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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

05
Fev23

Tabu


Pacotinhos de Noção

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Colocando as brincadeiras de lado, sabem o que penso acerca de pessoas que não têm a mesma orientação que eu?

Que sejam felizes, isso é que interessa, e já é muito, pois com a sociedade fechada que temos, conseguir ser feliz é um feito.

Fechada e ignorante, como prova o vídeo que anda por ai a circular, do idiota que diz que até se afasta dos homo sapiens, e que de tivesse um filho assim, o repelia. Espero que repelido seja ele, por ser um burro, estúpido e ignorante, que na sofreguidão de apontar o dedo, e repelir, nunca deu uso a nenhum dos seus neurónios, deixando que calcificassem, e nem Calgon o vai safar.

23
Jan23

Subscrevo a 100%


Pacotinhos de Noção

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Hoje não vou escrever, vou apenas colocar um dos melhores textos do Bruno Nogueira, que li até hoje.

É duro, é cru, é agressivo, mas acima de tudo é verdadeiro.

Vai haver gente que provavelmente lhe vai achar menos piada. A isso é costume chamar-se de hipocrisia.

Quem tiver filhos mas não perceba o que aqui é dito, lamento, mas não percebe bem o conceito de se ser pai.

Concordo COM TUDO, sem ter que acrescentar nada.

Apreciem.

 

Bruno Nogueira, na Revista Sábado 

19.01.2023

 

Os pais, sempre os pais, a ficarem deslumbrados com a pornografia que é usar os filhos, ela é tão bonita que tenho de partilhar com o mundo, não aguento ter esta cara laroca só para mim, a venderem a criança a fazer tudo, a tentar ser criança, a não perceber porque é que a mãe tem cara de iPhone.

 

Sabem que mais? Bard@merd@ mais os vídeos dos vossos filhos menores no Instagram, mais as crianças com hashtags de marcas no focinho, tão pequenas que ainda nem conseguem perceber o festival de lama em que estão metidas. Nasceram já com a cara a ser esfregada no mundo para toda a gente ver, olha que lindo ele a comer a primeira papa desta marca, olha que amor ele a sair da escola com aquela roupa, olha ele a fazer uma birra, que menino feio, não come a massa toda, e o número de seguidores a subir; que já se sabe que o que interessa é seguidores, a privacidade e o anonimato das crianças que se lixe, desde que uma marca de roupa ou de cremes, ou do c@ralh0 que os f0d@ a todos venha esguichar dinheiro. Ai, é para pagar a escola do menino, ai é para ele viajar comigo, ai ele ainda me vai agradecer, então não vai, durmam com a desculpa que quiserem, a criança não pediu parcerias, só tem aquilo que vocês lhe derem, se derem uma escola pública é na escola pública que está bem, ao menos não anda na rua com dedos a apontarem para ele, e conversas em surdina, olha é o filho daquela, que ainda no outro dia fez uma birra porque não comeu massa, ai que birra tão feia que fizeste no outro dia, não podes fazer birras tão feias, tens de ser um menino bem-comportado.

A pobre da criança já a ter que ser pública quando ainda nem sequer sabe ser privada, nem vai saber, porque a auto-estima dos pais precisa de seguidores, e de mensagens calorosas a dizer “a sua filha é tão bonita, que sorte que você tem, adoro vê-la, mostre mais vezes”, e os pais, sempre os pais, a ficarem deslumbrados com a pornografia que é usar os filhos, ela é tão bonita que tenho de partilhar com o mundo, não aguento ter esta cara laroca só para mim, a venderem a criança a fazer tudo, a tentar ser criança, a não perceber porque é que a mãe tem cara de iPhone, não tem dois olhos como as outras, tem uma lente e um flash sempre a olhar para ela, porque é que a minha mãe não me abraça com dois braços? Sempre que olham para os pais lá estão eles a segui-los com lentes assustadoras, sem empatia no olhar, porque o olhar está a ver o desgraçado do filho através do ecrã, vê-lo ao vivo dá menos dinheiro, e deixa o ego frio. A estupidez humana iluminada por um ecrã de telemóvel. O filho é meu, faço o que quero. Tem juízo, f0d@-se, o que é teu és tu, o resto não é de ninguém. Ai mas ele gosta muito dos vídeos. Ele gosta é da real put@ que vos pariu, ele também gosta de quatro tabletes de chocolate por dia se lhe enfiarem no focinho, ou de sete Coca-Colas, eles sabem lá, estão a aprender a ser gente com donos de circo. Se lhes derem cocaína também é possível que gostem, ou andar em tronco nu no inverno. Ah, mas as Kardashians também fazem, e agora? Agora? Agora nada, seus burros de m€rd@. As Kardashians se quiserem compram uma escola só para os filhos não terem de aturar outras crianças com ranho na tromba que gozam com elas. As Kardashians com um bocadinho de sorte compram a cidade onde vivem e depois é que ninguém olha nem comenta, percebem a diferença? São tão estúpid@s como vocês, mas têm tanto dinheiro que quase parece que ser burro as magoa menos. Isto está tudo f0did0, é o que vos digo. Tudo f0did0. Não me venham com a conversa de “são outros tempos”. São sempre outros tempos, olha que novidade do c@ralh0, senão o mundo tinha parado. O anonimato é a coisa mais preciosa com que se nasce, agora ou antigamente, e dão-lhes cabo disso logo à saída do corpo da mãezinha, com uma fotografia ainda no hospital, o pobre bebé sem fazer ideia de que mundo é este, com olhos de espanto pelo mundo, o cordão umbilical ainda a alimentar o corpo, a mãe de olhinhos fechados a chorar, com uma touca na cabeça e cara de parva, o médico a dar três pontos na mãe, e o pai a fotografar a menina a ser pesada, três quilos e duzentos gramas de amor, é a legenda da fotografia no Instagram, para as marcas de coisas para bebés ver se acordam. A criança nasce anónima e só deve deixar de o ser quando tiver idade para decidir. Ela nasceu dos vossos corpos, mas não é vossa. O máximo que podem fazer é dar amor e não estragar, porque daqui a uns anos é para devolver ao mundo. Mas até lá, quem é que as protege do Instagram dos pais? Onde é que estão os adultos para tomarem conta destes adultos? Não há parceria que pague vender uma infância em stories. Já perdi amigos com esta m€rd@, para que saibam. Amigos e amigas que eu vejo espetarem o focinho da criança a tomar banho, crianças que pedem para a mãe parar de filmar e mesmo assim a mãe põe nas redes sociais, porque os seguidores estão com fome, e a menina que se aguente, que a vida é mesmo assim. Como é que se atrevem a atirá-los aos leões? Ide-vos f0d€r todos, mais a vossa bolha de egoísmo e de deslumbramento. Oxalá as crianças, que vão ser adultos – nunca se esqueçam disso – vos filmem a c@g@rem-se todos nas fraldas com 80 anos, ou com comida a cair-vos pelo queixo, todos f0did0s dessa cabeça, a não saberem qual o nome do vosso neto, e eles a filmarem “olhem para esta minha mãe, nem sabe o nome da neta, tão apagadinha que está aquela memória”. E vocês com o mesmo olhar que tinham os vossos filhos quando eram filmados por eles, perdidos sem saber o que está a acontecer, a sorrir para não se sentirem tão sozinhos do lado de lá da lente. E eles a explodirem de likes, e de seguidores, e de parcerias, e do raio que vos parta. São outros tempos, dizem eles. E as crianças que se amanhem com essa frase. Pois são, são tempos f0did0s para quem é filho deles. Filmem e guardem, entretenham-se, vão ao cinema, ao teatro, olhem uns pelos outros, façam o que quiserem, mas deixem as crianças em paz. Filmem e guardem, que elas quando crescerem logo decidem. Ai calma, há problemas maiores. Pois há, há problemas muito maiores, mas muitos deles nascem de problemas pequeninos como este. A criança não tem culpa, f0d@-se, é só uma criança. Deixem-na ser anónima, por amor a ela. Sejam adultos, façam-se homens e mulheres. E no meio disso tudo sejam pais, que já custa muito.

08
Jan23

Ninguém teve que morrer


Pacotinhos de Noção

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Estreou neste Sábado a segunda temporada do programa do Bruno Nogueira, TABU.

Para quem não conhece, não é apenas um programa de humor. É um programa de humor que nos leva a conhecer, a pensar, a entender e a perceber, vidas e situações que nos serão sempre desconhecidas ou pelas quais ainda não passámos.

Fazer rir com assuntos como as deficiências físicas, as doenças incuráveis, dependências, obesidade ou doenças mentais (temas abordados na primeira temporada) só seria possível, e até podemos dizê-lo, permitido, a alguém como Bruno Nogueira, que não se coíbe de fazer as suas piadas, mas não sem antes ter passado quatro dias com os visados, criando assim uma cumplicidade e uma simpatia que depois permite que todos se riam com o que o Bruno diz, e dos problemas dos quais padecem.

Tendo gostado bastante dos episódios da primeira temporada, devo dizer que tenho no meu preferido este primeiro episódio da segunda. Tivemos um Bruno Nogueira solto e divertido, que colocou os participantes à vontade e que, dá ideia, conseguiu com eles criar um ambiente de cumplicidade.

Desta feita o tema foi a velhice, mas a idade não se fez sentir, pois o programa correu sobre rodas.

Como nos bons perfumes, o frasco deste programa é também de tamanho reduzido. Teremos mais uma vez uma temporada de 5 programas que, estou em crer, nos saberão a pouco, mas se há coisa com a qual Bruno Nogueira sempre soube jogar, foi com as suas aparições fugazes, para conseguir fazer com que o público não se canse de si.

Não se pode dizer que tenha sido uma aposta ganha por parte da SIC, porque aposta implica sempre algum risco, e TABU já havia sido testado, com resultados bem positivos.

Bruno Nogueira, durante o programa, sugeriu que um dos convidados morresse antes da estreia do mesmo, para conseguir assim bons níveis de audiências. Não sei como ficaram os níveis de audiência, mas acredito que tenham sido bastante bons, e no final das contas, ninguém teve que morrer.

06
Mar22

Um TABU de que se deve falar


Pacotinhos de Noção

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Estreou ontem o novo programa do Bruno Nogueira, TABU.

Relembro-vos há uns meses ter escrito o quão desiludido fiquei com o programa "Princípio, Meio e Fim", porque se assemelhava a uma reunião confusa de amigos, que decidiram que haveriam de se juntar todos, filmar, e depois mostrar o que dali resultou.

Muitos colocaram no programa o epíteto de genial, e que só os mais requintados poderiam gostar, que era preciso aprender a apreciar por ser muito fora da caixa, mas a verdade é que se um programa de comédia precisa de instruções para fazer rir, então não é um programa de comédia, é só um programa.

A verdade é que começou em glória, não cativou a grande generalidade do público e terminou sem deixar nenhum tipo de saudades.

Não critiquei uma única vez a capacidade humorística de Bruno Nogueira, pois não era com aquele programa que tinha que prestar provas. As provas necessárias já foram dadas anos antes, com outros formatos e outros estilos, e no "Princípio, Meio e Fim houve apenas a concepção de algo que não foi tão bem conseguido, quanto o haviam pretendido.

Aquilo que se destaca, ao observar o percurso de Bruno Nogueira, é a vontade de sempre fazer diferente, de aproveitar um espaço que, de certa forma, ninguém teve a ousadia, o discernimento ou o vislumbre de pegar. Se o "Princípio, Meio e Fim" era uma reunião de amigos, que não transparecia para o público qualquer tipo de afecto ou simpatia, TABU é uma reunião de desconhecidos que partilham entre eles (e também connosco) parte das suas histórias de vida, mas que corre muito bem, pois não existem piadas pré-concebidas e humores gastos e requentados metidos a martelo. Pelo contrário, existem ali pessoas em conversa onde, de uma maneira ou de outra, a piada surge, sendo aproveitada, para o programa, e funciona muitíssimo bem. Depois temos a parte de "stand up" do Bruno, que mata um pouco as saudades do tempo em que frequentava o "Levanta-te e Ri", mas que o súpera em muito. Temos agora alguém mais maduro, com menos manias de miúdo rebelde, uma inteligência mais acutilante, e que lhe é até exigida, tendo em atenção os assuntos focados.

Este programa não nos mostra como a vida pode ser perfeita mesmo que se tenha limitações. Mostra-nos, isso sim, que no meio da imperfeição que é a vida, existe espaço para momentos perfeitos em que nos conseguimos rir de motivos que normalmente nos levariam a chorar.

TABU é uma lufada de ar fresco por vir meter a mão de forma abrupta e indelicada, em assuntos que são normalmente mexidos com pinças, e com uma dose cavalar de cautela, que só assim acontece devido aos grupos crescentes de "canceladores" que julgam que o humor, o cinema, a televisão, a escrita e o teatro, se devem reger por regras por eles definidas, e que têm uma elasticidade elevada a zero, obrigando a que todos tenham que andar dentro de uma linha por eles definida.

Nogueira passa essa linha por vontade própria, e fê-lo de maneira exímia, pois tratou todos os protagonistas do programa de ontem, sem "coitadismos", ouvindo as suas histórias, mas brincando com o que havia para brincar. Não sendo o mesmo formato, assemelho muito este programa ao "Som de Cristal", em que Bruno brincava com os artistas da música popular portuguesa de uma forma divertida, mas nunca ofensiva, mostrando por eles um respeito que não existe normalmente nem nalguns anfitriões de programas que vivem tanto na base destes artistas, e que até fazem Festas e Domingãos inteiros, com a música por eles comercializada.

Se este programa mostrou a genialidade de Bruno Nogueira?

Não mostrou este, assim como não mostrou o "Princípio, Meio e Fim". A genialidade do artista não se constrói com um ou outro programa. Constrói-se com uma carreira de sucessos e insucessos, altos e baixos, louvores e polémicas, mas sempre com a constante de dar algo de novo e interessante a quem vê. No panorama humorístico nacional actual existe apenas um génio, e é Herman José, que tem carreira, vida, história e que foi ousando.

Sei que existe também quem considere Ricardo Araújo Pereira um génio, e aqui não poderia estar mais em desacordo. Não querendo comparar os dois, mas já comparando, Bruno Nogueira já caminhou por vários estilos e não teme a mudança, RAP está preso à comédia política, e parece de lá não querer sair, tansformando-se assim num Jon Stewart de Carnaxide, o que nem é desprimor nenhum, e o ex-Gato Fedorento e bastante bom naquilo que faz, mas ficando muito preso a um estilo, poderá deixar de saber fazer todos os outros. Já Bruno gradualmente vai construindo o tal caminho para um dia poder acalentar a ser

um génio, não comparável ao Herman, mas que terá também lugar de destaque.

Parabéns ao Bruno Nogueira, à SIC e aos protagonistas do primeiro episódio do TABU. Fico, ansioso, a aguardar os próximos episódios.

03
Nov21

Cambada de "coninhas"


Pacotinhos de Noção

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Volto hoje a falar do Big Brother.

Este programa, por quase ninguém visto, continua de certa forma a dar audiências, e o que é um facto é que quando algo de mais marcante acontece todos ficamos a saber e acaba quase toda a gente também por comentar, porque sabemos que havemos de conseguir, nem que seja uma raspa no fundo do tacho do "sururu" que foi criado. É o meu caso aqui, que gosto de escrever mas também gosto que leiam o que escrevo, e por isso tento sempre estar em cima da onda da actualidade, e é também o caso do Bruno Nogueira, por exemplo, que também não gostando do formato, sabe disto que acabei de referir e acabou por se debruçar sobre o grave assunto do qual todos falam.

Mas será que foi assim tão grave?

Resumidamente conto-vos o que se passou.

Um concorrente afirmou ter tido já um contacto sexual com a namorada que fez na casa. Isto sem que ela se tenha apercebido, nem sequer consentido. Este foi o rastilho para que de repente estivéssemos no meio do incêndio de Roma, e o Nero que o ateou foi a própria produção. É fácil de perceber porquê. O formato vai ficando cada vez mais esgotado e há que aproveitar cada pisadela em ramo verde que um concorrente possa cometer. Desta forma podem ralhar, punir, causar polémica e burburinho chegando até a humilhar os concorrentes, mas não faz mal porque neste caso o "falem mal mas falem de mim" é o lema preferido e a exploração de situações que se possam tornar virais são aquilo que interessa. Prova disso mesmo foi a suposta queda do Eduardo Madeira para a piscina, no programa da Cristina Ferreira que, mesmo o Eduardo Madeira esforçando-se, deu para perceber como foi uma encenação muito mal executada.

Há uns anos uma boa desculpa, para quem via o Big Brother, era a de que viam como um fenómeno ou um estudo sociológico. Ninguém admitia que era porque gostava de assistir a um bate boca, cusquice ou peixeirada, ou até um ameaço de bofetada.

Nos dias de hoje esse fenómeno ou estudo sociológico continua a ser muito válido. De facto passou até a ter o dobro da validade, porque fazemos o estudo sociológico dos concorrentes que estão dentro da casa e fazemos o mesmo estudo do público que os segue.

As conclusões que se poderá tirar do estudo são que no primeiro Big Brother tínhamos concorrentes com o 9ºano, o 12º e homens da tropa. Chateavam-se, davam até pontapés uns nos outros mas dava perceber que eram na sua essência genuínos e que nem sabiam bem ao que iam. Agora temos na sua maioria licenciados, mas que pouco ou nada trabalharam, não fazem ideia de como se faz seja aquilo que for (achava piada pedirem-lhes para construir um galinheiro como fizeram com o Zé Maria) e têm a capacidade de argumentação de um maple do IKEA.

Capacidade de argumentação que poderia ter sido útil ao concorrente visado nesta polémica porque fui ver as imagens e aquilo que vi foi apenas uma piada, uma brincadeira.

A única pessoa que vi defender este ponto de vista, sem medo de colocar todos os pontos nos i's, foi o Flávio Furtado, que trabalhando até dentro do formato, não teve pudores de dizer aquilo que realmente pensa, não se vergando ao peso das audiências e das redes sociais.

Só quem esteja de má-fé, ou que queira muito pontos de audiência de forma muito badalhoca, é que pode agarrar neste contexto e dizer que o que se passou é uma vergonha, um crime, um abuso do homem pela mulher...

Tudo isto é demagogia barata. Aquela mesma demagogia utilizada pelo CHEGA e que supostamente tanto asco causa a tanta gente mas que afinal de contas até é bastante simples de usar, apenas e só porque a hipocrisia é a nota dominante.

O que nos leva ao estudo sociológico do "públicuzinho".

Estão todos transformados numa cambada de coninhas. Hoje em dia não se pode brincar com isto ou com aquilo, é uma ofensa, estão na televisão e têm que dar o exemplo... Deixem-se de tretas.

Pode-se e deve-se brincar com tudo. Não há limites para o humor. Há é os limitados sem humor, mas isso já é problema deles, por isso deixem-se ficar desse lado do monitor e vomitem as opiniões que quiserem mas pensem primeiro se valerá mesmo a pena. É que ao criarem essas opiniões pré-fabricadas vão apenas ser mais um bode naquele rebanho que tanto desdenham e ao qual imputam a pertença de indivíduos que pensam de maneira diferente da vossa, sem perceberem que por pensarem de maneira diferente de vós estão a demonstrar que afinal do rebanho não conhecem nem o pastor.

Ser uma ofensa é outro problema do receptor da mensagem que o programa possa passar. Quando alguém se vira para vocês e diz "És uma trampa", isso sim é uma ofensa, mas sentirem-se ofendidos por algo que passa na televisão é o mesmo que sentiam os inquisidores para justificar a queima das bruxas e das adúlteras, e a PIDE, para justificar o uso desenfreado do lápis azul. E felizmente, nos dias de hoje, mesmo que queiram usar o lápis azul, eu tenho a liberdade de sugerir que enfiem o lápis azul num sítio onde o sol não brilha, porque já não há pachorra para estes inquisidores de redes sociais, que não tiram os seus rabos suados da frente dos computadores e cuja coisa mais próxima de actividade física que praticam é vestir o fato de treino surrado que lhes serve de pijama, dia após dia, sem sequer lavar.

Querer também que a televisão sirva de exemplo é, mais uma vez, demitirem-se de toda e qualquer responsabilidade que têm para com a sociedade. A televisão é entretenimento e nela poderá, e deverá até, vir incluída cultura, regras de convivência e de cidadania... Mas poderá não vir, e se não vier o exemplo que os vossos filhos, caso tenham, devem seguir não é nunca o da televisão, é o exemplo dos pais, e o exemplo que eles vão seguir é o de alguém que, vivendo num país próximo da bancarrota, em que tudo aumenta, com um SNS deficitário (ao contrário do que nos querem fazer crer) e com políticos e governantes que mostram que a corrupção vai sendo a norma e não a excepção, se vai indignar com aquilo que um idiota que se fechou numa casa com outros 15 idiotas, para ser filmado para ser visto por algumas centenas de milhares de idiotas, disse. Belo exemplo para os garotos, sim senhor.

Para terminar, e fazendo também a minha análise sociológica, elaborando uma teoria rebuscada, a ideia que me dá é que a época em que vivemos está de barriguinha cheia.

Depois das Guerras Mundiais, as sociedades levaram o seu tempo para se restruturarem novamente, quer economicamente quer em valores morais e em convivência na sociedade. Como passaram por momentos traumáticos e como tinham mais em que pensar, os assuntos considerados menores nem sequer eram abordados. Só se perdia tempo com o que era essencial. Aqui tivemos uma ditadura e a Guerra do Ultramar e depois uma revolução que nos deu a liberdade, mas que nos tempos iniciais andou ali aos soluços e que sofria com várias instabilidades. Os anos foram passando e hoje somos filhos e somos netos de uma revolução, de uma ditadura e de guerras que vão ficando cada vez mais distantes e esquecidas. Isto leva-nos a um vazio de ideais e de convicções que sejam realmente importantes, o que nos leva também a que sejamos uns palonços que poderiam até tentar lutar contra algo maior que eles e que poderia levar a mudanças, mas ser-se inoperante já está tão vincado e passou a ser tão confortável que as lutas que se escolhe são aquelas que se apanham na televisão ou nas redes sociais e que não exijam grande coisa de nós, além de mandar uns bitaites como, por exemplo, acabei eu de fazer por aqui.

08
Jul21

Quais os limitados do humor?


Pacotinhos de Noção

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A pergunta que todos os humoristas não gostam de ouvir, porque odeiam responder, é a de "Quais são os limites do humor".

Para mim não há limites, para alguns o limite é quando os visados da brincadeira deixam de ser os outros e passam a ser eles mesmos. Mas não era acerca dos limites do humor que gostaria de falar e sim dos limitados. São dois assuntos que acabam por se misturar porque muitas vezes os limitados do humor tendem a pensar que são eles quem impõem os limites para toda a gente.

Ontem o Bruno Nogueira, no seu Instagram @corpodormente, colocou a foto que emoldura este texto, e legendando a foto um texto que para mim tem imensa graça pois revejo ali estereótipos, alguns até de pessoas consideradas famosas.

Polish_20210708_191344478.jpgAchei uma boa piada, até refrescante e se tivermos em consideração os gostos obtidos percebemos que muita gente também achou graça, vendo alguns dos comentários, percebemos que alguns dizem ter achado graça mas não perceberam que aquele texto se assemelha à forma como escrevem e, pelos vistos, houve algumas pessoas que além de se terem rido, ao fingir que perceberam, acharam por bem fazer um ou outro reparo à maneira como o Bruno Nogueira escreve, porque "sendo uma figura pública deveria ter em atenção alguns dos erros ortográficos que comete".

IMG_20210708_190016_044.jpgMelhor ainda é alguém que no meio de um texto tão propositadamente errado e mal estruturado, só conseguiu vislumbrar o "veses" como erro.

Polish_20210708_185146369.jpgEste balde de água fria a uma piada é semelhante àquele tipo que conta o final da nossa anedota antes de a acabarmos de contar a outra pessoa que não a conhecia.

Isto só reforça a minha convicção de que o "Princípio, Meio e Fim", mesmo não tendo sido um bom programa, tinha imensas pessoas a defendê-lo apenas porque aceitam que à partida qualquer coisa que seja feita por um humorista, ou um artista em geral de quem gostem, é boa, compreendam eles ou não.

Do Bruno Nogueira não sei se gosto, não o conheço, do trabalho gosto de muita coisa mas há outras que não aprecio tanto, mas isto acontece-me com todos os artistas de quem sigo o trabalho. O facto de gostar não me faz só tecer rasgados elogios, até porque a quem nos dá espectáculo e cultura não devemos fazer fretes, uma vez que é do nosso real retorno que eles conseguem melhorar, caso disso haja necessidade. 

Voltando a quem faz reparos linguísticos numa piada que também é linguística, mostra também o porquê de hoje existirem tantos indignados com tanta coisa, tantos defensores de oprimidos, tantos exigentes que querem à viva força defender causas que nem sequer conhecem ou sabem o que defendem.

Para terminar queria também dizer que os grandes culpados de o humor ser tão, mas tão levado a sério, que até parece mal que se riam, são a nova vaga de humoristas que de humoristas têm muito pouco, e também eles são os "Limitados do Humor".

Volto a bater no ceguinho e não tenho o problema de os nomear pois sendo figuras públicas acabam sempre por estar sujeitas ao escrutínio do cidadão comum, embora não gostem (é natural) mas personalidades como Diogo Faro, Carlos Pereira, Luana do Bem, que misturam humor com ideologias e activismos políticos e sociais, ou outros como Pedro Durão, Paulo Almeida ou Guilherme Duarte cuja piada deixa muito a desejar, fazendo até lembrar as gracinhas que dizíamos e fazíamos na escola primária, mas que ainda assim têm muito palco, faz com que o sentido de graça das pessoas decaia muito de valor, habituando-se ao medíocre.

17
Mai21

Como diria Bruno Nogueira: "Fraquinho... Muito fraquinho"


Pacotinhos de Noção

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Foi hoje o 6º e último episódio do "Princípio, Meio e Fim".
Uma vez que escrevi o que pensava, depois do primeiro episódio, no post "Um tanto ou quanto desiludido" achei por bem voltar a fazê-lo depois do último episódio.
Na altura defendi que a ideia era engraçada mas que faltava alguma comicidade e que dava a sensação de que eram usadas demasiadas "private jokes" que só os intervenientes perceberiam.
Tive imensas reacções ao post, dizendo que o programa era de génio, que era preciso entender a comédia, que as "private jokes" não eram "private jokes".
A verdade é que com o passar dos episódios o programa foi perdendo cada vez mais e mais audiências. Esvaziou rapidamente como se de um balão se tratasse e o recurso ao grito histérico, como forma de tentar ser engraçado, deixa de ter piada quando chegamos aos 4/5 anos de idade e deixamos de ser tão infantis.
Depois de ter assistido a todos os episódios, devo dizer que a série além de nunca descolar na verdade foi-se afundando cada vez mais.
Foi um projecto pioneiro, funcionaria talvez se fosse de episódio único, mas assim mostrou aquilo mesmo que pensava. Serviu apenas para divertir quem nele participou.
Já sei que imensa gente poderá dizer que é preciso aprender a gostar, mas para mim quando o argumento que é usado para uma série que se quer de comédia, é o mesmo argumento que é usado para o sushi, então temos mesmo um problema.
Os intervenientes não deixam de ser bons por terem participado em algo que não funcionou. Já houve outros programas que também não funcionaram e que depois até se tornaram de culto, como a Hora H, do grandioso Herman José, mas o "Princípio, Meio e Fim" por muitas voltas que se dê, penso que difícilmente chegará ao culto.
Algo que também não correu muito bem, foi o facto de os autores criticarem o horário a que o programa foi transmitido. Não me parece que o problema tenha sido o horário, até porque quando a obra se entranha, vê-se nem que seja no dia a seguir, e aqui não aconteceu, tendo até em consideração a falta de burburinho que a mesma criou, a não ser depois do primeiro episódio.
Bruno Nogueira já teve ideias fantásticas, e esta também não era má, mas foi mal conseguida e arrastou-se por demasiados episódios. Foram só 6, mas pareceram muitos mais.

13
Abr21

Um tanto ou quanto desiludido


Pacotinhos de Noção

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Aguardava com alguma expectativa o novo trabalho do Bruno Nogueira. Gosto do facto de que a cada programa que imagina haja sempre algo de inovador. Nisso o "Princípio, Meio e Fim não desilude. Até agora não se tinha visto nada igual e aquando do montar do texto pelos 4 guionistas (Nogueira, Markl, Melo e Martinha) com o passar dos minutos vamos sentindo alguma excitação e angústia, receando que a história chegue ao final sem ter um final... Mas a verdade é que mesmo que isso aconteça, a ideia que me dá é que nem faz mal, porque a piada do programa mora também na imprevisibilidade daquilo que sairá do texto e se sair algo sem final então será assumido, sem qualquer tipo de problemas.

A parte onde fico um tanto ou quanto desiludido é porque no desenrolar do programa as "private jokes" e as situações em que só os intervenientes é que percebem a piada, como por exemplo o Mercúrio Retrógado, fazem com que o espectador se sinta um pouco à parte. 

Bem sei que haverá quem diga que para perceber algumas piadas deveriamos ter seguido o "Como é que o Bicho Mexe", mas importa referir que grande parte dos espectadores televisivos não são pessoas que tenham por hábito seguir directos no Instagram, e o conceito televisivo é muito mais lato que o da internet, não tirando o mérito ao da internet, mas tendo por convicção de que os directos do "Como é que o Bicho Mexe" tiveram os números astronómicos que tiveram porque há uma secreta esperança de quem vê que, sendo o Instagram uma rede social consiga, de uma forma ou outra, socializar um pouco com os protagonistas. É aquela falsa sensação de proximidade.

Mas cingindo-me apenas ao programa que estreou no Domingo. O mal pode ser meu, e com certeza que será. Esperava um bocadinho mais de comicidade e talvez até de "nonsense", que esteve lá, mas que não foi surpreendente.

Aguardo pelo próximo Domingo para que possa ter a confirmação de que estou errado. Não estando não considero que isto seja um mau programa, apenas acho que é para um nicho, que vai sendo cada vez maior, mas que não são a grande generalidade das pessoas que assistem os canais generalistas.

 

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