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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

16
Nov22

Man"infestações"


Pacotinhos de Noção

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Estou farto de tanta pinça para mexer no assunto, tantos "rodriguinhos", tantos não me toques para com estes "janados", filhos de papá, que se deixaram manipular por partidos de extrema-esquerda, para fazerem o trabalho sujo por eles.

Não se iludam, a essência destas manifestações, feitas por esta praga de idiotas (dai a man"infestação ") não é a descarbonização do ambiente, não é a tentativa de acabar com os combustíveis fósseis. Estes movimentos são apenas políticos, e prova disso é a falta de preparação dos manifestantes.

Estes palhaços têm consciência do que aconteceria se realmente parássemos de imediato com o uso dos combustíveis fósseis? Pois eu digo...

Desemprego, Miséria, Fome, Implosão da Economia, Mortes.

Isto não é ser fatalista, é a realidade pura e dura.

E já agora deixo a pergunta. Qual seria a alternativa imediata aos combustíveis fósseis? A electricidade?

Além de idiotas, são burros e estúpidos.

Em Portugal a produção de electricidade não é maioritária nas barragens portuguesas, ao contrário daquilo que possam pensar. Os caudais dos nossos rios são fracos, pelo que as barragens pouco fabricam. Grande parte da nossa electricidade tem origem na queima de carvão, o que é extremamente poluente, e sim, eu sei que Portugal acabou com o fabrico de electricidade recorrendo a carvão, mas isso não significa que o tenha deixado de utilizar, a única diferença é que agora compra esse tipo de electricidade a Espanha. Significa assim que contribui menos para a poluição? Mais uma hipocrisia.

Mas, tal como estes manifestantes, eu não quero fazer parte do problema, quero fazer parte da solução, e julgo que todos temos que dar um passo inicial. Sugiro então que todos os que boicotam as aulas, tanto no Liceu Camões, na Escola António Arroio e na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, juntem todos os seus telemóveis, tablets, Ipad's, computadores e os entreguem para posterior destruição, e respectiva reciclagem, pois estes são objectos que quer no seu fabrico, quer no seu uso, são altamente poluentes. Fica a sugestão. Já vi comentários a defender que os passos a dar não podem ser individuais, que tem que ser apenas as grandes empresas a arcar com as responsabilidades, contudo no meu entender isto é apenas uma forma fácil de sacudir a água do capote e imputar a culpa aos outros. Assim é muito simples, mas se eu não limpo o meu quintal porque e que deverão vir outros e limpar por mim?

Não sou negacionista de que o ambiente está diferente, mas também não sou alarmista. Sou mais aquilo a que podemos chamar de conformado. 

O ser humano tem uma forte característica, que é a de conseguir destruir tudo à sua volta, e o planeta também tem uma característica ainda mais poderosa, e que  a de, mais cedo ou mais tarde, restabelecer o equilíbrio natural das coisas. Aconteceu com os dinossauros e acontecerá também com os humanos. Numa altura em que o planeta decida fazer uma reinicialização, pois com certeza que o fará, e nós somos o vírus maléfico que desaparecerá com a formatação. Se até esta altura pudermos melhorar a nossa estadia, então concordo que se o faça, mas melhorar não é ter um grupo de piolhosos malcheirosos, cujo pequeno-almoço é à base de ganzas, a impedir que todos os outros colegas de determinada escola, vão assistir convenientemente às suas aulas. Para mim esta gentalha era toda corrida a faltas injustificadas, e não passaria de ano.

Querem manifestar-se por algo realmente exequível? Manifestem-se pela construção de centros de dessalinização em toda a orla costeira. Querem maior fonte de água inesgotável do que a água do mar?

Querem construir "pipelines" para transporte de gás? Construam-nos para o transporte da água dessalinizada até aos leitos dos rios secos. A água não se desperdiçará, porque se bem me lembro do que aprendi na escola, os rios desaguam no mar, e teríamos vários problemas resolvidos. A falta de água, as irrigações agrícolas, a fauna e a flora nos, e junto aos rios, as barragens a funcionar a 100% para a produção de energia limpa... Fica caro? Será que fica tão caro assim? Ficará mais caro que uma TAP, um BES, uma EFACEC e um novo aeroporto que, aliás, nem é necessário. Somos um país pequeno. Temos aeroporto no Porto, em Lisboa, em Faro e um em Beja que está LITERALMENTE, e aqui é mesmo literalmente, às moscas. É descentralizar a chegada e partida de aviões. Poupa-se em construção, poupa-se num aeroporto construído, que não é utilizado, valorizam-se outras regiões do país e é um passo para a descentralização. Querem apostar em energias limpas, apostem na energia nuclear. Atualmente é segura e é das energias mais limpas que se pode usar.

O problema é que depois há todo um conjunto de instituições e associações, cuja fonte de rendimento é o Estado, e as lutas de epopeia que travam, cuja existência deixará logo de fazer sentido.

O texto vai extenso e recordo que o início do mesmo se deveu à tentativa de análise das manifestações contra os combustíveis fósseis, e a exigência de demissão do Ministro da Economia, portanto se estiverem chateados com esta porcaria que leem, levantem o rabo do sítio onde estão sentados, montem-se numa trotineta eléctrica, vão até a uma das escolas acima mencionadas, e espetem um par de estalos bem-dado a um destes manifestantes de rede social. Sim, porque estas manifestações, na realidade, não servem para mudar e melhorar o Mundo. Servem apenas para fazer "lives", e conseguir mais e mais seguidores.

06
Out22

Salvem o planeta... A parte rica, vá


Pacotinhos de Noção

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Nada é eterno, julgo que todos concordam que isto é um facto. Infelizmente também o nosso planeta não o é, e, uma vez que existe uma finitude, cabe ao ser humano responsabilizar-se pelas porcarias que faz, e tentar emendar, pelo menos parte dela.

A poluição é uma desgraça, o uso dos combustíveis fósseis não ajuda em nada, temos que diluir a nossa pegada ecológica, e deixar o consumo de animais, e tudo o que deles deriva, de lado.

Urge tornar o nosso planeta mais verde, mais saudável, mais puro, mais sustentável. Temos que o fazer a todo o custo, sem olhar a meios.

Será?! Será que as coisas são assim tão lineares, e preto no branco?

Vamos ver, ou pelo menos vamos ver por uma perspectiva práctica, sem populismos, sem "rodriguinhos", e com a consciência do que é a realidade. Digo isto porque quem defende estas mudanças repentinas vive num mundo que não é o real. É um mundo de conto de fadas, onde são príncipes e princesas, e em que quem com eles não concordar, é um ogre nojento e bossal.

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Em relação ao não consumo de animais, nem vou argumentar que somos omnívoros, e que o nosso organismo precisa de um pouco de tudo, até porque acho que cada um come aquilo que quiser. Se têm o livre arbítrio de se envenenarem com álcool, tabaco e drogas, acho que também o devem ter em relação aquilo com que se alimentam, sejam vegetais, carne, pedras da calçada ou até sal e açúcar em excesso, sem que surja um Governo paternalista, que proíbe o sal no pão e o açúcar no café, ou até que, em último caso, crie um imposto excepcional, hipoteticamente inibitório, sobre as bebidas açucaradas, tributando até as bebidas com zero percentagens de açúcar, facturando assim milhões que criam excedentes orçamentais, que desaparecem depois, não se sabe bem onde.

Mas voltando ao assunto principal.

Todas as medidas para melhorar o nosso planeta são medidas possíveis só para todos os que tenham dinheiro no bolso.

Em pequena escala, e por mais que todos os vegetarianos digam que não, ser-se⁹ "vegan" não é nada que saia barato, assim como não o é instalar painéis solares em casa, ter um carro eléctrico ou comprar um Iphone fabricado com trabalho infantil, e quase escravo, para depois se fotografar todas essas opções "fixes" e ambientais que se tomou. Em maior escala não podemos impor condições do fim do uso de energias fósseis, como o carvão e o petróleo, a todos os países, quando as alternativas são substancialmente mais dispendiosas?

Como vamos fazer com que países como a Somália, a Etiópia, a Índia, adiram a energias verdes se eles nem a mortalidade infantil conseguem combater convenientemente?

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Estes problemas que arranjamos para a nossa sociedade são, de facto, reais, mas são problemas de primeiro mundo, mesmo sendo nós um país terceiro mundista, não são os de problemas de toda uma população.

Entreguem um bife de seitan e um bife de vaca a uma família no Congo, ou no Burundi, e vão ver onde é que vos vão enfiar o seitan. As refeições destas populações, em épocas de abundância, que são quando recebem ajudas, são malgas de arroz. São vegetarianos por imposição, não por gosto.

"A água é um bem precioso e tem que ser racionado" - pois que muito bem, pois que se racione. Na Quinta da Marinha o pessoal já começou. Só enchem as piscinas a 3/4 e só mandam o Edison lavar os topos de gama semana sim, semana não.

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Os menos orientados financeiramente, aproveitam e tomam duche no ginásio. Vão-se encher de moscas, pá... De moscas enchem-se também aqueles miúdos que, como nem saneamentos básicos existem nos bairros de lata onde vivem, aproveitam e banham-se nas poluídas águas do Rio Ganges, que mesmo sendo um dos rios mais poluídos do mundo, é o que lhes fornece o precioso H₂O. É por estas e por outras que penso que sim senhor, há que caminhar no sentido de mudar a maneira como fazemos as coisas, mas não nos podemos armar em "mais papistas que o Papa", numa ansiedade louca de mudar tudo de uma vez, como até fez o vosso Primeiro-Ministro, encerrando minas de carvão e desactivando a refinaria de Sines, e muitos outros líderes mundiais fizeram coisas semelhantes, colocando-se assim nas mãos de um tresloucado como o Putin, que viu no deslumbramento desta gente, uma forma fácil de fazer o resto do Mundo ficar à sua mercê.

Concluindo, aquilo que se constata é que temos uma elite populacional, que até se mostra muito querida e solidária para com os pobrezinhos, dão sempre umas latinhas de atum para o Banco Alimentar e tudo, mas na sua génese, e desde que possam andar nas suas trotinetas eléctricas e nos seus Teslas, estão bem se "marimbando" para se o resto do Mundo tem capacidades para sobreviver, quanto mais ser verde ou amigo do ambiente.

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Ah, ia a esquecer o conselho que gosto sempre de dar, a quem se preocupa com a pegada ambiental... Quando se forem autodescobrir na Índia, ou fazer turismo para Londres, ou Amesterdão, montem-se numa bicicleta ou numa vassoura, tipo Harry Potter. É que os aviões são quem pisa mais forte, nessa famigerada pegada.

14
Set22

Pequena Sereia - Inclusão a martelo


Pacotinhos de Noção

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Para quem não está ao corrente, a Disney estreará, em 2023, o filme com personagens reais da "Pequena Sereia". Logo aqui a coisa já começa a azedar. Não gosto de transições de desenhos animados para filmes com personagens de carne e osso. Isto é um gosto pessoal, e como tal percebo quem não partilhe dele, contudo um filme que se quer real, mas que tem quase mais recurso ao trabalho de computadores, com a técnica CGI, do que o antigo, de animação, nem sei bem se se pode chamar de "live action", mas tudo bem.

Este filme gerou polémica porque a Disney optou por colocar, para desempenhar a personagem da Sereia Ariel, uma atriz de raça negra. 

Este tipo de situações não é virgem, pois não surgiu só com a Pequena Sereia. Relembro que já se falou de um 007 de saias, o novo filme do Pinóquio também optou por uma fada madrinha negra, e em 2021 foi feita uma adaptação do conto "Cinderella", em que a latina Camila Cabello, era a protagonista, e a fada madrinha era um homem, negro e gay.

Sei que existe uma forte probabilidade de haver quem não perceba a minha opinião, mas vou tentar explicar o melhor que consigo, para que não se tirem conclusões erradas.

Para mim esta atitude da Disney é patética, populista, hipócrita, e revela que a empresa se verga perante as pressões que algumas minorias exercem.

O facto de a Ariel, ou a Fada Madrinha do Pinóquio, serem negras, acrescentam algo de novo, ou positivo à história? 

Não, a história não fica melhor nem pior, devido à cor da pele da personagem, agora a história da Disney, contada anos a fio, perde toda a sua magia quando serve de porta-estandarte a afirmações políticas, de identidade ou de género. A história originalmente escrita já tem uma moral, não tem que se acrescentar uma nova, que só existe porque há pressões.

Aliás, se para o bom decorrer da história, fosse crucial que a personagem fosse, preta, branca, amarela, alta, baixa, gorda ou magra, essa característica seria apontada na sua versão original. A Branca de Neve é descrita como tendo a pele clara e imaculada, daí ser a Branca de Neve.

Os tipos com quem ela foi morar eram anões, e sendo os anões uma minoria, há vozes que agora se erguem, afirmando ser um abuso, uma usurpação e até uma forma de os ridicularizar, quando utilizam personagens anãs para enriquecerem uma história infantil. Ameaçam com processos para que a mesma seja alterada. Ridículo.

Depois temos a moda da apropriação cultural. A personagem da Ariel e da Fada Madrinha são negras, mas não poderá haver alguém que torça o nariz, e que afirme que o uso de atrizes negras para reproduzir um desenho animado, é apropriação cultural?!

É-se preso por ter cão e preso por não ter.

Atenção, acho que o contrário também se aplica. Não faria sentido nenhum que a personagem "Blade - O Caçador de Vampiros", ou o "Shaft", que na sua origem são negros, tivessem sido interpretados por actores brancos. Nem é pela cor da pele, mas porque não foi assim que a personagem foi criada.

Este fenómeno de passar a mão no pêlo das minorias, não se traduz só na cor da pele. Chamo a atenção para o recente filme "Monstros Fantásticos - O Segredo de Dumbledore".

Em nenhum dos filmes do Harry Potter, ou até nos livros, se faz menção ao facto do feiticeiro Dumbledore ser gay ou não. Não se fala porque de facto é um tipo de personagem assexuado. A sua orientação sexual não muda em nada o curso da história e como tal não faz sentido referi-la. Mesmo neste "Monstros Fantásticos", o tema da homossexualidade de Dumbledore é metido a martelo porque, de facto, agora é o que vende. É primordial que todo e qualquer filme tenha uma "mensagem", e a simples vitória do bem contra o mal já não chega.

Eu se quiser receber mensagens que me façam evoluir como pessoa, não vou ver um blockbuster a um cinema NOS, procuro noutro lado. Ali quero passar bons momentos e não quero que usurpem uma história, só porque sim.

Tudo é politizado, tudo é passível de ser cancelado se não for de encontro aos cânones e às doutrinas daqueles que se sentiram a determinada altura à margem, e que para que tal não se repita não hesitam em manter à margem quem deles seja diferente.

Devo dizer que acho até que estas tentativas forçadas de tentar colocar minorias em local de destaque nas histórias, é bastante mais humilhante do que nem ter essas personagens. Soa a esmolhida, a caridade social, que é dada a alguém que não pediu essa esmola.

O que é que se vai mudar a seguir?

O Pateta deixa de ser trapalhão, porque vai haver quem se lembre de dizer que a Disney goza com quem tem atraso mental?

Zé Carioca terá que deixar de existir porque personifica o velho hábito carioca de gostar de praia, do "Está tudo bem" e do "Deixa andar que as coisas se resolvem" e do não gostar de trabalhar? É UMA CARICATURA...

Este tipo de situações reportam-me sempre as quotas obrigatórias de mulheres em Governos ou em cargos de direcção em empresas. Não interessa a capacidade, a competência e a justeza de quem ocupa determinado cargo. Interessa, isso, sim, que há uma quota que é preciso preencher, e por isso mete-se lá seja quem for, desde que tenha um pipi.

A mais forte luta pela igualade, seja em que área for, não é a imposição e sim a normalização.

Quando era miúdo a minha mãe tentava obrigar-me a comer camarão e cogumelos e o resultado foi que lhes ganhei asco. So mais tarde, depois de adulto e de não ter alguém a tentar enfiar-me aquilo pela goela abaixo, é que fui provando e passei a gostar. Hoje vejo que perdi demasiado tempo a não gostar de camarão e cogumelos.

Para terminar gostaria de fazer uma crítica à Disney e dizer que se queriam ser inclusivos, além colocarem uma atriz negra, a fazer de Pequena Sereia, deveriam ter contratado uma atriz negra, obesa, careca, anã, lésbica e apoiante do LIVRE. Assim não falhava nada.

04
Fev22

Quão hipócrita és tu?


Pacotinhos de Noção

 

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Sim, tu.

Este texto é para ti, Rodrigo, Joana, Pedro, Filipa, Alexandre e João, ou para qualquer outro nome de quem leia estas linhas.

O país é hipócrita, o Mundo também o é.

Dou exemplos.

Todos, repito, TODOS e não só o CHEGA, criticam os ciganos quando os veem, por volta de dia 20, nas suas romarias aos CTT para levantar o dinheiro do rendimento social de inserção.

Dizem serem miseráveis e que andam às migalhas, mas a verdade é que nestas eleições António Costa ganhou a maioria porque acenou aos mais velhos com um aumento de 10 € nas pensões, e aos funcionários públicos com uma promessa de pensar numa semana de trabalho de 4 dias, e num ordenado mínimo de 900 €. Não é também miserável dar um voto de confiança a um Governo sem propostas, apenas porque este acena com uma nota de 10 e promessas de menos trabalho e mais dinheiro?

O próprio Governo sofre desta hipocrisia, porque neste momento aguardam, e até salivam, por um dinheiro europeu lançado como se estivessem a atirar milho velho a pombos.

A comunidade internacional é também hipócrita.

Tanto alarido fizeram com a saída dos E.U.A do Afeganistão, mas apenas o fizeram porque era mediático. Entretanto, no Inverno rigoroso que por lá se faz sentir, diariamente têm morrido crianças com fome, frio e doenças que são por nós consideradas normais, ou até já quase extintas. Vi uma reportagem da SIC que mostrava uns pais desfeitos que embrulhavam o seu pequeno filho de dois anos, já morto, num cobertor, e que pela última vez pegaram-lhe ao colo para dali o levarem para o funeral. Mostraram também uma pequenina de 7 meses que dificilmente escapará à pneumonia, ao sarampo e à febre que lhe roubam os anos que poderia vir a ter, mas que não acontecerão. E onde estão os gritos da comunidade internacional? Saíram de lá os E.U.A, mas não existem mais países no mundo que devam ser chamados a intervir? E a ONU não serve para isto mesmo, ou só pode intervir quando o retardado do Putin ameaça a Europa com cortes de fornecimento de gás, e invasões à Ucrânia?

A maior hipocrisia é gritarmos aos quatro ventos que algo deve ser feito quando temos a consciência plena de que nada será feito, e sabendo que se tem essa consciência então pergunto, gritar para quê? Porquê?

Quem realmente decide não quer saber se a população grita, se chora, se morre. É feio, mas é verdade.

Agora, por exemplo, dado que as eleições já aconteceram, e foram ganhas, aposto que já se vão começar a regredir nas medidas relativas ao bicho peçonhento que teima em não nos largar, e não é porque tenha ficado mais fraco, mas sim porque o Governo está mais forte.

E para terminar falo em mais uma hipocrisia global que é a das medidas que visam acabar com o uso do carvão para fabricar electricidade. Esta é uma forma poluente, mas que acaba por ser a mais barata.

 Como se pode exigir a países como a Índia, o próprio Afeganistão, ou outros com o mesmo tipo de problemas sociais e económicos, que desistam da forma mais barata de produzir energia, apostando noutras mais caras, quando nem para comer, ou se aquecerem convenientemente eles têm capacidade? Vai-se condenar toda uma população para que outra se regozije ao afirmar nas suas reuniões COP, para onde foram nos seus aviões a jacto, que os objectivos foram cumpridos e estaremos então a viver num Mundo com menos carbono?

Sim, viveremos num Mundo com menos carbono mas também com menos valores éticos e morais e cada vez mais hipócrita.

06
Mai21

Depois de mortos só alguns são bons


Pacotinhos de Noção

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Anteontem morreu o humorista e actor brasileiro Paulo Gustavo.

Por ignorância minha tenho que admitir que desconheço o seu trabalho, mas pesquisando um pouco deu para perceber que era uma estrela no Brasil mas que aqui não tinha grande expressão.

Já tinha visto há uns meses uma notícia que dava conta da doença do artista e nessa notícia era dada a informação de que pouco haveria a fazer. É triste, mas ao que parece seria uma questão de tempo.

Ontem morreu o actor português Cândido Ferreira, vítima de cancro. Não seria um actor que aparecesse muitas vezes nas revistas VIP ou na Caras, mas as suas aparições eram frequentes, quer em filmes quer em novelas e no teatro. Anteontem a actriz Maria João Abreu desmaiou enquanto trabalhava. Sofreu um aneurisma e agora está em coma.

Gostaria que tivessem em atenção que não desprezo nenhum destes artistas nem tão pouco pretendo manchar a imagem de alguém que já faleceu, aquilo que me leva a escrever estas linhas é, mais uma vez, a grande hipocrisia que testemunhei nas redes sociais.

O actor brasileiro Paulo Gustavo, não sendo aqui uma vedeta, logicamente que é alguém cuja "celebração" da morte, os numerosos RIP, e a transcrição de frases que o actor disse, vão obrigatoriamente dar likes... Eu até percebo isso, mas não me lixem! Querem convencer-me que a D.Almerinda, de 65 anos, que mora no Alandroal e que só posta fotos de gatinhos e de flores com abelhas, sabe quem era o Paulo Gustavo? Não saberá mas sabe que toda a gente está a lamentar a morte do artista, e mesmo não o conhecendo, vai lamentar como todos os outros que tem visto lamentar.

Já em relação ao Cândido Ferreira e à Maria João Abreu, pouco ou nada se viu... É que os likes vindos do Brasil, não chegam aos artistas portugueses.

23
Abr21

Cyborgs das redes sociais


Pacotinhos de Noção

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Há cerca de uma semana, em S.Domingos de Rana, um miúdo de 15 anos (Tomás Braga) foi assassinado por um colega de escola de 18.

O motivo não interessa. Um miúdo morreu, outro, não tão miúdo, matou.

Tirando a CMTV, os restantes canais pouca ou nenhuma relevância deram ao caso. O que morreu era branco, o que matou era preto. Não vi o Mamadou Ba, o Diogo Faro ou a Joacine Katar Moreira a elevar a voz, ou a colocarem posts no Instagram acicatando toda uma multidão contra o preto que matou. Isto porque provavelmente não consideram que tenha sido um crime de racismo. E eu concordo. Aliás, não é este, não é o do Bruno Candé, não é o do George Floyd. O assassino que matou Floyd também mataria um branco, quem matou o Candé também, e o rapaz que matou o Tomás matá-lo-ia tivesse ele a cor que tivesse, porque o que falha aqui não é a cor da pele, são os valores.

O que é que leva um rapaz, com toda uma vida pela frente, a cometer um acto destes?

Simples. Falta de carácter, falta de respeito pelo próximo, falta de sentimentos.

Isto porque andamos a criar seres ciborgues. Não têm um braço ou uma perna robótica mas o cérebro está formatado para "likes" e validações em redes sociais.

Com que fundamentação faço tal afirmação? Analisando este caso concreto.

O rapaz que matou discutiu com o Tomás numa rede social. Os "amigos" disseram-lhe que ele não podia deixar as coisas ficarem assim, que era uma humilhação, que teria que haver sangue e teria que haver facada. Eles filmaram o acto em si porque estavam a transmitir para a rede social. Uma discussão ou uma luta vai dar "likes", vai fazer ganhar seguidores. É para isto que vive a geração mais nova.

Aquele que era um nicho social há uns tempos, que depois formava indivíduos para serem protagonistas de "reality shows", está a deixar de ser um nicho e começa a ser generalizado. Como pai tenho receio. Sei que estou a educar os meus filhos com os valores basilares para saberem viver em sociedade, mas saberá a sociedade de então, viver com eles?

Hoje os comportamentos desviantes ainda são fáceis de identificar, mas será que mais tarde o serão? Ou o comportamento desviante será uma pessoa que demonstra o mínimo de respeito e educação e acabará por ser marginalizado, porque não vive segundo os cânones da sociedade da altura? Ninguém sabe as respostas a estas perguntas e resta-nos aguardar.

Esta febre da malta nova pelas redes sociais deveria ser travada. Tal como a pornografia, o álcool, conduzir e o tabaco, as redes sociais só deveriam ser permitidas depois dos 18 anos, porque ter-lhes acesso enquanto têm o sistema cognitivo em formação, é estar a transformá-los em seres insensíveis e sem escrúpulos.

Em vez de andarem a proibir desenhos animados como o Dragon Bal, onde existe uma clara diferenciação entre o bem e o mal, ou a fazer caça às bruxas porque nos Simpsons o que faz a voz de determinado boneco não é da raça desse boneco, cujo intuito é apenas o de estimular o sentido de humor, que é uma clara demonstração de inteligência, deveriam analisar os prós e os contras das redes sociais na mente dos jovens e crianças, e então tomar decisões...

"Ah, o meu filho tem 3 anos e sabe mexer muito bem no tablet"...

Tudo bem, mas se calhar ainda usa fraldas e não sabe usar um talher. Prioridades, meus amigos, prioridades, para mais tarde não termos que ir à prisão, visitar o nosso filho ou pior, ao cemitério.

Estou a ser dramático? É natural, a situação é dramática.

19
Mar21

Je suis hipócrita


Pacotinhos de Noção

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Existem dois tipos de hipocrisia. São elas a deliberada e a que nos é imposta. A que nos é imposta é uma arma de defesa que nos permite existir como membros de uma sociedade e practica-mo-la todos os dias. Se assim não fosse dificilmente manteríamos o emprego ou chegaríamos ao fim do dia sem levar dois sopapos.

 

Que se acuse quem nunca pensou o quão estúpido é aquele jantar de Natal, ou como apetece mandar à merda o administrador, que nos diz que devemos vestir a camisola da empresa, trabalhando mais uma horita, mas que chegando às 15:00 ou 16:00, lá vai ele no seu topo de gama para o "padel" ou para o golfe. Todos pensámos, mas não o podemos verbalizar, e se nos perguntarem qual a nossa opinião, então temos que recorrer à tal hipocrisia imposta. Também a usamos quando, por exemplo, não suportamos os cãezinhos dos amigos, mas como hoje em dia é imperativo ser-se "pet friend" nem nos podemos manifestar, para que não nos arranquem o escalpe.

 

Já a hipocrisia deliberada é abjecta porque não é imposta. Só usa quem quer e normalmente só o faz para parecer bem e caso não usasse nem prejudicado seria.

 

Muitos afirmaram que "Je suis Charlie", seguiram o Movimento dos Coletes Amarelos, juraram que sempre defenderam que "Black Lives Matter" e o modo de vida da Gretha Thunberg era em tudo igual ao que practicavam, mas a verdade é que estas manifestações de apoio, estes ideais e estas reivindicações, para essas pessoas, só fizeram sentido quando estavam fortemente mediatizadas. Parecem abutres de volta da carniça.

 

Diziam "Je suis Charlie", mas também achavam que "realmente há coisas com que não se brincam" caso essas coisas não se enquadrassem naquilo que gostam, ou acreditam. Curiosamente muitos dos que defendiam o Movimento dos Coletes Amarelos são os mesmos que veneram Gretha Thunberg e tem graça pois uma das coisas que mais amam é viajar de avião por todo o Mundo, sendo estas coisas completamente incompatíveis, pois a Gretha quer a extinção dos combustíveis fósseis, combustíveis esses cujos aviões queimam às toneladas todos os dias. Já o Movimento dos Coletes Amarelos, uma das suas reivindicações era precisamente, baixar os impostos sobre os combustíveis.

 

"Black Lives Matter" mas pelos vistos só passou a importar depois da morte de George Floyd em 2020, sendo que o movimento já existe desde 2013, mas a grande generalidade das pessoas ignora esse facto e na verdade nem querem saber, porque tem piada defender causas enquanto dá visualizações. Quando as visualizações descerem, então ai vai de trocar a causa porque esta já não é tão actual. Este tipo de atitude parece o Instagram de um "cómico/stand-up comedian" que semanalmente escolhe uma causa à sorte e depois vai, durante a semana, arreganhando o dente para a defender, como se fosse o melhor e mais acérrimo guerreiro com que determinado movimento pode contar. Na semana a seguir parece que aquilo que defendeu já não precisa mais do seu valoroso contributo, porque muda de causa como quem muda de humor... Má escolha de palavras uma vez que falo de um comediante e o humor deste comediante não muda, é sempre péssimo. A hipocrisia acaba por vir à tona quando o próprio coloca o pé em ramo verde, obviamente sem querer, ao ver tornados públicos comportamentos que, pouco tempo antes, tão fortemente tinha criticado.

 

Sendo cómico defende também que há assuntos com os quais não se podem brincar e devem até ser punidos... É dos tais que defendem que num desenho animado negro tem que ser um negro a fazer a voz.

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