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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

04
Fev22

Quão hipócrita és tu?


Pacotinhos de Noção

 

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Sim, tu.

Este texto é para ti, Rodrigo, Joana, Pedro, Filipa, Alexandre e João, ou para qualquer outro nome de quem leia estas linhas.

O país é hipócrita, o Mundo também o é.

Dou exemplos.

Todos, repito, TODOS e não só o CHEGA, criticam os ciganos quando os veem, por volta de dia 20, nas suas romarias aos CTT para levantar o dinheiro do rendimento social de inserção.

Dizem serem miseráveis e que andam às migalhas, mas a verdade é que nestas eleições António Costa ganhou a maioria porque acenou aos mais velhos com um aumento de 10 € nas pensões, e aos funcionários públicos com uma promessa de pensar numa semana de trabalho de 4 dias, e num ordenado mínimo de 900 €. Não é também miserável dar um voto de confiança a um Governo sem propostas, apenas porque este acena com uma nota de 10 e promessas de menos trabalho e mais dinheiro?

O próprio Governo sofre desta hipocrisia, porque neste momento aguardam, e até salivam, por um dinheiro europeu lançado como se estivessem a atirar milho velho a pombos.

A comunidade internacional é também hipócrita.

Tanto alarido fizeram com a saída dos E.U.A do Afeganistão, mas apenas o fizeram porque era mediático. Entretanto, no Inverno rigoroso que por lá se faz sentir, diariamente têm morrido crianças com fome, frio e doenças que são por nós consideradas normais, ou até já quase extintas. Vi uma reportagem da SIC que mostrava uns pais desfeitos que embrulhavam o seu pequeno filho de dois anos, já morto, num cobertor, e que pela última vez pegaram-lhe ao colo para dali o levarem para o funeral. Mostraram também uma pequenina de 7 meses que dificilmente escapará à pneumonia, ao sarampo e à febre que lhe roubam os anos que poderia vir a ter, mas que não acontecerão. E onde estão os gritos da comunidade internacional? Saíram de lá os E.U.A, mas não existem mais países no mundo que devam ser chamados a intervir? E a ONU não serve para isto mesmo, ou só pode intervir quando o retardado do Putin ameaça a Europa com cortes de fornecimento de gás, e invasões à Ucrânia?

A maior hipocrisia é gritarmos aos quatro ventos que algo deve ser feito quando temos a consciência plena de que nada será feito, e sabendo que se tem essa consciência então pergunto, gritar para quê? Porquê?

Quem realmente decide não quer saber se a população grita, se chora, se morre. É feio, mas é verdade.

Agora, por exemplo, dado que as eleições já aconteceram, e foram ganhas, aposto que já se vão começar a regredir nas medidas relativas ao bicho peçonhento que teima em não nos largar, e não é porque tenha ficado mais fraco, mas sim porque o Governo está mais forte.

E para terminar falo em mais uma hipocrisia global que é a das medidas que visam acabar com o uso do carvão para fabricar electricidade. Esta é uma forma poluente, mas que acaba por ser a mais barata.

 Como se pode exigir a países como a Índia, o próprio Afeganistão, ou outros com o mesmo tipo de problemas sociais e económicos, que desistam da forma mais barata de produzir energia, apostando noutras mais caras, quando nem para comer, ou se aquecerem convenientemente eles têm capacidade? Vai-se condenar toda uma população para que outra se regozije ao afirmar nas suas reuniões COP, para onde foram nos seus aviões a jacto, que os objectivos foram cumpridos e estaremos então a viver num Mundo com menos carbono?

Sim, viveremos num Mundo com menos carbono mas também com menos valores éticos e morais e cada vez mais hipócrita.

17
Ago21

Fugir a uma luta que não é a sua


Pacotinhos de Noção

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A foto que aqui vos apresento está datada de 2012.

Os Estados Unidos rumaram ao Afeganistão pouco tempo depois dos ataques às Torres Gémeas. O intuito era o de capturar Bin Laden e desmembrar a Al Qaeda. Várias vozes se levantaram e acusações foram feitas. Os americanos só lá estavam porque queriam o petróleo, que o Bin Laden era apenas uma desculpa e que os americanos deveriam perder o hábito de que são os polícias do Mundo.

Não me iludo, tudo o que tem que ver com guerras e conflitos tem por detrás interesses funestos que beneficiam alguns, mas nunca aqueles que mais sofrem com os conflitos e que são os cidadãos comuns. O normalmente chamado mexilhão.

Não vos consigo dizer o nível de satisfação do povo afegão quando receberam os americanos, como visitas intrusivas que chegam e começam a mudar tudo aquilo que estava já imposto. A ideia que me dá, tendo em consideração as imagens de desespero dos afegãos aquando da saia das tropas americanas, era a de que mesmo que não tivessem gostado no início, perceberam que era necessária e habituaram-se até a viver com ela. Afinal de contas parece que, mesmo com os conflitos que foram havendo, os últimos 20 anos foram os de maior acalmia que o povo afegão teve em muito tempo.

Tudo tem um fim e a estadia dos E.U.A. havia de acabar. Finalmente iria calar a voz de todos aqueles que sempre criticaram o abuso que eram as tropas americanas estarem a ocupar um espaço que não lhes pertencia. Biden foi bem claro, a missão dos Estados Unidos nunca foi a de servirem como polícias eternos dos Talibãs. Para isso estavam lá os governantes do Afeganistão e os militares do país, que até receberam treinamento militar para um dia mais tarde se conseguirem defender.

Esse dia mais tarde chegou. Depois de milhões e milhões de dólares gastos, da perda de vida de soldados americanos e da pressão constante de vários quadrantes para que as tropas fossem retiradas, as tropas foram retiradas. Correu mal. Na verdade correu até muito mal. O que correu pior foi à rápida fuga do presidente Afegão. Claramente que ele não tem conhecimento de histórias como a do Titanic, em que o comandante decidiu ficar mesmo até ao fim, sendo que ali o fim seria a morte.

As vozes que agora se levantam afirmam que os E.U.A. não deveriam ter abandonado o Afeganistão. Esta é aquela velha questão do jogador de bancada que pensa que faz sempre melhor do que o tipo que está no campo, mas nunca calça sequer as chuteiras.

As imagens que nós vão chegando são tristes, são angustiantes e são revoltantes. Mas não são revoltantes porque os americanos se foram embora. São revoltantes por existirem talibãs, são revoltantes por se constatar que os afegãos não se unem para lutar pelos seus ideais, por aquilo que acreditam. Nem uma guerrilha armada conseguiram montar. Um povo que necessita de heróis tem que os conseguir encontrar no seu próprio seio, não pode esperar que sejam terceiros a fornecer-lhes os heróis que precisam.

Neste momento todos criticam os E.U.A., mas convém não esquecer que existe uma ONU e mais países no Mundo.

Hoje, e durante um tempinho, o Afeganistão vai andar na boca do povo, mas daqui a pouco tempo já ninguém vai falar e adivinhem, o problema não há-de ter sido resolvido, assim como existem imensos problemas semelhantes a este e que não são falados nem semestralmente, quanto mais diariamente. Alguém sabe, por exemplo, como está a situação na Ucrânia, que tinha em conflito os ucranianos e os separatistas pró-russos?

Ninguém saberá, até porque o assunto, neste momento, não está na ordem do dia. Vou ser o mais sincero possível que consigo ser.

Não vejo notícias acerca do assunto porque não quero ver imagens de gente que está a sofrer, principalmente mulheres e crianças, e também não quero saber nada sobre o que se vai passando, porque é um assunto com que não me sinto à vontade e sobre o qual me quero mesmo manter ignorante. Choca-me que haja partilhas de vídeos de talibãs a matar pessoas. Dá-me a entender que o Mundo está cheio de pessoas doentes, que utilizam conflitos como desculpa para saciarem o seu voyeurismo e prazer doentio, ao verem o sofrimento dos outros.

 

 

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