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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

23
Mar21

Importações importantes


Pacotinhos de Noção

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Já foi o tempo em que a Portugal tudo chegava anos depois.

Com a sede de vanguardismo, e graças a vivermos numa enorme aldeia global, as novidades agora chegam num espaço de dias, quando não de apenas horas.

Isto seria de facto positivo se o que nos chega a velocidade supersónica fossem coisas importantes e que realmente valessem a pena, mas infelizmente não é o que acontece.

O que rapidamente nos chega é o que é mais irrelevante e muitas vezes até azeiteiro. Se calhar é por isso mesmo que cá chega depressa, porque com o azeite escorrega melhor.

Primeiro foram as palmas ao pessoal que trabalha na área da saúde. Começaram fora das nossas fronteiras mas rapidamente aqui entraram.

Foi um gesto muito bonito para quem aprecia, mas não é demais recordar que cerca de um mês antes da chegada da pandemia, as notícias que se viam acerca dos profissionais de saúde era que recebiam palmas, mas era na cara e o clima de medo que sentiam ainda não era contra a COVID mas contra "esperas" feitas à porta das urgências para "fazer a folha a este ou aquele médico". E o respeito pelos profissionais de saúde acabam nas palmas e nos murais desenhados nas cidades, porque quando estes apelavam para que as pessoas se protegessem, a maior parte fazia ouvidos moucos.

Ouvidos moucos que só funcionavam quando era para ouvir as cantorias e serenatas nas varandas. A início o pessoal levou isto na palhaçada e até pensavam que o confinamento iam ser 10/15 dias, e então para fazer gracinhas começaram a cantar e a fazer espectáculos nas varandas, como lá fora faziam... Não correu assim tão bem, porque enquanto em Itália se ouviam tenores aqui tinhamos que nos ficar pelo José Malhoa.

Arco íris à janela não dá imunidade de grupo, caso contrário estava tudo imunizado e o COVID há muito tinha desaparecido. Muitas impressoras viram os cartuchos de tintas esvaziados como se não houvesse amanhã. Era urgente imprimir as 7 cores do arco da velha e dar a perceber que "vai ficar tudo bem". Como se sabe não ficou tudo bem, cada vez se vê mais arco íris de cores desbotadas e teria sido muito mais económico se os arcos fossem a preto e branco. Importa referir que este grandioso golpe de marketing, que ao que se saiba poucas ou nenhumas vendas rendeu, foi iniciado por crianças, também em Itália, que realmente quiserem criar algo que desse esperança aos mais velhos. Já a frase "Vai ficar tudo bem" também foi  golpe de marketing, feito por uma artista italiana, mas essa sim conseguiu lucrar com o feito, pois até lançou um livro sobre o assunto.

Com tanta importação de coisas sem importância aguardo quando se vai importar a nova moda.

Vi hoje nas notícias que em Espanha a nova moda é uma festa de dança silenciosa, em que todos dançam, ouvindo música pelos auscultadores... Poluição sonora não causam, mas visualmente parece uma dança de acasalamento de pessoal pedrado, e a verdade é que só estarem pedrados justifica a irresponsabilidade de livre e espontânea vontade criarem um foco de propagação do vírus, só porque sim. Estou à espera de ver uns quantos alucinados, na Praça do Comércio, a fazerem esta dança silenciosa. Se deixarem um chapéuzinho no chão deixo lá a minha moedinha de 0,10€. Se deixo a outros malucos porque não hei-de deixar a estes.

Por último uma moda que não acredito que chegue cá.

No Brasil marcaram uma festa dentro de uma carruagem de um comboio público. A carruagem encheu na totalidade e a festa ocorreu durante o período de funcionamento normal do transporte de passageiros. Cá em Portugal não acredito que aconteça. Na linha de Sintra era provável que houvesse a supressão do comboio naquele horário. As pessoas chegavam para a festa e não havia festa nenhuma. Na linha de Cascais poderia haver o comboio, mas caia uma cantonária, como tantas vezes acontece e ficava ali o comboio parado e ia tudo para casa a pé.

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