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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

22
Jun23

Assumpção de erro


Pacotinhos de Noção

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Andei enganado durante muito tempo, e não tenho vergonha de o dizer, nem problema em assumi-lo.

Durante muito tempo defendi que Portugal não era um país racista, que haveria um ou outro caso, mas que, na sua essência, não o era. Mentira.

O que vejo é que sim senhor, é um país racista, tinha era algum pudor em o mostrar, mas agora, com a falta de vergonha que se alastra, já muitos não têm nenhum pejo em vomitar os seus pensamentos racistas. Testemunhamos constantemente no futebol, quando as claques tratam de imitar gorilas, ou de insultar jogadores pretos, testemunhamos no dia a dia, quando referem que vão aos “chinocas”, ou que quem conduz os TVDE são os “chamuças”, ou que o incompetente que nos governa é um “monhé”. E isto nem é uma questão do poder-se, ou não se poder dizer nada. Podemos dizer tudo, desde meio que não se ofenda e não se humilhe.

O recente caso, dos comentários racistas ao post promocional da PSP, não me faz ter vergonha de ser português porque também nunca foi nada que me desse particular orgulho, pois não sou nacionalista. A vergonha que tive, e se calhar mais desalento que vergonha, foi por constatar que tenho que partilhar oxigénio com este tipo de gente idiota. Foi perceber que não eram apenas uns comentários que tentavam ser engraçados, e que eram, isso, sim, pessoas comuns que podem ser nossos vizinhos, colegas de trabalho, ou até familiares, que em pleno séc.XXI, numa altura em que até já se inventou a inteligência artificial, e em que se descobrem vacinas em tempo recorde, mostram que estamos a regredir a ponto deles não hesitarem em colocar, numa rede social pública, comentários racistas, apenas porque a PSP colocou a imagem de um polícia preto.

Que raio de retrocesso civilizacional é este?

Bem sei que a questão da cor da pele nunca chegou a deixar de ser questão, mas havia um receio de se demonstrar que se era racista, e deixem-me que vos diga, que mesmo sabendo que por parte de algumas pessoas, a aceitação era falsa e hipócrita, prefiro mil vezes a falsidade e a hipocrisia, do que esta honestidade ignóbil, esta sinceridade bacoca, que mais não é do que estupidez, ignorância e idiotice.

Poderia tentar varrer as culpas para debaixo de um tapete geracional, dizendo que são pessoas mais velhas, que têm este tipo de atitude, pois vêm ainda do tempo da "outra senhora", mas o problema é que não. Assustadoramente, cada vez se vê mais malta nova a tecer este tipo de comentários. O pior disto tudo é que o fazem com a soberba, e a arrogância, que só a juventude dá, e depois ainda têm a capa protectora da infantilidade, em que aparece malta mais velha a dizer que não vale a pela levar a sério, porque são malta nova. Já eu acho que é, precisamente, por serem malta nova, que é preciso levar a sério, pois alguns estão em formação de carácter, e pode ser que ainda tenham tempo de mudar.

Para acabar gostaria de defender que todo e qualquer acto racista deveria ser alvo de processo de crime público, ou de multa pecuniária de alto valor, pois se cidadania não funciona, pode ser que autoridade ajude. No entanto, há também que ter em consideração que os casos teriam que ser cuidadosamente escrutinados, para que não se caísse no extremo de termos uma PIDE racial, pois algo que actualmente também está muito na ordem do dia, são pessoas a alegar serem vítimas de racismo, e crimes de ódio, quando, na verdade, isso não acontece.

Assim por alto podia falar nalgum caso mais conhecido, mas não me recordo de nenhum, o que me obriga a dar um exemplo inventado por mim...

Imaginem a seguinte situação, de um governante, com origens goesas, que num qualquer lugarejo seria interpelado por uma manifestação de, digamos, professores (inventei agora mesmo) em que os mestres envergariam cartazes mal desenhados, mas em que o mais escandaloso seriam lápis enfiados nos olhos, mas em que o argumento utilizado, pelo suposto governante, seria apenas o de que os cartazes eram racistas. Sim, eu sei que é um exemplo muito estúpido, mas assim de repente, foi o que me veio a cabeça.

17
Dez22

Senhoras de Tires, façam a vossa parte


Pacotinhos de Noção

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A 24 de Junho, no texto que aqui escrevi, intitulado "Jéssica", deixei o meu pesar pelo sucedido e a minha opinião acerca de que os culpados não estavam todos presos, que a mãe - que nem deveria ser apelidada dessa forma - seria também culpada, e que por isso devia ser punida.

As minhas palavras justificavam-se pelo facto de a mãe abandonar a filha à sorte durante 5 dias, de não ter feito queixa à polícia, e de mesmo com a filha sequestrada ter frequentado festas.

Levantaram-se vozes criticando o que escrevi, que não podia carregar uma mãe com uma culpa que não era dela, que desejavam que eu nunca sentisse o mesmo que aquela mãe estaria a sentir, e uma coisa posso garantir, é que por muitos anos que viva, não irei sentir nunca pelos meus filhos aquilo que aquela "mãe" sentiu, e ainda sentirá pela filha, que é descaso, desprezo, desapego, falta de amor, de empatia, carinho ou qualquer outro sentimento pela menina.

O caso é ainda mais grave do que aquilo que se pensaria, e o Estado, e a Segurança Social, deveriam ser fortemente penalizados pela culpa que também carregam, no que à morte da Jéssica diz respeito.

Ficámos agora a saber que a tortura da menina não foram só durante aqueles 5 dias. Jéssica era usada como veículo para transporte de drogas, e a mãe sabia-o. Ao que parece antes de ser mãe, Inês Paula era toxicodependente... Perdão, chamemos a coisas pelos reais nomes, mesmo que, mais uma vez, vozes se levantem. Inês Tomás era, é e continuará a ser, uma drogadita desprezível, miserável, que não merece o chão que pisa, o ar que respira, a trampa que faz. Uma drogadita que permitia que a filha fosse usada como correio de droga para poder assim continuar a consumir o que realmente lhe importava, algo que lhe é mais valioso do que a vida da própria filha. E aí de quem ouse tentar defender esta assassina, alegando que a droga faz as pessoas cometerem actos que nem se imaginam. Para ranhosos como Inês Tomás, haverá sempre quem estenda a mão, à Jéssica ninguém estendeu, nem mesmo um Estado, que a sabia em perigo, dai a terem sinalizado, mas que nada fez.

A necropsia da menina revela ter o ânus ferido, pela repetida inserção de objectos, com o fim do transporte de drogas. Amigos leitores, desculpar-me-ão todo e qualquer comentário um pouco mais destemperado, mas sou pai de uma menina de 2 anos, a quem mudo as fraldinhas, a quem passo pomadinha no rabo quando tem assaduras, para não sofrer, e como é que esta grandessíssima pu7@, esta valente c@br@, permite que lhe façam com a filha o que fizeram. Por mais drogada que seja, não há nem sequer hipótese de imaginar uma justificação.

O filho da ama, que matou a Jéssica, tem que se apresentar periodicamente na esquadra. Digo-vos que me faria muito menos impressão se as televisões nacionais tivessem optado por transmitir um filme pornográfico em horário nobre, e em sinal aberto, ao invés de mostrarem a festa que este bandalho fez em frente ao tribunal, mais uma série de merdosos como ele, por não ter ficado preso, e por só se ter que se apresentar na esquadra. Diz que não teve nada que ver com o crime, que é um homem inocente, mas não é.

Era ele que vendia, e ainda venderá, certamente, a droga que Jéssica transportava. Sendo ele filho de quem introduzia a droga na menina, e sendo ele o vendedor, querem mesmo fazer-me acreditar que ele não sabia de nada?

Nestas alturas lamento vivermos num país que, ainda assim, é pacato. A falta que faz, nestes casos, um linchamento popular.

Sim, sei que são duras as palavras, mas são conscientes. Não incito à violência, porque essa já foi feita, contra uma menina de 3 anos. Incito e clamo por justiça, porque sei que aquela que temos não funciona.

Nos comentários do texto de 24 de Junho falou-se em pena de morte. Um dos meus leitores, que é mais certinho que outros, defendeu que não deve existir pena de morte, que o Estado não pode utilizar essa ferramenta, sob pena de estar a decidir quem vive e quem morre... Exacto, não vamos decidir se quem matou uma criança de 3 anos deve morrer. Vamos antes deixá-los entrar numa cadeia e cumprir apenas 1/3 da pena. Acho justo.

Para acabar, e mais uma vez não incitando à violência, justifico o título deste texto como sendo uma forma de recado às reclusas do Estabelecimento Prisional de Tires que têm telemóveis, que ainda deverão ser algumas.

Muitas de vocês estão presas, sem poder estar com os vossos filhos, e agora têm aí uma colega que podia estar com a filha, mas que em vez disso permitiu que a matassem, sendo que grande parte dessa morte pode-lhe ser imputada. Mais uma vez digo, não apelo à violência, mas aquilo que é verdade é que em algumas zonas do planeta, quando alguém assassina uma criança, acaba por não chegar sequer a cumprir 1/3 da pena que lhe foi dada, e curiosamente acaba também por nunca mais cometer crime nenhum, e não foi a reinserção social que funcionou...

Estou apenas a constatar.

28
Set22

A Rapariga da Fotografia (SPOILER ALERT)


Pacotinhos de Noção

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Vi hoje o documentário da Netflix, "A Rapariga da Fotografia". 

Um documentário de quase duas horas que nos mostra que Hollywood ainda não conseguiu inventar nada que se possa assemelhar com a realidade.

No fim destas quase duas horas de documentário posso dizer que sinto mais pobre anímicamente do que antes de o ver, e isto porque a minha percepção do quão horroroso pode ser o Homem, ficou mais apurada.

A história, real, começa com o atropelamento de uma rapariga de cerca de 20 anos, que acaba por falecer.

Dão-nos os dados principais e começamos logo o nosso julgamentozinho.

Uma miúda jovem, bonita, com um relacionamento com um homem mais velho, de quem tem um filho de 6 anos e que, ainda assim, trabalha em bares de strip.

Isto são os primeiros dados e não criamos grande empatia com esta rapariga, mas depois começam a surgir os relatos de quem a conhecia.

Tudo bem que já está morta e dos mortos só se fala bem, mas quem dava o seu depoimento mostrava real tristeza, e dá par perceber que sentem a falta daquela pessoa.

O que é um facto é que tanto as amigas, como enfermeiros do hospital onde a rapariga faleceria, perceberam que algo de estranho se tinha passado e avisaram as autoridades, autoridades essas que ao pegar no caso descobriram que o nome dado pelo marido era falso.

Isto é só a ponta do véu e dá para ficarmos maravilhados ao perceber como o FBI, com apenas algumas migalhas, conseguiu chegar a algumas conclusões acertadas.

Não vos vou contar mais, vou só deixar-vos os ingredientes principais e mais aterradores, mesmo sendo spoiler.  Depois cada um  decide se vê o documentário ou não.

O marido que a levou para o hospital, e que se crê que tenha sido quem provocou a sua morte, era afinal o seu pai, que era afinal o seu violador, e que era afinal o seu padrasto raptor, desde quando esta menina tinha uns 5/6 anos.

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Anos de tortura psicológica fizeram com que a rapariga fosse um boneco nas mãos deste homem, fazendo tudo o que ele lhe mandava, incluindo prostituir-se.

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Mais tarde a rapariga engravidou e teve um menino chamado Michael. O Michael passou a ser mais uma forma de chantagem para este homem.

Depois da morte da rapariga, o Michael foi entregue a uma família de acolhimento, e veio a provar-se que ele não era filho do monstro que lhe torturava a mãe.

Ainda assim, este bandido, foi a escola da criança, com uma arma, e raptou Michael.

Mais tarde confessou que poucas horas depois matou o menino de 6 anos, com 2 tiros na nuca, fazendo desaparecer o corpo.

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Temos já duas mortes nas costas desta coisa, que não é humana, mas o FBI deu, entretanto, com mais um cadáver de alguém, que se veio a descobrir então, ser uma amiga/colega da rapariga, que trabalhava no mesmo bar de strip que ela. Levou dois tiros na nuca, e é esta descoberta que faz com que este tipo seja condenado à pena de morte.

Mas como tudo isto se despoletou?

Basicamente foi devido a uma mãe que tinha demasiado energia entre-pernas, desculpem-me a expressão.

Suzanne Marie Sevakis, a tal rapariga atropelada, só veio a ter o seu verdadeiro nome revelado já após a sua morte. Tinha sido Sharon, tinha sido Tonya, já tinha usado mais uma série de nomes.

Foi a primeira filha de um casamento de dois jovens, Sandra e Cliff.

O casal vivia feliz, mas Cliff teve que ir para a guerra do Vietname.

Sandra não aguentou esperar, e quando Cliff voltou a sua mulher já estava casada com outro homem, e com mais dois filhos desse relacionamento. Mais tarde haveria de ter outra criança, mas acabaria por se separar também desse marido.

Vai morar para um parque de caravanas que acaba por ser fustigado por um tornado, fazendo Sandra perder até a casa. As crianças acabam por ser sinalizadas pela Segurança Social. Numa visita à igreja, onde Sandra chora, talvez com pena de si própria, surge um cavalheiro que lhe pergunta o motivo de estar assim. Depois de ela contar-lhe, ele propõe que se casem, para não perder os filhos... Ela aceita.

Para mostrar como os passos desta mãe de família são certos, acaba por ser apanhada pela polícia, por passar cheques falsos. Fica presa cerca de 1 mês, e quando volta cá para fora constata que os seus filhos desapareceram. Hoje sabemos que três foram institucionalizados e a Suzzane foi raptada pelo seu padrasto, e usada como mulher dele, ainda enquanto criança.

O que esta mãe fez, como qualquer mãe faria, foi correr meio Mundo, falar com todas as instituições possíveis e imaginárias para que a ajudassem a encontrar os filhos, certo? Errado.

Foi à esquadra mais próxima e quando lhe disseram que não podiam fazer nada porque o raptor era seu marido, ela encolheu os braços, e segue como se nada tivesse acontecido.

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O descaso desta "mãe", deu origem a 20 anos de sofrimento da filha que, imaginem só, mesmo com estes problemas todos passou pela vida de várias pessoas, marcando-as positivamente. Conseguiu ainda uma bolsa de estudo, paga a 100% para ir para a universidade, coisa que acabou por não acontecer, ao ter engravidado, e ter saído da cidade em que estava.

Originou o assassinato do neto, que nem conheceu, e ainda bem para o neto, porque seria alguém que não acrescentaria nada de novo na curta vida do menino.

Nesta história toda há muitas coisas perturbadoras. Não quero imaginar o sofrimento da menina, durante quase todos os seus 20 anos. O medo e o desespero do menino que, havia perdido a sua mãe recentemente, e a quem era tão ligado, e que acabaria por morrer às mãos do padrasto.

É também muito perturbador que no meio de tanta morte, esta mãe, embora velha e debilitada, ainda esteja viva, e que o assassino, violador, embora tenha apanhado pena de morte, ainda esteja hoje vivo também... Preso, mas vivo, e um dia pode ser até que veja a sua pena mudada, caso se proíba a pena de morte na Florida.

13
Mai22

Mamadou Ba, onde estás tu, pá?


Pacotinhos de Noção

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Na madrugada de 5ªfeira, 12 de Maio, a PSP abateu a tiro um indivíduo alemão que, munido de facas, agrediu e sequestrou um homem. Ao que parece este tipo era bastante grande e ainda conseguiu ferir um polícia. Foram feitas várias tentativas para que a resolução fosse pacífica, mas acabou por não ser possível, e a PSP foi obrigada a agir.

Perdeu-se a vida de alguém que ameaçava a vida de outrem. Para mim a PSP agiu em conformidade e de forma sensata... MAS, e nestas situações há sempre um enorme "MAS", e se o agressor, em vez de alemão fosse um indivíduo de raça negra?

Será que já teria vindo a público o grande defensor das causas raciais, Mamadou Ba?

O facto da pele do indivíduo que morreu ser clara não lhe dá o direito que a associação SOS Racismo venha dizer que foi um crime de ódio, ou desnecessário, ou que a polícia utilizou de força excessiva disparando primeiro e falado depois? Ou o SOS Racismo discrimina consoante a cor da pele e não defende brancos, ou hispânicos, ou chineses?

Não me interpretem mal, eu não penso que tenha sido cometido qualquer erro por parte da PSP, aquilo que faço é aproveitar esta notícia para sublinhar a incoerência e a hipocrisia de Mamadou Ba, de partidos como o Bloco de Esquerda, e da SOS Racismo. É que os argumentos que lancei atrás não foram inventados por mim, são argumentos que já vi utilizados pelo dirigente da SOS Racismo.

Tenho plena consciência de que em Portugal existe mais racismo do que aquele que o cidadão comum imagina, mas não tanto como Mamadou Ba quer fazer crer.

E isto acontece porque tem mesmo que existir racismo, ou pelo menos é assim que as figuras da associação esperam que se mantenha, porque se não houverem números expressivos que justifiquem manter-se aberta uma associação deste tipo, então acabam-se os financiamentos.

Não se iludam, Mamadou Ba e a SOS Racismo são como os sindicalistas e os seus sindicatos. Fazem barulho, muita das vezes, não porque seja necessário, mas, porque têm que se mostrar, visto que há cotas que têm que se cobrar.

Este é um assunto que tem sempre que ser mexido com pinças, porque há pessoas com susceptibilidades muito frágeis e aproveitam logo para começar a disparar acusações de racismo para tudo o que é lado.

Como é habitual, nos posts que coloco no Instagram, faço questão de mencionar as pessoas visadas no texto. Mamadou Ba não será excepção, e caso o senhor leia isto e tenha a infeliz ideia de dizer que sou racista, eu terei então que utilizar da minha forte capacidade argumentativa e dizer um magnífico "quem diz é quem é", e neste caso, mesmo sendo a afirmação infantil, é a mais acertada que poderia fazer, na hipótese de essa situação vir a acontecer.

05
Abr22

Recreio do demónio


Pacotinhos de Noção

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Tenho tentado não falar acerca da guerra.

Não por casmurrice ou pudor, não porque a queira esquecer nem fingir que não existe. Evito fazê-lo porque me custa genuinamente escrever sobre algo em que tenho a noção que não consigo fazer passar, por palavras, toda a ansiedade, toda a mágoa toda a impotência que sinto nesta situação. Não sou ninguém, na verdade, e peço desculpa por dizer-vos de forma tão crua, mas também vocês não são.

Podemos reunir bens, medicamentos, tudo e mais alguma coisa para enviar para a Ucrânia, mas o nosso peso na continuação ou não deste conflito, é nula. As decisões que realmente importam estão nas mãos duma pequena franja de gente, e mesmo esses estão dependentes da anuência de um doente, de um ser que julgávamos mais não existir, dum criminoso, dum ser nojento, dum autêntico filho da p*t@. Não é o tipo de linguagem que prefiro utilizar quando escrevo, mas neste caso é mesmo o que mais se adequa.

Diariamente temos acesso a notícias horríveis dos hediondos actos que têm sido perpetrados na Ucrânia. Desde casos de crianças atingidas por bombas, que lhes rebentaram ao lado, mas que ainda assim tiveram a sorte de sobreviver, a outros casos de crianças que não tiveram essa mesma sorte. Famílias inteiras chacinadas e outras que foram violentamente amputadas de um pai, uma mãe ou de um filho.

Vemos imagens do ataque deste fim de semana, em Bucha, onde foram mortos centenas de civis que já não viviam, apenas sobreviviam, mas nem isso os deixaram fazer. Fizeram da cidade um autêntico recreio do demónio, sendo que o pior deles todos mantém-se sentado, na sua cadeira de veludo, no Kremlin.

Qual é a justificação de nojentos como o Putin e o Lavrov, quando vemos imagens de civis mortos na estrada. São civis sem qualquer sombra para dúvidas, pois não envergavam nenhum tipo de camuflado, deslocavam-se em bicicletas, por exemplo, tentavam fazer o seu dia-a-dia comum, por muito pouco normal que isso possa parecer, dado que estavam em cenário de guerra, mas não tiveram outra hipótese. Não quiseram, não conseguiram ou não puderam fugir, apostaram as suas vidas e a aposta foi perdida, sem ninguém ter saído a ganhar.

O Kremlin, pela voz de Lavrov, já veio dizer que o ataque de Bucha, e outros alegados crimes de guerra, são mentira. São encenações. Este tipo deveria ter as entranhas puxadas para fora pela própria boca. Violência gera violência, e o mínimo que desejo agora para Putin, Lavrov, e todos aqueles que rodeiam e apoiam o iniciador desta guerra é que mais tarde ou mais cedo seja feita justiça e que seja, de preferência, popular, para eles poderem temer a ira daqueles a quem mais fizeram sofrer, porque se calha a serem julgados num tribunal de guerra é muito provável que nada de mais lhe aconteça, e sim, para mim se estes tipos apanharem perpétua e morrerem de velhos na prisão, isso será "nada de mais", pois não sofreram o suficiente.

Por incrível que vos possa parecer a verdade é que ainda assim existem pessoas que apoiam o Putin. Vi há uns dias um vídeo com 4 ou 5 velhas russas que, orgulhosamente, se vangloriavam de ser pró-Putin, considerando-se até tropas dele e que o defenderiam até à morte... Pois, que o defendam, e defendam bem, e que a morte chegue-lhes cedo, pois ao defender alguém que comete as atrocidades que ele comete, não são melhores que ele.

Tal como imaginava no princípio este texto não esclarece, este texto não informa, este texto não apazigua. Transparece a revolta que vou sentindo, que vai crescendo e que de nada vale. Não tenho crenças e fé em divindades, se existissem já teriam mandado um raio que rachasse ao meio o trampas do Putin. Durante anos eu afirmava que era no Homem que acreditava.

Um Homem evolutivo, pensador, bondoso, benevolente, um Homem que preza a paz... Mas esse Homem não existe. Poderão existir alguns homens e mulheres assim, e embora sendo eles grandes, GIGANTES até, o que é um facto é que são poucos e todos juntos não conseguem colocar um H maiúsculo na palavra Homem, porque a Humanidade está conspurcada, está violada, oprimida e amordaçada por líderes políticos que de líderes não têm nada e que são fruto duma sociedade cada vez mais mesquinha, violenta, oportunista e sem empatia.

Não desejo uma Guerra Mundial, mas desejo a morte. Desejo a morte daquele que tantas tem causado. Bastava que houvesse a alma caridosa que lhe desse um tiro na testa, e o Mundo ficaria melhor.

Lamento por estas linhas tão lúgubres e funestas, e que nada trazem de positivo, mas servem-me de desabafo.

Tenho mulher, tenho filhos, tenho amor, sou feliz... Tantos que podiam afirmar isto, até há bem pouco tempo, e que agora nada têm. Não quero ser essa pessoa, e o facto de estarmos aqui metidos num dos cantos da Europa pode ser benéfico para nós, mas estando o Mundo a arder, mesmo ficando Portugal salvaguardado, como iríamos viver? Espero não vir a saber.

13
Fev22

Maluco Tristeza


Pacotinhos de Noção

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Que era maluco já todos sabíamos, mas nos últimos dias têm chovido comentários e posts nas redes sociais, principalmente no Instagram, a afirmar que Bruno de Carvalho pratica violência doméstica para com a Liliana.

Para se conseguir mais umas quantas partilhas até se fazem cartas abertas ridículas para a TVI. E considero ridículas porquê?

Porque se realmente o tipo tem sido abusivo, e uma vez que o faz em televisão nacional, as meninas Carolina Deslandes e  Francisca Magalhães Barros (e sendo uma figura pública e a outra auto intitulada activista) a coisa certa que têm a fazer, em vez de cartas abertas bacocas e partilhas de vídeo que em nada adiantam, seria apresentarem uma queixa formal na esquadra mais próxima delas, contra Bruno de Carvalho. Afinal de contas violência doméstica é crime público.

Se querem saber a minha opinião digo-vos que é um comportamento abusivo, que a Liliana como mulher que se afirma como empoderada deveria fazer com que acabasse. Não estamos a falar de alguém que possa vir a ter repercussões, porque se há sítio onde pode mandar Bruno de Carvalho à fava, esse sítio será no próprio programa. Não lhe faltam testemunhas e até quem a proteja. Não é uma situação semelhante à de uma mulher que tenha que conviver entre quatro paredes só com o marido, sem ter ninguém que a ajude.

Mas às duas "activistas" sugiro esse passo.

Ajudam uma mulher, punem o agressor e ficam com o sentimento de dever cumprido...

Poderão é não conseguir tantos gostos, partilhas e serem trends.

03
Out21

Ser ou não ser? Eles não são


Pacotinhos de Noção

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Há algumas personalidades que me irritam particularmente. Duas delas são Joacine Katar Moreira e o suposto humorista, Diogo Faro.

Irritam-me porque são pessoas, uma delas até com um cargo político de relevo, que aproveitam a sua mediatização para lutas propagandeadas como essenciais, mas que depois mostram que usam grandes espingardas que apenas disparam tirinhos de fulminantes.

Os exemplos são imensos, mas aquele de que quero falar é apenas um. O racismo.

Tanto um como outro enchem a boca para afirmar que existe racismo no país, que as pessoas são catalogadas pela cor da pele e que tal não é admissível em pleno século XXI.

Se existe ou não racismo no país, não posso afirmar. Posso afirmar que temos uma grande percentagem da população que é ignorante. Uns são ignorantes e têm falta de educação, proferindo por vezes comentários que poderão ser considerados racistas, derivado a esses dois atributos.

Exemplo disso é, em conversa com alguém que nem conhecem bem, referirem-se a António Costa como o "monhé", ou que foram à loja dos "chinocas", pensando que ao falar desta maneira estão a ser hilariantes. No seu âmago nem se estão a referir com o intuito de ofender porque "em casa, com a família, até falam assim na brincadeira" mas a verdade é que não estão casa, não estão com familiares e até podem mesmo estar a ofender. Mas isto é a ignorância aliada à falta de educação, como disse atrás, e também misturada com algum preconceito, que as pessoas limitadas inevitavelmente têm.

Depois temos os ignorantes do outro lado da barricada. Os activistas de causas emprestadas, que de próprio não têm nem os argumentos. Aqueles que pegam em qualquer situação para fazer um festival contra a opressão do povo branco contra minorias, mesmo quando as minorias não se revêem naquilo que eles estão a defender. Os activistas que querem deitar abaixo monumentos, espartilhar toda uma sociedade, obrigar a uma inclusão que é feita de uma forma que tem tudo menos o ser natural, e apagar o passado enquanto acendem o lume de uma fogueira ateada à base de livros do Tintin, do Astérix e do Lucky Luke.

Estas pessoas irritam-me porque deixam de parte o que verdadeiramente importa, e que é a luta contra os que realmente são perigosos. Os que já cometeram crimes de ódio, tornaram a cometer e têm orgulho em demonstrar que o vão continuar a fazer.

Dia 1 de Outubro faria 54 anos Alcindo Monteiro. Faria mas não fez. Na realidade deixou de fazer anos aos 27, quando foi morto numa visita ao Bairro Alto, a 10 de Junho de 1995. Para nós, o dia de Portugal, para ele o seu último dia, para os assassinos, o dia da raça

Pelo nome quase ninguém sabe de quem estou a falar, mas se eu disser que Alcindo Monteiro é o rapaz preto que foi morto no Bairro Alto, pelo grupo liderado pelo skinhead Mário Machado, os Hammerskins, já grande parte se lembrará.

Vamos lá ver, Alcindo teve na verdade um azar do caraças, e estava mesmo a pedi-las.

Primeiro era preto, logo ai estava mesmo a pedi-las, e depois teve azar porque a grupeta das cabeças rapadas bateu em tanta gente naquele 10 de Junho, sendo que mais ninguém morreu, por isso foi só azar.

Alcindo foi morto porque era preto. Todas as outras pessoas que foram agredidas naquele dia foram-no por serem pretas, e não morreu mais ninguém por mero acaso. Os Hammerskins têm um currículo de agressões qie mais parece uma bíblia, de tantas páginas que tem. Desde agressões com recurso a armas brancas, tacos de basebol, murros, pedradas e pontapés. Está lá tudo.

Houve condenações neste caso. As mais altas de 18 anos, as mais baixas de 2 e meio. Mesmo que tivessem cumprido toda a pena (que não cumpriram) já estavam cá fora, como estão, e estando já voltaram a cometer crimes da mesma tipologia. Se bem que agora a escolha é variada. Agridem pretos, chineses, indianos, ciganos, paquistaneses, homossexuais e até pessoas que se intrometam nas agressões que eles perpetram.

As autoridades têm conhecimento que existe esta organização, o Governo também. Não se escondem e têm páginas nas redes sociais. Aliás, a possibilidade de vir a ser invadido e ofendido por comentários destes acéfalos é grande, porque o esgoto da sociedade parece que tem radares. Quando falam deles acabam sempre por ficar a saber e, por incrível que possa parecer, há sempre alguém que por acaso até está de acordo com algumas ideias que eles apresentam, "mas não concordam com as agressões".

Isto não existe. Concordar com uma vírgula, de algo que organizações como a Hammerskin defenda, é estar a validar tudo aquilo que fazem.

Estes são os verdadeiros crimes de ódio que devem ser julgados e cujas penas deveriam ser exemplares. 18 anos para quem tira a vida a outro, sem nenhum tipo de justificação!? Isto foi matar pelo simples prazer de o fazer, e como tal deveria haver excepções à lei e aplicar prisão perpétua, sem hipóteses de recurso. Não me venham com a desculpa de que errar é humano. Estes tipos não são humanos. São monstros que andam entre nós. Camuflam-se por entre claques de futebol, pois é outra forma de validar pancadaria, e quando não há futebol vão à procura das suas vítimas que hoje há-de ter sido alguém, mas amanhã podes ser tu ou um outro alguém, mas que seja da tua família.

É por isto que os tais activistas da esquerda caviar me dão nervos. Apelidam tudo de racismo ou crimes de ódio, e quando há estes que são MESMO crimes raciais e de ódio, a sociedade acaba por não estigmatizar os criminosos, com tanta força como deveria fazer.

De que me interessa ter vergonha no passado. Não posso ter vergonha de algo que não fiz. É passado e lá ficará. Aquilo que tenho é vergonha do presente e temor pelo futuro, porque se de um lado temos os extremismos bacocos de políticos e figuras públicas como a Joacine Katar Moreia e Diogo Faro, do outro temos verdadeiros extremistas que já provaram que para eles matar é mais simples do que conjugar o verbo "Ser". Até porque Ser, eles não são nada.

17
Fev21

Ninguém é melhor do que ninguém


Pacotinhos de Noção

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O CARAÇAS, é que não é.

Esta é daquelas mentiras que de repetidas tantas vezes quase que passa a ser verdade, ou então é daquelas frases que muitos dizem só porque fica bem e não têm coragem de defender o que realmente sentem.

Tenderia a concordar se a frase fosse "ninguém nasce diferente de ninguém", mas ainda assim podiamos ter em consideração que uns nascem a chorar, outros não, uns nascem facilmente e outros têm que ser puxados a ferros.

Não aceito que possam dizer que eu não sou melhor do que o pai e a madrasta da Valentina, por exemplo. Acredito que 90% da população seja melhor do que dois trastes que tiram a vida a uma inocente criança que não fez mal a ninguém, não o pode ter feito. Para fazer mal a alguém teria que ter vivido o suficiente para conseguir ser maquiavélica e uma menina de 9 anos difícilmente o conseguiria ser.

Todos são inocentes até prova em contrário, mas aqui não há necessidade de prova, uma vez que estes seres podres e rasteiros já confessaram, muito embora tenha sido uma confissão em que tentam imputar a culpa um no outro. Não é de admirar, porque deste género de pessoa a surpresa seria se tivessem um gesto de nobreza ou arrependimento, mas não.

Na verdade estes dois nojentos são vítimas. Afinal de contas, quem comete este tipo de atrocidade tem sempre uma franja da sociedade que os defende ou justifica, dizendo que a vida os fez caminhar em direcção à má vida e criminalidade, e que não podemos dizer que não fariamos o mesmo. Bardamerda a quem tiver sequer este tipo de pensamento.

A conclusão é só uma. Há pessoas más, há pessoas MUITO más, e dizerem que ninguém é melhor do que ninguém é estarem a colocar toda uma sociedade ao nível de esgoto a que este Sandro e esta Márcia se nivelam.

Tenho filhos, e se pingam do nariz já não fico descansado... Há sempre alguém melhor do que alguém, e melhores que eu são aqueles que acham que estes dois não deveriam enfrentar uma prisão perpétua... no mínimo.