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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

12
Jul21

Morreu Constança Braddell


Pacotinhos de Noção

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"Porquê, meu Deus, porquê?"

Este foi o comentário que me levou a querer escrever estas linhas, porque a resposta é óbvia e porque o intuito da pergunta é o mesmo, sempre que morre alguém que foi assunto nas redes sociais.

O porquê é porque a rapariga estava doente. Na verdade estava até muito doente, e foi precisamente por isso que acabou por ficar conhecida. Ela quando fez o seu pedido de ajuda não estava à procura de mais seguidores, de fãs, de patrocínios. Estava à procura de uma solução para a sua morte anunciada. Infelizmente não conseguiu.

Não desenvolvi qualquer tipo de empatia ou antipatia por esta rapariga. Não a considero guerreira, considero apenas uma desafortunada que teve uma doença que lhe tirou a vida. Tentou viver, e tantos que tendo a vida por garantida não o tentam. Mas não lhe foi permitido. Não o foi por ninguém em especial, mas sim pelas circunstâncias e por obra do acaso. Será justo? Não é certamente. Principalmente para a família e verdadeiros amigos que a acompanharam e que lhe sentirão a falta. Para ela será indiferente. Já partiu e não sente a dor que sentia, nem a dor que cá deixou. Para mim, que não lhe era nada, não a conhecia nem costumo entrar em dramas de redes sociais, o dia segue como todos os outros com a genuína esperança de que o que a afectou nunca afecte nenhum dos meus.

Às pessoas que neste momento inundam o Facebook, o Instagram e todos os similares com "RIP's", "descansa em paz" e "porquê, meu Deus, porquê?", tomem vergonha na cara e apaguem a porcaria que escreveram, com o intuito de ter gostos ou serem "trends". Ela não vai ler, e os verdadeiros amigos e principalmente a família, não querem nem saber aquilo que vocês pensam, porque a totalidade dos seus pensamentos está no facto de que perderam alguém.

O que escrevo não é novidade para ninguém. As redes sociais são um mundo cor-de-rosa onde as mães são super-mães, as férias são espectaculares, o pôr-do-sol é sempre bonito as relações são magníficas, e em que se sente sempre muito a morte de alguém. Isto desde que seja possível mostrar tudo isso, porque se não for, conforme não o é no mundo real, então não vale nem a pena dizer "Bom dia", "Por favor" ou "Muito obrigado".

Palavras para a Constança Braddell não tenho, para a família, que não conheço, também não, para vós que vivem destas aparências tenho uma:

HIPÓCRITAS.

 

 

 

09
Jun21

Até se me arrepia o manjerico


Pacotinhos de Noção

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Nunca fui grande adepto dos Santos Populares e das suas marchas. Houve uma altura em que até ponderei ir às festas mas tendo conhecimento de tamanhos ajuntamentos decidi que não o iria fazer, e atenção que na altura nem sequer se imaginava o que era o COVID.

Acontece que o facto de eu não gostar não significa que mais ninguém possa gostar e esse mesmo facto também não invalida sentir uma enorme injustiça no que diz respeito às restrições que vão ser impostas em Lisboa.

Para que se saiba:

- Caso queiram dar um salto ao Bairro Alto, Madragoa ou Alfama, a PSP não o permitirá e poderá até isolar estas áreas recorrendo a fitas e grades.

- Em toda a Lisboa (concelho) não serão permitidos ajuntamentos e consumo de álcool

- A partir das 19:00 de Sábado, até às 03:00 da madrugada de Domingo, existirão fortes restrições em Lisboa.

Existe forma de contornar esta situação?

Existe sim senhor.

Se se fizer acompanhar de uma carta do Monopoly - Champions League Version que diz "- RECEBEU A CARTA, ESTÁ LIVRE DA RESTRIÇÃO - Caso saiba falar inglês e tenha tracinhos genéticos de hooligan pode fazer o que lhe der na real gana".

Se por acaso não gostar de jogos de tabuleiro também tem a opção de ir vestido com a camisola de um qualquer clube que tenha ganho algo, uma cerveja na mão, e entoar o "We are the Champions", dos Queen e verá que todas as fitas e grades se abrirão, como de magia se tratasse.

Se fosse há uns meses concordaria em absoluto que teria que haver parcimónia, que não se deveriam tolerar ajuntamentos e nem sequer pensar em festas e festinhas, mas depois de todas as excepções dadas, em particular a tudo que diga respeito ao futebol, sinto que agora estão só a ser hipócritas e a tentar tapar o sol com a peneira.

Tudo bem, não vão existir as festas Lisboetas, mas vão existir as portuenses, e se calhar até vai estar calor neste fim-de-semana e provavelmente as praias vão encher e não sei se existirão fitinhas e grades que cheguem.

A vontade que dá acaba por ser anárquica, mas quase que desejaria que as pessoas fizessem pouco caso destas restrições e fossem festejar o S.António, o S.João, o S.Valentim e até a São José Lapa, mas que fossem, e sempre gostaria de ver se os autos aplicados se equiparavam aos dos ingleses e à festa do clube campeão, e que deverão ter andado em torno do zero.

Não tenho nada contra o campeão nem contra os ingleses, tenho contra a falta de organização, a falta de coragem política frente a algumas entidades futebolísticas, e aqui nem equiparo o Sporting à Liga dos Campeões porque no caso do SCP foi só mesmo inoperância das forças de segurança e no caso da Liga dos Campeões foi subserviência dos nossos governantes.

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