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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

21
Ago21

A mim só me calam, se quiserem


Pacotinhos de Noção

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Depois do último post sobre negacionistas dei por mim a pensar que embora não concorde com a maior parte das coisas que defendem, existe uma em que lhes tenho que dar 100% de razão, e nem sequer estou a ser irónico.

Reparo que por várias vezes se têm queixado de ver conteúdos seus, que publicam nas redes sociais, bloqueados ou até retirados, o que para mim é bastante grave porque se está a negar um valor basilar das sociedades democráticas de hoje em dia, e que é a liberdade de expressão.

Ao existir um qualquer organismo, empresa ou entidade, que bloqueia artigos e postagens, que são acima de tudo opiniões, entra-se num esquema muito similar à censura.

Para quem é mais distraído isto poderá ser algo de surpreendente mas na realidade esta censura real, mas que é encapotada por "rodriguinhos", vai-se espalhando de forma dissimulada de tal maneira que por vezes acabamos por defendê-la sem reparar que o fazemos, e isto acontece porque as pessoas não pensam que poderão estar a fazer algo de menos positivo.

Calar a boca de cada um é uma forma de opressão e não é raro acontecer minorias, que também elas se sentem oprimidas, acabarem por criar obstáculos que depois nos fazem temer por causa daquilo que dizemos e que, retirado do contexto ou num contexto completamente diferente, poderá ser utilizado como arma contra nós.

Exemplos concretos disso mesmo é a recente definição de discursos de ódio.

Esta definição foi criada por minorias que defendendo a sua liberdade de expressão não hesitam em colocar grilhetas na liberdade de expressão dos outros e em que tudo aquilo que eles quiserem que possa ser definido como discurso de ódio, se não respeitar os seus requisitos.

Sou da opinião que toda a gente deve poder dizer tudo aquilo que quiser, tendo em consideração que não esteja a ser ordinário ou vulgar para um outro alguém, mas quando quem define aquilo que podemos ou não dizer, já está à partida formatado por uma bitola de medida reduzida e tendenciosa, ficando a coisa mais complicada.

Alguém que seja a favor do aborto tem tanto direito, como quem é contra, de exprimir aquilo que pensa. Cabe depois ao receptor tirar as suas ilações.

Imensa gente quer calar o Chega e o André Ventura... Pois que o deixem falar, dêem-lhe toda a corda necessária para se enforcar. Ou não. Vamos supor que André Ventura até ganharia umas eleições, como aconteceu com Trump. Se viesse a acontecer significaria que a maioria teria votado nele e como quem manda é maioria, só nos restaria aceitar e depois colher as consequências de tal cataclismo. Seria posta em prática a velha máxima "quem faz a cama deita-se nela".

De ano para ano a situação tem vindo a extremar-se. A ditadura do politicamente correcto faz-se sentir e depois de ter ouvido tantas vezes que é preciso pensar "fora da caixa", quando queremos dela sair não conseguimos, porque foi fechada, lacrada e ainda enterrada, connosco e a nossa opinião lá dentro.

Tenho estado a falar acerca de opiniões pessoais, mas vamos pender sobre as opiniões de figuras públicas e políticas, por exemplo. Mesmo estas, nos dias de hoje, vivem amordaçadas pelas sociedades, e foram até criados órgãos que dão o nó nessas mordaças. Falo das empresas de "fact check" que vão sendo cada vez mais comuns, sendo que elas próprias acabam por não ter uma entidade reguladora que confirme se os "fact checks" feitos têm fundamento ou não. Isto porque na grande maioria das vezes estas empresas estão associadas a grupos de media que as acabam por guiar para os factos que mais lhes convém.

Com esta conversa toda significa que defendo que deveríamos fazer o que?

Nada. Ou melhor tudo. Dizer tudo como os malucos e ter em consideração que poderemos ter que arcar com as consequências da nossa faladura. Mas o problema não está em quem diz. Está em quem não quer ouvir, e o exercício é esse mesmo.

Quem não quiser ouvir terá que se começar a treinar para perceber que a opinião dos outros é a opinião dos outros, e por não concordarmos com ela não significa que haja a necessidade mudar o pensamento daquela pessoa. 

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