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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

23
Nov22

Deixem-se de pequenices


Pacotinhos de Noção

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Tem sido divulgada uma notícia, que ainda não tendo tido uma confirmação 100% credível, também ainda não foi desmentida, e tendo em consideração os passos recentes dados pelos estúdios da Disney, estou em crer que não será uma notícia falsa.

É um assunto repetido aqui no Pacotinhos de Noção. Se procurarem pelo texto "Pequena Sereia - Inclusão a Martelo", já perceberão parte da minha opinião, mas aquilo que agora pretendem fazer à "Branca de Neve e os 7 anões", ultrapassa todos os limites da noção, da liberdade criativa e do respeito pela história da 7.ª arte.

Ao que parece o filme será lançado nos finais de 2023, princípios de 2024, mas a polémica já surgiu.

Quando se soube desta nova produção da Disney, uma das primeiras vozes que se levantou contra foi a do actor Peter Dinklage.

Peter Dinklage é um actor norte-americano com provas dadas. Já ganhou 5 Emmys e um Globo de Ouro, e conta com uma carreira de mais de 30 anos, mas foi só em 2012, com a sua personagem na série "Guerra dos Tronos", que Peter alcançou grande notoriedade, levando-o até a ganhar os prémios que atrás mencionei. A sua personagem dava pelo nome de Tyrion Lannister, cujas alcunhas eram Meio-Homem, Duende, Pequeno Monstro.

Peter foi escolhido para interpretar este papel, acredito porque é um bom actor, mas principalmente porque é um bom actor anão. A personagem foi escrita como sendo anão porque fazia sentido para a história, interpretada por Peter porque também fazia todo o sentido. De resto devo dizer que muitos dos papéis de Dinklage foram-lhe atribuídos precisamente devido ao seu nanismo. Em "The Last Rites of Ransom Pride" a sua personagem é "O Anão". No seu mais recente filme, "Cyrano", o actor também é escolhido por ser anão, pois no Cyrano de Bergerac original, o herói não quer mostrar à sua amada quem é por ter vergonha do seu imenso nariz, nesta história de 2021 a intenção de não aparecer é a mesma, mas desta feita por ser anão.

Resumindo e concluindo, e não tirando mérito a Peter Dinklage como actor, mas a verdade é que deve o seu sucesso, e o reconhecimento por parte de todos, graças a todos os papéis que fez, e em que ser anão era uma característica definida, e justificada, na história. A pergunta à qual era importante saber a resposta (assner em inglês) é:

Se enquanto precisou, o actor nunca se insurgiu contra isto, porque é que agora, depois do sucesso alcançado, e de ter chegado a milionário, se lembra de vestir a pele de virgem ofendida, de ser humano humilhado pela história, de pessoa segregada, para criar à sua volta uma onda de indignação tal, que levou a Disney a afirmar que no filme "Branca de Neve e os 7 anões", a parte dos anões vai deixar de existir. Em vez de anões vão optar por "umas criaturas mágicas".

Ignorantemente Peter Dinklage defendeu ser uma vergonha estereotiparem os anões como uns tipos que viviam em cavernas, o que como argumento é completamente estúpido, porque os anões não viviam em grutas, trabalhavam nelas, uma vez que eram mineiros.

Não temos anões na Branca de Neve, não temos o beijo do Príncipe à Bela Adormecida porque é um acto não consentido, não temos a Bela e o Mostro, porque ser bela é objectificação da mulher, e chamar Monstro ao Monstro pode ser considerado "bullying", o Egas e o Becas não podiam ser apenas amigos a partilhar o apartamento, tem obrigatoriamente que haver uma relação homossexual, o Apu dos Simpsons não pode ter um caucasiano a fazer a sua voz porque é racismo e qualquer dia o Rato Mickey vai ser cancelado porque não tem pudor em dizer que gosta de uma rata. Deixem-se de falsos moralismos, de puritanismos bacocos. Este tipo de ditadura, de cancelamentos, de espartilhamentos mentais e sociais, acabam por saturar a mente do comum mortal, daquele que não vê o diabo a cada esquina e a maldade em cada vírgula. 

As interpretações são como a maldade, esta apenas nos olhos de quem vê e nos ouvidos de quem houve. Às vezes uma história é apenas uma história, e se há tantos polícias da moralidade a magia da história deixa de existir, e aquilo que poderia ser comparado a um café, que na sua origem era puro, agradável e forte, depois de tanta separação e filtragem, passou a ser apenas uma água de lavar borras que proporcionará as piores caretas, a quem tiver o azar de a bebericar.

Aqui falo de filmes, ou desenhos animados, que sofreram deste escrutínio escabroso, mas esta inquisição espalha mais depressa que fogo em mato seco, e vemos na sociedade exemplos destes, nos mais variados sectores.

Em Portugal, celebramos todos os anos a liberdade que o 25 de Abril de 74 trouxe-nos, mas não sei qual a data que devemos marcar no calendário para assinalar quando essa liberdade passou a ser fictícia. Noutras partes do Mundo, aquilo que vai acontecendo são pessoas, que sempre forem ponderadas, começarem a encostar a extremos, que se dizem conservadores, na esperança de que este culto inquisidor tenha algum travão. É um erro, porque não é com vinagre que se apanham moscas, mas se não pretendem que grande parte dos países, mais tarde ou mais cedo se tornem em estado ditatoriais, deixem-se destas pequenices de espírito, que transformam quem as pratica, em seres tão, mas tão pequeninos, que até os anões da Branca de Neve quando olham para eles, olham de cima.

14
Set22

Pequena Sereia - Inclusão a martelo


Pacotinhos de Noção

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Para quem não está ao corrente, a Disney estreará, em 2023, o filme com personagens reais da "Pequena Sereia". Logo aqui a coisa já começa a azedar. Não gosto de transições de desenhos animados para filmes com personagens de carne e osso. Isto é um gosto pessoal, e como tal percebo quem não partilhe dele, contudo um filme que se quer real, mas que tem quase mais recurso ao trabalho de computadores, com a técnica CGI, do que o antigo, de animação, nem sei bem se se pode chamar de "live action", mas tudo bem.

Este filme gerou polémica porque a Disney optou por colocar, para desempenhar a personagem da Sereia Ariel, uma atriz de raça negra. 

Este tipo de situações não é virgem, pois não surgiu só com a Pequena Sereia. Relembro que já se falou de um 007 de saias, o novo filme do Pinóquio também optou por uma fada madrinha negra, e em 2021 foi feita uma adaptação do conto "Cinderella", em que a latina Camila Cabello, era a protagonista, e a fada madrinha era um homem, negro e gay.

Sei que existe uma forte probabilidade de haver quem não perceba a minha opinião, mas vou tentar explicar o melhor que consigo, para que não se tirem conclusões erradas.

Para mim esta atitude da Disney é patética, populista, hipócrita, e revela que a empresa se verga perante as pressões que algumas minorias exercem.

O facto de a Ariel, ou a Fada Madrinha do Pinóquio, serem negras, acrescentam algo de novo, ou positivo à história? 

Não, a história não fica melhor nem pior, devido à cor da pele da personagem, agora a história da Disney, contada anos a fio, perde toda a sua magia quando serve de porta-estandarte a afirmações políticas, de identidade ou de género. A história originalmente escrita já tem uma moral, não tem que se acrescentar uma nova, que só existe porque há pressões.

Aliás, se para o bom decorrer da história, fosse crucial que a personagem fosse, preta, branca, amarela, alta, baixa, gorda ou magra, essa característica seria apontada na sua versão original. A Branca de Neve é descrita como tendo a pele clara e imaculada, daí ser a Branca de Neve.

Os tipos com quem ela foi morar eram anões, e sendo os anões uma minoria, há vozes que agora se erguem, afirmando ser um abuso, uma usurpação e até uma forma de os ridicularizar, quando utilizam personagens anãs para enriquecerem uma história infantil. Ameaçam com processos para que a mesma seja alterada. Ridículo.

Depois temos a moda da apropriação cultural. A personagem da Ariel e da Fada Madrinha são negras, mas não poderá haver alguém que torça o nariz, e que afirme que o uso de atrizes negras para reproduzir um desenho animado, é apropriação cultural?!

É-se preso por ter cão e preso por não ter.

Atenção, acho que o contrário também se aplica. Não faria sentido nenhum que a personagem "Blade - O Caçador de Vampiros", ou o "Shaft", que na sua origem são negros, tivessem sido interpretados por actores brancos. Nem é pela cor da pele, mas porque não foi assim que a personagem foi criada.

Este fenómeno de passar a mão no pêlo das minorias, não se traduz só na cor da pele. Chamo a atenção para o recente filme "Monstros Fantásticos - O Segredo de Dumbledore".

Em nenhum dos filmes do Harry Potter, ou até nos livros, se faz menção ao facto do feiticeiro Dumbledore ser gay ou não. Não se fala porque de facto é um tipo de personagem assexuado. A sua orientação sexual não muda em nada o curso da história e como tal não faz sentido referi-la. Mesmo neste "Monstros Fantásticos", o tema da homossexualidade de Dumbledore é metido a martelo porque, de facto, agora é o que vende. É primordial que todo e qualquer filme tenha uma "mensagem", e a simples vitória do bem contra o mal já não chega.

Eu se quiser receber mensagens que me façam evoluir como pessoa, não vou ver um blockbuster a um cinema NOS, procuro noutro lado. Ali quero passar bons momentos e não quero que usurpem uma história, só porque sim.

Tudo é politizado, tudo é passível de ser cancelado se não for de encontro aos cânones e às doutrinas daqueles que se sentiram a determinada altura à margem, e que para que tal não se repita não hesitam em manter à margem quem deles seja diferente.

Devo dizer que acho até que estas tentativas forçadas de tentar colocar minorias em local de destaque nas histórias, é bastante mais humilhante do que nem ter essas personagens. Soa a esmolhida, a caridade social, que é dada a alguém que não pediu essa esmola.

O que é que se vai mudar a seguir?

O Pateta deixa de ser trapalhão, porque vai haver quem se lembre de dizer que a Disney goza com quem tem atraso mental?

Zé Carioca terá que deixar de existir porque personifica o velho hábito carioca de gostar de praia, do "Está tudo bem" e do "Deixa andar que as coisas se resolvem" e do não gostar de trabalhar? É UMA CARICATURA...

Este tipo de situações reportam-me sempre as quotas obrigatórias de mulheres em Governos ou em cargos de direcção em empresas. Não interessa a capacidade, a competência e a justeza de quem ocupa determinado cargo. Interessa, isso, sim, que há uma quota que é preciso preencher, e por isso mete-se lá seja quem for, desde que tenha um pipi.

A mais forte luta pela igualade, seja em que área for, não é a imposição e sim a normalização.

Quando era miúdo a minha mãe tentava obrigar-me a comer camarão e cogumelos e o resultado foi que lhes ganhei asco. So mais tarde, depois de adulto e de não ter alguém a tentar enfiar-me aquilo pela goela abaixo, é que fui provando e passei a gostar. Hoje vejo que perdi demasiado tempo a não gostar de camarão e cogumelos.

Para terminar gostaria de fazer uma crítica à Disney e dizer que se queriam ser inclusivos, além colocarem uma atriz negra, a fazer de Pequena Sereia, deveriam ter contratado uma atriz negra, obesa, careca, anã, lésbica e apoiante do LIVRE. Assim não falhava nada.

31
Ago22

Top Gun - Maverick


Pacotinhos de Noção

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Diz-se que não se deve voltar onde já se foi feliz. Tom Cruise decidiu ignorar essa máxima, e voltou ao "Top Gun".

Antes da minha análise a esta espécie de sequela, devo referir que, sendo um enorme saudosista, com o "Top Gun" de 1986, este sentimento não se me aflorava. Só consegui ver o filme completo depois de algumas tentativas. Achava-o desinteressante, com diálogos fracos, o romance entre Tom Cruise e Kelly McGillis vulgar, insonso e sem interesse.

Na narrativa não existia um verdadeiro objectivo, Maverick era um puto arrogante, que queria ser o melhor, e pouco mais que isso. Nada retirei de especial do filme, e de entre os meus filmes preferidos provavelmente não estaria nem nos primeiros vinte. Pensei que este poderia ser o pensamento de um miúdo, depois de um adolescente e mais tarde de um jovem adulto. Agora, homem feito, cheio de sabedoria e inteligência, decidi dar nova oportunidade à película que nos dá a conhecer Maverick e Goose e fiquei boquiaberto de tão surpreendido. Então não é que não mudaria uma vírgula acerca de tudo aquilo que pensava de "Top Gun".

Mas antes de ser apedrejado, por todos aqueles que adoraram SEMPRE o filme, relembro que vou falar sobre o "Top Gun - Maverick" e não sobre o antigo. Apenas fiz esta introdução para perceberem o espírito com que fui assistir.

Tom Cruise arriscou, ao voltar onde já foi feliz, mas arriscou muito bem. Este novo filme consegue até dar algum sentido à xaropada que foi o primeiro.

Temos agora um Tom Cruise muito mais ator do que em 86. Os anos e o trabalho deram-lhe a experiência que lhe permitiram actuar, e realizar (Cruise também participa na realização), de uma forma que fez deste filme algo de empolgante.

Temos à mesma alguns pontos negativos. O romance com a Jennifer Connelly é o que menos destaca no filme. Parece demasiado forçado e o casal não gera cumplicidade e não desperta à aura romântica que deveria existir.

Os diálogos melhoraram e temos agora um "Maverick" menos arrogante, mas com bastante ironia.

Não quiseram fazer do herói o tipo duro em que nada o fere. Várias vezes vemos a personagem lacrimejar. Não de forma lamecha, foi sempre justificado.

Temos a participação de um Val Kilmer que tem neste filme, quase de certeza, a sua última aparição em filmes. Acaba por ser uma bonita homenagem em vida.

Neste "Top Gun" temos um objectivo, uma missão, algo que é o núcleo principal e que tem outras histórias à volta, acabando por se entre cruzarem.

Maverick é destacado, alguns anos depois, para voltar a integrar o "Top Gun", composto por uma elite de pilotos. Desta vez não para pilotar, mas para ensinar tudo aquilo que sabe, pois tem que seleccionar os melhores para uma missão quase suicida. Para os ensinar, a personagem de Tom Cruise utilizará os métodos menos ortodoxos, mas que permitirão que os alunos o passem a admirar e verem nele alguém em quem confiar.

As cenas de combate aéreo nesta sequela deixam as do primeiro filme a quilómetros de distância. São bem filmadas, interessantes e, mais uma vez, empolgantes.

No geral o filme correu muitíssimo bem, é daqueles casos muito raros de sequelas que são bem melhores que o primeiro.

Tom Cruise esteve mais uma vez bem, e fico contente que se tenha permitido a voltar onde já foi feliz. O primeiro impulso, quando foi falado que poderia existir um novo "Top Gun", foi o de rejeitar perentoriamente, mas após ter-lhe sido apresentado o guião, o actor nem hesitou em telefonar para os estúdios da Paramount, a informar que o iriam fazer, e os estúdios em boa hora aceitaram, pois "Top Gun - Maverick" já bateu recordes, como sendo o filme que mais rendeu nos últimos tempos, chegando aos 1,4 mil milhões de dólares... é muita massa.

16
Mar22

Se arrepia é porque até é bom


Pacotinhos de Noção

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À partida este não seria um filme sobre o qual esperaria escrever, mas apanhou-me desprevenido e acabei por gostar bastante.

Jungle Cruise, com Dwayne Johnson e Emily Blunt, não é o filme perfeito, longe disso, tem as novas manias do costume, de mostrar como as mulheres são empoderadas, ao ponto de conseguirem lutar, fisicamente, de igual para igual com os homens, e teve também que ter representada a sua quota-parte de personagens representativas do movimento LGBT, mas ainda assim consegue ser de algumas formas inesperado, e até causar um certo calafrio, o que nos leva a pensar o que poderia sair daqui se a Disney tivesse apostado num produtor com mais currículo e provas dadas, e numa produção mais demorada e detalhada, como acontece na série dos filmes dos Piratas das Caraíbas.

Algo de interessante neste filme é que existe uma história base, que é a aventura na busca por uma árvore antiga, cujos poderes curativos são lendários.

Para a encontrar a Drª Lily Houghton (Emily Blunt), precisa navegar pelas águas do rio Amazonas, contratando assim os serviços do capitão Frank (Dwayne Johnson).

À procura da mesma árvore está também Prince Joachim, um meticuloso e frio militar alemão, que não olhará a meios para atingir os seus fins.

E parece que o filme se fica por aqui, certo? Errado. Aquilo de que vos falei é apenas uma pequena parte, a partir de determinada altura a história tem um acréscimo de personagens, e recebe uma injecção que dá todo um novo rumo à película, mas que não vou contar, para não estragar o momento.

Torno a dizer que este filme da Disney, tendo outro tipo de produtor e tendo tempo para gravação, poderia ser algo mais, assim como Dwayne Johnson que já vai acumulando anos de representação, mas ainda não teve aquele papel que lhe possa dar o estatuto de bom actor. Talvez seja com um dos próximos filmes, como o Black Adam, por exemplo, em que o ex-lutador de wrestling, fará o papel de uma herói da DC (COMICS).

Para terminar gostaria de sublinhar a banda sonora do filme, que está a cargo do compositor James Newton Howard que teve uma magnífica ideia ao utilizar instrumental de "Nothing Else Matters" dos Metallica, com um novo arranjo, e que serve no filme de moldura a uma cena de retrospectiva, narrada por Dwayne Johnson.

Se tudo o resto no filme não prestasse, só por este pedaço, já teria valido a pena, e eu nem sequer sou fã dos Metallica.

25
Jan22

Esta doença tem que acabar


Pacotinhos de Noção

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Na tarde de Domingo resolvi ver o filme "Boy Erased".

É um filme de 2018 e que acaba por ser uma biografia de Garrard Conley cujo livro, que conta a sua história pessoal, serviu de base para a adaptação ao cinema.

Jared Eamons é um rapaz de 17/18 anos, filho de um conservador pastor da Igreja Baptista que, aquando da sua ingressão na faculdade, acaba por ter um fugaz relacionamento com um colega.

Não descobriu nessa altura que era homossexual, pois no seu âmago já o sabia, mas sempre resistira aos seus impulsos, amedrontado por aquilo que a sociedade e os seus pais poderiam pensar.

Por motivos que acabam por ser agora secundários, esse rapaz com que Jared se envolveu, liga aos pais conservadores do protagonista desta história e conta-lhes acerca da homossexualidade do filho.

O pai (Russell Crowe) e a mãe (Nicole Kidman) decidem "institucionalizar" o próprio filho numa espécie de casa de correcção católica, para jovens que sofrem da nefasta doença que é a homossexualidade. 

A partir daqui o filme segue o seu caminho e não vos vou contar o final, até porque este texto não serve propriamente para falar acerca do mesmo e sim da doença presente em todo o filme, e que penso que deveria ser tratada rapidamente, sob pena de conspurcar e derrubar a nossa sociedade, até porque essa enfermidade está cada vez mais enraizada e somos constantemente atacados por ela e membros que nos serão próximos, alguns até familiares, começam a "dar ares" de que já a podem ter entranhada em todos os poros do seu corpo.

Nesta fase devo estar a induzir em erro quem me lê, porque a doença a que me refiro não é a da homossexualidade, que essa julgo que a Organização Mundial de Saúde não classificou como sendo uma doença ou condição, mas mesmo que fosse não viria daqui nenhum mal ao Mundo, pois não incomoda ninguém, ou pelo menos não deveria incomodar.

Se incomodar porventura, então significa que os incomodados sofrem da tal doença sobre a qual quero realmente falar, e que é uma que se apresenta com imensos sintomas, que passo a enumerar para que, caso os tenham, se sintam mal... Muito mal.

Sintomas como a intolerância, a idiotice, a imbecilidade, a alarvidade, a estupidez,  a arrogância e a prepotência são resultados de um mal maior e que é a IGNORÂNCIA.

Digo-vos já que não é vírus nem bactéria, mas têm um índice de transmissibilidade com valores muito acima da média de tudo aquilo que já se viu. Também não é nada de novo, mas ganha força ocasionalmente. Uma das suas características é por vezes se conseguir disfarçar de PREOCUPAÇÃO COM O BEM ESTAR DE ALGUÉM ou de SÓ QUEREMOS O MELHOR PARA TI.

Estamos em 2021, 21 anos a mais do que aqueles que deveríamos viver, dado que o Mundo iria acabar no ano 2000, se bem se recordam, mas não acabou e 21 anos após a virada do milénio constato que de facto a evolução é uma suposta verdade conveniente, muito difundida, mas que me parece que serve apenas para camuflar outra verdade, muito inconveniente que é a de que no essencial continuamos a ser uns acéfalos e atrasados que julgam que podem definir como, quando ou quem uma pessoa pode amar. 

No caso desta história, que vos recordo ser real, os pais tentaram mudar aquilo que o filho sentia. Na instituição onde o colocaram, houve até um rapaz que se a suicidou porque interiorizou que o facto de gostar de pessoas do mesmo sexo, e não o conseguir mudar, era grave o suficiente para não poder continuar a viver.

Existe quem defenda que não se morre por amor. Eu discordo, acho mesmo que se pode morrer por amor, mas só acho, não tenho a certeza completa. Já morrer por falta de amor sei que sim, é possível morrer e o mais certo é que aconteça. Seja o amor de um homem, de uma mulher, de familiares ou amigos, se não houver então o destino estará traçado.

Esta não é uma realidade ficcional, é uma realidade que deu em livro que se transformou num filme, mas gostava que tivessem presente que existem vários estados norte-americanos onde os homossexuais são pessoas consideradas secundárias e existe até um país enorme onde nele inteiro ser homossexual ainda não é um crime, mas é proibido e que é a Rússia de Putin.

30
Dez21

Nem bom nem mau, antes pelo contrário


Pacotinhos de Noção

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Já li várias críticas ao filme Don't Look Up. Umas eram muito favoráveis, afirmando ser um filme espectacular, e outras eram não tão favoráveis, dizendo que de comédia tinha pouco, e que era uma desgraça.

Agora a opinião que conta, a minha.

Primeiro devo dizer que é um filme Netflix, e logo aí a minha expectativa fica em níveis muito baixos. Isto não é preconceito, é apenas constatação de um facto.

A empresa lança filmes em catadupa, e como qualquer indústria que visa a quantidade, na maior parte das vezes a qualidade fica muito aquém.

Podem argumentar que todos os grandes artistas estão na Netflix. Claro que estão. Pagando o preço que eles querem, até filmes de Bollywood faziam.

Se as lojas dos chineses pagassem bem por publicidade, também não seriam lojas dos chineses, seriam o El Corte Inglês.

Este filme não vale pela história, pela comicidade, nem pelo desempenho dos actores, que tem em DiCaprio a estrela da companhia. Don't Look Up tem na sátira e na crítica social e política, a sua arma diferenciadora.

Gostaria que transportassem as jogadas políticas, existentes no filme, para a realidade portuguesa e vão perceber o paralelismo que se vislumbra com o que agora se passa com o nosso destituído Governo.

As eleições estão à porta e agora a luta contra a Covid não é uma luta contra o vírus e sim uma pura demonstração de marketing político populista.

As medidas implementadas são como o enorme braço de um pai ausente, que só passa pelos ombros do filho, quando lhe quer pedir que vá ao frigorífico buscar uma cerveja e lhe pede que se mantenha caladinho, para o pai poder ver a bola. É como aquele pavão vaidoso, que não serve para nada, mas que para se fazer notar abre aquele leque grande e colorido.

As jogadas políticas que vemos no filme não foram inventadas para nos entreter. Aliás, no início do filme deveriam ter escrito um pequeno prólogo a informar que "ESTE FILME É BASEADO EM RASTEIRAS POLÍTICAS REAIS".

Temos também todos aqueles estereótipos dos jornalistas bacocos que nada levam a sério. Há uns anos não teríamos como identificar estes "jornalistas", mas agora basta ligar a televisão na TVI, logo de manhãzinha e ver o que por lá se passa. Risinhos amarelos e piadas sem graça nenhuma, mas que geram gargalhadas estéreis, necessárias para que em casa pensem no quão hilariante está a ser a manhã, num programa que, para os velhotes, sempre foi uma pasmaceira, porque eram blocos noticiosos onde teimavam em dar notícias.

Temos a crítica ao tipo de esquerda, que venera a bíblia, e até temos a crítica ao pessoal contra o glúten, a carne e a lactose.

É um filme que por um lado me agrada, por criticar coisas que estão cada vez mais enraizadas na sociedade e que me incomodam, mas por outro lado, também me desagrada, e exactamente pelo mesmo motivo.

Não vou contar o final, mas posso dizer que o resultado é a consequência do pouco caso feito acerca da descoberta efetuada pelos cientistas, interpretados por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, e também aqui 

existe uma crítica ao facto de estarmos tão centrados no "eu" e no "meu" e tudo o que esteja à volta é apenas poeira.

Querem uma comédia para rir que nem uns doidos? Então esqueçam, este não é o filme.

Querem um filme com diálogos profundos e espectaculares? Também não é este filme.

Conta com boas atuações, mas nada que chegue para ser sequer apontado a prémios de cinema ou algo que se pareça.

É um filme inteligente, que nos faz pensar e comparar com a realidade do dia-a-dia. Vai mudar mentalidades? Dificilmente, mas pode ser que limpe alguma névoa mental.

21
Nov21

Décadas para construir, 3 horas para destruir


Pacotinhos de Noção

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ATENÇÃO: Este post tem spoiler forte. Daquele spoiler tão spoiler que foi o que originou a que inventassem a palavra spoiler

Vi este fim de semana o último filme da série do espião James Bond, o "007: Sem Tempo Para Morrer".

Foram quase 3 horas de filme que conseguiram destruir aquilo que levou anos a construir. Desde 1962 que foi construída uma personagem que se poderia considerar perfeita. Tão perfeita que conseguiu resistir ao facto de nestes anos todos ter tido 6 actores diferentes a interpretarem-no. Para mim o verdadeiro James Bond será sempre Sean Connery mas também gostei bastante de Roger Moore e Pierce Brosnan.

Daniel Craig acabou por não me convencer mas também não teve a tarefa facilitada, pois prejudicou-o o facto dos directores começarem a tentar inventar formas de transformar o espião num tipo mais humano e com sentimentos, envolvendo-o em casos amorosos mais pessoais e que lhe toldariam o discernimento, e apostando também na fórmula das conspirações que viriam de dentro da própria organização, MI6.

Neste "Sem Tempo Para Morrer", o director Cary Fukunaga, utilizando um termo mais técnico, inventou para caraças. Foi buscar personagens de filmes anteriores (é moda agora, talvez fruto da falta de imaginação) e vestiu James Bond com uma roupagem ainda mais sensível e familiar, fazendo com que o espião, depois de quase 80 anos de envolvimentos amorosos, muitas vezes mais do que um por filme, engravidasse o elemento feminino da trama para ser depois pai de uma menina.

Nunca se vira um James Bond com lágrimas nos olhos nem um que tivesse a tentação de dar uma seca de valores morais ao vilão.

Este filme do 007 poderia ser confundido com outro qualquer filme de acção. Não se destaca por nenhuma sequência em especial e está demasiado recheado de tiros para lado nenhum, contra capangas do vilão que nem se chegam a ver. 

Os "clichés" da sociedade actual estão lá todos. O empoderamento da mulher, um Q que nunca mostrou ser homossexual, mas que neste filme prepara um jantar para um suposto namorado, e a destruição do estigma racial quando colocam uma personagem feminina negra, como uma nova 007 que tem o poder de actuação e o carisma de uma couve-de-bruxelas.

De sublinhar a frase foleira — "Que horas são? Horas de morrer." — quando esta personagem mata um cientista que, de forma despropositada no contexto do filme, afirma que lhe seria muito fácil destruir todos os elementos da etnia dessa personagem.

Mas para terminar em grande, o que Cary Fukunaga decidiu fazer para vincar o seu nome na história dos filmes do James Bond? Decidiu matar o espião inglês.

Visto que James Bond foi infectado por um vírus que não lhe permitia ter contacto com a mulher e com a filha, e Daniel Craig decidiu que este seria o seu último filme como funcionário do MI6, o director não se sentiu com coragem para fazer a personagem ser alterada de fininho, como se fez das outras vezes, e acabou por matar o espião numa explosão sem hipóteses de fuga.

A ideia com que fica é que estarão, de facto, a preparar o terreno para romperem com a totalidade da génese de 007, inventando ou um 007 negro, ou um 007 feminino, ou um que una ambos.

Virá mal algum ao Mundo? Vir não vem, mas fico a aguardar uma Branca de Neve sem os 7 anões, uma Gata Borralheira que seja afinal um gato e uma Bela Adormecida que seja feia que nem um carapau.

O mal que vem ao Mundo é que a personagem não foi feita desta forma sendo desvirtuar aquilo que foi inventado.

O facto de ser uma personagem negra nem me incomoda, porque de facto o ser caucasiano não altera a essência da personagem, mas o ser mulher... E quem quiser ver aqui um acto de sexismo da minha parte poderá fazê-lo à vontade, assim fica mais fácil para mim, verificar quem realmente pensa ou quem se deixa apenas guiar pelas modas ridículas da sociedade. Não é assim que se atingem igualdades, apagando tudo aquilo que já existia. Faz lembrar as queimas de livros que os nazis tanto gostavam de fazer.

Em relação ao filme... Sempre quero ver o que para aí vem. Para 007 foi injusto este desfecho e também o foi para Daniel Craig, que acabou desta forma por sair pela porta pequena. Vários actores tiveram dificuldade em se descolar da personagem do James Bond, Daniel Craig não nos sairá da memória como o 007 que morreu e poderá ter iniciado o declínio de uma personagem com tanta história.

26
Jun21

Os filmes são como os livros, não se julgam pelas capas


Pacotinhos de Noção

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Penso que devemos deixar o trabalho ser feito por quem sabe, sob a hipótese de podermos vir a meter os pés pelas mãos. Ainda por cima não sou nenhum Rui Pedro Tendinha, mas este filme deixou-me tão satisfeito que tinha que falar sobre ele.

Wrath of Man é baseado num filme francês, de 2004, "Le convoyeur", que não teve o sucesso esperado. A base é a mesma, mas Guy Ritchie acrescentou o "je ne sais quoi" que o francês Nicolas Boukhrief não tinha conseguido.

Inicialmente Jason Statham interpreta o papel de H, um homem que supostamente vai apenas atrás de um emprego como segurança numa carrinha de valores que, logo num dos trabalhos iniciais de H, sofre uma tentativa de assalto. Apenas tentativa porque H impede que o mesmo aconteça.

Quem estiver a ler poderá cair no erro de pensar que vai assistir a uma cena de pancadaria, ao estilo dos filmes The Transporter, mas não.

Na verdade sendo este um filme classificado como, e sendo de acção, Jason Statham não puxa dos seus galões de lutador de artes marciais. Relembro que noutras parcerias com Guy Ritchie, Statham também não usa esta sua característica. Guy Ritchie escolhe o actor pelo actor e não pelas suas capacidades atléticas e, na minha opinião, por participar frequentemente em filmes de pancadaria, a qualidade de Jason Statham tem sido subestimada.

Voltando ao filme em questão.

Aquando da tentativa frustrada do assalto à carrinha de valores de H, conseguimos perceber que existe algo mais do que uma simples procura de trabalho. Isto pela prontidão e pela frieza com que a personagem elimina o problema que lhe surgiu.

A partir deste ponto o filme começa um desenrolar interessante de acções encadeadas que nos mostram o porquê e como tudo sucedeu.

Não vou aprofundar mais pois esta não é sequer a minha área e poderei divulgar mais do que aquilo que seria desejável.

Importa referir que todo o filme se encontra emoldurado por uma bastante aceitável banda sonora que fica a cargo do oscarizado Chris Benstead, que já havia colaborado com Guy Ritchie em The Gentlemen.

Fica a sugestão de um bom filme de acção e algum suspense. Fica mais barato do que irem massivamente a Sevilha.

 

 

12
Mar21

O Tio Patinhas vai doar a fortuna


Pacotinhos de Noção

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Abriram-se precedentes e agora a festa acabou.

O último foi a doninha, Pepe Le Pew que será uma personagem eliminada pela Warner porque contribui para a cultura da violação.

Tivemos o actor Hank Azaria a deixar de fazer a voz do Apu, nos Simpsons, porque um americano, de origem indiana, que por acaso também é actor e comediante e como tal precisava de publicidade (e conseguiu-a) se queixou de ter sido gozado por causa desta personagem... Se ele for sempre assim tão "nho-nho-nho" então é natural que se metam com ele, mas não por culpa do Apu. A culpa será dele mesmo.

A coisa chegou de tal forma ao ridículo que agora, nos Simpsons, nenhum actor caucasiano pode fazer a voz de uma personagem étnica.

A HBO, nos Estados Unidos, retirou o "E Tudo o Vento Levou" da sua plataforma de streaming porque retratava preconceitos raciais.

Aos poucos tudo vai mudar. O tio Patinhas vai ter que deixar de ser avarento e de tratar mal o Donald porque um pato marreco qualquer se vai queixar e ainda o vamos ver a distribuir toda a sua riqueza por aqueles que mais precisam. O filme "A Gaiola das Malucas" vai ver-lhe retirado os prémios e as nomeações para os Óscares, porque não respeita a comunidade LGBT. O "Taxi Driver" também por causa da personagem da Jodie Foster, que era menor...

Mas esta fantochada toda é culpa de quem?

De todos. Eu por exemplo, na frase atrás retrai-me de escrever "mariquice" em vez de "fantochada" mesmo sabendo que esta "mariquice" não tem qualquer tipo de conotação homofóbica, mas como existe a possibilidade de alguém comichoso se sentir ofendido, então evitei o uso da palavra. Mas isto não devia acontecer porque tudo tem o seu contexto e o grave é isso mesmo. As mordaças estão a ser colocadas porque retiram as personagens, as situações, as histórias do contexto e criam um burburinho de tal ordem que quem produz os conteúdos criticados, acaba por se assustar e dar o braço a torcer, mesmo quando não o devia ter feito.

A vida e o mundo das artes, aos poucos vão começando a parecer aquele arroz branco sem sal e sem sabor, que é apenas o que uma pessoa pode comer quando tem uma gastroenterite. E tudo por causa da diarreia mental de uma minoria barulhenta e ridícula.

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