Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

30
Dez21

Nem bom nem mau, antes pelo contrário


Pacotinhos de Noção

MV5BNjZjNDE1NTYtYTgwZS00M2VmLWEyODktM2FlNjhiYTk3OG

Já li várias críticas ao filme Don't Look Up. Umas eram muito favoráveis, afirmando ser um filme espectacular, e outras eram não tão favoráveis, dizendo que de comédia tinha pouco, e que era uma desgraça.

Agora a opinião que conta, a minha.

Primeiro devo dizer que é um filme Netflix, e logo aí a minha expectativa fica em níveis muito baixos. Isto não é preconceito, é apenas constatação de um facto.

A empresa lança filmes em catadupa, e como qualquer indústria que visa a quantidade, na maior parte das vezes a qualidade fica muito aquém.

Podem argumentar que todos os grandes artistas estão na Netflix. Claro que estão. Pagando o preço que eles querem, até filmes de Bollywood faziam.

Se as lojas dos chineses pagassem bem por publicidade, também não seriam lojas dos chineses, seriam o El Corte Inglês.

Este filme não vale pela história, pela comicidade, nem pelo desempenho dos actores, que tem em DiCaprio a estrela da companhia. Don't Look Up tem na sátira e na crítica social e política, a sua arma diferenciadora.

Gostaria que transportassem as jogadas políticas, existentes no filme, para a realidade portuguesa e vão perceber o paralelismo que se vislumbra com o que agora se passa com o nosso destituído Governo.

As eleições estão à porta e agora a luta contra a Covid não é uma luta contra o vírus e sim uma pura demonstração de marketing político populista.

As medidas implementadas são como o enorme braço de um pai ausente, que só passa pelos ombros do filho, quando lhe quer pedir que vá ao frigorífico buscar uma cerveja e lhe pede que se mantenha caladinho, para o pai poder ver a bola. É como aquele pavão vaidoso, que não serve para nada, mas que para se fazer notar abre aquele leque grande e colorido.

As jogadas políticas que vemos no filme não foram inventadas para nos entreter. Aliás, no início do filme deveriam ter escrito um pequeno prólogo a informar que "ESTE FILME É BASEADO EM RASTEIRAS POLÍTICAS REAIS".

Temos também todos aqueles estereótipos dos jornalistas bacocos que nada levam a sério. Há uns anos não teríamos como identificar estes "jornalistas", mas agora basta ligar a televisão na TVI, logo de manhãzinha e ver o que por lá se passa. Risinhos amarelos e piadas sem graça nenhuma, mas que geram gargalhadas estéreis, necessárias para que em casa pensem no quão hilariante está a ser a manhã, num programa que, para os velhotes, sempre foi uma pasmaceira, porque eram blocos noticiosos onde teimavam em dar notícias.

Temos a crítica ao tipo de esquerda, que venera a bíblia, e até temos a crítica ao pessoal contra o glúten, a carne e a lactose.

É um filme que por um lado me agrada, por criticar coisas que estão cada vez mais enraizadas na sociedade e que me incomodam, mas por outro lado, também me desagrada, e exactamente pelo mesmo motivo.

Não vou contar o final, mas posso dizer que o resultado é a consequência do pouco caso feito acerca da descoberta efetuada pelos cientistas, interpretados por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, e também aqui 

existe uma crítica ao facto de estarmos tão centrados no "eu" e no "meu" e tudo o que esteja à volta é apenas poeira.

Querem uma comédia para rir que nem uns doidos? Então esqueçam, este não é o filme.

Querem um filme com diálogos profundos e espectaculares? Também não é este filme.

Conta com boas atuações, mas nada que chegue para ser sequer apontado a prémios de cinema ou algo que se pareça.

É um filme inteligente, que nos faz pensar e comparar com a realidade do dia-a-dia. Vai mudar mentalidades? Dificilmente, mas pode ser que limpe alguma névoa mental.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub