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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

20
Set22

Desamor à camisola


Pacotinhos de Noção

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Recentemente tivemos a notícia de uma criança que, no jogo Famalicão — Benfica, foi obrigada a despir a camisola do clube que gosta, porque estava na bancada afecta à equipa da casa. Mais recentemente tivemos conhecimento de um adepto do FCP que, com a sua filha de 3 anos no colo, se viu obrigado a sair da bancada onde estava, também por se ter misturado com adeptos do Estoril.

Não sou das pessoas mais esclarecidas nem iluminadas deste Mundo, mas aquilo que me surge no pensamento é que, tanto o miúdo como o pai com a criança, que foram até chamados à atenção por uns quantos idiotas, que conseguem transformar o acto de assistir a uma partida de futebol na porcaria e no desconforto que hoje é, são quem está correcto e que tem no seu ideal aquilo que o futebol deveria ser. Um desporto colectivo, em que assistir, também em colectivo, deveria ser um prazer. Em que o assistir a uma partida de futebol seria um acto de festa e comemoração, podendo os adeptos dos diferentes clubes estar sentados lado a lado, podendo até ter discussões afáveis e salutares. Isto seria num Mundo ideal, e este ideal até nem é impossível de conseguir. Na Inglaterra, que sofria com casos graves de holiganismo, esta limpeza de maus adeptos foi feita. Basta haver vontade e transparência.

Não podemos menosprezar o trabalho das claques legalizadas, e até das ilegais. São de uma importância enorme. Não para o espectáculo do futebol, nem para o adepto comum que gosta de ver a bola, mas são importantíssimas para o comércio e tráfico de droga, importantíssimas como forma de camuflagem a bandidos da pior espécie, que vêem numa claque, e no próprio clube de futebol, a armadura necessária para não terem que responder perante a lei, e são, finalmente, também importantíssimas para alguns presidentes e dirigentes de clubes que têm nestas suas claques autênticos seguranças, capangas e até braços armados, que os protegem e que lhes fazem favores, quando é preciso ameaçar ou invadir negócios pessoais de árbitros, e até apedrejar carros de treinadores pouco eficientes.

Tudo o que atrás referi é parte daquilo que me afasta cada vez mais do futebol. Não gosto, nem nunca gostei de ir aos estádios. Infelizmente o meu filho não concorda com esta minha falta de gosto, e desde que ele nasceu já fui quase tantas vezes quantas as vezes que fui antes dele existir. Ainda por cima agora joga futebol, precisamente no Estoril, e é por isso que falo com conhecimento de causa. Os tipos que tiveram este tipo de atitude para com o adepto do FCP, são pessoas já com muita idade para terem juízo. É trampa em forma de gente, e que precisam daqueles 90 minutos, da partida do futebol, para poderem ter uma pálida sensação do que é ser gente, pensando, estupidamente, que ser gente é gritar, humilhar, fazer uma autêntica luta de território, num território que nem é seu, e ignorando que para se poder lutar por um território é necessário, mais do que ser macho, ser um líder, ser forte e acima de tudo saber respeitar o adversário.

Num remate final (fica sempre bem uma alusão ao desporto a que nos referimos) gostaria de dizer que a direcção do Estoril Praia já emitiu um comunicado com um pedido de desculpas ao pai e à menina, adeptos do FCP. Acho bem, uma vez que a casa é sua, e só lhes fica bem se responsabilizarem pelos macacos que permitem estar do lado de cá do gradeamento, junto dos adeptos a sério.

Ignoro se por parte do Famalicão já houve um pedido de desculpas à criança que teve que assistir ao jogo em tronco nu. Também não tinha ficado mal ao pai deste miúdo, ter aproveitado para lhe demonstrar o conceito de honra e de reclamação. Não assistiria ao jogo por uma questão de honra, já que o filho foi humilhado, e faria uma reclamação, a exigir o dinheiro dos bilhetes de volta. Mas isto é a minha opinião, que é a de alguém que entre um jogo de futebol e um filho, não hesitaria em qual escolher.

15
Jun22

Um puxão de orelhas não chegará


Pacotinhos de Noção

Não sei se haverá alguém que não esteja ao corrente do assassinato de Igor Silva.

Ao que parece tudo aconteceu numa rixa entre gangues rivais em claques do Futebol Clube do Porto que, para festejar a conquista de mais um título, decidiram limpar o sebo a um coleguinha. Os assassinos, e não utilizo "alegados" propositadamente, são Marco "Orelhas", Paulo "Chanfras" (cunhado do Orelhas) e Diogo "Xió", amigo de Renato, que é filho de Marco "Orelhas" e que também está preso. Está então montado um círculo familiar, e de amigos, do mais fino recorte.

É verdade que falei no FCP, mas peço a todos os que lêem estas linhas, que esqueçam as clubites, os regionalismos, e todas as idiotices inerentes ao mundo da bola. Aquilo que se passou podia acontecer com qualquer outro clube, assim como já aconteceu com o assassinato daquele adepto italiano do Sporting, atropelado por benfiquistas, e é certinho que vai voltar a acontecer, enquanto não for tomada uma atitude para acabar com estes grupos de crime desorganizado.

Se em Inglaterra foi possível de fazer, em Portugal também será, basta haver vontade. Claques de futebol são esquemas montados para toda a pirâmide de negócios ilegais que vão desde tráfico de droga, assaltos, roubos, crimes de violência e ódio racial. Todas as claques deveriam ser banidas do futebol português, e se por acaso vier algum membro de uma dessas corjas comentar este texto, tenho a certeza que será para insultar ou ameaçar, porque realmente não dará para mais.

Não acrescentam nada de novo ou de especial ao futebol, a não ser medo, clima de insegurança e afastamento de outros adeptos que se recusam a ir ao estádio com receio de dar de caras com atrasados mentais como estes.

A grande generalidade dos elementos de uma claque têm registo criminais mais preenchidos que um boletim do Euromilhões numa Sexta-feira de Jackpot. São indivíduos desempregados, mas que normalmente se deslocam em carros, topo de gama, e eu gostaria de saber como.

Não sei se repararam, mas não houve uma única vírgula de lamento em relação à morte de Igor Silva, e isto acontece porque, na verdade, não lamento. Aqui não consigo ser hipócrita e dizer que qualquer morte é de lamentar, e "paz à sua alma". Relembro que também ele fazia parte da claque de futebol, e se isso, por si só, não é motivo para merecer morrer, a verdade é que é um dado quase adquirido de que pode acontecer, ainda para mais quando há uma luta de gangues no seio da própria claque, e se é um elemento activo de um desses gangues.

Vivemos tempos em que os tribunais querem dar o exemplo, aplicando algumas penas duras, às vezes em crimes onde judicialmente nem é costume uma rigidez assim tão grande, como no recente caso do Rendeiro, por exemplo. Pois, julgo que para um caso de assassinato em praça pública, com a violência de 18 facadas, mais espancamento, mais pedradas, deixando até o corpo irreconhecível, a pena máxima parece-me até pouco, e ainda assim duvido que exista um juiz com coragem para dar penas assim tão pesadas a elementos que pertencem a claques de futebol. Recordo que "pessoas" como este "Orelhas" e o "Macaco", por exemplo, não têm nenhum pudor em ameaçar directamente, ou em fazer visitas a casas, locais de trabalho, de quem lhes desagrada, ou até a familiares, causando o terror.

Em Itália existe a Camorra, no Japão os Yakuza, aqui temos um bando de marginais protegidos por equipas de futebol, o que nos mostra que até na Máfia somos uns bacocos.

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