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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

12
Dez21

Tanta farturinha


Pacotinhos de Noção

O vídeo que convosco, partilho foi originalmente publicado pela página @dancinghome. Conta com mais de 11 500 gostos e está envolto em algo que considero uma enorme aberração.

Tendo em conta o título que escolhi e aquilo que já referi, os mais acelerados tirarão conclusões precipitadas e pensarão que vou criticar o pessoal gordo do vídeo, mas estão redondamente enganados.

Antes que tudo gostaria de sublinhar que me referi a estas pessoas como "gordos" por uma simples razão que é a de que são "gordos". Não é dito de forma pejorativa e prefiro dizê-lo a usar uma forma de discriminação, supostamente positiva, apelidando-os de fortes, cheinhos, redondinhos, acima do peso, obesos, etc.

Mas a Tanta Farturinha a que me refiro e a enorme aberração de que me dei conta foi na abundância de comentários que o vídeo gerou e a aberração é por serem esses comentários, tentativas gratuitas de humilhação e também por serem ordinários, grotescos e maldosos. Não me chocaria nada se houvesse uma ou outra piada, não sou dos susceptíveis que acreditam que não se deve brincar com determinados assuntos, mas o que li não foram piadas, foram apedrejamentos morais que acontecem porque alguém tem massa adiposa em excesso. Considero o corpo de alguém gordo bonito? Não interessa, ninguém me perguntou e a minha opinião em nada lhes acrescenta.

Aquilo que me foi dado a perceber é que este vídeo é o início de uma caminhada de um grupo de pessoas que vai tentar perder peso, recorrendo à dança como fonte de inspiração. Bom para eles e bom para quem os siga e consiga encontrar neles uma ignição que lhes permita também dar esse passo, caso queiram e precisem. Há alguns comentários de apoio, felizmente, mas os mais contundentes são realmente os negativos. Estão na sua grande maior parte em inglês e um deles diz algo como "Quase que se consegue cheirar este vídeo" e a seguir os emoticons de vómito, dando a entender que gordos são pessoas mal cheirosas. Alguém criticou o facto, mas teve logo outro idiota a cair-lhe em cima afirmando que as pessoas do vídeo nem sequer são pessoas... Isto é deplorável e mau demais para ser verdade. Malta nova de ginásios, que colocam as suas fotos do quão magníficos são levantando pesos no ginásio, mas eu pergunto para quê? Para quê trabalhar o corpo quando a mente foi deixada ao abandono, ficando bafienta, empoeirada e sofrendo duma catalepsia mental que não nos permite diferenciar este imbecil de um monte de esterco, que ainda assim consegue ainda ser mais útil, pois poderá servir de adubo à terra.

Este pessoal que pisou as pessoas do vídeo por serem gordos, são os que defendem todos os movimentos que estão na moda, são os partilham os seus momentos maravilhosos que dão uma óptima retrospectiva do Instagram, mas que depois dos anos passarem, e quando forem realmente fazer uma retrospectiva da sua própria vida, vão perceber que estão sós e amargurados porque não respeitar alguém pelo formato do seu corpo é, na verdade não respeitar ninguém. É não respeitar quem ama alguém do mesmo sexo, quem tem uma cultura, um credo, uma cor de pele diferente ou mesmo um sexo diferente do dele. É não respeitar quem prefere carne a vegetais e vice-versa e é também não respeitar animais. Isto porque uma coisa não se dissocia da outra, quem tem uma tão grande capacidade de discriminação, discrimina na sua generalidade, a diferença é haver temas em que já percebeu que a sociedade não lhe permite que discrimine, e como tal tenta camuflar a sua boçalidade fingindo ser aquilo que não é. Quando vê algo ou alguém diferente, a quem a sociedade também acaba por estigmatizar, então aproveita e atira a primeira de muitas pedras, pois tem que matar a sua sede de sangue.

Vi destes comentários pouco dignos e também vi dos outros que, numa tentativa de se mostrarem condescendentes, mostram apenas que estão apenas uns poucos degraus acima dos estúpidos que ofendem gratuitamente.

O que acrescenta dizer a uma pessoa daquela estatura que está gorda e que deveria regular a sua dieta? São todos doutores? A obesidade é uma doença que mata tanto como o cancro, mas tem um componente que o cancro não tem. O cancro é um crescimento anormal de células. Uns têm tratamento e outros não, mas é algo de físico e palpável que se tenta combater. A obesidade tem essa vertente física da doença e que é a gordura espalhada no corpo e que vai envolvendo órgãos vitais para o bem-estar do ser humano, fazendo com que esse bem-estar deixe de existir, podendo até levar à morte. Mas depois existe aquele vertente psicológica que é mais difícil de tratar. Há gordos para todos os gostos. Há os que o são por problemas tiroidais, há os que o são por deficiências de absorção do corpo e há os que os são porque comem efectivamente demais. Estes, sendo gordos porque comem demais, são os que devem ser ofendidos por serem umas bestas a comer, por não terem força de vontade, por desenvolverem doenças que têm depois  que ser tratadas no SNS com o meu dinheiro, certo? Errado. Estes são os que precisam de ajuda. São compulsivos por algum motivo e como tal têm que ser compreendidos e ajudados. São pessoas que jogam à roleta russa com quase todas as balas no tambor, mas que ainda assim não conseguem deixar de jogar. Não querem morrer, mas não conseguem evitar caminhar nessa direcção. Quantos de nós já sentimos que aquilo que fazemos nos mata, mas resignámo-nos a que assim seja porque não temos força para contrariar? Quem fuma poderá partir deste mesmo princípio, mas dificilmente sofrerá a mesma discriminação e violência que sofrem os gordos.

Outros comentários que li foram os que achavam mal este incentivo à obesidade...

Estúpidos demais. O vídeo quer ir exactamente no sentido oposto.

Conhecem alguém cujo seu grande objectivo, até ao final do ano, seja finalmente atingir os 170 kg para deixar de conseguir andar convenientemente? Não!? Que estranho!

Não temos todos que corresponder ao padrão de beleza imposto pela sociedade e pelas capas de revista, e é óbvio que temos que zelar pelo nosso bem-estar, e também é óbvio que todos quereriam ter as medidas perfeitas, mas se existirem gordos, que não tenham inerentes à sua condição nenhuma patologia que os prejudique, e se realmente se sentirem bem como são, mandem todos à fava e sejam felizes. 

Aos que são felizes tentando fazer a infelicidade dos outros... Lamento e garanto-vos que se algum dia pisar um de vós na rua, farei como sempre faço. Esfrego os pés na relva mais próxima para não ficar com nenhum bocadinho vosso na sola do meu sapato.

09
Fev21

Vitimização "is the new black"


Pacotinhos de Noção

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Sabem quem é Idris Elba?

Aquele actor preto que entrou no Thor, no Velocidade Furiosa e que dizem que pode vir a ser o futuro James Bond?

E por falar em James Bond, sabem quem foi o actor Hervé Villechaize?

Aquele anão que fazia de Nick Nack nos filmes do 007 e que todos dizem que é parecido com o Toy.

E o John Goodman, conhecem? Aquele actor gordo que fez de Fred Flinstone e que agora emagreceu e já não é tão gordo assim.

Além de serem actores, o que é que estas três pessoas têm em comum?

Têm características físicas que lhes permitem serem mais fáceis de identificar.

Poderia ter identificado o Idris Elba como alguém simpaticíssimo, Hervé Villechaize como uma pessoa instrospectiva e o John Goodman como alguém com um enorme sentido de humor... Poderia, mas estaria a mentir, pelo simples facto que não os conheço e não sei como realmente são. Usei características físicas não como forma de racismo, body shaming ou qualquer outra conotação que queiram dar, usei apenas por ser mais simples.

Nos dias de hoje todos são demasiado susceptíveis, todos se colocam no papel de vítimas porque a vitimização "is the new black"... E pronto, lá estou eu a utilizar o black abusivamente. Peço desculpa de antemão. Usei o black sem qualquer tipo de pudor porque para mim é apenas UMA PALAVRA. Eu seja ceguinho se estou a mentir... C'um caraças, agora posso ser acusado de estar a minimizar os invisuais, por ter usado o termo ceguinho e por não me ter colocado no lugar dos mesmos.

Uma pessoa já nem sabe o que pode dizer ou escrever, este amordaçar popular é um cancro que tenta matar a liberdade de expressão.

Calma ai, calma ai... Falei de cancro, e embora tenha familiares que pereceram do mesmo, não tenho legitimidade para poder falar na doença.

Não gozei com ninguém, não ridicularizei nenhuma situação de doença física ou mental, côr da pele, credo ou morfologia da pessoa, mas ainda assim há sempre a possibilidade de alguém se sentir ofendido com o que eu escrevi. E ainda há o bónus de se por acaso eu escrever "perespectivia", em vez de perspectiva, rápidamente vai aparecer alguém a aproveitar a falha para me dizer que "não devia gozar nem falar de determinados assuntos que desconheço e que podem ser traumatizantes para terceiros e ainda por cima sou analfabeto", incorrendo assim numa ofensa pessoal, que me permitirá a mim vitimizar-me.

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