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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

11
Jun21

Uns são filhos, outros não são federados


Pacotinhos de Noção

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SOMOS OS MAIORES, CARAÇAS. VAMOS AO EURO E ATÉ OS COMEMOS.

Mas com máscara por favor! Ou então não. Então não porque, ao que parece, a maior parte dos jogadores da selecção já estão imunizados.

A justificação é a de que, e passo a citar o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo (o Cristiano Ronaldo da task force), "a vacinação da selecção portuguesa de futebol e da respectiva equipa técnica que irá participar no Euro2020, já está concluída e insere-se na lógica de excreção, para acções especificas de representação oficial do País em eventos internacionais, junto de organizações que recomendam a vacinação dos participantes"a vacinação da selecção portuguesa de futebol e da respectiva equipa técnica que irá participar no Euro2020, já está concluída e insere-se na lógica de excreção, para acções especificas de representação oficial do País em eventos internacionais, junto de organizações que recomendam a vacinação dos participantes"

Trocado por miúdos, aquilo que isto quer dizer é: "- Meus caros, como sabem atravessamos uma pandemia. Já vacinámos uma franja da população mas grande parte está ainda por vacinar. De qualquer das formas é necessário animar o povinho e, como já dizia o outro, temos que ter Fátima, Fado e Futebol. Decidimos então que os jogadores da selecção têm que ser vacinados, ainda que não estejam na faixa etária indicada, não tenham comorbidades e não desempenhem um trabalho que seja essencial à população."

Fátima teve já o seu momento, aquando das comemorações do dia de Nossa Senhora. Foi tudo muito certinho, as pessoas respeitaram cada uma o seu espaço, que havia sido previamente delimitado. Isto dentro do santuário, porque cá fora estava tudo ao molho e fé em Deus... Neste caso em Nossa Senhora.

O futebol já teve vários momentos em que se viu ser tratado de forma privilegiada, e esta situação das vacinas é apenas mais uma. Percebo que é imperiosa a necessidade de haver este espectáculo do futebol e constato, com esfuziante alegria, que no EURO até já vão acontecer alguns jogos com público. Parece que assim de repente tudo melhorou. E deve mesmo ter melhorado porque até nas notícias de hoje, em que nos injectaram doses cavalares de selecção, nem se fez muita menção ao facto de termos atingido 910 novos casos.

Estes 910 casos valem o que valem. Na minha opinião havendo casos mas não havendo mortes, nem uma corrida desenfreada aos hospitais, interiorizo que as infecções acabarão por ser uma normalidade, e aos poucos nem terão qualquer destaque. Se os grupos de risco estiverem imunizados, as infecções poderão ser, na sua grande parte, apenas sensações de mau estar. Mas isto é o que eu penso. Eu não tenho a obrigação e o dever de informar os cidadãos de como evoluí a pandemia. Já os canais e os blocos de informação...

Mas voltando à questão do futebol, que mais uma vez acaba por ser o "filho" a quem calha a melhor parte do testamento.

Várias vezes já ouvi dizer que o desporto é muito importante, mas quando ouço isto penso inocentemente que se estão a referir à prática, não à visualização.

Se realmente ver futebol é assim tão importante sugiro que a Sport TV, Benfica TV e Eleven Sports, passem a ser sujeitas a receita médica e até comparticipadas pelo Estado.

Gosto bastante de ver futebol, mas não consigo enquadrar este desporto de massas como algo culturalmente necessário, de modo a que até os atletas sejam vacinados antes que outras pessoas, que possam realmente acrescentar algo mais.

Vejo mais necessidade cultural em espectáculos, peças de teatro e até em idas ao cinema.

Se faz sentido vacinar os atletas não faria também sentido vacinar actores e todos aqueles que são necessários para que haja cultura?

Isto leva-me ao terceiro F, de Fado.

Será que vem por ai "A Grande Noite do Fado" e todos os participantes vão ter direito a serem também inoculados?

É cultura, representam Portugal no estrangeiro e grande parte do povo também gosta. Logo ai parecem-me critérios mais que suficientes para justificar a vacinação. Se tal não acontecer, parece-me injusto.

Para acabar queria só chamar a atenção para o seguinte. Só ficámos a saber que os jogadores da selecção foram vacinados porque, depois do jogo contra a Espanha, o jogador espanhol Busquets deu positivo à Covid. Se assim não fosse, a coisa era feita pela calada, para evitar escândalos. Mas até nisso foram não pensaram bem. É que está a começar o EURO e quando joga a selecção os escândalos ficam para segundo plano.

 

20
Mai21

O vício de ser do contra


Pacotinhos de Noção

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Começou na última 3ª feira a ser vendida a Raspadinha do Património. Para quem não conhece esta raspadinha qual é a diferença para todas as outras? As diferenças são várias, entre elas o facto de que o dinheiro obtido com a sua venda (custa 1€) será para investir na manutenção de museus e teatros históricos, por exemplo. Diz-se que também poderá servir para criar fundos de apoio a artistas, com o intuito de evitar situações vividas pelos mesmos, como a que sentiram por alturas do confinamento.
Outra diferença é o valor máximo do prémio. Logo aqui dá para perceber que quem atribui é o Estado. Enquanto outras raspadinhas apostam em 20.000 e 50.000€ o Estado atribui apenas 10.000€. Mas também não se pode querer tudo, não vá o valor do prémio fazer falta a algum fundo de restruturação de um qualquer banco privado, e sendo assim faz todo o sentido que o prémio seja mais fraquinho.
Agora a diferença maior e mais nefasta nesta raspadinha e que tem gerado uma grande polémica, existindo até vozes que se têm levantado de forma a mostrar a enorme vergonha que é esta raspadinha. A grande e horrorosa diferença é que esta raspadinha PODE VICIAR. É verdade meus caros leram bem, pode viciar.
Nunca tal se tinha visto. Um jogo, que pertence a um leque de jogos que se apelidam de "jogos de azar", pode levar a que as pessoas fiquem com uma ânsia tão grande de raspar, que nem crostas vão conseguir ter no corpo, raspando-as logo... Sim eu sei, não é a imagem mais bonita mas dá para perceber onde quero chegar.
Não tenho o hábito de jogar em raspadinhas, mas isso pode ser porque as outras não viciam, e como tal nunca me seduziram. Já esta Raspadinha do Património vejo-a nos escaparates das papelarias e parece que ouço uma voz cantante a chamar por mim, deixando-me em transe e com uma vontade doida de usar o meu €uro para ganhar 10.000. Mas tal como o Ulisses, eu resisto ao canto desta sereia feita de cartão, e evito entrar no mundo da dependência.
Atenção, posso até brincar com a situação, mas a verdade é que a adição do jogo é real e coloca muitas famílias em situações complicadas. Agora dizer que esta raspadinha em concreto vicia é o mesmo que dizer que os ovos são carecas. Todo o jogo vicia.
Há o argumento de que é uma vergonha o Estado aproveitar-se de algo que leva à adição para com isso obter alguma espécie de lucro.
Também penso que é uma vergonha. Aliás, é uma pouca vergonha, até porque nunca foi feito.
Qualquer dia o Estado ainda se vai lembrar de cobrar um qualquer imposto abusivo no tabaco e nas bebidas açucaradas, por exemplo. Obviamente não seriam capazes disso, mas até aposto que se fossem iriam dizer que o imposto era para colocar um travão às pessoas, no uso destes produtos, uma vez que são muito prejudiciais à saúde pública. Em última análise, e se fossem mesmo muito descarados, podiam até inventar um imposto especial para os combustíveis, dando a desculpa de que seria para a população utilizar os transportes públicos como alternativa, ou haver mais pessoas por cada carro. Mas isto são hipóteses, porque nada disto existe, o que existe é esta raspadinha viciante e vergonhosa que utiliza a fraqueza dos viciados.
Quem for viciado vai sempre jogar, seja a raspadinha do património, da Santa Casa, do Pai Natal. Todo o viciado não deixa de ser viciado porque o Estado deixar de cobrar. É por isso que sou defensor da legalização de qualquer tipo de drogas, sejam elas leves, pesadas, duras, moles ou até se forem todas "fit" e ginasticadas. Quem consome vai sempre consumir e sendo de mais fácil e controlado acesso, fornecido pelo Estado, então poderia baixar a criminalidade, quer de quem rouba para consumir, quer dos cartéis que as vendem, e o imposto aplicado ia acabar até por ser uma mais valia.
Mas isto é outra história, e como já me estou a alongar vou ver ser encontro mas é uma papelaria onde possa gastar 1 ou 2 euritos. Estou com uma vontade de raspar...

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