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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

29
Mar22

Ainda sobre os ofendidos com o humor...


Pacotinhos de Noção

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Não quero bater no ceguinho, mas vejo tanta gente a defender um acto de agressão que até fico na dúvida se perceberam o que realmente se passou.

Uma agressão tanto é agressão quando se dá um estalo a alguém, quando se ataca uma sede de um jornal, ou se invade um país.

Não são comparáveis? São tudo agressões.

02
Fev22

"Mas a mãe quer quer levar um estalo?"


Pacotinhos de Noção

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Há uns anos existia um anúncio do chimpanzé Gervásio.

O Gervásio conseguia separar o cartão do vidro e do metal e colocar nos respectivos caixotes de reciclagem. "Se o Gervásio consegue, tu também consegues" era o mote da campanha. A minha questão é a seguinte:

Visto que o Gervásio fazia a separação do lixo, o Gervásio passou a ser um chimpanzé educado, ou apenas um chimpanzé treinado?

Penso que não haverá grande contestação ao afirmar que tanto o Gervásio, como qualquer outro animal submetido a um treino, não passou assim a ser educado, e eu gostava de estabelecer um paralelismo entre o treino a que se submetem animais e a suposta educação que damos às nossas crianças.

Esta última frase tem tudo para correr mal e ser alvo de críticas, mas justificar-me-ei.

A primeira crítica é o treino aos animais. Não se amofinem já porque quando me refiro a um treino não falo de circos e coisas do género. Falo, por exemplo, do Piruças que têm em casa, que quando vê a trela já sabe que vai à rua, ou que vos dá a pata quando lhe pedem.

A segunda crítica é afirmar que existe relação entre o treino dos animais e a educação que damos às crianças.

Afirmo isto porque constato que cada vez mais as pessoas não percebem bem o que é a educação.

Educar não é instruir ao máximo uma criança para ela dizer "Olá, "Boa tarde" ou "Boa noite" quando os pais a recordam que o deve fazer. Isto porque se a educação funcionasse desta forma, as crianças manteriam o mesmo comportamento estando com os pais ou não.

De que adianta que o Joãozinho diga perdão, após mandar um valente arroto à mesa, se passado dois ou três minutos o vai fazer de novo porque pensa que ser educado não é evitar dar o arroto, ou controlar-se minimamente, mas sim pedir aquele perdão?

O Salvador e o Martim até tratam a mãe por você, mas podemos considerar serem educados quando dizem -"Mãe, você será estúpida?" ou "Mas a mãe quer quer levar um estalo?"

Este tipo de situações vão-se repetindo cada vez mais e observamos no quotidiano que a geração mais nova tem uma relação bastante afastada com o verdadeiro conceito de educação.

Miúdos barulhentos e mais "mexidos" sempre houve, mas os comportamentos pouco justificáveis, que vejo com regularidade, ultrapassam em larga escala os pequenos excessos normais da juventude e da adolescência.

Desde gritos descontrolados no meio da rua, assustando quem com eles se cruzam, a linguagem chula e ordinária, usada em alto e bom som, curiosamente cada vez mais usada por raparigas, à forma menos própria como se dirigem a alguém mais velho, ou como se comportam dentro de um qualquer estabelecimento comercial, demonstra que educação é algo à qual não tiveram acesso. Tiveram ao longo de algum tempo um treino dado pelos pais, pela escola e até pela sociedade, para poderem fingir que se comportam de forma minimamente aceitável, nalgumas situações específicas, mas é sempre sol de pouca dura e na realidade nem lhes podemos atribuir grande culpa, pois apenas reproduzem aquilo que lhes foi ensinado e etiquetado como educação, mas não é. 

Educação é algo mais e não se treina, ela vem como consequência de todo um ensinamento transmitido, que dará origem à formação de carácter de um indivíduo, e em que fará surgir naturalmente uma maneira de ser e estar a que poderemos então chamar de educação.

Gostaria de dizer que a verdadeira educação mais não é do que o ensinamento e a ajuda ao desenvolvimento da consciência na criança.

Ao desenvolver a consciência, a criança, e posterior adolescente, vão ter as ferramentas adequadas para conseguir perceber que o arrotar à mesa é rude, nojento e que não deve acontecer, que o tratar mal alguém, ainda para mais a mãe, é algo que nos pesará na consciência e que aquela pessoa que nos cria e viu nascer, não deve ser agredida de forma alguma.

A consciência é o que nos faz ter o discernimento entre o bem e o mal, que nos ajuda a agir correctamente.

Ajudar à formação da consciência não é difícil, basta-nos apenas conseguir passar valores positivos aos nossos filhos e não lhes dizermos tudo aquilo que realmente pensamos, porque quando damos a perceber aos nossos garotos o quão pouca esperança temos na população em geral, estamos assim já a demonstrar-lhe que não vale a pena que ele se torne alguém de jeito. E a verdade é que vale, porque vivemos agora uma crise social de valores, mas cabe a que cada um de nós, principalmente aos que têm filhos, moldar um futuro melhor, com mais camaradagem e harmonia social.

A ideia não me parece nada mal, agora implementar isto de forma a que sejam os computadores, os telemóveis, as redes sociais e os tablets a dá-lo a conhecer aos miúdos, para não ter assim que incomodar os pais, que têm também sempre algo mais importante para fazer, nos computadores, nos telemóveis, nas redes sociais e nos tablets, do que estar com os filhos, é que me parece mais difícil.

07
Jan22

Serão fracas as forças de segurança?


Pacotinhos de Noção

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Qual a semelhança entre o caso dos GNR, que humilharam e torturaram os imigrantes em Odemira, e o recente caso do Polícia Municipal que foi agredido em Lisboa?

A semelhança é porque ambos aconteceram graças à sensação de impunidade que impera actualmente.

À “posteriori” pode até ser que essa impunidade não se verifique, mas o que trama tudo é o "pode ser".

Não é líquido que quem cometa um crime, ou uma qualquer prevaricação, seja punido. Estes casos servem como prova disso mesmo, mas, numa vertente mais bairrista, posso referir-me aos badalhocos que riscam as paredes, riscos esses a que chamam "tags".

No município onde moro é usual ver funcionários camarários a limpar e a pintar, para fazer desaparecer esses rabiscos feitos por tipos cro-magnons, mas é certinho que passados dois ou três dias está tudo esborratado novamente, porque sabem que nada lhes acontecerá. E nem digo que deviam ser presos, que a prisão é para quem dela realmente precisa, mas pelo menos todas as custas de limpeza urbanística, que fosse necessária como consequência dos seus traços mal elaborados, deveriam ser impostas a quem os fez.

Voltando ao tipo que agrediu o agente da Polícia Municipal.

 É muito curioso que o indivíduo seja já conhecido das forças de segurança. Não foi a primeira vez que pôs em prática esta brincadeira e, ou muito me engano, mas não será a última, e é isto que deveria ser evitado. Esta besta não pode sentir que agredir uma força de segurança é algo que não se pague caro.

Todos nos perguntámos o porquê do polícia não ter reagido de maneira mais física, e eu respondo porquê. Porque não podia.

Se o polícia tivesse tido a feliz ideia de colocar o estupor que o agredia a coxear para o resto da vida, haveriam de aparecer os defensores de toda aquela sociedade marginal, para quem as regras foram feitas para se quebrar, a pedir a caveira do polícia. Estavam várias pessoas a filmar, nenhuma interveio, mas se tivesse sido sacada uma arma e disparado um tiro, mesmo que para o ar, o polícia ia meter-se numa carga de trabalhos, e ser acusado de uso excessivo de força ou de abuso de autoridade.

Isto traz também à discussão a falta de preparação das forças policiais.

Bem sei que uma polícia municipal é um órgão de segurança cuja principal função é a de passarem multas de estacionamento, e peço desculpa esta fraca caracterização, que sendo fraca é real, mas não é por isso que deixa de ser uma autoridade.

Devo também dizer que ambas as situações que envolvem forças de autoridade são consequências das fracas estratégias de recrutamento e até formação dessas forças.

Os GNR humilhadores não podiam nunca ter chegado a ser GNR. Para fazerem da Guarda profissão, significa que falharam os testes de admissão, falharam as entrevistas, falharam os colegas, falharam os superiores hierárquicos e falha todo um Estado, que pagando pouquíssimo às suas forças de segurança, não atrai pessoas com mais capacidades, ficando assim os lugares vagos para aqueles que quando eram miúdos eram os conflituosos, os cábulas, os putos "gangster", a quem diziam que nunca seriam nada na vida, mas que afinal de contas até chegaram à GNR.

Continuam a ser uns nadas, mas aos menos são uns nadas fardados e com capacidade de humilhar os mais fracos.

 

26
Out21

Agressão de bebé em creche de Oeiras


Pacotinhos de Noção

Podemos defender a luta contra a violência doméstica, contra as mulheres, contra os animais, contra seja aquilo que for, mas para mim, e sublinho o PARA MIM, não existe ser que precise de mais defesa e protecção do que uma criança inocente e desprotegida.

Todas as outras lutas são imensamente válidas, mas todas as vítimas descritas conseguirão, de uma forma ou de outra, ou pedir ajuda ou tentar, mesmo que num acto de desespero, tentar defender-se. Numa bebé de 14 meses a sua forma de defesa, e de pedido de ajuda, é precisamente aquele que se ouve no vídeo, o choro, e quando ouço o choro de uma criança que sofre com um mau trato, seja ele qual for, é nessa altura que percebo que o meu processo evolutivo está longe de estar concluído, e fico contente por não ser eu mesmo, uma ferramenta da justiça.

Tenho um filho de 4 anos e uma menina que tem 2 meses menos que a menina do vídeo. Se me passar pela ideia de que alguém, alguma vez, teria este tipo de comportamento com eles... Fico com os olhos raiados de sangue, só de imaginar.

Neste caso tenho filhos e tenho também uma familiar que trabalha com crianças. A luta dela prende-se muito com o facto de que muitas das creches existentes não têm todas as condições adequadas para receber crianças, principalmente condições humanas, que são as mais importantes. E atenção que muitas destas faltas de condições são em creches tuteladas pela segurança social.

Este texto não tem uma conclusão nem sequer uma moral. É apenas um desabafo e uma chamada de atenção para que todos percebam bem os sítios onde colocam os vossos filhos.

 

 

 

 

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