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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

23
Nov22

Deixem-se de pequenices


Pacotinhos de Noção

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Tem sido divulgada uma notícia, que ainda não tendo tido uma confirmação 100% credível, também ainda não foi desmentida, e tendo em consideração os passos recentes dados pelos estúdios da Disney, estou em crer que não será uma notícia falsa.

É um assunto repetido aqui no Pacotinhos de Noção. Se procurarem pelo texto "Pequena Sereia - Inclusão a Martelo", já perceberão parte da minha opinião, mas aquilo que agora pretendem fazer à "Branca de Neve e os 7 anões", ultrapassa todos os limites da noção, da liberdade criativa e do respeito pela história da 7.ª arte.

Ao que parece o filme será lançado nos finais de 2023, princípios de 2024, mas a polémica já surgiu.

Quando se soube desta nova produção da Disney, uma das primeiras vozes que se levantou contra foi a do actor Peter Dinklage.

Peter Dinklage é um actor norte-americano com provas dadas. Já ganhou 5 Emmys e um Globo de Ouro, e conta com uma carreira de mais de 30 anos, mas foi só em 2012, com a sua personagem na série "Guerra dos Tronos", que Peter alcançou grande notoriedade, levando-o até a ganhar os prémios que atrás mencionei. A sua personagem dava pelo nome de Tyrion Lannister, cujas alcunhas eram Meio-Homem, Duende, Pequeno Monstro.

Peter foi escolhido para interpretar este papel, acredito porque é um bom actor, mas principalmente porque é um bom actor anão. A personagem foi escrita como sendo anão porque fazia sentido para a história, interpretada por Peter porque também fazia todo o sentido. De resto devo dizer que muitos dos papéis de Dinklage foram-lhe atribuídos precisamente devido ao seu nanismo. Em "The Last Rites of Ransom Pride" a sua personagem é "O Anão". No seu mais recente filme, "Cyrano", o actor também é escolhido por ser anão, pois no Cyrano de Bergerac original, o herói não quer mostrar à sua amada quem é por ter vergonha do seu imenso nariz, nesta história de 2021 a intenção de não aparecer é a mesma, mas desta feita por ser anão.

Resumindo e concluindo, e não tirando mérito a Peter Dinklage como actor, mas a verdade é que deve o seu sucesso, e o reconhecimento por parte de todos, graças a todos os papéis que fez, e em que ser anão era uma característica definida, e justificada, na história. A pergunta à qual era importante saber a resposta (assner em inglês) é:

Se enquanto precisou, o actor nunca se insurgiu contra isto, porque é que agora, depois do sucesso alcançado, e de ter chegado a milionário, se lembra de vestir a pele de virgem ofendida, de ser humano humilhado pela história, de pessoa segregada, para criar à sua volta uma onda de indignação tal, que levou a Disney a afirmar que no filme "Branca de Neve e os 7 anões", a parte dos anões vai deixar de existir. Em vez de anões vão optar por "umas criaturas mágicas".

Ignorantemente Peter Dinklage defendeu ser uma vergonha estereotiparem os anões como uns tipos que viviam em cavernas, o que como argumento é completamente estúpido, porque os anões não viviam em grutas, trabalhavam nelas, uma vez que eram mineiros.

Não temos anões na Branca de Neve, não temos o beijo do Príncipe à Bela Adormecida porque é um acto não consentido, não temos a Bela e o Mostro, porque ser bela é objectificação da mulher, e chamar Monstro ao Monstro pode ser considerado "bullying", o Egas e o Becas não podiam ser apenas amigos a partilhar o apartamento, tem obrigatoriamente que haver uma relação homossexual, o Apu dos Simpsons não pode ter um caucasiano a fazer a sua voz porque é racismo e qualquer dia o Rato Mickey vai ser cancelado porque não tem pudor em dizer que gosta de uma rata. Deixem-se de falsos moralismos, de puritanismos bacocos. Este tipo de ditadura, de cancelamentos, de espartilhamentos mentais e sociais, acabam por saturar a mente do comum mortal, daquele que não vê o diabo a cada esquina e a maldade em cada vírgula. 

As interpretações são como a maldade, esta apenas nos olhos de quem vê e nos ouvidos de quem houve. Às vezes uma história é apenas uma história, e se há tantos polícias da moralidade a magia da história deixa de existir, e aquilo que poderia ser comparado a um café, que na sua origem era puro, agradável e forte, depois de tanta separação e filtragem, passou a ser apenas uma água de lavar borras que proporcionará as piores caretas, a quem tiver o azar de a bebericar.

Aqui falo de filmes, ou desenhos animados, que sofreram deste escrutínio escabroso, mas esta inquisição espalha mais depressa que fogo em mato seco, e vemos na sociedade exemplos destes, nos mais variados sectores.

Em Portugal, celebramos todos os anos a liberdade que o 25 de Abril de 74 trouxe-nos, mas não sei qual a data que devemos marcar no calendário para assinalar quando essa liberdade passou a ser fictícia. Noutras partes do Mundo, aquilo que vai acontecendo são pessoas, que sempre forem ponderadas, começarem a encostar a extremos, que se dizem conservadores, na esperança de que este culto inquisidor tenha algum travão. É um erro, porque não é com vinagre que se apanham moscas, mas se não pretendem que grande parte dos países, mais tarde ou mais cedo se tornem em estado ditatoriais, deixem-se destas pequenices de espírito, que transformam quem as pratica, em seres tão, mas tão pequeninos, que até os anões da Branca de Neve quando olham para eles, olham de cima.

02
Nov22

Tudo tem um lado positivo


Pacotinhos de Noção

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O que têm em comum as eleições no Brasil, o C0VlD19, o crescimento do CHEGA, e a guerra na Ucrânia?

Curiosamente é algo de positivo. Ninguém adivinha? Eu digo.

Estas situações, umas mais graves, outras mais chatas, nenhuma agradável, serviram para fazer sair das suas tocas todos os anormais, idiotas, retardados e descompensados que nem sequer sabíamos existirem... E alguns podem estar mais perto do que poderíamos imaginar. Pode ser um colega de trabalho, um vizinho, um amante, o dono do café que frequentamos, ou até um familiar.

Quando partimos de conceitos pré-definidos como a justiça, a honra, a bondade, o senso comum, a consciência e até a inteligência, esquecemos que poderá existir um grande número de pessoas que não se regem por nenhum desses conceitos e que, se há uns tempos se apercebiam que calados eram poetas, agora passaram a ter para si que aquilo que defendem, e em que acreditam, por mais estúpido e bárbaro que possa ser, é passível de ser vomitado para uma sociedade que, de tão politicamente correcta, passou a afirmar que todas as opiniões são válidas, e isto não é verdade. Se realmente é positivo saber quem são os estupores que nos rodeiam, para assim estarmos de sobreaviso acerca dessas pessoas, dar tempo de antena, e rastilho para a sua pólvora, é estar a fazê-los acreditar que aquilo que dizem, vale mesmo a pena.

Vamos a exemplos caso a caso, que é para isso que realmente aqui estamos.

 Agora que já acabaram as eleições, posso dar a minha opinião sem cair no risco de mudar as intenções de voto. Podem até achar que minto, mas a par da Globo, o Pacotinhos de Noção é o órgão de comunicação que mais influência a intenção de voto no Brasil. Se estiver a mentir, que o "N" deste teclado deixe já de fucioar…  

Dizia, nas eleições no Brasil ficou bem claro que malucos existem aos milhões.

Lula é um corrupto, e isso está mais que provado e comprovado, mas a alternativa a este corrupto é um maluco que quer armar, ainda mais, um país onde o crime violento, recorrendo a armas de fogo, é dos mais elevados em todo o Mundo, um país que por ano tem mais mortes ligadas a armas de fogo do que alguns países que estão em guerra há vários anos.

Milhões de brasileiros queriam para presidente um tipo que ameaça jornalistas, adversários e que não tem nenhum pudor em exprimir o seu apoio a Vladimir Putin. Um tipo que encara a homossexualidade como uma doença e que defende que "o pobre só é bom para votar". Queriam dar o segundo mandato a alguém que lança a atoarda da corrupção, mas que tem o filho envolvido em casos que são tudo menos claros. O problema aqui não é Jair Bolsonaro. Que ele é maluco e perigoso já todas as pessoas perceberam... menos os 58 milhões que votaram nele, e que defendem agora protestos violentos, para contestar esta eleição. A única diferença entre Lula e Bolsonaro é a prisão. Um já por lá passou, o outro AINDA não.

Já os maluquinhos dos negacionistas do C0VlD acho que nem têm nada de novo que se lhes aponte. Todos sabemos as alarvidades que disseram e agora, pasmem-se, andam todos orgulhosos a dizer que falsificaram testes e certificados de vacinação. Isto não poderá ser encaixado numa moldura penal qualquer? É que há aqui falsificação de documentos. No meu entender, a justiça deveria actuar sobre estes indivíduos. O que mais me surpreendeu foi ter dado conta de que até conhecia alguns negacionistas. Pessoal que até parecia equilibrado, mas que bastou haver uma pandemia e "soltaram a franga", elaborando teorias conspirativas e afirmando que os culpados disto tudo eram "ELES", e que "ELES" até nos iam implantar chips. Que "ELES" inventaram isto para matar os velhotes e poupar nas reformas... Os velhos que conheço devem ser todos muito resistentes, porque não houve um que tivesse lerpado com a pandemia, para eu agora ter uma história para contar.

A negação da invasão da Rússia à Ucrânia é algo que ainda estou para perceber. Quem defende isto, é negar as evidências, ou então quer contrariar só para chocar. Neste caso concreto eu nem demoro tempo a discutir, porque não há nada para discutir. Quem defenda Putin defende o indefensável e, muito sinceramente, devia barrar a cara com fezes, ao conseguir ter o descaramento de tentar sequer argumentar algo que não seja a condenação de tão vil ataque.

No final vou dar-vos um exemplo de como alguém, que por acaso até é meu familiar, consegue ser de tal forma idiota que nem daria para ser inventado.

Esta pessoa não admite que simpatiza com o CHEGA, mas todas as suas ideologias vão de encontro às do dono da falecida coelha Acácia.

Há uns meses houve uma discussão entre famílias rivais de ciganos no Almada Fórum. Um indivíduo saca de uma arma, dispara dois ou três tiros e um dos tiros acerta, precisamente, no joelho da sua filha de 5 anos. Esta minha familiar condena os tiros, condena a luta entre as duas famílias, e mais... condena a menina de 5 anos, porque é filha daquele pai. Esta minha familiar tem filhos da mesma faixa etária que a menina, que não pediu para nascer, não pediu para ser filha de um estúpido que anda armado em centros comerciais, nem tão pouco pediu para levar com um balázio no joelho, dado pelo próprio pai. Mas para esta minha familiar a miúda tem culpa, porque nem devia estar com o pai no Almada Fórum. Já disse que a menina tinha 5 anos, não já? É que não conheço muitas crianças de 5 anos que tivessem a presença de espírito de dizer ao pai: "Desculpa lá, pai, mas não quero estar aqui contigo. Vou sair do Almada Fórum e vou já apanhar o autocarro para o Monte da Caparica."

Curiosamente isto é o tipo de pessoa que depois também acaba por ser mais ou menos negacionista, segundo palavras dela, mais ou menos racista, mais ou menos homofóbica, mais ou menos a favor do Putin, mais ou menos completamente parva e estúpida.

Tal como em quase tudo na vida, há males que vêm por bem. Não é que este bem nos faça sentir melhor, afinal de contas acabamos por nos aperceber que estamos rodeados de gente que se houvesse uma "Noite de Crime", como no filme "A Purga", nos viriam bater a porta, e não seria para pedir Pão por Deus. Assim já sabemos quem são esses malucos. É esse o lado positivo.

09
Out22

Curvem-se perante o rei


Pacotinhos de Noção

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Estivemos aqui há umas semanas, todos contentes, a cortar na casaca do príncipe (agora rei) Carlos, porque ela era isto, ele era aquilo. A vida, tarde ou cedo, acaba por nos dar uma bofetada, e esta nem é de luva branca, é com uma mão toda calejada e cheia de graxa.

Enquanto gozávamos com o facto do Rei Carlos tomar posse velho, nunca ter trabalhado, e ter pouco jeito para a escrita, esborratando tudo, esquecemos que, para não ficarmos órfãos de realeza - uma das consequências de não termos monarquia, e a de não termos um Rei oficial proclamado - não é rara a vez em que denominamos alguém como rei.

Todos conhecem o Rei dos Frangos, o Rei das Farturas e o Rei das Bifanas, mas ao que parece, toda e qualquer realeza que nos apareça na área alimentar, não será nunca o suficiente, e é então, nessas ocasiões que puxamos dos galões e proclamamos Rei alguém tão valoroso como o drogado que nos rouba os catalisadores dos automóveis. Temos então um rei sem coroa, sem trono, sem vergonha e sem um centímetro do corpo que não esteja furado pela seringa.

Não é o facto de se drogar que me incomoda. Cada um põe fim à própria vida da maneira que melhor lhe parecer. Uns atiram-se para debaixo do comboio, outros cortam os pulsos, o Rei dos Catalisadores opta por pequenas doses de veneno, servidas numa seringa. Parece-me muito bem.

O que já não me parece tão bem é que este farrapo da sociedade tenha, a determinada altura da sua vida, recebido no Monopólio a carta "Está livre da prisão", e pelos vistos pode usá-la tantas vezes quanto quiser.

Sei que lhe foi agora decretada a prisão preventiva, mas como todos sabemos aqui o "preventiva" é sinónimo de "provisória" e temo que mesmo após a sua apresentação em tribunal, o nosso alto monárquico de peças automobilísticas, apanhe apenas uma pena suspensa. Tenho quase a certeza de que vai acontecer.

Isto mostra que anda tudo a brincar, mas uns fazem uma brincadeira mais perigosa do que outros.

O Rei Drogado anda a brincar com o bem-estar e com a vida das pessoas, roubando-os, causando-lhes prejuízo, e até os atropelando, nas suas tentativas de fuga à polícia. A polícia, essa, anda a brincar aos polícias e ladrões. Correm atrás de um bandido, prendem-no, levam-no para o coito e ele volta cá para fora... E porquê? Porque o derradeiro brincalhão, o juiz, chega ao coito e diz: "1,2,3, salva todos", vindo de imediato o bandido para a rua. Aqui o juiz também brinca. Brinca com o trabalho dos polícias, brinca com o dinheiro dos contribuintes, em sucessivas sessões de julgamento, e por deixar que aquele estrumoso vá roubar mais uns carros e uns catalisadores. Este juiz ainda faz pior, brinca com a vida dos cidadãos, porque um tipo num estado de dependência já tão avançado, numa das suas crises, não hesitará em matar para roubar, ou apenas para conseguir fugir, numa das tais perseguições policiais, conforme ficou comprovado na sua última detenção, em que o indivíduo atropelou um ciclista... Sim, eu bem sei que o ciclista é um bicho que nem todos gostam, mas ser passado a ferro por um bandido bexigoso! Percebo que seja da realeza, mas como não vivemos em monarquia, e se vivêssemos tínhamos um rei palhaço, não vejo motivos para prestarmos vassalagem, nem tão pouco termos de nos curvar a este Rei de tão pouca nobreza.

24
Set22

O que dizem, e o que pensam


Pacotinhos de Noção

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As pessoas do sexo feminino que seguem o Pacotinhos, que me desculpem, mas todos nós sabemos como as mulheres gostam de roer os ossos umas das outras.

Presentemente, com a capacidade que o homem actual tem de se tornar cada vez mais andrógeno, também já temos aquele hábito de cortar na casaca uns dos outros, mas não o conseguimos fazer com a mestria e o cinismo das meninas.

Atenção, isto não é uma crítica. Somos como somos e temos as nossas características, mas não pude deixar de pensar nisto quando vi tanta partilha da capa da Women's Health com a Bumba na Fofinha.

Não pude deixar de pensar, também, na confusão que se gera nas pessoas.

Temos que ser todos "fit" e todos saudáveis. Caminhar, correr, escalar e ir ao ginásio sete dias por semana, numa cultura de corpos que se querem, no mínimo, como o do Adónis, não olhando a meios para atingir os fins, fazendo até com que pategos como o Miguel Milhão fiquem milionários com as suas vendas de proteínas. Depois, quando uma qualquer famosa tem filhos, e não consegue voltar à sua antiga forma física (e na minha opinião nem tem que o fazer, tem que ficar como se sentir melhor), é elevada aos píncaros por assumir as suas gordurinhas. Curiosamente este ano, nos areais deste nosso país, não vi ninguém acima do peso a receber uma faixa de Miss, ou Mister Praia... Bem, na verdade, nem com gordurinhas, nem sem, mas vocês perceberam aquilo que quis dizer. O Fernando Rocha, por exemplo, há pouco causou furor porque ficou todo enxuto. Quando tinha pança nem capa da TVGuia conseguia ser.

Mas já fugi um pouco ao contexto daquilo que queria escrever inicialmente, e que basicamente se pode traduzir numa frase, não muito simpática, mas que se fosse dita pela Samantha, do Sexo e a Cidade, estaria provavelmente espalhada pela internet, e que é:

"Nós gajas, somos todas umas cabras, mas as vossas tetas são mais descaídas que as minhas".

Em relação à Bumba na Fofinha só lhe posso dar os parabéns por ter dado à luz. Dizem que a maternidade dá uma graça especial às mulheres, pode ser que finalmente tenha alguma.

31
Ago22

Duas formas de ver estrelas


Pacotinhos de Noção

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Quase a terminar as férias, hoje decidimos fazer uma visita ao Planetário. 

Só lá tinha ido em miúdo, ainda na escola primária, a minha mulher nunca foi, e o nosso filho iria gostar de certeza.

Em relação ao preço dos bilhetes não achei escandaloso. 15 € chegaram para dois adultos e uma criança de 5 anos.

Escolhemos a sessão que melhor se adequava à idade e ficámos agradavelmente surpreendidos por perceber que o Planetário não é uma atracção esquecida pelas pessoas. Estava uma sala bastante agradável e até o conferencista mencionou o facto.

A sessão foi óptima, o meu filho gostou imenso e foram 40 minutos que passaram num instantinho.

Esta foi a parte positiva, e agora falemos da outra, mas que em nada tem que ver com o Planetário, ou quem nele trabalhe.

Tenho duas crianças, uma de 5 anos e outra de 1 ano e 10 meses. Obviamente, e como qualquer ser minimamente pensante, não me passou pela cabeça imaginar levar a mais pequena a uma sessão numa sala escura, onde se requer silêncio e  alguma atenção, pois a primeira coisa que me enervou um bocadinho foi, na fila da bilheteira, um idiota que reclamava por não permitirem a entrada da sua pequena de ano e meio. Não conseguia perceber o porquê desta situação, e estava até a sentir que estaria a ser prejudicado na sua condição de pai...

Acho não haver muito o que dizer aqui. Se aquela besta não percebe o porquê, parece-me sensata a atitude do senhor da bilheteira que lhe respondeu um seco "Pois é, mas não pode." E pronto, é ignorar e seguir.

Não sei se estão familiarizados com o edifício do Planetário de Lisboa. As bilheteiras são no R/C, e a sala de projecção é no primeiro andar. Antes da sessão as pessoas aguardam num pequeno átrio onde estão expostos o antigo projector do planetário, e um antigo e enorme telescópio. Estive a explicar ao meu filho o que aquilo era, fingindo-me de sábio e entendido, pois é só por esta altura que conseguimos iludir os nossos filhos, e ele, talvez interessado, ou apenas de simpatia extrema, parecia ouvir aquilo que lhe dizia. Bem, para dizer a verdade não sei bem se ouvia porque, a determinado momento, deixamos de estar em Belém e fomos teletransportados para Sete Rios, mais propriamente para a Aldeia dos Macacos, no Jardim Zoológico. É que os pequenos seres retardados que ali se encontravam em espera, decidiram usar, tanto o telescópio, como o projector, como ferramentas de equilibrismo, e começaram a trepar por eles acima. Isto entre guinchos e gritinhos que nos furavam os tímpanos como se a Sharon Stone nos estivesse a cravejar o picador de gelo no cérebro.

Esta tortura parou porque, entretanto, começamos a entrar na sala.

Como disse sou pai de duas crianças. Não são anjinhos, longe disso. Tem dias que me moem tanto a cabeça que até dá pena não fumar, só para ter a velha desculpa de que "vou comprar tabaco e talvez volte", mas o tipo de comportamento que têm em público, principalmente o mais velho, em nada tem a ver com a maneira como se comporta em casa. Na rua até parece uma criança educada, evoluída e respeitadora. Quem o vê, quer ficar com ele, e de facto entrámos na sala, ele cumprimentou o conferencista, sentou-se e ficou a falar connosco, os pais, tirando dúvidas, perguntando o que iríamos ver. Já os macaquinhos que estavam lá fora, entraram também, e as cadeiras do Planetário, as quais são quase como marquesas para nos deitarmos, passaram a ser trampolins para os meninos saltarem. Eram muitas Carlotas, Matildes, Salvadores e Vicentes. Curiosamente os Fábios e os Rubéns, estavam sentadinhos com os seus pais, todos com os "caps" de pala para trás, e com as suas t-shirts de cava, mas caladinhos e com um comportamento bem civilizado. Parece que aqui para os lados de Cascais, as regras da boa educação são apenas algo que fica bem em livros de etiqueta, na revista Hola! e quando a Madalena Abecasis manda que assim seja.

Perguntarão vocês, "onde raio estão os pais destas crianças?"

a progenitora, que incomodavam quem ali foi para passar um bom bocado, e que eles não o estavam a permitir. Fiz esse meu "schiuu" e ainda bem que o fiz, porque resultou exactamente da mesma forma como se não o tivesse feito...

É isso mesmo. Nem ligaram. Ninguém quer saber se incomoda ou não, e a  grande vontade com que fiquei foi a de levantar-me e começar a distribuir chapadões, e desta forma as estrelas que iríamos ver não seriam só as projectadas no tecto do Planetário. Só não o fiz porque tive em consideração as regras da civilidade, da boa educação e porque poderia haver um pai, ou até uma mãe, maior ou mais forte do que eu, e também eu poderia ficar a ver estrelas.

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