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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

12
Mai22

"Noblesse Oblige"


Pacotinhos de Noção

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Não sou uma pessoa de séries. Prefiro filmes, mas ainda assim tenho as minhas preferidas.

Uma das mais recentes é a "After Life", da autoria de Ricky Gervais, que desempenha também a personagem principal. Conta a história de um homem para quem viver já não faz o menor sentido, após ter perdido a sua mulher... Mas não é a história central desta série que me levou a referir a mesma, e sim uma característica que Tony, personagem de Gervais, tem e que admito, agrada-me. Agrada tanto que gostaria até imenso de conseguir pô-la em práctica, muito embora não possa ser considerada uma qualidade. Aos olhos de grande parte das pessoas é até considerada um defeito.

Tony tornou-se uma pessoa completamente intransigente, que não tolera a idiotice, a estupidez e a falta de noção. O único "frete" que ainda se força a fazer é o de entrevistar pessoas pouco normais, para o jornal local onde trabalha, mas de resto nada passa.

Situações tão simples que já nos aconteceram, como o carteiro que não coloca as cartas no sítio correcto só porque teria que dar mais uns passos, ou o carro que não pára na passadeira, merecem a reprovação do jornalista, e ele não se coíbe de a demonstrar, coisa que nós, comuns mortais, a maioria das vezes evita.

Somos desde miúdos habituados de que temos que ser simpáticos, positivos, flexíveis, e afirmo que na grande maior parte das vezes até o sou, mas admito ser algo que me custa bastante, e cada vez mais porque para manter essas três características, quase sempre temos que fazer aquilo que muitos chamam de "engolir sapos", coisa que a todos custará.

Pois, ontem, não por deliberação imposta, mas mais por impulso, fui intransigente e soube-me que nem ginjas.

Uma das situações foi numa das minhas constantes incursões a superfícies comerciais. Fui fazer umas compras ao Minipreço perto do trabalho e, azar dos azares, estava pejado de miúdos da escola secundária.

Estando já eu na fila para pagar, fila que, entretanto se estendeu bastante e iria ter este vosso amigo como próximo elemento a ser atendido, dei por mim a levar com bafo de "pita" mal-educada que, ao passar por mim, exclama para o seu namorado um verso, que não rimando, seria música para o humorista Fernando Rocha.

Disse então a poetisa, e passo a citar:

"— F*d@ss€, achas que vou ficar na fila por causa de um donut?"

Achei mal. Achei mal pelo palavreado e pelo elevado tom com que o proferiu, achei mal por fazê-lo tão perto de mim, que senti o bafo ao Chocapic que comeu ao pequeno-almoço, e achei mal pelo pouco caso que fez do Donut, que não tendo a consistência de uma Bola de Berlim ou de um papo seco, é uma iguaria que serve para matar o ratinho e a vontade de doces. É certo que não tem um valor nutricional elevado, mas tem um valor monetário baixo, mostrando ser uma óptima opção de lanchinho.

Mal acabou de arrotar esta pérola a miúda olha para mim, como primeiro elemento da fila, próximo a ser atendido, e pergunta-me se acho que ela pode passar à frente por causa do Donut, ao que eu, amavelmente, como é meu hábito, lhe respondi que era óbvio que não. Foi para o fim da fila e espero que esteja lá até hoje.

Se a situação fosse outra, ou se se tivesse desenrolado de maneira diferente, muito provavelmente até deixaria, mas só o facto daquela pequena labrega pensar que o tempo dela era mais precioso do que o de todos os outros que estavam na fila, e a maneira chula como falou, fizeram-me ser intransigente, rude e seco, e tenho que vos admitir que me soube muitíssimo bem.

A outra situação que aconteceu foi com a nobreza, dai o título do post, e não, não é um nobre como o Castelo Branco, é daqueles a sério, o que até acaba por ser um pouco mais ridículo.

No meu trabalho tenho clientes de todas as áreas, de todos os credos e de todos os estratos sociais.

Tenho uma Srª Dª Marquesa que me encomendou um trabalho com urgência. Na altura aceitei, como especial favor, mas ficou combinado que o motorista da senhora só o viria buscar quando eu lho dissesse, visto que não o conseguiria concluir no período de trabalho normal.

Acabei perto das 22:00 e normalmente saio às 19:00.

Quando liguei ao motorista ele disse que afinal não o poderia ir buscar  e ficava para o dia a seguir..."Ordens da Marquesa". E que até nem fazia mal porque na realidade a Srª Dª Marquesa havia cometido um engano e não precisava daquilo com tanta urgência, tinha mais uns dias de margem.

Fervi e não engoli.

Telefonei à Marquesa, que, aliás faço sempre questão de tratar por Dona Teresa, (não respeito muito títulos bacocos) que me confirmou que realmente naquela hora já não lhe dava muito jeito, já estava recolhida e dispensara o motorista.

Desfolhei a minha lista de desagrados, afirmando que perdi horas de convívio com os meus filhos, que é um desrespeito exigir um trabalho com urgência, mas depois não o recolher porque não lhe dá jeito, não avisar que afinal o prazo mudara, e pode ficar ciente que da minha parte não terá mais nenhum tipo de favor.

Escusado será dizer que esta atitude, da qual até me orgulho, a ela, para já, não lhe fez mossa nenhuma. Teve a cara de pau de tentar colocar a culpa no motorista, dizendo que "ele não é muito normal, desconfia até que o homem tem um pouco de autismo", e também em mim, dizendo que devia ter conseguido acabar o trabalho mais cedo.

O que nos passa pela cabeça após ouvir estes argumentos é algo que a tal "noblesse oblige" a que não seja nem possível escrever, sob pena de terem sido inventadas novas formas de ofensa que possam até dar cadeia, mas mais uma vez aconteceu que sendo completamente intransigente, e não deixando por dizer aquilo que aquela velha decadente merecia ouvir, senti-me bem e sem aquele nervoso miúdinho das situações chatas, que nos causam um pequeno incómodo e nem sabemos bem porquê.

24
Out21

Terra Nossa do c@r@1h0


Pacotinhos de Noção

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Começo esta m€rd@ deste post duma maneira que vos poderá f*d*r o juízo, mas c@gu€i.

Acharam bonito a introdução que hoje escolhi?

Pois, também me pareceu que não. É vulgar e despropositada.

Não sou um menino de coro nem sequer andei numa escola de padres.

À verborreia conheço-a toda, e até uso com mais frequência do que aquela de que gostaria, mas apenas com quem me sinto à vontade, e só me sinto à vontade com pessoas que me são muito próximas, e raramente o faço na forma escrita. Não sei porquê mas uma asneira escrita parece-me sempre mais sonora do que falada.

Introduzo este tema depois de assistir a mais um episódio do programa Terra Nossa, com o César Mourão.

Não vou criticar o programa, do qual gosto bastante e que é uma fórmula ganhadora, principalmente se forem episódios novos como agora acontece, e não 359 repetições, como a SIC andava a fazer, e essa fórmula ganhadora fica a dever-se quase na sua totalidade à grande capacidade do César Mourão agarrar nos cromos que lhe aparecem, que nos vamos apercebendo que cada vez são mais comuns, arriscando até a que só nos calhem repetidos, e transformando-os naqueles especiais, que todos querem, e que têm até uma moldura prateada todo em volta.

Mas de entre aqueles cromos repetidos, que de tanto saírem até já enjoam, estão os cromos que são as velhas desbocadas que fazem da asneira gratuita e da ordinarice o seu cartão-de-visita.

O problema aqui está no facto de que parece tudo muito forçado. Houve uma primeira dessas senhoras que falou como um tipo das obras, ficou em êxtase quando reparou que a sala se ria e depois foi quase impossível controlar. A seguir a esta pioneira do palavrão, tem havido quase sempre uma velha destas, que em cada frase lança duas ou três pérolas da linguagem chula, que fariam corar até o próprio Bocage.

Não rara é a vez em que estas senhoras ainda não acabaram o "-lho" e já estão a olhar em volta, na procura de gargalhadas que validem a piada que tão bem elaborou.

Percebo que a produção aproveite o momento para colocar no programa, e sei também que não tenho pergaminhos para sugerir ou afirmar se deveriam ou não colocar essas senhoras, porque na verdade o intuito deste texto nem é esse.

Gosto imenso do programa, adoro a maneira como o César Mourão o faz e não mudaria nada, apenas o utilizo porque foi o que despoletou a que escreva este texto que visa criticar um tipo de linguagem que vai cada vez mais sendo corriqueiro e que utiliza despudoradamente o palavrão, ainda para mais o palavrão de "carga pesada".

Quem vier com o argumento que no Norte o palavrão é vírgula, eu apenas coloco dois exemplos que confirmarão se é realmente vírgula ou não.

1º No Norte, quando o pessoal tem uma dor e vai ao médico, para se queixarem dizem, "Sr.Dr. tenho uma dorzinha aqui que me incomoda" ou "tenho uma dorzinha aqui que me está a deixar f***do?"

E quando falam com o Padre da paróquia dizem "Venho-me confessar porque pequei" ou "Venho-me confessar porque fiz m€rd@"?

Mas regionalismos à parte.

Vivo na linha do Estoril, zona reconhecida por ter os betos de Cascais, os meninos e as meninas de bem (tios) e pessoal com educações e formações superiores. Os rapazes são filhos dos actuais administradores de empresas multinacionais e como tal futuros administradores dessas mesmas multinacionais, e as raparigas são as "Tichas" as "Patis" as "Tetés" que vão casar com esses administradores, e a linguagem que mais tenho ouvido ultimamente, utilizada por estes elementos, é de passar pedra-pomes na língua.

Curiosamente até são as raparigas que agora mostram maior orgulho em dizer asneirada e fazem-no com sobranceria, em alto e bom som, sem quererem saber onde estão e quem poderá estar presente, porque elas são "da best" e não devem respeito a nada nem ninguém, e ai de alguém que lhes tente dizer alguma coisa porque "se nem o meu pai me diz como devo falar..." E se calhar é mesmo aqui que mora o problema.

Com tudo isto, aquilo que quero na realidade dizer é que desde as senhoras velhas a dizer asneiras na televisão, (e não só) até às betas de Cascais a ter comportamentos semelhantes, mas sem ser em televisão, com muita pena delas, é-nos permitido chegar à conclusão que o uso deste tipo de linguagem não tem que ver com idade, estrato social ou região. Tem apenas que ver com educação ou falta dela e com noção ou falta dela.

O Fernando Rocha, que sempre foi tão criticado pelas asneiras que tanto utiliza, já apresentou e participou em programas de "day time" e mostrou que sabe, e consegue, falar com todas as vírgulas e pontos nos i's sem ter que no fim dizer "é pró bujão... Mai nada", pois tal não se adequava.

E o Herman, que durante anos foi perseguido por pessooal que dizia que ele era ordinário porque dizia asneiras, asneiras essas que se resumiam a um "cocó", nos dias actuais.

Bem, eu expus aquilo que pensava. Se concordarem concordam, se não concordam vão mas é todos para o...

 

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