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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

22
Out22

"Bullying" encadernado


Pacotinhos de Noção

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Nas escolas, e jardins de infância, do concelho de Cascais, têm sido distribuídos uns livrinhos com o intuito de fazer perceber às crianças que o consumo de açúcares traz malefícios para o corpo.

Até aqui tudo muito bem… Quer dizer, mais ou menos bem. O açúcar EM EXCESSO traz malefícios para o corpo, assim como tudo. Sei de um tipo que se envenenou a comer cenouras. De tanto as comer ficou com carotenemia, o que prova que tudo em excesso faz mal. Se proibirmos totalmente o açúcar, acaba por acontecer como com o sal, em que ao ser cortado em quase todos os alimentos, no pão inclusivamente, cria com que se desenvolvam carências que tem depois  que ser combatidas. Algo preocupante é a carência de iodo, por parte das grávidas. O sal que consumimos é iodado, mas havendo um corte no consumo do mesmo, o iodo que devia ser ingerido não o é, e a falta de iodo em grávidas pode originar uma má formação do feto, a nível cerebral e motor, e mesmo que o bebé nasça, poderá ter o seu futuro condicionado, pois a falta de iodo no bebé, é dificilmente revertida, criando dificuldades de aprendizagem na criança, por exemplo. Mas nem é sobre este assunto que vos quero falar. Voltemos então aos tais livrinhos que diabolizam o açúcar.

Ao folhearmos o compêndio, temos receitas sem açúcar, a quantidade de açúcar em determinados alimentos, mas temos também algumas personagens criadas por quem idealizou o livro.

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Temos um rapaz maravilha, que não come açúcar, temos um tipo de bigodes, que é "O Inspector do açúcar, um "bufo" da doçaria, temos uma "Rainha do Lanche", e temos ainda mais uma personagem que difere de todas as outras.

Os três primeiros que referi são perfeitos e maravilhosos, são elementos que queremos na nossa sociedade e que gostaríamos até de ser. Não há nada a apontar-lhes.

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Todas as histórias têm os seus vilões e nesta poderíamos julgar ser só o açúcar, mas não. A última personagem é alguém pérfido, hediondo, miserável. É alguém que seriamos capaz de utilizar como forma de ameaça aos nossos filhos, caso não comam a sopa ou queiram um chocolate. Se eles insistissem nas suas vontades, não hesitaríamos em dizer: "Se comes esse chocolate vais-te transformar no "Bolachudo Preguiçoso"! Exactamente, é esta a última personagem. Um tipo gordo que, por ter massa adiposa a mais, é apelidado de "bolachudo", de "preguiçoso" e como tal pode ser estigmatizado.

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Numa altura em que utilizar palavras como preto ou maricas, em contextos que não tenham nada a ver com raciais ou sexuais, é visto com maus olhos pela sociedade, levando até a cancelamentos, não consigo perceber  como é admissível que a simples característica física de determinada pessoa possa defini-la como sendo "preguiçoso"?

E se para as mulheres "o meu corpo, as minhas escolhas", por que motivo é que "o meu corpo, as minhas escolhas", não pode ser para qualquer um que queira comer o que lhe convir.

Todos os dias tenho que levar com vários tipos que fumam erva, charros, seja o que for. O cheiro daquela trampa incomoda-me, mas, pelos vistos, é só a mim, pois não vejo muitas pessoas com ar de incomodados, porque ao que parece cada vez vai sendo mais bem aceite o consumo de drogas leves em qualquer lado. É mais bem aceite ver um puto de 16 anos a fumar um charro, do que um, que seja gordinho, a comer um Big Mac.

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, pergunto-lhe aqui quantas crianças, que terão tido acesso a este livro, acharam piada ao apelido utilizado para catalogar o indivíduo gordo, e não o passaram a usar para ofender o menino gordo da sua classe, ou da sua turma, iniciando, ou continuando assim, um trajecto de "bullying" que marcará o carácter de quem o pratica e de quem o sofre, e isto com a chancela da CMC, que foi quem distribuiu, e talvez quem encomendou a obra. O objectivo final até poderia ser cheio de boas intenções, mas foi feito por alguém que não está habituado a pensar esta área. Porque não pesquisaram um pouco, ou porque não entraram antes em contacto com a APCOI (Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil), que tem já anos de trabalho nesta área e que faz este caminho sem fundamentalismos baratos e sem estigmatizar nenhum tipo de pessoas. Sei do que falo, conheço o trabalho deles há anos, e a maneira exemplar como o fazem. Por acaso também sei do trabalho que sempre tentaram fazer chegar às escolas, mas que lhes foi sempre dificultado, principalmente pelas Câmaras, que não se mostram receptivas à obra da Associação. Provavelmente porque com eles não conseguem nenhum tipo de "lobby", mas isto já sou só eu a especular.

Mas diga-me Sr. Presidente, acha correcto definir seja quem for pela aparência? É 100% crível que alguém com peso a mais seja preguiçoso, ou que seja gordo apenas porque come demais?

Ficaria satisfeito se fosse avaliado apenas pelo seu aspecto físico? Gostaria de ser catalogado como "O merceeiro vigarista" ou "O imigrante bebedolas"? Não digo que tenha alguma destas características, mas assim de repente posso tirar estas conclusões, mas seria abusivo da minha parte, não seria?

Mas debrucemo-nos também no facto de que na realidade o peso que se aparenta em nada tem a ver com se um corpo é saudável ou nutrido. Temos miúdos que, aparentemente, são saudáveis, principalmente porque são macérrimos, mas que vistos à lupa estão quase subnutridos e com carências vitaminicas porque se alimentam, quase exclusivamente, de bolachas, cereais, achocolatados e ovos Kinder, por exemplo.

Há que acabar com este movimento crescente de que todos, adultos e crianças, têm que responder a um padrão físico em que quanto mais magro melhor. Vejo crianças de 6 e 7 anos preocupadas com o peso, e se deveriam fazer dieta para perder umas gordurinhas, mas que não sabem aplicar adequadamente um "Bom dia", um "Boa tarde", um "Se faz favor" e um "Obrigado".

Não sei se me agrada muito a ideia de que caminhamos num sentido em que cada vez mais teremos pessoas a comer menos açúcar, saudáveis fisicamente, mas que moralmente serão calhaus insensíveis que avaliam apenas por aquilo que lhes parece, e não por aquilo que as pessoas lhes transmitem.

12
Out22

Lobo em pele de cordeiro


Pacotinhos de Noção

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Que Marcelo Rebelo de Sousa, como político, era pouco confiável, já muitos sabiam. Um homem populista, vaidoso, que não suporta que a comunicação social fique mais do que 48 horas sem se referir ao Presidente, causando até constantes fugas de informação em Belém para ficar assim sempre no olho do furacão.

Que era um homem com esqueletos no armário, só alguns é que sabiam, calculavam ou lembravam.

Diz-se que um homem é o reflexo da educação que teve, por isso acho que é importante referir que o Professor Marcelo deve o seu nome ao nosso último ditador, Marcelo Caetano. Caetano não foi seu padrinho de baptismo, mas foi padrinho de casamento dos seus pais. Era amicíssimo da família Rebelo de Sousa e o, então Marcelinho, sempre viveu numa família feliz, abastada e impregnada de amizades do Estado Novo. Marcelo Caetano não era o  padrinho de baptismo do Marcelinho, mas era Camilo de Mendonça, um Ministro da Economia de Salazar. 

Em 1972 casa com Ana Cristina Motta Veiga, filha de António Jorge Motta Veiga, outro - adivinhem - ex-Ministro de Salazar, neste caso Ministro da Presidência.

"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" é uma máxima mais antiga que Cristo, mas aqui é de fácil aplicação e faz-nos até compreender um pouco melhor a facilidade com que o Presidente da República, em conluio com o Primeiro-Ministro, não teve pudor em ir repetindo estados de emergência, mesmo quando os mesmos já não se justificavam. Era a sua veia de "Estado Novista" a latejar.

Conhecer as raízes de alguém mostra-nos a flor que mais tarde germinará, ou se em lugar de uma flor crescerá uma erva daninha. Dou-vos agora a conhecer, em forma de coscuvilhice, mais um caso que demonstra bem a fibra de que é feita a mais alta figura do Estado.

Estávamos ali pelo ano de 1993/1994, e no programa Parabéns, do Herman José, o convidado era Paulo Portas. Água vai, água vem, e na conversa do ex-director do jornal Independente com o apresentador, vem à baila um assunto em que Paulo Portas conta que, apenas para ter o que dizer, Marcelo se "desbronca" acerca de uma reunião, em forma de jantar, que houve entre Cavaco Silva, Mário Soares e alguns constitucionalistas, entre eles Marcelo, uma vez que é esta a sua formação. Contou tudo tão ao pormenor que até referiu que foi saboreada uma sopa fria, uma "Vichyssoice".

Paulo Portas, para confirmar a informação, contactou outro dos presentes nesse jantar e ficou a saber que a maioria do que Marcelo lhe havia dito era mentira, apenas lhe fez um relato inventado para, mais uma vez, estar no olho do furacão. 

Marcelo não gostou de ser exposto desta maneira em horário nobre, no programa do Herman, e cortou relações com Paulo Portas... E Herman? O que aconteceria a Herman?

Dois anos depois, Herman José estaria no centro de uma nova tentativa de censura a um seu programa. Era o Herman Zap, mais especificamente um sketch sobre a "Última Ceia".

Éramos guiados por um Governo PS, de um muito católico António Guterres. A Igreja não achou piada que brincassem com a história da comezaina final de Jesus, e começou a mexer os cordelinhos. Marcelo, que poderia estar calado, viu aqui uma oportunidade de se vingar de Herman José, e fez todos os esforços possíveis para conseguir censurar o episódio. É importante referir que ele era na altura o líder do PSD, e ainda assim não hesitou em dar o braço ao PS, para poder tentar derrubar Herman. Bato palmas à administração da RTP daquela época, que não cedeu a pressões e não permitiu que o sketch fosse cancelado.

Temos então um Marcelozinho azedo e vingativo.

Estas histórias todas servem para chegar à conclusão de que não me surpreende esta afirmação de que 400 casos de pedofilia não serem, afinal, assim um número tão elevado... E se calhar até não são, depende do ponto de vista.

Será que Marcelo diz que 400 casos denunciados não são muitos, tendo em consideração todos os que ele conhece, ainda para mais estando Marcelo há tanto tempo na política, e envolvido com altas patentes da Igreja?

Este texto vai beber muito ao passado, mas como muitos dos que me lêem são de uma geração mais recente, gosto, ocasionalmente, de referir assuntos que foram autênticos escândalos, mas que vão caindo no esquecimento.

Ballet Rose foi um escândalo de prostituição infantil e pedofilia, na década de 60 do séc.XX, que envolveu personalidades da altura, entre elas Ministros do Estado Novo, e figuras de alta importância na Igreja portuguesa. Dois tipos de grupos com quem Marcelo Rebelo de Sousa sempre teve o gosto de privar. Lembram-se dos padrinhos e do sogro?

É, portanto, perfeitamente normal que para o Sr.Presidente, 400 casos sejam poucos, no meio de tantos que há-de ter tido conhecimento.

Para terminar devo dizer que também me faz um bocadinho de confusão, como o caso de alguns miúdos, já adolescentes, que se prostituíam no Parque Eduardo VII, para ter dinheiro para comprar droga e roupas, teve a repercussão que teve, e este caso, apenas porque envolve a igreja, é abafado o mais possível. A imprensa fala nele, mas com pinças muito compridas.

Não quero criar teorias da conspiração, mas em relação à Casa Pia gostaria que recordassem que os políticos, alegadamente envolvidos, foram os primeiros a ser afastados do caso, porque afinal não havia provas contra eles. A ideia com que se fica é que, realmente, tiveram que adicionar uns nomes sonantes ao processo, para que outros nomes não fossem mencionados. O Herman teve a sorte de terem sido incompetentes quando o tentaram envolver. Outros não tiveram essa sorte. De facto, ser-se alguém famoso em Portugal, às vezes é uma corda no pescoço. 

Sim, sei que este texto está imenso, mas parece-me importante que se consiga traçar um perfil daquela que é a mais alta figura do Estado, mas que dá mais importância a tirar umas selfies, do que ao facto de existirem padres a tirar cuequinhas a crianças.

31
Ago22

Duas formas de ver estrelas


Pacotinhos de Noção

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Quase a terminar as férias, hoje decidimos fazer uma visita ao Planetário. 

Só lá tinha ido em miúdo, ainda na escola primária, a minha mulher nunca foi, e o nosso filho iria gostar de certeza.

Em relação ao preço dos bilhetes não achei escandaloso. 15 € chegaram para dois adultos e uma criança de 5 anos.

Escolhemos a sessão que melhor se adequava à idade e ficámos agradavelmente surpreendidos por perceber que o Planetário não é uma atracção esquecida pelas pessoas. Estava uma sala bastante agradável e até o conferencista mencionou o facto.

A sessão foi óptima, o meu filho gostou imenso e foram 40 minutos que passaram num instantinho.

Esta foi a parte positiva, e agora falemos da outra, mas que em nada tem que ver com o Planetário, ou quem nele trabalhe.

Tenho duas crianças, uma de 5 anos e outra de 1 ano e 10 meses. Obviamente, e como qualquer ser minimamente pensante, não me passou pela cabeça imaginar levar a mais pequena a uma sessão numa sala escura, onde se requer silêncio e  alguma atenção, pois a primeira coisa que me enervou um bocadinho foi, na fila da bilheteira, um idiota que reclamava por não permitirem a entrada da sua pequena de ano e meio. Não conseguia perceber o porquê desta situação, e estava até a sentir que estaria a ser prejudicado na sua condição de pai...

Acho não haver muito o que dizer aqui. Se aquela besta não percebe o porquê, parece-me sensata a atitude do senhor da bilheteira que lhe respondeu um seco "Pois é, mas não pode." E pronto, é ignorar e seguir.

Não sei se estão familiarizados com o edifício do Planetário de Lisboa. As bilheteiras são no R/C, e a sala de projecção é no primeiro andar. Antes da sessão as pessoas aguardam num pequeno átrio onde estão expostos o antigo projector do planetário, e um antigo e enorme telescópio. Estive a explicar ao meu filho o que aquilo era, fingindo-me de sábio e entendido, pois é só por esta altura que conseguimos iludir os nossos filhos, e ele, talvez interessado, ou apenas de simpatia extrema, parecia ouvir aquilo que lhe dizia. Bem, para dizer a verdade não sei bem se ouvia porque, a determinado momento, deixamos de estar em Belém e fomos teletransportados para Sete Rios, mais propriamente para a Aldeia dos Macacos, no Jardim Zoológico. É que os pequenos seres retardados que ali se encontravam em espera, decidiram usar, tanto o telescópio, como o projector, como ferramentas de equilibrismo, e começaram a trepar por eles acima. Isto entre guinchos e gritinhos que nos furavam os tímpanos como se a Sharon Stone nos estivesse a cravejar o picador de gelo no cérebro.

Esta tortura parou porque, entretanto, começamos a entrar na sala.

Como disse sou pai de duas crianças. Não são anjinhos, longe disso. Tem dias que me moem tanto a cabeça que até dá pena não fumar, só para ter a velha desculpa de que "vou comprar tabaco e talvez volte", mas o tipo de comportamento que têm em público, principalmente o mais velho, em nada tem a ver com a maneira como se comporta em casa. Na rua até parece uma criança educada, evoluída e respeitadora. Quem o vê, quer ficar com ele, e de facto entrámos na sala, ele cumprimentou o conferencista, sentou-se e ficou a falar connosco, os pais, tirando dúvidas, perguntando o que iríamos ver. Já os macaquinhos que estavam lá fora, entraram também, e as cadeiras do Planetário, as quais são quase como marquesas para nos deitarmos, passaram a ser trampolins para os meninos saltarem. Eram muitas Carlotas, Matildes, Salvadores e Vicentes. Curiosamente os Fábios e os Rubéns, estavam sentadinhos com os seus pais, todos com os "caps" de pala para trás, e com as suas t-shirts de cava, mas caladinhos e com um comportamento bem civilizado. Parece que aqui para os lados de Cascais, as regras da boa educação são apenas algo que fica bem em livros de etiqueta, na revista Hola! e quando a Madalena Abecasis manda que assim seja.

Perguntarão vocês, "onde raio estão os pais destas crianças?"

a progenitora, que incomodavam quem ali foi para passar um bom bocado, e que eles não o estavam a permitir. Fiz esse meu "schiuu" e ainda bem que o fiz, porque resultou exactamente da mesma forma como se não o tivesse feito...

É isso mesmo. Nem ligaram. Ninguém quer saber se incomoda ou não, e a  grande vontade com que fiquei foi a de levantar-me e começar a distribuir chapadões, e desta forma as estrelas que iríamos ver não seriam só as projectadas no tecto do Planetário. Só não o fiz porque tive em consideração as regras da civilidade, da boa educação e porque poderia haver um pai, ou até uma mãe, maior ou mais forte do que eu, e também eu poderia ficar a ver estrelas.

23
Jul22

Não existe título que emoldure isto


Pacotinhos de Noção

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Volto a tocar neste assunto, e quem não estiver interessado tem sempre a opção de não o ler.

Aqui não falo sobre a guerra, sobre a invasão de um país pelo vizinho, nem se há armas enviadas ou não enviadas. Agora estou apenas a colocar-me na pele deste homem e a sentir os pêlos da nuca arrepiados.

Sim, bem sei que esta é uma notícia que já não é fresca, mas se eu ler uma notícia, ou vir uma foto, de um pai a segurar a mão do filho morto, mesmo que essa notícia ou essa foto tenham 50 anos, a sensação que terei será exactamente a mesma, porque me coloco no lugar deste pai.

Esta imagem não vale por mil palavras, não vale nem por um milhão, porque por mais palavras que se digam, estas não chegarão para justificar a morte de um filho, nem para confortar o coração deste pai. Não consigo, nem quero imaginar a dor que ele estará a sentir. Coloco-me no seu lugar mas não o quero fazer. É injusto bem sei, assim até parece que o abandono na sua dor, mas só de me imaginar na mesma situação julgo que não viveria nem mais um segundo, pois o meu coração bate pelos meus filhos e sem eles não existiriam razões para bater. Mas não estamos aqui para falar de mim, nem sequer estamos para falar no pai do Dmytro. Reparo agora que nem percebo bem porque estamos aqui, eu a escrever e vocês a ler. Talvez por solidariedade com este pai, talvez para sublinhar mais uma vez a estupidez de uma guerra sem justificação e que vai ceifando cada vez mais vidas, em que doendo todas, as de crianças doem ainda mais forte.

Há mais guerras noutras partes do Mundo? Haverá certamente, e se houver imagens difundidas das mesmas, a tristeza que sentirei será a mesma. Não sou director de nenhum canal de informação e como tal não tenho a responsabilidade de falar de todos os conflitos que possam existir. Falo apenas daqueles sobre os quais me chegam informações e penso ser assim com todos nós. Claro que os meios de comunicação divulgam apenas aquilo que mais vende, mas eu não acredito que o principal objectivo seja o do lucro e da venda fácil. Dentro de uma qualquer redacção poderá existir um mentecapto cuja língua que fala é a dos cifrões, mas o grande núcleo de repórteres e jornalistas são pais como nós, e também terão sentido esta notícia como um murro no estômago.

Suporto cada vez menos as pessoas. De dia para dia demonstram que pouco valem e valores são coisas que não têm. Ainda assim não lhes quero mal, mas depois há uma franja de idiotas que ficam a dever muito ao ar que respiram. Falo obviamente de Putin, a quem a morte será o menor dos males, e em que a mesma será festejada um pouco por todo Mundo, e depois acrescento também pessoas que defendem Putin e a sua invasão, apenas porque se lembraram que o que lhes dá tempo de antena, é sempre contrariar o grosso da sociedade, quer seja na política, problemas sociais, gestões de pandemias, e neste caso concreto. Falo agora de pessoas como a execrável Maria Vieira, em que o papel que melhor desempenhou até hoje, é o de pessoa estúpida e idiota, que cada vez que abre a boca, o que de lá sai faz uma ETAR parecer um jardim com flores frescas, e de Alexandre Guerreiro, um suposto ex-espião que provavelmente o que mais lhe proveu espiolhar, foram as ceroulas com que Putin dorme, para poder copiar e usar iguais. A vontade que este homem demonstra em defender todos os passos dados pelo ditador russo, tornam isto até num caso claro de paixão cega, do Alex pelo Vladi. Desconfio que Guerreiro poderá até sonhar com o urso russo, cavalgando em tronco nu por entre bosques e vales, em direcção ao estuporado comentador português que, quando está mesmo prestes a levar um repenicado beijo do "czar wanna be", acorda sobressaltado lembrando-se que na Rússia não há cá dessas mariquices de homens com homens... É crime e dá direito a prisão.

Sei que todos têm o direito à sua opinião, é um direito que se lhes assiste, mas quando a opinião é abominável, penso que esse direito deixa de fazer sentido. Não se deve amordaçá-los porque de outra forma não ficaríamos a conhecer quem são, afinal, os malucos, mas já que estão tão do lado do Putin, deportava estes débeis para o centro do conflito na Ucrânia, pois assim poderiam melhor perceber o terror que passam aquelas populações. Mas isto se calhar era ser pior que eles, contudo sempre ouvi dizer que "Quem com ferro mata, com ferro morre."

08
Jul22

A cair no esquecimento


Pacotinhos de Noção

O dia hoje foi carregadinho de notícias importantes. O Boris Johnson que se demitiu, o NOS ALIVE que está em alta, as temperaturas que sobem no Verão, os incêndios que advém das temperaturas, etc. Como disse, são tudo notícias com a sua importância, mas parece que a guerra na Ucrânia acabou.

Os vários blocos noticiosos, honra lhes seja feita, não abandonaram o assunto. A SIC, principalmente, continua a falar no assunto e a fazer as suas análises, mas o cidadão comum já deitou para trás das costas, já não é um assunto tão "trendy".

Para mim o lado mais negro da guerra são as mortes das crianças. Um adulto que viva na Ucrânia sabe que está num país em conflito e poderá ser uma questão de tempo até lhe rebentar um projectil em cima. Tem essa consciência, não será uma surpresa. Mas e uma criança? Uma criança inocente que sonha, chora, ri, pula, canta e brinca, e quando brinca, num jardim infantil, como ainda hoje os meus filhos fizeram, e muito provavelmente os vossos também, não espera nunca que aquela volta no cavalinho ou aquela subida no balancé, poderá ser a última. É isso mesmo que mostra o pequeno vídeo que aqui coloquei. A senhora que fala não é família, não é amiga, não tem nenhuma ligação com os miúdos, mas dá para notar na sua respiração ofegante e no seu discurso meio atabalhoado, que viu algo que nunca irá esquecer, uma criança de bruços, em cima do baloiço, onde morreu enquanto brincava.

Algo ainda mais assustador é que ao que parece o ataque foi feito por tropas ucranianas, porque a região onde isto aconteceu está já tomada pelos russos e este ataque foi uma contraofensiva conduzida por parte de tropas ucranianas. A Ucrânia não desmentiu o sucedido, apenas afirmou que "apenas ataca alvos militares".

Muito sinceramente é completamente irrelevante quem foram os indivíduos que dispararam aquele "rocket", mas se foram as tropas russas para culpabilizar a Ucrânia, isso é hediondo, mas se foram os ucranianos, numa vã tentativa de recuperar terreno, então isso além de hediondo é de uma falta de honestidade e vergonha inqualificáveis. Quantas vidas, principalmente de crianças, é admissível perder por causa de terra?

Para mim, é fácil falar, pois não sou minimamente nacionalista, de facto irrita-me bastante o slogan "O que é nacional é bom" porque há muita trampa nacional que não chega sequer a mau, quanto mais a bom. Como não beijo a bandeira, não fico doido com a selecção e nem sequer gosto de bacalhau, se me visse numa situação como a dos ucranianos, já teria pedido ao Zelensky que entregasse a chave do país ao doente do Putin. Ia perder o meu orgulho? Provavelmente, mas iria poupar em vidas.

Eu com isto não digo que concordo com a invasão, atenção, aquilo que digo é que a guerra mexe com demasiados interesses para ter um fim à vista. Recordem-se, por exemplo, que Boris Johnson só não saiu antes do cargo que ocupava, porque entretanto passou a ser uma parte bastante activa neste conflito.

Costa coloca a culpa do aumento dos preços na guerra, Macron, embora tremido, ainda conseguiu ganhar mais um vez as eleições, e o mundo do fabrico de armas voltou a sentir os cofres a encher como já há muito não sentia. É uma guerra que interessa a muitos que não acabe tão depressa, e enquanto isso vão morrendo cidadãos comuns, entre eles crianças.

04
Jul22

Tanto talento, e nenhum na TV


Pacotinhos de Noção

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Acabaram hoje os Ídolos... Finalmente.

O "Uma Canção para ti ainda não acabou... Infelizmente.

Para começar, e justificar a imagem que emoldura o texto, gostaria de referir que a maneira como os apresentadores, e até dos júris, são vestidos, define bem estes programas. Uma parolada. Joana Marques, o Elvis manda dizer que quer a roupa de volta.

Não aprecio especialmente estes "talent show" mas também não penso que devem deixar de existir. Defini-los como "talent show", quando o talento é algo que por ali não passa, é que já me parece demasiado.

Portugal é um país pequenino, é natural que não consiga produzir um Paul Potts ou uma Susan Boyle, mas a verdade é que mesmo que aparecesse alguém do mesmo género destes dois, dificilmente iriam ganhar, porque não teriam "star quality", e porque não se encaixam no estilo "pop" que a parolice portuguesa tanto procura.

Os Ídolos já tiveram várias temporadas, Nuno Norte, Sérgio Lucas, Filipe Pinto, Sandra Pereira, Diogo Piçarra e João Couto foram os anteriores vencedores. Fora Diogo Piçarra, nenhum dos outros alcançou uma carreira de sucesso.

Existem alguns participantes que ficaram conhecidos, como a Luciana Abreu, Salvador Sobral ou a Carolina Torres. Tudo pessoas que, me parece, ficam a dever tanto para o mundo da música, como para a sanidade mental, ou educação, como recentemente Carolina Torres mostrou, ao abandonar, de forma prematura, o palco dos Ídolos, para o qual foi convidada. Quem vier com o argumento de que o Salvador Sobral ganhou a Eurovisão, chamo só a atenção de que este ano ganhou a Ucrânia, porque está em guerra, não tem nada que ver com música, já ganhou uma mulher barbuda, ou um barbudo vestido de mulher, e uma tipa vestida de galinha, só por ser israelita.

Voltando, e terminando o assunto "Ídolos", gostaria só de sublinhar que os jurados perdem toda e qualquer credibilidade, quando no lote de finalistas existem vozes paupérrimas, mas ainda assim todos os júris se desfazem em elogios. Posso apenas ser eu que sou duro de ouvido, mas há casos bastante evidentes de participantes que nem em karaokes se safariam.

O caso do "Uma Canção para ti" já é diferente.

A qualidade continua a ser nula, os jurados são 50% de elementos que não percebem nada de música, por muito que o Manuel Luís Goucha defenda a Rita Pereira, arranjando justificação para o facto de ela ali estar, e acho também uma certa piada que elementos do PAN façam burburinho pela exploração de animais para entretenimento popular, mas que não façam chegar nenhuma queixa junto das autoridades, pelo facto de às 00:30 haver miúdos nas cantorias da TVI. Apenas falo nisto devido à falta de coerência, e porque de facto a TVI ganha bom dinheiro com o uso destas crianças. Isto só acontece porque há imensas pessoas a assistir ao programa, pessoas que elevam a voz para reclamar o direito de tudo e mais um pouco, mas ver os meninos a cantar, até tão tarde, dá-lhes alegria.

Sinceramente falando, faz-me confusão a mim? Sim, faz alguma. Nem tanto pelos miúdos ou pelo programa, porque os miúdos até se deverão estar a divertir, e o programa cumpre a sua função que é a de tentar entreter as pessoas em casa, mas não tiro da cabeça que por detrás de cada uma daquelas crianças poderão estar uns pais, para quem faz sentido que os filhos fiquem a cantar até de madrugada, apenas porque assim podem vir a ter uma carreira... Não sei porquê, mas só me consigo lembrar dos pais do Saúl Ricardo.

Só mais uma pequena curiosidade, que reparei agora, enquanto acabo este texto.

A SIC está a transmitir o concerto da Anitta, no Rock in Rio, o que confirma que saber cantar não é o critério por eles escolhido, para hoje aparecer na televisão.

24
Jun22

Jéssica


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Esta não é uma página criminal nem pretende ser uma filial da CMTV, mas de cada vez que há a notícia da morte de uma criança, às mãos de um adulto, a raiva que em mim cresce tem que ter um escape, e a escrita acaba por ser um pouco desse escape. O que escrevo nada ajuda, e a criança já morreu, mas há opiniões que me apetece dar e perguntas que me apetece fazer.

Todo o caso me mete nojo, e ninguém sai dele sem culpas, a não ser a criança, que não sendo culpada, foi a que pagou com a vida.

Estão detidas três pessoas. A suposta ama, que é afinal bruxa, o marido, e a filha da bruxa. Falta neste lote de miseráveis pelo menos mais uma pessoa. A mãe da Jéssica.

O motivo que levou a bruxa, e toda a sua corja, a sequestrar a criança durante 5 dias na sua casa, foi uma alegada dívida de 400 €, da mãe da Jéssica. A que se deve esta dívida? Pagamentos que não foram feitos à bruxa, enquanto ama? Pagamentos que não foram feitos à bruxa, enquanto bruxa?

Aquilo que se sabe é que a mãe de Jéssica, que quando deu à luz uma criança, que não pediu para nascer, assinou automaticamente um contrato redigido pela natureza, pela sociedade, pela vida e pelo amor maternal, que estipulava que ela, como gestante e progenitora haveria de proteger aquela menina contra tudo e contra todos, contudo em vez de o fazer preferiu "meter a menina no prego", como garantia de que haveria de pagar a dívida que tinha.

Se quisermos ser mais compreensivos podemos alegar que os três criminosos sequestraram a menina. Não deixaram que a mãe a levasse sem trazer o dinheiro que devia, e a mãe até foi buscar a Jéssica, passado 5 dias... e foi porque lhe disseram para a ir buscar, após a colocarem às portas da morte.

5 dias?! 5 MALDITOS DIAS?! Não foram 5 minutos nem sequer 5 horas, foram 5 dias.

Uma mãe normal, e consciente, impedida de levar a sua filha, não entrava em desespero e não se dirigia logo à polícia? Estou a dizer algo de muito esquisito ou extraordinário? Não é coisa que qualquer pessoa que ame um filho faria? Ou num acto mais tresloucado, vendo a sua cria usada como moeda de troca, não cometeria uma loucura e não entraria em confronto com estes bandidos?

Sabe-se também que, estando a filha sequestrada na casa da bruxa/ama, a mãe, no Domingo à noite, antes da morte da filha, foi toda alegre e contente, a uma festarola. Enquanto a mãe se divertia, a Jéssica, de apenas 3 anos, muito provavelmente era alvo de tortura e pancada, porque a senhora que a pariu a deixoy como garantia de uma dívida. 

O que é um facto é que Jéssica estava já sinalizada pela Segurança Social como sendo uma criança em risco, e o risco definido pela S.S. não teria nada a ver com a ama, certamente.

Que dizer da forma como está estruturada uma família quando, em entrevista à CMTV, o padrasto da menina, confessa que nem sequer sabia que ela estava na casa da ama há 5 dias... Como não sabia? Não vivia na mesma casa da criança? Não reparou que faltava alguém? É padrasto, mas quando se junta com alguém, por amor, e tendo esse alguém uma filha bebé, acabam por se criar laços e vínculos.

Surgem notícias que, entretanto a mãe já mandou fora roupas e brinquedos, da filha recentemente morta... Atenção, não falo de um vizinho ou de um conhecido, falo da própria filha, e a princípio não nos queremos separar tão rápido das coisas de alguém que seria o nosso bem mais precioso.

Hoje, no velório, a mãe (admito que até me custa classificar a mulher de mãe) montou um teatrinho, levando uma boneca da filha no colo, e caminhando encostada a alguém, de tão debilitada que estava, mas logo à frente, ia o padrasto, a caminhar todo estiloso e com um à vontade de quem vai comprar tabaco, aproveitando as câmeras para enviar recados ao Hernâni Carvalho.

Poderei também estar a ser um pouco picuinhas, mas nos vídeos que já vi da miúda, e algumas das fotografias que encontrei pela internet, mostram-na frequentemente em ambientes de tabernas, cafés, e festas regadas a cervejas. É o ambiente próprio para crianças? Não me parece.

Mais uma vez este caso mostra que os mais desprotegidos são as crianças, e menos protecção têm ainda quando os pais se estão a borrifar para eles.

Neste assunto tudo é revoltante, desde a família assassina até à mãe e ao padrasto que acabam por ser coniventes e também cúmplices por não terem logo avisado as autoridades. É culpado o Estado, por sinalizar crianças em risco, mas não fazer nada, para as proteger, passando assim as crianças de sinalizadas como em risco para sinalizadas como mortas.

25
Mai22

Promessa é dívida


Pacotinhos de Noção

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Por coincidência, hoje, por volta das 22:00, altura em que o meu filho de 4 anos foi dormir, naquele lusco-fusco sonolento e delirante das crianças, ele virou-se para mim e perguntou o que eu fazia se aparecesse um homem com uma pistola para lhe fazer mal.

Esta pergunta veio a propósito de, segundos antes, ele ter tido medo e eu, confortando-o, garanti-lhe que não precisa temer nada, pois protege-lo-ei sempre.

Respondi que se tal acontecer meto-me à frente e nada se passará. A mim também não, que tenho ossos de ferro.

Apertou-me para confirmar que tenho estrutura óssea forte o suficiente, e agora dorme, relaxado e sentindo que está protegido. Dorme ele e a irmã de ano e meio, um sono inocente e despreocupado, sem saberem que, agora, em todos os cantos do Mundo, há crianças que choram, que sofrem, que morrem. Não sabem e nem pretendo que saibam. Este Mundo nojento em que vivemos há de parecer-lhes um paraíso, enquanto for possível que a ingenuidade não lhes seja conspurcado pela dura realidade.

A garantia de protecção que fiz ao meu filho, pretendo cumpri-la, mas certamente que os pais das 18 crianças, com idades entre os 5 e os 11 anos, que foram hoje assassinadas no Texas, também quereriam ter protegido os filhos deles. Não conseguiram, e esta é daquelas vezes em que a genuinidade do "não queria estar no lugar deles", é da mais pura que pode haver, e também da mais cruel.

Salvador Ramos, 18 anos, ele próprio um tipo que ainda devia cheirar a leite, tinha acesso a armas que lhe permitiram cometer esta loucura. Foi abatido pela polícia e eu só espero que tenha sofrido, porque quem mata crianças não faz, para mim, sentido que continue a viver.

Haverá sempre quem defenda que ele poderia ter problemas psicológicos, mas o problema psicológico de que ele sofria tinha um nome… maldade.

Sigam o meu raciocínio. Se este tipo era maluco porque é que não foi antes invadir um bairro problemático, onde até guerras de gangues há? Ou uma esquadra, ou um quartel, por exemplo? Não foi porque sabia que a hipótese de resposta era grande. Crianças são um alvo fácil e que não responde.

Hoje, também por um acaso, assisti à cena de um rapaz, dos seus 16 anos, a acabar o namoro com uma miúda da mesma idade.

Ela chorava copiosamente. Não implorou, mas tentou muitas vezes o contacto visual com aquele que, até há segundos atrás era o seu namorado. Conseguiu-o várias vezes e há de ter constatado o mesmo que eu, e que era a falta de empatia, de sentimento, de compreensão e até de companheirismo daquele que com ela já havia partilhado sentimentos.

Nem uma festa, nem uma mão no ombro para servir de apoio. Nada.

Vomitou as palavras que tinha a vomitar e no fim do seu discurso de rescisão sentimental, afasta-se com um desdém e uma frieza que nos levam a pensar que ele não deveria nem namorar uma pedra, quanto mais uma rapariguinha.

Dei mais este exemplo porque em ambos os casos se vê um traço característico e comum a ambos.

Nenhum mostrou nenhum tipo de ligação afectiva, remorso, consciência, e, infelizmente, a ideia que me dá é a de que cada vez mais isso acontece. Tenho visto muitos jovens que demonstram dar mais importância a um penteado ou a um smartphone do que a outra pessoa.

E quem devemos nós culpar por causa destas situações? Não vos sei dizer, nem tão pouco sei dar um palpite que se pareça com uma solução. Tenho a opinião de houve muita falta de amor, muita falta de ouvir dos pais um amo-te cheio de intenção de continuar a amar.

Eu tento fazer a minha parte, e diariamente digo aos meus filhos que os amo e eles também me o dizem a mim. Não é uma troca de galhardetes e sim uma partilha de sentimentos que espero que construa alicerces de valor nos meus filhos.

Sim, eu sei que este é mais um post a falar de criancinhas e no quão importantes elas são, mas de facto são e se não andarmos por cá para os proteger, então nada nesta vida vale a pena.

19
Mai22

Opiniões que nos definem


Pacotinhos de Noção

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Nalgumas situações as redes sociais acabam por ser como a realidade. Diariamente nos cruzamos com gente que não interessa e temos duas opções, ou engolimos, ou mandamos dar uma volta.

Não vou divulgar o "nome" da pessoa em questão porque receio que exista sempre alguém que a possa importunar, mas sei perfeitamente que ela vai ver este post, e ainda bem.

Esta é uma senhora com quem estou quase sempre em desacordo. Adora o Costa e os Governos PS. Gostos são gostos, e tal como ela, mais de 50% dos votantes tiveram a triste ideia de votar em quem enterra consecutivamente o país. A falta de gosto é ainda mais flagrante quando mostra que é das tais senhoras de meia-idade que continuam seduzidas pelos cabelos grisalhos de Sócrates. A certa altura defendia que o SNS é maravilhoso, mas pouco tempo após o proferir foi operar as cataratas à CUF, em vez de usufruir daquilo que tanto diz apreciar. Para finalizar, e para mim, foi a gota que transbordou o copo, desde que começou a guerra na Ucrânia já demonstrou não ser a favor de algumas sanções, que o Zelensky é o demónio na terra e agora insinua, como as imagens demonstram, que os ucranianos são nazis, conforme o próprio Putin defende.

Se em todos os outros assuntos posso compreender que existam opiniões diferentes da minha, neste caso da guerra não é sequer admissível que se veja o outro lado da mesma moeda. É um assunto em que não se pode ficar em cima do muro.

Quem tiver o mínimo de dúvida em condenar Vladimir Putin, mesmo não o afirmando, como no caso do PCP, aliás, das duas uma, ou é estúpido, ou é idiota, e são pessoas assim que me repugnam e deixam-me aziado, e com os quais não pretendo ter o mínimo de ligação, quer seja no dia a dia, quer seja aqui, neste mundo virtual onde o anonimato até me dá a cobarde coragem de dizer a esta senhora o quanto ela não tem noção de quão pouco humana consegue ser. E é até a amostra de que quem gosta de animais não tem que obrigatoriamente ser boa pessoa. Bem sei que aos 50/60 anos, viver com gatos nem sempre é opção, é apenas a consequência de uma vida de amargura, arrogância e estupidez, mas ainda assim fica sempre bem mostrar que se tem muito amor pelo Nóquidó e pelo Riscas.

Alguns estarão agora a perguntar-se o porquê deste destaque a alguém que é anónimo, que assim se manterá e que provavelmente não merece o tempo que gastam ao ler estas linhas. Os motivos são dois.

O primeiro é porque o Pacotinhos de Noção nasceu por causa destas pessoas. Serve de escape para falar sobre situações e elementos da sociedade, que vivem entre nós, julgam e comportam-se como se fossem a última bolacha do pacote, mas só porque não tem a noção que aquilo que defendem e aquilo que acreditam faça delas, sim senhor, a última bolacha do pacote, mas é um pacote de bolachas de Água e Sal velho e bolorento, com aquela bolacha que todos rejeitaram e está até toda esmigalhada.

O segundo é porque ao observar as fotos desta pessoa, a ideia que dá (e aqui até posso estar enganado) é a de que trabalha num estabelecimento de ensino. Não sei se como auxiliar ou professora, não é importante, mas aquilo que importa é que alguém que não consegue discernir do que é facto e do que é propaganda, do que é uma desculpa esfarrapada para invadir um país e do que é real, e que não consegue compreender que morrem pessoas, incluindo crianças, crianças com quem trabalhará e como tal até deveria haver um laço mais afectivo, no lugar do coração deve ter uma pedra e no lugar do cérebro apenas vácuo e deveria ter sido submetida a importantes testes psicotécnicos para que em vez de trabalhar com miúdos, trabalhasse com... sei la, calhaus.

16
Mar22

Ser cobarde salvaria mais vidas


Pacotinhos de Noção

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O conceito de herói é muito subjectivo e tem cada vez mais sido banalizado. 

A partir de determinada altura todos são heróis. Desde o tipo que salva uma família de um incêndio, até ao outro que conseguiu solucionar o caso de uma torneira que não parava de pingar.

Para mim a palavra herói não tem um sentido tão lato, e muito provavelmente nem vai ao encontro daquilo que a maior parte das pessoas usa como definição. Mas isto é porque sou um pouco cobarde, até caguinchas, e para pessoas como eu, o herói é aquele que consegue evitar o conflito.

Tomemos como exemplo o caso de Zelenskiy.

O presidente ucraniano está, neste momento, catalogado como herói. Concordo e nem tenho nada a apontar.

O homem surpreendeu tudo e todos, surpreendeu principalmente Putin, que pensava poder manietar o adversário com relativa facilidade, mas tal não aconteceu. Zelenskiy fez frente a alguém mais poderoso e até tem a sua vida colocada em risco para defender uma nação... Mas e o que é uma nação? É apenas um pedaço de terra, em determinado lugar, ou uma nação só o é graças às pessoas que a formam?

E a nação, que acaba por ser algo de abstracto, merece que se morra e se mate por ela?

Aquilo que aqui vou expor não é o certo ou o errado, é apenas aquilo que eu faria, tendo em consideração o meu pouco caso para qualquer categoria de conceito de nação, de orgulho nacional ou amor à pátria.

Gosto de Portugal? Gosto do território, do clima, e até de algumas comidas, mas cada vez gosto menos da praga que infesta o país, e que são as pessoas. Dado curioso é que pessoas há em todo o lado e não diferem muito de sítio para sítio. De qualquer maneira mesmo eu apreciando cada vez menos pessoas, não julgo que deveriam desaparecer. Talvez o certo seria eu transformar-me numa espécie de eremita, porque no final das contas quem está mal sou eu. Não posso ser o tipo que vai na autoestrada em sentido contrário, defendendo que sou o único que está correcto.

Como não penso que devam desaparecer, e caso estivesse no lugar de Zelenskiy, mal houvesse a pequena ameaça de uma invasão, que pudesse causar qualquer tipo de baixa, render-me-ia logo. Mas é que nem pensava duas vezes. Sei ser chocante isto que escrevo, mas recordo-vos que quem vos escreve é um tipo assumidamente sem valores patriotas, com pouca coragem pessoal, e que julga que uma vida, seja ela russa, ucraniana, portuguesa ou chinesa, não tem preço. Se for de uma criança então, a dívida que fica, de cada vez que uma é vítima desta guerra (ou de outra qualquer) é impossível de pagar.

As últimas notícias dão conta de pelo menos 100 crianças mortas. Não tenho palavras que consigam transmitir a tristeza que me percorre todos os poros, todas as veias, todos os milímetros do meu corpo, ao imaginar o medo que uma criança tem, neste cenário dantesco. O sofrimento dos pais que perderam quem mais amavam, e a constatação de que estas 100 crianças estão a horas e dias de se transformarem em 110, 120, 200.

É por isso que para mim o acto mais heroico que Zelenskiy, e o próprio povo ucraniano poderia fazer, era entrar em conversações, com o animal do Putin, e dizer-lhe que sim a tudo. Que não querem a NATO, que não querem a Europa, que não vão ter armas nucleares, que saltam ao pé-coxinho... Eu sei, eu sei que em teoria Putin ganharia esta guerra, mas não vejo as coisas por esse prisma. Quem verdadeiramente ganharia a guerra seria quem nela não morreu, nem iria morrer. Seria quem pudesse voltar para sua casa e para junto dos seus, seriam todas as crianças que poderiam voltar a sonhar em ir para a escola, crescerem e serem adultos.

O que realmente iria mudar no dia a dia do comum ucraniano? Julgam que muito? Não me parece. Esta, e todas as guerras de sempre, acabam por acontecer por motivos políticos, e é verdade que um político forte como o Zelenskiy dá outra moral, outro tipo de força, que nos faz ficar mais corajosos. Mas continua a valer mais um corajoso morto do que um cobarde vivo?

Posso garantir-vos que se fosse ucraniano a minha coragem estaria apenas apontada nos esforços para dali conseguir sair, com a minha mulher e os meus filhos. Seria um desertor? Seria, mas neste jogo que é a vida, já em pleno século XXI, devo dizer que não estava à espera de ter que decidir se deveria matar, ou não, inimigos, mas tendo que decidir, decido sempre que prefiro fugir.

Dos fracos não reza a história, aos fortes rezamos nós, no dia dos seus funerais.

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