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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

07
Abr21

Parem de me dar colinho


A.K.

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A maior luta que os  pais enfrentam é principalmente com eles mesmos. Por um lado querem que a sua cria cresça, mas por outro dão-lhes colinho porque não querem que a vida lhes apresente dificuldades, não querem que os filhos se frustrem ou simplesmente porque são um tanto ou quanto controladores. A verdade é que, enquanto crianças, muitas vezes o colinho é agradável e até dá jeito.

Acontece que a partir de determinada altura já não queremos mais esse colinho dos pais. Aprendemos a andar pelas nossas pernas e, na verdade, começa a chegar uma altura em que o colinho deve até ser direccionado aos pais, que estão cansados e precisam de quem cuide deles.

É o tempo de sermos adultos, sermos donos dos nossos narizes, ninguém nos dizer o que fazer e mandarmos em nós próprios, certo?

ERRADO.

Vivemos na utopia de que somos donos de nós mesmos, mas a realidade é outra.

Pagamos um imposto especial no combustível para que assim nos regulemos de forma a gastar menos, porque sendo um combustível fóssil agride o meio ambiente.

Pagamos um imposto especial no tabaco porque o tabaco mata e em teoria, aumentando o preço o fumador vai pensar duas vezes e assim não mais coloca um cigarro nos lábios.

Pagamos um imposto especial nas bebidas açucaradase porque a obesidade é uma realidade e para evitar que se consumam estas bebidas inventou-se mais um imposto... Curiosamente este imposto também aumentou o preço dos refrigerantes que não têm açúcar na sua composição. Os chamados Zero, ou justamente, Sem Açúcar. Falando em açúcar convém também lembrar que os pacotes de açúcar do café passaram de 8 para 6 gramas, por três motivos:

1° - para, mais uma vez, lutar contra a obesidade

2° - para nos amargar a vida

3° - para os puristas do café encherem o peito de ar e dizerem "para mim café é sempre sem açúcar"

Os sacos de plástico também se pagam porque é preciso. Não nos é permitido comprar copos, palhinhas e cotonetes de plástico. As gorduras são "trans" e por isso aconselham que não sejam consumidas. Os "jaquinzinhos" deixam o arroz de tomate sozinho no prato porque também não nos permitem comprá-los... Faça desporto, desligue a luz, não tome antibióticos, não vá para a praia a determinadas horas, meta os seus filhos na pré-primária, não consuma glúten, não coma carne... CARAÇAS.

Eu pensava que era adulto, que faria o que queria e a verdade é que sei que nunca, em altura nenhuma da história, houve quem fizesse tudo o que realmente queria, porque para viver em sociedade tem que haver regras, mas a verdade é que as limitaçõezinhas e imposições que vão inventando todos os dias, são situações que os nossos pais não sentiram.

Eles viveram uma ditadura real. Uma época em que havia mordaças e regras rígidas, mas que todos sabiam que aconteciam porque se vivia, precisamente, uma ditadura.

Hoje em dia vivemos em democracia mas mais parece uma ditadura encapotada.

Não quero que me digam quanto açúcar ponho no café, se devo ou não lamber uma barra de sabão ou martelar um dedo do pé. Muitas das regras são impostas para uma tentativa de dar a entender que há coisas que nos fazem mal, mas eu não quero um Estado condescendente. Um Estado que acha que tem que me pegar ao colinho e limpar-me o rabinho, quando na verdade pouco querem saber da saúde pública e o que me querem limpar é a carteira.

Sinto-me um bebé grande por dois motivos.

Um é porque não posso andar pelo meu próprio pé, estão sempre a dizer-me o que fazer, e o outro é porque me acham estúpido o suficiente para não perceber que as tais regras/indicações/imposições, servem na sua grande parte para conseguir cobrar apenas mais um ou outro imposto.

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