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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

12
Mai22

"Noblesse Oblige"


Pacotinhos de Noção

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Não sou uma pessoa de séries. Prefiro filmes, mas ainda assim tenho as minhas preferidas.

Uma das mais recentes é a "After Life", da autoria de Ricky Gervais, que desempenha também a personagem principal. Conta a história de um homem para quem viver já não faz o menor sentido, após ter perdido a sua mulher... Mas não é a história central desta série que me levou a referir a mesma, e sim uma característica que Tony, personagem de Gervais, tem e que admito, agrada-me. Agrada tanto que gostaria até imenso de conseguir pô-la em práctica, muito embora não possa ser considerada uma qualidade. Aos olhos de grande parte das pessoas é até considerada um defeito.

Tony tornou-se uma pessoa completamente intransigente, que não tolera a idiotice, a estupidez e a falta de noção. O único "frete" que ainda se força a fazer é o de entrevistar pessoas pouco normais, para o jornal local onde trabalha, mas de resto nada passa.

Situações tão simples que já nos aconteceram, como o carteiro que não coloca as cartas no sítio correcto só porque teria que dar mais uns passos, ou o carro que não pára na passadeira, merecem a reprovação do jornalista, e ele não se coíbe de a demonstrar, coisa que nós, comuns mortais, a maioria das vezes evita.

Somos desde miúdos habituados de que temos que ser simpáticos, positivos, flexíveis, e afirmo que na grande maior parte das vezes até o sou, mas admito ser algo que me custa bastante, e cada vez mais porque para manter essas três características, quase sempre temos que fazer aquilo que muitos chamam de "engolir sapos", coisa que a todos custará.

Pois, ontem, não por deliberação imposta, mas mais por impulso, fui intransigente e soube-me que nem ginjas.

Uma das situações foi numa das minhas constantes incursões a superfícies comerciais. Fui fazer umas compras ao Minipreço perto do trabalho e, azar dos azares, estava pejado de miúdos da escola secundária.

Estando já eu na fila para pagar, fila que, entretanto se estendeu bastante e iria ter este vosso amigo como próximo elemento a ser atendido, dei por mim a levar com bafo de "pita" mal-educada que, ao passar por mim, exclama para o seu namorado um verso, que não rimando, seria música para o humorista Fernando Rocha.

Disse então a poetisa, e passo a citar:

"— F*d@ss€, achas que vou ficar na fila por causa de um donut?"

Achei mal. Achei mal pelo palavreado e pelo elevado tom com que o proferiu, achei mal por fazê-lo tão perto de mim, que senti o bafo ao Chocapic que comeu ao pequeno-almoço, e achei mal pelo pouco caso que fez do Donut, que não tendo a consistência de uma Bola de Berlim ou de um papo seco, é uma iguaria que serve para matar o ratinho e a vontade de doces. É certo que não tem um valor nutricional elevado, mas tem um valor monetário baixo, mostrando ser uma óptima opção de lanchinho.

Mal acabou de arrotar esta pérola a miúda olha para mim, como primeiro elemento da fila, próximo a ser atendido, e pergunta-me se acho que ela pode passar à frente por causa do Donut, ao que eu, amavelmente, como é meu hábito, lhe respondi que era óbvio que não. Foi para o fim da fila e espero que esteja lá até hoje.

Se a situação fosse outra, ou se se tivesse desenrolado de maneira diferente, muito provavelmente até deixaria, mas só o facto daquela pequena labrega pensar que o tempo dela era mais precioso do que o de todos os outros que estavam na fila, e a maneira chula como falou, fizeram-me ser intransigente, rude e seco, e tenho que vos admitir que me soube muitíssimo bem.

A outra situação que aconteceu foi com a nobreza, dai o título do post, e não, não é um nobre como o Castelo Branco, é daqueles a sério, o que até acaba por ser um pouco mais ridículo.

No meu trabalho tenho clientes de todas as áreas, de todos os credos e de todos os estratos sociais.

Tenho uma Srª Dª Marquesa que me encomendou um trabalho com urgência. Na altura aceitei, como especial favor, mas ficou combinado que o motorista da senhora só o viria buscar quando eu lho dissesse, visto que não o conseguiria concluir no período de trabalho normal.

Acabei perto das 22:00 e normalmente saio às 19:00.

Quando liguei ao motorista ele disse que afinal não o poderia ir buscar  e ficava para o dia a seguir..."Ordens da Marquesa". E que até nem fazia mal porque na realidade a Srª Dª Marquesa havia cometido um engano e não precisava daquilo com tanta urgência, tinha mais uns dias de margem.

Fervi e não engoli.

Telefonei à Marquesa, que, aliás faço sempre questão de tratar por Dona Teresa, (não respeito muito títulos bacocos) que me confirmou que realmente naquela hora já não lhe dava muito jeito, já estava recolhida e dispensara o motorista.

Desfolhei a minha lista de desagrados, afirmando que perdi horas de convívio com os meus filhos, que é um desrespeito exigir um trabalho com urgência, mas depois não o recolher porque não lhe dá jeito, não avisar que afinal o prazo mudara, e pode ficar ciente que da minha parte não terá mais nenhum tipo de favor.

Escusado será dizer que esta atitude, da qual até me orgulho, a ela, para já, não lhe fez mossa nenhuma. Teve a cara de pau de tentar colocar a culpa no motorista, dizendo que "ele não é muito normal, desconfia até que o homem tem um pouco de autismo", e também em mim, dizendo que devia ter conseguido acabar o trabalho mais cedo.

O que nos passa pela cabeça após ouvir estes argumentos é algo que a tal "noblesse oblige" a que não seja nem possível escrever, sob pena de terem sido inventadas novas formas de ofensa que possam até dar cadeia, mas mais uma vez aconteceu que sendo completamente intransigente, e não deixando por dizer aquilo que aquela velha decadente merecia ouvir, senti-me bem e sem aquele nervoso miúdinho das situações chatas, que nos causam um pequeno incómodo e nem sabemos bem porquê.

04
Mai22

A mulher de César é uma badalhoca


Pacotinhos de Noção

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Sempre ouvi dizer que "À mulher de César não basta ser séria, há que parecê-lo", mas se a mulher de César for uma empresa portuguesa do sector energético, então deixa de ser séria e passará a ser uma badalhoca da pior espécie.

Isto porque neste primeiro trimestre de 2022, a petrolífera Galp, conseguiu aumentar os seus lucros em 496%... Sim, senhor, não é gralha e até repito, 496%. E isto sucede devido à guerra na Ucrânia e consequente aumento dos preços. Acontece que muito provavelmente este lucro, no segundo trimestre, poderá crescer ainda mais, se tivermos em consideração que o Governo baixou o ISP dos combustíveis, que se traduziriam numa quebra final dos preços de cerca de 15 cêntimos, mas que, na prática, diminuiu apenas por volta de 8, porque as gasolineiras decidiram absorver parte dessa descida de imposto, conseguindo assim ganhar mais 7 cêntimos por litro, engordando um bocadinho mais os seus cofres.

O Governo já deu a entender que a ASAE irá fiscalizar esta situação, mas o que é verdade é que a ASAE não tem nenhum tipo de poderes para impor que determinada empresa cobre este ou aquele valor, por um produto ou um serviço que oferece. O mercado é livre e uma das características do mercado livre é essa mesma, não terem o dedo de instâncias exteriores à empresa a definirem preços.

E perguntam os meus amigos: "Mas o Governo não poderia criar leis que não permitissem este tipo de abusos?", ao que eu responderia: "Mas vocês são estúpidos?!"

Peço desculpa por esta ofensa que poderá até parecer gratuita, mas reparem apenas no seguinte para que percebam como essa pergunta não faz sentido.

Um dos vogais do Conselho de Administração da GALP é Adolfo Mesquita Nunes, ex-secretário de Estado do Governo PSD-CDS.

Até Janeiro deste ano, Carlos Costa Pina foi membro do Conselho da Administração da Galp. Outro ex-secretário de Estado, desta vez do Governo PS de Sócrates. Renunciou ao cargo ao ser acusado no processo das PPP, processo esse que demonstra que Carlos Costa Pina beneficiaria concessionárias rodoviárias nas negociações de novos contratos para as concessões das SCUT.

Aqui temos dois exemplos da GALP, mas se formos procurar na EDP, na Mota-Engil, na Efacec e em muitas outras empresas, temos uma imensidão de ex-governantes, alguns sem a mínima preparação para os cargos que ocupam, que ocupam cargos de grande relevo. E atenção que são de todos os quadrantes políticos, que aqui a democracia é mesmo democracia, todos mamam.

Mesmo o caso recente do ex-Ministro das Finanças, João Leão, que aprovou um financiamento no valor de 5,2 milhões de euros para o ISCTE, sendo depois nomeado vice-reitor da mesma instituição, mal saiu do Governo, mostra que as ofertas de emprego a ex-governantes não carecem de envio de currículo e posterior entrevista, porque as reuniões que seriam necessárias ter já foram acontecendo previamente, enquanto benefícios podiam ser atribuídos.

Claro que depois tudo não passam de patranhas, de cabalas, de mal-entendidos, que só quem esteja de má-fé é que pode acreditar, mas por mim falo, e se é má-fé que se exige, então a minha está no máximo dos máximos.

E é por isto, meus queridos leitores, que quem está no Governo, seja qual for a cor partidária, nunca vai mover uma palha para mudar seja que lei for, visto que o tipo que matar a galinha dos ovos de ouro, depois teria que comer apenas canja de galinha velha, e sopa, daquilo que me dá a perceber, é comidinha para pobres.

02
Mai22

Dia da Mãe


Pacotinhos de Noção

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Ontem foi Dia da Mãe.

Não coloquei aqui nenhuma foto da minha, nem lhe mandei 1000 beijinhos. Primeiro porque a minha mãe não tem redes sociais e depois porque não tenho a melhor mãe do Mundo. Podia dizer que sim, mas estaria a mentir. É que, segundo vi, já muita gente tem aquela que é A MELHOR do Mundo, e se é essa a melhor, então a minha não deve ser, até porque está cheia de defeitos. De qualquer forma, mesmo com defeitos e no meio de tantas melhores mães do Mundo, a minha é a minha, e gosto dela assim. Se lhe mudaria algo? Sim, mudaria. Mudaria a conta bancária, e passava a ser um daqueles filhos de 40 anos que vivem à custa da mãe. Pedia-lhe para me abrir uma empresa toda na moda e dizia ser uma "start up". Bem pensado, não?

Ontem foi aquele dia magnífico, em que às 12:45 os filhos vão buscar as mães velhotas aos lares, para às 13:00 já estarem no restaurante a almoçar, e logo às 14:30 já poderem ir largam o entulho novamente na instituição, que o Dia da Mãe é ao Domingo e ainda pode ser que dê para aproveitar alguma coisinha do dia.

Podiam ter levado a velha à casa da família, mas sem o barulho dos restaurantes havia a hipótese de ter que conversar, e ai a velha mãe podia perceber que é já uma carta fora do baralho, não contando a sua opinião nem para escolher o papel de embrulho do Natal.

E levando a progenitora até à casa de família, o Piruças podia sentir-se incomodado, porque não está habituado à "belha", e como ele, embora de 4 patas, é um membro da família, não o vamos incomodar.

Não escarrapachei em qualquer rede social o quanto gosto da minha mãe, ou o quanto a minha mulher é uma mãe magnífica, porque não tenho nada a provar, e desenganem-se se pensam que fazem parte desta equação, porque a principal pessoa a quem não tenho nada a provar, e nem sequer preciso de o fazer, é a mim mesmo.

 

27
Abr22

Tanta paneleirice e nada funciona


Pacotinhos de Noção

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Vivemos na Era das tecnologias, do 5G, do wireless e do WiFi. O Elon Musk, antes de comprar o Twitter até já andava com vontade de colonizar Marte, e a pergunta que aqui deixo é apenas a seguinte. Se com tanta tecnologia existente eu não consigo abrir a porcaria de uma conta num banco, para que serve esta treta toda?

Fui hoje, à hora do almoço, ao ActivoBank para abrir conta e havia pessoas à espera desde as 10:30 para fazer o mesmo que eu. Desisti e pensei em fazer online. Afinal de contas o ActivoBank foi criado para descomplicar. Perdi um par de horas da minha vida porque a aplicação estava sempre a falhar, e não aceitava a documentação. Liguei para o apoio ao cliente e até conseguir falar com alguém foi outra aventura porque o atendedor automático estava com problemas.

Entretanto, ligaram-me e pediram desculpa, mas como a conta é para a minha mulher, eu deveria desligar e ser ela a fazer a ligação. A verdade é que a minha mulher estava ali junto a mim, e bastava passar-lhe o telefone para dar continuidade ao processo, mas foi-me dito que não, que não poderia ser assim.

Desliguei, o Banco CTT ganhou uma nova cliente.

Mas o principal assunto nem é este.

Hoje o Hospital Garcia da Horta foi alvo de um ataque de pirataria informática. Nos últimos tempos é uma constante, os ataques destes piratas da internet, que não podem ser apelidados de Barbas Negras porque muito provavelmente nem barbas têm. Terão uma pilosidade facial muito rala, que nem poderá ser apelidada de barba, pois para que a barba floresça, há que apanhar um pouco de sol, e a luz emanada pelo ecrã de um computador, não faz a vez do nosso astro maior.

Considero este ataque ao Garcia da Horta gravíssimo. Não pelo facto de poderem ser divulgados os "Papanicolaus" que a Dona Alzira fez, mas, porque sendo este um hospital público deveria estar protegido para que os dados dos utentes estivessem seguros.

Aqui há uns anos andaram empresas a destruir papelada, e à procura de subterfúgios legais para continuar a poder contornar a protecção de dados, e agora, em tão pouco espaço de tempo, uma multinacional como a Vodafone é penetrada na sua segurança, como se uma faca quente cortasse manteiga, e um hospital público, que deveria estar protegido sob a alçada do Estado, vê-se invadido, deixando que os nossos dados sejam corrompidos.

Devo admitir que esta falta de segurança me causa alguma estranheza.

 Então não é que quando adquiri um tarifário para o meu telemóvel, o vendedor impingiu-me uma super protecção de segurança, que não permitia que o meu telemóvel fosse pirateado? Por 0,99 € o meu telemóvel estaria seguro e proteger-me-ia a mim também. Escusado será dizer que aproveitei logo, pois imaginei o meu smartphone a tornar-se num Transformer, caso algum meliante me tentasse assaltar, mas afinal a protecção era apenas para a internet. Mas pronto, ao menos uma pessoa fica protegida, o que me leva a pensar que se compras um pacote com internet no telemóvel, e sugerem-te que pagues mais 0,99 € para te garantirem uma internet segura, não me digam que o Estado não tem 0,99 € para ter a sua net segura também. Se precisarem dou-lhes o contacto do comercial que me tratou do assunto.

Mas resumindo é isto que se passa. Tantos smartphones inteligentes, tantos "web security", "secure net", tantos meios que a tecnologia nos dá, e se fosse tudo na base da caneta e do papel os piratas informáticos, para serem piratas, teriam que aprender a remar. 

Mesmo após se perceber que afinal tipos como o Bill Gates, Elon Musk, e até grandes empresas e instituições não têm capacidade para impedir as violações dos seus espaços, os idiotas dos negacionistas de tudo e mais alguma coisa, vão continuar com as teorias conspirativas de que com as vacinas eles nos injectam chips na corrente sanguínea? Se nem o Kaspersky ou o Avira sabem configurar convenientemente, vão conseguir fazer um nano chip? Por favor...

24
Abr22

Pensava que foi um sonho mau


Pacotinhos de Noção

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Não falei deste assunto durante a semana porque o que de facto aconteceu foi o seguinte. No Sábado passado adormeci em frente à televisão, e então tive um sonho horrível, que passarei a contar...

Era um estúdio escuro, com a Pipoca mais Doce e o Gilmário Vemba, a tentarem apresentar algo parecido com um programa de humor, mas de forma muito atabalhoada. Chamavam dois convidados que debitavam depois piadas escritas por miúdos de uma qualquer escola C+S, em que a coisa mais engraçada seria algo como "És cocó!" ou um "Avisa a tua mãe que me esqueci das cuecas na mesinha de cabeceira".

Depois havia 3 jurados. Um árbitro com um cabelo ridículo, uma tipa que julga que o abecedário são só as vogais, e metade d"Os Homens da Luta". Aquele que luta para manter a cabeça à tona no mundo do audiovisual.

Sofri muito, até suores frios tive, mas depois fui dormir, acordei e troquei os lençóis por ter molhado a cama, tal foi o medo que tive deste sonho macabro.

Eis senão quando, hoje mudo para a TVI e verifico que afinal aquilo não foi apenas um sonho mau. Aconteceu mesmo e hoje tornou a ir para o ar esta xaropada do Betclic Mano a Mano. Nada mais a propósito ser uma empresa de apostas a patrocinar, porque eu apostava que isto não vai conseguir transmitir todos os programas que tencionavam gravar... É que é tudo péssimo, claramente mau. Insistir neste erro é como um tipo que quer martelar um prego, mas sofre de astigmatismo, martelando assim sempre o dedo. Ele sabe que o desfecho é sempre o mesmo, não tem como fugir, mas ainda assim vai martelar de novo.

Algo que se pode fazer com este Betclic Mano a Mano, é compará-lo aquele tio inconveniente, que foi a uma festa de malta mais nova, e em que decide dançar e ser o centro da festa. Não tem ritmo, não tem piada e teríamos ficado bem mais felizes se não tivesse vindo.

Não sei quem foi a mente iluminada que decidiu o parto deste programa, mas nasceu cheio de problemas, e pau que nasce torto...

12
Abr22

6 de Abril de 2024


Pacotinhos de Noção

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Que data é esta? Perguntarão vocês.

Uma previsão dantesca, uma efeméride que mereça ser relembrada? Será que é nesta data que será revelado quem está por detrás dos Pacotinhos de Noção, conforme milhões e milhões de pessoas gostariam de saber?

Nada disso.

6 de Abril de 2024 é a data em que acabará o período de fidelização que tenho com a MEO, e estou ansioso para que chegue esse dia.

Os mais atentos constatarão que, sendo a fidelização de 2 anos, acabei de assinar contracto, e digo-vos, se arrependimento matasse, era um cadáver que vos escrevia.

Odeio este tipo de mudanças, e era cliente da Vodafone há mais de 20 anos. Desde a altura em que ainda era Telecel, e não sofria ataques informáticos.

Acontece que ao fim de 20 anos, e após ter problemas de internet, cujos técnicos da Vodafone resolveram que a solução mais adequada seria um valente "fica assim", decidi mudar, mas não queria uma mudança radical, e quando me desloquei a uma loja MEO expliquei todas as especificações que me interessavam, caso contrário não valeria sequer a pena avançar. Foi-me dito que sim senhor, tudo era possível, e foi então assinado contracto.

No dia da instalação, o técnico não trouxe as boxes para a TV que eu tinha criteriosamente escolhido, e que seriam um dos motivos por anuir em ficar com MEO. Afirmou que teriam que ser as que ele trouxe, ao que eu retorqui preferir então que não fossem nenhumas. O rapaz disse que já voltaria e ia buscar as boxes ao supervisor. Quando saiu fez questão de desligar-me a internet da Vodafone, colocando-me assim numa situação de refém, em que agora teria obrigatoriamente de ser cliente deles.

Quando o artista volta, faz todas as ligações que precisava fazer e, entretanto, vai buscar as boxes surpreendendo-me com dois sacos do lixo roxos onde vinham os aparelhos, maiores que tijolos, datadas do tempo em que o Camões ainda tinha dois olhos.

Disse-lhe que não queria aquilo, que eram boxes usadas, vinham cheias de riscos e pó. Extras pelos quais não paguei, e sem os quais vivia bem.

Afirmei não querer aquele material e nessa altura, o funcionário do mês sugeriu-me ir à loja trocar... E fui à loja sim, reclamar e devolver as bugigangas todas que me trouxeram.

Mas reclamar na loja foi cansativo e esgotante. Estive mais de 45 minutos a debater com os funcionários da loja, e, em simultâneo, com um pelo telefone, que me garantia que iriam resolver a situação, aliás, promessa também feita pelos responsáveis na loja. Pediam-me apenas que tivesse paciência, que iria ser contactado via telefone, para agendar a troca das boxes. Ligaram-me hoje e falaram com uma arrogância tal, que parecia até que fui defecar na horta do homem. Informou-me que não viriam trocar as boxes e que teria que ficar com estas.

Tem alguma lógica que contrate um serviço novo e receba material usado, e acima de tudo, velho?

A situação não ficou por aqui. Entretanto, já fiz uns telefonemas e em princípio as boxes serão mesmo trocadas, mas só as horas que perdi, os destratos que recebi e que também cometi, a falta de honestidade que senti, fazem-me agora marcar no calendário a data que serve de título a este post, para nesse dia me poder livrar desta cruz, e voltar de novo à empresa de comunicações que, podendo ter todos os seus defeitos, acabou por mostrar-me que nem sempre se muda para melhor.

Peço desculpa ter utilizado este espaço como um livro de reclamações electrónico, mas esta será mais uma maneira de divulgar como a MEO funciona de forma deficitária, e como usa de várias artimanhas para enganar futuros clientes, tal como aconteceu comigo.

15
Mar22

John Cid ou José Lennon?


Pacotinhos de Noção

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Só hoje tive conhecimento da confusão que o jornalista da CNN, Pedro Bello Moraes fez entre José Cid, Elton John e John Lennon.

Estou em crer que foi realmente uma brincadeira. Se correu bem? Não correu. O jornalista não pareceu engraçadinho, pareceu apenas confuso ou desinformado.

Confuso parece estar também o autor de Adieu, adieu, Auf Widersehen, Goodbye, John Lennon... Porra que me enganei! É o outro, o português falso, o José Cid.

Atenção, com a adjectivação de falso não me refiro à personalidade do senhor, que é do mais justo e correcto. Digo que é falso porque um tipo que tem um gato morto a fazer de cabelo, e um "guelas" a fazer de olho, 100% genuíno não é.

O cantor afirma que vai processar a CNN por esta confusão, e que se sentiu ofendido, desrespeitado e que até está traumatizado. Diz que os jornalistas da CNN enganaram-se e ao emendarem o erro riram-se.

Eu percebo o pequeno Cid. Está com 80 anos e diz-se que a velhice é uma segunda meninice. Quem nunca assistiu a um menino reclamar por ver que o outro se ria dele? No fim de contas nem estava nada, mas o menino mimado empancou com o outro...

José Cid está traumatizado, agredido e desde já avisa que desculpas não bastarão.

Se estivéssemos num país como os E.U.A, eu teria receio de deixá-lo sozinho, num qualquer quarto de hotel, todo depressivo. Provavelmente iríamos dar com ele morto, depois de uma overdose letal, mas como é o José Cid, e estamos em Portugal, se formos dar com ele nalgum lado, será numa qualquer tasca miserável, a mandar abaixo copos de 3.

No meu entender José Cid perdeu o norte. Quer montar um cavalinho de aproveitamento, sabe que a sociedade é cada vez mais "sensivelzinha" e cooperante para quem usa da vitimização e faz beicinho por "dá cá aquela palha".

Mas coloquemo-nos do lado do artista do capachinho, que de tão ofendido defende haver coisas com o qual não se devem brincar, sendo elas, e passo a citar, a sua criatividade, a sua autoria e a sua voz.

Curioso, este caso de se brincar com um assunto, e correr mal, e que me reporta a algo que se passou há uns anos, em que Nuno Markl convidou um artista bem conhecido, para um programa que tinha no Canal Q, sendo que esse mesmo artista afirmou que o pessoal de Trás-os-Montes vem em excursões a Lisboa, para ver o mar, e que seriam pessoas medonhas, feias e desdentadas.

Depois da asneira dita, este artista veio defender que tudo não passava de uma brincadeira, e que os transmontanos deveriam levar a vida com mais leveza e sentido de humor. Conselho sábio para se dar a José Cid, por alguém que foi vítima da ira, que ele agora aponta à CNN.

Queria lembrar-me do nome do artista que brincou com os transmontanos, mas não me consigo recordar. Era um tipo cheio de sentido de humor, e que como caracterização usa um gato morto na cabeça e um "guelas" a fazer de olho. 

09
Mar22

Os fantoches que nos servem


Pacotinhos de Noção

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Sábado à noite e vou com amigos a um restaurante daqueles onde todas as pessoas vão.

Servem almoços e jantares e com tanto movimento obviamente que os funcionários já estão com algumas horas de trabalho nas pernas.

Sento-me e aguardo pelo senhor que nos há de atender. Vejo-o atrapalhado, a andar para a frente e para trás, levando tabuleiros numa mão, garrafas de vinho na outra, e se mais braços tivesse, mais coisas levaria, mas é o trabalho dele. Cada um com o seu, e também ninguém me vai lá ao escritório fazer o trabalho por mim.

Já começo a bufar porque estamos à espera há uns bons 10 minutos. O tipo passa por mim, pede desculpa e diz que vem já ter connosco. Entretanto, vejo-o a ir entregar uma conta, uma salada de frutas e uma mousse.  E EU ALI SENTADO À ESPERA...

Quando finalmente vem ter connosco, devo dizer que a figura mete-me um pouco de impressão. Todo suado e desgrenhado, com ar de quem correu uma maratona, e aspecto visivelmente cansado.

Fazemos o nosso pedido e ficamos à espera novamente. Raio do pessoal do restaurante que parece que não sabe trabalhar mais rápido.

Vinte minutos depois, estou eu e os meus amigos a deglutir os nossos pratos, em amena cavaqueira. O funcionário lá continua, feito barata tonta, de um lado para o outro. Se tem trabalho a mais que diga ao patrão para meter mais pessoal.

Hora de pedir sobremesas, o cafézinho, e algum do pessoal vai pedindo uns calicezinhos disto e daquilo. O raio do empregado tem o desplante de vir dizer que é quase meia-noite, e que tem que fechar o estabelecimento. Mas qual é a pressa do tipo, não aguenta mais uns 15/20 minutos, para acabarmos a nossa conversa e os nossos cálices? Estes tipos não querem fazer nenhum, e depois ainda se queixam não haver trabalho.

Esta introdução é ficcionada, mas é baseada em muitos comentários que já ouvi, atitudes que presenciei e até em pensamentos que ocasionalmente posso ter, mas hoje deu-se-me uma epifania e dei por mim a pensar em como por vezes consigo, ou melhor, conseguimos (não vou arcar com  as culpas todas, sozinho) ser injustos, e pouco compreensivos para quem trabalha.

No exemplo que dei, seria positivo ter em conta os quilómetros que aquele empregado de mesa já poderia ter percorrido, só naquele dia, e que se não tem mais colegas que o ajudem não será por vontade dele. Quando somos servidos a maior parte das vezes esquecemos que aquela pessoa que está atrás do balcão não é parte do balcão e que a sua vida é muito mais para além daquilo.

Uma das coisas que mais me incomoda ouvir nalgumas lojas de comércio local, que são normalmente geridas apenas pelos proprietários, é a pergunta "Vocês estão sempre abertos?" Não passa pela cabeça daquela pessoa que todos têm direito ao descanso físico e até mental, para se refazerem de ter que lidar com idiotas que fazem estas perguntas.

Em negócios maiores até posso tolerar, visto que poderão existir mais funcionários, mas em lojas de rua, e lojas familiares...

O total desrespeito por horários também faz-me eriçar os pêlos da nuca. No outro dia, eram umas 18:30 e observei uma "simpática" senhora, que vendo que dentro de um laboratório Germano de Sousa estava uma funcionária, começou a bater desenfreadamente à porta. Uma porta de vidro laminado, bem limpa, por sinal, que tinha como puxador um magnífico tubo de alumínio, e em letras garrafais, que se viam do outro lado da rua, um horário onde se via, explicitamente, que encerram às 16:30.

A senhora tanto insistiu, e gritava que só queria fazer uma pergunta que a rapariga lá teve que ir à porta. E a senhora de facto fez apenas uma pergunta. Perguntou "Estão fechados?"

A pergunta que agora eu vos deixo, caros compinchas leitores, é se um estalo valente dado na cara desta senhora, poderia ser considerado crime?

Não contente, a senhora que passa neste momento de senhora, a velha chata, lança o seu charme e diz que "já que está aqui, podia ver se estas análises estão prontas?"

A funcionária disse que não podia, ainda levou com a má disposição da velha, e lá voltou para o seu trabalho, que se atrasou uns minutos devido a alguém que julga que um outro alguém, que desempenha uma função de atendimento ao público, não é alguém, mas sim uma coisa, um adereço.

Para certas pessoas quem está atrás de  balcão não tem dores, não tem tristezas, não tem horários nem vontades. É engraçado que numa altura em que tanta gente discute a semana de 4 dias de trabalho, essa tanta gente pense que a semana de trabalho dos outros, deveria ser de 7 dias, e sem pausas sequer para dormir, que de calões está o Mundo cheio.

Segundo essas pessoas, mesmo que subconscientemente, no fundo, os funcionários, são apenas fantoches que estão ali para os servir.

06
Mar22

Um TABU de que se deve falar


Pacotinhos de Noção

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Estreou ontem o novo programa do Bruno Nogueira, TABU.

Relembro-vos há uns meses ter escrito o quão desiludido fiquei com o programa "Princípio, Meio e Fim", porque se assemelhava a uma reunião confusa de amigos, que decidiram que haveriam de se juntar todos, filmar, e depois mostrar o que dali resultou.

Muitos colocaram no programa o epíteto de genial, e que só os mais requintados poderiam gostar, que era preciso aprender a apreciar por ser muito fora da caixa, mas a verdade é que se um programa de comédia precisa de instruções para fazer rir, então não é um programa de comédia, é só um programa.

A verdade é que começou em glória, não cativou a grande generalidade do público e terminou sem deixar nenhum tipo de saudades.

Não critiquei uma única vez a capacidade humorística de Bruno Nogueira, pois não era com aquele programa que tinha que prestar provas. As provas necessárias já foram dadas anos antes, com outros formatos e outros estilos, e no "Princípio, Meio e Fim houve apenas a concepção de algo que não foi tão bem conseguido, quanto o haviam pretendido.

Aquilo que se destaca, ao observar o percurso de Bruno Nogueira, é a vontade de sempre fazer diferente, de aproveitar um espaço que, de certa forma, ninguém teve a ousadia, o discernimento ou o vislumbre de pegar. Se o "Princípio, Meio e Fim" era uma reunião de amigos, que não transparecia para o público qualquer tipo de afecto ou simpatia, TABU é uma reunião de desconhecidos que partilham entre eles (e também connosco) parte das suas histórias de vida, mas que corre muito bem, pois não existem piadas pré-concebidas e humores gastos e requentados metidos a martelo. Pelo contrário, existem ali pessoas em conversa onde, de uma maneira ou de outra, a piada surge, sendo aproveitada, para o programa, e funciona muitíssimo bem. Depois temos a parte de "stand up" do Bruno, que mata um pouco as saudades do tempo em que frequentava o "Levanta-te e Ri", mas que o súpera em muito. Temos agora alguém mais maduro, com menos manias de miúdo rebelde, uma inteligência mais acutilante, e que lhe é até exigida, tendo em atenção os assuntos focados.

Este programa não nos mostra como a vida pode ser perfeita mesmo que se tenha limitações. Mostra-nos, isso sim, que no meio da imperfeição que é a vida, existe espaço para momentos perfeitos em que nos conseguimos rir de motivos que normalmente nos levariam a chorar.

TABU é uma lufada de ar fresco por vir meter a mão de forma abrupta e indelicada, em assuntos que são normalmente mexidos com pinças, e com uma dose cavalar de cautela, que só assim acontece devido aos grupos crescentes de "canceladores" que julgam que o humor, o cinema, a televisão, a escrita e o teatro, se devem reger por regras por eles definidas, e que têm uma elasticidade elevada a zero, obrigando a que todos tenham que andar dentro de uma linha por eles definida.

Nogueira passa essa linha por vontade própria, e fê-lo de maneira exímia, pois tratou todos os protagonistas do programa de ontem, sem "coitadismos", ouvindo as suas histórias, mas brincando com o que havia para brincar. Não sendo o mesmo formato, assemelho muito este programa ao "Som de Cristal", em que Bruno brincava com os artistas da música popular portuguesa de uma forma divertida, mas nunca ofensiva, mostrando por eles um respeito que não existe normalmente nem nalguns anfitriões de programas que vivem tanto na base destes artistas, e que até fazem Festas e Domingãos inteiros, com a música por eles comercializada.

Se este programa mostrou a genialidade de Bruno Nogueira?

Não mostrou este, assim como não mostrou o "Princípio, Meio e Fim". A genialidade do artista não se constrói com um ou outro programa. Constrói-se com uma carreira de sucessos e insucessos, altos e baixos, louvores e polémicas, mas sempre com a constante de dar algo de novo e interessante a quem vê. No panorama humorístico nacional actual existe apenas um génio, e é Herman José, que tem carreira, vida, história e que foi ousando.

Sei que existe também quem considere Ricardo Araújo Pereira um génio, e aqui não poderia estar mais em desacordo. Não querendo comparar os dois, mas já comparando, Bruno Nogueira já caminhou por vários estilos e não teme a mudança, RAP está preso à comédia política, e parece de lá não querer sair, tansformando-se assim num Jon Stewart de Carnaxide, o que nem é desprimor nenhum, e o ex-Gato Fedorento e bastante bom naquilo que faz, mas ficando muito preso a um estilo, poderá deixar de saber fazer todos os outros. Já Bruno gradualmente vai construindo o tal caminho para um dia poder acalentar a ser

um génio, não comparável ao Herman, mas que terá também lugar de destaque.

Parabéns ao Bruno Nogueira, à SIC e aos protagonistas do primeiro episódio do TABU. Fico, ansioso, a aguardar os próximos episódios.

09
Ago21

Todos juntos não fazem um


Pacotinhos de Noção

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Alguns já reconheceram o senhor que está na foto, outros não fazem a mínima ideia de quem seja.

Este senhor é (ou era, sinceramente não sei se ainda está vivo) o Sr.Engenheiro Luís Almeida, ou o mais comummente conhecido "Papa Concursos".

Nos anos 80 foi vítima de muita admiração, de muita inveja e de muita maledicência.

Inveja e maledicência porque como participava em todos os concursos, e geralmente ganhava, as pessoas afirmavam que não era normal ele conseguir ser sempre seleccionado e que por isso devia estar feito com as produções dos concursos. Lembro-me da justificação dada pelo próprio Engenheiro numa entrevista da época. Espantem-se, mas o senhor naquele tempo tinha em casa um aparelho espectacular e ultra moderno e que era uma fotocopiadora. Como tal, fotocopiava milhares dos cupões que saiam nas revistas e assim tinha quase a garantia de que seria seleccionado.

Mas porque me lembrei de falar neste senhor que "papava" todos os concursos?

Na verdade foi por causa de um pensamento que me surgiu hoje ao saltar de canal em canal.

Reparei que na SIC tínhamos mais uma série do programa das casadoiras que caçam um agricultor, e na TVI acontecia também a magia da paixão, com "O Amor Acontece". O pensamento surgido foi que todos estes concorrentes juntos, os do reality-love show da TVI , com os da SIC e até com concorrentes de séries anteriores destes programas, todos juntinhos não conseguiriam fazer um Engenheiro Luís Almeida. Quer em carisma, quer em inteligência, quer em cultura geral. Aliás, podemos até juntar ao role dos concorrentes os apresentadores e nem assim conseguiríamos chegar perto da capacidade intelectual do antigo concorrente dos concursos.

Isto não é um caso claro de "antigamente é que era bom". Se calhar até nem era, aliás recordo-me bem de uma massa crítica que abominava e falava mal da existência de tantos concursos televisivos... Mal sabiam eles. Mas até dou de barato e vamos fingir em concordar que o antigamente não era bom. O problema não está ai. O problema está é no facto de que o agora não chega sequer a mau, de tão medíocre que é.

Peço imensa desculpa a todos aqueles que assistem a estes programas, e que se possam sentir melindrados por esta minha crítica.

Se gostam de ver este género de programas o problema é vosso, mas o chato é que também acaba por ser um bocadinho meu. Isto porque o consumo feito por vós deste lixo televisivo, vai fazer com que os canais de televisão continuem a apostar nestes formatos, e mesmo eu sabendo que existem outros canais, pergunto-me porque será que os generalistas não podem passar programas que valham um bocadinho a pena?

Eu faço a pergunta e dou a resposta.

PORQUE QUEM VÊ É BURRO. Lamento mas não tenho outro nome. São burros.

Os canais não inventaram nada de novo, eles só dão ao público aquilo que o público pede e que é esta porcaria.

O nível das pessoas que hoje em dia participam nestes programas é tão mau que o pessoal que participou no primeiro Big Brother português, nem para defecar se sentariam ao lado deles, mas ainda assim têm quem os idolatre.

Tenho consciência que programas como "A Noite da Má Língua", com o Rui Zink, "As Noites Marcianas" com o Carlos Cruz, o "CQC" com o Pedro Fernandes ou até uma pérola humorística como o "Herman Enciclopédia" do Herman José, hoje em dia não teriam palco. Não porque não tivessem qualidade, mas porque o público quer o prato todo mastigado para fácil deglutição. Isto já não é de agora. Falando no Herman lembro-me por exemplo do "Hora H", que foi um fracasso não porque não prestasse, mas porque para se ter humor há que ter pelo menos um pouco da massa cinzenta a funcionar, e ao que parece a dormência é total.

Reparem que mesmo programas considerados mais ligeiros como "O Fura-vidas" com o Miguel Guilherme e Ivo Canelas, ou até "Os Malucos do Riso" com o Guilherme Leite e a Carla Andrino, hoje não teriam a quantidade de público como o que foi na altura granjeado, porque aquilo que davam não era "reality", não eram acontecimentos do dia-a-dia... Mas quantas pessoas têm um dia-a-dia tão podre como o destes "reality show" amorosos!?

Há uns anos lembro-me que davam notícias de que na Holanda existia uma zona apelidada de "Red District", em que as senhoras ficavam em montras para venderem os seus corpos aos clientes. Era um escândalo.

Hoje a montra transformou-se em televisão, já são senhoras e senhores, os corpos que se vendem e vendem-se a preços de saldo.

Têm um minuto de fama e sentem as luzes da ribalta, mas um minuto são apenas 60 segundos e a lâmpada funde-se depressa.

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