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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

25
Mai21

A pandemia deu um pandemónio de educação


Pacotinhos de Noção

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Sobre o início da pandemia.

Vou relembrar a esperança instalada nalgumas pessoas, que afirmaram no início deste fado, que a pandemia também traria coisas positivas, sendo que a mais evidente seria a empatia, a proximidade e o reforço da humanidade.

Estas previsões pareciam as dos astrólogos, que no início de cada ano dizem aquilo que inventam, e que em nada acertam. No princípio, quando todos julgavam que "isto" ia durar uns 2 ou 3 meses, havia gente a bater palmas às janelas, a fazer serenatas, a emocionarem-se com as palavras do Bento Rodrigues e do Rodrigo Guedes de Carvalho. Ao passo que foram entendendo que a situação afinal não era uma mera brincadeira, então começou a mostrar-se a verdadeira essência do ser humano actual.

Primeiro foi a situação do papel higiénico. Amedrontados com o facto de puderem ser apanhados pelo COVID com as calças na mão, o "tuguinha" decidiu que até podia ficar com o rabo de fora, mas tê-lo-ia tão limpinho e tão lustrado, tal foram as engraxadelas à base de tantos rolos de papel higiénico, que com o espanto de ver esfíncteres tão imaculados, o vírus viraria as costas e ia embora, todo envergonhado. Este foi dos primeiros actos de estupidez e egoísmo, e foi mesmo no princípio, para que ninguém se cansasse de esperar...

Depois foram os passeios higiénicos. Nunca se viu tanta gorda de leggings como agora. O passeio deixa de ser assim tão higiénico, quando as leggings usadas são sempre as mesmas, e aparentam ser lavadas muito de vez em quando. Todos pensaram o mesmo e todos se acharam mais inteligentes e iluminados que todos os outros. O pensamento era "vou dar as voltinhas que quiser dar, mas como vou com roupa desportiva digo que estou no passeio higiénico". 

As luvas e as máscaras passaram a ser uma realidade diária. Entretanto as luvas deixaram de se usar tanto. Na minha opinião porque esteticamente, no chão, são menos apelativas que a máscara. A luva dá a sensação de que uma peixeira estava a escamar uma dourada, teve que sair de repente e deixou a luva caída no chão. Já a máscara dá mais estatuto. Quando a vemos no chão a ideia com que ficamos é a de que um médico teve que sair de urgência, para ir salvar uma vida, e nem teve tempo de a colocar no lixo.

Outra das características que ficaram mais vincadas na sociedade foi que deu para perceber, ainda melhor, que a grande maioria das pessoas são porcas. Percebe-se pelas tais luvas e máscaras no chão e também pelo aumento de poias de cães. Passear o canito era mais uma desculpa para andar na rua, mas se bem me lembro não havia nenhum decreto que desse minutos extra de soltura por andar a apanhar bostas. Então vai de deixá-las onde estão.

Filas de supermercado. Havia intermináveis.

Quem quisesse ir buscar um pacote de leite, amaldiçoava a hora em que não comprou uma vaca para ter em casa. Escusado será dizer que se viam famílias inteiras a ir "passear" para o supermercado, e não era rara a vez em que utilizavam o argumento do puto de colo, para passar à frente na fila.

Mas depois de 2 anos de pandemia, a verdade é que se nota que, talvez pelo facto de se ter perdido o hábito de nos cumprimentarmos, as pessoas estão mais mal educadas. É que não é um aperto de mão ou 2 beijinhos que demonstram o quão educado se é.

Estive há poucos dias no hospital. O número de lugares sentados é consideravelmente menor que antes, uma vez que se têm que respeitar distâncias de segurança. A verdade é que nunca tinha visto tanta correria às cadeiras como agora. Ainda por cima de malta mais nova, que quase atropelam os velhos para se conseguirem sentar antes deles. Uma miséria de gente que levou a conversa do Rodrigo Guedes de Carvalho do "aos vossos pais pediram que fossem para a guerra, a vocês pedem que fiquem no sofá..." demasiado à letra. Mas daquilo que percebi, o sofá é em casa, pá!!

Para mim, o balanço que faço desta pandemia acaba por ser positivo, no sentido em que dantes achava que era rezingão, pois tinha a desconfiança de que a sociedade era desgraçada, podendo ser injusto e estar errado. Agora vejo que não estava e o facto de estar certo é extremamente positivo. Pelo menos para mim é.

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