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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

08
Nov21

Quem muitos burros toca...


Pacotinhos de Noção

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Hoje, mais do que nunca, todos têm que ter um lema, um modo de vida, uma causa para defender, mostrando o quão activos, conscienciosos e magnânimos conseguem ser.

Alguém, que como eu, defende apenas o "vive e deixa viver, sem me chatearem a cabeça" ou o "agradecia que me largassem da mão" é considerado um bandalho, ainda para mais quando tem redes sociais e não as utiliza para ser como um Jeová da defesa das causas, batendo à porta de todos e cada um, mostrando a podridão que grassa de forma galopante e que serve dois principais objectivos.

O primeiro é o da confirmação de que o Mundo está mesmo podre. Está podre não porque se come carne, se usa plástico ou combustíveis fósseis. Está podre já desde a altura em que plásticos e combustíveis ainda não existiam, e onde a carne ainda se podia comer porque não era produzida, seja de forma sustentável ou não, era apenas caçada. O motivo era, e é, a grande percentagem de humanos que apenas assim são apelidados por pertencerem a essa espécie, e não por o serem na verdadeira acepção da palavra.

O Homem para ser vil, desonesto, infame, sem nobreza de carácter, mesquinho e nojento precisa apenas de ser Homem. Não precisa de mais ferramentas nem motivos. Está-lhe na natureza e corre-lhe nas veias, poder plantar o terror e a discórdia pelos motivos mais fúteis ou mais megalómanos, não interessa. Como se percebe tenho a nossa espécie em óptima conta, a minha falta de fé no Homem é quase generalizada e só não o é totalmente porque sei que no meio de tanto lixo também há pessoas boas. São raras, são como os trevos-de-quatro-folhas que raramente se encontram, mas que existem. Não se confundam, não digo serem perfeitos, digo serem pessoas boas e sim, pessoas boas podem ser imperfeitas. Já pessoas com a mania de que são perfeitas... Essas já é mais complicado que consigam sequer chegar a menos mazinhas, quanto mais a serem boas.

E isto leva-nos ao segundo objectivo da podridão que nos rodeia e que é muito necessária. Pelo menos é-o para os visados deste segundo objectivo.

O que realmente me levou a escrever estas linhas foi uma saturação da minha paciência relativa a estas individualidades que são cheias de causas.

Por que razão o fazem, por que razão existem, por que razão têm tanta gente que os segue. As repostas a estas perguntas tenho-as para mim como verdades, mas isso não significa que realmente o sejam. De qualquer das formas, e segundo o meu ponto de vista, que sei que nalgumas vezes poderá ser demasiado crítico, aquilo que vou observando é o que vou afirmar.

As respostas às perguntas que fiz são, na verdade uma só, ou várias que se misturam e que confundem.

Visualizações, seguidores, necessidade de aparecer, necessidade de desempenhar um papel fictício que ninguém lhes atribuiu, fazer crer aos demais que eles realmente são demais e que o "eu", que defende causas, é que realmente importa e que todos deveriam ser como ele e até agradecer-lhe porque faz petições públicas via net, e partilha fotos de vítimas sejam elas humanas, animais ou vegetais.

Todos que leem agora já se terão deparado com pelo menos uma página de Instagram de alguém que até se denomina activista. Estas páginas têm como características estarem cheias de exemplos de atentados a vários direitos, como os das mulheres, dos animais, da liberdade de expressão... Tudo lutas válidas, mas que vão perdendo a validade quando se consegue perceber que o objectivo final não é o de resolver nada. Não é porque não se queira resolver, é apenas porque o objectivo final não é mesmo esse. O objectivo é o de conseguir fazer barulho para se dar nas vistas.

Sempre ouvi dizer que "quem muitos burros toca, algum deixará para trás", e aqui até nem faz mal porque não tem interesse continuar a tocar o burro. O interesse é apenas que o animal cause impacto para que depois seja partilhado, conseguindo assim mais visualizações. Hoje mostras uma petição a favor de uma menina que foi vendida num qualquer país árabe, mas amanhã já não queres saber porque, entretanto já houve um gato que foi maltratado pelos donos e amanhã há uma mulher agredida pelo namorado.

Tudo isto são divulgações com um grau de gravidade elevado e que mereceriam um acompanhamento mais passo a passo, para saber o que acabou depois por acontecer, ou não. Com este desfolhar de causas, que após mostrada se amarrota e se deita para o lixo como se fosse uma simples folha de papel, deixa-me a forte convicção, uma quase certeza, de que a força da gravidade daquilo que mostram, para eles, é apenas momentânea, quando esses mesmos casos não são de momento, são muitas das vezes perpetuados.

Aquilo que digo é também fácil de verificar por quem queira. Basta ver uma dessas páginas de Instagram e ver a periodicidade das causas que ali divulgam, e que são umas atrás das outras, e a total ausência de seguimento ou de desfecho do caso.

Depois há os que seguem estas pessoas, e que, na verdade, são apenas vampiros que querem sangue e mais sangue. São como aqueles tipos que causam trânsito porque andam muito devagar, ou até param, para conseguir ver bem o acidente que aconteceu do outro lado da estrada.

Quando há, por exemplo, a divulgação de um cobarde que bateu na mulher/namorada, na zona de comentários o que mais se vê é — "divulga a fotografia do gajo" ou "era fazer a folha ao gajo e partir-lhe os dentes todos". Nunca é "contacta de imediato as autoridades e denúncia", que seria o único gesto correcto a fazer.

Mas quando temos uma "influencer" que até fotografa ao lado do caixão do pai, e um indivíduo que achou um piadão ver uma velhota ser desfeita por um atropelamento de comboio (esta reacção assisti pessoalmente, ninguém me contou nem li em lado nenhum) que, tal como disse mais acima neste texto, a minha fé no Homem, está pelas ruas da amargura.

21
Jul21

Uma questão de educação


Pacotinhos de Noção

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O ser humano é estúpido. E pronto é só isto.

Resumidamente é isto mas de verdades de La Palisse está o Mundo cheio, por isso convém contextualizar.

Já desde miúdo que desenvolvi um demasiado forte sentido crítico. Não encaro esta característica como uma virtude e sim como um defeito. É mais forte do que eu e julgo que mais cedo ou mais tarde desenvolverei uma úlcera nervosa, tal mexem comigo situações do dia-a-dia.

A falta de educação está cada vez mais generalizada e com esta história da pandemia parece que se tornou ainda mais forte. No meu entender "o novo normal" de que tantos falam é só um normalizar da anormalidade que já antes existia mas que muitos tentavam esconder. Agora nem vale a pena porque "amanhã posso ter que ficar em casa", ou "a vida são dois dias e o isolamento são 14", por isso é preciso ser-se uma trampa nos dois dias em que se anda à solta.

Tenho visto de tudo e nem tudo se justifica com o vírus do COVID. Desde uma javarda que no supermercado tira a máscara para falar ao telefone e ao mesmo tempo espirra para cima dos artigos nas prateleiras, desde clientes que insultam quem está num balcão porque, por exemplo não admite ter que fazer pré-pagamento, e até a empregados de balcão que atendem mal clientes porque onde se estava bem era no "lay-off".

A tantas vezes proclamada República das Bananas ainda não foi proclamada, mas aquilo que mais vejo são macacos tontinhos e egoístas que querem muito ser vacinados porque as férias deles são mais importantes que tudo. Mais uma vez repito, esta não é uma questão que se prenda com a pandemia. O vírus foi o que deu o mote para que a vergonha, que já pouco existia, fosse completamente eliminada.

Reparem por exemplo nas questões dos testes rápidos nos restaurantes. Testes que eram cobrados a 5€, agora passaram a valer três, quatro ou cinco vezes mais, e muitas das vezes são as próprias farmácias a cobrarem estes valores. Já tínhamos visto situações semelhantes aquando da escassez de máscaras e álcool gel, e a coisa torna a repetir-se. Faz-me um pouco de confusão que existam autoridades de regulamentação para tanta e tanta coisa, e nestes casos não. Mas por um lado percebo bem porquê, o IVA de 20€ é muito mais apetecível do que o IVA de 5.

Posso ir contra a corrente e falar também nos médicos e enfermeiros do SNS, por exemplo. Estão a ser catalogados como heróis e era assim que deviam ser vistos, caso aquilo que fazem fosse altruísta. Mas a verdade é que hoje existem mais pessoas a morrer por causa de outras enfermidades do que de COVID, e é mais fácil ganhar um prémio bom no Euromilhões do que conseguir consulta num centro de saúde, porque todos os esforços são canalizados para a vacinação. Não porque se queira acabar rápido com o bicho, mas porque horas a vacinar são horas extraordinárias.

Todo o quadro de beleza, entreajuda, compreensão, apoio ao próximo e altruísmo, aos poucos e poucos vai-se transformando num feio quadro de naturezas mortas mas em que o que é retratado não são frutas ou flores. É uma humanidade podre e decadente que poderia ser colocada bem no centro da Idade Média e que não ficaria a dever em nada, aos "grunhos" que por lá viveram.

Será toda a gente assim?

Não, não será. Mas aqueles que não o são sentem-se sozinhos, desesperados e desamparados, porque a sociedade onde vivem, e da qual fazem parte, está apoiada em alicerces tortos e instáveis e sentem que nada podem fazer porque são uma minoria que se vê abafada pelos urros e gritos de uma imensa maioria cuja principal preocupação é a de se agora no Verão podem ou não beber umas "jolas" na esplanada, ou ir passar o fim-de-semana ao Algarve.

Se não fosse o egoísmo e falta de educação, não só cá mas no Mundo inteiro, não estaríamos dois, de não se sabe quantos anos mais, a sofrer. Basta colocar os olhos na Islândia.

Quem argumentar que a Islândia tem pouca população... Também os Açores e a Madeira.

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