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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

22
Nov21

Hoje sinto-me um imbecil


Pacotinhos de Noção

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Quem me lê há-de ter reparado que super e hipermercados são microcosmos que frequentemente utilizo para mostrar exemplos da quão ranhosa é esta nossa sociedade. Isto acontece por estas superfícies serem frequentadas por toda a categoria de gente. Mesmo o mais eremita precisa de mantimentos e é lá que se abastecerá.

Hoje desloquei-me a uma loja Minipreço e a cena com que lá me deparei abalou as minhas convicções. Agora, algumas horas passadas, tenho o discernimento para perceber que a unidade não é um todo, mas no imediato da situação não é com essa a sensação com que se fica.

Defendo que Portugal não é um país racista. Tem, como todos os países terão, elementos medíocres que por serem tão barulhentos até podem parecer que são muitos, mas a verdade é que não são. Mas quando atacam, ao atacado dói tanto como se fossem mais, e o que realmente interessa é isso. Vamos então ao relato da situação.

Entrando no supermercado que referi, ouço uma senhora a falar alto com a menina da caixa, que por acaso é brasileira. Não sei qual seria o motivo nem quem ali tinha a razão, mas sei quem rapidamente a perdeu.

O primeiro argumento que me acertou como um murro no estômago foi o bom e velho — "mas você não sabe que o cliente tem sempre razão?" — a resposta foi um educado -"talvez na sua perspectiva, mas na minha não". Como as pessoas que gostam de falar alto não lidam bem com quem lhes responde baixo e com educação, aproveitam logo para mostrar o jogo todo pondo as cartas na mesa, e o trunfo jogado foi lançado todinho de uma vez. Parecia uma avalanche de idiotice, estupidez e trampa que a tal senhora vomitou, e esta porcaria toda, para mim que nem tinha nada que ver com o assunto, em vez de voltar-me a acertar no estômago, acertou-me com toda a força nas trombas deixando-me até sem reacção. Esta senhora, a quem agora faço questão de apelidar de vaca, virou-se para a rapariga e metralhou-a com -"mas quem julga você que é? Vem para o país dos outros a dar ares de quem manda? Vá, mas é para a sua terra"...

O "vá, mas é para a sua terra" tem em mim o mesmo efeito que ver um animal atropelado na estrada. Sabemos que acontece, ocasionalmente vemos um, mas sempre que por ele passo, até sinto um arrepio na espinha.

Agora sei que deveria ter intervindo. Deveria ter chamado à atenção aquele saco de estrume e disponibilizar-me para servir de testemunha à funcionária ofendida. Não o fiz e sinto-me um imbecil por isso. 

Nesta situação não deveria ter tido pudores de ter sido até deselegante com tão desprezível pessoa, mas de facto não tive reacção. Reacção teve a ofendida que se retirou e foi-se fechar no W.C. a chorar. Estou certo que o fez não só pela ofensa mas também por não ter tido quem a defendesse e até por se ter sentido traída por colegas que não tomaram as suas dores, apenas porque ficaram com receio da cliente. Percebo que o nervoso tenha-lhes toldado o discernimento. Se me aconteceu e não era nada comigo, imagino como terá sido difícil para eles engolir esta ofensa. Até porque também eles são brasileiros.

Aquilo que posso apenas dizer é que me sinto envergonhado.

Sinto-me envergonhado por assistir a isto e não ter reagido. Não vou aqui afirmar que "sou isto e aquilo" e "que faço e aconteço", mas hoje podia ter sido só um bocadinho "daquilo" para fazer "acontecer" e o acontecer aqui até podia ter trazido o bónus de ter feito uma "tuguinha" ranhosa sentir-se humilhada por ser chamada à atenção por outro "tuguinha", que foi ranhoso por não intervir. E ser "tuguinha" é isto... É muito provavelmente ter familiares a trabalhar no estrangeiro, é afirmar que já se sofreu de preconceito por um ou outro motivo, é sublinhar que quanto mais conhece as pessoas mais gosta de animais, mas que mal tem a sua oportunidadezinha de espezinhar alguém não hesita e fá-lo com os dois pés, e até com botas da tropa, para saber que calcou bem e sentir orgulho numa nação que trata assim quem nela mora. Mas mais uma vez afirmo, e não me deixo ir ao engano, por assistir a este triste espectáculo não mudo a minha opinião. Não somos um povo racista, mas temos por cá muita porcaria, que curiosamente até por cá nasceu.

20
Set21

Ah "ganda" macaco!!


Pacotinhos de Noção

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Este calvo e simpático senhor é Duarte Lima. Grande parte saberá de quem se trata mas para os desinformados faço um pequeno resumo.

É um bandido.

Faço esta afirmação com convicção porque de momento o ex-político até se encontra detido por burla qualificada e branqueamento de capitais.

Escrevi ex-político mas não o deveria ter feito. A política é como a sarna, mete-se na pele e para que saia é um sarilho.

Definir o currículo de Duarte Lima como sendo só bandido é redutor, e até injusto.

Nascido em Miranda do Douro só pode ser boa pessoa. É comum dizer-se o quão boas são as pessoas de Trás-os-Montes e Duarte Lima não há-de ser excepção. É isso e ser desprendido, uma vez que sendo um de nove irmãos, a partilha há-de ter sido valor forte que tem presente até hoje.

Foi deputado da Assembleia da República e Presidente do Grupo Parlamentar do PSD, tacho... perdão, cargo que perdeu quando foi alvo de suspeitas de ocultação de património, tendo colocado grande parte daquilo que era seu em nome de uma sobrinha com poucas posses.

Um pequeno erro que certamente não se tornaria a repetir.

Estava a brincar. Viria a repetir-se e até pior. Duarte Lima é suspeito de ter assassinado uma sua cliente no Brasil, que terá feito uma transferência no valor de 5,2 milhões de euros para a conta do advogado, com o intuito de que os seus filhos não lhos tomassem.

E não tomaram. Tomou antes o carequinha português, alegadamente. O que não é alegadamente é a velhota ter sido morta a tiro.

Duarte Lima fugiu para Portugal e houve depois todo um bailado de processos, trânsitos em julgado, decisões e indecisões.

Esta introdução toda para quê? Para uma pergunta muito simples.

QUANTOS, daqueles 230 deputados ( não interessa de que partido) têm comportamentos hediondos e criminais como os de Duarte Lima, mas que passarão por entre os pingos da chuva e nunca serão criminalizados?

Haverá ainda alguém que defenda que Portugal é um país de políticos sérios, e onde não existe corrupção, como se ouvia à boca pequena nos finais da década de 80, princípios de 90.

Era uma daquelas mentiras que se tornaram numa quase verdade absoluta, para a população desinformada.

Era a treta de não haver corrupção e a de termos das melhores polícias judiciárias da Europa.

Até acredito que a maior parte dos deputados da Assembleia sejam homens com uma seriedade aceitável, mas tenho a certeza que não seria preciso escarafunchar muito para encontrar mais uns 3 ou 4 Duarte's Lima, talvez até com currículos criminais mais extensos do que o dele. Bem escondidos, mas mais extensos.

Gostaria de referir que Duarte Lima continua a receber uma subvenção vitalícia de 2200 euros por mês, o que a mim me parece escandaloso. Qualquer político que seja condenado por um crime deveria perder todas as benesses que aufere, como resultado de cargos políticos que tenha ocupado e que usou para assim obter os seus intentos criminosos.

Finalmente veio a decisão de que o advogado vai ser julgado em solo português.

Parece não ser a hipóteseque mais lhe convém, mas o que é verdade é que já numa primeira instância os tribunais portugueses, mesmo confirmando que houve a transferência dos cerca de 5 milhões para Duarte Lima, disseram não ser possível afirmar que o ex-deputado tenha assim cometido o crime de abuso de confiança.

Pouca fé vou tendo na justiça portuguesa, principalmente quando quem está no banco dos réus é um político, mas será que vai haver coragem para condenar o homem por este crime, que até aconteceu do outro lado do oceano, como se isso retirasse gravidade ao acto?

Haverá quem diga que condenarão, se for caso disso, uma vez que ele agora até está preso. Mas está preso a cumprir uma pena de 3 anos e meio, que é apenas uma fracção da pena total deste crime pelo qual foi punido.

Os políticos portugueses fazem-me lembrar os antigos filmes do faroeste, em que mesmo havendo um Xerife, quem mandava na cidade eram os bandidos.

Todas as semanas vão saindo notícias de erros judiciários ou condenações que não aconteceram, e nalgumas até dá para ficarmos incrédulos.

Ou foi porque a prova não serviu de prova porque foi entregue tarde demais, ou porque a escuta não foi autorizada por um juiz, ou porque os prazos do julgamento não foram cumpridos.

Sinto cada vez mais que vivemos numa república das bananas mas em que nem os macacos conseguimos ser. Os macacos são eles, e os bananas somos nós, que somos devorados, sem nada podermos fazer.

23
Mar21

Importações importantes


Pacotinhos de Noção

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Já foi o tempo em que a Portugal tudo chegava anos depois.

Com a sede de vanguardismo, e graças a vivermos numa enorme aldeia global, as novidades agora chegam num espaço de dias, quando não de apenas horas.

Isto seria de facto positivo se o que nos chega a velocidade supersónica fossem coisas importantes e que realmente valessem a pena, mas infelizmente não é o que acontece.

O que rapidamente nos chega é o que é mais irrelevante e muitas vezes até azeiteiro. Se calhar é por isso mesmo que cá chega depressa, porque com o azeite escorrega melhor.

Primeiro foram as palmas ao pessoal que trabalha na área da saúde. Começaram fora das nossas fronteiras mas rapidamente aqui entraram.

Foi um gesto muito bonito para quem aprecia, mas não é demais recordar que cerca de um mês antes da chegada da pandemia, as notícias que se viam acerca dos profissionais de saúde era que recebiam palmas, mas era na cara e o clima de medo que sentiam ainda não era contra a COVID mas contra "esperas" feitas à porta das urgências para "fazer a folha a este ou aquele médico". E o respeito pelos profissionais de saúde acabam nas palmas e nos murais desenhados nas cidades, porque quando estes apelavam para que as pessoas se protegessem, a maior parte fazia ouvidos moucos.

Ouvidos moucos que só funcionavam quando era para ouvir as cantorias e serenatas nas varandas. A início o pessoal levou isto na palhaçada e até pensavam que o confinamento iam ser 10/15 dias, e então para fazer gracinhas começaram a cantar e a fazer espectáculos nas varandas, como lá fora faziam... Não correu assim tão bem, porque enquanto em Itália se ouviam tenores aqui tinhamos que nos ficar pelo José Malhoa.

Arco íris à janela não dá imunidade de grupo, caso contrário estava tudo imunizado e o COVID há muito tinha desaparecido. Muitas impressoras viram os cartuchos de tintas esvaziados como se não houvesse amanhã. Era urgente imprimir as 7 cores do arco da velha e dar a perceber que "vai ficar tudo bem". Como se sabe não ficou tudo bem, cada vez se vê mais arco íris de cores desbotadas e teria sido muito mais económico se os arcos fossem a preto e branco. Importa referir que este grandioso golpe de marketing, que ao que se saiba poucas ou nenhumas vendas rendeu, foi iniciado por crianças, também em Itália, que realmente quiserem criar algo que desse esperança aos mais velhos. Já a frase "Vai ficar tudo bem" também foi  golpe de marketing, feito por uma artista italiana, mas essa sim conseguiu lucrar com o feito, pois até lançou um livro sobre o assunto.

Com tanta importação de coisas sem importância aguardo quando se vai importar a nova moda.

Vi hoje nas notícias que em Espanha a nova moda é uma festa de dança silenciosa, em que todos dançam, ouvindo música pelos auscultadores... Poluição sonora não causam, mas visualmente parece uma dança de acasalamento de pessoal pedrado, e a verdade é que só estarem pedrados justifica a irresponsabilidade de livre e espontânea vontade criarem um foco de propagação do vírus, só porque sim. Estou à espera de ver uns quantos alucinados, na Praça do Comércio, a fazerem esta dança silenciosa. Se deixarem um chapéuzinho no chão deixo lá a minha moedinha de 0,10€. Se deixo a outros malucos porque não hei-de deixar a estes.

Por último uma moda que não acredito que chegue cá.

No Brasil marcaram uma festa dentro de uma carruagem de um comboio público. A carruagem encheu na totalidade e a festa ocorreu durante o período de funcionamento normal do transporte de passageiros. Cá em Portugal não acredito que aconteça. Na linha de Sintra era provável que houvesse a supressão do comboio naquele horário. As pessoas chegavam para a festa e não havia festa nenhuma. Na linha de Cascais poderia haver o comboio, mas caia uma cantonária, como tantas vezes acontece e ficava ali o comboio parado e ia tudo para casa a pé.

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