Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

26
Out21

Agressão de bebé em creche de Oeiras


Pacotinhos de Noção

Podemos defender a luta contra a violência doméstica, contra as mulheres, contra os animais, contra seja aquilo que for, mas para mim, e sublinho o PARA MIM, não existe ser que precise de mais defesa e protecção do que uma criança inocente e desprotegida.

Todas as outras lutas são imensamente válidas, mas todas as vítimas descritas conseguirão, de uma forma ou de outra, ou pedir ajuda ou tentar, mesmo que num acto de desespero, tentar defender-se. Numa bebé de 14 meses a sua forma de defesa, e de pedido de ajuda, é precisamente aquele que se ouve no vídeo, o choro, e quando ouço o choro de uma criança que sofre com um mau trato, seja ele qual for, é nessa altura que percebo que o meu processo evolutivo está longe de estar concluído, e fico contente por não ser eu mesmo, uma ferramenta da justiça.

Tenho um filho de 4 anos e uma menina que tem 2 meses menos que a menina do vídeo. Se me passar pela ideia de que alguém, alguma vez, teria este tipo de comportamento com eles... Fico com os olhos raiados de sangue, só de imaginar.

Neste caso tenho filhos e tenho também uma familiar que trabalha com crianças. A luta dela prende-se muito com o facto de que muitas das creches existentes não têm todas as condições adequadas para receber crianças, principalmente condições humanas, que são as mais importantes. E atenção que muitas destas faltas de condições são em creches tuteladas pela segurança social.

Este texto não tem uma conclusão nem sequer uma moral. É apenas um desabafo e uma chamada de atenção para que todos percebam bem os sítios onde colocam os vossos filhos.

 

 

 

 

11
Mai21

"Podia ter sido eu"


Pacotinhos de Noção

child safety never leave.jpg

Há 4 dias morreu uma bebé de 2 anos.

Foi esquecida pela mãe dentro do carro. Entretanto já se gerou uma onda de solidariedade para com a mãe, porque pelos vistos "Podia ter sido eu" ou podia ter sido qualquer pessoa. Analisar este caso faz-nos obrigatoriamente analisar também a situação em que a mãe se colocou.

Posso acreditar que a dor da mãe seja imensa, posso acreditar que foi completamente sem intenção, agora não posso com isso achar, como já vi escrito por ai, que esta senhora não deve pagar pelo seu erro, porque já tem uma punição para a vida toda.

Há um pensamento que não consigo dissociar disto tudo, sendo pai de duas crianças nesta faixa etária. Imagino o sofrimento da bebé ao ver que estava ali sozinha sem a mãe, e não quero sequer imaginar o terror que sentiu quando teve fome, teve sede, sujou a fralda, quando um qualquer carro passou perto dela e buzinou... Pessoas afirmam chorar com pena da mãe, eu tremo e arrepio-me imaginando o sofrimento da filha.

Foi um esquecimento, quem nunca teve?

ESTAMOS A FALAR DE UM BEBÉ, PORRA!

Já vi situações destas relatadas nas redes sociais, em que só faltava arrancar o escalpe do esquecido. A única diferença é que o que se esqueceu foi um cachorro e não um bebé. Estamos neste momento a dar mais valor à vida de um animal do que à de um ser humano!? "Quanto mais conheço as pessoas mais gosto de animais", é isso!?

A teoria é que todos têm um pouco da culpa. A senhora andava com insónias, a senhora é pressionada pela sociedade para ser mãe, mulher e profissional, a culpa é da creche que não avisou quando a criança não apareceu, a culpa é de quem andou na rua e não viu a criança, a culpa é dos homens que não ajudam as mulheres, a culpa é dos patrões que exigem demasiado das mulheres, a culpa é da comunicação social que deu a notícia como se a culpa fosse da mãe. Não me lixem!

Só descobriram que a criança estava esquecida porque esta senhora esgotada, que estava a trabalhar em casa, em frente de um computador, pediu à sua empregada "Maria" para ir buscar os miúdos à escola. Ela não estava na lavoura, ela não estava a apanhar batatas. Todos os trabalhos custam, mas há uns que cansam mais que outros. Se em vez da filha se tivesse esquecido do telemóvel no carro, não daria mais facilmente pela falta dele?

Caríssimos, foi mãe porque quis... E quis 3 vezes. Se não quis então mostra apenas irresponsabilidade. Não se pode apontar o dedo só aos mais desfavorecidos por terem  filhos e não saberem ser pais.

Se em vez de morar na Av. Miguel Bombarda, em Lisboa, esta senhora vivesse num bairro social em qualquer parte do pais, iriam todos dizer que "Podia ter sido eu"?

Se um camionista, que depois de uma viajem França - Portugal, em que passou noites mal dormidas, adormecesse ao volante e atropelasse uma criança, também se iam meter no lugar dele e dizer que "Podia ter sido eu", ou iam dizer que provavelmente ia bêbedo?

A mãe sofre. Não quero nunca sentir este tipo de sofrimento. A culpa está lá toda e ela sente-a bem, agora assim como também pedem para que não se aponte o dedo, também não devem colocar paninhos quentes. A CPCJ vai investigar o caso, porque podem ter-se omitido alguns factos... Ainda nada sabem e ainda nada se disse. Convém lembrar que há mais duas crianças, e que também há um marido destroçado, e que nalgumas das defesas da senhora se deixa implícito que ele é ainda mais culpado que ela. Porque não foi bom marido e não foi bom pai.

Devo referir que estas afirmações são de pessoas que apenas especulam, assim como eu o faço nestas linhas. Nada sabemos acerca destas pessoas, apenas sabemos dos factos que são publicados e o facto maior que é: Uma mãe esqueceu a filha no carro e a criança morreu.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub