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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

23
Jul22

Não existe título que emoldure isto


Pacotinhos de Noção

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Volto a tocar neste assunto, e quem não estiver interessado tem sempre a opção de não o ler.

Aqui não falo sobre a guerra, sobre a invasão de um país pelo vizinho, nem se há armas enviadas ou não enviadas. Agora estou apenas a colocar-me na pele deste homem e a sentir os pêlos da nuca arrepiados.

Sim, bem sei que esta é uma notícia que já não é fresca, mas se eu ler uma notícia, ou vir uma foto, de um pai a segurar a mão do filho morto, mesmo que essa notícia ou essa foto tenham 50 anos, a sensação que terei será exactamente a mesma, porque me coloco no lugar deste pai.

Esta imagem não vale por mil palavras, não vale nem por um milhão, porque por mais palavras que se digam, estas não chegarão para justificar a morte de um filho, nem para confortar o coração deste pai. Não consigo, nem quero imaginar a dor que ele estará a sentir. Coloco-me no seu lugar mas não o quero fazer. É injusto bem sei, assim até parece que o abandono na sua dor, mas só de me imaginar na mesma situação julgo que não viveria nem mais um segundo, pois o meu coração bate pelos meus filhos e sem eles não existiriam razões para bater. Mas não estamos aqui para falar de mim, nem sequer estamos para falar no pai do Dmytro. Reparo agora que nem percebo bem porque estamos aqui, eu a escrever e vocês a ler. Talvez por solidariedade com este pai, talvez para sublinhar mais uma vez a estupidez de uma guerra sem justificação e que vai ceifando cada vez mais vidas, em que doendo todas, as de crianças doem ainda mais forte.

Há mais guerras noutras partes do Mundo? Haverá certamente, e se houver imagens difundidas das mesmas, a tristeza que sentirei será a mesma. Não sou director de nenhum canal de informação e como tal não tenho a responsabilidade de falar de todos os conflitos que possam existir. Falo apenas daqueles sobre os quais me chegam informações e penso ser assim com todos nós. Claro que os meios de comunicação divulgam apenas aquilo que mais vende, mas eu não acredito que o principal objectivo seja o do lucro e da venda fácil. Dentro de uma qualquer redacção poderá existir um mentecapto cuja língua que fala é a dos cifrões, mas o grande núcleo de repórteres e jornalistas são pais como nós, e também terão sentido esta notícia como um murro no estômago.

Suporto cada vez menos as pessoas. De dia para dia demonstram que pouco valem e valores são coisas que não têm. Ainda assim não lhes quero mal, mas depois há uma franja de idiotas que ficam a dever muito ao ar que respiram. Falo obviamente de Putin, a quem a morte será o menor dos males, e em que a mesma será festejada um pouco por todo Mundo, e depois acrescento também pessoas que defendem Putin e a sua invasão, apenas porque se lembraram que o que lhes dá tempo de antena, é sempre contrariar o grosso da sociedade, quer seja na política, problemas sociais, gestões de pandemias, e neste caso concreto. Falo agora de pessoas como a execrável Maria Vieira, em que o papel que melhor desempenhou até hoje, é o de pessoa estúpida e idiota, que cada vez que abre a boca, o que de lá sai faz uma ETAR parecer um jardim com flores frescas, e de Alexandre Guerreiro, um suposto ex-espião que provavelmente o que mais lhe proveu espiolhar, foram as ceroulas com que Putin dorme, para poder copiar e usar iguais. A vontade que este homem demonstra em defender todos os passos dados pelo ditador russo, tornam isto até num caso claro de paixão cega, do Alex pelo Vladi. Desconfio que Guerreiro poderá até sonhar com o urso russo, cavalgando em tronco nu por entre bosques e vales, em direcção ao estuporado comentador português que, quando está mesmo prestes a levar um repenicado beijo do "czar wanna be", acorda sobressaltado lembrando-se que na Rússia não há cá dessas mariquices de homens com homens... É crime e dá direito a prisão.

Sei que todos têm o direito à sua opinião, é um direito que se lhes assiste, mas quando a opinião é abominável, penso que esse direito deixa de fazer sentido. Não se deve amordaçá-los porque de outra forma não ficaríamos a conhecer quem são, afinal, os malucos, mas já que estão tão do lado do Putin, deportava estes débeis para o centro do conflito na Ucrânia, pois assim poderiam melhor perceber o terror que passam aquelas populações. Mas isto se calhar era ser pior que eles, contudo sempre ouvi dizer que "Quem com ferro mata, com ferro morre."

23
Jun22

Espectáculo de aberrações


Pacotinhos de Noção

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Quem for leitor habitual do que escrevo saberá serem algumas as vezes em que abordo assuntos tratados no programa Extremamente Desagradável. Tendo eu um blog, e página de Instagram, com o nome "Pacotinhos de Noção", e sendo os visados daquela rubrica de rádio, personalidades que necessitam de doses cavalares de noção, julgo que esta parceria abusiva, da minha parte, acaba por ser natural.

Nos programas de 2.ª e 3.ª feira, ouvi algo que pensei estar banido já há muitos anos. Os espectáculos de aberrações. Aqui não há o homem elástico nem a mulher barbuda, apenas um homem parvo e uma mulher estúpida. Pelos epítetos aplicados até poderiam chegar lá, mas como um dos intervenientes não é assim tão famoso, o melhor é dizer-vos quem são. Falo de Maria Vieira, a "Parrachita", a Marilyn Monroi do André Ventura, a meia leca que é louca e meia.

E falo também de Sérgio Tavares... Quem?! Perguntarão vocês, ao que vos respondo que não sei, mas estive a pesquisar um pouco, e entre o NADA e o MUITO POUCO lá está este grandioso comunicador do mundo actual, que ninguém conhece, mas que, ao que parece, tem muito sucesso nas redes sociais, principalmente a ser bloqueado pelas mesmas, por dizer tanta estupidez e barbaridade.

Como um maluco a falar sozinho é apenas um maluco a falar sozinho, Sérgio convidou a Parrachita para serem comentados assuntos da actualidade e passou assim a existir uma conversa de malucos.

Deram uma lambidela por todas aquelas que são algumas das mais populares teorias da conspiração. Desde as vacinas do Covid, o próprio Covid, a Nova Ordem Mundial, a criação da guerra na Ucrânia por parte da NATO, a de que é o marido da Maria Vieira que lhe escreve os posts, o Grupo Bilderberg, enfim, tudo e mais alguma coisa.

Mais uma vez dá para perceber que estes conspiracionistas estão de mal com o mundo, e querem à viva força fazer o sangue correr-lhes nas veias, mas tenho más notícias. É que as alforrecas não têm sangue, são apenas uma massa gelatinosa, muito incómoda, e que têm uma curiosidade comum ao Sérgio, à Maria Vieira e a todos os outros como eles, e que é a de que o mesmo orifício que serve de boca também serve de ânus, o que confirma aquilo que tantos dizem, e que é o célebre "quando abrem a boca, ou entra mosca, ou sai..." E vamos então a algumas dessas saídas, para perceberem o calibre de retardados com que lidamos.

Não vou parafrasear "ipsis verbis", mas o contexto é exactamente o que descreverei. Foram ditas coisas como:

 "— Adoro o meu Bolsonaro"

"— Castração química não, deviam era cortar logo tudo"

"— Agora até já é possível casar homens com homens"

"— Os epidemiologistas da Covid mereciam morrer"

"— A varíola dos macacos é transmitida pelo rabo"

"— Já só falta legalizar a pedofilia e não estamos longe disso quando permitirem casamentos entre adultos e crianças como nos países muçulmanos"

"— O Milhazes mandou todos para o c@r@1h0 e é um aldrabão porque o Putin é apenas um conservador, nacionalista, contra a eutanásia, e contra a ideologia de género..."

"— Portugal manda dinheiro para a Ucrânia e os nossos pensionistas vivem debaixo da ponte"

"— A verdade acerca da varíola dos macacos é que só existe devido aos homossexuais"

"— Uma vez apanhei uma parada gay na rua e até fiquei doente "

Admitam lá que estão maravilhados com estas pérolas que vos dou.

Isto não é um qualquer bloco humorístico, são mesmo duas pessoas desprezíveis à conversa e que, infelizmente, são uma amostra da população que se vai alargando mais, o que é bastante assustador. É assustador imaginar que temos um partido com assento parlamentar e com reais perspectivas de crescimento para as próximas eleições. Houve uma altura em que todos riram e acharam divertido ver no André Ventura o palhacinho que não era para considerar, mas a percepção que tenho é que existe muita gente inconsequente que votou, e pondera votar nesse palhacinho.

Aquilo que posso desejar é apenas que a outrora acarinhada Maria Vieira, agarre nesta Maria Vieira podre e azeda, e faça mais espectáculos degradantes como aquele em que cantou o "Happy Birthday ao André Ventura. É que não foi só a Marilyn Monroe que andou as voltas na tumba, os estômagos de todos os portugueses também, e pode ser que cause um asco tal, que na hora de votar até se afastem do quadradinho do CHEGA.

10
Jan22

O tamanho não importa


Pacotinhos de Noção

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Nos debates de ontem a grande questão foi o tamanho do programa do André Ventura.

Devo dizer estar à espera de mais. Um tipo tão cheio de si, tão gabarolas e depois vai-se a ver e tem um micro programa.

Não sei que carro é que o Andrézinho terá parado à porta, mas estou em crer que não será um Mercedes, porque ele não é cigano nem recebe o RSI, mas a avaliar pelo pequeno tamanho do seu programa, terá que ser de grande cilindrada. Afinal de contas todos sabemos que um grande carrão mais não é do que um programa político com rodas, para andar na estrada e fazer os eleitores olharem e quererem dar uma voltinha.

04
Jan22

Debates são mais que as mães


Pacotinhos de Noção

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Falta pouco tempo para as eleições e se existe desta vez algo de que não nos podemos queixar é da falta de debates.

Vão acontecer cerca de 30. Não sei se os vou conseguir acompanhar a todos, mas aos dois primeiros fiz questão de ver e já cheguei a uma primeira conclusão. Estamos lixados. Tendo em consideração o que vi, a melhor análise é esta. Não sei se o Público ou o Expresso querem pegar na minha válida afirmação, mas é o que me apraz dizer.

No embate entre António Costa e Rui Tavares do LIVRE, tivemos oportunidade de ver quase um ritual de acasalamento, em que o fundador do LIVRE era o macho, de orgulho ferido, e António Costa era a fêmea difícil e que não se sente convencida com o que o espécime masculino tem para lhe oferecer.

Rui Tavares corre atrás do prejuízo. Nas últimas eleições conseguiu eleger um deputado, feito meritório e poderia até alavancar o partido de forma a um dia almejar ser uma força política a ter em conta, mas deram vários tiros no pé.

O primeiro foi a escolha de quem os representaria.

Pelos visto no partido não fazem testes psicotécnicos e escolheram Joacine Katar Moreira, que nos testes, claramente, não passaria na parte do "psico". 

Depois apalhaçaram a sua representatividade no Parlamento, com a história provocatória do assessor de Joacine, que decidiu ir de saia para o hemiciclo, o que me chocou e a tantas outras pessoas.

Em relação às outras pessoas, não posso saber o que as chocou, em relação a mim, posso dizer que o choque não esteve na saia, mas na fraca escolha de uma saia plissada comprida, azul escura, conjugada com umas meias verdes de cano médio. Não combina, não faz sentido e só por isto o lugar deveria ter sido posto à disposição. Se queremos marcar impacto, ao menos que se marque com estilo, mas não marcou. Aquilo que transpareceu foi claramente o uso de saia, não como indumentária usual, mas apenas usada como acessório que pretendia ser disruptivo em relação à maneira de vestir dos deputados. Ora num parlamento em que nos devíamos preocupar mais com a índole dos intervenientes, do que com a farpela que envergam, a atitude foi só parva.

Parvo foi também, mais uma vez, Rui Tavares, que escolheu alguém difícil de controlar, não por ser de forte convicções, mas sim por ter fortes convulsões de linguagem, dizendo tudo como os malucos, e de forma mais alucinada do que os próprios malucos, e perante tal volatilidade o historiador decidiu retirar o apoio político a Joacine.

Para ela tanto lhe vez, o lugar dela estava guardado, mas a verdade é que a representatividade do partido acabou e já muitos se esqueceram que o LIVRE existe.

Isto justifica a apatia de António Costa, no qu diz respeito ao adversário que tinha no debate. Preferiu ignorar as investidas de Tavares, que fez quase juras de amor, desde que pudesse fazer parte de uma nova Geringonça, mas António Costa não lhe fez caso. Devo até dizer que foi indelicado e mal-educado, ignorando o oponente que ali tinha e aproveitando para mandar recados a Rui Rio, fazendo propaganda política barata.

O outro debate colocou frente a frente Catarina Martins e André Ventura.

É devido a debates como este que depois, pessoas com um bocadinho menos de clarividência, optam por votar CHEGA.

Catarina Martins foi insossa, monocórdica, secante e bastante desagradável.

Referiu-se várias vezes ao adversário como o candidato da extrema-direita, o partido da extrema-direita, a extrema-direita isto, a extrema-direita aquilo, ignorando que o BE também pode ser conotado como partido de extrema-esquerda, mas que não se referem assim ao mesmo porque é deselegante.

Bem sei que o alvo da deselegância é André Ventura e o CHEGA, mas haver a mínima hipótese de fazer estes dois elementos passarem por coitadinhos, que é uma das formas fáceis de ganhar votos, é estar a entregar o ouro ao bandido.

A líder do BE falou, acusou e foi populista. Parecia a narradora de uma história para crianças e quis fazer crer que o Lobo Mau estava à sua frente sendo que ela seria o caçador que o ia esventrar, mas a verdade é que se pareceu mais com a avozinha débil que se deixou abocanhar, pois lançou atoardas que foram de fácil resolução para André Ventura, dando-lhe até deixas importantes para poder ele lançar assuntos menos claros e esclarecidos por parte do BE, como o caso Robles, por exemplo, e que Catarina Martins não justificou.

Várias vezes a líder esquerdista foi também apanhada em falso, lançando dados para a mesa que demonstraram não ser correctos, mais concretamente no que diz respeito a propostas no parlamento contra a corrupção, que o doido adepto de Viktor Orban rapidamente tratou de desmentir com factos.

A verdade é só uma, André Ventura ganhou este debate, e isto para a democracia é perigoso. Não podemos fazer quase nada, por a democracia ser isto mesmo, temos que dar voz a todas as facções, desde que não sejam criminosas, por mais idiotas que nos possam parecer, mas cair no erro de tentar usar as mesmas armas que eles é assinar a própria sentença.

Catarina Martins tentou ser populista, até citou várias vezes, diga-se que de forma ridícula e bacoca, o Papa, mas não deixou nunca o adversário sem palavras e em situação menos confortável, já ela escondeu-se por detrás de um discurso com bastante aparência de falso e muito mal ensaiado.

Temo que a continuar assim, o CHEGA vá conseguir conquistar votos a todos aqueles que estão ainda indecisos, desiludidos ou indignados.

Quero assistir ao debate de hoje entre Rui Rio e André Ventura e tenho curiosidade em ver como se sai João Cotrim de Figueiredo nos debates, mas como é óbvio não irei analisar todos os debates, para não vos causar fastio.

Como reparam aqui é possível analisar o Big Brother Famosos, as eleições e assuntos em geral. Isto porque burro não é o que vê o Big Brother, nem inteligente é o que lê Maquiavel. Inteligente é quem vê Big Brother e pesquisa quem é Maquiavel no Google.

E depois desta minha demonstração de superioridade intelectual despeço-me cheio de arrogância e amizade.

15
Dez21

Espécie em vias de expansão


Pacotinhos de Noção

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Este não é um post que vá mudar o mundo, nem sequer o país. Gostaria que mudasse o local onde estou, mas nem isso vai conseguir. Mas é um desabafo... Já incomodei quem está aqui próximo de mim, a quem também não agrada a situação de que vos vou falar, e agora incomodo vossas excelências, para perceber se mais alguém sofre do mesmo mal que eu e que é o de por vezes sentir que estou no meio de uma porcalheira infecta e cheia de ratazanas de duas pernas, nojentas.

Trabalho na rua mais movimentada da zona onde estou. Isto tem os seus prós, mas tem também enormes contras.

Um dos maiores são as esplanadas, e quando me refiro a esplanadas não falo naquelas em que idealizamos estar num fim de tarde, para beber um copo ou passar um momento agradável. Estas esplanadas são aquelas de snack-bar farsola sujo, que a partir das 17:00 tem o "happy hour" das imperiais de fundo de barril, e em que a casca do tremoço é sempre cuspida para o chão.

Ainda por cima, com esta parvalheira da pandemia, fizeram uma nova lei em que qualquer buraco pode fazer esplanada provisória, e então estas proliferaram que nem cogumelos, mas cogumelos daqueles impróprios para comer, que nos proporcionam uma enorme diarreia ou uma visita ao hospital.

Lugares de estacionamento e passeios passaram a ficar ocupados com mesas, cadeiras de plástico e guarda-sóis demasiadamente grandes para os espaços que ocupam. Por incrível que pareça esta nem é a pior parte, pois isto parece que vem em "kit". Com as mesas, as cadeiras, os guarda-sóis e a badalhoquice vêm uns bonequinhos muito porcos e barulhentos a que se chamam "bêbedos." Não são o bêbedo comum que se enfrascou um pouco demais porque naquele dia calhou, não... São os bêbedos profissionais, aqueles que pegam ao serviço de manhãzinha e que nem sei quando vão para casa, porque quando eu vou para a minha eles ainda estão no seu lugar cativo. A ideia que dá é que compraram bilhete para a temporada toda e a temporada é uma vida.

Não cheguei à fala com nenhum elemento desta espécie, por questões de nojo e medo, o nojo não há necessidade de explicar, o medo é o de apanhar uma qualquer doença infecto-contagiosa, mas gostaria de o ter feito para conseguir compreender como ganham eles a vida e quão bem recebem, porque não deve sair nada barato fazer vida de esplanada.

Mas estas pessoas deixam-me triste por várias ordens de razões. Uma das primeiras é por saber que há um limite para a evolução. Enquanto uns fizeram o seu caminho aprendendo a comunicar e a se expressar sem ser em grunhidos, estes seres de esplanada parece que não sabem comunicar de outra forma... Aliás, até sabem, ou pelo menos tentam . Ocasionalmente emitem outra espécie de sons, que com muito custo e boa vontade poderíamos dizer que seria algo como "cantar", mas não posso dar 100% de certezas, porque já ouvi e vi pessoas a cantar e não era muito parecido com isto.

Algo mais que me deixa triste é que, infelizmente, estas esplanadas não estão mal situadas. Ficam em sítios centrais, e até agradáveis, e se bem frequentados seriam um óptimo local a ter em conta. Assim não, assim nem a pontinha do pé lá meto. Faz lembrar a água da praia, quando a maré esteve muito, muito baixa e que depois quando sobe, reabsorve os limos que estiveram a secar na areia, e a acumular lixo dos porcalhões e penas de gaivotas, tornando a água toda emporcalhada com o tal lixo, as penas e uma espuma castanha, que é o sal que se acumulara naqueles limos secos e que me faz não querer voltar a entrar no mar naquele dia, a não ser que me apontem uma arma à cabeça.

Este categoria de pessoas, que vivem de algo, mas que não é trabalho, são sustentados pelo meu e pelo vosso suor, o que me cria alguma revolta e desconforto, e sei que criará a muitas mais pessoas, o que também me deixa triste, porque poderá assim estar a semear-se um sentimento que vai permitir a que políticos populistas, como o André Ventura, acenem com a bandeira de acabar com os subsídio-dependentes, conseguindo assim angariar bastantes votos.

Posso ser considerado elitista ao afirmar que se estivéssemos dependestes destes tipos para se efectuar uma nova luta de classes, tentando assim fazer evoluir um pouco mais a nossa sociedade, estaríamos condenados porque estes gajos não têm classe nem sequer se enquadram em qualquer tipo de classe. Não são povo, porque o povo tem que trabalhar para sobreviver, poderiam ser nobreza se fossem adeptos do "come e dorme", mas eles praticam é o "bebe e dorme" e do clero não são de certeza, porque demonstram bem que não são muito religiosos.

Tal como dissera no início, este texto não acrescentou nada de novo. Foi apenas um vómito em forma de desabafo. Peço desculpa pela analogia algo desagradável, mas realmente é de embrulhar o estômago.

Vou terminar por agora porque daqui a pouco são 17:00 e tenho um "happy hour" para frequentar. 

Um abraço e até à próxima.

04
Ago21

D.Sebastião! Volta que acabou a folga


Pacotinhos de Noção

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O português sente necessidade de ter um herói e como heróis não os há aos pontapés, acaba por tentar a sua sorte de várias maneiras.

A selecção ganhou o europeu, foram homens para França, voltaram heróis. O Salvador Sobral ganhou o festival, voltou herói. Os enfermeiros, médicos e bombeiros desempenham as funções a que se propuseram e são heróis.

Os feitos de todas estas personagens têm os seus méritos, alguns bastante valorosos, mas à conta de tanto apelidar de heróis tudo e todos, quando realmente precisamos de um, acabamos por ficar confusos com tanta abundância heróica e depois dos "noves fora nada", ficamos sem nenhum.

A verdade é que está a chegar a uma altura em que convém que surja um herói e é importante que ele comece a vestir a sua capa e as cuecas por cima das calças, para vir desempenhar a sua missão.

O nosso país está as portas de uma crise que vai ser dificílima e estamos a braços com um Governo que já se começa a sentir colado à cadeira do poder. Sensação perigosíssima para nós, que somos o mexilhão.

Na busca desesperada por quem nos possa salvar podemos acabar por cometer erros crassos que depois dificilmente conseguiremos emendar.

Nunca cheguei a falar de André Ventura e do seu Chega. Não é um assunto tabu mas sou dos que pensa que se dá demasiado destaque à personagem. O tipo não é nada burro, muito pelo contrário, e aproveita qualquer nesga de publicidade para aparecer. Seja ela boa ou má, afinal de contas má publicidade também é publicidade e Ventura sabe rentabiliza-la como ninguém.

Este tipo de exposição que lhe dão traz perigos. Qualquer pessoa de mais idade, que veja num boletim de voto uma cara conhecida, não vai querer saber de programas ou propostas. Vai colocar a cruz na cara conhecida. Chamo a atenção para o facto de que temos um Presidente da República que ganhou a Presidência por ser popular e não ficou popular por ser Presidente.

A verdade é que a nossa demanda por heróis não está fácil. Rui Rio é uma nódoa.

Enquanto presidente da Câmara Municipal do Porto mostrou-se um homem de coragem que não fugia ao confronto, mas agora parece um meigo "poodle" que aguarda com paciência uns biscoitos que lhe sejam atirados pelo Costa.

Não tenho preferências partidárias. Ser de esquerda ou direita é colar-me a uma posição com a qual não concordo. Se houver uma proposta de direita interessante há que a aproveitar, se a proposta afinal for de esquerda idem idem aspas aspas.

O D.Sebastião já se sabe que não voltará, e temo que o nosso fado venha a ser doloroso de formas que ainda nem imaginámos. Uma pequena amostra disso mesmo foram a quantidade de pessoas e pequenas empresas que se viram completamente descalças aquando destes confinamentos obrigatórios. Vem lá uma bazuca, mas não se iludam, ela vai disparar para o lado errado e o tiro vai passar bem longe de quem precisa.

Existem dois políticos portugueses que julgo terem sido mal aproveitados. Por coincidência são ambos de direita e estiveram ligados ao PSD. Como já afirmei isso a mim diz-me pouco. Olho para a obra feita e aquilo que ficou.

O primeiro é já um hábito ser ridicularizado quando na verdade deixou trabalho por onde passou. Em Lisboa, Pedro Santana Lopes lutou contra quem tentou embargar a obra do túnel do Marquês. Quem por lá passava tempo infindável nas horas de ponta, rápido se apercebeu da importância do feito. Costa e Medina, com as alterações no Marquês e com a construção desenfreada de ciclovias, quase que conseguiram anular o escoamento de trânsito que o túnel passou a permitir, mas continua a ser uma enorme mais-valia.

Como Primeiro-Ministro esteve apenas 5 meses. Jorge Sampaio, Presidente na altura, resolveu dissolver o Parlamento, não deixando assim que o Governo continuasse. Quem quiser poderá hoje calcular que foi uma jogada política para levar Sócrates ao poder... Resultou bem.

A outra figura é "persona non grata" dos portugueses, mas fez aquilo que foi obrigado a fazer, e na altura de começar a recolher os louros, apareceu Costa e recolheu-os por ele.

Pedro Passos Coelho recebeu a herança pesada de Sócrates que chamou a troika e com ela negociou, tendo já presente que provavelmente não iria ser ele a aplicar as medidas acordadas. Passos Coelho aplicou-as e doeram-nos na pele. Trabalhámos muito e ganhámos pouco. Houve cortes e apertos de cinto, mas anos de despesismo tinham que ter as suas consequências. Ainda assim ganhou nas urnas o seu segundo mandato, mesmo que sem maioria absoluta. Vários partidos de esquerda uniram-se para votar uma moção de censura ao Governo. Foi o início da Geringonça e o fim da era de Passos Coelho.

Recordo que mal tomou posse, o Governo PS de António Costa, começou com despesismos mas não retrocedeu na maior parte de cortes e impostos que Passos Coelho tinha imposto, aquando da troika.

Não sei se será Passos Coelho o nosso D.Sebastião. Sei isso sim, que os combustíveis estão a preços nunca vistos, que o desemprego está a aumentar e que a propaganda política não tem vergonha e começa a ficar parecida com propagandas ditatoriais.

Peço apenas que coloquem o Chega como carta fora do baralho. A brincadeira de votar num maluco teve consequências nos E.U.A.

Era bom que o maluco aqui não chegasse ao poder.

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