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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

27
Jun22

Caldeirão de polémicas


Pacotinhos de Noção

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O último texto que escrevi, acerca do assassinato da Jéssica, levantou algumas questões na área de comentários do Instagram, que nos blogs da Sapo, infelizmente, a afluência é menor e são bem menos participativos.

Num comentário de resposta, defendi que o Estado deveria intervir quando, num caso como a mãe da Jéssica, que já teve 6 filhas, 5 institucionalizadas e uma morta, e em que há hipótese de gerar mais crianças, deveria ser obrigada a fazer uma laqueação de trompas, assim como o pai, que também teria que fazer uma vasectomia.

É uma violência? Um atentado à liberdade destas pessoas? Penso que não. São medidas necessárias para controlar alguém que não tem a mínima capacidade para ser mãe ou pai, tendo em consideração que ser pais não é só fazê-los e pari-los. Ser pais é amar, educar, proteger, e segundo consta nada disto foi feito pelos da Jéssica.

E como eles, há milhares de casos, e aposto que cada um que lê estas palavras conhece pelo menos um ou dois, porque é realmente muito comum crianças nascendo em famílias onde não têm amor e atenção, deixadas ao abandono numa criação quase autorregulada, ou feita pelas creches e infantários para onde vão, mesmo quando os pais ficam em casa, sem trabalhar.

Um traço comum de distanciamento é que estas crianças parecem nem ter nome. Até aos 3/4 anos os pais referem-se ao filho como "o bebé", e não é um bebé dito de forma carinhosa, é dito de uma forma sonolenta e arrastada, dando mesmo a ideia de que não se lembram do nome do bicho. Depois dos 4 até aos 6 anos, já passa a ser o "manino". Escrevi como dizem, porque menino não parece constar nos seus dicionários. Após entrarem para a escola primária já passa a ser o "puto ou a princesa". Os anos passam e nunca utilizam o nome dos filhos, revelando o tal distanciamento, bastante acentuado, que referi.

Reparem que para estas pessoas os filhos valem pela gravidez, pois há um subsídio e dá para passar à frente nas filas, e depois valem também pelo abono. Ainda no outro dia ouvi uma conversa telefónica de um destes pais amorosos, que dizia que "deste bebé que temos agora, para receber o subsídio, temos que pagar 60 paus que temos de dívida na Segurança Social". Para quem viu as notícias da Jéssica, o estilo do artista que falava assim ao telefone era igual ao pai da Jéssica, com boné de "runa" e tudo.

Os comentários são como as cerejas, um leva a outro, e um companheiro que me lê, mas que não concorda com esta minha opinião, afirma que o Estado não pode ter este poder sobre os cidadãos, assim como não será admissível haver pena de morte. E cá está outra polémica, a pena de morte.

Tanto a laqueação das trompas, como a pena de morte, não considero que sejam poderes do Estado, e sim ferramentas para o controlo de elementos que vivem à parte da sociedade, não respeitando o próximo, colocando-o em perigo, e até muitas vezes matando-o. Quando digo que defendo a pena de morte, defendo-a como uma pena de excepção, que só poderia ser aplicada em casos de violação e homicídio de menores, homicídios em série, em massa e por motivos fúteis, e isto tudo quando apanhado em flagrante, ou claramente comprovado.

Isto que defendo é bonito e consensual? Não, sei que não o é, mas no meio de tanta facilidade que hoje em dia existe em matar, custa-me imenso que seja cada vez mais difícil punir, e que as vítimas não tenham tido direito a defesa, mas que os homicidas, mesmo os confessos, tenham sempre direito à sua defesa por parte de alguém que defende que o direito à vida é o valor maior, ignorando que aquele que defende, não teve pudor em retirar esse direito a alguém.

Compreendo que as pessoas tenham os seus pontos de vista e que os queiram defender, mas não é tudo linear, nem a preto ou a branco. Defender que o Estado não pode legislar isto ou aquilo, alegando que não faz parte das suas funções, é estar a defender o indefensável. Diariamente temos regras a respeitar, sejam elas quais forem, e quase todas impostas pelo Estado. Não podemos ter fé na consciência de cada um, porque se não existissem regras é um facto que viveríamos no meio de uma bandalheira, porque há sempre quem aproveite para ir um pouco mais além daquilo que é permitido. Mal comparado é como se querer fazer uma marquise no topo de um condomínio de luxo. Não lembra a ninguém, mas pode sempre haver alguém que tente.

É também por isso que a questão do aborto não é apenas sim ou não, e escusam de vir com a questão do "meu corpo, a minha decisão". Quando há uma gravidez, foram preciso dois para que essa gravidez acontecesse, e raramente a voz do homem é tida em consideração, para saber se a gestação avança ou não. Sim, é verdade que, pelo menos durante 9 meses, será a mulher a carregar um fardo que pode nem querer, mas havendo um dos intervenientes a querer a criança, neste caso o pai, que remédio terá a mulher senão o de ter que levar a gravidez até ao fim, porque senão ai sim, estará a cometer o assassinato do filho daquele pai. Dito isto, e sob pena de parecer que me estou a contrariar, eu sou, não a favor do aborto, mas sim a favor de que seja uma ferramenta disponível a ser usada, caso haja necessidade disso, e com o consenso de ambos os possíveis futuros pais. É preferível um bebé que não nasceu, a um que nasceu e que será morto cá fora, ou que será abandonado, ou maltratado e poderá vir a ser um marginal. Falando friamente devo dizer ser assim que funcionam os países de 1.º mundo, e é assim que também se combatem os números da criminalidade.

Ainda assim um aborto não pode ser feito de ânimo leve, nem pode ser vangloriando como se fosse um ritual de passagem, como vimos defender a tonta da Mafalda Matos, no Big Brother Famosos, que só faltava dizer que uma mulher que se prezasse deveria fazer um.

Julgo que o aborto tem que ser regulamentado e, mais uma vez, quem os faz deverá ser responsabilizado, caso seja uma práctica comum. Não estamos no séc.XIX, e hoje temos vários meios que permitem evitar gravidezes indesejadas, parte apenas, mais uma vez, daquilo que eu disse que a população não tem, consciência, e é por isso que existe a necessidade de haver quem nos guie.

02
Mai22

Dia da Mãe


Pacotinhos de Noção

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Ontem foi Dia da Mãe.

Não coloquei aqui nenhuma foto da minha, nem lhe mandei 1000 beijinhos. Primeiro porque a minha mãe não tem redes sociais e depois porque não tenho a melhor mãe do Mundo. Podia dizer que sim, mas estaria a mentir. É que, segundo vi, já muita gente tem aquela que é A MELHOR do Mundo, e se é essa a melhor, então a minha não deve ser, até porque está cheia de defeitos. De qualquer forma, mesmo com defeitos e no meio de tantas melhores mães do Mundo, a minha é a minha, e gosto dela assim. Se lhe mudaria algo? Sim, mudaria. Mudaria a conta bancária, e passava a ser um daqueles filhos de 40 anos que vivem à custa da mãe. Pedia-lhe para me abrir uma empresa toda na moda e dizia ser uma "start up". Bem pensado, não?

Ontem foi aquele dia magnífico, em que às 12:45 os filhos vão buscar as mães velhotas aos lares, para às 13:00 já estarem no restaurante a almoçar, e logo às 14:30 já poderem ir largam o entulho novamente na instituição, que o Dia da Mãe é ao Domingo e ainda pode ser que dê para aproveitar alguma coisinha do dia.

Podiam ter levado a velha à casa da família, mas sem o barulho dos restaurantes havia a hipótese de ter que conversar, e ai a velha mãe podia perceber que é já uma carta fora do baralho, não contando a sua opinião nem para escolher o papel de embrulho do Natal.

E levando a progenitora até à casa de família, o Piruças podia sentir-se incomodado, porque não está habituado à "belha", e como ele, embora de 4 patas, é um membro da família, não o vamos incomodar.

Não escarrapachei em qualquer rede social o quanto gosto da minha mãe, ou o quanto a minha mulher é uma mãe magnífica, porque não tenho nada a provar, e desenganem-se se pensam que fazem parte desta equação, porque a principal pessoa a quem não tenho nada a provar, e nem sequer preciso de o fazer, é a mim mesmo.

 

21
Mar22

Escapadinha ao 3º Mundo


Pacotinhos de Noção

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Na 5.ª feira passada dirigimo-nos ao Hospital de Cascais com a nossa filha mais pequena, que estava com febres altas, na ordem dos 38, 39, 40 graus. 

Tínhamos plena consciência do que seria porque, infelizmente, durante os seus 17 meses, esta já seria a terceira vez a desenvolver uma infecção urinária. De qualquer das formas o diagnóstico tem sempre que ser feito por quem sabe, até para poder ser administrado o antibiótico à miúda.

O cenário com que nos deparámos era dantesco.

A sala de espera da pediatria estava apinhada de gente. Não havia uma cadeira vaga e imensos estavam em pé. Um A/C demasiado quente, pessoas para quem o uso de máscara já não é uma obrigatoriedade e que faziam questão de tossir para o ar. Uma criança que fez diarreia no chão e outra que fez xixi pernas abaixo. São crianças, é natural que estes desastres aconteçam. Aquilo que não será já tão natural é a enfermeira colocar apenas paninhos por cima das porcarias e afirmar que não vai dar para limpar porque as senhoras da limpeza não têm como caber ali, com o seu carrinho da esfregona.

Entrámos pelas 17:30 e só saímos perto das 2:00. A nossa senha era o 148, mas quando viemos embora chamavam pela 346...

Nunca tinha visto um hospital nestes preparos, senti estar num país de 3.º Mundo, e é mais escandaloso ainda quando temos em consideração que é o Hospital de Cascais. Um hospital que até há bem pouco tempo era utilizado como referência para outros hospitais.

O que mudou entretanto?

Será que foi aquele bicho peçonhento que nos andou a atormentar, e ainda atormenta? Só o facto de ainda andar por ai, justifica eu não escrever o nome, para não ter assim o texto, obrigatoriamente referenciado como "texto que aborda nesse assunto"... O assunto do "Quem nós sabemos", "Aquele cujo nome não deve ser pronunciado".

Ou será antes que a culpada é a guerra na Ucrânia? Sim, porque a vez do "outro" foi tomada, e se eu amanhã quiser ir ao barbeiro, e não tiver hora disponível, vão pedir imensa desculpa, "mas com isto agora da guerra, sabe como é..."

Mas não, amigos leitores, vou deixar-me de especulações e dizer, CONCRETAMENTE, o que mudou.

O que mudou foi que o Governo mentiroso, oportunista, explorador e pouco transparente que tínhamos, transformou-se agora num monstro de maioria absoluta, e que fará aquilo que lhe der na real gana.

O Hospital de Cascais, assim como o Hospital de Braga, por exemplo, eram dois exemplos de hospitais PPP (Parcerias Público Privadas) que davam muito certo. Hospitais dirigidos como empresas, não geravam prejuízos, muito pelo contrário, chegavam a gerar lucros, e que mesmo sendo geridos como empresas permitiam que uma pessoa sentisse ser isso mesmo, uma pessoa, quando se ia a um destes serviços hospitalares.

Acontece que "El António Costa — o Afanador" ou se quiserem, "António Costa — O Discípulo Socrático", decidiu que estas PPP deixariam de existir desta forma. Passariam de novo para as mãos do Estado, sem uma justificação plausível, que nos permita perceber o porquê?

Ao não haver explicações, cada um de nós é livre de pensar aquilo que quiser, e eu, mente retorcida como só eu sei ser, começo a imaginar se o término das PPP, que não geravam derrapagens orçamentais, não acontecerá precisamente devido às derrapagens que não aconteciam?

É que os desvios de dinheiro não se fazem em empresas de contas certas, que coloquem tudo preto no branco e sejam organizadas. Para Governos como este, quanto mais bandalheira melhor, porque assim no meio de tanta confusão, uns milhões que fogem para aqui, e outros que fogem para ali, acabam por fazer tal confusão, até na cabeça de quem rouba. Por isso é que depois, nas comissões de inquérito onde são chamados devido a negócios menos claros, nunca sabem bem sobre o que são inquiridos, ou nem sequer se lembram do que "passou-se", como diria o outro.

Voltando ao Hospital de Cascais, e à consequência do mau planeamento, da falta de higiene, em suma, de toda a falta de condições... Estou no segundo dia de internamento da minha filha. A somar à infecção urinária que tinha, agora ganhou uma forte gastroenterite, tendo deixado de comer, de beber. Desonesto não posso chamar ao médico que nos atendeu. Disse, desde logo, que a probabilidade da minha filha ter apanhado este vírus no hospital é de quase 100%. Mas de que me interessa saber de onde vem o vírus, quando eu queria era que ele se fosse embora?

A minha pequenina continua alimentada a soro, ainda não tem grandes apetites e passa a maior parte do tempo a dormir. A febre, felizmente, já parece ter dado tréguas.

Este é um hospital onde trabalha boa gente, caso as deixem trabalhar. É uma pena que o VOSSO Governo (sinta-se ofendido quem neles votou) tente mandar abaixo aquilo que outros construiram e que, pasmem-se, até funcionava.

Em campanha, António Costa e Marta Temido não tiveram pudores em dizer que o SNS estava perfeito. E estará, caso as siglas do SNS signifiquem "SUICÍDIO NATURAL DA SAÚDE"

29
Jan22

Passo-me com o passado


Pacotinhos de Noção

Nos últimos tempos passou a estar quase generalizada a ideia de que o que conta é o futuro, que quem vive do passado são os antiquários e ser-se saudosista não é visto com bons olhos. Pois, eu sou um enorme saudosista e ter saudades do passado é algo de agridoce, pois se por um lado me conforta o coração por outro entristece-mo, por saber que há coisas que não mais viverei. Tenho, ainda para mais, uma condição, não diagnosticada, mas que é um facto, de que perdi grande parte da memória de toda a minha infância. Não sei se foi de quando parti a cabeça em miúdo, mas o meu passado é quase todo um enorme vazio. Familiares contam-me coisas passadas que, para mim nunca existiram. Curiosamente algumas das memórias que a mente optou por guardar, prendem-se com programas de televisão ou sensações. Talvez seja por isso que do pouco que me lembro, recordo com carinho, mesmo que alguns sejam momentos que não são particularmente espectaculares.

Respeito e agrada-me também o passado porque é ele que nos faz evoluir. Afinal de contas a formação do nosso carácter acontece por tudo aquilo que passámos e não por aquilo que há-de vir a acontecer. Se nos estivermos a moldar, projectando aquilo que pode vir a acontecer podemos nunca chegar a ser nada, pois o futuro é incerto, pode nunca vir a acontecer. Já o passado está lá, firme e forte, com toda a sua história.

Como disse anteriormente o passado causa-me também um sentimento um pouco agridoce, uma certa angústia, porque sei haver coisas que não mais se repetirão, mesmo que eu as tente reproduzir fielmente, e são muitas.

As manhãs de Domingo, em que o meu pai ia para o quintal tratar da horta ou dos animais, em que me chamava para o ir ajudar, coisa que me aborrecia, pois eu queria era ficar a ver os desenhos animados, mas que acabavam por ser preteridos para eu ir varrer o quintal.D

Depois havia o cheiro da madeira a arder, na fogueira que o meu pai habilmente fazia entre dois tijolos para depois se pousar a grelha e assar o frango, frango esse cujo sabor fumado é até hoje inigualável e que sei que por muitos anos que viva nunca mais o vou sentir. O pai que assava o frango já cá não está, as manhãs de Domingo já não são para ver os bonecos, e mesmo que queira fazer um frango daqueles agora já tenho um grelhador e uso carvão... Ah, e não herdei a habilidade do meu pai a acender fogueiras.

Outra das memórias de fim-de-semana era quando a minha mãe pedia que eu e a minha irmã fossemos ao supermercado Polisuper, na Galiza, só para comprar o pão que lá faziam e que vinha quentinho, acabadinho de sair do forno. Íamos a correr para casa só para ainda conseguirmos ter a manteiga a derreter no pão, mas não sei bem o que acontecia que, invariavelmente, o pão já chegava a casa com duas ou três dentadas. Daqueles mistérios que ficarão por resolver. Depois do pão comprado via, quando era possível, ao Sábado as classificações dos pilotos da fórmula 1, e ao Domingo a própria corrida.

Ainda há fórmula 1, mas os carros são diferentes, a publicidade é diferente, os comentários são diferentes e por mais que estes pilotos sejam vedetas nunca irão atingir o patamar de mitos como Ayrton Senna, Alain Prost, Nélson Piquet ou até Mikka Hakkinen. Continuando no mundo das corridas, que curiosamente devo dizer que agora até nem me interessam, recordo-me também com bastante saudade dos Paris-Dakar, que aconteciam nos princípios do ano e que nos aqueciam o Inverno, por vermos os carros a atravessar os desertos escaldantes.

Outras memórias que me ficam são os dias passados na praia, em que nada tinhamos com que nos preocupar, tudo aparecia feito como que por magia dentro de uma arca azul e laranja que depois o meu pai carregava para a praia. Que bem que nos sabia, depois de corridas, mergulhos, buracos, castelos na areia e sermos enterrados até ao pescoço, aquelas sandes de alface com afiambrado, porque naquela altura o fiambre era a preços proibitivos, e as pequenas madalenas da DanCake, que pareciam pequenos barquinhos...

Por falar em comida, outra das memórias doces que tenho são os lanches que a minha mãe nos fazia. Simples, porém deliciosos. Leite com café de cevada e uma boa fatia de pão de Mafra com manteiga. Sabia pela vida e não havia Bollycao que tivesse comparação.

Mas estas são memórias mais infantis. Crescendo e evoluindo fui também guardando outras memórias que me alimentam a alma. Como esquecer o pôr-do-sol cor de laranja que banhava a sala de estar da casa onde morava a namorada, que viria a ser a minha mulher e mãe dos meus filhos.

Era um pôr-do-sol de Verão que nos banhava o rosto e do qual sentíamos aquele calorzinho agradável que só nos toca na face e em volta dos lábios. Almada, aquele deserto na margem Sul, passou para mim a significar o verdadeiro começo da vida, pois esse pôr-do-sol era ali que pertencia.

Da minha filha mais nova ainda não tenho memórias suficientemente distantes das quais possa sentir saudades, mas do meu filho de 4 anos posso dizer que já tenho várias. Uma das mais queridas é de umas férias que fomos fazer a Nerja, uma cidade no litoral de Málaga, onde foi gravada a série "Verão Azul". Foi aliás por causa disso que decidimos lá ir. A verdade é que o meu filho tinha quase 2 anos na altura, mas foi (e é) uma companhia tão prazerosa para os pais, que fez com que essas férias fossem de facto bestiais. Cheguei a andar com ele horas às cavalitas, em abafadas temperaturas de 39º e 40º, e suei as estopinhas, mas foi magnífico e tenho imensas saudades.

Depois há memórias que tenho com os irmãos mais novos, que em parte já ajudei a criar, e que não voltam mais. Olhar para pessoas de 30 anos a quem dei banho e mudei fraldas (sim, naquela altura os irmãos mais velhos cuidavam dos mais novos) faz-me gostar muito mais de tudo o que já vivi e de que me lembro, do que daquilo que por ai há-de vir e que não faço ideia do que seja. Vontades tenho muitas, desejos também, mas não sei se duro até amanhã e por isso só me quero preocupar o estritamente necessário, no que ao futuro diz respeito.

E vocês, são saudosistas, não ligam nenhuma ao passado e anseiam pelo futuro, ou gostam do abraço confortável que as memórias vos trazem? 

01
Dez21

Maravilhoso espírito natalício


Pacotinhos de Noção

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E eis-nos então chegados à outra época do ano pela qual tudo faz sentido. Uma é o Verão, em que aquecemos a pele ao sol, torrando-a e "recarregando baterias" como tantos costumam dizer, e outra é o Natal onde aquecemos os nossos corações e aquilo que torramos é o pouco dinheiro que se vai tendo na carteira. Mas gastar para oferecer não é gastar, é investir. Investir em relações fraternas e genuínas, que serão mais fraternas e genuínas consoante o valor daquilo que se dá ou se recebe.

Por esta altura temos os aconchegantes anúncios natalícios.

Quando era miúdo havia o dos chocolates da Regina em que o "o coelhinho ia com o Pai Natal, e o palhaço, no comboio ao Circo". A casa deste anúncio aparentava ter lareira, ser quentinha, tal como ficavam os nossos corações, e a árvore de Natal era bonita e luminosa, sem lâmpadas fundidas ou a falhar, nem gatos a mandar a árvore abaixo. Havia também o anúncio "Da Minha Agenda" em que vozes de crianças cantarolavam, desejando e pedindo que "Este ano a minha prenda eu quero que seja, a Minha Agenda, a Minha Agenda..." Mas isto acabou. Não me estou a referir às agendas, que também já viram melhores dias, mas acabaram os desejos e os pedidos. Agora temos exigências e obrigações.

Tal como antes, os anúncios de Natal existem, mas de ano para ano têm perdido algum do encanto e magia. Temos uma Popota que ocupou todo o espaço que também já foi da Leopoldina, mas que a abafou por completo. O poder subiu-lhe à cabeça, o mau gosto apoderou-se da hipopótama e de ano para ano tem mostrado ser cada vez mais pindérica. Qualquer dia compra acções de um qualquer grupo de ‘media’ e passa a sentir ser dona do Mundo.

Depois temos os anúncios natalícios que apelam ao coração de forma lamechas e com frases retiradas de um qualquer livro de "coaching", vendido numa bomba de gasolina. Tratam-me por tu, mas tudo bem, é Natal e como o amor que se sente é fraterno não tem mal todos nos tratarmos como irmãos.

Por fim vou falar dos anúncios natalícios das empresas de telecomunicações, mais especificamente do lançado há cerca de duas semanas pela NOS. É o lindo anúncio do boneco de neve. Ainda não viram? Devo dizer que o meu coração bateu mais forte e as lágrimas quase me escorreram pela face.

O anúncio retrata uma família, presumivelmente de Lisboa, ou de um sítio onde normalmente não neva, mas em que a vontade da menina era a de ter um boneco de neve.

Os pais, queridos como eles só, tentam fazer um em esferovite, mas a menina não gosta, tentam em papel, mas a menina não aprova, tentam até em gelo e a filha não se coíbe de mostrar que não é o que queria, fazendo até cara feia. É então que, a determinada altura, os pais fazem uma pequena surpresa à garota, tapam-lhe os olhos, e na cena seguinte vemos a menina, toda alegre e sorridente, rodopiar junto de um boneco de neve, com os pais todos satisfeitos a verem a sua pupila com uns óculos de realidade virtual colocados, rodando no nada, fazendo figuras de tontinha.

No fim deste anúncio é sempre difícil conter as emoções, que não são muitas, mas que são fortes. Pelo menos eu penso que raiva e nojo são fortes.

Então aquilo que se quer transmitir é que por mais que um casal de pais se esforce, a pirralha nunca vai ficar satisfeita?

Querem mostrar o egoísmo de uma criança, que não considera tudo o que os pais fizeram, da melhor forma que conseguiram ou puderam,  para tentar proporcionar-lhe o sonho e o estaferminho de saias nem hesitou em fazê-los sentir mal?!

É isto que se pretende? Que a miudagem dos nossos dias só se interesse por tecnologias e aparelhos electrónicos de satisfação rápida, sendo que depois não têm paciência nem para um puzzle de 50 peças? 

Julgam que eles vão ficar mais inteligentes, por terem acesso à tecnologia, que depois lhes invade o quotidiano, as refeições e todos os momentos importantes do dia, ou vão ficar frios, desligados da humanidade e sem empatia pela sociedade, por irmãos e até pais, pura e simplesmente porque nunca quiseram nem souberam comunicar entre, e com eles? Habituaram-se a viver com a cabeça enfiada nos tablets e smartphones e aos poucos vão ficando com um cérebro empapado que de nada lhes servirá, tal foi a habituação à falta de uso do mesmo.

"Ai o Salvador ainda não sabe falar, mas já sabe jogar no tablet."

Mãe e pai, isto não significa que o Salvador é um sobredotado, significa que o jogo que o Salvador joga é básico, e que esta é a medida a que ele se vai habituar, por isso vai crescer também um básico. E quanto ao não saber falar, lamento muito, mas provavelmente é algo que vai perdurar porque para aprender a falar tem que comunicar, e os tais aparelhinhos não o permitem. Por isso é que nunca se ouviu falar tanto em terapeutas da fala como agora.

A culpa destas situações não é da publicidade. A publicidade apenas faz um retrato daquilo em que a sociedade aos poucos se transformou, e se a sociedade agora é isto, e a publicidade quer vender, é isto que nos vão oferecer.

Tempos houve em que a televisão era muito criticada por conspurcar os lares das pessoas, mas essa ao menos, ainda permitia que todos vissem um conteúdo em simultâneo, já os smartphones e tablets são aparelhos que promovem o isolamento, afastando os elementos de uma família cada vez mais e mais.

15
Out21

Valor€s mais altos s€ l€vantam


Pacotinhos de Noção

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Com esta moda de falar em alta-voz não rara é a vez em que ouvimos conversas que deveriam ser privadas mas que, não se resguardando o interlocutor, também não serei eu a ter que me mobilizar de forma a não ouvir. Neste caso concreto até nem podia porque foi no meu local de trabalho, e por mais que eu quisesse dali sair, e acreditem que queria, mesmo que não estivesse ninguém a falar ao telefone, não o podia fazer.

Falo nesta conversa porque mais tarde vi também uma notícia que acaba por emparelhar com aquilo que ouvi e que demonstra claramente a falta de afecto e valores que vivemos.

Uma tipa na casa dos seus 50, relatava a alguém pelo telefone, e de forma divertida, quão a sua mãe já estava demente, pois foi ao lar e ela já nem a reconhece. Comentou como a mãe não se lembrava que ela esteve lá ontem, que a outra filha agora morava Espanha e que nem fazia ideia de que ia mudar de centro de dia.

Momentos divertidos à parte, e aqui a gravidade na voz mudou, o que a estava a preocupar mais era se a mãe conseguiria assinar a procuração que entregaria ao Banco de Portugal, para ela ter acesso às contas bancárias. Era imperativo que conseguisse para conseguir movimentar as contas antes da irmã.

Já com o pai o conseguiu fazer e convinha que com a mãe também o conseguisse porque senão depois só nas partilhas.

Falou também se haveria de vender ou alugar a casa da mãe. A do pai alugou, mas a da sogra vendeu porque não estava em bom estado e não queria perder dinheiro.

Ao ouvir estas palavras não consegui nunca dissociar de que aquela pessoa estava a falar de quem lhe deu a vida, de quem a viu nascer, quem a acompanhou no seu processo evolutivo e quem esteve provavelmente a seu lado nos momentos mais importantes. Tudo bem, posso estar a especular, e a verdade é que os pais desta pessoa falharam redondamente, porque os valores pelos quais ela se rege são apenas os monetários e os do oportunismo e se assim é é porque hão-de ter falhado na educação da filha. Ou então não. Se calhar até nem falharam e não nos podemos esquecer que somos seres individuais e que a partir de determinado momento, mesmo tendo por base uma boa, ou má, educação, somos nós que escolhemos o caminho que queremos percorrer. O final desse caminho ninguém conhece, mas a forma como o fazemos cabe a cada um de nós decidir. Claro que há sempre aqueles que escolhem o caminho mais complicado ou tortuoso e culpam os seus ancestrais, os seus descendentes, os seus iguais e os seus diferentes, nunca admitindo que o único grande culpado é apenas ele mesmo.

Ouvindo as palavras daquela filha vinha a mim a imagem daqueles filmes de cowboys em que um tipo está abandonado no meio do deserto e os abutres ficam ali, sempre a rondar o indivíduo, à espera que se torne a carniça que tanto anseiam por devorar.

Neste caso estou a falar de filhos que enterram os pais ainda vivos para assim usufruírem daquilo que eles lhes deixarão, caso contrário ser-lhes-á arrancado. E pais que não honram o compromisso de amor que deveriam ter feito com os filhos e que acabam por mostrar que às quatro letras da palavra amor se sobrepõem as cinco que compõem "guito" e "pilim".

Este assunto é controverso mas não é por isso que não lhe toco...

Vi hoje nas notícias que o ex-dux João Gouveia foi absolvido de pagar uma indemnização aos pais das vítimas da praia do Meco. 225 mil euros a cada um. Os pais vão recorrer desta decisão.

Não duvido, nem quero sequer imaginar o sofrimento daqueles pais por terem perdido os filhos, e também aqui, numa tentativa de justificarem o fim da vida daqueles que amavam, tentam imputar a culpa a todo e qualquer um, menos àqueles que foram os maiores culpados e que pagaram o maior preço que se pode pagar e que são os próprios filhos. Mas dizer a um pai que a culpa da morte do filho é do próprio filho é cruel.

Mas e quanto vale a vida e a memória de quem amamos? Quanto dinheiro é necessário para amenizar a dor de um pai que não mais abraçará um filho, tapar o buraco que fica no peito e que sangra sem parar? E que pai é esse, que em lugar de lutar para conseguir que seja preso aquele que considera ser o responsável pela morte da sua cria, ou para conseguir fazer com que sejam proibidas as praxes, luta antes para conseguir uma quantia em dinheiro?

Haverá quem argumente que o dinheiro não é compensatório mas que servirá para punir o responsável. Isto são opiniões e a minha está bem explícita acima. Os responsáveis pagaram com a vida e a eles o dinheiro não lhes trará qualquer tipo de benefício ou prejuízo.

Sendo frio e arriscando-me a ser apelidado de besta, só consigo pensar nos tais abutres dos filmes de cowboys. Se no primeiro caso era a filha a querer beneficiar de uma morte anunciada e mais que esperada, aqui temos pais a quererem beneficiar de uma morte inesperada mas que, passando o período do luto, pensam que algum hão-de conseguir fazer com que lhes entre no bolso. Pelo menos era o que esperavam.

A minha fé na humanidade é nula. Não falo por causa da retirada dos americanos da palestina, ou por causa da fome no Mundo ou na falta de respeito pela natureza. Essas são aquelas causas que ficam bem dizer que se defendem, tal como a sororidade, por exemplo. Estas são causas de lutas perdidas porque não és tu, Zé Manel que lê estas linhas, que vais conseguir mudar o Mundo neste sentido, porque o Mundo não quer mudar. Todas estas causas têm políticas envolvidas e por muito que nos custe, nós para os políticos somos apenas números... Não se iludam com a treta de que o "Estado somos nós". O estado somos nós para pagar e para votar, nada mais. Se queremos que realmente alguma coisa mude comecem por mudar em casa. Amem os vossos filhos e os vossos pais para que eles percebam que têm alguém para quem são importantes. Assim os pais viverão os dias que lhes restam com alguma alegria, no meio desta podridão que é a sociedade, e os filhos, sabendo o que é amor e empatia, poderão aos poucos ir fazendo com que esta podridão seja menos podre. Não vai mudar já na geração a seguir. Isto é como quando nos tornámos bípedes. Não nos levantámos e andámos, levou uma eternidade até endireitar a espinha com orgulho. Um orgulho que cada vez vai sendo mais difícil de manter.

22
Jul21

Decidam-se


Pacotinhos de Noção

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Tem circulado esta imagem, com esta notícia, pelas redes sociais. Na Argentina passará a ser reconhecido o trabalho das mães, que ficam com os seus filhos em casa, e será contabilizado para efeitos de reforma. Este reconhecimento tem a duração de 1 ano, o que a mim me parece escasso, mas 1 ano sempre é melhor que nenhum e quem crítica sou eu, um português que vive inserido num sistema que nem nunca colocou esta hipótese em cima da mesa.

Agora vamos à parte com a qual não concordo.

Esta medida é catalogada como uma vitória feminista e é apenas orientada para as mães. É impressão minha ou vejo aqui uma feminilidade tóxica, de uma sociedade que delega o homem para segundo lugar e que despreza o papel desse mesmo homem como pai e que poderá também querer ter a alternativa de ficar a tomar conta dos seus filhos? Então mas isto dos direitos funciona só para um dos lados?

Não são respeitados os direitos da mulher e é uma vergonha, não são os dos homens e é uma vitória feminista.

Por essa ordem de ideias significa que o magro insultar o gordo, o branco ser racista com o preto e um bronco ofender um homossexual é uma desgraça, mas um gordo insultar um magro, um preto ser racista com um branco e um homossexual ofender um bronco é uma vitória das ideias que, neste caso, os agressores defendem?

Sei que é um exemplo arcaico, mas quero com isto dizer que não pode haver dois pesos e duas medidas. A justiça das acções tem que sofrer de igualitarismo.

Em relação a esta medida devo dizer que não a vejo como uma vitória feminista mas sim uma vitória social. Afinal de contas os primeiros anos de um filho deveriam ser juntos dos pais e não entregues a pessoas, que fazendo o seu melhor, por mais que se esforcem não são pais e que estão a formar crianças que desde cedo se habituam a ser institucionalizados. Dai achar que o acompanhamento de um dos pais, caso quisessem, deveria ser até aos 5 anos de idade.

Voltando à questão do feminismo há mais um ponto que me chama à atenção.

Então uma das principais lutas das mulheres, não foi durante anos e anos não quererem ser encaradas como simples parideiras, que o seu papel não poderia ser apenas o de donas de casa e de mães e que queriam ter o seu lugar no mercado de trabalho... E quando finalmente parece que a coisa se está a compor, afinal uma vitória do feminismo é voltar dois passos atrás, voltando para casa a tomarem conta dos filhos?

11
Mai21

"Podia ter sido eu"


Pacotinhos de Noção

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Há 4 dias morreu uma bebé de 2 anos.

Foi esquecida pela mãe dentro do carro. Entretanto já se gerou uma onda de solidariedade para com a mãe, porque pelos vistos "Podia ter sido eu" ou podia ter sido qualquer pessoa. Analisar este caso faz-nos obrigatoriamente analisar também a situação em que a mãe se colocou.

Posso acreditar que a dor da mãe seja imensa, posso acreditar que foi completamente sem intenção, agora não posso com isso achar, como já vi escrito por ai, que esta senhora não deve pagar pelo seu erro, porque já tem uma punição para a vida toda.

Há um pensamento que não consigo dissociar disto tudo, sendo pai de duas crianças nesta faixa etária. Imagino o sofrimento da bebé ao ver que estava ali sozinha sem a mãe, e não quero sequer imaginar o terror que sentiu quando teve fome, teve sede, sujou a fralda, quando um qualquer carro passou perto dela e buzinou... Pessoas afirmam chorar com pena da mãe, eu tremo e arrepio-me imaginando o sofrimento da filha.

Foi um esquecimento, quem nunca teve?

ESTAMOS A FALAR DE UM BEBÉ, PORRA!

Já vi situações destas relatadas nas redes sociais, em que só faltava arrancar o escalpe do esquecido. A única diferença é que o que se esqueceu foi um cachorro e não um bebé. Estamos neste momento a dar mais valor à vida de um animal do que à de um ser humano!? "Quanto mais conheço as pessoas mais gosto de animais", é isso!?

A teoria é que todos têm um pouco da culpa. A senhora andava com insónias, a senhora é pressionada pela sociedade para ser mãe, mulher e profissional, a culpa é da creche que não avisou quando a criança não apareceu, a culpa é de quem andou na rua e não viu a criança, a culpa é dos homens que não ajudam as mulheres, a culpa é dos patrões que exigem demasiado das mulheres, a culpa é da comunicação social que deu a notícia como se a culpa fosse da mãe. Não me lixem!

Só descobriram que a criança estava esquecida porque esta senhora esgotada, que estava a trabalhar em casa, em frente de um computador, pediu à sua empregada "Maria" para ir buscar os miúdos à escola. Ela não estava na lavoura, ela não estava a apanhar batatas. Todos os trabalhos custam, mas há uns que cansam mais que outros. Se em vez da filha se tivesse esquecido do telemóvel no carro, não daria mais facilmente pela falta dele?

Caríssimos, foi mãe porque quis... E quis 3 vezes. Se não quis então mostra apenas irresponsabilidade. Não se pode apontar o dedo só aos mais desfavorecidos por terem  filhos e não saberem ser pais.

Se em vez de morar na Av. Miguel Bombarda, em Lisboa, esta senhora vivesse num bairro social em qualquer parte do pais, iriam todos dizer que "Podia ter sido eu"?

Se um camionista, que depois de uma viajem França - Portugal, em que passou noites mal dormidas, adormecesse ao volante e atropelasse uma criança, também se iam meter no lugar dele e dizer que "Podia ter sido eu", ou iam dizer que provavelmente ia bêbedo?

A mãe sofre. Não quero nunca sentir este tipo de sofrimento. A culpa está lá toda e ela sente-a bem, agora assim como também pedem para que não se aponte o dedo, também não devem colocar paninhos quentes. A CPCJ vai investigar o caso, porque podem ter-se omitido alguns factos... Ainda nada sabem e ainda nada se disse. Convém lembrar que há mais duas crianças, e que também há um marido destroçado, e que nalgumas das defesas da senhora se deixa implícito que ele é ainda mais culpado que ela. Porque não foi bom marido e não foi bom pai.

Devo referir que estas afirmações são de pessoas que apenas especulam, assim como eu o faço nestas linhas. Nada sabemos acerca destas pessoas, apenas sabemos dos factos que são publicados e o facto maior que é: Uma mãe esqueceu a filha no carro e a criança morreu.

27
Mar21

Amo peixinhos da horta


Pacotinhos de Noção

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Vamos falar de amor? "Vamo" lá então.

O que é o amor? Esta é a questão a que todos, mais cedo ou mais tarde, hão-de ter a resposta, mas é também aquela a que ninguém sabe responder. Isto porque todos sentimos o amor de maneira diferente e assumimos que a forma como amamos é a correcta, o que não está de todo certo.

Para alguns o amor é querer estar junto de quem se ama. Absorver todos os momentos e sentir que basta esticar o braço e ter ao alcance o alvo do nosso sentimento. Para outros o amor é partilhar vivências, carinhos, mas ainda assim manter a sua individualidade.

Nem uma nem outra forma estão erradas, são apenas diferentes entre si. O que está errado, isso sim, é a banalização da palavra amor.

Amor é apenas uma palavra, mas é uma palavra que legenda especificamente um sentimento que nutrimos por alguém e aquilo que cada vez mais se vai verificando é que se está a deixar de saber aplicar convenientemente.

Quando uma garota ama de morte uma máscara para os olhos, ou amou aquela viagem à Índia. Quando o burgesso ama acima de tudo o seu clube e a claque da qual faz parte, aquilo que verdadeiramente queriam dizer é que gostam, apreciam, adoram, que foram experiências inesquecíveis...

"Qual é o teu prato favorito?"

"Amo peixinhos da horta."

PORRA, mas como é possível amar feijão verde envolto numa polme!

A falta de capacidade de saber utilizar a palavra amor, no meu entender, é fruto de duas características. Iliteracia e falta de empatia afectiva.

A iliteracia é um mal comum nos dias actuais. O pessoal acha que é a última bolacha do pacote porque fala uma espécie de inglês. Até conseguem ver Netflix sem legendas, mas quando se pergunta um sinónimo ou um antónimo de uma palavra a pergunta mais comum é - "Antónimo sei que é o contrário, mas e sinónimo!?"

E quando se pergunta qual foi o último livro que leram, geralmente o último foi "O Diário de um Banana" (na melhor das hipóteses) e muitos até se orgulham da sua ignorância, afirmando que nunca leram um livro, até porque lhes dá sono. Isto mais que justifica a falta de conhecimentos linguísticos.

A falta de empatia afectiva.

Este já é um problema que poderá ser geracional. Os avós não souberam demonstrar o seu amor aos pais e os pais não o conseguiram passar aos filhos. Cria-se assim um vácuo de sentimento e depois temos famílias frustradas, porque nunca souberam o que é o verdadeiro amor. Muitas vezes não porque não o sentissem mas sim porque nunca o souberam identificar quando lhes apareceu à frente.

O amor não é raro. Existe a rodos, é gratuito mas não é para desbaratar.

Amor é quando um pai se levanta para aconchegar a roupa dos filhos à noite. Amor é sentirmos a necessidade de um beijo ou de um abraço só porque sim. É o nervosismo de não estarmos perto de quem amamos. É querermos o bem estar de alguém, só pelo simples facto de saber que essa pessoa se vai sentir bem. Amor, muitas vezes é sentir algo por alguém mesmo não tendo esse sentimento de volta.

Para mim o amor que eu sinto, e que sei que sentem por mim, é melhor que todo o amor que vocês possam sentir. Mas isto é assim mesmo. É melhor porque é o meu e o vosso é o melhor porque é o vosso.

Ah, e já agora... Não gosto assim tanto de peixinhos da horta.

 

10
Mar21

Fim do mundo (s)em cuecas


Pacotinhos de Noção

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Finalmente vai começar o desconfinamento. Vai ser por fases, bem sei, e uma das fases que mais me interessa ainda não sei quando vai desconfinar.

Estou desejoso de um cafézinho, ou de uma bebida numa esplana. Não me importava de ir a um restaurante ou de assistir a um bom filme no cinema, mas aquilo que preciso mesmo, aquilo que me está a fazer uma falta enorme é poder ir comprar roupa aos meus filhos.

Atenção, isto não é uma vontade, é uma necessidade de maior importância. Quem como eu tiver filhos em fase de crescimento, há-de estar a ter este mesmo problema. Em crianças de meses e de 3/4 anos, 2 meses de confinamento traduzem-se em roupa que deixa de servir, pijamas que já ficam pelos tornozelos e pelos cotovelos, cuecas que já nem nas orelhas lhes servem.

Foi bastante estúpido deixar de permitir que se compre roupa nos supermercados, porque este item é realmente um bem de primeira necessidade. Quem achar que não sugiro que tente só ir fazer um pequeno passeio higiénico com cuecas apertadas nas virilhas e ténis que são já um número abaixo. A opção de andar sem cuecas não está em cima da mesa, pois ai o passeio de higiénico passa a não ter nada.

Bem sei que posso sempre encomendar online, mas o online para roupa é quase como jogar à roleta russa, e no caso de roupa para crianças a roleta russa tem as balas todas e apenas uma câmara vazia.

Sempre ouvi a expressão "Isto é o fim do mundo em cuecas" mas neste caso em específico, o fim do mundo até sem cuecas nos deixa.

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