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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

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Pacotinhos de Noção

21
Nov21

Décadas para construir, 3 horas para destruir


Pacotinhos de Noção

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ATENÇÃO: Este post tem spoiler forte. Daquele spoiler tão spoiler que foi o que originou a que inventassem a palavra spoiler

Vi este fim de semana o último filme da série do espião James Bond, o "007: Sem Tempo Para Morrer".

Foram quase 3 horas de filme que conseguiram destruir aquilo que levou anos a construir. Desde 1962 que foi construída uma personagem que se poderia considerar perfeita. Tão perfeita que conseguiu resistir ao facto de nestes anos todos ter tido 6 actores diferentes a interpretarem-no. Para mim o verdadeiro James Bond será sempre Sean Connery mas também gostei bastante de Roger Moore e Pierce Brosnan.

Daniel Craig acabou por não me convencer mas também não teve a tarefa facilitada, pois prejudicou-o o facto dos directores começarem a tentar inventar formas de transformar o espião num tipo mais humano e com sentimentos, envolvendo-o em casos amorosos mais pessoais e que lhe toldariam o discernimento, e apostando também na fórmula das conspirações que viriam de dentro da própria organização, MI6.

Neste "Sem Tempo Para Morrer", o director Cary Fukunaga, utilizando um termo mais técnico, inventou para caraças. Foi buscar personagens de filmes anteriores (é moda agora, talvez fruto da falta de imaginação) e vestiu James Bond com uma roupagem ainda mais sensível e familiar, fazendo com que o espião, depois de quase 80 anos de envolvimentos amorosos, muitas vezes mais do que um por filme, engravidasse o elemento feminino da trama para ser depois pai de uma menina.

Nunca se vira um James Bond com lágrimas nos olhos nem um que tivesse a tentação de dar uma seca de valores morais ao vilão.

Este filme do 007 poderia ser confundido com outro qualquer filme de acção. Não se destaca por nenhuma sequência em especial e está demasiado recheado de tiros para lado nenhum, contra capangas do vilão que nem se chegam a ver. 

Os "clichés" da sociedade actual estão lá todos. O empoderamento da mulher, um Q que nunca mostrou ser homossexual, mas que neste filme prepara um jantar para um suposto namorado, e a destruição do estigma racial quando colocam uma personagem feminina negra, como uma nova 007 que tem o poder de actuação e o carisma de uma couve-de-bruxelas.

De sublinhar a frase foleira — "Que horas são? Horas de morrer." — quando esta personagem mata um cientista que, de forma despropositada no contexto do filme, afirma que lhe seria muito fácil destruir todos os elementos da etnia dessa personagem.

Mas para terminar em grande, o que Cary Fukunaga decidiu fazer para vincar o seu nome na história dos filmes do James Bond? Decidiu matar o espião inglês.

Visto que James Bond foi infectado por um vírus que não lhe permitia ter contacto com a mulher e com a filha, e Daniel Craig decidiu que este seria o seu último filme como funcionário do MI6, o director não se sentiu com coragem para fazer a personagem ser alterada de fininho, como se fez das outras vezes, e acabou por matar o espião numa explosão sem hipóteses de fuga.

A ideia com que fica é que estarão, de facto, a preparar o terreno para romperem com a totalidade da génese de 007, inventando ou um 007 negro, ou um 007 feminino, ou um que una ambos.

Virá mal algum ao Mundo? Vir não vem, mas fico a aguardar uma Branca de Neve sem os 7 anões, uma Gata Borralheira que seja afinal um gato e uma Bela Adormecida que seja feia que nem um carapau.

O mal que vem ao Mundo é que a personagem não foi feita desta forma sendo desvirtuar aquilo que foi inventado.

O facto de ser uma personagem negra nem me incomoda, porque de facto o ser caucasiano não altera a essência da personagem, mas o ser mulher... E quem quiser ver aqui um acto de sexismo da minha parte poderá fazê-lo à vontade, assim fica mais fácil para mim, verificar quem realmente pensa ou quem se deixa apenas guiar pelas modas ridículas da sociedade. Não é assim que se atingem igualdades, apagando tudo aquilo que já existia. Faz lembrar as queimas de livros que os nazis tanto gostavam de fazer.

Em relação ao filme... Sempre quero ver o que para aí vem. Para 007 foi injusto este desfecho e também o foi para Daniel Craig, que acabou desta forma por sair pela porta pequena. Vários actores tiveram dificuldade em se descolar da personagem do James Bond, Daniel Craig não nos sairá da memória como o 007 que morreu e poderá ter iniciado o declínio de uma personagem com tanta história.

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