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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

17
Set21

Polícia na moda


Pacotinhos de Noção

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Numa vida passada devo ter sido um gatuno ou outro tipo qualquer de fora da lei, porque quando passo por polícias fico sempre com receio de que me mandem parar. Tanto a pé quanto de carro.

Uma vez que nunca cometi qualquer tipo de crime, só consigo justificar este meu sentimento com uma palavra. Respeitinho. Daquele, que é muito bonito e todos gostam.

Mas começa a ser um pouco mais difícil manter este meu respeitinho.

Nada contra as autoridades e até nem sou um adepto do "fuck the police".

Gosto deles, preciso deles e a polícia é como o dinheiro, quanto mais melhor. Mas tenho uma característica que é a de achar ridículo homens com calças apertadinhas e daí o meu respeito estar a mudar.

 É verdade. É um preconceito como outro qualquer e pasmem-se, embora pareça, não sou perfeito e também tenho preconceitos.

Dentro da farda de um polícia existe uma pessoa. Muitas das vezes essa pessoa é um homem, e como a nova mania dos homens é andarem de calças mais apertadas que os collants do Robin dos Bosques, reparei que também os polícias querem ser vítimas da moda e começaram a apertar as calças da farda.

Qual o problema, perguntarão alguns de vocês.

Vários. Numa corrida entre, um meliante de calças largas e um polícia de calças apertadas, claramente o meliante leva vantagem. Se tiver então a presença de espírito de saltar por cima dum muro, era uma vez um polícia. Nem por um decreto, o polícia das calças apertadas, conseguirá alçar a perna, para fazer a maldita escalada.

Cada um é livre de vestir o que quiser, mas há que perceber que há coisas que são adequadas e outras não. Falo principalmente na questão de fardamentos. Quando alguém, no seu emprego, tem que vestir uma farda, ainda para mais na área da Segurança Pública, há a necessidade que perceba que a farda foi concebida e idealizada para aquela função. Se não tem, por exemplo, as pernas apertadinhas de forma a cortar a circulação, então não se deverá poder alterar de forma a que assim fiquem.

E não é de todo adequado. Eu quando vou ao dentista não estou à espera de ver um tipo de havaianas e camisa de cava com a broca na mão para me obturar um dente.

Há tempos houve a polémica de um professor da Faculdade de Direito da Universidade do Porto que se recusou a dar o exame à aluna por achar que a rapariga não estaria vestida de forma adequada. Estaria muito destapada.

Foi chamado de porco, tarado, misógino, castrador. Mulheres, que habitualmente roem os ossos umas das outras, uniram-se contra o badalhoco do professor, homens que aproveitam qualquer situação para fingir que defendem a causa feminista, podendo assim tentar aproximações ao sexo oposto, quase que ameaçavam de porrada o docente, que para eles era indecente...

Raras foram as pessoas que tiveram a coragem de ir contra a corrente e dizer que sim senhor, o professor até poderá ter tido razão. Há situações que requerem um código de indumentária diferente. Estamos numa faculdade de direito. Depois de formada, e no exercício das suas funções, a aluna, na altura advogada, irá apresentar-se a um juiz com roupas não tão próprias para ir a esse mesmo tribunal?

Se para sair à noite não podem ir com umas simples calças de ganga e uma t-shirt branca, porque é que para fazer um exame não pode pensar naquilo que iria vestir, se seria adequado ou não.

Não sou o polícia da moda e nem ligo assim tanto a roupa, aquilo que penso é que já se vestiu melhor, já se teve mais cuidado na apresentação, tendo em consideração a ocasião, e quando se trata de fardamentos não se devia sequer fazer alterações a essa roupa. Só os básicos, de bainhas ou apertar a cintura das calças.

No Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes, na Amadora, foram proibidas minissaias ou calções curtos, blusas decotadas ou "cai-cai", chinelos ou calças caídas deixando ver a roupa interior. Já chovem críticas e muitas de pais de alunos.

Mas está tudo doido? Respeitar a individualidade de cada um não é permitir-lhe que utilize cada canto por onde passa, como se fosse o seu quarto ou a sua casa.

Respeitar a individualidade é dar a perceber a alguém que poderá fazer as suas escolhas como indivíduo que vive em sociedade, e que terá respeitar também essa mesma sociedade. É uma relação recíproca.

Não o sabendo fazer, significa que não sabe utilizar a ferramenta que lhe foi disponibilizada.

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