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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

06
Mar22

Um TABU de que se deve falar


Pacotinhos de Noção

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Estreou ontem o novo programa do Bruno Nogueira, TABU.

Relembro-vos há uns meses ter escrito o quão desiludido fiquei com o programa "Princípio, Meio e Fim", porque se assemelhava a uma reunião confusa de amigos, que decidiram que haveriam de se juntar todos, filmar, e depois mostrar o que dali resultou.

Muitos colocaram no programa o epíteto de genial, e que só os mais requintados poderiam gostar, que era preciso aprender a apreciar por ser muito fora da caixa, mas a verdade é que se um programa de comédia precisa de instruções para fazer rir, então não é um programa de comédia, é só um programa.

A verdade é que começou em glória, não cativou a grande generalidade do público e terminou sem deixar nenhum tipo de saudades.

Não critiquei uma única vez a capacidade humorística de Bruno Nogueira, pois não era com aquele programa que tinha que prestar provas. As provas necessárias já foram dadas anos antes, com outros formatos e outros estilos, e no "Princípio, Meio e Fim houve apenas a concepção de algo que não foi tão bem conseguido, quanto o haviam pretendido.

Aquilo que se destaca, ao observar o percurso de Bruno Nogueira, é a vontade de sempre fazer diferente, de aproveitar um espaço que, de certa forma, ninguém teve a ousadia, o discernimento ou o vislumbre de pegar. Se o "Princípio, Meio e Fim" era uma reunião de amigos, que não transparecia para o público qualquer tipo de afecto ou simpatia, TABU é uma reunião de desconhecidos que partilham entre eles (e também connosco) parte das suas histórias de vida, mas que corre muito bem, pois não existem piadas pré-concebidas e humores gastos e requentados metidos a martelo. Pelo contrário, existem ali pessoas em conversa onde, de uma maneira ou de outra, a piada surge, sendo aproveitada, para o programa, e funciona muitíssimo bem. Depois temos a parte de "stand up" do Bruno, que mata um pouco as saudades do tempo em que frequentava o "Levanta-te e Ri", mas que o súpera em muito. Temos agora alguém mais maduro, com menos manias de miúdo rebelde, uma inteligência mais acutilante, e que lhe é até exigida, tendo em atenção os assuntos focados.

Este programa não nos mostra como a vida pode ser perfeita mesmo que se tenha limitações. Mostra-nos, isso sim, que no meio da imperfeição que é a vida, existe espaço para momentos perfeitos em que nos conseguimos rir de motivos que normalmente nos levariam a chorar.

TABU é uma lufada de ar fresco por vir meter a mão de forma abrupta e indelicada, em assuntos que são normalmente mexidos com pinças, e com uma dose cavalar de cautela, que só assim acontece devido aos grupos crescentes de "canceladores" que julgam que o humor, o cinema, a televisão, a escrita e o teatro, se devem reger por regras por eles definidas, e que têm uma elasticidade elevada a zero, obrigando a que todos tenham que andar dentro de uma linha por eles definida.

Nogueira passa essa linha por vontade própria, e fê-lo de maneira exímia, pois tratou todos os protagonistas do programa de ontem, sem "coitadismos", ouvindo as suas histórias, mas brincando com o que havia para brincar. Não sendo o mesmo formato, assemelho muito este programa ao "Som de Cristal", em que Bruno brincava com os artistas da música popular portuguesa de uma forma divertida, mas nunca ofensiva, mostrando por eles um respeito que não existe normalmente nem nalguns anfitriões de programas que vivem tanto na base destes artistas, e que até fazem Festas e Domingãos inteiros, com a música por eles comercializada.

Se este programa mostrou a genialidade de Bruno Nogueira?

Não mostrou este, assim como não mostrou o "Princípio, Meio e Fim". A genialidade do artista não se constrói com um ou outro programa. Constrói-se com uma carreira de sucessos e insucessos, altos e baixos, louvores e polémicas, mas sempre com a constante de dar algo de novo e interessante a quem vê. No panorama humorístico nacional actual existe apenas um génio, e é Herman José, que tem carreira, vida, história e que foi ousando.

Sei que existe também quem considere Ricardo Araújo Pereira um génio, e aqui não poderia estar mais em desacordo. Não querendo comparar os dois, mas já comparando, Bruno Nogueira já caminhou por vários estilos e não teme a mudança, RAP está preso à comédia política, e parece de lá não querer sair, tansformando-se assim num Jon Stewart de Carnaxide, o que nem é desprimor nenhum, e o ex-Gato Fedorento e bastante bom naquilo que faz, mas ficando muito preso a um estilo, poderá deixar de saber fazer todos os outros. Já Bruno gradualmente vai construindo o tal caminho para um dia poder acalentar a ser

um génio, não comparável ao Herman, mas que terá também lugar de destaque.

Parabéns ao Bruno Nogueira, à SIC e aos protagonistas do primeiro episódio do TABU. Fico, ansioso, a aguardar os próximos episódios.

24
Out21

Terra Nossa do c@r@1h0


Pacotinhos de Noção

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Começo esta m€rd@ deste post duma maneira que vos poderá f*d*r o juízo, mas c@gu€i.

Acharam bonito a introdução que hoje escolhi?

Pois, também me pareceu que não. É vulgar e despropositada.

Não sou um menino de coro nem sequer andei numa escola de padres.

À verborreia conheço-a toda, e até uso com mais frequência do que aquela de que gostaria, mas apenas com quem me sinto à vontade, e só me sinto à vontade com pessoas que me são muito próximas, e raramente o faço na forma escrita. Não sei porquê mas uma asneira escrita parece-me sempre mais sonora do que falada.

Introduzo este tema depois de assistir a mais um episódio do programa Terra Nossa, com o César Mourão.

Não vou criticar o programa, do qual gosto bastante e que é uma fórmula ganhadora, principalmente se forem episódios novos como agora acontece, e não 359 repetições, como a SIC andava a fazer, e essa fórmula ganhadora fica a dever-se quase na sua totalidade à grande capacidade do César Mourão agarrar nos cromos que lhe aparecem, que nos vamos apercebendo que cada vez são mais comuns, arriscando até a que só nos calhem repetidos, e transformando-os naqueles especiais, que todos querem, e que têm até uma moldura prateada todo em volta.

Mas de entre aqueles cromos repetidos, que de tanto saírem até já enjoam, estão os cromos que são as velhas desbocadas que fazem da asneira gratuita e da ordinarice o seu cartão-de-visita.

O problema aqui está no facto de que parece tudo muito forçado. Houve uma primeira dessas senhoras que falou como um tipo das obras, ficou em êxtase quando reparou que a sala se ria e depois foi quase impossível controlar. A seguir a esta pioneira do palavrão, tem havido quase sempre uma velha destas, que em cada frase lança duas ou três pérolas da linguagem chula, que fariam corar até o próprio Bocage.

Não rara é a vez em que estas senhoras ainda não acabaram o "-lho" e já estão a olhar em volta, na procura de gargalhadas que validem a piada que tão bem elaborou.

Percebo que a produção aproveite o momento para colocar no programa, e sei também que não tenho pergaminhos para sugerir ou afirmar se deveriam ou não colocar essas senhoras, porque na verdade o intuito deste texto nem é esse.

Gosto imenso do programa, adoro a maneira como o César Mourão o faz e não mudaria nada, apenas o utilizo porque foi o que despoletou a que escreva este texto que visa criticar um tipo de linguagem que vai cada vez mais sendo corriqueiro e que utiliza despudoradamente o palavrão, ainda para mais o palavrão de "carga pesada".

Quem vier com o argumento que no Norte o palavrão é vírgula, eu apenas coloco dois exemplos que confirmarão se é realmente vírgula ou não.

1º No Norte, quando o pessoal tem uma dor e vai ao médico, para se queixarem dizem, "Sr.Dr. tenho uma dorzinha aqui que me incomoda" ou "tenho uma dorzinha aqui que me está a deixar f***do?"

E quando falam com o Padre da paróquia dizem "Venho-me confessar porque pequei" ou "Venho-me confessar porque fiz m€rd@"?

Mas regionalismos à parte.

Vivo na linha do Estoril, zona reconhecida por ter os betos de Cascais, os meninos e as meninas de bem (tios) e pessoal com educações e formações superiores. Os rapazes são filhos dos actuais administradores de empresas multinacionais e como tal futuros administradores dessas mesmas multinacionais, e as raparigas são as "Tichas" as "Patis" as "Tetés" que vão casar com esses administradores, e a linguagem que mais tenho ouvido ultimamente, utilizada por estes elementos, é de passar pedra-pomes na língua.

Curiosamente até são as raparigas que agora mostram maior orgulho em dizer asneirada e fazem-no com sobranceria, em alto e bom som, sem quererem saber onde estão e quem poderá estar presente, porque elas são "da best" e não devem respeito a nada nem ninguém, e ai de alguém que lhes tente dizer alguma coisa porque "se nem o meu pai me diz como devo falar..." E se calhar é mesmo aqui que mora o problema.

Com tudo isto, aquilo que quero na realidade dizer é que desde as senhoras velhas a dizer asneiras na televisão, (e não só) até às betas de Cascais a ter comportamentos semelhantes, mas sem ser em televisão, com muita pena delas, é-nos permitido chegar à conclusão que o uso deste tipo de linguagem não tem que ver com idade, estrato social ou região. Tem apenas que ver com educação ou falta dela e com noção ou falta dela.

O Fernando Rocha, que sempre foi tão criticado pelas asneiras que tanto utiliza, já apresentou e participou em programas de "day time" e mostrou que sabe, e consegue, falar com todas as vírgulas e pontos nos i's sem ter que no fim dizer "é pró bujão... Mai nada", pois tal não se adequava.

E o Herman, que durante anos foi perseguido por pessooal que dizia que ele era ordinário porque dizia asneiras, asneiras essas que se resumiam a um "cocó", nos dias actuais.

Bem, eu expus aquilo que pensava. Se concordarem concordam, se não concordam vão mas é todos para o...

 

17
Mai21

Como diria Bruno Nogueira: "Fraquinho... Muito fraquinho"


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Foi hoje o 6º e último episódio do "Princípio, Meio e Fim".
Uma vez que escrevi o que pensava, depois do primeiro episódio, no post "Um tanto ou quanto desiludido" achei por bem voltar a fazê-lo depois do último episódio.
Na altura defendi que a ideia era engraçada mas que faltava alguma comicidade e que dava a sensação de que eram usadas demasiadas "private jokes" que só os intervenientes perceberiam.
Tive imensas reacções ao post, dizendo que o programa era de génio, que era preciso entender a comédia, que as "private jokes" não eram "private jokes".
A verdade é que com o passar dos episódios o programa foi perdendo cada vez mais e mais audiências. Esvaziou rapidamente como se de um balão se tratasse e o recurso ao grito histérico, como forma de tentar ser engraçado, deixa de ter piada quando chegamos aos 4/5 anos de idade e deixamos de ser tão infantis.
Depois de ter assistido a todos os episódios, devo dizer que a série além de nunca descolar na verdade foi-se afundando cada vez mais.
Foi um projecto pioneiro, funcionaria talvez se fosse de episódio único, mas assim mostrou aquilo mesmo que pensava. Serviu apenas para divertir quem nele participou.
Já sei que imensa gente poderá dizer que é preciso aprender a gostar, mas para mim quando o argumento que é usado para uma série que se quer de comédia, é o mesmo argumento que é usado para o sushi, então temos mesmo um problema.
Os intervenientes não deixam de ser bons por terem participado em algo que não funcionou. Já houve outros programas que também não funcionaram e que depois até se tornaram de culto, como a Hora H, do grandioso Herman José, mas o "Princípio, Meio e Fim" por muitas voltas que se dê, penso que difícilmente chegará ao culto.
Algo que também não correu muito bem, foi o facto de os autores criticarem o horário a que o programa foi transmitido. Não me parece que o problema tenha sido o horário, até porque quando a obra se entranha, vê-se nem que seja no dia a seguir, e aqui não aconteceu, tendo até em consideração a falta de burburinho que a mesma criou, a não ser depois do primeiro episódio.
Bruno Nogueira já teve ideias fantásticas, e esta também não era má, mas foi mal conseguida e arrastou-se por demasiados episódios. Foram só 6, mas pareceram muitos mais.

05
Mai21

Perdoai-lhes televisão, pois eles não sabem o que dizem


Pacotinhos de Noção

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Sou um adepto confesso da televisão. Sinto sempre algum asco pela falta de agradecimento e pelo "cuspir no prato em que já se comeu", quando ouço alguém afirmar que vê cada vez menos, porque pensam que não tem qualidade. Vejo as coisas de outro prisma.

As pessoas não assistem televisão porque estão cada vez mais preguiçosas. Querem tudo "mastigado" e pronto a consumir. Prova disso são as imensas quantidades de séries que nos são injectadas incessantemente. Existirão séries de qualidade, com certeza, mas a qualidade aumenta substancialmente se for possível ver numa qualquer plataforma de streaming. Se passar na RTP, ou noutro canal qualquer, já não é assim tão boa. Esquisito, não é? Não... Dizer que se viu na Netflix dá outro estatuto. É o estatuto de rebanho, porque acabam por seguir a moda que todos seguem.

Tenho novidades. Séries como Black Adder, Alô Alô, Seinfeld, Cheers, Dexter, Breaking Bad, Friends, Quem sai aos seus, deram todas na televisão e foram todas feitas para essa mesma televisão e perduram todas na história do audiovisual. Já as de agora, uma vez que são feitas em barda, têm o seu grande sucesso mas são de consumo rápido e para serem de memória efémera. Mal comparado são como os "Los del Rio" com a Macarena, ou o "Psy" com o Gangnam Style. Todos os tocam durante um tempo e depois todos os esquecem, para sempre.

Um dos argumentos é que a televisão estupidifica. É verdade. Quando estupidifica mais é naquela altura em que se argumenta que ela estupidifica.

A televisão informa, instrui, esclarece, faz sonhar e ajuda também a discutir opiniões. Além de ser uma autêntica janela para o Mundo. Apenas temos que escolher o que ver.

Quero ver alguém afirmar que se sentiu mais estúpido, depois de ver um episódio do maravilhoso "Portugalmente" do Luís Osório, ou qualquer outro dos seus documentários. Ou uns mais actuais Governo Sombra, Irritações ou Eixo do Mal. Ou com o "Herman Enciclopédia", do Herman ou os episódios dos "Gato Fedorento".

Aprendi imenso com concursos como o "Quem quer ser milionário" do Carlos Cruz, a "Arca de Noé" do saudoso Fialho Gouveia ou até o Palavra puxa Palavra, com o António Sala.

E hoje em dia, o "Traz Prá Frente", com o Alvim, o Markl, a Inês Lopes Gonçalves, o magnífico Júlio Isidro e o Álvaro Costa, só não serve de fonte de curiosidades e informações se não quiserem.

Na televisão há de tudo, é apenas preciso saber escolher, mas a maioria das pessoas não está para isso. Preferem colocar a cabeça enfiada no ecrã de um smartphone ou de um computador e ficar alheios de tudo. Até da família.

Mesmo nessa questão a televisão acaba por ser mais amigável, pois é muito mais simples pais e filhos se sentarem em frente a um televisor e passarem algum tempo, até a partilharem o mesmo espaço, do que cada um pegar no seu aparelho e desaparecerem para os seus cantos acabando por ficarem a viver com estranhos.

Em termos de informação vão dizer que é tudo uma vergonha, mas dizem-no porque só têm a CMTV na ideia. Mas até a CMTV tem o seu mérito. É um facto que acabam por ser sempre os primeiros a chegar.

Mas dizer que a SIC NOTÍCIAS, não tem qualidade, e grande parte da TVI24, é uma desfaçatez. E depois temos, por exemplo, o 6ª às 9, na RTP com a Sandra Felgueiras. Programa de jornalismo de investigação de clara isenção e qualidade.

Não defenderei mais a minha dama. Acho que deixei bem explícito aquilo que penso e relembro que antes da internet a televisão já existia e de uma forma ou outra sempre ajudou a formar e a informar. Não sejam por isso ingratos com ela.

 

 

30
Jan21

Ídolos... Nunca tive


Pacotinhos de Noção

Um ídolo é alguém que adoramos acima de tudo, que achamos que tudo o que faz é perfeito e colocamos num pedestal.

Considero que nunca tive porque tenho a consciência de que posso admirar o trabalho mas a possibilidade da personalidade do artista não corresponder aquilo que imagino é muito alta.

As minhas memórias televisivas mais antigas têm em Carlos Cruz uma personalidade muito marcante. Quer pela inteligência, quer pelo sentido de humor, o profissionalismo e o à vontade em frente das câmeras.

O "1,2,3" sem Carlos Cruz nunca foi o mesmo, não há dúvidas de que o "Quem quer ser milionário" não teve melhor apresentador que ele, o "Ideias com história" era interessante e instrutivo e as "Noites Marcianas" só com o Sr.Televisão funcionaram bem.

Na década de 90 podemos agradecer à sua produtora pérolas como "A Roda da Sorte" com o Herman José, e "O Preço Certo", que não tirando o mérito a Fernando Mendes, teve na de Carlos Cruz a melhor versão.

Em relação ao tema do processo Casa Pia...

Em 2003, com 21 anos, fiquei com dificuldades em acreditar. O processo foi-se arrastando e foram aparecendo e desaparecendo personagens com uma facilidade impressionante o que para mim significava um processo alicerçado em estacas podres e corroídas. Carlos Silvino (Bibi) já disse que Carlos Cruz não esteve envolvido em nada, supostas vítimas também já afirmaram o mesmo, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem já deu razão a Carlos Cruz, confirmando aquilo que ele sempre disse, que tinha provas da sua inocência mas que nunca foram aceites pelos tribunais portugueses, não lhe permitindo assim uma defesa consistente. Não ponho as mãos no fogo por ninguém, ainda mais por alguém que não conheço, mas há quem o conheça. A filha Marta Cruz, com quem me cruzo várias vezes mas a quem nunca tive a coragem de me dirigir para lhe pedir para servir de intermediário na tentativa de conhecer o seu pai, conhece-o profundamente e não dúvida da sua índole. As suas ex-mulheres, Raquel Rocheta e Marluce, são ex, não precisariam de dar a cara por ele, tomar as suas dores, mas são as primeiras a defendê-lo...

Depois há a luta de um homem que já cumpriu pena mas que se fosse culpado, saindo cá para fora tentaria abafar o caso, mas Carlos Cruz não, Carlos Cruz continua a tentar limpar o seu nome e a sua honra. Talvez não pelos seus, não por si, que têm como concreto que tudo foi um processo vergonhoso, mas para todos aqueles que admirando a pessoa, ficarão sempre com um pé atrás. Nesta luta desigual Carlos Cruz não tem ganho nada. Perdeu estatuto, perdeu dinheiro, perdeu liberdade, perdeu saúde. Conseguindo provar a sua inocência muito difícilmente conseguirá recuperar alguma destas coisas, mas terá a honra, perante os outros, imaculada.

Mas cada um com as suas ideias e convicções e não pretendo converter ninguém.

Conforme iniciei este post, repito. Nunca tive ídolos, mas Carlos Cruz é talvez do mais próximo a isso que posso ter. Ele, Júlio Isidro, Hermam José... Tudo pessoas inteligentes e que passar umas horas com eles, absorvendo as suas histórias de vida, me fariam sentir mais rico. Eles deviam ser as pessoas que inundariam os nossos canais com conteúdos e a quem deveriam ser entregues as apresentações desses programas. Infelizmente não são eternos e devíamos voltar a usufruir já dos seus talentos e conhecimentos para não lamentarmos já cá não estarem, como lamentamos com personalidades como Nicolau Breyner, Fialho Gouveia, Raúl Solnado, António Feio, entre outros.

Em relação a Carlos Cruz sublinho, não meto a mão no fogo por ninguém, mas dava-lhe um abraço sentido.

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