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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

05
Jan22

ELES


Pacotinhos de Noção

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Eles andam aí, eles querem é poleiro, eles querem injectar-nos um chip, eles comem tudo e não deixam nada.

Quem são eles, o que pretendem e se falamos tanto n'eles porque é que não os definimos concretamente?

Referiremo-nos a "ELES" acaba por ser quase como falar em meteorologia ou fazer conversa de elevador porque na realidade não quer dizer nada. É uma entidade própria que não existe, mas que nos serve de bengala para quando não temos grande coisa a dizer.

É uma táctica usada desde sempre e ganha maior força quando se aproximam eleições ou quando a população está um tanto ou quanto desiludida com quem os governa. Com a situação deste vírus chato e da vacinação o "ELES" ganhou ainda mais força, quando são referidos os safadões que se importam tanto com o meu quotidiano que iniciaram até um plano muito elaborado para me injectarem um chip no braço.

Se injetaram ou não, não sei, mas se o fizeram então já estão informados de quantas manias eu tenho, daquilo que gosto de comer e quanto papel higiénico gasto quando vou à casa de banho. O que irão ELES fazer com toda essa valiosa informação, é algo que gostaria de saber, mas se a quiserem aplicar numa qualquer situação, em que me sirvam de mordomo, por exemplo, vejo com bons olhos. Não me importava nada de ter o meu próprio Ambrósio.

Evito cair no erro de afirmar que manias de perseguição e teorias da conspiração são características específicas dos portugueses, mas é um facto de que são algo que está na moda. Reparem que agora a Terra afinal é plana. Andou o Galileu a queimar pestana para conseguir provar que estamos afinal  nós num enorme berlinde e aparecem as almas iluminadas que dizem que ELES nos andaram sempre a enganar, e que afinal a Terra é toda uma enorme planície.

Podemos refutar, afirmando que da Lua se comprova que a Terra é redonda, mas isto só se formos uns verdadeiros tansos, porque "como podemos nós cair noutra treta que ELES inventaram e que é a de o Homem ter ido à Lua. Porque se o Homem já tivesse ido à Lua, porque é que não voltou a ir?"

Eu queria responder que o Homem não voltou porque segue a velha máxima do "Não voltes a um lugar onde já foste feliz", mas o maldito pragmatismo leva-me a supor que esta expedição não voltou a estar nos planos do Homem apenas e só porque já foi feita, já foi riscada da lista e os gastos exorbitantes que uma viagem destas acarreta, não permitem que se ande a visitar a Lua assim como quem vai à Brasileira, beber uma bica e comer um pastelinho de nata.

Ainda por cima, que se saiba, a Lua não é como a Índia, por exemplo, em que se tentou várias vezes a descoberta do caminho marítimo, não por divertimento ou simples casmurrice, mas apenas porque compensava muito ter uma forma que fosse mais rápida e segura de lá chegar, precisamente para usufruir dos materiais valiosos que o país tinha para oferecer. Ora que eu saiba na Lua não há canela, cominhos, açafrão ou caril. Ou haverá?

Se a Lua nada tem para oferecer, além da sua beleza, da sua atracção com a Terra, o que a faz influenciadora de marés, e da luz, que até pede emprestada ao Sol, então não há necessidade de lá ir gastar "gasoil", que está a 1,70 €/litro.

Quando era mais novo e inocente, de cada vez que me deparava com um qualquer conspiracionista, achava imensa piada. Não pelo facto dele ser conspiracionista, mas sim porque pensava que ou era brincadeira, ou então pura parvoíce. Com o passar dos anos reparei que não, que eles acreditavam mesmo nas várias idiotices que defendiam e ficavam até muito ofendidos com quem com eles não compartilhavam a opinião, mas isso era-me, muito sinceramente, completamente indiferente porque os conspiracionistas lá estavam, metidos debaixo da sua rocha, a jogar computador, a comer pacotes de bolachas e a namorar pela internet com outros rapazes que fingiam ser meninas.

A coisa começa a piar mais fino depois, com o surgimento das redes sociais e o uso quase generalizado pela população.

Não é que as teorias tenham ganho mais força, o que acontece é que foi montado um esquema de pirâmide impressionante em que um maluco atrai dois malucos, dois malucos atraem quatro, quatro atraem oito e assim sucessivamente, fazendo com que aquilo que era apenas um maluquinho se tenha transformado em muitos maluquinhos. 

Dirão os meus caros leitores — "Ah e tal, mas aos maluquinhos é deixá-los a falarem sozinhos"- e eu até concordo com isso, mas nós vivemos em sociedade e estamos no meio desses maluquinhos e os maluquinhos são como as galinhas. O cacarejo de uma galinha, no mesmo sítio que nós, pode incomodar um bocadinho, mas é possível suportar, agora metam-se dentro de um aviário cheio de galinhas a cacarejar... É UM INFERNO! 

Estão ali e o cérebro quase não tem função, mas todas juntas fazem um ruído tão grande que é de uma pessoa dar em doida.

08
Nov21

Quem muitos burros toca...


Pacotinhos de Noção

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Hoje, mais do que nunca, todos têm que ter um lema, um modo de vida, uma causa para defender, mostrando o quão activos, conscienciosos e magnânimos conseguem ser.

Alguém, que como eu, defende apenas o "vive e deixa viver, sem me chatearem a cabeça" ou o "agradecia que me largassem da mão" é considerado um bandalho, ainda para mais quando tem redes sociais e não as utiliza para ser como um Jeová da defesa das causas, batendo à porta de todos e cada um, mostrando a podridão que grassa de forma galopante e que serve dois principais objectivos.

O primeiro é o da confirmação de que o Mundo está mesmo podre. Está podre não porque se come carne, se usa plástico ou combustíveis fósseis. Está podre já desde a altura em que plásticos e combustíveis ainda não existiam, e onde a carne ainda se podia comer porque não era produzida, seja de forma sustentável ou não, era apenas caçada. O motivo era, e é, a grande percentagem de humanos que apenas assim são apelidados por pertencerem a essa espécie, e não por o serem na verdadeira acepção da palavra.

O Homem para ser vil, desonesto, infame, sem nobreza de carácter, mesquinho e nojento precisa apenas de ser Homem. Não precisa de mais ferramentas nem motivos. Está-lhe na natureza e corre-lhe nas veias, poder plantar o terror e a discórdia pelos motivos mais fúteis ou mais megalómanos, não interessa. Como se percebe tenho a nossa espécie em óptima conta, a minha falta de fé no Homem é quase generalizada e só não o é totalmente porque sei que no meio de tanto lixo também há pessoas boas. São raras, são como os trevos-de-quatro-folhas que raramente se encontram, mas que existem. Não se confundam, não digo serem perfeitos, digo serem pessoas boas e sim, pessoas boas podem ser imperfeitas. Já pessoas com a mania de que são perfeitas... Essas já é mais complicado que consigam sequer chegar a menos mazinhas, quanto mais a serem boas.

E isto leva-nos ao segundo objectivo da podridão que nos rodeia e que é muito necessária. Pelo menos é-o para os visados deste segundo objectivo.

O que realmente me levou a escrever estas linhas foi uma saturação da minha paciência relativa a estas individualidades que são cheias de causas.

Por que razão o fazem, por que razão existem, por que razão têm tanta gente que os segue. As repostas a estas perguntas tenho-as para mim como verdades, mas isso não significa que realmente o sejam. De qualquer das formas, e segundo o meu ponto de vista, que sei que nalgumas vezes poderá ser demasiado crítico, aquilo que vou observando é o que vou afirmar.

As respostas às perguntas que fiz são, na verdade uma só, ou várias que se misturam e que confundem.

Visualizações, seguidores, necessidade de aparecer, necessidade de desempenhar um papel fictício que ninguém lhes atribuiu, fazer crer aos demais que eles realmente são demais e que o "eu", que defende causas, é que realmente importa e que todos deveriam ser como ele e até agradecer-lhe porque faz petições públicas via net, e partilha fotos de vítimas sejam elas humanas, animais ou vegetais.

Todos que leem agora já se terão deparado com pelo menos uma página de Instagram de alguém que até se denomina activista. Estas páginas têm como características estarem cheias de exemplos de atentados a vários direitos, como os das mulheres, dos animais, da liberdade de expressão... Tudo lutas válidas, mas que vão perdendo a validade quando se consegue perceber que o objectivo final não é o de resolver nada. Não é porque não se queira resolver, é apenas porque o objectivo final não é mesmo esse. O objectivo é o de conseguir fazer barulho para se dar nas vistas.

Sempre ouvi dizer que "quem muitos burros toca, algum deixará para trás", e aqui até nem faz mal porque não tem interesse continuar a tocar o burro. O interesse é apenas que o animal cause impacto para que depois seja partilhado, conseguindo assim mais visualizações. Hoje mostras uma petição a favor de uma menina que foi vendida num qualquer país árabe, mas amanhã já não queres saber porque, entretanto já houve um gato que foi maltratado pelos donos e amanhã há uma mulher agredida pelo namorado.

Tudo isto são divulgações com um grau de gravidade elevado e que mereceriam um acompanhamento mais passo a passo, para saber o que acabou depois por acontecer, ou não. Com este desfolhar de causas, que após mostrada se amarrota e se deita para o lixo como se fosse uma simples folha de papel, deixa-me a forte convicção, uma quase certeza, de que a força da gravidade daquilo que mostram, para eles, é apenas momentânea, quando esses mesmos casos não são de momento, são muitas das vezes perpetuados.

Aquilo que digo é também fácil de verificar por quem queira. Basta ver uma dessas páginas de Instagram e ver a periodicidade das causas que ali divulgam, e que são umas atrás das outras, e a total ausência de seguimento ou de desfecho do caso.

Depois há os que seguem estas pessoas, e que, na verdade, são apenas vampiros que querem sangue e mais sangue. São como aqueles tipos que causam trânsito porque andam muito devagar, ou até param, para conseguir ver bem o acidente que aconteceu do outro lado da estrada.

Quando há, por exemplo, a divulgação de um cobarde que bateu na mulher/namorada, na zona de comentários o que mais se vê é — "divulga a fotografia do gajo" ou "era fazer a folha ao gajo e partir-lhe os dentes todos". Nunca é "contacta de imediato as autoridades e denúncia", que seria o único gesto correcto a fazer.

Mas quando temos uma "influencer" que até fotografa ao lado do caixão do pai, e um indivíduo que achou um piadão ver uma velhota ser desfeita por um atropelamento de comboio (esta reacção assisti pessoalmente, ninguém me contou nem li em lado nenhum) que, tal como disse mais acima neste texto, a minha fé no Homem, está pelas ruas da amargura.

18
Out21

Isto chega para ser machista?


Pacotinhos de Noção

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Para mim não há cá essa mariquice de igualdade de géneros, e a justificação é muito simples.

Não pode haver igualdade de géneros porque os géneros não são iguais. E se isto fosse um meme agora aparecia o senegalês Khaby Lame a abrir os braços, porque isto é lógico.

Se houver feministas a ler neste momento já estarão cheias de urticária. Das duas uma, ou é alergia ao que escrevi ou aos 50 gatos com que vivem, mas antes que me destinem a forca devo desenvolver o assunto, para tentar fazer com que não me definam como um porco machista. Ou então definam porque se o fizerem é por pura e simples ignorância, ou porque apenas têm que ter um alvo para que possam assim dar algum tipo de valor às vossas lutas sem sentido.

Não se confundam. Quando digo que não acredito na igualdade de género não quero com isto defender que o homem é superior, ou que a mulher não deve ter as mesmas oportunidades. Aquilo que defendo ao não acreditar na igualdade de géneros é que deve, isso sim, haver uma igualdade de géneros... Não é gralha. Escrevi exactamente aquilo que queria, e passo a explicar.

Aquilo que se está a generalizar não é igualdade em parte nenhuma do mundo.

O que se está a fazer é a tentar menorizar deliberadamente, e até a ostracizar, toda e qualquer acção que o homem possa desempenhar, afirmando que não a faz por mérito próprio mas apenas porque tem mais testosterona.

Igualdade não é definir quotas mínimas de mulheres no parlamento, numa empresa, no cinema (a desempenhar protagonistas farsolas) ou em qualquer outra situação.

Igualdade não é abolir a definição de "Homem" quando nos referimos à humanidade, ou inventar palavras que não

possam ser definidas como masculinas. Se assim for então também terá que se rever "A" sociedade, que é composta por mulheres mas também por homens, "A" maternidade, que apenas acontece quando um espermatozóide produzido num corpo masculino fecunda um óvulo dum corpo feminino, ou "A" religião, que é para todos os crentes, independentemente do sexo.

Estes exemplos são estúpidos porque o conceito, todo ele, é estúpido.

Esta luta define-se como "Alcançar a igualdade de género e empoderar TODAS as mulheres e raparigas". Logo na definição isto está mal.

Empoderar todas as mulheres parte do princípio que todas têm esse direito, tenham capacidade para ser empoderadas ou não, então qual seria o mérito do empoderamento? Ser mulher? Nesse caso estão apenas a fazer o mesmo que criticam no homem, que é o de ser empoderado apenas por ser do sexo masculino.

Perdoem-me as puristas do feminismo, mas por muitos anos que viva serei, e quero continuar a ser, machista se a definição de ser machista tiver incluído (e actualmente tem) o tratar de forma mais branda uma pessoa por ser mulher, o abrir uma porta, ou deixar que passe primeiro que eu numa qualquer entrada. Isto não é condescendência, é uma questão de educação e é algo contra o qual não quero lutar. Para mim é uma questão de bom gosto, assim como é de bom gosto senhoras que usam desodorizante e que não gostam de andar com os sovacos cabeludos.

Sim senhora, é uma opção de cada uma e o "vosso corpo, as vossas regras" mas o meu nariz faz parte do meu corpo e também existem algumas regras que ele gosta que se respeitem, como as regras da higiene e do civismo, por exemplo.

É um facto que há homens que cheiram a cavalo, mas não me parece que esse seja o método a copiar, para se conseguirem empoderar. Homens porcos sempre houve e sempre houve porque, e mais uma vez chegámos à mesma conclusão, não têm educação e não sabem viver em sociedade.

A sociedade beneficiaria em ter mulheres em cargos políticos não apenas por serem mulheres, ou pretas, ou LGBT, ou com uma qualquer debilidade física ou mental. Estas características não têm qualquer tipo de interesse face àquelas que realmente importam, e que infelizmente são colocadas para segundo plano. São características como a integridade, a inteligência, a educação, o profissionalismo e a competência. Quem reúna estes requisitos pode até vir mascarado de Panda ou palhaço Batatinha, que para mim teria um lugar de destaque onde quer que fosse.

Tivemos casos de mulheres que deram muito certo, é verdade, mas também tivemos outros que eram um desastre anunciado e nem sendo mulheres conseguiram contrariar o que se temia. Podemos lembrar-nos de Dilma Rousseff, por exemplo, ou de Joacine Katar Moreira, que é uma deputada não inscrita e que é também uma deputada a não ser levada em conta, pelas enormidades que gosta de vomitar.

- Temos homens incompetentes a desempenhar altos cargos em empresas e até no Estado? - perguntarão vocês.

Agora assim de repente o meu machismo não me deixa lembrar de nenhum, até porque nem temos uma companhia de aviação e vários bancos falidos, geridos por homens. Mesmo o nosso Primeiro-Ministro é de uma eficiência impressionante.

Quer dizer, ser até é, que ele tem sido eficiente a manter-se no seu lugar. Lembrei-me até de uma analogia nada machista:

"O homem está agarrado ao poder de tal forma que até parece um grupo de mulheres, a segurar a última peça de roupa, em dia de saldos."

05
Ago21

A paridade não quer nada comigo


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Sou um defensor acérrimo da paridade de géneros.

Tanto assim é que tenho dois pneus do carro para mudar mas enquanto não encontrar uma Norauto com senhoras que o façam, ando com os velhos. É uma vergonha serem só homens a fazer este serviço.

Para verem como a paridade é algo que tenho em tanta conta desde já vos dou a conhecer que anteontem apresentei uma queixa na Segurança Social porque não consigo encontrar uma creche que tenha 40% de homens a trabalharem como educadores ou auxiliares. Julgo ser uma discriminação e uma falta de respeito para com a figura masculina.

Estava a brincar. Não tenho pneus para mudar e não tenho filhos na creche e também estava a brincar com essa coisa da paridade. "Coisa", isso mesmo.

Tentar obrigar a que uma empresa, um Governo ou instituições pertencentes à função pública tenham que respeitar quotas obrigatórias de mulheres apenas porque são pessoas sem testículos, parece-me uma "coisa" e um favorecimento, e para favorecimentos temos bons políticos e dirigentes desportivos, que lhes saberão dar melhor uso.

Inventar algo como a lei da imparidade e impor determinado número de mulheres em trabalhos, apenas porque são mulheres é medíocre e um atestado de estupidez. Mal comparado é como o filho do patrão que só está na empresa porque é filho do patrão.

Defendo que têm que ser dadas iguais oportunidades a todas as pessoas e se as pessoas se demonstrarem competentes ocuparão o lugar a que têm direito. De que adianta ter obrigatoriamente 40% de mulheres em determinada empresa quando essas mulheres estão lá só porque sim e dessa forma julgam que nem vale a pena serem produtivas. É que o delas já está garantido no finalzinho do mês.

Alegarão que estou a partir do princípio que essas mulheres estarão a agir de má-fé e que não o posso fazer. Mas claro que posso. Assim como muita gente também parte do princípio que as entidades patronais estão a colocar mais homens do que mulheres apenas por serem sexistas.

Não me iludo. Todos os dias continuo a ver homens valentes à antiga. Daqueles que passam dias nos copos e que defendem que as mulheres têm é que ficar em casa a tomar conta dos filhos.

Este tipo de pensamento é já tão ultrapassado que chama-lo de pensamento é até uma afronta. Mas existe, é um facto, mas não vai mudar apenas porque mulheres conseguiram garantir postos de trabalho por serem mulheres.

Não estamos a caminhar para, neste momento estamos já a chafurdar no meio de uma sociedade lamacenta, cuja meritocracia é um valor colocado de parte. Na verdade tem sido um valor ignorado desde o início dos tempos, mas era-o de uma forma dissimulada e agora é descaradamente.

Desde familiares de políticos, que são colocados estrategicamente em cargos, empresas privadas e empresas públicas, com o fim de criarem uma rede de influências bem distribuídas, até a mulheres que por serem mulheres são beneficiadas e até a jovens que terão acesso facilitado ao ensino superior apenas porque a morada que lhes pertence é a de um bairro social.

Mas é da paridade que estamos a falar, e ver mulheres orgulharem-se das migalhas que lhes põem no prato, apenas porque é lei, deixa-me a pensar que essas mulheres sim, só chegarão a algum lugar se forem efectivamente ajudadas.

Ter 40 ou 50% de mediocridade é bem pior do que ter 10 ou 20% de excelência.

Isto não é um ataque às mulheres. Nada tenho contra elas. Antes é um ataque contra os facilitismos que servem apenas para de uma forma simples se conseguir cumprir objectivos que no papel ficarão bem, mas que na prática pouco mudarão.

 

 

 

 

02
Jul21

Tenho testículos. E agora!?


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Gostaria de deixar aqui o meu testemunho como um ser portador de testículos.

Tenho dois. São ambos meus e o facto de ter dois não significa que tenha para a troca.

Não sei se são grandes ou pequenos mas são fáceis de identificar, pois quando nasci julgo que foi também por ai que puderam afirmar à minha mãe, com convicção, que o estafermo que nasceu era um menino.

Não têm super poderes e não me dão força Hercúlea ou uma coragem acima da média. Posso até referir que tenho algumas cobardias, mas não direi quais por receio que as usem contra mim.

Para mim ter testículos nunca foi motivo de orgulho. Nunca os ostentei nem sequer fiz um retrato para colocar na parede da sala, mas também nunca foram motivo de vergonha... Até hoje. Quer dizer, até hoje não porque na realidade continuo sem ter o mínimo de vergonha de ser um espécime testiculado, mas parece que grande parte da sociedade quer que me envergonhe. É que, segundo me tem sido dado a perceber, todo e qualquer elemento que tenha testículos sofre de um mal a que se chama de masculinidade tóxica. Não percebia bem o que isso queria dizer, afinal sou um neandertal da espécie masculina e fui-me informar no fantástico mundo das internetes.

Descobri que existem mais duas definições e que servem para combater a "masculinidade tóxica". São a "masculinidade histérica" e a "feminilidade tóxica".

Vamos primeiro à masculinidade tóxica que é a mais conhecida.

Todos os dias digo à minha mulher que é uma vaca porque não me engomou bem os colarinhos da camisa. Dou-lhe um estalo porque salgou a sopa e ao fim do dia, depois de ver o Preço Certo e os trajes reduzidos da Lenka, exijo que a minha mulher que faça uma bela massagem nos pés. Não os lavei e cheiram pior que o penico do Satanás, mas ela é a minha mulher por isso ou massageia ou vai haver chatice. Quase TODOS os homens sofrem de masculinidade tóxica. Digo quase todos porque os da próxima categoria não sofrem.

São os que sofrem antes de masculinidade histérica.

Este espécime tem várias características que o definem. Colocam-se vários patamares acima de todos os outros machos porque eles são na verdade os iluminados.

São os primeiros a definir que certo e determinado comportamento são exemplos de masculinidade tóxica, gostam de mostrar que, não tendo um lado feminino, conseguem perceber perfeitamente aquilo que a mulher sente e defendem-na contra tudo e todos, se tudo e todos forem outros homens. São rebarbados mas escondem (mal) porque a "rebarbadisse" é traço de toxicidade masculina. Quando dizem ou fazem algo que pode ser visto como masculinidade tóxica dizem que "era uma piada" ou "estavam a brincar". Acham que a objectificação feminina, se feita por outros é uma vergonha, feita por eles é arte.

Normalmente não têm relacionamentos duradouros porque são uma seca e porque entre quatro paredes exercem masculinidade tóxica.

Última categoria. Feminilidade tóxica.

Todo e qualquer homem que respire, a menos que seja seu amigo, gay ou um masculino histérico, é uma besta.

Numa discussão a mulher terá sempre razão, mesmo que esteja a defender que 2 e 2 são 5. O homem que não concordar é um castrador e merece a prisão.

Os homens não são necessários e só olham para a mulher como um pedaço de carne.

Um homem que queira usar a sua liberdade sexual da maneira que quiser será apelidado de porco tarado, a mulher que faça o mesmo está no seu pleno direito e não é esta sociedade machista e opressora que a deve impedir.

Ouvi já (e isto é mesmo verdade) que se uma mulher quiser andar sem calças e sem roupa interior na rua deveria poder fazê-lo sem ter que lhe ser chamada a atenção, porque o corpo da mulher é da mulher e faz aquilo que com ele quiser. Até aqui estamos de acordo, mas o ar é de todos e há que respeitar o poucochinho que cada um tem.

Já é habitual escrever aqui os meus problemas e mais uma vez o faço.

Não me enquadro em nenhuma destas categorias, mas tem ficado cada vez mais definido que todo o homem que não é histérico é tóxico... Quem o tem definido são as tóxicas e os histéricos e como me ofende que digam isto de mim eu não me sinto com vontade de pertencer ao grupinho deles. Como tenho testículos, e é essa a principal característica do tóxico, já pensei fazer como o Farinelli e castrar-me, mas conforme disse há pouco sou um tanto ou quanto cobarde e não o consigo fazer.

Está visto que solução não arranjo e peço que se alguém souber como descalçar está bota me diga de imediato. Quero começar a ser aceite pela sociedade e não queria mesmo nada ser um masculino histérico, porque teria que pintar as unhas, fazer tatuagens feias, ser hipócrita e deixar de lavar o cabelo.

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