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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

25
Fev22

Quem tem medo do Lobo Mau?


Pacotinhos de Noção

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Ninguém tem, ou melhor, ninguém tinha.

Como ninguém tinha, a mãe, senhora de aparente força de carácter, de aspecto europeu, foi inconsciente e deixou que a Capuchinho Vermelho fosse sozinha, levar a cesta à avó. É certo que lhe deu conselhos, como o de não falar com ninguém e não sair do trilho recomendado. Para não atravessar a floresta porque andava por lá o Lobo. Mas o Lobo sabia que não podia sair da floresta e que não podia frequentar o trilho? E porque precisaria ele de falar com a Capuchinho para lhe fazer mal? Seria para pedir autorização?

A Capuchinho foi irresponsável e saiu do trilho. Mandou-se para o meio da floresta ignorando o que lhe foi dito ou pensando que a mãe não seria inconsciente a ponto de a deixar exposta ao perigo. Tudo bem que lhe deu indicações, mas ela é apenas uma menina mais pequena do que o Lobo, com o seu aspecto de leste, com pele branquinha e cabelos loiros, e ela tinha a certeza que os pais protegem sempre os filhos e foi nisso que confiou.

Entretanto, a avó, senhora cheia de história, letrada, pois andou na escola alemã, também deixa a desejar, no que a responsabilidade diz respeito, e permite que qualquer um entre na sua casa, deixando-se enganar, a ponto de confundir um Lobo grande e mau, com a sua simpática e pequenina neta. Nem parece que tem nessa história que já viveu uma aliada, e que sabe que os lobos são seres matreiros e nos quais não se pode confiar, mesmo que sejam ensinados a dar a pata, não rara é a vez em que mordem a mão que lhes foi estendida.

O Lobo, que durante tanto tempo esteve controlado, mas que apenas vestia uma pele de cordeiro, "passou-se" e decidiu que haveria de comer tudo e todos, e foi o que fez.

Na história que hoje se escreve a Capuchinho seria a Ucrânia, que levada pela avó alemã e a mãe europeia, que mais parece madrasta, seguiu os conselhos de ambas e deixou de ter armas nucleares. A mãe e a avó disseram-lhe para não se preocupar, pois elas a defenderiam, mas o que na realidade aconteceu é que o Lobo deu-lhes uma grande volta.

Ao longo dos últimos tempos, deixaram de se focar no essencial e tiverem em linha de conta o acessório.

Enquanto o Lobo acumulava armamento, e enredava todos numa teia de necessidade energética, a mãe e a avó quiseram fazer bonito. Querem carbono zero, querem acabar com o uso de carvão para a produção de energia, não aceitam o nuclear e aquilo que importa é discutir quais os géneros que existem, se há mais riscas brancas do que pretas nas passadeiras, se as palhinhas são de papel ou de plástico e se a Greta está satisfeita o suficiente para não ter que perguntar de novo "How dare you?"

Agora pergunto eu... Como se atreveram, a mãe e a avó, a serem apanhadas com as calças na mão? 

O Lobo controla a energia, o Lobo tem o nuclear, o Lobo devora a Capuchinho e elas só podem olhar.

Já se ouviu o ralhete: — "Oh Lobo, ou páras, ou eu nem sei o que te faço!" — e a verdade é que não sabem mesmo, porque se tentarem matar o Lobo ele explode com tudo e acabou o clima.

A chuva que tanta falta faz, rezaremos para que não caia porque poderá ser ácida, o plástico que diabolizamos será uma inevitabilidade e o carbono zero há de ter os seus zeros, mas acompanhados com outros números à esquerda.

Falta ainda falar no caçador, que na história original acaba por salvar o dia, mas que aqui poderá ser aquele caçador bêbedo que dispara contra tudo o que mexe. Não é por mal, mas a subtileza nunca foi o seu forte e lá de onde vem, as terras do tio Sam, o fogo combate-se com fogo, mas muita gente pode sair queimada.

Estamos metidos numa história que vai ao encontro das dos irmãos Grimm, que embora tenham sido adaptadas como contos infantis, na sua génese são de terror.

Não sei o que vai aparecer ao virar da página, mas se fosse eu a escrever o Lobo ia sofrer, e dele não ia querer nem a pele.

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