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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

06
Dez22

Precious... My precious!


Pacotinhos de Noção

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Quem vai às compras sabe que tudo está pela hora da morte. Os únicos que não se escandalizam com os preços são os inconscientes, os desastrados e os que compram nos supermercados do El Corte Inglês. É a inflação, a guerra e uma falta total de vergonha na cara. Não se justifica que leite de origem portuguesa tenha aumentado o seu valor em quase 50%. Haverá sempre quem diga que a produção também encareceu, mas a esses respondo para irem dar uma grande volta ao bilhar grande, porque posso ser estúpido, mas não sou parvo. Os ordenados não aumentaram 50%, a energia não aumentou 50%, a inflação não é de 50% e os combustíveis também não aumentaram esse valor, e nos últimos tempos até têm baixado (se bem que o larápio do António Costa já decidiu aumentar o ISP, para conseguir amealhar mais algum. Falta de vergonha na cara). Houve aumentos, sim, senhor, mas aumentando leite, natas, queijos, e todos os derivados, os produtores lucram mais do que antes, assim como o Estado, que tendo um preço mais alto vai buscar mais IVA, o que nos leva a crer que afinal esta crise não é má para todos, só para o Zé-Povinho.

Mas indo numa visita ao hipermercado vemos que mesquinho não é só quem vende, mas também quem compra. Vimo-lo com a pandemia, na corrida louca aos rolos de papel higiénico, máscaras e álcool, e agora, nesta nova crise pela qual passamos, vemos noutros produtos ainda mais essenciais do que o papel higiénico, porque quem não limpa, lava... espero eu.

Ao passear pelos corredores de qualquer super ou hipermercado, vemos prateleiras nuas, desprovidas do produto que procuramos, e procuramos porquê? Porque vamos ao mais barato, porém o mais barato já voou. Comecei por falar do leite porque é o exemplo que testemunhei. 

Um litro de leite meio-gordo, de uma qualquer marca branca de supermercado, está pelos 0,83 €, 0,84 €. Ontem, o Jumbo de Sintra, colocou o litro de leite Milhafre a 0,75 €... Meus amigos, as pessoas pareciam hienas, a tentar aproveitar um resquício de carne putrefacta que não serviu aos leões. Corriam a levar paletes e paletes do leite, com medo que viesse alguém e que pudesse levar também. Levaram leite que nunca na vida imaginaram que iriam beber, havia até um ou outro beberrão cujo único líquido que lhes passa pelo estreito é tinto, branco ou a martelo, mas ainda assim são mais espertos do que os outros, e levam aos 30 litros de leite.

Isto mostra que aquele pessoal que costuma dizer que consegue tirar a camisa para dar ao outro, hoje em dia, quando a dá ao outro, diz, "cuidado a passar que não a quero vincada".

O egoísmo é enorme, o desrespeito pelo próximo também. São o tipo de pessoa que dão um pacote de massa ao banco alimentar para depois ficar o resto do ano a dizer que ajudaram. Não é solidariedade, é soberba.

Cada um olha por si e pelos seus, e eu até compreendo, aquilo que não compreendo é o que cada um faz, que é olhar para o outro, tentando fazer com que o outro nunca tenha tanto como ele, para que assim se sinta estúpido. E aqui falamos de alimentação, não são sinais exteriores de riqueza, são antes sinais interiores de pobreza... e que pobreza.

11
Ago21

Cada macaco no seu galho, comendo o que quiser


Pacotinhos de Noção

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Sou vegetariano. Sou vegetariano no sentido de que quando como o meu bife mal passado, aprecio que venha com umas batatinhas fritas e uma salada a acompanhar.

De outra forma nem faria qualquer sentido. Comer carne sem acompanhamento é como tomar banho sem champô e sabonete.

O facto de falar no bife mal passado poderá gerar em veganos e vegetarianos reacções de repulsa, o que demonstra claramente que há muita faltinha de educação. Quando era miúdo e fazia cara de nojo para a comida era sempre advertido. Depois de algumas advertências, e se eu continuadamente continuasse a fazer cara de nojo, então ai os meus pais passariam à diplomacia a que chamavam "um limpa-queixos".

Acreditem que a repulsa que sentem por carne poderá ser parecida com a repulsa que sinto por beterraba (aquilo só me sabe a terra) mas quando me falam nesta planta ninguém fica a saber se gosto ou não e isto acontece por um motivo muito simples, que é o de eu não os querer incomodar com aquilo que como ou deixo de comer. Além de beterraba também não tolero peixe e há pessoas que me conhecem e que quando me convidam para jantar até fazem peixe. Como não gosto do alimento a vontade primária que me dá, é virar a mesa e esbofetear os anfitriões com a dourada no forno que me serviram, mas depois penso que eles não têm que saber, nem levar com as minhas restrições ou esquisitices alimentares. Esquisitices essas que eu até considero serem bastante mais válidas do que as da maioria dos veganos e vegetarianos. É que muitos deles adoravam carne, queijos, leite e só deixaram de o fazer quando houve um "click", que por acaso até é sempre um "click" que acaba por estar na moda, como aqui há uns tempos houve a moda de que toda a burrinha queria ser psicóloga, a moda dos cigarros electrónicos, a moda do zumba e a moda da auto-ajuda. Já eu NUNCA gostei de peixe ou de beterraba, e eu nunca comecei a gostar ou passei a comer, quando "achava" (eufemismo para apetece-me) que o meu corpo o estava a pedir. Eu não argumento que "não sou fundamentalista e que às vezes até posso comer". Não senhor. Eu não como porque não gosto e nunca poderei comer. Se me perguntarem: "Ah e tal, mas e se estiveres mesmo numa situação em que podes morrer à fome e só tens peixe e beterraba?" Pois meus amigos das perguntas parvas, ai eu como até as unhas dos pés, numa situação limite peixe e beterraba são pitéus.

Há também o argumento de que "para produzir um hambúrguer são utilizados, não sei quantos litros de água"... Então e com tantos vegetais, um tipo quantas vezes vai à casa de banho e tem que puxar o autoclismo?! Piadinha escatológica à parte, devo dizer que para produzir um hambúrguer são utilizados 2393 litros de água. É "bué", não é? Mas reparem que para fazer uns jeans são utilizados 9982 litros de água, e para fazer um par de sapatos 8547 litros, por isso sugiro que deixemos de comer carne, andemos descalços e sem calças.

Bem sei que todos os vegetarianos estão preocupados com a sua pegada ecológica,

e se o que comem e usam é bio, é natural e se é super hiper magnífico, e podem perfeitamente fazê-lo, mas não chateiem a cabeça de quem não o faz. Impor as suas vontades é ter laivos de pequeno ditador do tofu. Ainda por cima, se os produtos que os omnívoros comem são tão maus, porque tentam copiar, com hambúrgueres e nuguetes veganos?

Com toda esta verborreia devo dizer que nada tenho contra veganos e vegetarianos. Tenho até familiares com quem me dou perfeitamente e é fácil explicar porquê. Eles não são intromissivos, assim como eu também tento não ser. Eles comem o que comem e eu como o que como. É certo que quando os convido para partilharmos refeições, e sabendo eu a sua condição, tento sempre oferecer-lhes algo que lhes agrade, e o contrário também acontece, mas não são eles que me impõem nada.

Devo confessar até que me irrita imenso quando alguém, geralmente pessoas mais velhas, tenta por tudo fazer com que um vegetariano coma carne, ou que deixe mesmo de lado os seus ideais. Assim como não quero que me incomodem também não quero que os incomodem a eles.

Para terminar gostaria também de apontar um facto que acho que deveria mudar.

Quando há um jantar de grupo existe sempre um vegetariano, e a pessoa acaba por se safar bem porque existe uma imposição da sociedade para que todos os restaurantes tenham opções vegetarianas. Até a Telepizza e o MacDonald's já têm estas opções. Porque razão é que os restaurantes vegetarianos não são também obrigados a ter opções que sejam não vegetarianas? Parece-me justo, democrático e sem hipótese de refutação, afinal de contas tem que haver igualdade para todos os lados. 

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