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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

21
Mar22

Escapadinha ao 3º Mundo


Pacotinhos de Noção

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Na 5.ª feira passada dirigimo-nos ao Hospital de Cascais com a nossa filha mais pequena, que estava com febres altas, na ordem dos 38, 39, 40 graus. 

Tínhamos plena consciência do que seria porque, infelizmente, durante os seus 17 meses, esta já seria a terceira vez a desenvolver uma infecção urinária. De qualquer das formas o diagnóstico tem sempre que ser feito por quem sabe, até para poder ser administrado o antibiótico à miúda.

O cenário com que nos deparámos era dantesco.

A sala de espera da pediatria estava apinhada de gente. Não havia uma cadeira vaga e imensos estavam em pé. Um A/C demasiado quente, pessoas para quem o uso de máscara já não é uma obrigatoriedade e que faziam questão de tossir para o ar. Uma criança que fez diarreia no chão e outra que fez xixi pernas abaixo. São crianças, é natural que estes desastres aconteçam. Aquilo que não será já tão natural é a enfermeira colocar apenas paninhos por cima das porcarias e afirmar que não vai dar para limpar porque as senhoras da limpeza não têm como caber ali, com o seu carrinho da esfregona.

Entrámos pelas 17:30 e só saímos perto das 2:00. A nossa senha era o 148, mas quando viemos embora chamavam pela 346...

Nunca tinha visto um hospital nestes preparos, senti estar num país de 3.º Mundo, e é mais escandaloso ainda quando temos em consideração que é o Hospital de Cascais. Um hospital que até há bem pouco tempo era utilizado como referência para outros hospitais.

O que mudou entretanto?

Será que foi aquele bicho peçonhento que nos andou a atormentar, e ainda atormenta? Só o facto de ainda andar por ai, justifica eu não escrever o nome, para não ter assim o texto, obrigatoriamente referenciado como "texto que aborda nesse assunto"... O assunto do "Quem nós sabemos", "Aquele cujo nome não deve ser pronunciado".

Ou será antes que a culpada é a guerra na Ucrânia? Sim, porque a vez do "outro" foi tomada, e se eu amanhã quiser ir ao barbeiro, e não tiver hora disponível, vão pedir imensa desculpa, "mas com isto agora da guerra, sabe como é..."

Mas não, amigos leitores, vou deixar-me de especulações e dizer, CONCRETAMENTE, o que mudou.

O que mudou foi que o Governo mentiroso, oportunista, explorador e pouco transparente que tínhamos, transformou-se agora num monstro de maioria absoluta, e que fará aquilo que lhe der na real gana.

O Hospital de Cascais, assim como o Hospital de Braga, por exemplo, eram dois exemplos de hospitais PPP (Parcerias Público Privadas) que davam muito certo. Hospitais dirigidos como empresas, não geravam prejuízos, muito pelo contrário, chegavam a gerar lucros, e que mesmo sendo geridos como empresas permitiam que uma pessoa sentisse ser isso mesmo, uma pessoa, quando se ia a um destes serviços hospitalares.

Acontece que "El António Costa — o Afanador" ou se quiserem, "António Costa — O Discípulo Socrático", decidiu que estas PPP deixariam de existir desta forma. Passariam de novo para as mãos do Estado, sem uma justificação plausível, que nos permita perceber o porquê?

Ao não haver explicações, cada um de nós é livre de pensar aquilo que quiser, e eu, mente retorcida como só eu sei ser, começo a imaginar se o término das PPP, que não geravam derrapagens orçamentais, não acontecerá precisamente devido às derrapagens que não aconteciam?

É que os desvios de dinheiro não se fazem em empresas de contas certas, que coloquem tudo preto no branco e sejam organizadas. Para Governos como este, quanto mais bandalheira melhor, porque assim no meio de tanta confusão, uns milhões que fogem para aqui, e outros que fogem para ali, acabam por fazer tal confusão, até na cabeça de quem rouba. Por isso é que depois, nas comissões de inquérito onde são chamados devido a negócios menos claros, nunca sabem bem sobre o que são inquiridos, ou nem sequer se lembram do que "passou-se", como diria o outro.

Voltando ao Hospital de Cascais, e à consequência do mau planeamento, da falta de higiene, em suma, de toda a falta de condições... Estou no segundo dia de internamento da minha filha. A somar à infecção urinária que tinha, agora ganhou uma forte gastroenterite, tendo deixado de comer, de beber. Desonesto não posso chamar ao médico que nos atendeu. Disse, desde logo, que a probabilidade da minha filha ter apanhado este vírus no hospital é de quase 100%. Mas de que me interessa saber de onde vem o vírus, quando eu queria era que ele se fosse embora?

A minha pequenina continua alimentada a soro, ainda não tem grandes apetites e passa a maior parte do tempo a dormir. A febre, felizmente, já parece ter dado tréguas.

Este é um hospital onde trabalha boa gente, caso as deixem trabalhar. É uma pena que o VOSSO Governo (sinta-se ofendido quem neles votou) tente mandar abaixo aquilo que outros construiram e que, pasmem-se, até funcionava.

Em campanha, António Costa e Marta Temido não tiveram pudores em dizer que o SNS estava perfeito. E estará, caso as siglas do SNS signifiquem "SUICÍDIO NATURAL DA SAÚDE"

12
Jan22

O Parque das Gerações não pode acabar


Pacotinhos de Noção

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O texto de hoje refere-se a um acontecimento que decorre na área onde resido e, como tal, poderá parecer a alguns, um texto algo bairrista, mas não o é porque este exemplo coloca a nu muito daquilo que se passa por todo o país e como é cada vez mais difícil considerar promessas e convicções vomitadas por quem nos governa.

Este também não é um post político, é um post de apelo, de divulgação e de certa forma de revolta. Vamos então a isto.

Em Setembro de 2013 nascia em S.João do Estoril, naquele que outrora era apenas um descampado junto ao Centro de Saúde, que servia maioritariamente como ponto de descargas de entulho clandestino, um skatepark baptizado como "Parque das Gerações". Não sou adepto de skate, patins nem nenhuma das actividades possíveis de se fazer naquele recinto, mas sou completamente a favor de todas as infraestruturas que tenham como objectivo o convívio, a prática do desporto e o incentivo a que miúdos, e até mais graúdos, possam preencher os seus tempos livres com algo que lhes seja salutar e prazeroso.

O Parque das Gerações foi, sem sombra de dúvida, uma aposta ganha por Carlos Carreiras e a Câmara Municipal de Cascais (CMC). Aproveitou um espaço feio e inútil em algo que dinamizou a área envolvente, embelezou o local e colocou S.João do Estoril até nos mapas dos outros países, pois já vários campeonatos internacionais foram disputados neste parque. Resta dizer que a feliz ideia deste Parque das Gerações saiu da cabeça de Pedro Coriel, que em boa hora apresentou o projecto à Câmara.

Tudo corria bem e há que admitir não haver grandes pontos negativos a apontar ao Parque das Gerações e a tudo o que o mesmo gerou, até que Pedro Coriel, que pelos vistos não é só boas ideias mas também alguém que sabe como se manter informado

Deslindou que a CMC e a Infraestruturas de Portugal, se preparavam para dar início à construção de um parque urbano e que, inerente ao mesmo, estaria a construção de uma via, denominada Circular Nascente, que passaria precisamente pelos terrenos onde está o Parque das Gerações, destruindo assim por completo aquilo que foi feito e que em cerca de 9 anos consegui já construir uma mística e uma fama, até internacional, e que tanta falta faz a quem por lá passou, passa e passará.

A justificação para esta decisão é a de eliminar a passagem de nível de S.João do Estoril, tendo como fim evitar os atropelamentos...

Na minha opinião, que vale o que vale, mas que a darei dado que este texto é meu, este argumento é imbecil e não tem em consideração todos os prós e os contras do encerramento da passagem de nível.

Para quem não conhece a passagem desde já explico que existe cancela, sinal sonoro, sinal luminoso e visibilidade mais que suficiente. Aquilo que não existe, e que ainda não foi inventado, foi um sistema infalível para evitar que idiotas se comportem como idiotas. Dos últimos atropelamentos posso afirmar com 100% de certezas que se estas pessoas não fossem atropeladas por um comboio sê-lo-iam por um autocarro, um carro, uma mota ou um burro de carga.

Uma das vítimas não foi atropelada na passagem de nível. Era um toxicodependente da zona que decidiu pôr termino à vida e fê-lo a cerca de 800 metros de distância da passagem de nível. Outro dos casos foi uma idosa de cerca de 80 anos que pensou ser atleta e tentou correr para atravessar à frente do comboio. Não conseguiu. Outro caso foi um rapaz que teve o mesmo pensamento da idosa, mas ia de bicicleta. Ele passou, a roda da bicicleta não e o comboio bateu foi na roda da bicicleta, projectando-o.

Em S.Pedro do Estoril caíram no erro de fechar a passagem. Mataram uma das partes que ficou mais isolada. Os negócios sucumbiram e até um pequeno Centro Comercial que ali existe ficou às moscas. Não é o interesse comercial que aqui defendo e sim as famílias que se viram em situações de apertos económicos e desempregadas devido à má opção. Os atropelamentos continuam a acontecer porque há sempre quem salte muros e gradeamentos ou que tente passar de uma gare para a outra pela linha, em vez de descer os túneis. Como disse, idiotas serão sempre idiotas e não há infraestruturas que consigam vencer um idiota.

Quando Pedro Coriel lançou esta desconfiança o Polígrafo investigou a situação e deu-a como falsa.

A verdade é que agora, cerca de um ano depois, a CMC acabou por fazer uma alteração de proposta do PDM para efectivamente ser feita a construção da maldita estrada que vai destruir o parque.

Devo dizer que Carlos Carreiras está no seu último mandato e fez algumas coisas boas por Cascais e outras péssimas. Nestes últimos tempos Cascais voltou aos anos 90 e é de novo um enorme estaleiro de obras e parece que assim vai continuar.

Num último mandato existir uma necessidade de se fazer obras e mais obras, algumas delas que poderão até a vir a ter uma ou outra derrapagem orçamental, é uma prática que nos deixa a todos com "a pulga atrás da orelha" e algo que também incomoda é o silêncio que se faz sentir quer por parte da CMC e do seu próprio presidente, para esclarecer se esta situação se vai manter porque valores mais altos se levantam, ou se vão ponderar uma alternativa que não mate o Parque das Gerações, não divida S.João em dois e que não deixe no ar um leve aroma de suspeição.

Gostaria que pessoas que vivem ou viveram na zona, como Madjer, Bárbara Norton de Matos, Luciana Abreu, Rita Guerra, Liliana Campos, Carlos Xavier,  e tantos outros, divulgassem esta situação para que a CMC se veja obrigada a pelo menos responder a quem tão bem usa o Parque das Gerações e que deu início a uma forte corrente de contestação e que faz o que pode para obter respostas. Não deixem esta malta lutar sozinha, são ainda muito novos e são o futuro do nosso país, terem a ajuda necessária fará com que percebam que ser parte activa na sociedade poderá fazer com que a mesma mude para melhor.

Força a estes pequenos lutadores e força para que o Parque das Gerações continue por cá muitos e bons anos.

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