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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

29
Mar23

A força da ignorância


Pacotinhos de Noção

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Já todos falaram sobre a polémica de um grupo de pais, norte-americanos que, no alto da sua ignorância, fizeram pressão junto da escola dos seus filhos, reclamando de uma professora que lhes terá mostrado, imagens pornográficas bastante famosas do desnudo Rocco Siffredi…

Estava a brincar. Não foi nada do Rocco, Rocky para os amigos. Foi, isso, sim, da desnuda estátua de David.

Se realmente a imagem fosse do Rocco, num contexto que não o da arte estatuária, eu tenderia a concordar com o teor pornográfico da mesma e, eventualmente, também me poderia insurgir, não pela indignação, mas pela inveja, uma vez que de facto me sinto mais próximo das condições apresentadas por David. Se bem que atenção, isto pode ser apenas uma questão de perspectiva. Recordo que este David foi o tipo que lutou contra o gigante Golias, logo aí já temos a consciência de que a pobreza apresentada poderá mesmo dever-se à perspectiva, uma vez que David pode ser considerado um tipo com um grande par... Não é qualquer um que ganha ao Golias, como ele ganhou

Mas isso agora não interessa nada, o que interessa é que essa professora acabou por ser demitida, o que nos dá a noção da força que a ignorância já começa a ter.

Há uns anos esta notícia seria dada na rubrica radiofónica do Nuno Markl, "O Homem que Mordeu o Cão", mas esta sociedade está tão perdida, tão nojenta, tão impregnada de estupidez que agora nem dá para esboçar um leve sorriso, porque sabemos que esta estupidez nos pode respingar a qualquer momento, por mais absurda que nos possa parecer.

Ontem comentei um artigo qualquer no Instagram do jornal "O Público", e o meu comentário era algo como "o povo é ignorante e autista"... Pronto, o que fui escrever! Houve logo comentários de provedores da moral e bons costumes, que vieram chamar à atenção de que devia deixar os autistas em paz, quando nem sequer pensei neles quando escrevi a frase.

É verdade que o autismo é um distúrbio com consequências devastadoras, tanto para o paciente, como para a família, mas quando usamos a palavra, dentro de determinado contexto, não nos reportamos a um doente em específico, e sim a algo que terá as características que a doença impõe. É exactamente o mesmo que dizer que os crimes de colarinho branco são o cancro de qualquer democracia. Não posso utilizar este termo, é isso? Mesmo tendo o meu pai morrido com um, não risquei a palavra do meu dicionário, nem tão pouco me sinto um xerife das palavras, para tentar impedir que o cancro seja utilizado em classificações ou em piadas.

Diariamente nos deparamos com situações como estas. Ou porque falaste em autista, ou porque falaste na roupa de uma mulher em determinada gala, e se fosse homem não falavas, ou porque utilizaste a palavra negro, ou porque foste racista ao dizer provérbios como "para venderes na feira tens que ser cigano"...

Tudo depende da forma como é dito e no contexto em que é dito, mas a nova sociedade que se vai formando perde a capacidade de interpretar e contextualizar. Estão mais burros, mais limitados, mais idiotas, e a prova disso mesmo é quando percebemos que deixaram de entender algo tão interessante como a ironia.

Para terminar deixo o meu apoio à professora que acabou por perder o seu emprego, e deixo também a imagem para servir de dica. Se a "stora" tivesse colocado um acessoriozinho, que desse para disfarçar as desgraças do David, tinha ficado com a vida facilitada.

É uma coisa esquisita, não fica tão estético? Sim, é verdade, até concordo. Mas como o ser humano gosta é de aparências e de situações plastificadas, vai de lhes dar aquilo que não querem, mas de uma forma tão disfarçada que até vão passar a querer... E que lhes faça muito bom proveito.

28
Mar23

IVA A ZERO GENERALIZADO, É INJUSTIÇA SOCIAL


Pacotinhos de Noção

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Foi hoje divulgada a lista dos 44 produtos cujo IVA passa a 0%. Não vou falar no quanto esta é uma medida pífia, que visa apenas tapar o sol com a peneira, e enganar alguns incautos, que se deixam ainda ludribiar por estas manobras de diversão de António Costa e sua quadrilha.

Vou antes abordar aquilo que mais me tem irritado nisto tudo, por parte de alguns cidadãos. Curiosamente os mesmos cidadãos que são os principais causadores da situação em que hoje nos encontramos. Falo daquela classe média, que é mesmo mediana, mas que ainda assim gostam de se armar em burgueses, tentando viver de uma maneira para a qual não têm, na realidade, capacidades.

É aquela classe média "wannabe" alta, que dizem "salxixa", mas que dão nomes aos seus 6 filhos, do género de Carlota, Constança, Carminho, Matias, Mateus e Martim, porque julgam serem nomes que a alta sociedade aprecia.

Pedem empréstimos ao banco para comprar o BMW para ele, e o Fiat 500 (ou o Mini) para ela.

Pedem mais um empréstimo para comprar casa num condomínio fechado, e pedem novo empréstimo (e também ajuda aos pais) para conseguirem meter os putos no colégio particular. Depois o facto de os miúdos andarem com aspecto nojento, por só terem uma farda escolar, que a roupa da escola é cara, não tem importância, o que importa é que andam num colégio onde não são só os filhos que fazem as suas conexões com os coleguinhas, mas em que também os pais se tentam fazer amigos dos pais dos outros meninos, de preferência os mais ricos.

Mas avançando no assunto, que este prólogo já vai longo, comecei a ver por estas "internetes", um pouco aqui e um pouco ali, elementos desta classe média, s insurgirem-se contra o facto de nos produtos essências, que viram o seu IVA reduzido a zero, não estarem incluídos leites de base vegetal, alimentos sem glúten, alimentos para os vegetarianos. Não me dei conta mas também poderá ter acontecido de um ou outro bombado, ter comentado que o IVA dos suplementos proteicos para treino, também não beneficia do IVA a zeros. É uma pena.

Ora, na minha humilde opinião, quem antes desta crise inflacionária, não olhava a preços para consumir estes produtos, em princípio será pessoa que também agora poderá continuar a comprá-los, um bocadinho mais a custo, mas sem lhe fazer assim tanta diferença.

Gostaria de alertar, a quem lê estas linhas, que esta medida apresentada pelo governo, não deveria sequer ser extensível a toda a população, assim como já não devia ter sido aquela medida dos 240€. Isto porque, como é óbvio, 240€ vão ajudar muito uma família que passe por dificuldades, mas alguém que seja da tal classe média que se julga alta, não necessita assim tanto desse dinheiro. Vivem acima das suas possibilidades, é certo, mas ainda assim não são famílias que se possam considerar pobres.

Temos neste momento agregados familiares que saltam refeições, ou que já vivem sem conseguir pagar água, luz ou gás, e esses sim precisam de apoio. No entanto, verifiquei aqui há uns tempos, que na página de uma influencer portuguesa, se discutia se o governo devia ajudar a pagar as prestações das suas casas ou não. Afirmavam que era um absurdo o aumento das prestações da casa, e que estavam habituadas a ir jantar fora e irem de férias, e que não querem prescindir desses "miminhos", apenas porque têm que pagar mais pela casa, que tem agora um preço elevado porque contraíram um empréstimo maior do que aquele que conseguiriam pagar, e porque ainda por cima, recusaram o empréstimo com taxa fixa, para poderem poupar uns euros.

São estes pedidos de empréstimos despudorados, e o não planeamento de como os irão pagar, que geram depois estes problemas económicos, e depois todos acabam por sofrer, porque alguns quiseram provar o que é ter vida de marquês.

O ideal seria fazer políticas apontadas às famílias que, efectivamente, passam por grandes dificuldades. As outras terão que apertar os cordões à bolsa, mas ainda assim têm bolsa.

 

26
Mar23

Desilusão...


Pacotinhos de Noção

Há decepções que nem o mais empedernido dos corações está pronto para ter.

É muito triste quando se percebe que havia, no guru espiritual, muito mais intenções, do que apenas ajoelhar para rezar 

A banda sonora foi escolhida a dedo, e fica o desafio... Contenham as lágrimas, se conseguirem. 🥺

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24
Mar23

Oposição Demissionário


Pacotinhos de Noção

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Estou triste… Aliás, estou cada vez mais triste. As urgências pediátricas fecham, as maternidades também, não há médicos suficientes para os utentes e nos centros de saúde não há papel para cobrir as marquesas. 

Os professores estão em greve e parece não haver fim à vista. Querem reaver o que perderam e receber o que ainda não conseguiram, querem trabalhar perto de casa, querem não levar tareia dos alunos, dos pais dos alunos, dos amigos dos alunos e de quem mais se lembre de lhes levantar a mão. Desejo comum aos médicos que, na urgência de atender as urgências, às vezes lá estão mais desavisados e levam uma bofetada de um utente, vinda não se sabe bem de onde.

A CP faz greve, a TAP tem vontade de fazer, e s Soflusa não faz nada porque os barcos eléctricos, que custaram milhões, não têm baterias. Já os da Marinha têm bateria… Têm uma bateria de problemas para resolver. Tantos que os marinheiros recusam até em ir ao mar e, tal como diz o ditado “Marinheiros em Terra, tempestade no ar”, e foi isso mesmo que aconteceu, foi para o ar a tempestade do Vice-almirante, a puxar as orelhas aos marinheiros indisciplinados. Escusado será dizer que deu barulho.

Barulho fazem os sindicatos. Não interessam nem quais, nem de quem. Interessa, isso, sim, que são muitos, diria até que são demasiados, o que acaba por não fazer sentido, pois se a luta é dos professores, para quê haver vários sindicatos? À partida querem todos, o mesmo, que é defender os seus pagantes de quotas… Ou será que não! Será que existem outros interesses, camuflados pelos sindicatos? Não sei, não percebo nada disso, apenas mandei para o ar.

Quem não se manda para o ar é esta oposição balofa e inoperante, e é por aí que fundamento o título deste texto, porque toda a oposição, que se deveria fazer sentir numa altura como esta, está completamente demissionária. Não abrem a boca, não se manifestam, não fazem uma proposta, não apresentam ideias, nem uma moção de censura ao Governo tentam aprovar no parlamento.

Adepto do partido A, B ou C, não sou, mas sou adepto de tirar o que está podre e meter nova opção, mas que opção?

É Luís Montenegro, um tipo com ar de vendedor de carros vigarista, que tomará as rédeas do país? E para o ajudar a segurar essas mesmas rédeas, vai contar com a ajuda de Ventura, e de um partido perigoso, e populista, como é o CHEGA?

Aquilo que vos posso dizer é que tanto o PSD, como Luís Montenegro, parecem sofrer de um efeito letárgico que nada favorece quem, num futuro que espero próximo, tenha que ir às urnas escolher um novo Governo, e um novo Primeiro-Ministro.

É triste quando o país necessita que um ex-Primeiro-ministro, e ex-Presidente da República, já octogenário, seja o único com uma voz activa o suficiente para fazer António Costa tremer nas bases. E Costa treme, treme muito. Treme de raiva por ser criticado por alguém que, quando saiu, deixou trabalho feito (ao contrário de si), treme de medo, ao sentir que o povo pode sentir nas palavras de Cavaco o estímulo necessário para mais manifestações e contestação, e treme também de ansiedade, porque não vê a hora em que o chamem da Europa, para ir ganhar um ordenado chorudo, e para poder sair enquanto o barco de se afunda, porque este barco em que navegamos, consegue estar ainda mais podre do que os da Marinha.

19
Mar23

Uma bica pelo comendador


Pacotinhos de Noção

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Morreu hoje, no Dia do Pai, aquele que foi o pai de muitos, no seu muito amado Campo Maior.

Com 91 anos esta sim, foi uma daquelas vidas que foi realmente vivida, que valeu por muitas e que ajudou muitas a viver.

Numa altura em que cada vez mais se olha para o próprio umbigo, julgo ser importante sublinhar que o fundador da Delta Cafés era um homem imensamente rico, e que os seus descendentes continuarão imensamente ricos. Pelos menos no que à questão monetária diz respeito, porque em questões de iniciativa, empregabilidade e filantropia, se fizerem metade do que fez o Comendador, já não estaremos nada mal.

Morreu hoje, o pai da Delta, café que eu nem aprecio, mas que no acto de o bebericar levamos aos lábios mais que uma bica, levamos história.

16
Mar23

É apenas uma questão de inclusão


Pacotinhos de Noção

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Isto não é inclusão, é idiotice.

Recentemente fiz um post criticando quem utiliza apelidos como “monhê”, “chinoca”, “escarumba”, etc., mas aqui não é o mesmo.

Adjectivar uma pessoa gorda, de gordo, ou um anão, de anão, se não existe nada mais característico que o defina, não é faltar ao respeito, é usar uma característica física que facilita a identificação do sujeito. Não digo que se vai chamar a pessoa de gordo, ou anão. Aquilo que digo, é que se está um homem preto e outro cigano, a referirem-se a um gordo que almoçava no restaurante cujo dono era anão, e nenhum deles se conhece, por isso não sabem o nome de cada um, assim como eu também não conheço o nome do homem preto e do cigano, nada mais simples do que usar essas características para identificar.

Lembro-me de quando se começou a falar desta moda da inclusão a ferros, que alguém brincava com o filme “Fugitivo”, com o Harrison Ford, em que o vilão era “O Maneta” e era assim que o protagonista do filme se referia a ele. Hoje isto não aconteceria. O vilão poderia facilmente passar pelas forças da autoridade e nada lhe aconteceria, porque a característica que o diferenciava de todas as outras pessoas, era como o Voldemort, não podia ser mencionada.

Substituir adjectivos como “gordo”, “escuro”, “anão” e “cego”, por outro menos ofensivo, faz-me lembrar umas senhoras, sempre muito simpáticas e amigáveis, que gostam de todas as pessoas, e que quando têm contacto com um bebé preto, fazem um comentário que não sendo propriamente racista, e sendo até condescendente, consegue levar o racismo a níveis estratosféricos, que é o “COITADINHO”. Nunca ouviram?

Já ouvi várias vezes. Fazem festinhas no miúdo, olham em volta para garantir que há quem veja que elas até se dão bem com aquele espécime inferior, e dizem:

“Mas ele até é girinho, coitadinho…”

Todas as pessoas com uma qualquer característica diferenciadora, sabem que a têm. O careca, o baixo, o magro, o gordo, o coxo, o gago, e o curioso é que quando é para eles próprios identificarem-se ao telefone, por exemplo, dão essa característica. Tenho exemplo disso em clientes que quando falam comigo ao telefone dizem “sou o Álvaro, aquele tipo coxo”. Como é óbvio eu quando lhe ligo não pergunto de falo com o Álvaro Coxo, mas se me for referir sobre ele a alguém, será assim que facilito a minha explanação.

A clara noção com que se fica é a de que quem tem estas ideias peregrinas, são pessoas que não desenvolveram algo tão simples como a sensatez e o discernimento. São daquelas pessoas idiotas que julgam que têm que ensinar tudo a todos, e que a sociedade só funcionará se fizerem as coisas conforme eles querem, até falar.

Isto mostra-nos que a evolução é uma mentira.

Tecnologicamente estamos mais avançados que nunca, mas os computadores e smartphones não funcionam para nos esclarecermos, informarmos, evoluirmos e aprendermos. Servem para jogos, danças no Tik Tok, filmar escaramuças fazendo comentários despropositados e ansiando que aquilo viralize na internet. Estamos reféns de uma ditadura da aparência, da falsa popularidade e de uma inclusão que não tem razão de ser porque ninguém se inclui em nada. Todos ficam fechados nas suas conchas, sofrendo em silêncio a solidão e o desconforto que é viver nesta sociedade de aparências. Uma sociedade que se preocupa muito mais se chamam o gordo de gordo ou enorme, do que se o gordo por ser gordo é menosprezado, e assim deixado num abandono emocional que o fará ser cada vez mais e mais gordo, acabando por poder vir a ser um gordo enorme.

10
Mar23

Não armo problemas com ninguém...


Pacotinhos de Noção

… nem sou conflituoso, mas após ver este vídeo, sinto que alguém devia levar nas trombas.

Depois desta tortura de cerca de 1 minuto e meio, surge em mim uma mistura de sentimentos. Se por um lado gostaria de abraçar e reconfortar aquele menino, por outro gostaria de dar umas valentes lambadas nos outros. Só para eles terem uma pequenina percepção da impotência que o colega sentiu.

Tudo está mal nesta situação, e o problema não se resume a esta escola, mas servirá como exemplo perfeito, por parecer que a bizarria foi feita à medida.

Para começar queria dizer que a javardona, de cabelo sujo, que fala no vídeo não devia nem sequer passar à porta de uma escola, quanto mais trabalhar com crianças.

Parto do princípio que será uma das Auxiliares de Acção Educativa da escola. Daquelas das que não podem andar atrás de todos os alunos.

Na escola primária onde andei, a antiga P3 de S.João do Estoril, tínhamos 3 contínuas, pois era assim que eram chamadas, numa altura em que trabalhar e cuidar dos miúdos era mais importante do que ir fumar para a porta das traseiras do refeitório, ou estar a falar mal das colegas, ou das professoras.

Eram a D.Rosa, a D.Inácia, e uma contínua grandalhona de quem nunca soube o nome.

Os portões da escola estavam sempre abertos, e não existiam os gradeamentos, estilo prisão, que hoje existem.

Sendo só 3 as contínuas, a verdade é que volta e meia estávamos a ouvir uma reprimenda para não fazer isto ou aquilo, e não era rara a vez em que meninos ficavam sem intervalo, de castigo, devido a algo que fizeram, e que as docentes toparam, durante as rondas do recreio.

Mesmo sendo só 3 ainda faziam coisas como limpar as salas e aquecerem as marmitas dos miúdos.

Na escola do meu filho (ainda está na pré-primária), além de uma educadora, há ainda uma auxiliar por cada sala, e pelo menos mais umas 4 espalhadas pela escola. Também dizem que não são suficientes, e que não podem andar atrás de todos os alunos.

A javardona do vídeo não hesita em atribuir a culpa a um presumível pai alcoólico que, segundo diz, nem alimenta em condições o filho. Aquilo que uma escola normal, com pessoas normais a lá trabalhar faria, ao saber que a criança pertence a uma família problemática, era proporcionar o conforto e a segurança que ele não tendo em casa, poderia encontrar na escola, mas não. Em vez disso temos uma retardada a dizer que o miúdo em casa come mal e que toma os medicamentos erradamente, acabando assim, por ter os seus “cheliques”.

Autismo não é “chelique”, e quando alguém se refere à doença dessa forma, só a certifica como sendo burra e ignorante, algo que não abona muito a favor do Ministério da Educação que, pelos vistos, tem uns critérios muito latos para a contratação de uma auxiliar.

Estou revoltado com a situação e muito com a atitude da auxiliar porque, vou aqui admitir, o meu filho faz uma semana que não vai à escola devido a situações, não tão graves como esta, mas que, por parte das auxiliares, a reacção e os argumentos foram exactamente os mesmos.

O meu filho tem 5 anos, e não tem nenhuma patologia, muito pelo contrário.

Como disse, está na pré-primária, mas só entrou este ano. Aprendeu sozinho aos 4 anos a ler e escrever, e já sabe somar e subtrair. É um miúdo lindo (sou suspeito para falar, mas de facto tem uma beleza fora do normal) e é altíssimo para a idade. Com 5 anos tem o tamanho de um miúdo de 8 ou 9. No entanto, tem um grande defeito que é o de ser um parvinho.

É comum roubarem-lhe o lanche, brinquedos e até tentarem bater-lhe. 

Quando falei com a educadora, e com a auxiliar, a queixar-me da situação, os argumentos foram de que “são poucas, não podem andar atrás de todos os alunos e que os meninos em questão nunca foram problemáticos e não são conflituosos”… Isto lembra algo?

É muito natural que os alunos em questão não sejam de dar problemas, ou pelo menos é natural que as funcionárias não saibam desses problemas, porque uma das coisas que elas repetem aos alunos, até à exaustão, é que NÃO QUEREM QUE ELES FAÇAM QUEIXINHAS A NINGUÉM. Ora isto, no meu entender, é muito perigoso, e completamente contrário ao que tenho ensinado ao meu filho. Se há coisa que quero que ele faça é precisamente que seja queixinhas. Que conte, de imediato, a um adulto, se alguém lhe fizer mal, ou se tiver conversas menos próprias. É assim que deve ser, numa altura tão cheia de perigos. Ainda por cima nem na escola podemos confiar, pois quando se juntam um grupo de rufias, que não têm nenhum pudor em bater num coleguinha autista, deixando-o até a sangrar, e ainda filmam o acto, então temos o caldo entornado, porque a ideia que dá é que não querem que este tipo de problemas se saibam, para que assim não tenham que agir.

Por fim, gostaria também de falar em algo que já escrevi em tantos outros textos, e que é a demissão dos pais na questão da educação.

Há pouco vimos uns bandidos, de 14, 15 e 16 anos, a bater com um pau num imigrante, e até a tentarem incendiar-lhe o cabelo. Foi outro acto de violência gratuita, por parte de jovens.

 Enquanto os pais destes meninos, que mais tarde serão homens, preferem dar telemóveis onde os miúdos afundam a cabeça, ficando alheios de tudo o que se passa à sua volta, deixando de ter contacto visual com outras pessoas e com outras crianças, em vez de lhes darem atenção, criarem bons momentos familiares, e até repreenderem quando o devem fazer, contribuem para criar seres vazios de sentimentos, com emoções e prioridades trocadas, onde a definição de empatia é apenas algo que lhes fica bem escrever nas redes sociais.

Ontem foi o dia da mulher, são seres frágeis que muitas vezes perecem às mãos dos homens com quem se relacionam, e a luta das mulheres é muito válida, mas convém dizer uma coisa... São adultas, o que à partida garante que já têm uma estrutura psicológica para perceber aquilo pelo que passam, e até a recorrer ao socorro que as pode libertar, mas uma criança! Uma criança ainda não está formada nesse sentido, e a fragilidade dela é total, o que significa que quando lhe batem, a ponto de a fazer sangrar, quando a gozam, quando lhe tiram os sapatos e os atiram ao ar, apenas para humilhar, à criança resta muito pouco mais a fazer do que aquilo que este menino fez, que é chorar, gritar e pedir que parem... Os outros são genuinamente maus e não pararam, e também não houve um único adulto que lá os fosse parar. 

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