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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

05
Out21

A ponte do Facebook


Pacotinhos de Noção

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O Facebook, WhatsApp, Instagram e o Messenger estiveram offline. À partida não haveria grande mal, mas essa é a leitura que nós, os comuns mortais, poderíamos fazer.

Quantas foram as pessoas que, por terem estado mais que 20 minutos sem colocar a foto daquela panela cheia de comida que mais parece lavagem para porcos, mas a que chamaram de almoço, desesperaram e até tiveram quebras de tensão?

E as fotos das férias de Verão que se pretende que rendam até ao Natal, que eram para ser colocadas hoje e não foram? Havia uma média diária a cumprir e o dia de hoje deu cabo de tudo.

Quanta codrilhice ficou por trocar e insultos por fazer? E as fotos badalhocas, trocadas por broncalhada no WhatsApp? Para nós poderá parecer apenas "bardajice", mas para alguns tipos que não levantam os glúteos da cadeira de "gamer", receber fotos de tipas nuas no WhatsApp, enviadas pelos amigos, é o que de mais parecido com um relacionamento alguma vez terão.

Não foram só as acções do Facebook que tiveram uma grande queda hoje. Centenas, se não milhares de raparigas, ficaram com a auto-estima em frangalhos porque não tiveram aqueles tão grandes números de gostos às suas fotos e aqueles sinceros comentários de "Linda", "Maravilhosa" e "Poderosa", mesmo quando ela não é nem linda, nem maravilhosa nem um pouco poderosa.

Estou, como é habitual, a ser uma besta insensível porque alguma importância há-de ter tido esta falha do Facebook e suas aplicações, caso contrário não se justificaria que os boletins noticiosos perdessem tanto tempo a analisar este acontecimento. Até especialistas, não se sabe muito bem do quê, foram chamados para comentar o assunto.

Mas este alarmismo, junto dos órgãos de comunicação social, até se compreende. Afinal de contas o Facebook e o Instagram são, hoje em dia, as grandes fontes onde "jornalistas" se vão banhar com sede de conhecimento. Mesmo que o banho seja daqueles banhos porcos feitos à pressa, onde nem se lavam atrás das orelhas, e em que ainda saem com algum sabonete no corpo.

Outro dos fenómenos que esta falha nas redes sociais originou foi um salto temporal.

Houve gente que desviou, depois de anos, os olhos das redes sociais e repararam que ainda viviam em casa dos pais mas que estes estavam mais velhos e que até eles próprios já começavam a ter cabelos grisalhos. Para eles não passaram anos, estavam só a dar uma vista de olhos no Facebook ou no Instagram e entusiasmaram-se. Agora são adultos encostados e provavelmente haverá pouco a fazer. Houve alguns que só agora ficaram a saber que o Presidente dos E.U.A. já não é o Obama e sim Biden, e que nos entretantos esteve lá um primata, que não atirava as próprias fezes a quem o fosse visitar mas que tendo em consideração a tanta porcaria que dizia, pelos vistos as comia.

Num destes blocos noticiosos afirmaram que Mark Zuckerberg perdeu em 6 horas, 7 mil milhões de dólares, o que a mim me parece que não é feito nenhum.

Fui uma vez ao Starbucks e perdi 4,50€ em menos de 20 segundos. Parece-me bem mais escandaloso.

Sublinharam também que estas 6 horas sem redes sociais podem ter tido um efeito devastador na saúde mental de alguns dos utilizadores. Se isto realmente tiver acontecido não me quero estar a precipitar, nem armado em Sherlock Holmes, mas parece-me que saúde mental era algo que estas pessoas já não tinham, por isso pouco ou nada esta situação mudou.

Bem, eu era para continuar a escrever mais um pouco, mas os calmantes que fui tomando ao longo do dia, para fazer frente a todo este stress, estão agora a começar a fazer efeito, por isso acho que vou descansar e sonhar com um Mundo perfeito onde comida e água potável podem até nem existir em todo o lado, mas isso é secundário quando o inferno na terra acontece, quando as redes sociais se lembram de fazer ponte só porque amanhã há feriado.

14
Jun21

Certifica-se que está certificado


Pacotinhos de Noção

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Como todos sabem as redes sociais são de modas. Quer de assuntos, quer de páginas visitadas e até de fotos.

A moda mais recente é a de colocarem fotos de certificados de vacinação COVID, para mostrarem que já levaram pelo menos, a primeira dose da vacina.

Daquilo que me tenho apercebido, e segundo ouvi dizer, TODOS vão ser vacinados, por isso aquilo que fazem questão de mostrar nas redes sociais não é grande avaria. Significa apenas que são mais velhos que os que ainda não foram vacinados ou que podem ter alguma comorbidade... Que treta, hein?

Mal comparado isto é como o surgimento do carrito Smart lá pelos finais da década de 90, princípio da de 2000. Inicialmente só se via um ou outro, e os donos queriam muito mostrar. As pessoas não conheciam o bólide, até achavam alguma piada e olhavam com vontade. Depois foi uma enchente de tal forma grande que parecia mais uma praga. Havia até lugares de estacionamento próprios para Smart's nalguns centros comerciais. Agora que quase já toda a gente conduziu, pelo menos uma vez aquele minicarro, ninguém lhe liga nenhuma.

Mas percebo que estejam satisfeitos. Afinal de contas é um importante passo dado, rumo à tentativa de vitória contra o ranhoso deste vírus. Mas se querem assim tanto mostrar que estão vacinados sugiro que, das duas uma, ou vos colam os certificados na testa ou então levam com um carimbo no lombo como se faz às carcaças dos leitões ou até como os ovos, que têm sempre o carimbo da validade.

Tem graça que ainda me recordo de até há bem pouco tempo existirem pessoas que temiam a vacina, porque o malandro do Bill Gates queria injectar-nos um chip para ficar a saber tudo sobre toda a gente. E não é que o sacana conseguiu. O chip pelos vistos comanda as vontades dos vacinados, e deve ser por isso que eles mostram os certificados.

Alguns mostram até o acto da vacinação em si. Já não via tanta seringa espetada no braço desde que mandaram abaixo o Casal Ventoso.

Mas deixemo-nos de brincadeirinhas parvas porque na realidade estou um tanto ou quanto apreensivo. Imaginem que passa a ser práctica comum a colocação de fotos de exames, e resultados dos mesmos, nas redes sociais.

Uma "pica" e posterior certificado ainda se aguenta, mas e se a pessoa vai fazer uma endoscopia com biópsia!? Não quero nada imagens disso. As endoscopias são tramadas tanto de fazer como de ver, com a pessoa ali deitada, toda a regurgitar-se.

Preocupa-me ainda mais se calha a alguém ter que ir fazer o exame da próstata...

Pode ser que num dia, em que me calhe a mim ter que fazer este exame, que esta moda macaca já seja apenas uma memória distante.

Caso continuem a insistir nesta treta de expor os certificados, julgo que o nosso Senhor Presidente da República deveria declarar novo estado de emergência, só para assim poder obrigar a que cada pessoa, que expõe o certificado de vacinação, seja também obrigado a expor o seu certificado de habilitações, com os seus 11 e 12 valores, a Educação Visual e Português B. Iam apanhar grande vergonha. Nunca mais punham certificado nenhum online.

23
Abr21

Cyborgs das redes sociais


Pacotinhos de Noção

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Há cerca de uma semana, em S.Domingos de Rana, um miúdo de 15 anos (Tomás Braga) foi assassinado por um colega de escola de 18.

O motivo não interessa. Um miúdo morreu, outro, não tão miúdo, matou.

Tirando a CMTV, os restantes canais pouca ou nenhuma relevância deram ao caso. O que morreu era branco, o que matou era preto. Não vi o Mamadou Ba, o Diogo Faro ou a Joacine Katar Moreira a elevar a voz, ou a colocarem posts no Instagram acicatando toda uma multidão contra o preto que matou. Isto porque provavelmente não consideram que tenha sido um crime de racismo. E eu concordo. Aliás, não é este, não é o do Bruno Candé, não é o do George Floyd. O assassino que matou Floyd também mataria um branco, quem matou o Candé também, e o rapaz que matou o Tomás matá-lo-ia tivesse ele a cor que tivesse, porque o que falha aqui não é a cor da pele, são os valores.

O que é que leva um rapaz, com toda uma vida pela frente, a cometer um acto destes?

Simples. Falta de carácter, falta de respeito pelo próximo, falta de sentimentos.

Isto porque andamos a criar seres ciborgues. Não têm um braço ou uma perna robótica mas o cérebro está formatado para "likes" e validações em redes sociais.

Com que fundamentação faço tal afirmação? Analisando este caso concreto.

O rapaz que matou discutiu com o Tomás numa rede social. Os "amigos" disseram-lhe que ele não podia deixar as coisas ficarem assim, que era uma humilhação, que teria que haver sangue e teria que haver facada. Eles filmaram o acto em si porque estavam a transmitir para a rede social. Uma discussão ou uma luta vai dar "likes", vai fazer ganhar seguidores. É para isto que vive a geração mais nova.

Aquele que era um nicho social há uns tempos, que depois formava indivíduos para serem protagonistas de "reality shows", está a deixar de ser um nicho e começa a ser generalizado. Como pai tenho receio. Sei que estou a educar os meus filhos com os valores basilares para saberem viver em sociedade, mas saberá a sociedade de então, viver com eles?

Hoje os comportamentos desviantes ainda são fáceis de identificar, mas será que mais tarde o serão? Ou o comportamento desviante será uma pessoa que demonstra o mínimo de respeito e educação e acabará por ser marginalizado, porque não vive segundo os cânones da sociedade da altura? Ninguém sabe as respostas a estas perguntas e resta-nos aguardar.

Esta febre da malta nova pelas redes sociais deveria ser travada. Tal como a pornografia, o álcool, conduzir e o tabaco, as redes sociais só deveriam ser permitidas depois dos 18 anos, porque ter-lhes acesso enquanto têm o sistema cognitivo em formação, é estar a transformá-los em seres insensíveis e sem escrúpulos.

Em vez de andarem a proibir desenhos animados como o Dragon Bal, onde existe uma clara diferenciação entre o bem e o mal, ou a fazer caça às bruxas porque nos Simpsons o que faz a voz de determinado boneco não é da raça desse boneco, cujo intuito é apenas o de estimular o sentido de humor, que é uma clara demonstração de inteligência, deveriam analisar os prós e os contras das redes sociais na mente dos jovens e crianças, e então tomar decisões...

"Ah, o meu filho tem 3 anos e sabe mexer muito bem no tablet"...

Tudo bem, mas se calhar ainda usa fraldas e não sabe usar um talher. Prioridades, meus amigos, prioridades, para mais tarde não termos que ir à prisão, visitar o nosso filho ou pior, ao cemitério.

Estou a ser dramático? É natural, a situação é dramática.

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