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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

15
Dez21

Espécie em vias de expansão


Pacotinhos de Noção

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Este não é um post que vá mudar o mundo, nem sequer o país. Gostaria que mudasse o local onde estou, mas nem isso vai conseguir. Mas é um desabafo... Já incomodei quem está aqui próximo de mim, a quem também não agrada a situação de que vos vou falar, e agora incomodo vossas excelências, para perceber se mais alguém sofre do mesmo mal que eu e que é o de por vezes sentir que estou no meio de uma porcalheira infecta e cheia de ratazanas de duas pernas, nojentas.

Trabalho na rua mais movimentada da zona onde estou. Isto tem os seus prós, mas tem também enormes contras.

Um dos maiores são as esplanadas, e quando me refiro a esplanadas não falo naquelas em que idealizamos estar num fim de tarde, para beber um copo ou passar um momento agradável. Estas esplanadas são aquelas de snack-bar farsola sujo, que a partir das 17:00 tem o "happy hour" das imperiais de fundo de barril, e em que a casca do tremoço é sempre cuspida para o chão.

Ainda por cima, com esta parvalheira da pandemia, fizeram uma nova lei em que qualquer buraco pode fazer esplanada provisória, e então estas proliferaram que nem cogumelos, mas cogumelos daqueles impróprios para comer, que nos proporcionam uma enorme diarreia ou uma visita ao hospital.

Lugares de estacionamento e passeios passaram a ficar ocupados com mesas, cadeiras de plástico e guarda-sóis demasiadamente grandes para os espaços que ocupam. Por incrível que pareça esta nem é a pior parte, pois isto parece que vem em "kit". Com as mesas, as cadeiras, os guarda-sóis e a badalhoquice vêm uns bonequinhos muito porcos e barulhentos a que se chamam "bêbedos." Não são o bêbedo comum que se enfrascou um pouco demais porque naquele dia calhou, não... São os bêbedos profissionais, aqueles que pegam ao serviço de manhãzinha e que nem sei quando vão para casa, porque quando eu vou para a minha eles ainda estão no seu lugar cativo. A ideia que dá é que compraram bilhete para a temporada toda e a temporada é uma vida.

Não cheguei à fala com nenhum elemento desta espécie, por questões de nojo e medo, o nojo não há necessidade de explicar, o medo é o de apanhar uma qualquer doença infecto-contagiosa, mas gostaria de o ter feito para conseguir compreender como ganham eles a vida e quão bem recebem, porque não deve sair nada barato fazer vida de esplanada.

Mas estas pessoas deixam-me triste por várias ordens de razões. Uma das primeiras é por saber que há um limite para a evolução. Enquanto uns fizeram o seu caminho aprendendo a comunicar e a se expressar sem ser em grunhidos, estes seres de esplanada parece que não sabem comunicar de outra forma... Aliás, até sabem, ou pelo menos tentam . Ocasionalmente emitem outra espécie de sons, que com muito custo e boa vontade poderíamos dizer que seria algo como "cantar", mas não posso dar 100% de certezas, porque já ouvi e vi pessoas a cantar e não era muito parecido com isto.

Algo mais que me deixa triste é que, infelizmente, estas esplanadas não estão mal situadas. Ficam em sítios centrais, e até agradáveis, e se bem frequentados seriam um óptimo local a ter em conta. Assim não, assim nem a pontinha do pé lá meto. Faz lembrar a água da praia, quando a maré esteve muito, muito baixa e que depois quando sobe, reabsorve os limos que estiveram a secar na areia, e a acumular lixo dos porcalhões e penas de gaivotas, tornando a água toda emporcalhada com o tal lixo, as penas e uma espuma castanha, que é o sal que se acumulara naqueles limos secos e que me faz não querer voltar a entrar no mar naquele dia, a não ser que me apontem uma arma à cabeça.

Este categoria de pessoas, que vivem de algo, mas que não é trabalho, são sustentados pelo meu e pelo vosso suor, o que me cria alguma revolta e desconforto, e sei que criará a muitas mais pessoas, o que também me deixa triste, porque poderá assim estar a semear-se um sentimento que vai permitir a que políticos populistas, como o André Ventura, acenem com a bandeira de acabar com os subsídio-dependentes, conseguindo assim angariar bastantes votos.

Posso ser considerado elitista ao afirmar que se estivéssemos dependestes destes tipos para se efectuar uma nova luta de classes, tentando assim fazer evoluir um pouco mais a nossa sociedade, estaríamos condenados porque estes gajos não têm classe nem sequer se enquadram em qualquer tipo de classe. Não são povo, porque o povo tem que trabalhar para sobreviver, poderiam ser nobreza se fossem adeptos do "come e dorme", mas eles praticam é o "bebe e dorme" e do clero não são de certeza, porque demonstram bem que não são muito religiosos.

Tal como dissera no início, este texto não acrescentou nada de novo. Foi apenas um vómito em forma de desabafo. Peço desculpa pela analogia algo desagradável, mas realmente é de embrulhar o estômago.

Vou terminar por agora porque daqui a pouco são 17:00 e tenho um "happy hour" para frequentar. 

Um abraço e até à próxima.

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