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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

28
Dez21

A máfia dos auto testes


Pacotinhos de Noção

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Chico-espertismo.

O português tem o velho costume de pensar que esta é uma definição só própria da nossa nação, contudo não é.

O chico-espertismo é algo mundial e está inerente à condição humana. Seja na China, na Rússia ou no Cazaquistão, será sempre fácil encontrar um Chico-Esperto. Aquilo que já será um pouco mais raro em termos mundiais, é o que por cá temos e que parece que vai sendo uma definição cada vez mais comum e é o Chico-Esperto-Burro.

Estamos numa altura em que todos precisamos de auto testes para o COVID.

A Omicron espalha-se mais depressa que piolhos numa escola primária e quem não tem testes quer ter, e os que já têm querem ter mais ainda, para juntar aos 500 rolos de papel higiénico que lhes sobrou ainda do início da pandemia. Até aqui tudo bem, mas como a procura é muita, os testes são já coisa rara, e encontrar sítio que tenha é o mesmo que encontrar um abstémio num qualquer Café Central de aldeia.

Como todos conhecemos alguém que trabalha, ou que conhece alguém que trabalha numa qualquer farmácia, super ou hipermercado, tratamos de mexer os cordelinhos para conseguir garantir que nos guardam alguns testes. Aqui é o Chico-Espertismo a trabalhar. O Chico-Espertismo-Burro é aquilo a que hoje presenciei.

Devo dizer que não nutro antipatia de qualquer espécie, por quem trabalhe como caixa de supermercado. É um trabalho honesto e necessário, como tantos outros, e havendo brio e respeito por aquilo que se faz, então a minha admiração é total. Agora, quando vejo idiotas, de unhas de gel estupidamente grandes, que não levantam os adiposos glúteos da cadeira onde estão, nem para chegar à máquina do Multibanco, e que parece que estão deitadas em cima do tapete rolante, então aí a minha antipatia é total. E tem razão de ser, pois quase sempre as filas em frente às caixas destas tipas são as mais compridas do supermercado. Incomoda-me também ter que ouvir, por entre o registo de um iogurte grego e uma alheira de Mirandela, as constantes lamúrias de uma descontente com as folgas trocadas ou, porque o dia nunca mais acaba.

Hoje, uma destas pessoas, enquanto atendia os clientes, ia rabiscando furiosamente um cartão mal-amanhado, com uma orgia de números de tal ordem importante que só isso poderia justificar a paragem do trabalho que desempenhava, para escrever os tais números, quando um colega aparecia e lhe sussurrava qualquer coisa.

Quase chegando a minha vez, fiquei então a perceber do que se tratava.

Aquela lista com números era a quantidade de testes que os colegas pediam-lhe que guardasse, para lhes vender mais tarde.

Havia encomendas para todos os gostos, sendo que as mais baixas eram de 4 testes e a mais alta que vislumbrei foi de 10.

Chegando a minha vez decidi perceber até que ponto chegaria o descaramento e pedi um teste de COVID. A senhora da caixa afirmou que nesta altura testes de COVID "são mais difíceis de encontrar do que petróleo", informação esta que o labrego, e mal-educado colega, não devia ter conhecimento, pois interrompeu o meu feliz desfile de compras pela passadeira ao ir perguntar à Paula "se ainda tinha testes", tendo ela respondido um seco e envergonhado "calma, depois falamos".

Eu até percebo que o facto de se ter acesso aos testes permita-lhes conseguirem terem-nos quando outros não os têm, aquilo que já me custa mais admitir, e é isso que apelido de Chico-Espertice-Burra, é o de não o conseguirem fazer de forma a que os clientes não percebam que se está ali a passar uma transacção de produtos racionados, que não chegam ao cliente, mas que lhes passa à frente do nariz.

É o mesmo que passar o pão quentinho em frente ao nariz do mendigo esfomeado, para depois o distribuir apenas por quem precisa dele para raspar o molho que ficou no fundo do prato.

Não existiria forma de fazer estas negociatas de maneira um tanto ou quanto mais disfarçada? Provavelmente existe, mas recordo que estes são Chico-Espertos-Burros, que se julgam mais inteligentes que os demais, mas que são só descarados.

Para quem vende os testes é igual se quem compra sou eu, você ou os funcionários que os refundem, mas se quem compra os testes de 2,50€, o estiver a fazer para depois os vender a 15€ no Custo Justo. Então aí o esquema já passa a ser vil e desonesto e sobrevalorizam um produto que, atualmente, é vital para se saber se se está doente, ou se somos uma fonte de contágio, ou não.

É uma máfia que se formou rapidamente, mas que não tem apenas um líder, tem vários.

São muitos dos caixas dos supermercados e como tal devem ter um nome que os defina. Acho que "Al Cabrones" fica bem.

22
Dez21

Gira o disco e toca o mesmo...


Pacotinhos de Noção

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Tenho evitado voltar a falar do assunto Covid.Evito porque já não há paciência, porque já não há nada de novo, porque já me mete nojo as historietas do "novo normal" do "salvar ou ganhar o Natal", as incertezas dos confinamentos ou não confinamentos, das medidas que eram umas e agora são outras, das conversas de negacionistas, dos que tanto sabiam, mas que afinal não sabiam assim tanto... Não há pachorra.

Continuo a pensar que negar as evidências não é não fazer parte do rebanho nem ser iluminado, é só ser estúpido, mas devo admitir que chego a uma fase em que também eu me vou começando a sentir estúpido.

Acredito na vacina e na sua efectividade. É um facto comprovado e quanto a isso não há grandes dúvidas. Algo em que também não há grandes dúvidas é na falta de capacidade e de organização destes idiotas que nos têm conduzido. Falo do Primeiro-Ministro António Costa, da Ministra da Saúde Marta Temido e da Directora Geral da Saúde, Graça Freitas.

Quanto ao primeiro não se iludam, a sua principal luta não é contra o vírus, é a luta para manter a cabeça à tona de água. Precisa de votos como de pão para a boca, para continuar a alimentar esta sua exacerbada fome de poder.

Parando e analisando pode até ser que a fome de poder não seja uma fome assim tão grande e tendo em consideração o histórico de ex-políticos do PS que estiveram no poder, a probabilidade de António Costa não querer sair, para assim continuar a ter as costas quentes com o cargo que ocupa, evitando ser, mais tarde ou mais cedo alvo de investigações, é algo que não me parece de todo descabida... ou será que é?

A estratégia apresentada, de deitar abaixo quase todas as restrições, e de agora, próximo das eleições voltar a impor algumas, mostrando que se faz tudo por tudo para combater a pandemia, mais não é do que um apelo ao incauto português para no final de Janeiro votar naquele que, cortando-se-lhe o coração, tem que impor estas restrições para nos salvar de uma sorte madrasta.

O que me incomoda é que realmente há por ai muita toupeira, que se deixa enganar por estes "rodriguinhos" de fraquíssimo marketing político, e vai mesmo voltar a votar neste déspota.

As duas personagens que faltam são a confirmação de que, de facto, todos eles pouco se estão "marimbando" para quem se safa, quem não se safa, quem se infecta ou não infecta.

Marta Temido podia ser apelidada de crocodilo, quer pela sua enorme bocarra que não raras vezes abre para dizer asneiras, mas também pelas lágrimas, que já em diversas ocasiões quase lhe rolaram pela face, numa confrangedora tentativa de mostrar que tem sentimentos e que o que lhe corre nas veias é mesmo sangue. Mas não é. O que lhe corre nas veias é descaramento e incompetência, relembro como foi escandaloso o que aconteceu no Inverno passado, e não foi por falta de avisos, assim como não houve falta de avisos para o período invernal e até infernal que por aí vem.

Uma das vozes que recordo ter ouvido várias vezes alertar para a situação a que estamos a chegar, foi a jornalista Clara Ferreira Alves, apelidada até de alarmista por um ou outro seu colega do Eixo do Mal... Pois, não foi alarmista, foi precavida nas chamadas de atenção, ainda no período de Verão, aconselhado a que se fizesse a projecção do que poderia ser o Inverno.

Por fim temos Graça Freitas que parece aquela professora, que todos tivemos, que não percebia bem a matéria dada, que acabava por baralhar os alunos ao misturar alhos com bugalhos. Mas nessa altura um tipo podia estudar em casa ou ir a explicações, neste caso aqui explicações não há e em casa não se estuda, só se fica confinado. Mas não se preocupem pois podemos trocar umas compotas, feitas por nós, no vão das escadas, ou fazer um pequeno-almoço de Natal, em vez da já tão batida ceia.

Bem sei que estas anormalidades não foram ditas pela Graça Freitas e sim pelo seu substituto, visto que a directora estava em casa, de molho, mas se fosse ela a porta-voz a treta seria aproximadamente a mesma. Recordo que a senhora de lenço ao pescoço, que mais faz lembrar o cartoon do "Lone Ranger" (quem não conhece que pesquise e veja o cowboy de lenço), já teve intervenções tão espectaculares como a de não haver o perigo do vírus chegar a Portugal, de que a transmissão do mesmo não seria por pessoa a pessoa e sim por alimentos, que as máscaras dariam uma falsa sensação de segurança, etc.

A única coisa em que está senhora tem sido de uma coerência fenomenal é na tentativa de imputar sempre a culpa aos cidadãos, sendo esta uma táctica concertada por estas três figuras.

Graça Freitas, não rara é a vez, em que insinua que o número de casos só aumenta porque as pessoas não têm todos os cuidados que deveriam ter, António Costa chegou a chamar cobardes aos médicos, e Marta Temido afirmou que os mesmos médicos são pouco resilientes.

Meus amigos, o circo está montado. Depois de Janeiro, quando as eleições ficarem para trás, vai tudo ficar em casa de novo. Não porque vá morrer tanta gente como no ano passado, mas sim porque não há camas nos hospitais, há menos profissionais na área da saúde e porque deixará de interessar assim tanto se as coisas melhoram ou não. Afinal de contas as eleições já hão de ter acontecido e mais votos só serão necessários para as eleições que chegarão muito tempo depois.

01
Out21

Adeus, máscara amiga


Pacotinhos de Noção

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No dia da Libertação Feminina dos anos 70, houve um gesto simbólico que foi a queima de soutiens. O que agora pergunto é se neste dia de libertação sem género, porque a todos abrange, alguém vai queimar a sua máscara?

Os soutiens queimaram-se mas hoje ainda se usam, porque por mais má vontade que houvesse para com os mesmos, ninguém poderá negar o seu valor e necessidade, quer para o conforto das senhoras, quer até para a sua saúde.

Em relação ao conforto não há volta a dar. As máscaras não são minimamente confortáveis e temos uma pequenina amostra de como se sentiu o irmão gémeo de Luís XIV, no romance de Alexandre Dumas, "O Homem da Máscara de Ferro". Claro que uma máscara de TNT (Tecido Não Tecido) não terá fisicamente o mesmo peso que uma de ferro, mas moralmente pesa que se farta.

Falo das máscaras como se fosse passado porque com o levantamento das restrições vamos poder andar bem mais à vontade, mas será que vamos mesmo?

Iremos todos sentirmo-nos seguros o suficiente para deixar andar de máscara? Sabem aqueles sonhos em que estamos nus num lugar público e desesperamos por um sítio onde nos possamos esconder? Não sabem! Eu também não, foi um amigo que me contou.

Mas será que vamos passar a sonhar que estamos sem máscara e que temos que a colocar a todo o custo?

Tenho que admitir que de início me custou bastante, mas entretanto habituei-me e até passei a apreciar, porque pelo menos durante uns meses ao ter a cara tapada posso ter passado por bonito. Ou menos feio, vá. A partir de agora lá vou ter as pessoas todas a atravessar de novo para o outro lado da estrada, só para não se cruzarem comigo.

Mas o que mudou realmente, a partir de hoje?

Eu, por exemplo, hoje já durmo sem máscara, mas amanhã durante o dia não sei. A verdade verdadinha, é que até agora passei por esta pandemia imaculado. Não tive COVID (pelo menos acho que não) e nem tampouco fiz nenhum teste, pois nunca tive algo que se pudesse sequer confundir com sintomas da doença.

Lavei as mãos que me fartei, mas já o fazia antes por fui habituado a usar uma coisa esquisita que dá pelo nome de asseio.

Desinfecto as compras e tenho que começar agora a habituar-me à ideia de que tenho que deixar de o fazer, para começar a perder menos tempo antes de as arrumar e para que me comece a sentir um pouco mais normal. Limpar o rabinho a um pacote de arroz carolino é coisa de gente doida.

Mas parece que aos poucos tudo volta ao antigamente. Às 6as à noite vão haver mais bêbedos na rua, no Sábado de manhã vão haver putos bêbedos na rua, e durante os outros dias e a qualquer hora, sem limite, vão haver mais bêbedos da rua. Agora vejo que com isto dos confinamentos as empresas que vendem álcool também tiveram um rombo enorme. Central de Cervejas, se precisares de 4 ou 5 €, estamos aqui.

Se fosse uma tia velha, ou alguém que dá conselhos quando não lhos pedem, sugeria que andem à vontade, mas continuem a ter cuidados, para que isto não descambe novamente.

Força no dia da libertação e queimem o vosso soutien... Máscara, digo.

 

18
Ago21

Colocar os pontos nos i's


Pacotinhos de Noção

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Não afirmo com convicção que será a última vez que falo acerca do COVID, da vacinação, de negacionistas e de tudo a que este assunto está inerente porque infelizmente é um assunto da actualidade e como tal, por mais que não queira, de vez em quando terei que o abordar. Mas admito que é algo que já me enfada um pouco, porque a realidade é que é sempre "vira o disco e toca o mesmo".

Mas desta vez vou clarificar algumas questões que se prendem com afirmações que faço nas coisas que escrevo e que podem causar alguma confusão.

Comecemos com a minha pouca tolerância para com os negacionistas, ainda que concordando com um ou outro ponto.

Negar que o COVID existe é uma parvoíce.

Existe, mata e tem que ser combatido. Para já a melhor forma de o combater é com vacinação, que para mim não é uma escolha, é um dever cívico. Alguém que não se vacine não se está só a colocar em risco a si e está quase que a perpetuar esta luta com uma pandemia que, embora mais fraca, continua a existir.

Concordar com a vacinação é uma coisa, mas isso não significa que concorde com todas as medidas tomadas por quem toma decisões.

Não concordo com a divisão de pessoas de primeira e pessoas de segunda, apenas porque umas estão vacinadas e outras não.

Se a pessoa não está vacinada apenas por sua vontade, então a consequência, caso seja infectada, deveria ser o ter que suportar a totalidade das custas do seu tratamento. As pessoas que não estão vacinadas por impedimentos de saúde ficariam excluídas desta obrigação.

Concordo com o ponto em que afirmam que neste momento o COVID já serve de desculpa para tudo. Temos tido mortes na casa das 10/11/12 pessoas por dia. Outras doenças têm matado mais que isso, mas como a prioridade é o vírus, há pessoas com cancro, diabetes e outras doenças que passam mal e acabam por não resistir por não terem o seguimento adequado.

Concordo que os testes são um negócio.

Se a prioridade é testar, testar, testar, então os testes deveriam ser comparticipados, se não a 100%, numa percentagem muito próxima disso.

Não concordei com o alargamento do último confinamento e com a tortura que foi para grande parte dos negócios estarem fechados tanto tempo. A propaganda política falou em apoios, mas a verdade é que efectivamente os apoios foram parcos e por isso é que não custou tanto a este Governo socialista, prolongar tanto o confinamento. Não lhes estava a sair do bolso.

Concordo que os números agora apresentados deixam muito a desejar. Uma das notícias que hoje vi foi a de que um idoso morreu num lar com COVID. O senhor tinha 101 anos. Uma pessoa com 101 anos morre repentinamente, esteja infectado ou não. Acho que tudo serve para aumentar os números para que a coisa seja mais mediática. A pergunta que deixo é:

Se um indivíduo se dirige no seu carro para um hospital, para ser internado por estar contaminado, despista-se e morre. O óbito vai referir acidente ou COVID19? A ideia com que fico é que seria COVID.

Resumindo e concluindo. Aquilo que quero dizer é que aqueles que pensamos estarem certos nunca o estão a 100% e aqueles que julgamos estarem errados também, muitas das vezes, têm algo para nos ensinar.

Para terminar queria também afirmar que ser negacionista não pode ser sinónimo de vândalo e bandido. Destruir centros de vacinação é atitude cobarde e de egoísmo. Quem não se quiser vacinar está a errar, mas tem esse direito. O que tem que perceber é que também tem que deixar que os outros exerçam o direito de se vacinarem, se assim o desejarem.

01
Ago21

Negacionistas


Pacotinhos de Noção

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Hoje tive o meu primeiro contacto com um negacionista. Não lhe falei, os nossos olhos não se cruzaram, mas a presença dele marcou-me. Não pelas alarvidades ditas, que até nem me eram dirigidas. Eram apenas as típicas atoardas que se lançam para o ar e que quem quiser apanhar, que apanhe.

Foi numa pastelaria e lá estava ele, ali com os amigos sentado a um cantinho. Parecia a típica imagem do bêbedo na taberna que só diz baboseiras. Mas o local não era uma taberna e ele não estava bêbedo, o que é ainda mais grave.

Este negacionista pelos vistos não nega só o COVID e as vacinas. Água e banho também são coisas em que não acredita porque, conforme disse há pouco, os nossos olhos não se cruzaram, mas o meu nariz cruzou-se com o cheiro que dele emanava, e era quase tão mau como a porcaria que a sua boca expelia.

Este parágrafo era desnecessário, mas achei importante partilhar tão gratificante experiência. Não queria ser só eu a sofrer.

Um negacionista não é um tipo de ser recente. Existem desde o início dos tempos e são dotados de uma agilidade mental sem precedentes.

Na pré-história, quando todos diziam que existiam mil perigos quando se saía para caçar e os negacionistas afirmavam serem só balelas e que todos os outros estavam enganados. Escusado será dizer que faziam esta afirmação por não serem dos indivíduos destacados para caçar.

Dando um salto temporal de muitos e muitos anos, chegamos a um negacionista famoso. Pitágoras.

Até então a teoria de que o nosso Mundo era plano como um prato era a mais comum, mas Pitágoras tinha a certeza que não, sendo então considerado negacionista. Não conseguiu provar a sua teoria que só veio a ser comprovada mais tarde por Aristóteles...

Exactamente, utilizei a palavra "comprovada" que é uma palavra utilizada também pela maior parte dos negacionistas mas normalmente de forma um tanto ou quanto leviana.

Aristóteles comprovou a teoria da terra redonda e em contraponto surgem então outros negacionistas, que continuavam a defender a teoria da terra plana.

Por incrível que possa parecer, ainda hoje existe quem acredite nessa bizarrice.

Negacionistas há para tudo, durante todos os tempos e para todos os gostos.

Deixo aqui até uma sugestão à Panrico.

Já não existem cromos nos pacotes dos Bollycaos. Porque é que não fazem uma colecção de cromos negacionistas, muito ao jeito do "Tou", no princípio dos anos 90.

Haveria o "Nego as evidências", "Nego a COVID", "Nego a chegada do Homem à Lua", "Nego a morte do Michael Jackson", "Nego ser filho dos meus pais", "Nego que PI seja 3,14"... Há uma série de negas que dariam cromos infindáveis.

O que muito me incomoda é que ainda por cima tenho visto, nas redes sociais, que alguns destes negacionistas até são seres cultos e pensantes, e a ideia que dá é que apenas são negacionistas para conseguirem ser diferentes e assim fazerem as atenções recaírem sobre eles.

Chego a ver afirmações de que "se posso morrer com COVID, mas também há uma possibilidade de morrer por causa da vacina, ainda que numa escala muito menor, então prefiro nem tomar a vacina". Isto é apenas burro.

Também os cintos de segurança e os capacetes chegaram a ser alvo dos negacionistas. Um dos argumentos acerca dos cintos era o de que em caso de capotamento, seria mais difícil a pessoa soltar-se tornando assim mais difícil sair do veículo, e eu até concordo. Sem cinto a possibilidade de ser cuspido é bem maior, e assim nem se tem trabalho a desencarcerar nem nada. É só meter no saco e levar o corpo.

Em relação aos capacetes nem me recordo de nenhum argumento. Era pura e simplesmente casmurrice.

Mas cada um tem o direito de ter os ideais e pensamentos que quiser. Não acreditam, pois que não acreditem, mas o que é certo é que se não forem vacinados poderão ser uma forte fonte de contaminação e transmissibilidade, e como tal não lhes deveria ser permitido, mesmo numa altura de mais desconfinamento, que frequentassem locais de mais afluência.

Este Governo é uma desgraça. Ao contrário do que muitos pensam e defendem, este é dos piores que já tivemos, e compreendo que haja muitos descontentes, mas contrariar só por contrariar não faz sentido, e ao contrariar estas normas, sanitárias e de vacinação, não estão a prejudicar só o Governo, estão a prejudicar também o Estado e lembrem-se, que o Estado somos nós... Ou também negarão esse facto?

Como se pode ver o negacionista é uma espécie que habita entre nós deste sempre. Não podemos fazer nada e penso até que nem valeria a pena fazê-lo. Um negacionista só o é enquanto tiver quem lhe dê atenção. Se estiver a negar sozinho, é apenas um maluco a falar sozinho, por isso deixemo-los falar.

14
Jun21

Certifica-se que está certificado


Pacotinhos de Noção

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Como todos sabem as redes sociais são de modas. Quer de assuntos, quer de páginas visitadas e até de fotos.

A moda mais recente é a de colocarem fotos de certificados de vacinação COVID, para mostrarem que já levaram pelo menos, a primeira dose da vacina.

Daquilo que me tenho apercebido, e segundo ouvi dizer, TODOS vão ser vacinados, por isso aquilo que fazem questão de mostrar nas redes sociais não é grande avaria. Significa apenas que são mais velhos que os que ainda não foram vacinados ou que podem ter alguma comorbidade... Que treta, hein?

Mal comparado isto é como o surgimento do carrito Smart lá pelos finais da década de 90, princípio da de 2000. Inicialmente só se via um ou outro, e os donos queriam muito mostrar. As pessoas não conheciam o bólide, até achavam alguma piada e olhavam com vontade. Depois foi uma enchente de tal forma grande que parecia mais uma praga. Havia até lugares de estacionamento próprios para Smart's nalguns centros comerciais. Agora que quase já toda a gente conduziu, pelo menos uma vez aquele minicarro, ninguém lhe liga nenhuma.

Mas percebo que estejam satisfeitos. Afinal de contas é um importante passo dado, rumo à tentativa de vitória contra o ranhoso deste vírus. Mas se querem assim tanto mostrar que estão vacinados sugiro que, das duas uma, ou vos colam os certificados na testa ou então levam com um carimbo no lombo como se faz às carcaças dos leitões ou até como os ovos, que têm sempre o carimbo da validade.

Tem graça que ainda me recordo de até há bem pouco tempo existirem pessoas que temiam a vacina, porque o malandro do Bill Gates queria injectar-nos um chip para ficar a saber tudo sobre toda a gente. E não é que o sacana conseguiu. O chip pelos vistos comanda as vontades dos vacinados, e deve ser por isso que eles mostram os certificados.

Alguns mostram até o acto da vacinação em si. Já não via tanta seringa espetada no braço desde que mandaram abaixo o Casal Ventoso.

Mas deixemo-nos de brincadeirinhas parvas porque na realidade estou um tanto ou quanto apreensivo. Imaginem que passa a ser práctica comum a colocação de fotos de exames, e resultados dos mesmos, nas redes sociais.

Uma "pica" e posterior certificado ainda se aguenta, mas e se a pessoa vai fazer uma endoscopia com biópsia!? Não quero nada imagens disso. As endoscopias são tramadas tanto de fazer como de ver, com a pessoa ali deitada, toda a regurgitar-se.

Preocupa-me ainda mais se calha a alguém ter que ir fazer o exame da próstata...

Pode ser que num dia, em que me calhe a mim ter que fazer este exame, que esta moda macaca já seja apenas uma memória distante.

Caso continuem a insistir nesta treta de expor os certificados, julgo que o nosso Senhor Presidente da República deveria declarar novo estado de emergência, só para assim poder obrigar a que cada pessoa, que expõe o certificado de vacinação, seja também obrigado a expor o seu certificado de habilitações, com os seus 11 e 12 valores, a Educação Visual e Português B. Iam apanhar grande vergonha. Nunca mais punham certificado nenhum online.

11
Jun21

Uns são filhos, outros não são federados


Pacotinhos de Noção

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SOMOS OS MAIORES, CARAÇAS. VAMOS AO EURO E ATÉ OS COMEMOS.

Mas com máscara por favor! Ou então não. Então não porque, ao que parece, a maior parte dos jogadores da selecção já estão imunizados.

A justificação é a de que, e passo a citar o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo (o Cristiano Ronaldo da task force), "a vacinação da selecção portuguesa de futebol e da respectiva equipa técnica que irá participar no Euro2020, já está concluída e insere-se na lógica de excreção, para acções especificas de representação oficial do País em eventos internacionais, junto de organizações que recomendam a vacinação dos participantes"a vacinação da selecção portuguesa de futebol e da respectiva equipa técnica que irá participar no Euro2020, já está concluída e insere-se na lógica de excreção, para acções especificas de representação oficial do País em eventos internacionais, junto de organizações que recomendam a vacinação dos participantes"

Trocado por miúdos, aquilo que isto quer dizer é: "- Meus caros, como sabem atravessamos uma pandemia. Já vacinámos uma franja da população mas grande parte está ainda por vacinar. De qualquer das formas é necessário animar o povinho e, como já dizia o outro, temos que ter Fátima, Fado e Futebol. Decidimos então que os jogadores da selecção têm que ser vacinados, ainda que não estejam na faixa etária indicada, não tenham comorbidades e não desempenhem um trabalho que seja essencial à população."

Fátima teve já o seu momento, aquando das comemorações do dia de Nossa Senhora. Foi tudo muito certinho, as pessoas respeitaram cada uma o seu espaço, que havia sido previamente delimitado. Isto dentro do santuário, porque cá fora estava tudo ao molho e fé em Deus... Neste caso em Nossa Senhora.

O futebol já teve vários momentos em que se viu ser tratado de forma privilegiada, e esta situação das vacinas é apenas mais uma. Percebo que é imperiosa a necessidade de haver este espectáculo do futebol e constato, com esfuziante alegria, que no EURO até já vão acontecer alguns jogos com público. Parece que assim de repente tudo melhorou. E deve mesmo ter melhorado porque até nas notícias de hoje, em que nos injectaram doses cavalares de selecção, nem se fez muita menção ao facto de termos atingido 910 novos casos.

Estes 910 casos valem o que valem. Na minha opinião havendo casos mas não havendo mortes, nem uma corrida desenfreada aos hospitais, interiorizo que as infecções acabarão por ser uma normalidade, e aos poucos nem terão qualquer destaque. Se os grupos de risco estiverem imunizados, as infecções poderão ser, na sua grande parte, apenas sensações de mau estar. Mas isto é o que eu penso. Eu não tenho a obrigação e o dever de informar os cidadãos de como evoluí a pandemia. Já os canais e os blocos de informação...

Mas voltando à questão do futebol, que mais uma vez acaba por ser o "filho" a quem calha a melhor parte do testamento.

Várias vezes já ouvi dizer que o desporto é muito importante, mas quando ouço isto penso inocentemente que se estão a referir à prática, não à visualização.

Se realmente ver futebol é assim tão importante sugiro que a Sport TV, Benfica TV e Eleven Sports, passem a ser sujeitas a receita médica e até comparticipadas pelo Estado.

Gosto bastante de ver futebol, mas não consigo enquadrar este desporto de massas como algo culturalmente necessário, de modo a que até os atletas sejam vacinados antes que outras pessoas, que possam realmente acrescentar algo mais.

Vejo mais necessidade cultural em espectáculos, peças de teatro e até em idas ao cinema.

Se faz sentido vacinar os atletas não faria também sentido vacinar actores e todos aqueles que são necessários para que haja cultura?

Isto leva-me ao terceiro F, de Fado.

Será que vem por ai "A Grande Noite do Fado" e todos os participantes vão ter direito a serem também inoculados?

É cultura, representam Portugal no estrangeiro e grande parte do povo também gosta. Logo ai parecem-me critérios mais que suficientes para justificar a vacinação. Se tal não acontecer, parece-me injusto.

Para acabar queria só chamar a atenção para o seguinte. Só ficámos a saber que os jogadores da selecção foram vacinados porque, depois do jogo contra a Espanha, o jogador espanhol Busquets deu positivo à Covid. Se assim não fosse, a coisa era feita pela calada, para evitar escândalos. Mas até nisso foram não pensaram bem. É que está a começar o EURO e quando joga a selecção os escândalos ficam para segundo plano.

 

09
Jun21

Até se me arrepia o manjerico


Pacotinhos de Noção

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Nunca fui grande adepto dos Santos Populares e das suas marchas. Houve uma altura em que até ponderei ir às festas mas tendo conhecimento de tamanhos ajuntamentos decidi que não o iria fazer, e atenção que na altura nem sequer se imaginava o que era o COVID.

Acontece que o facto de eu não gostar não significa que mais ninguém possa gostar e esse mesmo facto também não invalida sentir uma enorme injustiça no que diz respeito às restrições que vão ser impostas em Lisboa.

Para que se saiba:

- Caso queiram dar um salto ao Bairro Alto, Madragoa ou Alfama, a PSP não o permitirá e poderá até isolar estas áreas recorrendo a fitas e grades.

- Em toda a Lisboa (concelho) não serão permitidos ajuntamentos e consumo de álcool

- A partir das 19:00 de Sábado, até às 03:00 da madrugada de Domingo, existirão fortes restrições em Lisboa.

Existe forma de contornar esta situação?

Existe sim senhor.

Se se fizer acompanhar de uma carta do Monopoly - Champions League Version que diz "- RECEBEU A CARTA, ESTÁ LIVRE DA RESTRIÇÃO - Caso saiba falar inglês e tenha tracinhos genéticos de hooligan pode fazer o que lhe der na real gana".

Se por acaso não gostar de jogos de tabuleiro também tem a opção de ir vestido com a camisola de um qualquer clube que tenha ganho algo, uma cerveja na mão, e entoar o "We are the Champions", dos Queen e verá que todas as fitas e grades se abrirão, como de magia se tratasse.

Se fosse há uns meses concordaria em absoluto que teria que haver parcimónia, que não se deveriam tolerar ajuntamentos e nem sequer pensar em festas e festinhas, mas depois de todas as excepções dadas, em particular a tudo que diga respeito ao futebol, sinto que agora estão só a ser hipócritas e a tentar tapar o sol com a peneira.

Tudo bem, não vão existir as festas Lisboetas, mas vão existir as portuenses, e se calhar até vai estar calor neste fim-de-semana e provavelmente as praias vão encher e não sei se existirão fitinhas e grades que cheguem.

A vontade que dá acaba por ser anárquica, mas quase que desejaria que as pessoas fizessem pouco caso destas restrições e fossem festejar o S.António, o S.João, o S.Valentim e até a São José Lapa, mas que fossem, e sempre gostaria de ver se os autos aplicados se equiparavam aos dos ingleses e à festa do clube campeão, e que deverão ter andado em torno do zero.

Não tenho nada contra o campeão nem contra os ingleses, tenho contra a falta de organização, a falta de coragem política frente a algumas entidades futebolísticas, e aqui nem equiparo o Sporting à Liga dos Campeões porque no caso do SCP foi só mesmo inoperância das forças de segurança e no caso da Liga dos Campeões foi subserviência dos nossos governantes.

15
Abr21

Se não nos governam, que nos governemos


Pacotinhos de Noção

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Quem andar distraído, e que não conheça a realidade do país, poderá deixar-se envolver pelo mediatismo destas duas personagens. Ambos são exímios em enfiar a cabeça na areia quando algo dá para o torto e a realidade é que não nos governam, apenas se deixam levar. Não me estou apenas a referir a toda a situação em torno do COVID. Fazendo um muito pequeno esforço de memória relembro os incêndios de 2017, que foram uma clara demonstração de falta de prevenção e organização. O de Pedrógão foi uma tragédia e o 1º Ministro, o Presidente e até o Gato das Botas vieram lamentar o acontecimento, mas a verdade é que acabando no calendário a época de incêndios, achou-se por bem que já não havia grandes perigos, sem levar em consideração que estávamos a viver um dos inícios de Outono mais quente dos últimos anos e eis senão quando em Outubro se registam novos incêndios, e se em Junho já tinham morrido 66 pessoas, em Outubro morreram mais 49. Foram 115 mortes em poucos meses, sem que qualquer tipo de vírus tivesse interferido.

A verdade é que tudo passou, não houve consequências políticas, a não ser uma Ministra da Administração Interna que claramente não servia para o cargo e que demonstrava que os mortos não eram gente, mas apenas números.

Isto para dizer que muito pouca coisa mudou. Continuamos a ser marionetas nas mãos destes dois que nós vão deitando migalhas de pão bolorento mas que o propagandeiam como sendo pão-de-ló.

Aquilo que na altura fizeram foi imputar as culpas em quem tinha terrenos e que não os limpava. Gerou-se aqui uma nova oportunidade de multa fácil, que é o que se pretende.

Agora com o COVID a situação acaba por ser a mesma. Não haver vacinas é culpa de todos menos de quem as compra. Biden afirmou que iria vacinar 100 milhões de americanos, depois aumentou a fasquia para os 200 milhões e a verdade é que lá a vacinação decorre a passos largos. Têm mais poder económico? Pois claro que terão, mas o que ganham em poder económico ganha António Costa em chico-espertice. Posso estar a elaborar uma nova teoria da conspiração, mas a nossa vacinação é tão lenta que a ideia que dá é que Costa e Marcelo pretendem que se chegue a uma imunidade de grupo europeia e nós, sendo pequenos e estando aqui neste cantinho, acabamos por poupar ao não ter que investir nas vacinas... Mas a imunidade não se gera desta forma. E depois tentam fazer-nos viver a medo, ameaçando com novos confinamentos. Não é a confinar que a coisa se resolve, mas ainda assim poderá ser a que lhes sai mais baratos, porque apoios são próximos de zero e quem está em teletrabalho até se tem adaptado.

Vacinar, vacinar, vacinar, deveria ser o mote. Não pretendo respeitar caso haja novo confinamento. Os portugueses têm feito a parte deles respeitando o que tem sido indicado, mas acaba por ser frustrante estar a ser prejudicado para depois ver os números aumentar porque os miúdos tiveram que ir para a escola, porque os pais já não os aguentavam em casa, ou porque há uns tantos parasitas que querem beber imperiais nas esplanadas.

Itália, França, Líbia, Holanda, nestes países houve confrontos por causa da revolta que as pessoas começam a sentir por terem que confinar. Não devemos chegar a tanto, a violência só gera violência, mas se TODOS os negócios abrirem e se TODOS fizerem uma vida normal, ainda assim tendo todos os cuidados necessários para evitar ao máximo a transmissão, julgo que conseguimos demonstrar o nosso desagrado.

23
Mar21

Importações importantes


Pacotinhos de Noção

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Já foi o tempo em que a Portugal tudo chegava anos depois.

Com a sede de vanguardismo, e graças a vivermos numa enorme aldeia global, as novidades agora chegam num espaço de dias, quando não de apenas horas.

Isto seria de facto positivo se o que nos chega a velocidade supersónica fossem coisas importantes e que realmente valessem a pena, mas infelizmente não é o que acontece.

O que rapidamente nos chega é o que é mais irrelevante e muitas vezes até azeiteiro. Se calhar é por isso mesmo que cá chega depressa, porque com o azeite escorrega melhor.

Primeiro foram as palmas ao pessoal que trabalha na área da saúde. Começaram fora das nossas fronteiras mas rapidamente aqui entraram.

Foi um gesto muito bonito para quem aprecia, mas não é demais recordar que cerca de um mês antes da chegada da pandemia, as notícias que se viam acerca dos profissionais de saúde era que recebiam palmas, mas era na cara e o clima de medo que sentiam ainda não era contra a COVID mas contra "esperas" feitas à porta das urgências para "fazer a folha a este ou aquele médico". E o respeito pelos profissionais de saúde acabam nas palmas e nos murais desenhados nas cidades, porque quando estes apelavam para que as pessoas se protegessem, a maior parte fazia ouvidos moucos.

Ouvidos moucos que só funcionavam quando era para ouvir as cantorias e serenatas nas varandas. A início o pessoal levou isto na palhaçada e até pensavam que o confinamento iam ser 10/15 dias, e então para fazer gracinhas começaram a cantar e a fazer espectáculos nas varandas, como lá fora faziam... Não correu assim tão bem, porque enquanto em Itália se ouviam tenores aqui tinhamos que nos ficar pelo José Malhoa.

Arco íris à janela não dá imunidade de grupo, caso contrário estava tudo imunizado e o COVID há muito tinha desaparecido. Muitas impressoras viram os cartuchos de tintas esvaziados como se não houvesse amanhã. Era urgente imprimir as 7 cores do arco da velha e dar a perceber que "vai ficar tudo bem". Como se sabe não ficou tudo bem, cada vez se vê mais arco íris de cores desbotadas e teria sido muito mais económico se os arcos fossem a preto e branco. Importa referir que este grandioso golpe de marketing, que ao que se saiba poucas ou nenhumas vendas rendeu, foi iniciado por crianças, também em Itália, que realmente quiserem criar algo que desse esperança aos mais velhos. Já a frase "Vai ficar tudo bem" também foi  golpe de marketing, feito por uma artista italiana, mas essa sim conseguiu lucrar com o feito, pois até lançou um livro sobre o assunto.

Com tanta importação de coisas sem importância aguardo quando se vai importar a nova moda.

Vi hoje nas notícias que em Espanha a nova moda é uma festa de dança silenciosa, em que todos dançam, ouvindo música pelos auscultadores... Poluição sonora não causam, mas visualmente parece uma dança de acasalamento de pessoal pedrado, e a verdade é que só estarem pedrados justifica a irresponsabilidade de livre e espontânea vontade criarem um foco de propagação do vírus, só porque sim. Estou à espera de ver uns quantos alucinados, na Praça do Comércio, a fazerem esta dança silenciosa. Se deixarem um chapéuzinho no chão deixo lá a minha moedinha de 0,10€. Se deixo a outros malucos porque não hei-de deixar a estes.

Por último uma moda que não acredito que chegue cá.

No Brasil marcaram uma festa dentro de uma carruagem de um comboio público. A carruagem encheu na totalidade e a festa ocorreu durante o período de funcionamento normal do transporte de passageiros. Cá em Portugal não acredito que aconteça. Na linha de Sintra era provável que houvesse a supressão do comboio naquele horário. As pessoas chegavam para a festa e não havia festa nenhuma. Na linha de Cascais poderia haver o comboio, mas caia uma cantonária, como tantas vezes acontece e ficava ali o comboio parado e ia tudo para casa a pé.

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