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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

01
Jun21

Autêntica parvoIVA


A.K.

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Se ao ler o título imaginam que vou criticar a prestação da Iva Domingues (antiga Pamela) na apresentação da xaropada que é aquele programa que acontece nas manhãs da TVI, estão muito enganados. O tema que prefiro abordar é a magnífica iniciativa do nosso "mui" garboso Governo, com a invenção do novo "IVAucher".
A coisa funciona do seguinte modo. Nos próximos 3 meses o cliente frequenta um negócio de restauração, alojamento ou cultura. Faz a sua despesa normal e pede a sua continha e vai acumulando o valor do IVA, para depois de passados estes 3 meses os poder usar, no mesmo tipo de negócios, durante o período de 2 meses. O valor que lhe será descontado nesses 2 meses poderá ser até de 50%. Poderá porquê? Porque não é garantido que seja, pois os pontos acumulados terão ainda que ser validados pelas Autoridade Tributária.
Para poder aderir ao IVAucher terá que ter instalada a aplicação do mesmo no seu smartphone, pedir factura com NIF, associar cartões multibanco, saber fazer um flick flack à retaguarda, saber cantar o hino de Portugal, mas em Islandês e ter cada uma das unhas pintadas em pantones que acabem em número par. Simples, certo?
A iniciativa visa estimular a economia para que esta se possa reerguer depois deste tempo todo de confinamento. Parece-me o gesto acertado, usar a falta de discernimento do contribuinte para assim conseguir policiar as áreas onde o IVA dará a acumulação de pontos.
Falto de discernimento porque o cidadão comum, quando ouve falar em ofertas e descontos fica cego. Não percebe que para conseguir ter algum tipo de benefício quase que tem que vender a alma ao diabo, e policiamento das áreas de restauração, alojamento e cultura porque isto mais não é do que uma tentativa de impedir uma fuga ao pagamento do IVA. Sei que esta não é uma opinião popular e consensual, mas para mim, neste momento, faz todo o sentido que essa fuga aconteça. No final das contas ao estar a pedir factura para poder, TALVEZ, vir a ter uma benesse, estou a retirar uma percentagem do valor que dei a ganhar, a quem me está a prestar um serviço. Em condições normais é justo, mas estes serviços estiveram muito tempo fechados, muitos com funcionários a quem tiveram que continuar a pagar e também com obrigações fiscais que tiveram que ser cumpridas. Quem iludidamente pensar que houve apoios de valor aquando dos confinamentos, está redondamente enganado. Para validar aquilo que digo basta ir perguntar a um qualquer café ou restaurante da sua rua. Os apoios são para a TAP e para o NOVO BANCO, não para o pequeno e médio empresário.
Com esta iniciativa o Governo acaba por querer que quem pague a factura do confinamento e da pandemia, sejam aqueles que mais se viram afectados com os seus negócios fechados.
Sinceramente não consigo perceber. Pensei que vinha uma enorme bazuca europeia para revitalizar a economia, mas ao que parece a bazuca é apenas uma pistolazita de fulminantes, e fulminantes pagos pelos que nem terão direito a nenhum disparo.
Para revitalizar a economia o gesto devia ser precisamente o contrário. Durante 3/4 meses o IVA de negócios como a restauração, alojamentos, cultura e outros serviços, deveria ser perdoado, para que pudesse haver algum capital excedente, de forma a ser aplicado.
Da minha parte garanto, IVAucher, não obrigado, e não vou pedir factura em lado nenhum. Se for para ser polícia da Autoridade Tributária, ao menos que me dêem uma farda, para depois andar no Metro e me tirarem fotos de calções apertadinhos.

15
Abr21

Se não nos governam, que nos governemos


A.K.

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Quem andar distraído, e que não conheça a realidade do país, poderá deixar-se envolver pelo mediatismo destas duas personagens. Ambos são exímios em enfiar a cabeça na areia quando algo dá para o torto e a realidade é que não nos governam, apenas se deixam levar. Não me estou apenas a referir a toda a situação em torno do COVID. Fazendo um muito pequeno esforço de memória relembro os incêndios de 2017, que foram uma clara demonstração de falta de prevenção e organização. O de Pedrógão foi uma tragédia e o 1º Ministro, o Presidente e até o Gato das Botas vieram lamentar o acontecimento, mas a verdade é que acabando no calendário a época de incêndios, achou-se por bem que já não havia grandes perigos, sem levar em consideração que estávamos a viver um dos inícios de Outono mais quente dos últimos anos e eis senão quando em Outubro se registam novos incêndios, e se em Junho já tinham morrido 66 pessoas, em Outubro morreram mais 49. Foram 115 mortes em poucos meses, sem que qualquer tipo de vírus tivesse interferido.

A verdade é que tudo passou, não houve consequências políticas, a não ser uma Ministra da Administração Interna que claramente não servia para o cargo e que demonstrava que os mortos não eram gente, mas apenas números.

Isto para dizer que muito pouca coisa mudou. Continuamos a ser marionetas nas mãos destes dois que nós vão deitando migalhas de pão bolorento mas que o propagandeiam como sendo pão-de-ló.

Aquilo que na altura fizeram foi imputar as culpas em quem tinha terrenos e que não os limpava. Gerou-se aqui uma nova oportunidade de multa fácil, que é o que se pretende.

Agora com o COVID a situação acaba por ser a mesma. Não haver vacinas é culpa de todos menos de quem as compra. Biden afirmou que iria vacinar 100 milhões de americanos, depois aumentou a fasquia para os 200 milhões e a verdade é que lá a vacinação decorre a passos largos. Têm mais poder económico? Pois claro que terão, mas o que ganham em poder económico ganha António Costa em chico-espertice. Posso estar a elaborar uma nova teoria da conspiração, mas a nossa vacinação é tão lenta que a ideia que dá é que Costa e Marcelo pretendem que se chegue a uma imunidade de grupo europeia e nós, sendo pequenos e estando aqui neste cantinho, acabamos por poupar ao não ter que investir nas vacinas... Mas a imunidade não se gera desta forma. E depois tentam fazer-nos viver a medo, ameaçando com novos confinamentos. Não é a confinar que a coisa se resolve, mas ainda assim poderá ser a que lhes sai mais baratos, porque apoios são próximos de zero e quem está em teletrabalho até se tem adaptado.

Vacinar, vacinar, vacinar, deveria ser o mote. Não pretendo respeitar caso haja novo confinamento. Os portugueses têm feito a parte deles respeitando o que tem sido indicado, mas acaba por ser frustrante estar a ser prejudicado para depois ver os números aumentar porque os miúdos tiveram que ir para a escola, porque os pais já não os aguentavam em casa, ou porque há uns tantos parasitas que querem beber imperiais nas esplanadas.

Itália, França, Líbia, Holanda, nestes países houve confrontos por causa da revolta que as pessoas começam a sentir por terem que confinar. Não devemos chegar a tanto, a violência só gera violência, mas se TODOS os negócios abrirem e se TODOS fizerem uma vida normal, ainda assim tendo todos os cuidados necessários para evitar ao máximo a transmissão, julgo que conseguimos demonstrar o nosso desagrado.

16
Mar21

Postigo, sinónimo de segurança?


A.K.

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Os mais novos não sabiam o que era um postigo, os mais velhos já nem se lembravam e a mim não me fez confusão nenhuma a reutilização desta palavra, porque nunca tinha deixado de a usar.

A porta da casa da minha mãe tem um postigo. Sempre teve e por isso o postigo ser sinónimo de segurança não é para mim novidade. Hoje o postigo utiliza-se de forma a criar uma barreira contra o Covid. Quando eu era miúdo servia para ver, por detrás da cortina, se quem batia à porta era o tipo para cortar a luz, ou o das mensalidades dos cobertores e optar por abrir ou não a porta. Eles tinham o mau hábito de vir cobrar em alturas que a minha mãe não tinha dinheiro, que durante o mês eram cerca de 27/28 dias. Mas estas situações fizeram do postigo algo muito presente no meu dia a dia.

Agora, que já sou adulto, o postigo da minha mãe ainda lá está. Os tempos são diferentes e já não se compram cobertores a prestações... na verdade já nem se compram cobertores, vivemos na era dos edredões. Mas o postigo volta a estar presente e embora lhe guarde muito boas recordações este novo postigo não me agrada assim tanto. É não só um postigo de segurança mas é também um postigo que serve de desculpa para desconfinar alguns negócios mas sem fazer, na realidade, nada por eles. Como é que uma sapataria ou uma "boutique" consegue fazer venda ao postigo? Vou comprar uma camisola e tento dar as melhores indicações possíveis ao funcionário, para que ele me traga o que quero ao postigo? E para experimentar, como vai ser? Experimento ali, junto ao postigo ou levo para casa e se estiver mal trago de volta? É que se for assim sou obrigado a andar o dobro das vezes na rua, fugindo assim ao confinamento que se continua a querer rígido.

O postigo faz sentido em coisas como cafés, padarias, pastelarias, até em sapateiros, mas em lojas de roupa, e todas as outras em que há uma necessidade de experimentar algo, o postigo não ajuda muito. Percebo que se queira manter o nível de transmissão baixo, mas não faz sentido não poder usar os provadores de uma loja de rua (que não tem o mesmo nível de afluência que uma de centro comercial) mas possa ir ao barbeiro ou até fazer uma tatuagem, cuja possibilidade de transmissão é bastante maior.

Voltando a coisas da minha infância, como era o postigo da casa da minha mãe. Este vírus parece aquela pessoa chata e inconveniente que veio fazer uma visita sem ser convidada, e quando essa pessoa aparecia o meu pai punha uma vassoura, de pernas para o ar, atrás da porta. Dizia que mandava essas visitas embora. Acho que está na hora de medidas drásticas, por isso é melhor pormos todos a vassoura atrás da porta. Daqui a uns dias, quando o vírus desaparecer, não necessitam de me vir agradecer.

10
Mar21

Fim do mundo (s)em cuecas


A.K.

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Finalmente vai começar o desconfinamento. Vai ser por fases, bem sei, e uma das fases que mais me interessa ainda não sei quando vai desconfinar.

Estou desejoso de um cafézinho, ou de uma bebida numa esplana. Não me importava de ir a um restaurante ou de assistir a um bom filme no cinema, mas aquilo que preciso mesmo, aquilo que me está a fazer uma falta enorme é poder ir comprar roupa aos meus filhos.

Atenção, isto não é uma vontade, é uma necessidade de maior importância. Quem como eu tiver filhos em fase de crescimento, há-de estar a ter este mesmo problema. Em crianças de meses e de 3/4 anos, 2 meses de confinamento traduzem-se em roupa que deixa de servir, pijamas que já ficam pelos tornozelos e pelos cotovelos, cuecas que já nem nas orelhas lhes servem.

Foi bastante estúpido deixar de permitir que se compre roupa nos supermercados, porque este item é realmente um bem de primeira necessidade. Quem achar que não sugiro que tente só ir fazer um pequeno passeio higiénico com cuecas apertadas nas virilhas e ténis que são já um número abaixo. A opção de andar sem cuecas não está em cima da mesa, pois ai o passeio de higiénico passa a não ter nada.

Bem sei que posso sempre encomendar online, mas o online para roupa é quase como jogar à roleta russa, e no caso de roupa para crianças a roleta russa tem as balas todas e apenas uma câmara vazia.

Sempre ouvi a expressão "Isto é o fim do mundo em cuecas" mas neste caso em específico, o fim do mundo até sem cuecas nos deixa.

02
Fev21

A badalhoquice do confinamento


A.K.

 

Os portugueses não são das pessoas mais asseadas do mundo. Basta pensar que temos o chão definido como receptáculo de pastilhas, beatas e escarradelas, mas temos também uma característica magnífica que é "a roupa de Domingo". Ora, a roupa de Domingo é uma prova cabal do quão javardo se consegue ser. Durante a semana não se toma banho e a roupa é lavada em anos bisextos, não vá o tecido estragar. Depois, chegando o dia da missa, toma-se uma banhoca rápida, um encharcamento de perfume do chinês e veste-se a roupa mofenta de Domingo, para se causar sensação na igreja. Mas isto é uma característica talvez já datada e vou então falar de algo mais actual.

Com o confinamento não há quase ninguém na rua. Uma das excepções são os passeios com os amigos de 4 patas. Não sei se pelo relaxamento de não haver tanta gente que observe ou se há dificuldade em comprar saquinhos de plásticos para as bostas dos cães ou ainda se o facto de estarem tanto tempo fechados em casa lhes causou uma qualquer calcificação na coluna, não os deixando vergar, mas a verdade é que nestes tempos andar na rua sem pisar merda de cão é mais difícil que acertar nos números do Euromilhões.

A minas de bolo fecal são um mal que todos conhecem mas tenho reparado que nesta altura de resguardo domiciliário o aumento foi significativo. Digo mais ainda, os senhores e senhoras, donos dos animais, aproveitando o facto de parques infantis não poderem ser frequentados por crianças, usufruem do mesmo para que os seus canídeos possam esvaziar as tripas juntos de um qualquer escorrega, baloiço ou balanzé. Atenção, sei que os animais não têm qualquer culpa. De facto, quanto mais conheço os animais, menos gosto dos donos. Isto porque os animais, para estas pessoas, são como os filhos e como tal são um reflexo dos pais.

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