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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

15
Out21

Valor€s mais altos s€ l€vantam


Pacotinhos de Noção

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Com esta moda de falar em alta-voz não rara é a vez em que ouvimos conversas que deveriam ser privadas mas que, não se resguardando o interlocutor, também não serei eu a ter que me mobilizar de forma a não ouvir. Neste caso concreto até nem podia porque foi no meu local de trabalho, e por mais que eu quisesse dali sair, e acreditem que queria, mesmo que não estivesse ninguém a falar ao telefone, não o podia fazer.

Falo nesta conversa porque mais tarde vi também uma notícia que acaba por emparelhar com aquilo que ouvi e que demonstra claramente a falta de afecto e valores que vivemos.

Uma tipa na casa dos seus 50, relatava a alguém pelo telefone, e de forma divertida, quão a sua mãe já estava demente, pois foi ao lar e ela já nem a reconhece. Comentou como a mãe não se lembrava que ela esteve lá ontem, que a outra filha agora morava Espanha e que nem fazia ideia de que ia mudar de centro de dia.

Momentos divertidos à parte, e aqui a gravidade na voz mudou, o que a estava a preocupar mais era se a mãe conseguiria assinar a procuração que entregaria ao Banco de Portugal, para ela ter acesso às contas bancárias. Era imperativo que conseguisse para conseguir movimentar as contas antes da irmã.

Já com o pai o conseguiu fazer e convinha que com a mãe também o conseguisse porque senão depois só nas partilhas.

Falou também se haveria de vender ou alugar a casa da mãe. A do pai alugou, mas a da sogra vendeu porque não estava em bom estado e não queria perder dinheiro.

Ao ouvir estas palavras não consegui nunca dissociar de que aquela pessoa estava a falar de quem lhe deu a vida, de quem a viu nascer, quem a acompanhou no seu processo evolutivo e quem esteve provavelmente a seu lado nos momentos mais importantes. Tudo bem, posso estar a especular, e a verdade é que os pais desta pessoa falharam redondamente, porque os valores pelos quais ela se rege são apenas os monetários e os do oportunismo e se assim é é porque hão-de ter falhado na educação da filha. Ou então não. Se calhar até nem falharam e não nos podemos esquecer que somos seres individuais e que a partir de determinado momento, mesmo tendo por base uma boa, ou má, educação, somos nós que escolhemos o caminho que queremos percorrer. O final desse caminho ninguém conhece, mas a forma como o fazemos cabe a cada um de nós decidir. Claro que há sempre aqueles que escolhem o caminho mais complicado ou tortuoso e culpam os seus ancestrais, os seus descendentes, os seus iguais e os seus diferentes, nunca admitindo que o único grande culpado é apenas ele mesmo.

Ouvindo as palavras daquela filha vinha a mim a imagem daqueles filmes de cowboys em que um tipo está abandonado no meio do deserto e os abutres ficam ali, sempre a rondar o indivíduo, à espera que se torne a carniça que tanto anseiam por devorar.

Neste caso estou a falar de filhos que enterram os pais ainda vivos para assim usufruírem daquilo que eles lhes deixarão, caso contrário ser-lhes-á arrancado. E pais que não honram o compromisso de amor que deveriam ter feito com os filhos e que acabam por mostrar que às quatro letras da palavra amor se sobrepõem as cinco que compõem "guito" e "pilim".

Este assunto é controverso mas não é por isso que não lhe toco...

Vi hoje nas notícias que o ex-dux João Gouveia foi absolvido de pagar uma indemnização aos pais das vítimas da praia do Meco. 225 mil euros a cada um. Os pais vão recorrer desta decisão.

Não duvido, nem quero sequer imaginar o sofrimento daqueles pais por terem perdido os filhos, e também aqui, numa tentativa de justificarem o fim da vida daqueles que amavam, tentam imputar a culpa a todo e qualquer um, menos àqueles que foram os maiores culpados e que pagaram o maior preço que se pode pagar e que são os próprios filhos. Mas dizer a um pai que a culpa da morte do filho é do próprio filho é cruel.

Mas e quanto vale a vida e a memória de quem amamos? Quanto dinheiro é necessário para amenizar a dor de um pai que não mais abraçará um filho, tapar o buraco que fica no peito e que sangra sem parar? E que pai é esse, que em lugar de lutar para conseguir que seja preso aquele que considera ser o responsável pela morte da sua cria, ou para conseguir fazer com que sejam proibidas as praxes, luta antes para conseguir uma quantia em dinheiro?

Haverá quem argumente que o dinheiro não é compensatório mas que servirá para punir o responsável. Isto são opiniões e a minha está bem explícita acima. Os responsáveis pagaram com a vida e a eles o dinheiro não lhes trará qualquer tipo de benefício ou prejuízo.

Sendo frio e arriscando-me a ser apelidado de besta, só consigo pensar nos tais abutres dos filmes de cowboys. Se no primeiro caso era a filha a querer beneficiar de uma morte anunciada e mais que esperada, aqui temos pais a quererem beneficiar de uma morte inesperada mas que, passando o período do luto, pensam que algum hão-de conseguir fazer com que lhes entre no bolso. Pelo menos era o que esperavam.

A minha fé na humanidade é nula. Não falo por causa da retirada dos americanos da palestina, ou por causa da fome no Mundo ou na falta de respeito pela natureza. Essas são aquelas causas que ficam bem dizer que se defendem, tal como a sororidade, por exemplo. Estas são causas de lutas perdidas porque não és tu, Zé Manel que lê estas linhas, que vais conseguir mudar o Mundo neste sentido, porque o Mundo não quer mudar. Todas estas causas têm políticas envolvidas e por muito que nos custe, nós para os políticos somos apenas números... Não se iludam com a treta de que o "Estado somos nós". O estado somos nós para pagar e para votar, nada mais. Se queremos que realmente alguma coisa mude comecem por mudar em casa. Amem os vossos filhos e os vossos pais para que eles percebam que têm alguém para quem são importantes. Assim os pais viverão os dias que lhes restam com alguma alegria, no meio desta podridão que é a sociedade, e os filhos, sabendo o que é amor e empatia, poderão aos poucos ir fazendo com que esta podridão seja menos podre. Não vai mudar já na geração a seguir. Isto é como quando nos tornámos bípedes. Não nos levantámos e andámos, levou uma eternidade até endireitar a espinha com orgulho. Um orgulho que cada vez vai sendo mais difícil de manter.

24
Set21

Adorava chafurdar na lama


Pacotinhos de Noção

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Estou a pouco, mesmo muito pouco, de me tornar um porco capitalista.

A parte do porco chego lá com facilidade, a do capitalista são precisos alguns itens de que, infelizmente, ainda não disponho, sendo que o principal é o dinheiro.

A hipocrisia social tende a desprezar e até a ostracizar quem se assuma capitalista, mas o que é um facto é que de médico, louco e capitalista todos temos um pouco, mesmo que não seja à vista.

 O meu amigo quer carro? É capitalista.

Casa? É capitalista. O novo Iphone, a Playsation 5, vais aos MacDonalds ou ao Starbucks? És capitalista. E tudo isto é verdade. Trabalhamos não porque gostamos e mesmo que se goste daquilo que se faz, quantos dos que estão a ler seriam capazes de ir trabalhar sem ganhar ordenado? Nem um e percebo bem porquê.

Primeiro porque há contas para pagar, e depois porque há coisas que por mais básicas que sejam, temos sempre que comprar ou porque queremos apenas comprar. 

Acho sempre imensa piada quando nas notícias fazem uma reportagem com uma família inglesa ou holandesa, que escolheu Portugal para viver e que vão fazê-lo apenas com o que a natureza lhes dá, e da forma mais sustentável possível.

 E a reportagem inicia assim:

"Cansados da azáfama, e da sociedade capitalista em que estavam inseridos, Brunswichk e Antje pegaram nos seus filhos, viraram costas à Holanda e mudaram-se para uma pequena quinta que compraram no Algarve, onde se alimentam apenas daquilo que a terra lhes dá. De forma a serem mais sustentáveis, instalaram painéis fotovoltaicos..." - PÁRA TUDO. 

Então instalaram painéis fotovoltaicos na quintazinha que compraram? Porra para eles e porra para a reportagem.

Fogem da sociedade capitalista sendo capitalistas? Porquê?

Eu respondo porquê, porque o capitalismo não é uma doença, o capitalismo é a naturalidade das coisas e sempre foi assim. Mesmo noutros tempos em que era praticada a troca direta, em que uma galinha dava direito a um saco de farinha e uma saca de batatas a uma dúzia de ovos, o gajo que criava os porcos tinha sempre mais quem com ele queria trocar do que o gajo que só tinha estrume para a troca.

Chamo a atenção de que até mesmo o comunismo, essa ideologia tão magnífica e que tantos frutos deu à humanidade, que foi inventada por Karl Marx, filho de senhores de classe média alta, e Engels, filho de um industrial rico, assenta no princípio de que para o próprio comunismo existir, tem que beber da fonte do capitalismo. Porque dividir lucros é bonito, mas esses lucros só existem se houver trabalho e dinheiro a circular.

Eu percebo que grande parte das pessoas, quando se refere ao capitalismo, está a querer dar ênfase aos patrões que exploram os trabalhadores, aos parcos ordenados, aos lucros excessivos... Lucros excessivos que para mim são uma falácia. Um lucro nunca é excessivo e se alguém cria um qualquer negócio, obviamente que vai querer lucrar o mais que puder. É legítimo e até salutar que o faça, desde meio que esse lucro advenha daquilo que produz e vende, e não de cortes de pessoal e extensão de horas trabalhadas, sem a devida compensação.

O problema aqui acaba mais uma vez por ser o pessoal hipócrita que quer mandar abaixo o capitalismo, mas apenas aquilo que geralmente não usam ou não gostam. Ou então nem querem mandar nada abaixo, pois têm consciência de que aquilo que dizem são apenas palavras ocas mas que gritadas aos quatro ventos fazem-nos parecer pessoas transcendentes que sabem viver melhor que os outros. Pelo menos é o que as fotos, tiradas com os seus Iphones, dão a entender.

Já eu volto a dizer que quero ser um capitalista.

Anseio pelo dia em que não tenha que me preocupar se há ou não saldo suficiente para o débito desta ou daquela conta inesperada. Quero poder consumir sem pensar se aquele dinheiro me vai fazer falta e quero poder acender os meus charutos, utilizando como isqueiro uma nota a arder. Eu nem fumo, mas passo a fumar só para fazer esta extravagância. Ou então acendo o charuto a alguém, só para não dar cabo da minha rica saúde.

E sim, já agora emprego umas quantas pessoas numa qualquer empresa, só para as poder explorar e assim ser um porco capitalista a 100%

Enquanto isso não acontece, vou-me divertindo a ver os "comunas" capitalistas a apregoarem uma coisa e a fazerem outra.

20
Set21

Ah "ganda" macaco!!


Pacotinhos de Noção

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Este calvo e simpático senhor é Duarte Lima. Grande parte saberá de quem se trata mas para os desinformados faço um pequeno resumo.

É um bandido.

Faço esta afirmação com convicção porque de momento o ex-político até se encontra detido por burla qualificada e branqueamento de capitais.

Escrevi ex-político mas não o deveria ter feito. A política é como a sarna, mete-se na pele e para que saia é um sarilho.

Definir o currículo de Duarte Lima como sendo só bandido é redutor, e até injusto.

Nascido em Miranda do Douro só pode ser boa pessoa. É comum dizer-se o quão boas são as pessoas de Trás-os-Montes e Duarte Lima não há-de ser excepção. É isso e ser desprendido, uma vez que sendo um de nove irmãos, a partilha há-de ter sido valor forte que tem presente até hoje.

Foi deputado da Assembleia da República e Presidente do Grupo Parlamentar do PSD, tacho... perdão, cargo que perdeu quando foi alvo de suspeitas de ocultação de património, tendo colocado grande parte daquilo que era seu em nome de uma sobrinha com poucas posses.

Um pequeno erro que certamente não se tornaria a repetir.

Estava a brincar. Viria a repetir-se e até pior. Duarte Lima é suspeito de ter assassinado uma sua cliente no Brasil, que terá feito uma transferência no valor de 5,2 milhões de euros para a conta do advogado, com o intuito de que os seus filhos não lhos tomassem.

E não tomaram. Tomou antes o carequinha português, alegadamente. O que não é alegadamente é a velhota ter sido morta a tiro.

Duarte Lima fugiu para Portugal e houve depois todo um bailado de processos, trânsitos em julgado, decisões e indecisões.

Esta introdução toda para quê? Para uma pergunta muito simples.

QUANTOS, daqueles 230 deputados ( não interessa de que partido) têm comportamentos hediondos e criminais como os de Duarte Lima, mas que passarão por entre os pingos da chuva e nunca serão criminalizados?

Haverá ainda alguém que defenda que Portugal é um país de políticos sérios, e onde não existe corrupção, como se ouvia à boca pequena nos finais da década de 80, princípios de 90.

Era uma daquelas mentiras que se tornaram numa quase verdade absoluta, para a população desinformada.

Era a treta de não haver corrupção e a de termos das melhores polícias judiciárias da Europa.

Até acredito que a maior parte dos deputados da Assembleia sejam homens com uma seriedade aceitável, mas tenho a certeza que não seria preciso escarafunchar muito para encontrar mais uns 3 ou 4 Duarte's Lima, talvez até com currículos criminais mais extensos do que o dele. Bem escondidos, mas mais extensos.

Gostaria de referir que Duarte Lima continua a receber uma subvenção vitalícia de 2200 euros por mês, o que a mim me parece escandaloso. Qualquer político que seja condenado por um crime deveria perder todas as benesses que aufere, como resultado de cargos políticos que tenha ocupado e que usou para assim obter os seus intentos criminosos.

Finalmente veio a decisão de que o advogado vai ser julgado em solo português.

Parece não ser a hipóteseque mais lhe convém, mas o que é verdade é que já numa primeira instância os tribunais portugueses, mesmo confirmando que houve a transferência dos cerca de 5 milhões para Duarte Lima, disseram não ser possível afirmar que o ex-deputado tenha assim cometido o crime de abuso de confiança.

Pouca fé vou tendo na justiça portuguesa, principalmente quando quem está no banco dos réus é um político, mas será que vai haver coragem para condenar o homem por este crime, que até aconteceu do outro lado do oceano, como se isso retirasse gravidade ao acto?

Haverá quem diga que condenarão, se for caso disso, uma vez que ele agora até está preso. Mas está preso a cumprir uma pena de 3 anos e meio, que é apenas uma fracção da pena total deste crime pelo qual foi punido.

Os políticos portugueses fazem-me lembrar os antigos filmes do faroeste, em que mesmo havendo um Xerife, quem mandava na cidade eram os bandidos.

Todas as semanas vão saindo notícias de erros judiciários ou condenações que não aconteceram, e nalgumas até dá para ficarmos incrédulos.

Ou foi porque a prova não serviu de prova porque foi entregue tarde demais, ou porque a escuta não foi autorizada por um juiz, ou porque os prazos do julgamento não foram cumpridos.

Sinto cada vez mais que vivemos numa república das bananas mas em que nem os macacos conseguimos ser. Os macacos são eles, e os bananas somos nós, que somos devorados, sem nada podermos fazer.

08
Jun21

Quando a esmola é pouca, o pobre não aceita


Pacotinhos de Noção

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Há uns tempos ouvi falar de países onde a gorjeta em restaurantes já começa a ser obrigatória. É cobrada como uma taxa e até vem descriminada no recibo. O valor varia entre os 15% e os 20% do total consumido.

Tenho algumas reticências em pagar uma gorjeta pré-definida, porque desta forma o objectivo principal da gorjeta, que é o de gratificar alguém quando usufruímos de um bom serviço, deixa de fazer sentido. Tenho até para mim que, sabendo que a gorjeta já está definida, algumas das pessoas que possam beneficiar dessa mesma gorjeta, nem sequer se esforcem o suficiente para a receber. Não é preciso, está garantida.

Tenho por hábito deixar gorjeta quando sinto que realmente fui bem atendido ou quando, mesmo que o serviço não tenha corrido bem, constate que houve esforço, ou vontade, por parte de quem estava a trabalhar.

Por cá esta moda ainda não pegou.

A que tem vindo a ganhar destaque é outra. É a do donativo com montante mínimo obrigatório.

Há dias, na bilheteira de um sítio com peixes, em Lisboa, enquanto comprava os bilhetes, o funcionário perguntou-me se eu queria fazer uma doação para determinada Fundação. Dei 0,50€ mas qual não foi o meu espanto quando o rapaz disse: " Faltam 0,50€."

Meio parvo balbuciei um "Desculpe, não percebi!" e o simpático rapaz, que apenas estava a fazer o seu trabalho, explicou-me que só aceitavam doações acima de 1€ e, como tal, ainda faltavam 0,50€.

Perguntei se havia um limite máximo, ele respondeu que não, só mínimo, então passei um cheque no valor de 250€, agradeci e vim embora...

Apanharam-me na mentira porque obviamente que hoje em dia ninguém usa cheques, mas a verdade é que além de não passar nenhum cheque ainda voltei a guardar os meus 0,50€ no bolso.

Não é pelo valor em si, mas sim pela atitude, não do rapaz mas da instituição. Então os meus 0,50€ não são bons o suficiente para fazer doações, mas 1€ sim! 1€ mais não é que duas moedas de 0,50€, mas com uma roupagem diferente.r

Irrita-mem bocado esta mania que é a falta de vergonha de quem pede. Agora é hábito haver um valor mínimo.

Reparem que até os tipos que vêm pedir umas moedinhas para o comboio, ou para comer qualquer coisinha, já não pedem umas moedinhas, aparecem e perguntam se não temos 0,50€ ou um eurinho. São eles que nos gerem as finanças

Sempre ouvi duas coisas. Que quem dá o que tem, a mais não é obrigado e que a cavalo dado não se olha ao dente, mas estes dois dizeres agora deixam de fazer sentido.

Quem dá o que tem muitas das vezes tem vergonha do que tem, porque o cavalo que está a dar pode ter dentes pouco saudáveis e hoje em dia quem recebe quer receber um cavalo com aqueles implantes do Maló que deixam os dentes todos branquinhos e direitinhos que parecem até as teclas de um piano.

Até no Banco Alimentar já inventaram cartões em que pagamos um valor monetário para que depois supostamente, seja convertido em feijão, grão, atum ou arroz, mas a verdade é que aquilo que fizemos foi doar dinheiro.

Resumindo:

Ainda não existem em Portugal restaurantes com gorjeta obrigatória, mas existem imensos sítios onde só podemos gastar o dinheiro que nos permitirem.

Sinceramente não gosto nada que me digam o quão solidário devo ser, e que a solidariedade só assim possa ser chamada, a partir de certo valor. Abaixo disso é esmola e é esmola que poucos aceitarão.

20
Mai21

O vício de ser do contra


Pacotinhos de Noção

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Começou na última 3ª feira a ser vendida a Raspadinha do Património. Para quem não conhece esta raspadinha qual é a diferença para todas as outras? As diferenças são várias, entre elas o facto de que o dinheiro obtido com a sua venda (custa 1€) será para investir na manutenção de museus e teatros históricos, por exemplo. Diz-se que também poderá servir para criar fundos de apoio a artistas, com o intuito de evitar situações vividas pelos mesmos, como a que sentiram por alturas do confinamento.
Outra diferença é o valor máximo do prémio. Logo aqui dá para perceber que quem atribui é o Estado. Enquanto outras raspadinhas apostam em 20.000 e 50.000€ o Estado atribui apenas 10.000€. Mas também não se pode querer tudo, não vá o valor do prémio fazer falta a algum fundo de restruturação de um qualquer banco privado, e sendo assim faz todo o sentido que o prémio seja mais fraquinho.
Agora a diferença maior e mais nefasta nesta raspadinha e que tem gerado uma grande polémica, existindo até vozes que se têm levantado de forma a mostrar a enorme vergonha que é esta raspadinha. A grande e horrorosa diferença é que esta raspadinha PODE VICIAR. É verdade meus caros leram bem, pode viciar.
Nunca tal se tinha visto. Um jogo, que pertence a um leque de jogos que se apelidam de "jogos de azar", pode levar a que as pessoas fiquem com uma ânsia tão grande de raspar, que nem crostas vão conseguir ter no corpo, raspando-as logo... Sim eu sei, não é a imagem mais bonita mas dá para perceber onde quero chegar.
Não tenho o hábito de jogar em raspadinhas, mas isso pode ser porque as outras não viciam, e como tal nunca me seduziram. Já esta Raspadinha do Património vejo-a nos escaparates das papelarias e parece que ouço uma voz cantante a chamar por mim, deixando-me em transe e com uma vontade doida de usar o meu €uro para ganhar 10.000. Mas tal como o Ulisses, eu resisto ao canto desta sereia feita de cartão, e evito entrar no mundo da dependência.
Atenção, posso até brincar com a situação, mas a verdade é que a adição do jogo é real e coloca muitas famílias em situações complicadas. Agora dizer que esta raspadinha em concreto vicia é o mesmo que dizer que os ovos são carecas. Todo o jogo vicia.
Há o argumento de que é uma vergonha o Estado aproveitar-se de algo que leva à adição para com isso obter alguma espécie de lucro.
Também penso que é uma vergonha. Aliás, é uma pouca vergonha, até porque nunca foi feito.
Qualquer dia o Estado ainda se vai lembrar de cobrar um qualquer imposto abusivo no tabaco e nas bebidas açucaradas, por exemplo. Obviamente não seriam capazes disso, mas até aposto que se fossem iriam dizer que o imposto era para colocar um travão às pessoas, no uso destes produtos, uma vez que são muito prejudiciais à saúde pública. Em última análise, e se fossem mesmo muito descarados, podiam até inventar um imposto especial para os combustíveis, dando a desculpa de que seria para a população utilizar os transportes públicos como alternativa, ou haver mais pessoas por cada carro. Mas isto são hipóteses, porque nada disto existe, o que existe é esta raspadinha viciante e vergonhosa que utiliza a fraqueza dos viciados.
Quem for viciado vai sempre jogar, seja a raspadinha do património, da Santa Casa, do Pai Natal. Todo o viciado não deixa de ser viciado porque o Estado deixar de cobrar. É por isso que sou defensor da legalização de qualquer tipo de drogas, sejam elas leves, pesadas, duras, moles ou até se forem todas "fit" e ginasticadas. Quem consome vai sempre consumir e sendo de mais fácil e controlado acesso, fornecido pelo Estado, então poderia baixar a criminalidade, quer de quem rouba para consumir, quer dos cartéis que as vendem, e o imposto aplicado ia acabar até por ser uma mais valia.
Mas isto é outra história, e como já me estou a alongar vou ver ser encontro mas é uma papelaria onde possa gastar 1 ou 2 euritos. Estou com uma vontade de raspar...

24
Fev21

Precisamos de um Rambo para a bazuca


Pacotinhos de Noção

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ATENÇÃO! ATENÇÃO! BANDEIRAS AO ALTO QUE VEM AI A BAZUCA DA EUROPA.

É agora que vamos todos sair da cepa torta. Acabou aquela miserabilidade de andar a contar os tostões para a água, a luz e o gás. Com tanto dinheiro até vou pôr lâmpadas de 200w na casa toda e nem as apago...

E os negócios que neste tempo todo não facturaram? Pois que não se preocupem. Levam agora com um tiro da bazuca e fica tudo resolvido.

Pois é, seria bom mas afinal não é. A bazuca vem ai mas não temos um herói justo e digno como o Rambo ou o Comando do Schwarzenegger. Temos antes um Capone ou um Gotti que faz constantes jogos de charme com os tubarões da europa, afim de aumentar a bala da bazuca, mas nunca pensando em como pode beneficiar o povo, que foi o mais fustigado, mas sim com o intuito de engordar os cofres do Estado para depois ir distribundo milhões a seu bel-prazer, construindo novas estradas, cuja construções são sempre adjudicadas a amigos de primos ou sobrinhos (os grupos Lena desta vida), ou para fazer a renovação dos computadores dos serviços do Estado, que depois vão ter grandes máquinas computacionais, mas que em frente ao ecrã continuam a ter a D.Alzira que tem formação de dactilografa, e que com ela o sistema vai sempre abaixo. Falando em computadores vão também aproveitar para "oferecer" aos miúdos os computadores que eles precisavam agora, para terem as aulas em casa. Vão ser os Magalhães 2. Talvez o nome destes agora sejam os computadores "Alves dos Reis", também ele um descobridor, mas este descobria a melhor forma de burlar. Julgo bem adequado.

Vai-se apostar também em aumentar o número de funcionários públicos, e talvez construir ou remodelar um ou outro hospital. Nada contra esta parte, mas isto seriam coisas que o Estado já tinha a obrigação de fazer, viesse bazuca ou não, houvesse pandemia ou não.

Para as tais empresas que, com tanto tempo fechadas ficaram no vermelho... Perdão, vermelho não na verdade ficaram foi roxas, de tão sufocadas estão, com moratórias, layoff e empréstimos para pagar. Para estas, a solução que a bazuca da Europa trouxe foi... mais um bocadinho de suspense... FOI... MAIS EMPRÉSTIMOS.

Contentinhos?

A conclusão a que se chega é que o dinheiro da bazuca da europa é como aquele dinheiro que é dado aos miúdos, pelo aniversário, mas que depois acabam por serem os pais a gastar, porque afinal de contas precisam mais do que o puto, e eles até o sustentam.

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