Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

04
Dez22

O copo meio cheio


Pacotinhos de Noção

png_20221204_021536_0000.png

No final de uma semana em que os chefes de equipa das Urgências do Hospital Garcia de Horta demitiram-se em massa, em que houve notícias de que nesse mesmo hospital haveria pessoas nos corredores em macas, e cadeiras de roda, há 3 dias, e em que eu pude testemunhar o caos nas urgências pediátricas do Hospital de Cascais, onde médicos e enfermeiros não tinham mãos a medir, ouve-se dizer, ainda assim, para que ninguém se preocupe porque está tudo óptimo. Está tudo a andar sobre rodas.

Não sou eu que o digo, era a anterior Ministra da Saúde (que não deixa saudades), Marta Temido, é o Sr.Primeiro-ministro, para quem aquilo que realmente interessa é saber com que olhos o vêem os grandes da Europa, e é o actual Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, que tem o carisma de uma couve de Bruxelas, mas que para marioneta do Primeiro-Ministro, chega perfeitamente.

A moda de António Costa, que respinga para todos os seus fantoches, é o ser extremamente positivo, o de encarar tudo com o copo meio-cheio, para espantar assim o negativismo para bem longe de si, e fazer com que os mais incautos não se apercebam no esgoto a céu aberto em que o nosso país se torna e, mais especificamente, o Serviço Nacional de Saúde.

Manuel Pizarro, imbuído talvez do espírito natalício, presenteia-nos com declarações em que afirma que as demissões apresentadas não colocam em causa o normal funcionamento do Hospital Garcia de Horta, e aqui até temos que concordar, pois desde há muitos anos para cá que o normal funcionamento daquele hospital é péssimo. Mas isto não se diz, o que se diz é que está tudo normal... é o tal copo meio-cheio.

A inflação sobe a pique, o poder de compra diminui, os preços aumentam absurdamente, e Costa afirma não haver lugar a alarmes. Portugal até subiu mais do a Alemanha, por exemplo, diz o nosso Primeiro Vigaristro, perdão, ministro. Copo meio-cheio, vêem? Aquilo que convém falar é que Portugal subiu mais que a Alemanha. Não sei bem a que níveis se referem, mas se for, por exemplo, no que diz respeito a subir a escadaria do Bom Jesus de Braga, então aí concordamos, porque as promessas dos portugueses para fugir à fome, hão-de ser tantas que aquilo é um corrupio de gente, a subir e descer as escadas.

Mas, porque diabos haveria Costa de achar que o copo não estaria meio-cheio? Se existe tipo que nasceu com a regueifa virada para a lua, esse tipo é ele.

Sucedeu a um Governo que teve que tomar atitudes difíceis, impopulares e que fizeram os portugueses apertar o cinto. Na altura em que iria haver uma retoma da economia, António Costa consegue chegar a Primeiro-Ministro sem sequer ganhar as eleições. Recebeu de herança um país com as decisões difíceis já tomadas, e teve assim a desculpa perfeita para dizer que tudo o que de mal pudesse vir a acontecer não seria da sua responsabilidade, teve uma pandemia que, numa altura em que a sua popularidade descia, permitiu-lhe criar, junto com o seu compincha Marcelo, estados de emergência uns, a seguir aos outros, e propagandear assim uma luta hercúlea que teve contra a pandemia.

Foi lançando umas migalhas aos povo, sob uma capa de subsídios de ajuda à pandemia. Uns não receberam, outros não eram elegíveis, outros eram elegíveis, mas os cálculos eram referentes a meses onde já havia pandemia e então a ajuda era miserável... Mas o copo continua sempre meio-cheio, porque depois veio um PRR, que seriam rios de dinheiro que colocariam o português comum a viver como um marajá, mas porra, começou a guerra na Ucrânia. O PRR passa a ser canalizado para outros efeitos porque a guerra criou uma crise que, curiosamente, estava já anunciada, ainda nem se imaginavam os devaneios de Putin, mas pronto, mais uma vez Costa tem a desculpa perfeita.

O nosso Primeiro-Ministro não pode ser o bode expiatório de todo o mal que acontece no Mundo, isso é óbvio, mas é, isso sim, o bode principal que causa a maioria dos grandes males do nosso país.

Que algo está mal, só não vê quem não quer. Houve mais uma remodelação governamental. Saíram uns amigos do Costa, entraram outros, um foi promovido, mas mais uma vez o enchimento do copo é positivo porque há um Mundial e assim o escrutínio da situação é colocado de lado.

Mas no final o maior motivo que faz com que António Costa ande de sorriso nos beiços, e que considere sempre que tem o copo meio-cheio, não é o facto de estar rodeado de uma sua máfia, não é o facto de ter uma imprensa que lhe até é favorável, vá-se lá saber o porquê, nem é o facto de que sabe que mais tarde ou mais cedo terá um cargo apetitoso para desempenhar na europa, não, não é isso. O que lhe dá essa característica é saber que tem aqui, neste entalado rectângulo entre mar e Espanha, um grande grupo de idiotas, pouco esclarecidos e imbecilóides, que além de lhe terem dado a maioria, ainda hoje o defendem e, muito provavelmente, fariam com que ganhasse de novo as eleições.

Para esses eu não queria um copo meio-cheio, queria um balde completamente cheio, para lhes atirar às trombas para ver se acordam.

21
Mar22

Escapadinha ao 3º Mundo


Pacotinhos de Noção

20220321_221312_0000.png

Na 5.ª feira passada dirigimo-nos ao Hospital de Cascais com a nossa filha mais pequena, que estava com febres altas, na ordem dos 38, 39, 40 graus. 

Tínhamos plena consciência do que seria porque, infelizmente, durante os seus 17 meses, esta já seria a terceira vez a desenvolver uma infecção urinária. De qualquer das formas o diagnóstico tem sempre que ser feito por quem sabe, até para poder ser administrado o antibiótico à miúda.

O cenário com que nos deparámos era dantesco.

A sala de espera da pediatria estava apinhada de gente. Não havia uma cadeira vaga e imensos estavam em pé. Um A/C demasiado quente, pessoas para quem o uso de máscara já não é uma obrigatoriedade e que faziam questão de tossir para o ar. Uma criança que fez diarreia no chão e outra que fez xixi pernas abaixo. São crianças, é natural que estes desastres aconteçam. Aquilo que não será já tão natural é a enfermeira colocar apenas paninhos por cima das porcarias e afirmar que não vai dar para limpar porque as senhoras da limpeza não têm como caber ali, com o seu carrinho da esfregona.

Entrámos pelas 17:30 e só saímos perto das 2:00. A nossa senha era o 148, mas quando viemos embora chamavam pela 346...

Nunca tinha visto um hospital nestes preparos, senti estar num país de 3.º Mundo, e é mais escandaloso ainda quando temos em consideração que é o Hospital de Cascais. Um hospital que até há bem pouco tempo era utilizado como referência para outros hospitais.

O que mudou entretanto?

Será que foi aquele bicho peçonhento que nos andou a atormentar, e ainda atormenta? Só o facto de ainda andar por ai, justifica eu não escrever o nome, para não ter assim o texto, obrigatoriamente referenciado como "texto que aborda nesse assunto"... O assunto do "Quem nós sabemos", "Aquele cujo nome não deve ser pronunciado".

Ou será antes que a culpada é a guerra na Ucrânia? Sim, porque a vez do "outro" foi tomada, e se eu amanhã quiser ir ao barbeiro, e não tiver hora disponível, vão pedir imensa desculpa, "mas com isto agora da guerra, sabe como é..."

Mas não, amigos leitores, vou deixar-me de especulações e dizer, CONCRETAMENTE, o que mudou.

O que mudou foi que o Governo mentiroso, oportunista, explorador e pouco transparente que tínhamos, transformou-se agora num monstro de maioria absoluta, e que fará aquilo que lhe der na real gana.

O Hospital de Cascais, assim como o Hospital de Braga, por exemplo, eram dois exemplos de hospitais PPP (Parcerias Público Privadas) que davam muito certo. Hospitais dirigidos como empresas, não geravam prejuízos, muito pelo contrário, chegavam a gerar lucros, e que mesmo sendo geridos como empresas permitiam que uma pessoa sentisse ser isso mesmo, uma pessoa, quando se ia a um destes serviços hospitalares.

Acontece que "El António Costa — o Afanador" ou se quiserem, "António Costa — O Discípulo Socrático", decidiu que estas PPP deixariam de existir desta forma. Passariam de novo para as mãos do Estado, sem uma justificação plausível, que nos permita perceber o porquê?

Ao não haver explicações, cada um de nós é livre de pensar aquilo que quiser, e eu, mente retorcida como só eu sei ser, começo a imaginar se o término das PPP, que não geravam derrapagens orçamentais, não acontecerá precisamente devido às derrapagens que não aconteciam?

É que os desvios de dinheiro não se fazem em empresas de contas certas, que coloquem tudo preto no branco e sejam organizadas. Para Governos como este, quanto mais bandalheira melhor, porque assim no meio de tanta confusão, uns milhões que fogem para aqui, e outros que fogem para ali, acabam por fazer tal confusão, até na cabeça de quem rouba. Por isso é que depois, nas comissões de inquérito onde são chamados devido a negócios menos claros, nunca sabem bem sobre o que são inquiridos, ou nem sequer se lembram do que "passou-se", como diria o outro.

Voltando ao Hospital de Cascais, e à consequência do mau planeamento, da falta de higiene, em suma, de toda a falta de condições... Estou no segundo dia de internamento da minha filha. A somar à infecção urinária que tinha, agora ganhou uma forte gastroenterite, tendo deixado de comer, de beber. Desonesto não posso chamar ao médico que nos atendeu. Disse, desde logo, que a probabilidade da minha filha ter apanhado este vírus no hospital é de quase 100%. Mas de que me interessa saber de onde vem o vírus, quando eu queria era que ele se fosse embora?

A minha pequenina continua alimentada a soro, ainda não tem grandes apetites e passa a maior parte do tempo a dormir. A febre, felizmente, já parece ter dado tréguas.

Este é um hospital onde trabalha boa gente, caso as deixem trabalhar. É uma pena que o VOSSO Governo (sinta-se ofendido quem neles votou) tente mandar abaixo aquilo que outros construiram e que, pasmem-se, até funcionava.

Em campanha, António Costa e Marta Temido não tiveram pudores em dizer que o SNS estava perfeito. E estará, caso as siglas do SNS signifiquem "SUICÍDIO NATURAL DA SAÚDE"

25
Mai21

A pandemia deu um pandemónio de educação


Pacotinhos de Noção

priority-seat-train-japan.jpg

Sobre o início da pandemia.

Vou relembrar a esperança instalada nalgumas pessoas, que afirmaram no início deste fado, que a pandemia também traria coisas positivas, sendo que a mais evidente seria a empatia, a proximidade e o reforço da humanidade.

Estas previsões pareciam as dos astrólogos, que no início de cada ano dizem aquilo que inventam, e que em nada acertam. No princípio, quando todos julgavam que "isto" ia durar uns 2 ou 3 meses, havia gente a bater palmas às janelas, a fazer serenatas, a emocionarem-se com as palavras do Bento Rodrigues e do Rodrigo Guedes de Carvalho. Ao passo que foram entendendo que a situação afinal não era uma mera brincadeira, então começou a mostrar-se a verdadeira essência do ser humano actual.

Primeiro foi a situação do papel higiénico. Amedrontados com o facto de puderem ser apanhados pelo COVID com as calças na mão, o "tuguinha" decidiu que até podia ficar com o rabo de fora, mas tê-lo-ia tão limpinho e tão lustrado, tal foram as engraxadelas à base de tantos rolos de papel higiénico, que com o espanto de ver esfíncteres tão imaculados, o vírus viraria as costas e ia embora, todo envergonhado. Este foi dos primeiros actos de estupidez e egoísmo, e foi mesmo no princípio, para que ninguém se cansasse de esperar...

Depois foram os passeios higiénicos. Nunca se viu tanta gorda de leggings como agora. O passeio deixa de ser assim tão higiénico, quando as leggings usadas são sempre as mesmas, e aparentam ser lavadas muito de vez em quando. Todos pensaram o mesmo e todos se acharam mais inteligentes e iluminados que todos os outros. O pensamento era "vou dar as voltinhas que quiser dar, mas como vou com roupa desportiva digo que estou no passeio higiénico". 

As luvas e as máscaras passaram a ser uma realidade diária. Entretanto as luvas deixaram de se usar tanto. Na minha opinião porque esteticamente, no chão, são menos apelativas que a máscara. A luva dá a sensação de que uma peixeira estava a escamar uma dourada, teve que sair de repente e deixou a luva caída no chão. Já a máscara dá mais estatuto. Quando a vemos no chão a ideia com que ficamos é a de que um médico teve que sair de urgência, para ir salvar uma vida, e nem teve tempo de a colocar no lixo.

Outra das características que ficaram mais vincadas na sociedade foi que deu para perceber, ainda melhor, que a grande maioria das pessoas são porcas. Percebe-se pelas tais luvas e máscaras no chão e também pelo aumento de poias de cães. Passear o canito era mais uma desculpa para andar na rua, mas se bem me lembro não havia nenhum decreto que desse minutos extra de soltura por andar a apanhar bostas. Então vai de deixá-las onde estão.

Filas de supermercado. Havia intermináveis.

Quem quisesse ir buscar um pacote de leite, amaldiçoava a hora em que não comprou uma vaca para ter em casa. Escusado será dizer que se viam famílias inteiras a ir "passear" para o supermercado, e não era rara a vez em que utilizavam o argumento do puto de colo, para passar à frente na fila.

Mas depois de 2 anos de pandemia, a verdade é que se nota que, talvez pelo facto de se ter perdido o hábito de nos cumprimentarmos, as pessoas estão mais mal educadas. É que não é um aperto de mão ou 2 beijinhos que demonstram o quão educado se é.

Estive há poucos dias no hospital. O número de lugares sentados é consideravelmente menor que antes, uma vez que se têm que respeitar distâncias de segurança. A verdade é que nunca tinha visto tanta correria às cadeiras como agora. Ainda por cima de malta mais nova, que quase atropelam os velhos para se conseguirem sentar antes deles. Uma miséria de gente que levou a conversa do Rodrigo Guedes de Carvalho do "aos vossos pais pediram que fossem para a guerra, a vocês pedem que fiquem no sofá..." demasiado à letra. Mas daquilo que percebi, o sofá é em casa, pá!!

Para mim, o balanço que faço desta pandemia acaba por ser positivo, no sentido em que dantes achava que era rezingão, pois tinha a desconfiança de que a sociedade era desgraçada, podendo ser injusto e estar errado. Agora vejo que não estava e o facto de estar certo é extremamente positivo. Pelo menos para mim é.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D