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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

08
Mar21

Ano não é ano e mês não é mês!?


A.K.

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Hoje nas notícias da TVI , e depois no Observador Online, li: "Fevereiro foi o 5.º ano mais quente desde 1931 em Portugal Continental".

Senti-me estúpido porque achei que esta frase não fazia sentido. Pensei que o correcto sería: "O mês de Fevereiro deste ano foi o 5° mais quente, desde 1931, em Portugal Continental".

Mas devo estar confuso. Não acredito que a redacção do Observador deixasse passar este erro, não acredito que depois a TVI, quando fosse copiar a notícia para transmitir como sua, não desse pelo mesmo erro e não o emendasse. Tenho para mim que esta será uma frase com um qualquer parecer científico em que de repente Fevereiro passa a ano enquanto que os outros meses continuam apenas a ser meses. Afinal de contas Fevereiro é tão nojentinho que é até o único com 28 dias, só para ser diferente... A coisa piora quando para ser mais diferente ainda, e numa altura em que já nos habituámos aos 28 dias que tem, ele se lembra de depois de 4 anos ter 29... 4 anos e muda tudo. Até os leasing dos carros são de 5 em 5 e Fevereiro não aguenta mais que 3 seguidos com 28 dias?

Mas voltanto ao início da questão. Quando estudei comunicação uma das disciplinas à qual era dada importância era ao Português, para que soubessemos estruturar uma frase ou um discurso, para não cometermos erros de concordância e para que nunca, mas nunca, confundissemos um mês com um ano. Este tipo de erro poderá parecer de gravidade menor, e até é, se não trabalharmos num órgão de comunicação social que se expressa por meio de escrita e palavras. A gravidade aumenta quando percebemos que o crivo qualitativo de um jornal e canal televisivo é alargado o bastante para deixar passar estas gralhas.

Sei que não é uma confusão temporal e sim apenas uma frase mal elaborada, mas isto não deveria acontecer.

Sou saudosista por natureza e longe vão os tempos (que se diga, não os vivi) em que as notícias tinham pessoas como bons revisores de texto, e não correctores ortográficos automáticos, em que existiam jornalistas de dicção perfeita e com um léxico extenso o suficiente para fazer sentido aquilo que diziam, mesmo quando falhava o teleponto, que aliás para alguns pivôs nem existia, ou quando havia um directo cuja necessidade de dar a notícia "sem rede" era imprescindível.

Vivemos num país cuja a escolaridade tem vindo a aumentar, a taxa de insucesso escolar tem vindo a diminuir, o analfabetismo concreto tem vindo a desaparecer, mas a falta de compreensão e a dificuldade de expressão têm aumentado a galope, e se os meios, que se querem de informação, não se regularem por nada menos que a excelência, então não temos para onde nos virar... Mas não faz mal, afinal de contas ontem começou o "All together now".

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