado, pois o passado é o que faz a história, com que aprendemos e melhoramos, e que mesmo nos períodos maus houve coisas positivas que puderam ser retiradas.

A título de curiosidade, sabiam que o Estado Novo, que no final era opressor da liberdade, a início foi visto como o salvador de Portugal, visto que libertou o país de anos de instabilidade e insegurança, causados pela Primeira República?

Sabiam também que em 1940 se realizou a maior exposição em Portugal, até à realização da Expo98? Foi a Exposição do Mundo Português e para este evento foi reabilitada toda a zona de Belém que vai desde o Mosteiro dos Jerónimos, até ao Padrão dos Descobrimentos, e o Espelho de Água. Antes a zona era maioritariamente industrial, e o enorme jardim em frente aos Jerónimos e que passa pelos pastéis de Belém, chegando quase ao Palácio de Belém, nem sequer existiam.

Estas são as curiosidades positivas e depois temos as negativas. A mais negativa delas todas é que as guerras do Ultramar vitimizaram mais de 10 000 soldados portugueses. Muita morte por uma luta que nem percebiam o porquê de existir... Se não fosse por mais nada, só por isso o 25 de Abril já teria valido a pena.

Resumindo e concluindo. Sei que não dou o devido valor a este feriado. Não dou e não poderia dar, não sei na realidade o que representa e não fico patriótico por osmose, mas não é por isso que algo mudará, teremos sempre quem tenha nas veias a correr o hino de Portugal e a gritar 25 DE ABRIL SEMPRE.

24
Abr22

Pensava que foi um sonho mau


Pacotinhos de Noção

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Não falei deste assunto durante a semana porque o que de facto aconteceu foi o seguinte. No Sábado passado adormeci em frente à televisão, e então tive um sonho horrível, que passarei a contar...

Era um estúdio escuro, com a Pipoca mais Doce e o Gilmário Vemba, a tentarem apresentar algo parecido com um programa de humor, mas de forma muito atabalhoada. Chamavam dois convidados que debitavam depois piadas escritas por miúdos de uma qualquer escola C+S, em que a coisa mais engraçada seria algo como "És cocó!" ou um "Avisa a tua mãe que me esqueci das cuecas na mesinha de cabeceira".

Depois havia 3 jurados. Um árbitro com um cabelo ridículo, uma tipa que julga que o abecedário são só as vogais, e metade d"Os Homens da Luta". Aquele que luta para manter a cabeça à tona no mundo do audiovisual.

Sofri muito, até suores frios tive, mas depois fui dormir, acordei e troquei os lençóis por ter molhado a cama, tal foi o medo que tive deste sonho macabro.

Eis senão quando, hoje mudo para a TVI e verifico que afinal aquilo não foi apenas um sonho mau. Aconteceu mesmo e hoje tornou a ir para o ar esta xaropada do Betclic Mano a Mano. Nada mais a propósito ser uma empresa de apostas a patrocinar, porque eu apostava que isto não vai conseguir transmitir todos os programas que tencionavam gravar... É que é tudo péssimo, claramente mau. Insistir neste erro é como um tipo que quer martelar um prego, mas sofre de astigmatismo, martelando assim sempre o dedo. Ele sabe que o desfecho é sempre o mesmo, não tem como fugir, mas ainda assim vai martelar de novo.

Algo que se pode fazer com este Betclic Mano a Mano, é compará-lo aquele tio inconveniente, que foi a uma festa de malta mais nova, e em que decide dançar e ser o centro da festa. Não tem ritmo, não tem piada e teríamos ficado bem mais felizes se não tivesse vindo.

Não sei quem foi a mente iluminada que decidiu o parto deste programa, mas nasceu cheio de problemas, e pau que nasce torto...

21
Abr22

Prefiro viver de aparências


Pacotinhos de Noção

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Na música de 1986, "Efectivamente", dos GNR, Rui Reininho canta que "Efectivamente gosto de aparências".

Já eu, numa efectividade não tão sublinhada, devo admitir que tenho reparado que nos começa a fazer falta viver um pouco mais de aparências. Passo a explicar...

Estou farto de andar na rua e ver gente suja, porca e feia. A fealdade a que me refiro não é a física, acalmem-se já os puritanos, pois ao lerem as próximas linhas, e se fizerem um pequeno exercício, que nem terá grande uso da memória porque é algo actual, e acabarão por concordar comigo.

Este sentimento vem sendo diário, mas hoje uma situação despoletou alguma raiva e nojo em mim. Enquanto tomava o pequeno-almoço, num café próximo de uma estação ferroviária, apareceram, um senhor da CP, que vende bilhetes e que por acaso também é comercial da REMAX, e duas funcionárias da limpeza dos caminhos de ferro. Logo ao entrar transformaram o estabelecimento numa estrebaria, rindo e falando muito alto, com as suas caras ramelosas e os seus cabelos oleosos, característicos de quem toma banho nos primeiros Domingos de cada mês. Lavar os dentes é coisa que não sabem, e água naquelas trombas só acontece quando apanham um dia de chuva. Colocaram-se ao balcão para depois exigirem a sua bica sem princípio, outra em chávena fria e a terceira tirada em máquina italiana, montada por pigmeus indonésios, numa noite de lua cheia laranja. Sim, porque higienização é coisa de burguês, mas se pagam 0,75 € por um café, ai meus amigos, tenham paciência, mas esse café há de ter todas as características que eles exigirem!

Ora sucede então que, sendo já a aparência destes monumentos à badalhoquice algo de asqueroso, o "senhor" da CP e REMAX, decide todos presentear com um valente arroto, ali ao balcão e, as madames que o acompanhavam, de tão contentes que ficaram com o feito, começaram a gargalhar que nem duas mulas zurrantes. É importante referir que não falamos de garotada. Tudo gente entre 40 e 50 anos, talvez até mais.

Constatei logo ali que o aspecto daquelas pessoas, sendo já tão sujo e desleixado, mesmo assim deixa a desejar quanto à porcaria e à sujidade que lhes passa na cabeça.

Quem no seu perfeito juízo tem este comportamento? Quem, com dois dedos de testa, faz estas badalhoquices quando enverga o uniforme da empresa onde trabalha, mostrando assim que o pessoal contratado não é qualificado, nem socialmente?

E isto leva-me a querer viver de aparências porquê? Porque gente porca e sem noção sempre houve e vai continuar a haver, mas perdeu-se completamente a vergonha, e se dantes, estes mesmos porcos só o eram em casa e entre amigos, agora passaram a sê-lo em qualquer lugar e "quem não gostar que não coma, que ponha na borda do prato". Mas que prato, senhores? Existirá algum sítio que sirva estrume num prato? É que malta desta é igual a estrume. Pelo menos no aspecto, no cheiro e na atitude são-no, muito embora o estrume sirva ainda para fertilização de terras, e esta gente para pouco servirá.

Sou saudosista, por isso gostava do tempo em que as pessoas tinham o mínimo cuidado no vestir, quando a farda comum não era leggings do chinês, e polares cheios de borboto da Decathlon. Quando ainda se esforçavam um bocadinho e que quando não tomavam banho tentavam disfarçar o fedor, nem que fosse com perfume do chinês. Mas agora não, ou cheiram a cavalo, ou a sopa velha.

Gostava que voltássemos àquele passado recente em que alguém que trabalhava num café, fingia limpar o balcão para mostrar estar ocupado. Agora o balcão fica todo sujo, as mesas por levantar e ainda temos que aguardar que a pessoa acabe de responder àquele WhatsApp tão importante.

Saudades do tempo em que quem se atrasava pedia desculpa, com uma desculpa tão má que dava para perceber ser mentira, mas ao menos tentava desculpar-se, era uma questão de respeito. Agora quando alguém se atrasa nem comenta, ou então afirma que "é assim mesmo e que não consegue mudar. Que não é defeito é feitio"!

Quando se vivia com aparências os "Bons dias", "Boas tardes" e "Boas noites" eram respondidos, agora, mesmo que eu repita o cumprimento, há o descaramento de fazerem cara de pau e nem sequer responderem.

Quando vou a uma loja de roupa sei de antemão que não sou bem-vindo pelos funcionários. Afinal de contas, se não receberem à comissão, ganham o mesmo estando ali eu ou não, mas por acaso naquele momento até estou, e não me importava mesmo nada de um bocadinho de cinismo, de fazerem uma aparência de que até lhes importa que ali esteja. Não porque queira ser apaparicado, mas apenas por uma questão de educação e por uma questão de lógica. É que se sou tratado com indiferença, aquele lugar para mim não passa a ser indiferente, passa a ser antes um lugar a evitar, e depois o patrão não ganha dinheirinho para pagar os ordenadozinhos e depois vai tudo para o olhinho da ruazinha, sem perceberem muito bem porquê, porque na óptica deles, "o patrão até tinha dinheiro".

Viver em sociedade é viver de aparências e para o constatar não é preciso ir muito longe. Quem tiver sogras sabe bem do que falo, assim como sabe quem trabalha, quem recorre a serviços, quem vive no dia-a-dia com uma coisa muito importante, mas que vai escasseando... Educação.

13
Abr22

Da Marie, corri


Pacotinhos de Noção

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Há uns tempos saiu da casa do Big Brother uma miúda que me fazia lembrar a boneca Emília, do Sítio do Pica Pau Amarelo.

Não sei se era boa ou má concorrente porque não tenho seguido o programa. Comecei por ver a primeira edição, com o Bruno de Carvalho, mas cansei-me rápido. Esta segunda não tenho acompanhado de todo, mas não vivo debaixo de uma pedra, e como tal vou ficando a saber de uma ou outra polémica, de um ou outro assunto.

Ao que parece esta excêntrica menina não fazia a depilação, vestia umas roupas esquisitas, tinha um estilo próprio, e como tal já era quase um ícone.

Depois que saiu foi quando "vi" mais barulho. Afirmavam ser uma pena ter saído porque era uma pessoa genuína, que mostrava aos jovens que não faz mal ser diferente. E não faz, mas vamos por partes.

Andaram as mulheres anos a fio a chatear a cabeça aos homens, de que pareciam uns macacos peludos e que tinham que resolver o assunto. Agora que grande parte deles, entre idas ao ginásio e batidos de proteínas, fazem a sua depilaçãozita total, parecendo depois autênticos Nenucos musculados, o mulherio decide que afinal o que está bem é deixar crescer as pilosidades.

Nada contra ou a favor, cada um, deixa crescer os pêlos que quiser. 

Eu pessoalmente não gosto de ver uma mulher cheia de pêlos, e dizendo isto posso ser acusado de masculinidade tóxica quando, curiosamente, se uma mulher afirma não gostar de um homem de bigode, o facto será apenas catalogado como "uma questão de gosto".

Em relação às roupas que a menina veste, não se iludam. Seria original se aquilo fosse ideia dela, mas, na verdade, existe uma marca que a veste e, pasmem-se, não é nada barata. O Carnaval já passou, mas caso tenham interesse então é visitar a loja "A outra face da Lua".

Estarei agora a ser mauzinho? Se calhar, mas não mais que todos aqueles que criticam o José Castelo Branco, por também ser uma pessoa excêntrica. Coerência, meus caros, coerência.

Valter Hugo Mãe, um dos supostos pensadores da actualidade, também se deixou levar por esta rede de marketing da coitadinha que é diferente e ostracizada, devendo assim servir de exemplo para uma geração. No seu texto, "A Marie da Estela", publicado no Notícias Magazine, afirma que Marie é necessária por fugir ao estilo padronizado que se tem reproduzido graças às redes sociais, imputando maiores responsabilidades ao Tik Tok, ignorando assim que Marie é precisamente um produto Tik Tok e YouTube.

Marie não é diferente de tantos outros que hoje em dia inundam essas mesmas redes, ganhando a vida como "influencers" e que, eles sim, pretendem padronizar toda uma geração, e até o estão a conseguir.

Perdendo alguns minutos, e vagueando pelas redes, encontramos vários exemplos de "Maries" que têm em comum vestirem-se de forma diferente, que acaba por ser igual, fazerem-se de burrinhas para haver a percepção de que são muito inocentes, e passar uma mensagem que parecendo que é diferente, não o é.

Para Marie e os seus seguidores era importante afirmar que uma mulher pode ser feliz deixando crescer os seus pêlos, e se existir alguém que queira difundir uma opinião diferente desta, é porque se curva perante uma sociedade supérflua e fútil, que apenas olha para o visual e não para o interior de cada um... Mas atenção, isto é uma contradição enorme. Marie é apenas visual. Marie não passou a sua mensagem envergando umas calças de ganga e uma t-shirt branca. Ela fez como os Caricas, amigos do Panda, que para chamar a atenção da pequenada usam cores espampanantes, mas aqui as crianças já são um bocadinho maiores e deveriam perceber quando são feitos de tolos.

Na essência não sei se a ex-concorrente do Big Brother é ou não boa pessoa, e não é isso que vem ao caso, aquilo que interessa perceber é que de burra não tem nada. Criou uma personagem, que no Tik Tok e YouTube é apenas mais uma, contudo teve a sorte, e também mérito, de ser chamada para um programa que atinge um público alvo em que para eles Marie é novidade.

Que ganhos terá ela com isto? Recordo novamente que a menina é "influencer", vive dos seguidores das suas redes sociais.

Afirmo no título que "Da Marie, corri" por, primeiro ser uma boa alusão a Marie Curie, e depois porque destas criações de redes sociais fujo a sete pés. Sou alguém de miolo um pouco mole, completamente influenciável, e amanhã posso decidir deixar de me depilar e começar a usar brilhantes nos dentes, e numa rapariga jovem a coisa até passa despercebida, agora num homem feito, poderá apenas ser esquisito. Ou então não, e se me fizer de burrinho até posso angariar uma legião de fãs. É um caso a pensar.

Para terminar, e caso sintam mesmo muita necessidade de encontrar alguém diferente na casa do Big Brother, posso dar-vos dois exemplos.

Temos Marco Costa, que sendo um produto deste género de programas, e em que ninguém dava nada por ele, aproveitou a mediatização para evoluir naquilo com que sempre trabalhou, e hoje tem a sua rede de pastelarias, mostrando que o título de "bronco" que lhe imputavam, não é mais forte do que o título de "sucesso" que acaba por alcançar. Podemos gostar ou não do tipo, mas temos de dar-lhe valor.

E que dizer acerca de outro concorrente, o Chef Fernando Semedo, cuja história agora foi divulgada. Viveu na miséria, num bairro de lata com casas de paredes descascadas. Viu-se sozinho com os irmãos após ver a mãe ser presa e terem sido abandonados pelo pai. Era uma história que teria tudo para dar errado e os exemplos mostram-nos que normalmente dá, mas Fernando sentiu que a vida tinha algo mais para lhe dar e hoje não é o Nando que arruma carros ou que já passou pela esquadra... É o Chef Fernando. Parabéns por isso e que sirva de exemplo para muitos.

12
Abr22

6 de Abril de 2024


Pacotinhos de Noção

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Que data é esta? Perguntarão vocês.

Uma previsão dantesca, uma efeméride que mereça ser relembrada? Será que é nesta data que será revelado quem está por detrás dos Pacotinhos de Noção, conforme milhões e milhões de pessoas gostariam de saber?

Nada disso.

6 de Abril de 2024 é a data em que acabará o período de fidelização que tenho com a MEO, e estou ansioso para que chegue esse dia.

Os mais atentos constatarão que, sendo a fidelização de 2 anos, acabei de assinar contracto, e digo-vos, se arrependimento matasse, era um cadáver que vos escrevia.

Odeio este tipo de mudanças, e era cliente da Vodafone há mais de 20 anos. Desde a altura em que ainda era Telecel, e não sofria ataques informáticos.

Acontece que ao fim de 20 anos, e após ter problemas de internet, cujos técnicos da Vodafone resolveram que a solução mais adequada seria um valente "fica assim", decidi mudar, mas não queria uma mudança radical, e quando me desloquei a uma loja MEO expliquei todas as especificações que me interessavam, caso contrário não valeria sequer a pena avançar. Foi-me dito que sim senhor, tudo era possível, e foi então assinado contracto.

No dia da instalação, o técnico não trouxe as boxes para a TV que eu tinha criteriosamente escolhido, e que seriam um dos motivos por anuir em ficar com MEO. Afirmou que teriam que ser as que ele trouxe, ao que eu retorqui preferir então que não fossem nenhumas. O rapaz disse que já voltaria e ia buscar as boxes ao supervisor. Quando saiu fez questão de desligar-me a internet da Vodafone, colocando-me assim numa situação de refém, em que agora teria obrigatoriamente de ser cliente deles.

Quando o artista volta, faz todas as ligações que precisava fazer e, entretanto, vai buscar as boxes surpreendendo-me com dois sacos do lixo roxos onde vinham os aparelhos, maiores que tijolos, datadas do tempo em que o Camões ainda tinha dois olhos.

Disse-lhe que não queria aquilo, que eram boxes usadas, vinham cheias de riscos e pó. Extras pelos quais não paguei, e sem os quais vivia bem.

Afirmei não querer aquele material e nessa altura, o funcionário do mês sugeriu-me ir à loja trocar... E fui à loja sim, reclamar e devolver as bugigangas todas que me trouxeram.

Mas reclamar na loja foi cansativo e esgotante. Estive mais de 45 minutos a debater com os funcionários da loja, e, em simultâneo, com um pelo telefone, que me garantia que iriam resolver a situação, aliás, promessa também feita pelos responsáveis na loja. Pediam-me apenas que tivesse paciência, que iria ser contactado via telefone, para agendar a troca das boxes. Ligaram-me hoje e falaram com uma arrogância tal, que parecia até que fui defecar na horta do homem. Informou-me que não viriam trocar as boxes e que teria que ficar com estas.

Tem alguma lógica que contrate um serviço novo e receba material usado, e acima de tudo, velho?

A situação não ficou por aqui. Entretanto, já fiz uns telefonemas e em princípio as boxes serão mesmo trocadas, mas só as horas que perdi, os destratos que recebi e que também cometi, a falta de honestidade que senti, fazem-me agora marcar no calendário a data que serve de título a este post, para nesse dia me poder livrar desta cruz, e voltar de novo à empresa de comunicações que, podendo ter todos os seus defeitos, acabou por mostrar-me que nem sempre se muda para melhor.

Peço desculpa ter utilizado este espaço como um livro de reclamações electrónico, mas esta será mais uma maneira de divulgar como a MEO funciona de forma deficitária, e como usa de várias artimanhas para enganar futuros clientes, tal como aconteceu comigo.

10
Abr22

Por mim não passa


Pacotinhos de Noção

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Estreou hoje a nova temporada dos Ídolos.

Admito que não sou apreciador deste tipo de programas, os chamados "talent show", principalmente porque, e peço desculpa aos mais susceptíveis, mas penso que Portugal tem muito pouco talento.

O talento é como a nossa dentição. Não nascemos com ela, vai aparecendo, mas se não a cuidarmos, rapidamente se estraga, e o que acontece é que temos a convicção de que o talento é algo com que se nasce e que não desaparece... Errado, acho eu.

Reparem no Cristiano Ronaldo. Tinha o talento, mas quando estava no Sporting não se adivinhava chegaria ao patamar onde chegou, e tal aconteceu porque trabalhou, e ainda trabalha, para conseguir manter o seu talento acima da média.

De qualquer das formas, e não apreciando o conceito, tive sempre o hábito de ver os episódios iniciais para poder testemunhar aquilo que tantos espectadores prende no Mundo todo, e que acabou por dar fama ao programa, os Cromos.

Acontece que, nesta nova temporada, parece que a aposta não vai tanto no sentido de mostrar os Cromos. Não sei se é a moda do politicamente correcto, se porque a sociedade agora é uma florzinha de estufa, que desata a fazer queixas à Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) quando há uma piada que não se gosta, se alguém canta uma nota acima, se alguém é vesgo, se aparenta não ter tomado banho... enfim, não interessa o porquê, interessa é que se façam queixas e que se comportem todos como super-heróis, de vítimas que não pedem para ser salvas, e que por vezes até criam um boneco de forma a conseguir os seus 5 minutos de fama. Aconteceu com o rapaz que tinha "Star quality", com o do "Tá forte, tá, eles não gostam de mim..." e com tantos outros que eram o que dava grande parte da graça ao programa.

Algo que também perdeu a graça foram os comentários dos júris e a apresentação.

Sinto falta do enfado de Pedro Boucherie Mendes. Joana Marques parece-me um tanto ou quanto pouco à vontade. Também acontece comigo, que nem os parabéns consigo cantar de forma aceitável, ficar confrangido quando estou num ambiente onde outros cantam. Percebo que a ideia seria a de que fosse extremamente desagradável, mas uma coisa é sê-lo para aqueles que estão mesmo a pedi-las, outra coisa é sê-lo para pessoas que, por mais inconscientes e sem noção que sejam, têm um sonho, que poderá ali ser destruído.

A apresentação só teve a perder com o não retorno de João Manzarra, que nos seus diálogos com os participantes dava bastante ritmo ao programa, coisa que agora não acontece, sendo mesmo até aborrecido. A culpa não é de Sara Matos, que provavelmente será uma figura mais acolhedora para os participantes, mas são estilos muito diferentes e este, a mim, não me agrada.

Mas posso até afirmar que a escolha de Sara Matos terá feito todo o sentido se tivermos em consideração que a génese do programa mudou radicalmente.

Dantes era um "talent show" que tinha uns Cromos engraçados que nos divertiam, agora parece mais um "reality show", com todas as historietas de superações, de avós que morreram, de problemas psicológicos como depressões e bipolaridades. Parece mais que a fila é para uma sala de terapia e não para uma audição. Não faz sentido o ecrã com a aparição de amigos e familiares com mensagens de apoio. Parece tudo demasiado forçado para ficar mais sentimental, mas apenas fica mais aborrecido e insosso.

Em relação às vozes que apareceram hoje, como já afirmei, para mim, é um pouco secundário, mas também posso dizer que não ouvi nenhuma claramente agradável e ouvi uma que nada valia, mas que até levou um cartão dourado. O pragmatismo leva-me a entender que apenas tal aconteceu porque na próxima fase também há alguns que têm que ficar pelo caminho.

Visto que a parte que me interessa no programa deixou de existir, por mim está feito, não vejo mais, e se quiserem fazer a final já para a semana, por mim tudo bem.

09
Abr22

Os Idiotas


Pacotinhos de Noção

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Antes que tudo gostaria de dar um recadinho para o Gustavo Santos e Abdel Camará.

Não vos sigo, e os senhores cometem o erro crasso de não me seguir, mas visto que vos menciono gostaria de esclarecer, muito embora acredite que tendo em conta o título já perceberam, mas este post é-vos dedicado. Acredito que possam não gostar, aliás, espero até que odeiem, porque se assim for significa que temos mesmo ideais e maneiras de pensar completamente diferentes o que, para mim, é reconfortante.

Ouço diariamente o Extremamente Desagradável, da Joana Marques, como de resto já mencionei algumas vezes. O que também já mencionei é haver episódios com os quais não consigo sequer esboçar um sorriso. Não por demérito da autora do programa, mas por enorme mérito dos pascácios escrutinados, e que vomitando as suas anormalidades, só me fazem pensar em quantos passos atrás demos na escala evolutiva.

Neste episódio foi analisada um directo entre Gustavo Santos e Abdel Camará, e as alarvidades foram mais que muitas.

Poderia mencionar o quão ridículo é ter dois vendedores de banha da cobra a tentar dizer coisas estúpidas em catadupa, mas com uma sobranceria como se aquilo que dizem fosse completamente acertado, devendo até ser registado como lei.

Falaram sobre a pandemia, sobre a guerra na Ucrânia, no quão espectacular são e no quão fraquinhos somos nós, em comparação com eles, claro está.

Escusado será dizer que estas bestas intelectuais são negacionistas.

São negacionistas da vacina, do vírus, da guerra e da empatia.

Orgulham-se do facto de não serem vacinados e ridicularizam todos aqueles que o foram, esquecendo-se de que vão sendo beneficiados de uma provável imunidade de grupo, devido aos outros que "não têm uns grandas tomates" (palavras de Gustavo Santos, referindo-se ao facto de não ter vacina, e ainda se vangloriar disso em frente a elementos que assistem a uma palestra, por ele dada). Provavelmente o que nos falta em tomates sobrará em responsabilidade, mas se se orgulham tanto da tomatada que possuem, em vez de a terem entre as pernas, que a pendurem ao pescoço. Fica a ideia.

Tentam ridicularizar as ajudas que se dão à Ucrânia, afirmando que as pessoas não estão a reparar no aumento de preços, porque TÊM que enviar ajuda para o país em guerra. Mais uma vez são estúpidos, porque ninguém tem que dar nada. Só dá quem quer e quem pode.

Para quem não conhece Abdel Camará é preto. Isto, na verdade, não seria relevante caso alguns dos comentários que este retardado faz não fossem carregados de racismo e xenofobia.

A determinada altura este imbecil afirma que até há uns tempos ninguém aguentava os ucranianos, porque eles "vinham para cá roubar o trabalho aos portugueses e que agora até lhes abrem as portas"... Mas que esterco de comentário é este? Um tipo que certamente já jogou a cartada do racismo para se vitimizar, utiliza sem pudor o conceito que deveria abominar, e não hesita em fazer aquilo que provavelmente já sentiu na pele, o racismo e  a xenofobia.

Mas a estes apalermados tudo é permitido. É que afinal de contas eles são mentores, gurus, "coaches" de como bem viver, bem trabalhar, bem-dizer trampa. Estes dois, segundo aquilo que parecem fazer crer, e tantas são as vezes em que o repetem, é que são dos poucos que usam o cérebro e sabem pensar. Nós não, nós não o sabemos usar e para pensar será sempre preciso fazer um esforço hercúleo.

Tenho uma sugestão, que espero sinceramente que sigam.

Dado que usam tanto o cérebro, peço-vos que o usem também para colocar pregos nas paredes, por exemplo. Provavelmente os quadros ficarão mal pendurados à mesma, mas fica a satisfação de saber que, pelo menos um pouco, se hão-de ter aleijado.

O argumento válido de Gustavo Santos, contra a nossa preocupação com esta guerra, é o de que "guerras, há bués!" e é verdade, há bués mesmo. A diferença desta para as outras é que esta, de repente, pode desencadear numa guerra mundial. Dai a nossa maior preocupação, em relação à Ucrânia. Será esta explicação clara o suficiente para dois tipos que, claramente, têm grandes dificuldades de cognição, embora pensem que não?

Ouvir as patetices que eles dizem fez-me lembrar quando vamos a uma qualquer casa de banho, fazemos o número 2, damos a descarga no autoclismo e então reparamos haver um entupimento e a água começa a subir e nós a rezar, a água a subir e nós a rezar, a subir mais e nós a rezar e a suar... até que tudo acaba em bem. Mas com as latrinas vocais de Gustavo e Abdel, a porcaria veio mesmo para fora, e parece que não quer parar.

Para finalizar, e deixando de analisar os intervenientes de tamanhas ignorâncias, gostaria de ressalvar que Gustavo Santos tem cerca de 52 mil seguidores, e Abdel Camará 20 mil. Se eu fosse muito simpático iria dizer que as pessoas que os seguem são como aquelas que desaceleram para ver os acidentes de automóvel, gostam de ver desgraças, mas como não sou, resta-me imaginar que há quem realmente sinta necessidade de ajuda, mas não sabe bem onde procurar. Aconselho a que o façam melhor. Se argumentarem que seguem, estes dois pelo que transmitem, e porque vendem muitos livros... A transmissão está com imensas interferências, mais valia ouvir a mira técnica, e a Renova também vende muito papel, que mesmo após usado, continua a ser mais interessante e com mais conteúdo que os livros do Gustavo Santos.

05
Abr22

Recreio do demónio


Pacotinhos de Noção

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Tenho tentado não falar acerca da guerra.

Não por casmurrice ou pudor, não porque a queira esquecer nem fingir que não existe. Evito fazê-lo porque me custa genuinamente escrever sobre algo em que tenho a noção que não consigo fazer passar, por palavras, toda a ansiedade, toda a mágoa toda a impotência que sinto nesta situação. Não sou ninguém, na verdade, e peço desculpa por dizer-vos de forma tão crua, mas também vocês não são.

Podemos reunir bens, medicamentos, tudo e mais alguma coisa para enviar para a Ucrânia, mas o nosso peso na continuação ou não deste conflito, é nula. As decisões que realmente importam estão nas mãos duma pequena franja de gente, e mesmo esses estão dependentes da anuência de um doente, de um ser que julgávamos mais não existir, dum criminoso, dum ser nojento, dum autêntico filho da p*t@. Não é o tipo de linguagem que prefiro utilizar quando escrevo, mas neste caso é mesmo o que mais se adequa.

Diariamente temos acesso a notícias horríveis dos hediondos actos que têm sido perpetrados na Ucrânia. Desde casos de crianças atingidas por bombas, que lhes rebentaram ao lado, mas que ainda assim tiveram a sorte de sobreviver, a outros casos de crianças que não tiveram essa mesma sorte. Famílias inteiras chacinadas e outras que foram violentamente amputadas de um pai, uma mãe ou de um filho.

Vemos imagens do ataque deste fim de semana, em Bucha, onde foram mortos centenas de civis que já não viviam, apenas sobreviviam, mas nem isso os deixaram fazer. Fizeram da cidade um autêntico recreio do demónio, sendo que o pior deles todos mantém-se sentado, na sua cadeira de veludo, no Kremlin.

Qual é a justificação de nojentos como o Putin e o Lavrov, quando vemos imagens de civis mortos na estrada. São civis sem qualquer sombra para dúvidas, pois não envergavam nenhum tipo de camuflado, deslocavam-se em bicicletas, por exemplo, tentavam fazer o seu dia-a-dia comum, por muito pouco normal que isso possa parecer, dado que estavam em cenário de guerra, mas não tiveram outra hipótese. Não quiseram, não conseguiram ou não puderam fugir, apostaram as suas vidas e a aposta foi perdida, sem ninguém ter saído a ganhar.

O Kremlin, pela voz de Lavrov, já veio dizer que o ataque de Bucha, e outros alegados crimes de guerra, são mentira. São encenações. Este tipo deveria ter as entranhas puxadas para fora pela própria boca. Violência gera violência, e o mínimo que desejo agora para Putin, Lavrov, e todos aqueles que rodeiam e apoiam o iniciador desta guerra é que mais tarde ou mais cedo seja feita justiça e que seja, de preferência, popular, para eles poderem temer a ira daqueles a quem mais fizeram sofrer, porque se calha a serem julgados num tribunal de guerra é muito provável que nada de mais lhe aconteça, e sim, para mim se estes tipos apanharem perpétua e morrerem de velhos na prisão, isso será "nada de mais", pois não sofreram o suficiente.

Por incrível que vos possa parecer a verdade é que ainda assim existem pessoas que apoiam o Putin. Vi há uns dias um vídeo com 4 ou 5 velhas russas que, orgulhosamente, se vangloriavam de ser pró-Putin, considerando-se até tropas dele e que o defenderiam até à morte... Pois, que o defendam, e defendam bem, e que a morte chegue-lhes cedo, pois ao defender alguém que comete as atrocidades que ele comete, não são melhores que ele.

Tal como imaginava no princípio este texto não esclarece, este texto não informa, este texto não apazigua. Transparece a revolta que vou sentindo, que vai crescendo e que de nada vale. Não tenho crenças e fé em divindades, se existissem já teriam mandado um raio que rachasse ao meio o trampas do Putin. Durante anos eu afirmava que era no Homem que acreditava.

Um Homem evolutivo, pensador, bondoso, benevolente, um Homem que preza a paz... Mas esse Homem não existe. Poderão existir alguns homens e mulheres assim, e embora sendo eles grandes, GIGANTES até, o que é um facto é que são poucos e todos juntos não conseguem colocar um H maiúsculo na palavra Homem, porque a Humanidade está conspurcada, está violada, oprimida e amordaçada por líderes políticos que de líderes não têm nada e que são fruto duma sociedade cada vez mais mesquinha, violenta, oportunista e sem empatia.

Não desejo uma Guerra Mundial, mas desejo a morte. Desejo a morte daquele que tantas tem causado. Bastava que houvesse a alma caridosa que lhe desse um tiro na testa, e o Mundo ficaria melhor.

Lamento por estas linhas tão lúgubres e funestas, e que nada trazem de positivo, mas servem-me de desabafo.

Tenho mulher, tenho filhos, tenho amor, sou feliz... Tantos que podiam afirmar isto, até há bem pouco tempo, e que agora nada têm. Não quero ser essa pessoa, e o facto de estarmos aqui metidos num dos cantos da Europa pode ser benéfico para nós, mas estando o Mundo a arder, mesmo ficando Portugal salvaguardado, como iríamos viver? Espero não vir a saber.

01
Abr22

1 de Abril, sempre!


Pacotinhos de Noção

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Hoje é um dia diferente dos outros. É o tão giro e engraçado Dia das Mentiras. Trapaceamos, dizemos coisas que não são verdadeiras, ou que não sentimos, e tudo emoldurado com um grande sorriso. É um dia que difere de todos os outros porque é o 1 de Abril, o que significa que depois da mentira dita, rimos muito, damos palmadinhas nas costas e dizemos ser a tão engraçada mentira, do dia que hoje se comemora.

Nos outros dias isto não acontece.

Mal saímos a porta de casa e encontramos a D.Alzira. A velha porca do 2ºB, que teima em ter na janela o canteiro que atrai os pombos que nos cagam a roupa toda. Dela emana uma mistura de cheiros, e de entre todos conseguimos detectar o cheiro da urina dos 50 gatos com que vive, e o do peixe frito que comeu no jantar do Domingo passado. Não suportamos a velha e não o conseguimos esconder, e é por isso que soltamos logo um valente — "Bom dia D.Alzira! Então como vai? Tudo bem? Óooooptimo. Obrigado e bom dia! Gosto em vê-la." — e afastamo-nos com um sorriso nos lábios, embora muito enojados com o cheiro da senhora, e com a nossa falta de franqueza.

Mas, porque é que haveria de ser diferente? Existe realmente a necessidade de ser verdadeiro, e dizer à mulher que não a suporto? De a fazer sentir mal por ser porca e por eu não gostar dela?

Não, não existe e é por isso que o dia 1 de Abril é como o dia do filme "O feitiço do tempo". Vai-se sempre perpetuando e não há como fugir dele, ou melhor, podemos até tentar fugir, mas para quê? Para causar tristeza e mal-estar?

Há sempre um ou outro sonhador que defende que a verdade não é um direito, é um dever, e que tem que ser dita acima de tudo, mas só por defenderem isto, já mentem. Diariamente mentimos, várias vezes ao dia, e às vezes até mentimos sem percebermos que o fazemos. É mais forte que nós e, acreditem, muito necessário.

Passar por alguém na rua e perguntar — "Como está?" — é a mentira diária mais comum. Quando o fazem querem realmente saber como aquela pessoa está? Querem saber se está com o trânsito intestinal desregulado, se tem problemas nas finanças ou se o seu mais novo anda com o pingo no nariz? Obviamente que não querem, mas um simples "Olá" é muito seco, e as alternativas são todas mentirosas, como  o "Tudo bem", o "Como vai" e até o "Bom dia", por a realidade ser que não queremos, mesmo mesmo, saber se aquela pessoa vai ou não ter um bom dia. Aquele dia que nos preocupa é o nosso, o resto é resto.

Esta mentira, que acaba por ser piedosa, até nem é das mais difíceis de contornar. Podemos sempre fazer-nos de distraídos e passar pela pessoa como se não a tivéssemos visto, mas e quando ficamos entre a espada e a parede com um familiar próximo, como uma mãe, que fez aquele prato que pensa que continuamos a gostar, mas do qual já nos enjoámos há anos. Contudo, tendo noção de como lhe sabe bem prepará-lo para nós, não vamos fazer-lhe a desfeita e esbofeteá-la com a nossa sinceridade que, no final das contas, nem é assim tão necessária... E no final, acabamos sempre por ter o 1 de Abril, para o usar e fingir que mentimos, quando afinal até dizemos a verdade.

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