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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

01
Out21

Adeus, máscara amiga


Pacotinhos de Noção

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No dia da Libertação Feminina dos anos 70, houve um gesto simbólico que foi a queima de soutiens. O que agora pergunto é se neste dia de libertação sem género, porque a todos abrange, alguém vai queimar a sua máscara?

Os soutiens queimaram-se mas hoje ainda se usam, porque por mais má vontade que houvesse para com os mesmos, ninguém poderá negar o seu valor e necessidade, quer para o conforto das senhoras, quer até para a sua saúde.

Em relação ao conforto não há volta a dar. As máscaras não são minimamente confortáveis e temos uma pequenina amostra de como se sentiu o irmão gémeo de Luís XIV, no romance de Alexandre Dumas, "O Homem da Máscara de Ferro". Claro que uma máscara de TNT (Tecido Não Tecido) não terá fisicamente o mesmo peso que uma de ferro, mas moralmente pesa que se farta.

Falo das máscaras como se fosse passado porque com o levantamento das restrições vamos poder andar bem mais à vontade, mas será que vamos mesmo?

Iremos todos sentirmo-nos seguros o suficiente para deixar andar de máscara? Sabem aqueles sonhos em que estamos nus num lugar público e desesperamos por um sítio onde nos possamos esconder? Não sabem! Eu também não, foi um amigo que me contou.

Mas será que vamos passar a sonhar que estamos sem máscara e que temos que a colocar a todo o custo?

Tenho que admitir que de início me custou bastante, mas entretanto habituei-me e até passei a apreciar, porque pelo menos durante uns meses ao ter a cara tapada posso ter passado por bonito. Ou menos feio, vá. A partir de agora lá vou ter as pessoas todas a atravessar de novo para o outro lado da estrada, só para não se cruzarem comigo.

Mas o que mudou realmente, a partir de hoje?

Eu, por exemplo, hoje já durmo sem máscara, mas amanhã durante o dia não sei. A verdade verdadinha, é que até agora passei por esta pandemia imaculado. Não tive COVID (pelo menos acho que não) e nem tampouco fiz nenhum teste, pois nunca tive algo que se pudesse sequer confundir com sintomas da doença.

Lavei as mãos que me fartei, mas já o fazia antes por fui habituado a usar uma coisa esquisita que dá pelo nome de asseio.

Desinfecto as compras e tenho que começar agora a habituar-me à ideia de que tenho que deixar de o fazer, para começar a perder menos tempo antes de as arrumar e para que me comece a sentir um pouco mais normal. Limpar o rabinho a um pacote de arroz carolino é coisa de gente doida.

Mas parece que aos poucos tudo volta ao antigamente. Às 6as à noite vão haver mais bêbedos na rua, no Sábado de manhã vão haver putos bêbedos na rua, e durante os outros dias e a qualquer hora, sem limite, vão haver mais bêbedos da rua. Agora vejo que com isto dos confinamentos as empresas que vendem álcool também tiveram um rombo enorme. Central de Cervejas, se precisares de 4 ou 5 €, estamos aqui.

Se fosse uma tia velha, ou alguém que dá conselhos quando não lhos pedem, sugeria que andem à vontade, mas continuem a ter cuidados, para que isto não descambe novamente.

Força no dia da libertação e queimem o vosso soutien... Máscara, digo.

 

16
Mar21

Postigo, sinónimo de segurança?


Pacotinhos de Noção

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Os mais novos não sabiam o que era um postigo, os mais velhos já nem se lembravam e a mim não me fez confusão nenhuma a reutilização desta palavra, porque nunca tinha deixado de a usar.

A porta da casa da minha mãe tem um postigo. Sempre teve e por isso o postigo ser sinónimo de segurança não é para mim novidade. Hoje o postigo utiliza-se de forma a criar uma barreira contra o Covid. Quando eu era miúdo servia para ver, por detrás da cortina, se quem batia à porta era o tipo para cortar a luz, ou o das mensalidades dos cobertores e optar por abrir ou não a porta. Eles tinham o mau hábito de vir cobrar em alturas que a minha mãe não tinha dinheiro, que durante o mês eram cerca de 27/28 dias. Mas estas situações fizeram do postigo algo muito presente no meu dia a dia.

Agora, que já sou adulto, o postigo da minha mãe ainda lá está. Os tempos são diferentes e já não se compram cobertores a prestações... na verdade já nem se compram cobertores, vivemos na era dos edredões. Mas o postigo volta a estar presente e embora lhe guarde muito boas recordações este novo postigo não me agrada assim tanto. É não só um postigo de segurança mas é também um postigo que serve de desculpa para desconfinar alguns negócios mas sem fazer, na realidade, nada por eles. Como é que uma sapataria ou uma "boutique" consegue fazer venda ao postigo? Vou comprar uma camisola e tento dar as melhores indicações possíveis ao funcionário, para que ele me traga o que quero ao postigo? E para experimentar, como vai ser? Experimento ali, junto ao postigo ou levo para casa e se estiver mal trago de volta? É que se for assim sou obrigado a andar o dobro das vezes na rua, fugindo assim ao confinamento que se continua a querer rígido.

O postigo faz sentido em coisas como cafés, padarias, pastelarias, até em sapateiros, mas em lojas de roupa, e todas as outras em que há uma necessidade de experimentar algo, o postigo não ajuda muito. Percebo que se queira manter o nível de transmissão baixo, mas não faz sentido não poder usar os provadores de uma loja de rua (que não tem o mesmo nível de afluência que uma de centro comercial) mas possa ir ao barbeiro ou até fazer uma tatuagem, cuja possibilidade de transmissão é bastante maior.

Voltando a coisas da minha infância, como era o postigo da casa da minha mãe. Este vírus parece aquela pessoa chata e inconveniente que veio fazer uma visita sem ser convidada, e quando essa pessoa aparecia o meu pai punha uma vassoura, de pernas para o ar, atrás da porta. Dizia que mandava essas visitas embora. Acho que está na hora de medidas drásticas, por isso é melhor pormos todos a vassoura atrás da porta. Daqui a uns dias, quando o vírus desaparecer, não necessitam de me vir agradecer.

10
Mar21

Fim do mundo (s)em cuecas


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Finalmente vai começar o desconfinamento. Vai ser por fases, bem sei, e uma das fases que mais me interessa ainda não sei quando vai desconfinar.

Estou desejoso de um cafézinho, ou de uma bebida numa esplana. Não me importava de ir a um restaurante ou de assistir a um bom filme no cinema, mas aquilo que preciso mesmo, aquilo que me está a fazer uma falta enorme é poder ir comprar roupa aos meus filhos.

Atenção, isto não é uma vontade, é uma necessidade de maior importância. Quem como eu tiver filhos em fase de crescimento, há-de estar a ter este mesmo problema. Em crianças de meses e de 3/4 anos, 2 meses de confinamento traduzem-se em roupa que deixa de servir, pijamas que já ficam pelos tornozelos e pelos cotovelos, cuecas que já nem nas orelhas lhes servem.

Foi bastante estúpido deixar de permitir que se compre roupa nos supermercados, porque este item é realmente um bem de primeira necessidade. Quem achar que não sugiro que tente só ir fazer um pequeno passeio higiénico com cuecas apertadas nas virilhas e ténis que são já um número abaixo. A opção de andar sem cuecas não está em cima da mesa, pois ai o passeio de higiénico passa a não ter nada.

Bem sei que posso sempre encomendar online, mas o online para roupa é quase como jogar à roleta russa, e no caso de roupa para crianças a roleta russa tem as balas todas e apenas uma câmara vazia.

Sempre ouvi a expressão "Isto é o fim do mundo em cuecas" mas neste caso em específico, o fim do mundo até sem cuecas nos deixa.

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