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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

08
Jun22

Os animais dos cãovencidos


Pacotinhos de Noção

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Começo com uma pergunta simples.

Está escrito nalgum lado, ou é uma regra intrínseca, que quem é dono de animais tem direitos especiais, ou as suas vontades têm mais valor do que a de todos os outros?

Pergunto isto porque reparo que cada vez mais os donos dos animais, em particular dos cães, porque são esses que normalmente vêm à rua, estão convencidos que por gostarem muito do seu Farrusco, então todos têm que gostar, ou até venerar.

Em mais do que uma ocasião vejo donos de cães a entrar com os seus bichinhos em estabelecimentos, que estão bem sinalizados, e que não permitem a entrada dos mesmos, mas eles não querem saber e vão por ali dentro, sem sequer perguntar.

No fim de semana vi numa pastelaria, um cão que, ao lado de uma mesa de quem não levou cão, se lembrou de começar a sacudir-se e foi ver pêlo a voar por tudo quanto é lado. A ideia com que fiquei é que houve ali pastéis de nata e meias de leite que ganharam brinde.

Mas imaginem também que a pessoa entra com o cão numa loja de roupa e que o bicho, sem sequer o dono saber, até tem pulgas. Assim, de repente, pode estar o caldo entornado ao alastrar-se pela roupa uma praga desses bichos, que nos fazem esgadanhar a pele até fazer ferida.

Perto do sítio onde moro há um parque infantil. Estes senhores vão passear os cães para dentro do parque e o que depois acontece é que os miúdos, entre uma descida no escorrega e uma viagem no baloiço, acabam por pisar uma mina.

Curioso é que, entretanto foi aqui aberto um parque caninoo, cheio de espaço e óptimo para os cães fazerem o que quiserem, mas os donos teimam em deixar que os seus cães façam as suas necessidades no parque infantil e na relva comum.

Não tenho nada contra os bichos, só tenho contra os donos que são muito pouco cívicos.

Como alguém que respeita tanto os animais, pode desrespeitar tanto o seu semelhante? E nem me venham com a treta de que "quanto mais conhecem pessoas, mais gostam de animais". Para mim esta máxima pode ser alterada para "Quanto mais conheço alguns donos de animais, mais pena tenho dos animais por terem que conviver com tão fraca amostra de humano". Isto porque quando alguém decide entrar com o seu mais-que-tudo em qualquer lado não percebe que por detrás do dístico da não permissão de entrada, pode estar um motivo. Como sabem eles que a pessoa do estabelecimento, ou algum cliente que lá se encontre, não tem pavor a cães? Conheço várias pessoas assim, ainda mais porque a maioria destes donos de cães respeitam demasiado os seus bichos para lhes colocar açaime. E há alergias a pêlos e também pode haver quem pura e simplesmente não goste de cães, e está tudo bem, porque à pergunta do princípio ainda não obtive resposta, e estou em crer que realmente não há nada que diga que donos de cães têm uma permissão ou devam ser tratados de forma especial.

No fim deixo mais uma pergunta.

Dado que os cães fazem parte da família, é justo que tenham "donos"? Se estão quase em pé de igualdade, não será uma violência tratá-los como seres inferiores?

E se jardins zoológicos e circos são considerados um atentado à dignidade do bicho, vestir um cãozinho com uma roupinha ridícula não o é? Colocar um Labrador numa varanda de um T1, e só o deixar sair à rua, para ir fazer as suas necessidades, não deveria ser passível de multa, ou uma qualquer punição?

Amar os bichos é sermos donos deles, e submetê-los à nossa vontade e ao jugo de uma trela, ou deixá-los andar?

À pergunta inicial deixo mais estas e deixo também um conselho para quem o quiser apanhar. Quando forem apanhar o conselho, aproveitem e apanhem a bosta que estiver no chão. Pode até nem ser do vosso animal, mas é do de um ser superior, como vós, que pensa que a bosta do seu cão é uma dádiva, e que até serve de fertilizante. Assim, além de amigos dos animais também vão estar a ser amigos do ambiente.

02
Fev21

A badalhoquice do confinamento


Pacotinhos de Noção

 

Os portugueses não são das pessoas mais asseadas do mundo. Basta pensar que temos o chão definido como receptáculo de pastilhas, beatas e escarradelas, mas temos também uma característica magnífica que é "a roupa de Domingo". Ora, a roupa de Domingo é uma prova cabal do quão javardo se consegue ser. Durante a semana não se toma banho e a roupa é lavada em anos bisextos, não vá o tecido estragar. Depois, chegando o dia da missa, toma-se uma banhoca rápida, um encharcamento de perfume do chinês e veste-se a roupa mofenta de Domingo, para se causar sensação na igreja. Mas isto é uma característica talvez já datada e vou então falar de algo mais actual.

Com o confinamento não há quase ninguém na rua. Uma das excepções são os passeios com os amigos de 4 patas. Não sei se pelo relaxamento de não haver tanta gente que observe ou se há dificuldade em comprar saquinhos de plásticos para as bostas dos cães ou ainda se o facto de estarem tanto tempo fechados em casa lhes causou uma qualquer calcificação na coluna, não os deixando vergar, mas a verdade é que nestes tempos andar na rua sem pisar merda de cão é mais difícil que acertar nos números do Euromilhões.

A minas de bolo fecal são um mal que todos conhecem mas tenho reparado que nesta altura de resguardo domiciliário o aumento foi significativo. Digo mais ainda, os senhores e senhoras, donos dos animais, aproveitando o facto de parques infantis não poderem ser frequentados por crianças, usufruem do mesmo para que os seus canídeos possam esvaziar as tripas juntos de um qualquer escorrega, baloiço ou balanzé. Atenção, sei que os animais não têm qualquer culpa. De facto, quanto mais conheço os animais, menos gosto dos donos. Isto porque os animais, para estas pessoas, são como os filhos e como tal são um reflexo dos pais.

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