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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

14
Dez21

Acusados que não acabam mais


Pacotinhos de Noção

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Nunca cheguei a abordar o tema da morte de Sara Carreira por vários motivos.

Primeiro por genuinamente sentir-me incomodado com a dor de um pai que perdeu a sua filha e, dá para perceber, perdeu também grande parte da sua vontade de viver.

Segundo porque não foram divulgados elementos suficientes para que pudesse formar a minha opinião, e por último porque se me fosse referir a este tema, algo que teria que abordar seriam as várias idiotices que se foram passando, como, por exemplo, tentar encontrar significados até na forma como os cães do Tony Carreira corriam na areia, formando S's. Esta pérola foi lançada pela Kátia Aveiro.

Agora que o Ministério Público já elaborou a acusação podemos uma vez mais deitar as mãos à cabeça e perguntar que justiça é esta, que parece brincar com os destinos de cada um, da forma que melhor lhe aprouver.

Se no caso de Eduardo Cabrita a dificuldade foi tentar fazer com que alguém deixasse de ser culpado, tentando culpar primeiro o morto, e no final o motorista, neste caso, como nenhum dos intervenientes desempenha um cargo governativo, foi decidido que quase todos seriam culpados.

Este é o exemplo perfeito de como uma simples decisão, tomada como inocente, pode ter consequências terríveis.

Paulo Neves, um indivíduo de 54 anos, já com alguns copitos tomados, decidiu fazer-se à estrada naquele fim de tarde já escuro, pois estávamos em Dezembro num dia ainda por cima chuvoso. No seu percurso, talvez por não se sentir totalmente apto para a condução, seguiu pela faixa da direita numa velocidade abaixo do mínimo permitido por lei. Ia a 30 km/h na autoestrada. 

Nessa mesma faixa da direita seguia a fadista Cristina Branco, com a sua filha de 10 anos. Ia a cerca de 100 km/h, sendo uma velocidade que está dentro dos limites da lei, podendo nós opinarmos se é demasiado ou não, tendo em conta a chuva que se fazia sentir, mas aqui estaremos apenas a basearemo-no numa suposição, algo que temos legitimidade para fazer. Quem não terá tanto essa legitimidade há-de ser o Ministério Público, pois das suas conclusões poderão sair pessoas acusadas injustamente. A acusação afirma que Cristina Branco seguia distraída, e que foi por esse motivo que não conseguiu evitar o acidente com o carro de Paulo.

De que forma conseguiu a acusação recolher indícios que levassem a concluir que Cristina Branco ia distraída? Há imagens disso, há elementos que o sustentem? E ir distraída é o quê? É ir a falar com a filha de 10 anos? É falar ao telemóvel? São coisas completamente distintas.

 Acusa também a fadista de que abandonou a viatura, apenas com os quatro piscas ligados, e que não colocou o triângulo de sinalização.

Pergunto. Após ter tido um acidente, estando a chover e estando escuro, quantos de nós não tentaríamos colocar a nossa filha em segurança e quantos se arriscariam a levar com um carro para ir colocar o triângulo de sinalização.

Aquilo que prova que esta mãe teve razão em abandonar o carro, é que minutos depois levou com o carro conduzido por Ivo Lucas, e em que seguia Sara Carreira. Se tivesse ficado no carro, ou se estivesse a colocar um triângulo de sinalização, a tragédia poderia ter sido maior e podíamos também estar a lamentar a morte de uma criança de 10 anos. Pelo contrário, em vez de acusar esta pessoa eu louvo o sangue-frio e a capacidade de ter salvo a própria filha.

Por fim temos Tiago Pacheco.

Tiago Pacheco seguia em excesso de velocidade, pela faixa do meio e andou mais de 90 metros pelo meio dos destroços do acidente sem nunca desacelerar, até vir embater no carro da cantora, que estava atravessado no meio da estrada.

Acho curioso que destas quatro pessoas, duas tenham sido acusadas de homicídio por negligência e as outras duas apenas acusadas por condução perigosa quando as duas acusadas de condução perigosa hão-de ter sido as que mais contribuíram para este desfecho.

Paulo Neves porque ia com 1,18 gramas de álcool por litro de sangue e a 30 km/h nums autoestrada, e Tiago Pacheco porque ia em claro excesso de velocidade. Ivo Lucas também ia acima dos limites e merece acusação.

Cristina Branco, por mais voltas que dê, não me parece ser culpada de nada, a não ser em tentar salvar a sua filha.

O Ministério Público quer usar este caso mediático para o fazer servir de exemplo, e até servirá, mas será como mais um mau exemplo de como a justiça terá sempre dois pesos e duas medidas... Cabrita que o diga, sendo que a sua medida é do tamanho da sua competência. Não existe.

03
Dez21

A tenda está montada e somos os palhaços


Pacotinhos de Noção

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Há dias em que nos sentimos afundados num mar de trampa e quanto mais nos debatemos mais somos engolidos, como de trampa movediça se tratasse. Hoje é um desses dias e temo que a coisa não melhore tão depressa assim.

Não sou minimamente nacionalista nem tenho um orgulho incomensurável de ser português, nem penso que sejamos melhores que os espanhóis, por exemplo. Também não penso que por termos uma franja de população vergonhosa que isso faça do país vergonhoso. É apenas um país habitado por gente que não vale um escarro.

Aquilo que me faz realmente ter vergonha, não de ser português, mas sim de ser um cidadão que convive com outros cidadãos que julgo serem pensantes, é estarmos no fim de uma legislatura de aldrabões, mafiosos e criminosos e ainda assim ter a clara percepção de que estes mesmos vigaristas, muito provavelmente, vão de novo ganhar as eleições. Assim como não sou nacionalista também não sou de esquerda, direita ou centro. Sou de ideias e de trabalho apresentado, e também sou crítico quando não existe esse trabalho e sim falta de vergonha crassa e descarada. Voltar a votar no PS, e na esquerda que hoje temos, é ser violado em determinada rua e voltar a passar naquela rua, apenas porque na outra temos que caminhar mais 5 minutos. Arriscamos a ser de novo violados, mas preferimos dores no rabo a bolhas nos pés.

Quem tiver tempo, e tempo sei que sobrará a alguns, desafio que façam um levantamento de obras públicas e desenvolvimento em geral do país, em anos de governo PS, e façam também um levantamento de escândalos quer de corrupção, lavagens de dinheiro, desvios de fundos e de descaramentos em geral, e depois afirmem se vale mesmo a pena votar nestes abutres.

A decisão tomada pela procuradora do Ministério Público, acerca do acidente que envolveu Eduardo Cabrita, não tem apenas uma palavra que a defina. Tem várias e todas muito feias. Pulhice, vigarice, conluio, maquinação e uma, peço desculpa, mas terei que a dizer, autêntica filha da putice.

Todos desconfiávamos que Eduardo Cabrita, o super-ministro, iria sair fresco e airoso de toda esta situação. Tínhamos a percepção de que o culpado seria o desgraçado atropelado, mas a voz do povo uniu-se e de certa forma defendeu a memória da vítima e ficou alerta para perceber se seria cometida injustiça ou não. A maior injustiça cometida não tem mais retorno, o homem foi rebentado por um BMW de um ministro ranhoso, que ordenou que deveria estar em determinado sítio a determinada hora, e como nova injustiça não poderia ser cometida contra o atropelado puxou-se a corda do outro lado fraco, e de quem poucos se lembraram, ou que até lembraram, mas que não queriam acreditar que houvesse o descaramento de quebrar essa parte da corda.

No final das contas o grande culpado deste acidente foi o motorista. O motorista decidiu por ele que os compromissos do ministro tinham que ser cumpridos e como tal teria que pôr o pé no acelerador. O ministro de nada sabia, ele era apenas um mero passageiro, assim como eu e você que me lê, e que é transportado no comboio da CP ou no autocarro da Carris, sem poder definir se o motorista anda rápido ou devagar.

Este argumento de indivíduo doente mental, de que é um mero passageiro, foi vomitado pelo próprio Cabrita, muito provavelmente após ter almoçado um belo prato de fezes, regado com um bom vinho, mas que não lhe faz mal beber, pois ele será sempre um mero passageiro.

A passagem que mais me custa pagar a este indivíduo é a passagem diária de ser ministro de um Governo que não escolhi, mas que é o que me abalroou, como se de um BMW apreendido a um traficante se tratasse.

Acaba por fazer sentido que esta tragédia tenha por parte fundamental um carro usado por um criminoso, que foi agora definido ser o motorista, que também já foi o anterior dono do carro, mas que não será nunca, em tempo algum e em nenhumas circunstâncias, o javardo do ministro para quem o motorista trabalha.

Peço desculpa pelo desrespeito que este texto demonstra por pessoas que seria suposto merecerem o meu respeito, mas quando assisto a um crime, em que o principal criminoso se escapa da forma mais descarada e vergonhosa possível, ainda para mais sempre com a mão do seu companheiro António Costa apoiada nos seus ombros, tenho alguma dificuldade em manter o respeito.

Por isso digo e peço a todos quanto possam, a abstenção não é solução e urge mudar esta gentalha que de já terem os lugares tão cativos ganharam laivos de ditadores. Os que vierem também hão de errar, mas estes erram, tomam-nos por parvos e cospem-nos na cara.

23
Set21

Anciões da contramão


Pacotinhos de Noção

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Ontem, em Santarém, um homem de 81 anos entrou em contramão no IC2. Conduziu por vários quilómetros ignorando as buzinas de todos que lhe chamaram à atenção, e acabou por causar um acidente cujo desfecho foi o de ser ele a única vítima.

Os velhos são teimosos. Os velhos sabem tudo e não aceitam sequer que estão a andar em sentido contrário. Todos os outros é que estão mal. O velho foi o culpado e então o velho pagou, e muito bem, com a própria vida. Ainda para mais já tinha 81 anos, se não morresse disto ia morrer doutra coisa qualquer. Certo?

Errado. Tudinho errado, ou quase tudo, porque que os velhos são teimosos é um facto.

A morte deste senhor podia ter sido evitada, o transtorno de quem chocou contra ele, e que se poderá sentir com remorsos sem ter culpa alguma, também. Ele tinha 81 anos, mas será que não ia chegar até aos 100!?

E o que é que poderia ter acontecido se a pessoa em quem ele chocou tivesse os filhos no carro? E se fosse uma mota?

Porque é que isto aconteceu? Porque não parou quando lhe buzinaram?

Não tenho respostas concretas mas tenho algumas suposições e uma certeza mais que absoluta.

Obviamente que o homem não tinha consciência que estava em contramão, e muito provavelmente nem ouviu que lhe estavam a buzinar.

Repito que são suposições, mas em muitas pessoas de 81 anos, a audição, os reflexos e a clareza mental são coisas do passado. Nada me garante que esta pessoa tivesse sequer a noção de que estava a colocar-se a si e aos outros em perigo.

Uma coisa é certa, no meio deste anúncio de desgraça foi uma sorte que quem lhe tenha aparecido à frente tenha sido um monovolume BMW. Não sou fã mas os danos para o condutor seriam provavelmente fatais se estivesse num Fiesta ou num Punto. Carros de gama alta têm sistemas de retenção e segurança mais eficazes e neste caso resultou. O senhor da carrinha antiga e com poucos meios de segurança morreu, e o do BMW teve ferimentos ligeiros. Valha-nos isso.

Este acidente tem culpados, e ao contrário do que possam pensar o maior deles não é o velhote da carrinha. Tem a sua quota-parte de culpa como é óbvio, mas pagou com a vida, facto que como já afirmei poderia ter sido evitado por aqueles que, esses sim, são os principais culpados.

Para mim os principais culpados são os órgãos legisladores que permitem que seja possível continuar a conduzir aos 81 anos, sem que sejam dadas provas concretas de que ainda se tem essa capacidade.

A generalidade das pessoas tem conhecimento de como são feitas as renovações da carta de condução aos idosos.

Um velhote dirige-se a uma escola de condução, no dia e hora marcada, e que é aquele que o médico que presta serviços ao estabelecimento de ensino define, e é submetido a uma pequena entrevista onde o médico lhe pergunta "Vê e ouve bem, Sr.Albano?". Pergunta que tem que repetir mais uma ou duas vezes porque o Sr.Albano não vê, não ouve e nem sequer a pé anda bem, porque o seu corpo já não lho permite. Mas o dinheirinho tem que entrar e é passado então o atestado para renovação da carta, sendo aqui os médicos e escolas de condução também culpados por se permitir que andar na estrada, já de si perigoso seja ainda mais, por existirem pessoas pouco capacitadas para isso.

Não digo que todos os idosos sejam proibidos de conduzir. Existem os que aos 85 ainda demonstram clareza e disponibilidade mental para tal, mas na sua grande maioria não é o que acontece e deixam que uma pessoa sem todas as faculdades necessárias pegue naquela que é uma arma carregada, e pronta a disparar.

Envelhecer é uma trampa. Deixar de se conseguir fazer o que fazia, ser tratado com condescendência pelos mais novos, ter que ouvir os mesmos mais novos falarem consigo como se fosse um bebé ou um retardado... Eu percebo isso tudo. Mas também percebo que a maior parte dos idosos não querem dar parte de fracos, quando na verdade até já sabem que não conseguem fazer o que dantes fariam, com uma perna atrás das costas. Mas se os nossos velhos não têm a clareza de espírito para deixar de conduzir quando deveriam, não deveria ser permitido que os atestados médicos sejam passados por dá cá aquela palha.

Em idosos a renovação só seria feita depois de submetido a novo teste teórico, exames físicos e exame prático.

Provavelmente se na última renovação isto tivesse sido feito a este senhor, ele andaria de táxi, mas estaria vivo e não teria colocado vidas em risco.

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