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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

12
Jan22

O Parque das Gerações não pode acabar


Pacotinhos de Noção

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O texto de hoje refere-se a um acontecimento que decorre na área onde resido e, como tal, poderá parecer a alguns, um texto algo bairrista, mas não o é porque este exemplo coloca a nu muito daquilo que se passa por todo o país e como é cada vez mais difícil considerar promessas e convicções vomitadas por quem nos governa.

Este também não é um post político, é um post de apelo, de divulgação e de certa forma de revolta. Vamos então a isto.

Em Setembro de 2013 nascia em S.João do Estoril, naquele que outrora era apenas um descampado junto ao Centro de Saúde, que servia maioritariamente como ponto de descargas de entulho clandestino, um skatepark baptizado como "Parque das Gerações". Não sou adepto de skate, patins nem nenhuma das actividades possíveis de se fazer naquele recinto, mas sou completamente a favor de todas as infraestruturas que tenham como objectivo o convívio, a prática do desporto e o incentivo a que miúdos, e até mais graúdos, possam preencher os seus tempos livres com algo que lhes seja salutar e prazeroso.

O Parque das Gerações foi, sem sombra de dúvida, uma aposta ganha por Carlos Carreiras e a Câmara Municipal de Cascais (CMC). Aproveitou um espaço feio e inútil em algo que dinamizou a área envolvente, embelezou o local e colocou S.João do Estoril até nos mapas dos outros países, pois já vários campeonatos internacionais foram disputados neste parque. Resta dizer que a feliz ideia deste Parque das Gerações saiu da cabeça de Pedro Coriel, que em boa hora apresentou o projecto à Câmara.

Tudo corria bem e há que admitir não haver grandes pontos negativos a apontar ao Parque das Gerações e a tudo o que o mesmo gerou, até que Pedro Coriel, que pelos vistos não é só boas ideias mas também alguém que sabe como se manter informado

Deslindou que a CMC e a Infraestruturas de Portugal, se preparavam para dar início à construção de um parque urbano e que, inerente ao mesmo, estaria a construção de uma via, denominada Circular Nascente, que passaria precisamente pelos terrenos onde está o Parque das Gerações, destruindo assim por completo aquilo que foi feito e que em cerca de 9 anos consegui já construir uma mística e uma fama, até internacional, e que tanta falta faz a quem por lá passou, passa e passará.

A justificação para esta decisão é a de eliminar a passagem de nível de S.João do Estoril, tendo como fim evitar os atropelamentos...

Na minha opinião, que vale o que vale, mas que a darei dado que este texto é meu, este argumento é imbecil e não tem em consideração todos os prós e os contras do encerramento da passagem de nível.

Para quem não conhece a passagem desde já explico que existe cancela, sinal sonoro, sinal luminoso e visibilidade mais que suficiente. Aquilo que não existe, e que ainda não foi inventado, foi um sistema infalível para evitar que idiotas se comportem como idiotas. Dos últimos atropelamentos posso afirmar com 100% de certezas que se estas pessoas não fossem atropeladas por um comboio sê-lo-iam por um autocarro, um carro, uma mota ou um burro de carga.

Uma das vítimas não foi atropelada na passagem de nível. Era um toxicodependente da zona que decidiu pôr termino à vida e fê-lo a cerca de 800 metros de distância da passagem de nível. Outro dos casos foi uma idosa de cerca de 80 anos que pensou ser atleta e tentou correr para atravessar à frente do comboio. Não conseguiu. Outro caso foi um rapaz que teve o mesmo pensamento da idosa, mas ia de bicicleta. Ele passou, a roda da bicicleta não e o comboio bateu foi na roda da bicicleta, projectando-o.

Em S.Pedro do Estoril caíram no erro de fechar a passagem. Mataram uma das partes que ficou mais isolada. Os negócios sucumbiram e até um pequeno Centro Comercial que ali existe ficou às moscas. Não é o interesse comercial que aqui defendo e sim as famílias que se viram em situações de apertos económicos e desempregadas devido à má opção. Os atropelamentos continuam a acontecer porque há sempre quem salte muros e gradeamentos ou que tente passar de uma gare para a outra pela linha, em vez de descer os túneis. Como disse, idiotas serão sempre idiotas e não há infraestruturas que consigam vencer um idiota.

Quando Pedro Coriel lançou esta desconfiança o Polígrafo investigou a situação e deu-a como falsa.

A verdade é que agora, cerca de um ano depois, a CMC acabou por fazer uma alteração de proposta do PDM para efectivamente ser feita a construção da maldita estrada que vai destruir o parque.

Devo dizer que Carlos Carreiras está no seu último mandato e fez algumas coisas boas por Cascais e outras péssimas. Nestes últimos tempos Cascais voltou aos anos 90 e é de novo um enorme estaleiro de obras e parece que assim vai continuar.

Num último mandato existir uma necessidade de se fazer obras e mais obras, algumas delas que poderão até a vir a ter uma ou outra derrapagem orçamental, é uma prática que nos deixa a todos com "a pulga atrás da orelha" e algo que também incomoda é o silêncio que se faz sentir quer por parte da CMC e do seu próprio presidente, para esclarecer se esta situação se vai manter porque valores mais altos se levantam, ou se vão ponderar uma alternativa que não mate o Parque das Gerações, não divida S.João em dois e que não deixe no ar um leve aroma de suspeição.

Gostaria que pessoas que vivem ou viveram na zona, como Madjer, Bárbara Norton de Matos, Luciana Abreu, Rita Guerra, Liliana Campos, Carlos Xavier,  e tantos outros, divulgassem esta situação para que a CMC se veja obrigada a pelo menos responder a quem tão bem usa o Parque das Gerações e que deu início a uma forte corrente de contestação e que faz o que pode para obter respostas. Não deixem esta malta lutar sozinha, são ainda muito novos e são o futuro do nosso país, terem a ajuda necessária fará com que percebam que ser parte activa na sociedade poderá fazer com que a mesma mude para melhor.

Força a estes pequenos lutadores e força para que o Parque das Gerações continue por cá muitos e bons anos.

21
Out21

Post das lamentações


Pacotinhos de Noção

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Ontem foi morto um tipo na estação do metro das Laranjeiras.

Não foi um jovem, não foi um menor, não foi um estudante, conforme se foi noticiando.

Não foi um crime passional, não foi um crime racial, não foi um assalto, como também já vi algumas pessoas a especularem.

Aquilo que já se vai sabendo é que o rapaz que foi morto, o Rafael, pertencia a um gang. Sim um gang, daqueles que se juntam para roubar, destruir, amedrontar, bater e em último caso matar. Daqueles que combinam encontros na internet para depois fazerem autênticas batalhas campais, acabando por vezes até a causar estragos em propriedade que lhes é alheia, como por exemplo em carros que possam estar estacionados nos sítios para onde foram combinadas as lutas.

Tratando-se de um ajuste de contas entre gangs tenho apenas a lamentar todos os danos colaterais que foram causados a quem nada com isto tem que ver.

Lamento por quem estava na estação e assistiu a esta selvajaria, lamento pelos pais do Rafael que por muito que tenham errado na educação do filho certamente quê nunca desejaram que ele tivesse este fim.

Lamento até por quem viu a sua vida atrasada pelo motivo do metro ter ficado várias horas com a estação fechada.

Lamento também que os agressores ainda não tenham sido apanhados e lamento muito caso algum seja menor de idade, pois dessa forma não terá a punição justa e adequada.

Outro dos lamentos grandes que tenho é que estas situações vão sendo cada vez mais frequentes. Há cerca de um ano mataram, também à facada, um rapaz de 16 anos numa estação de comboios na Amadora. Novamente luta de gangs. A meio de Setembro deste ano mataram um rapaz de 20 anos, no Cais do Sodré, com dois tiros na cabeça... Aqui não há a certeza de que tenha também sido um ajuste de contas entre gangs, mas tudo aponta para que sim.

A violência atinge limites fora do normal e chega a pessoas com idades cuja principal preocupação deveria ser se têm ou não uma nova borbulha, se a Jéssica Vanessa está apaixonada por ele, se consegue passar o nível naquele jogo da PlayStation ou se sempre conseguirá aquele primeiro emprego. Nalguns casos a preocupação deveria ser até se vai conseguir ter nota para entrar no ensino secundário ou não. Alguns destes tipos não deviam sequer andar sozinhos na rua, no entanto andam com facas e revólveres no bolso.

Urge ser dado um passo para tentar mudar algo, porque da forma que está não dá para continuar. É demasiado perigoso.

A minha sugestão vai no sentido de acabar com tretas como as Polícias Municipais, por exemplo, que mais não são do que homens armados, mal preparados e que na sua essência servem apenas para multar carros mal estacionados e servirem de polícias sinaleiros em locais com trabalhos na via, e formar algo como uma polícia musculada de Giro, que circularia pelas ruas e pelos transportes com o fim de evitar estes confrontos e apartando toda e qualquer escaramuça que pudesse surgir.

Alguns vão dizer que seria como dar início a uma guerra, mas tenho uma novidade... A guerra já começou e estamos desarmados, bem no meio dela, e não temos quem nos defenda.

Acho que este deveria ser um dos primeiros passos a dar, para que os lamentos que hoje fiz não sejam repetíveis incessantemente, em maior escala e com vítimas que nada tenham mesmo que ver com estas situações.

 

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